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Autores: Profa. Nair Moretti Baradel Prof. Rubens Pardini Colaboradores: Profa. Divane Alves da Silva Prof. Maurício Felippe Manzalli Planejamento Contábil Tributário Professores conteudistas: Nair Moretti Baradel / Rubens Pardini © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) B223p Baradel, Nair Moretti Planejamento contábil tributário / Nair Moretti Baradel, Rubens Pardini. São Paulo: Editora Sol, 2021. 128 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. 1. Planejamento tributário. 2. Simples nacional. 3. Lucro. I. Pardini, Rubens. II. Título. CDU 341.396 Nair Moretti Baradel Possui mais de 30 anos experiência na área contábil tributária de grandes e médias indústrias, bem como de prestadores de serviços. Tem graduação em Gestão Financeira pela Universidade Paulista (UNIP) e pós-graduação em Controladoria de Empresas pela mesma universidade. É professora do curso de Ciências Contábeis, nas disciplinas Contabilidade Tributária, Planejamento Contábil e Tributário, Contabilidade Gerencial e Contabilidade Introdutória na UNIP. É professora conteudista das disciplinas Contabilidade Tributária (curso de Ciências Contábeis) e Planejamento Tributário (curso de Gestão Financeira). Atua ainda como colaboradora de EAD, participando da elaboração de livros-textos, fazendo revisões e formulações de exercícios para os cursos de Ciências Contábeis e Gestão Financeira. Rubens Pardini Mestre em Ciências Contábeis e Financeiras pela Pontifícia Universidade Católica – PUC-SP. Bacharel em Administração de Empresas pela Faculdade de Administração e Estatística Paes de Barros e em Ciências Contábeis pela Faculdade de Ciências Econômicas de São Paulo. De 1984 a 1992, lecionou na Faculdade de Ciências Econômicas de São Paulo, Faculdade de Engenharia Industrial – FEI e Escola Superior de Administração de Negócios – ESAN, em São Bernardo do Campo. Chefe do Departamento de Ciências Contábeis da Faculdade de Ciências Econômicas de São Paulo de 1986 a 1988. Elaboração do Projeto Pedagógico para o Curso de Ciências Contábeis da UNIESP, em 2007. Fundação Getúlio Vargas – Brasília é Professor MBA – Contabilidade para Executivos. Professor Tutor da Fundação Getúlio Vargas nos cursos livres em EAD e Professor de Contabilidade do Senac, em 2011. Desde 1992 é docente do curso de Ciências Contábeis e Administração de Empresas da UNIP – Universidade Paulista, curso presencial e EaD. U512.19 – 21 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcello Vannini Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Deise Alcantara Carreiro – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Michel Kahan Apt Amanda Casale Virgínia Bilatto Sumário Planejamento Contábil Tributário APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................9 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................9 Unidade I 1 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ......................................................................................................................11 1.1 Conceito ................................................................................................................................................... 14 1.2 Objetivos .................................................................................................................................................. 15 1.3 Finalidade do planejamento tributário ........................................................................................ 18 1.4 Condições necessárias para o planejamento tributário ....................................................... 18 1.5 Distinção entre elisão e evasão ...................................................................................................... 19 1.5.1 Elisão fiscal ................................................................................................................................................ 19 1.5.2 Evasão fiscal .............................................................................................................................................. 20 1.5.3 Diferença entre sonegação fiscal e elisão fiscal ......................................................................... 20 1.6 Processo de planejamento tributário ........................................................................................... 21 1.7 A carga tributária dos países participantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) ............................................................................................. 23 1.8 Impostos federais que impactam diretamente nos resultados ......................................... 24 1.8.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica .................................................................................................. 25 2 TIPOS DE SOCIEDADES E ENQUADRAMENTO FISCAL DAS EMPRESAS ...................................... 26 2.1 As sociedades simples ......................................................................................................................... 26 2.2 As sociedades organizadas como empresárias ......................................................................... 26 2.3 O enquadramento fiscal das empresas ........................................................................................ 27 2.3.1 Microempresas (ME) .............................................................................................................................. 27 2.3.2 Empresas de Pequeno Porte (EPP).................................................................................................... 27 2.3.3 Microempreendedor Individual (MEI) ............................................................................................. 27 3 SIMPLES NACIONAL ....................................................................................................................................... 28 3.1 Opção pelo Simples Nacional .......................................................................................................... 28 3.2 Pessoas jurídicas excluídas da opção ........................................................................................... 28 3.3 Pessoas jurídicas que podem optar pelo Simples ................................................................... 29 3.4 Abrangência dos impostos ............................................................................................................... 30 3.5 Alíquotas aplicáveis ............................................................................................................................. 31 3.5.1 Determinação das alíquotas ............................................................................................................... 34 3.6 PIS, Cofins e CSLL .................................................................................................................................45 3.7 INSS ............................................................................................................................................................ 45 3.8 IRRF ............................................................................................................................................................ 45 3.9 Receita de exportação ........................................................................................................................ 45 3.10 Substituição tributária do PIS e da Cofins............................................................................... 45 3.11 Receitas não tributárias ................................................................................................................... 46 3.12 Recolhimento dos tributos devidos ........................................................................................... 46 3.13 Imposto de Renda na fonte sobre serviços prestados ........................................................ 46 3.14 Limite para exportação de serviço .............................................................................................. 47 3.15 MEI – contratação por empresas ................................................................................................ 47 4 RETENÇÕES NA FONTE .................................................................................................................................. 47 4.1 Retenção exclusiva na fonte e por antecipação ..................................................................... 47 4.2 Retenção na fonte de PIS, Cofins e CSLL (CSRF) ..................................................................... 48 4.3 Não exigência das CSRF ..................................................................................................................... 49 4.4 Base de cálculo e alíquota CSRF ................................................................................................... 49 4.5 Compensação dos Valores Retidos ................................................................................................ 50 4.6 Imposto de renda retido na fonte sobre receitas .................................................................... 50 4.7 Retenção de tributos e contribuições por órgãos públicos federais, estaduais, municipais e Distrito Federal ............................................................................................. 56 Unidade II 5 LUCRO ARBITRADO ........................................................................................................................................ 62 5.1 Contribuição Social ............................................................................................................................ 64 5.1.1 Receita bruta conhecida ...................................................................................................................... 64 5.1.2 Receita bruta não conhecida ............................................................................................................. 65 5.1.3 Exemplo de receita conhecida ........................................................................................................... 65 6 LUCRO PRESUMIDO ....................................................................................................................................... 66 6.1 A tributação pelo lucro presumido ............................................................................................... 66 6.2 Opção pelo regime de lucro presumido ...................................................................................... 66 6.3 Empresas vedadas da opção do lucro presumido ................................................................... 66 6.4 Limite de receita ................................................................................................................................... 67 6.5 Período de apuração ........................................................................................................................... 68 6.6 Momento da opção ............................................................................................................................. 68 6.7 Redarf para mudança de forma de tributação ........................................................................ 68 6.8 Regime de reconhecimento de receitas ...................................................................................... 69 6.9 A determinação do lucro presumido ............................................................................................ 70 6.10 Receitas financeiras no lucro presumido ..................................................................................71 6.11 Receitas e rendimentos não tributáveis pelo lucro presumido ........................................71 6.12 Base de cálculo para apuração do Imposto de Renda sobre o lucro presumido .................. 72 6.13 Alíquota do Imposto de Renda e adicional a que estão sujeitas as pessoas jurídicas que optarem pelo lucro presumido .................................................................................... 73 6.14 Alíquotas de contribuição social sobre o lucro presumido ............................................... 73 6.15 Exemplo de cálculo dos impostos ............................................................................................... 73 6.15.1 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) ............................................ 73 6.15.2 Cálculo do Imposto de Renda sobre o lucro presumido ...................................................... 74 6.15.3 Cálculo do PIS e Cofins no lucro presumido ............................................................................. 74 6.16 Necessidade de escrituração contábil ....................................................................................... 74 6.17 Distribuição de lucros aos sócios ................................................................................................ 75 6.18 Isenção de Imposto de Renda sobre lucros distribuídos pela pessoa jurídica .....................75 6.19 Deduções do imposto de renda devido .................................................................................... 76 6.20 Tributação do PIS e da Cofins para empresas optantes pelo lucro presumido ...................76 Unidade III 7 LUCRO REAL ...................................................................................................................................................... 82 7.1 Determinação do lucro real.............................................................................................................. 82 7.2 Pessoas jurídicas obrigadas a apurarem o lucro real ............................................................. 82 7.3 Opção pelo lucro real .......................................................................................................................... 83 7.4 Ajustes ao lucro líquido ..................................................................................................................... 84 7.4.1 Lalur .............................................................................................................................................................. 84 7.5 Alíquota do Imposto de Renda ....................................................................................................... 89 7.5.1 Adicional do Imposto de Renda ........................................................................................................ 89 7.6 Base de cálculo ...................................................................................................................................... 89 7.7 Lucro real trimestral ............................................................................................................................ 89 7.7.1 Momento da opção ................................................................................................................................90 7.7.2 Apuração do Imposto ............................................................................................................................ 90 7.7.3 Compensação dos prejuízos ............................................................................................................... 90 7.8 Lucro real anual .................................................................................................................................... 91 7.8.1 Base de cálculo da estimativa mensal ........................................................................................... 92 7.8.2 Conceito de receita bruta .................................................................................................................... 93 7.8.3 Compensação de prejuízos ................................................................................................................. 94 7.8.4 Alíquota do Imposto de Renda e do adicional ........................................................................... 94 7.8.5 Suspensão ou redução do imposto ................................................................................................. 94 7.9 Forma de pagamento ......................................................................................................................... 95 8 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) ...........................................................101 8.1 Alíquotas ................................................................................................................................................101 8.2 Base de cálculo ....................................................................................................................................102 8.2.1 Lucro real ..................................................................................................................................................102 8.2.2 Lucro presumido ....................................................................................................................................103 8.2.3 Dedução da receita bruta ..................................................................................................................104 8.2.4 Adições à base de cálculo ..................................................................................................................104 8.3 Algumas alterações na legislação para o ano de 2015 .......................................................105 8.4 Estudo sobre utilização do controle e da informação contábil no planejamento tributário ..........................................................................................................................105 8.4.1 Estudo comparativo entre Simples, Lucro Real e Lucro Presumido .................................105 8.4.2 Exemplo do estudo comparativo entre Simples, Lucro Real e Lucro Presumido ..................106 8.4.3 Dados do exemplo a ser aplicado para empresa optante pelo Lucro Presumido .................108 8.4.4 Comparação entre Simples Nacional e Lucro Presumido ..................................................... 113 9 APRESENTAÇÃO Caro aluno, A alta carga tributária que incide sobre as empresas e a forte concorrência no mundo dos negócios faz com que as empresas busquem alternativas que as coloquem à frente de seus concorrentes. O planejamento tributário é uma ferramenta essencial para o melhor retorno financeiro de uma empresa, Nesse contexto, nós, como profissionais da área contábil, devemos apresentar alternativas que possibilitem às empresas escolherem, entre as formas de tributação, uma que resultará em benefícios econômicos que as colocarão à frente de seus concorrentes. Para obter esse resultado, várias formas de tributação devem ser analisadas. Utilizando-se exemplos, pode-se demonstrar como efetivamente o planejamento tributário trará benefícios econômicos à empresa. Nossas vidas pessoais também se aproveitam disso, pois, conhecendo nossos impostos de pessoa física, também teremos retornos satisfatórios. Serão analisados a incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas e os impactos que podem causar em outros impostos. Utilizaremos dados coletados por meio de pesquisa e análise da legislação tributária brasileira. O planejamento tributário não é simplesmente uma alternativa, mas sim uma obrigação do bom administrador, que, dentro da legalidade, encontra meios de tornar menos onerosa a carga tributária da empresa. Visa a uma administração baseada em resultados, deve ser estrategicamente estudado e analisado antes de ser implantado. É uma ferramenta que está ao alcance de todos e uma possibilidade real de redução de custos e melhoria da lucratividade das empresas, tornando-as mais competitivas. Num ambiente de elevada carga tributária como o Brasil, torna-se indispensável para qualquer tipo de negócio. INTRODUÇÃO A disciplina Planejamento Contábil Tributário serve para que o futuro profissional da área contábil conheça as formas de tributação das empresas e possa mostrar que o planejamento tributário pode diminuir a carga tributária, trazendo com isso um melhor resultado financeiro para a empresa, tudo em conformidade com a lei, sem extrapolar o campo da licitude. O Brasil é um dos países da América Latina e Caribe com a maior carga tributária; os brasileiros pagam o equivalente a 33,4% do Produto Interno Bruto – PIB. O Brasil possui uma carga tributária comparável com as economias mais desenvolvidas no mundo, onde a média dos impostos equivale a 34,4% do PIB. Com a estabilidade econômica, isto é, estabilidade nos preços, taxas de juros baixas ou até mesmo em épocas de crises econômicas, as empresas precisam estar conscientes dos impostos incidentes sobre as suas transações de compras e vendas. Assim, o planejamento tributário é um conjunto de recursos legais com o objetivo principal de reduzir ou retardar o pagamento dos impostos. 10 Unidade I O objetivo desta disciplina também é dar subsídios para que o aluno possa optar, entre as formas de tributação, qual terá a menor carga tributária de uma sociedade limitada, por meio de estudo de caso, apresentando as alternativas de tributação pelo Simples Nacional, o lucro presumido, o lucro arbitrado e o lucro real, e quanto isso irá refletir no resultado. A forma de tributação levará em conta outros tributos que estão associados à forma de tributação, tais como o PIS (Programa de Integração Social) e a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). 11 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO Unidade I 1 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO O peso dos impostos cresceu cinco pontos percentuais nos últimos 10 anos, passando de 30% para 32,38% do PIB (Produto Interno Bruto, representado pela soma de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região ou país, medido num determinado período). Quando foi implantado o Plano Real, em 1994, a carga tributária brasileira era de 29,8% do PIB, a mais alta registrada no país, porém, conforme última divulgação no IBPT, no ano de 2016, a carga tributária atingiu 32,38% do PIB1. Com a estabilização da economia, há preocupação cada vez maior com o planejamento tributário como uma ferramenta importantíssima para se destacar da concorrência. O livro-texto pretende abranger os tributos federais incidentes sobre as empresas no Brasil, mais especificamente o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), o PIS e a Cofins, mostrando que um planejamento tributária bem elaborado, para qualquer tipo de empresa, pode trazer economia de impostos visando à redução da carga tributária e tendo como consequência melhor resultado financeiro, isso sem extrapolar o campo da licitude nem comprometer a qualidade e os resultados dos negócios, todas elas suportadas por bases legais. Muitas vezes, por desconhecimento ou falta de recursos, o empresariado brasileiro de pequeno e médio porte deixa de usufruir de diversos benefícios fiscais disponibilizados pelo governo e que estão ao alcancede variados setores. A complexidade da legislação brasileira é o escopo necessário à busca da otimização da gestão tributária, a fim de assegurar que todas as obrigações fiscais sejam cumpridas de forma econômica, por meio de ações legais e legítimas (SÁ, 2003). Considerando a entrada de diversos produtos no mercado brasileiro, a concorrência acirrada em virtude de políticas de subsídios praticadas por diversos países, inclusive com mão de obra extremamente barata, faz com que as empresas brasileiras sejam criativas e procurem mecanismos, dentro da legalidade, para a sua manutenção no mercado de forma lucrativa e rentável. A carga tributária no Brasil é muito elevada quer para a pessoa física, quer para a pessoa jurídica e vem crescendo constantemente, todos nós observamos isso constantemente na hora de fazermos nossas compras. Todos os produtos que adquirimos, têm incidência de inúmeros impostos no preço pago no caixa. Alguns desses produtos possuem carga tributária superior a 40%. Como comprovação disso, o IBPT estimava que, para os últimos cinco anos, a carga tributária média no Brasil atingiria mais de 32% do PIB, ou seja, de tudo que é produzido internamente no país, em 1 Dados disponíveis no site: <http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/receitadata/estudos-e-tributarios-e- aduaneiros/estudos-e-estatisticas/carga-tributaria-no-brasil/carga-tributaria-no-brasil-capa>. Acesso em: 6 jan. 2018. 12 Unidade I média 32% seriam destinados ao recolhimento de impostos. Entretanto, esse número ultrapassou a expectativa do instituto e chegou a mais de 35% no último ano. Figura 1 Até alguns anos atrás, tínhamos uma inflação galopante, próxima de 50% ao mês. Os preços mudavam todos os dias, a população não conseguia comprar um produto com o mesmo preço em dois dias diferentes. Na época, antes de 1994, era muito comum as empresas e a própria população fazerem estoques de mercadorias, quer seja de suprimentos para subsistência, quer também estoques de produtos para a fabricação, a fim de se obter um pouco de ganho, pois, se tivessem que adquirir mercadorias, por exemplo, no dia 4 de um determinado mês, e depois fosse necessário adquirir mais uma quantidade dessa mesma mercadoria no dia 20 do próprio mês, certamente o preço teria sofrido um acréscimo de cerca de 20%. Com essa prática, as empresas ficavam com estoques gigantescos, muitos empresários aplicavam todo seu capital de giro em estoques, mas mesmo assim o custo dos produtos subia dia após dia. A especulação também era constante, pois os empresários já calculavam o preço baseado numa inflação que iria acontecer. Figura 2 13 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO Porém, com a implantação do programa de estabilização econômica, um plano em longo prazo para o controle da inflação, a economia do Brasil foi se estabilizando. Hoje há preocupação cada vez maior com a lucratividade das empresas, e o planejamento tributário é usado como ferramenta importantíssima para se destacar da concorrência, por meio da economia de impostos visando à redução da carga tributária e tendo consequentemente melhor resultado financeiro, tudo isso sem extrapolar o campo da licitude nem comprometer a qualidade e os resultados dos negócios. O sistema tributário brasileiro é um dos mais complexos do mundo. Segundo alguns tributaristas, há cerca de 60 impostos em vigor, com diversas leis, regulamentos e normas que são frequentemente alteradas. Tais fatos penalizam demasiadamente o custo da maioria das empresas e causam grandes transtornos no momento do gerenciamento e controle contábil e financeiro dos impostos e demais tributos. Como aponta Shingaki, [...] o planejamento tributário é a escolha de alternativas de ações ou omissões lícitas, portanto, não (dis)simuladas e sempre anteriores à ocorrência dos fatos gerados dos tributos, que objetivem direta ou indiretamente a redução desses ônus diante de um ato administrativo ou fato econômico (SHINGAKI, 2003, p. 24). E de acordo com Rocha: A noção de planejamento se relaciona diretamente com uma programação de atividade, a partir da observação de circunstâncias presentes e tendo em vista comportamentos futuros que provavelmente acontecerão. O planejamento exacional (ou tributário) tem por objetivo a previsão de dispêndios com exações (ou tributos) em que se incidirá em determinada atividade e, enquanto voltado para a obtenção de resultados, o menor dispêndio possível, licitante (ROCHA, 1995, p. 161). Ou seja, o planejamento tributário visa obter economia de impostos, adotando procedimentos estritamente dentro dos ditames legais. O planejamento tributário é, na verdade, uma atividade empresarial estritamente preventiva, que tem como fator de análise o tributo e visa identificar e projetar os atos e fatos tributáveis e seus efeitos, comparando-se os resultados prováveis, para os diversos procedimentos possíveis, de forma a possibilitar a escolha da alternativa menos onerosa, sem extrapolar o campo da licitude. O planejamento é preciso tendo em vista a necessidade que as empresas têm de procurar alternativas que possam trazer vantagens frente aos concorrentes, uma vez que a competição entre elas está cada vez mais acirrada. Muitas delas, por falta de conhecimento da legislação, podem estar deixando de obter essa vantagem via tributos, uma vez que a opção por não buscar um estudo mais completo objetivando a redução da carga tributária pode trazer efeitos comprovadamente negativos, uma vez que se está pagando uma carga tributária elevada e que reflete no preço de seus produtos, comprometendo assim a continuidade 14 Unidade I da empresa. O planejamento tributário é uma ferramenta essencial para a gestão financeira de empresas de todos os perfis e tamanhos. O caráter preventivo do planejamento tributário decorre do fato de não se poder escolher alternativas senão antes de se concretizar a situação. Após a concretização dos fatos, via de regra, somente se apresentam duas alternativas para o sujeito passivo da relação jurídico-tributária: pagar ou não pagar o tributo decorrente da previsão legal descrita como fato gerador. A alternativa de não pagar se caracterizará como prática ilícita, sujeitando-se a empresa à ação punitiva do Estado, caso este venha a tomar conhecimento de tal prática, que tem como principal finalidade a redução do montante do tributo, no sentido de reduzir a base de cálculo ou alíquota, o que resultará numa menor carga tributária. 1.1 Conceito Oliveira (2006) conceitua o planejamento tributário como uma forma lícita de reduzir a carga fiscal, que exige alta dose de conhecimento técnico e bom senso dos responsáveis pelas decisões estratégicas no ambiente corporativo. Trata-se do estudo prévio à concretização dos fatos administrativos, dos efeitos jurídicos, fiscais e econômicos de determinada decisão gerencial, com o objetivo de encontrar a alternativa legal menos onerosa para o contribuinte. De acordo com Rocha: O planejamento exacional (ou tributário) tem por objetivo a previsão de dispêndios com exações (ou tributos) em que se incidirá em determinada atividade e, enquanto voltado para a obtenção de resultados, o menor dispêndio possível, licitante (ROCHA, 1995). Para Shingaki: O planejamento tributário é a escolha de alternativas de ações ou omissões lícitas, portanto, não (dis)simuladas e sempre anteriores à ocorrência dos fatos gerados dos tributos, que objetivem direta ou indiretamente a redução desses ônus diante de um ato administrativo ou fato econômico (SHINGAKI, 2003, p. 16). Segundo Borges, as seguintes regras devem ser observadas para a elaboração de um planejamento: • verificar se a economia dos tributos é oriunda de ação ou omissão anterior à concretização da hipótese de incidência; • examinar se a economia dos tributos é decorrente de ação ou omissão legítimas; 15 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO • analisar se a economia de impostos é proveniente de ação realizada por meio de formas de direitoprivado normais, típicas e adequadas; • investigar se a economia de impostos resultou de ação ou conduta realizadas igualmente a suas formalizações nos correspondentes documentos e registros fiscais (BORGES, 2001, p. 28). Ou seja, o planejamento tributário visa obter economia de impostos, adotando procedimentos totalmente dentro da legalidade, não devendo ser confundida com sonegação fiscal. Planejar é escolher, entre algumas opções lícitas, a que traga menor carga tributária. Portanto, temos diversos conceitos que irão resultar sempre no mesmo objetivo: obtenção de menor carga tributária, dentro da legalidade. 1.2 Objetivos Segundo Zanluca ([s.d.]), “o planejamento tributário é uma conjunto de sistemas legais com o objetivo de diminuir o pagamento dos tributos”. Os objetivos principais de um planejamento tributário são evitar a incidência, reduzir o montante e retardar o pagamento dos tributos, isso tudo sem violar a lei. O contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de tal forma a minimizar os custos gerais, entres eles o impacto da carga tributária. Sua intenção deve ser ganhar cada vez mais competitividade, principalmente quando da formação de seus preços de vendas e de seus bens e serviços. Além dos diversos itens que compõem o custo dos produtos e serviços, um componente principal são os diversos impostos que incidem sobre os preços de vendas, ainda que em nosso sistema tributário nacional os impostos recaiam sobre o consumidor final. Apesar de a carga tributária do Brasil estar em 32,38%, há maneiras de evitar tributação. Por meio de pesquisas em leis específicas e técnicas de cálculos, serão apresentadas alternativas de planejamento que, quando bem elaboradas, resultarão em economia de impostos, contribuindo para a redução do montante a ser recolhido. O princípio constitucional não deixa dúvidas de que, dentro da lei, o contribuinte pode agir segundo o seu interesse. Planejar tributos é um direito tão essencial quanto planejar o fluxo de caixa, fazer investimentos etc. A forma legal de planejamento tributário é chamada elisão. Diante da carga tributária tão alta, e tendo as empresas que passar por um período tão complicado em virtude da crise financeira mundial, que se estende desde 2008 até os dias atuais, pode uma sociedade por quotas de capital limitada optar por uma melhor forma de tributação com o intuito de minimizar a carga tributária e trazer melhor resultado financeiro, dentro da lei e obtendo resultados positivos que garantam a continuidade de seus negócios? 16 Unidade I Por meio de um planejamento tributário bem elaborado e de práticas legais disponíveis, abrangendo não só a forma de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mas também o PIS e a Cofins, que são impactados pela forma de tributação escolhida, há dispositivos e práticas legais totalmente aceitas para que se tenha uma redução da carga tributária dentro dos ditames legais e, consequentemente, melhor resultado financeiro. Lembrete Como dissemos anteriormente, a entrada de diversos produtos no mercado brasileiro, a concorrência acirrada em virtude de políticas de subsídios praticadas por diversos países, inclusive com mão de obra extremamente barata, faz com que as empresas brasileiras sejam criativas e procurem mecanismos, dentro da legalidade, para a sua manutenção no mercado de forma lucrativa e rentável. É neste ambiente que deve atuar o profissional das áreas administrativa e financeira. O assunto é complexo e constantemente sofre alterações, portanto, cabe à nós, profissionais da área, ficarmos atentos às alterações da legislação, pois qualquer mudança nas alíquotas, forma de cálculo, bases de cálculos etc. afeta diretamente as finanças das organizações. No caso de aumento de alguma alíquota de imposto, isso irá refletir na margem de lucros da empresa e, por extensão, refletirá também no consumidor, uma vez que, se há aumento na carga tributária, muito provavelmente o consumidor pagará esse aumento por meio da alteração de preços de todos os produtos. Por exemplo, no caso de o governo resolver aumentar as alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) das geladeiras, automaticamente os fabricantes repassarão esse aumento para a população. Esse reflexo também pode ocorrer caso a empresa seja autuada em valores significativos por causa de alguma obrigação que tenha deixado de ser cumprida em virtude do desconhecimento do profissional envolvido na área contábil. Nesse sentido, cresce sensivelmente a responsabilidade de todos os gestores de uma empresa, principalmente das áreas de controladoria e contabilidade, pois as empresas e os responsáveis que, por desconhecimento, emitirem declarações errôneas ou em desacordo com as normas e a legislação vigentes poderão vir a ser autuados, processados e até condenados em determinados casos de comprovação de evasão fiscal. Figura 3 17 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO O intuito deste material é estimular a todos a pesquisar a legislação vigente e se inteirar das normas e procedimentos tributários que as empresas estão obrigadas a cumprir, procurando informações por meio de outras fontes de conhecimentos, em especial a própria legislação tributária, tomando-se o devido cuidado quanto à veracidade e ao embasamento legal da informação obtida. A maioria das empresas de médio e pequeno porte, por sua própria condição societária, não tem estrutura suficiente para manter uma equipe preocupada em se especializar na legislação tributária e tampouco investir na capacitação de pessoas para atendimento das exigências legais. Todo benefício concedido pelo governo acaba tendo, em contrapartida, a obrigação da prestação de contas. De forma complexa e burocrática, esses procedimentos acabam desestimulando as empresas numa busca por benefícios fiscais, uma vez que se sentem incapazes de cumprir as obrigações por não possuírem recursos humanos suficientes para tal. Mas essa posição pode ser mudada e nós, profissionais da área, podemos instruir essas empresas a buscarem seus direitos e usufruirem dos benefícios que o governo concede, objetivando assim uma redução da carga tributária. A carga tributária brasileira começou a ser medida em 1947, quando o percentual apurado foi de 13,8% do PIB. A carga tributária nada mais é do que a medição do volume de recursos financeiros que o Estado arrecada na forma de tributos comparado com a geração de riquezas em geral. O índice é obtido por meio da divisão de todas as receitas tributárias pelo valor do PIB. No conceito de carga tributária estão inclusos também contribuições sociais, intervenção do domínio econômico e de interesse das categorias profissionais e econômicas, e FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Segundo estudo oficial realizado pela Receita Federal2, temos as seguintes informações, conforme visualizado na tabela a seguir: Tabela 1 – Receita tributária por base de incidência – 2005 a 2010 (% do PIB) 2005 2006 2007 2008 2009 2010 33,38% 33,35% 33,95% 34,41% 33,58% 35,043 Observação O site da Receita Federal publica estudos anuais sobre a carga tributária. O IBPT é uma fonte constante de pesquisa para o gestor preocupado com a carga tributária. 2 ESTUDOS TRIBUTÁRIOS. Carga Tributária no Brasil. n. 21. CTB-2009. IBPT. Disponível em: <http://www.receita. fazenda.gov.br/Publico/estudoTributarios/estatisticas/CTB2009.pdf>. Acesso em: 2 abr. 2011. 3 Dados disponíveis no site: <http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/receitadata/estudos-e-tributarios-e-aduaneiros/ estudos-e-estatisticas/carga-tributaria-no-brasil/carga-tributaria-no-brasil-capa>. Acesso em: 6 jan. 2018. 18 Unidade I A partir da apresentação desses dados, pode ser verificado que houve um crescimento constante da carga tributária. Em relação à primeira medição, o aumento foi de 149,42%. No ano de 2004, iniciou-se a arrecadação da Cofins pelo sistema da não cumulatividade, em que a taxa passou de 3% a 7,6%, sendo que as empresas optantespelo lucro real poderia se creditar desse percentual quando da aquisição de matéria-prima e serviços utilizados para industrialização ou comercialização de produtos. Embora o governo insistisse em garantir que a mudança da alíquota não interferiria no aumento da carga tributária, o IBPT indicou que a arrecadação da Cofins em maio de 2004 crescera 23% em relação a abril do mesmo ano. Para Amaral (apud PEREIRA et al., [s.d.]), “esse resultado é a prova inequívoca de que a não cumulatividade da Cofins provoca aumento da carga tributária e traz danos fortíssimos ao mercado nacional”. Ainda segundo o autor, “[...] o Ministério da Fazenda se equivocou na análise de que a mudança da sistemática da Cofins não provocaria aumento da carga tributária. O resultado demonstra que aquelas afirmações não eram verdadeiras”. 1.3 Finalidade do planejamento tributário O planejamento tributário objetiva a diminuição legal da quantidade de dinheiro a ser entregue ao governo. Os tributos (impostos, taxas e contribuições) representam uma grande parcela dos custos das empresas, se não for a maior delas. Com a globalização da economia, tornou-se questão de sobrevivência empresarial a correta administração do ônus tributário. Em média, 33% do faturamento empresarial é dirigido ao pagamento de tributos. Do que corresponde ao lucro, 34% vão para o governo. Mais da metade do valor do somatório dos custos e despesas é representada pelos tributos. Assim, torna-se imprescindível a adoção de um sistema de economia legal. Três são as finalidades do planejamento tributário: a) Evitar a incidência do tributo – para este caso, adotam-se medidas e procedimentos com o fim de evitar a ocorrência do fato gerador. b) Reduzir o montante do tributo – as providências para atender este item serão no sentido de reduzir a base de cálculo ou alíquota do tributo. c) Retardar o pagamento do tributo – o contribuinte opta por medidas que terão o fim de postergar o pagamento do tributo, sem ocorrência da multa, tudo dentro da legislação. 1.4 Condições necessárias para o planejamento tributário Oliveira et al. (2007) estabelecem que qualquer que seja a forma de tributação escolhida pela empresa, pode-se verificar que a falta de planejamento estratégico tributário pode deixar a empresa mal-preparada para os investimentos futuros, devido a uma possível insuficiência de caixa, gerando um desgaste desnecessário de investimentos forçados para cobertura de gastos que não estavam previstos. Os autores afirmam ainda que, para a correta execução das tarefas inerentes ao planejamento tributário, precisam ser aplicados todos os conhecimentos sobre a legislação do tributo a ser reduzido, para que, a 19 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO partir desses cenários, se possa planejar com bastante antecedência a melhor alternativa para a empresa executar suas operações comerciais. Por fim, dizem que a finalidade principal de um bom planejamento tributário é, sem dúvida, a economia de impostos, sem infringir a legislação, tratando-se de um conceito bastante utilizados pelos norte-americanos, denominado tax saving. Assim, para alcançar êxito nessas atividades, o gestor precisa, com profundidade, entre outras coisas: • conhecer todas as situações em que é possível o crédito tributário, principalmente com relação aos chamados impostos não cumulativos – ICMS e IPI; • conhecer todas as situações em que é possível o diferimento (postergação) dos recolhimentos dos impostos, permitindo melhor gerenciamento do fluxo de caixa; • ser oportuno e aproveitar as lacunas deixadas pela legislação, para tanto ficando atento às mudanças nas normas e aos impactos nos resultados da empresa. Em síntese, para se fazer um planejamento tributário adequado, é necessário que o gestor tenha conhecimento profundos para lidar com a complexidade da legislação brasileira, aproveitando ao máximo os créditos tributários e as brechas existentes no sistema. 1.5 Distinção entre elisão e evasão Muitas vezes, nos deparamos com essas duas palavras, que nos trazem dúvidas quanto ao seu significado. Mas o que isso tem a ver com o planejamento tributário? Pois bem, uma palavra é justamente o oposto da outra em termos de legalidade. vamos esclarecer. 1.5.1 Elisão fiscal Significa a economia tributária lícita, realizada mediante toda e qualquer ação prevista antes da ocorrência do fato gerador que, sem violar a lei, evita, reduz ou posterga o imposto. É a forma legalmente aceita para economia de impostos, porém temos dois tipos de elisão: a) Decorrente da própria lei No caso da elisão decorrente da lei, o próprio dispositivo legal permite ou até mesmo induz a economia de tributos. Existe uma vontade clara e consciente do legislador de dar ao contribuinte determinados benefícios fiscais. Os incentivos fiscais são exemplos típicos de elisão induzida por lei, uma vez que os próprios textos legais dão aos seus destinatários determinados benefícios. É o caso, por exemplo, dos incentivos à inovação tecnológica, conforme a Lei 11.196/2005, que concede incentivos fiscais de IPI, como a redução de 50% deste (o IPI incidente sobre equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos, bem como sobre acessórios sobressalentes e ferramentas que acompanhem esses bens, destinados à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico). A partir de 18 20 Unidade I de setembro de 2008, com a conversão da MP nº 428/2008 na Lei nº 11.774/2008, passou a poder ser utilizada a depreciação integral, no próprio ano da aquisição, de máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos novos, destinados à utilização nas atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, para efeito de apuração do IRPJ e também da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). b) Que resulta de lacunas e brechas existentes na própria lei Contempla a hipótese por meio da qual o contribuinte opta por configurar seus negócios de tal forma que se harmonizem com um menor ônus tributário, utilizando-se de elementos que a lei não proíbe ou que possibilitem evitar o fato gerador de determinado tributo com elementos da própria lei. É o caso, por exemplo, de uma empresa de serviços que decide mudar sua sede para determinado município, visando pagar o ISS (Imposto Sobre Serviços) com uma alíquota mais baixa. A lei não proíbe que os estabelecimentos escolham o lugar onde exercerão atividades, pois os contribuintes possuem liberdade de optar por daqueles mais convenientes a si mesmos, se a definição do local for exclusivamente com objetivos de planejamento fiscal. 1.5.2 Evasão fiscal É toda ação consciente, espontânea, dolosa ou intencional do contribuinte através de meios ilícitos com o intuito de evitar, eliminar, reduzir ou retardar o pagamento do tributo devido, porém não se configurando em hipótese alguma como planejamento tributário lícito. Ou seja, a pessoa opta conscientemente por “driblar” a legislação de forma a obter vantagens ilícitas. 1.5.3 Diferença entre sonegação fiscal e elisão fiscal A fraude ou sonegação fiscal é a utilização de práticas que violem e/ou ferem diretamente a lei fiscal ou o regulamento fiscal. A fraude é imperdoável, ou dificilmente perdoável porque, além de ser flagrante, o contribuinte acaba se opondo de forma consciente e intencional à lei. No planejamento tributário, não se tem relação alguma com fraude. Os contribuintes têm direito de recorrer aos seus procedimentos preferidos ou mais adequados à sua realidade, autorizados ou não proibidos pela lei, ainda que, por uma escolha mais adequada de tributação, venham a prejudicar o Tesouro. 21 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO Figura 4 1.6 Processo de planejamento tributário Podemos dizer que o planejamento tributário é uma obrigação dos administradores. Na Lei nº 6.404/76 – Lei das Sociedades Anônimas está a obrigatoriedade do planejamento tributário por parte dos administradores de qualquer companhia, considerando a interpretação do artigo 153, que diz: O administradorda companhia deve empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios.” Portanto, antes de ser um direito, uma faculdade, o Planejamento Fiscal é uma obrigatoriedade para todo bom gestor, principalmente neste período onde a concorrência está acirrada, e as empresas estão competindo centavo por centavo, no intuito de obter maior lucratividade (BRASIL, 1976). O que vai servir de base para o planejamento tributário é a existência de dados confiáveis, sendo que a contabilidade é o sistema de registros permanentes das operações, é a base desse planejamento. Conforme definição de Zanluca (s.d), por contabilidade entende-se um conjunto de escrituração das receitas, custos e despesas, bem como de controle patrimonial (ativos e passivos), representado por diversos livros, entre os quais: a) Livro Diário. b) Livro (ou fichas) Razão. c) Inventário e Controle de Estoques. 22 Unidade I d) Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). e) Apuração do ICMS. f) Apuração do IPI. g) Apuração do ISS etc. O histórico da empresa está registrado nas escriturações e é a fonte de busca para se fazer o planejamento tributário. É a partir de todas essas informações e sistemas que serão gerados dados preliminares para análise tributária, pois, se desejamos reduzir tributos, temos que saber quanto estamos gastando com eles atualmente. O planejador de sucesso, na área tributária, irá buscar principalmente as informações precisas sobre os tributos, bases legais, incidência, bases de cálculos, alíquotas, classificação fiscal, prazos de recolhimento, fato gerador, entre outros. Pela análise minuciosa de todas essas informações, elabora-se o planejamento tributário. Após a aplicação do planejamento pretendido, sua execução necessita ser avaliada quanto aos critérios e objetivos, se foram atingidos, se houve realmente economia de impostos. Aí então, novamente, precisaremos utilizar dados contábeis para termos evidenciado se o planejamento trouxe redução de impostos, quanto, como, se houve custos adicionais ou não na implantação, enfim, precisa ser verificado o resultado final do planejamento tributário, se atendeu o objetivo e trouxe ganhos e redução da carga tributária. Afinal, é esse o nosso objetivo principal, não é? Figura 5 23 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO Por esses motivos, o planejamento tributário como ferramenta de gestão é uma programação que deve ser adotada por todos os tipos de empresas pequenas, médias e grandes, a partir do conhecimento de todos os processos produtivos, das aquisições de matéria-prima e insumos, da venda da produção, entre outros, para que, com base nessas informações, as estruturas possam passar por mudanças legítimas e eficazes à economia e racionalização dos procedimentos fiscais. Um exemplo prático de economia de impostos é o simples fato de se optar por adquirir mercadorias de empresas que apuram o Imposto de Renda com base na sistemática do lucro presumido e lucro real, e não pelo Simples, tendo em vista os créditos do IPI e ICMS que o adquirente poderá tomar. Mas, por quê? Melhor explicando, uma empresa comercial ou industrial, quando adquire mercadorias para revenda ou produção, pode compensar por meio do crédito dos impostos, o ICMS, o IPI, e, em alguns casos, o PIS e a Cofins, dependendo do sistema de tributação, que a empresa vendedora destacou na nota fiscal. Porém, se essa empresa vendedora for tributada pelo Simples Nacional, a parcela correspondente ao ICMS e ao IPI é muito menor. Por exemplo, dentro de São Paulo, a alíquota é de 18% para o ICMS, porém, no caso do Simples, esse percentual pode ser de 1,25%, ou seja, uma perda muito grande no crédito dos impostos. Assim, tal análise deve ser muito bem feita, pois, caso não se analise o crédito desses impostos, as empresas industriais e comerciais poderão estar pagando mais caro pela mercadoria. 1.7 A carga tributária dos países participantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) Se formos analisar estaticamente, a carga tributária do Brasil está abaixo da média dos países participantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), porém ainda é muito elevada. É importante esclarecer que bens e serviços consumidos e gerados por consumidores e empresários têm um percentual entre 46,6% e 32,3% de carga tributária, uma das mais elevadas do mundo. Conforme publicações de 2009 a 2016 da Receita Federal do Brasil relativas à carga tributária brasileira e analisando apenas o ano de 2016, pode-se constatar que o Brasil ocupa o 23º lugar num rol de 33 países da OCDE, ou seja, a carga tributária em 2016 correspondeu a 32,1% do PIB. Nessa análise, os países que se destacam com índices superiores a 40% do PIB são: Dinamarca (46,6%), França (45,5%), Bélgica (44,8%), Finlândia (44,0) Áustria (43,5%), Itália (43,3%) e Suécia (43,3%). Ainda que estes índices sejam bem superiores aos índices do Brasil, o que se conclui favoravelmente é que a qualidade dos serviços públicos desses mesmos países é também infinitamente superior. O mesmo não podemos falar do Brasil: há décadas os principais serviços ofertados à população brasileira, principalmente os ligados à saúde, educação, segurança e ao transporte são extremamente precários. Não vislumbramos em um curto prazo que tais situações possam ser revertidas em benefício da população brasileira. 24 Unidade I Todos esses dados poderão ser verificados no gráfico 1 a seguir, onde são apresentados os percentuais de carga tributária dos países da OCDE de 2015 (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2016). Carga tributária no Brasil e nos países da OCDE – 2015 Dinamarca 46,3 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 Áustria 43,5 Noruega 38,1 Alemanha 36,9 Espanha 33,8 Reino Unido 32,5 Israel 31,4 Bélgica 44,8 Suécia 43,3 Islândia 37,1 Esslovênia 36,6 República Tcheca 33,5 Rep. Eslováquia 32,3 Latívia 29,0 França 45,5 Itália 43,3 Holanda 37,8 Grécia 36,8 Estônia 33,6 Brasil 32,1 Turquia 30,0 Finlândia 44,0 Hungria 39,4 Luxemburgo 37,0 Portugal 34,5 Nova Zelândia 32,8 Canadá 31,9 Suíça 27,9 Irlanda 23,6 Estados Unidos 26,4 Chile 20,7 Coreia do Sul 25,3 México 17,4 Figura 6 – Carga tributária no Brasil e em países da OCDE em 2007 1.8 Impostos federais que impactam diretamente nos resultados Temos impostos, taxas e contribuições em diversos âmbitos, porém os principais impostos federais cobrados no Brasil que impactam diretamente o resultado das empresa são o IRPJ, a CSLL, o PIS e a Cofins. 25 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO 1.8.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica As pessoas jurídicas em geral com fins econômicos estão sujeitas ao pagamento do imposto de renda pelo regime de lucro real, presumido, arbitrado ou simples. Qualquer pessoa jurídica, por menor que seja, pode optar pela tributação com base no lucro real. A tributação com base no lucro presumido ou a opção pelo Simples nem sempre é possível em razão do montante da receita bruta, atividade ou condição da pessoa jurídica. Figura 7 O administrador da empresa deverá escolher o regime de tributação menos onerosa em termos de tributos e burocracia e exigências fiscais, porém a escolha não será possível quando a pessoa jurídica obrigatoriamente for tributada pelo lucro real. A tributação com base no lucro real pode ser por opção ou por obrigação. As pessoas jurídicas não enquadradas no art. 14 da Lei nº 9.718/98 terão a possibilidade de optar pela tributação com base no lucro presumido. O impedimento leva em conta: receita bruta total, tipos de atividades, procedência de rendimentos, entre outros. A tributação pelo lucro real, seja por opção ou obrigação, requer a manutenção da escrituração de livros comerciais e fiscais na forma determinada por lei. Não basta, todavia, simplesmente a manutenção da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais se a pessoa jurídica não mantiver a documentação queembasou a escrituração. O art. 47 da Lei nº 8.981/95 enumera as hipóteses em que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado. 26 Unidade I Nem sempre a opção pelo Simples é mais vantajosa que a tributação pelo lucro presumido ou lucro real. Nos cálculos comparativos, devem ser levados em conta o IRPJ, a CSLL, o PIS, a Cofins e a contribuição para o INSS. 2 TIPOS DE SOCIEDADES E ENQUADRAMENTO FISCAL DAS EMPRESAS De acordo com o novo Código Civil, as empresas podem ser constituídas como sociedades simples e sociedades empresárias. Quanto à natureza jurídica, elas podem constituir-se em sociedades simples limitada, sociedade empresária limitada e sociedade anônima. Existem, ainda, as sociedades em nome coletivo, sociedade em comandita simples e sociedade em comandita por ações. Estas, em razão da complexidade e atribuição de maior responsabilidade aos seus sócios, estão em extinção. Há também a Sociedade em Conta de Participação (SCP) e sua constituição não está sujeita às formalidades legais prescritas para as demais sociedades, não sendo necessário o registro de seu contrato social na Junta Comercial. Conforme preceitua o Código Civil, geralmente as sociedades em nome coletivo são constituídas por um prazo determinado, com o objetivo de explorar um projeto específico. Após o cumprimento do objetivo, a sociedade se desfaz e a sua formação pode ocorrer quando duas ou mais pessoas, pelo menos uma delas sendo comerciante, se reúnem sem firma social, para obter lucro comum, em uma ou mais operações de comércio determinadas, trabalhando um, alguns ou todos em seu nome individual para o fim social, em que a associação assume o nome de sociedade em conta de participação, sendo regulada, a partir do Novo Código Civil, pelos artigos 991 a 996 do referido código (Lei nº 10.406/2002). 2.1 As sociedades simples As sociedades simples são um tipo societário introduzido pelo Código Civil de 2002, vindo, de certa forma, a substituir a antiga sociedade civil. Com a vigência do atual diploma civil, que diminuiu a flexibilidade da sociedade limitada, observou-se uma crescente adoção da forma típica de sociedade simples nos pequenos negócios. A sociedade simples, caracterizada como personificada e não empresária, quer dizer que é constituída como uma pessoa jurídica, com fins econômicos, e o termo “não empresária” identifica que as sociedades simples são de caráter pessoal, ou seja, existe uma estreita relação entre as atividades desenvolvidas e a especialidade de seus sócios. Nessa condição estão as sociedades de dentistas, médicos, advogados, engenheiros etc. Os objetivos sociais são realizados pelo atrelamento e pela supervisão de seus sócios. É importante ainda mencionar que o surgimento da sociedade simples reduziu a flexibilidade quando ela se organizava no antigo conceito de sociedade civil limitada, pois agora a responsabilidade de seus sócios podem se caracterizar como “responsabilidade ilimitada”, ou seja, os sócios podem responder ilimitadamente pelo saldo devedor na proporção de suas participações. O registro da sociedade simples é feito no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. 2.2 As sociedades organizadas como empresárias Esse tipo de sociedade determina que o caráter econômico ou o objetivo social é impessoal, ou seja, as atividades que são desenvolvidas estão apartadas da figura dos seus sócios. A sociedade empresária adquire vida própria independentemente de seus sócios. Nessa condição estão as 27 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO empresas comerciais, cujos registros constitutivos são feitos nas Juntas Comerciais dos seus respectivos estados. 2.3 O enquadramento fiscal das empresas De acordo com os objetivos sociais, as empresas podem enquadrar-se para fins tributários em microempresas, empresas de pequeno porte e demais empresas que podem ser tributadas pelo lucro presumido, quando não obrigadas à tributação pelo lucro real, e em lucro real por opção ou quando obrigadas. A partir do que se estabelece na Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, às microempresas e empresas de pequeno porte será oferecida a possibilidade de adesão ao regime de tributação do Simples Nacional, um regime de tributação diferenciado e simplificado cujo início de funcionamento se deu a partir de 1 de julho de 2007 (BRASIL, 2006). Por ser uma lei complementar, abrange não só o regime tributário diferenciado, estabelecido em Lei e denominado Simples Nacional, bem como todos os aspectos relacionados às licitações públicas, relações trabalhistas, estímulo ao crédito, à capitalização de recursos, à inovação, entre outros mais. Existe ainda o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), criado pelo Decreto nº 6.038, de 7 de fevereiro de 2007, e ligado ao Ministério da Fazenda, sendo formado por representantes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. 2.3.1 Microempresas (ME) É classificada como microempresa, no tocante ao Simples Nacional, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, que obtenha, em cada ano-calendário, uma receita bruta igual ou menor que R$ 360.000,00 (a partir de 1 de janeiro de 2012, conforme Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011). 2.3.2 Empresas de Pequeno Porte (EPP) Considera-se EPP, no tocante ao Simples Nacional, o empresário ou a pessoa jurídica que obtenha, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (Redação dada pela Lei Complementar 155 de 27 de outubro de 2016 e Resolução do CGSN nº 135 de 22 de agosto de 2017). 2.3.3 Microempreendedor Individual (MEI) É classificado como MEI o empresário individual que tenha obtido receita bruta, no ano-calendário anterior, no valor de até R$ 81.000,00, optante pelo Simples Nacional (Redação dada pela Lei Complementar 155 de 27 de outubro de 2016 e Resolução do CGSN nº 135 de 22 de agosto de 2017). 28 Unidade I 3 SIMPLES NACIONAL Trata-se de um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, cuja aplicação se dá nas microempresas e empresas de pequeno porte a partir de 1 de julho de 2007. A Lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, estabelece normas e procedimentos gerais relativos às microempresas e às empresas de pequeno porte no âmbito dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios (BRASIL, 2006), onde abrange não apenas o regime tributário diferenciado (Simples Nacional), como também os outros aspectos relacionados às licitações públicas, às relações de trabalho, ao estímulo ao crédito, à capitalização e à inovação, ao acesso à justiça etc. É de competência do CGSN, instituído pelo Decreto nº 6.038, de 07/02/2007, regulamentar o Simples Nacional (BRASIL, 2007). O CGSN, ligado ao Ministério da Fazenda, trata dos aspectos tributários do Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006) e compõe-se de representantes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios (BRASIL, 2006). Lembrete A LC 123/06 teve recente atualização por meio da Lei Complementar nº 155/16, de 27 de outubro de 2016, em que foram modificados os limites de tributação e enquadramento. 3.1 Opção pelo Simples Nacional Como poderemos fazer essa opção? Ela só poderá ser feita, pela internet, no portal do Simples Nacional, não podendo ser anulada para todo o ano-calendário e somente no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção. 3.2 Pessoas jurídicas excluídas da opção Não são todas as empresas que podem optar pelo Simples Nacional, existem restrições. Para isso, veja a seguir quais pessoas jurídicas não podem optar, de acordo com o §4º, artigo 3º, da LC nº 123/06 (BRASIL, 2006): • como microempresa quando a receita bruta no ano calendário anterior for superior a R$ 360.000,00; • como EPP que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 4.800.000,00; A LC nº 123/06 também relaciona as vedaçõesao Simples Nacional, conforme preceitua a lei (BRASIL, 2006): empresas que tenham pessoas jurídicas em sua composição do capital social; empresas que sejam filiais, sucursais, agências ou representação no país de pessoa jurídica cuja sede é no exterior; empresas que tenham como sócio pessoa física que participe de outra empresa que não esteja tributada com base nos termos da LC nº 123/06, desde que a receita ultrapasse o limite de R$ 4.800.000,00; empresa cujo 29 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO sócio ou titular participe com mais de 10% do capital social de outra empresa não beneficiada pela LC nº 123/06, desde que a receita bruta seja superior a R$ 4.800.000,00; empresa constituída com atividade de cooperativas, exceto as de consumo. São igualmente vedadas as atividades de banco comercial, investimentos e de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito em geral, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, entre outros relacionadas à área financeira; empresas resultantes de cisão que tenha ocorrido em um período anterior de até cinco anos; sociedades por ações que explore atividades de gerenciamento de ativos, assessoria de créditos, asset management e factoring; empresas que tenham sócios residentes no exterior, que tenha participação de entidade da administração pública direta ou indireta e em todas as esferas; pessoas jurídicas com débitos junto ao INSS ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal; prestadoras de serviços de transporte intermunicipal ou interestadual de passageiros. Ainda são vedadas as empresas de geração, transmissão ou comercialização de energia elétrica, importadoras e fabricantes de automóveis e motocicletas; importadoras de combustíveis; que explorem a venda ou fabricação de cigarros, cigarrilhas, charutos etc.; empresas de bebidas alcoólicas, refrigerantes, inclusive águas saborizadas gaseificadas, cervejas sem álcool etc. Não poderão optar pelo Simples Nacional as ME e as EPP que, embora exerçam diversas atividades permitidas, também exerçam pelo menos uma atividade vedada, independentemente da relevância da atividade impeditiva. 3.3 Pessoas jurídicas que podem optar pelo Simples Pode optar pelo Simples Nacional a firma individual ou sociedade que não se enquadre em nenhuma das vedações da LC 123 de 2006 elencados no item anterior. O § 1o. do art. 17 da LC nº 123, de 2006, expressamente permite optar pelo SIMPLES Nacional as empresas que tenham por atividades (BRASIL, 2006): creches, pré-escolas, estabelecimentos de ensino fundamental, técnicas, profissionais e de ensino médio escolas de línguas estrangeiras, escolas de artes, técnicas de pilotagem, preparatório para concursos, gerenciais e escolas livres; agências de correios que sejam terceirizadas, agências de viagens e turismo; centro de formação de condutores; transporte municipal de passageiros; agências lotéricas; instalação, reparo e manutenção em geral, bem como usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais. Também são permitidas as empresas de construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitadas, projetos e serviços de paisagismo bem como decoração de interiores; montadoras de estandes para feiras; produção cultural, cinematográfica e de artes cênicas; empresas de administração e locação de imóveis de terceiros; academias de danças, capoeira, ioga, artes marciais; de atividades físicas, desportivas, de natação; elaboração de programas de computadores e jogos eletrônicos, desde que desenvolvidos em estabelecimento do optante. 30 Unidade I Ainda estão inclusos serviços de vigilância, de limpeza e de conservação; escritórios de contabilidade; laboratórios em geral; tomografias e diagnósticos médicos por imagem, incluindo ressonância magnética e serviços de próteses em geral (BRASIL, 2006). 3.4 Abrangência dos impostos No Simples Nacional, diversos impostos são abrangidos e recolhidos por meio de um único documento, denominado DAS (Documento de Arrecadação do Simples). A lista é bastante extensa, porém destacamos os principais (BRASIL, 2006): • IRPJ; • CSLL; • IPI para as empresas industriais ou equiparadas; • Cofins; • PIS/Pasep, sendo que, na importação, os impostos e contribuições serão devidas; • Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) para a Seguridade Social, de responsabilidade da pessoa jurídica, exceto quando a ME ou EPP desempenhar as atividades relacionadas no § 5-C do art. 18 da LC, entre elas a construção de imóveis e obras de engenharia em geral; academias de dança; atividades físicas; elaboração de jogos e programas de computadores quando desenvolvido no estabelecimento da empresa optante; laboratórios de análises; empresas montadoras de estandes de feiras, serviços de diagnósticos médicos por imagem, bem como ressonância magnética; • ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços); • ISS. Não são abrangidos pelo Simples Nacional e, portanto, deverão ser recolhidos em conformidade com as demais empresas (BRASIL, 2006): • IOF (Imposto sobre Operações Financeiras); • II (Imposto de Importação); • ITR (Imposto sobre Propriedade Territorial Rural); • Imposto de Renda sobre os ganhos de capital auferidos na alienação de bens do ativo permanente; • FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço); 31 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO • Contribuição para manutenção da Seguridade Social (INSS), relativamente ao trabalhador, entre outros. Saiba mais A relação completa dos impostos abrangidos e não abrangidos pelo Simples Nacional encontra-se descrita na Lei complementar nº 123, de 2006 e pode ser acessada pelo site do Palácio do Planalto, no endereço: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm>. 3.5 Alíquotas aplicáveis Desde 2006, quando foi criado o Simples Nacional, até 2017, as alíquotas eram fixas por faixas de faturamento e enquadramento das atividades em comércio, indústria e serviços. A partir do exercício de 2018, há uma mudança substancial na forma de obtenção das alíquotas para cada faixa de enquadramento, ou seja, comércio, indústria e serviços. As alíquotas agora são progressivas e com desconto fixo; sua obtenção leva em consideração a receita bruta acumulada nos 12 meses anteriores ao período de apuração. A título de esclarecimento ou exemplificação, leva-se em conta a atividade de comércio, cujo faturamento dos 12 meses anteriores ao período de apuração é igual a R$ 500.000,00, e o período de apuração ou faturamento do mês de janeiro é igual a R$ 20.000,00. Cálculo até 2017 Para um faturamento acumulado dos últimos 12 meses de R$ 500.000,00, a alíquota aplicável sobre o faturamento no mês de R$ 20.000,00 era de 6,84%, e valor do imposto a recolher de R$ 1.368,00. Cálculo obtido conforme Anexo I – Comércio. Tabelas do Simples Nacional válidas até 31/12/2017 Tabela 2 – Anexo I – Partilha do Simples Nacional Comércio (de 01/01/2012 a 31/12/2017) Receita Bruta em 12 meses (em R$) Alíquota IRPJ CSLL Cofins PIS/Pasep CPP ICMS De 360.000,01 a 540.000,00 6,84% 0,27% 0,31% 0,95% 0,23% 2,75% 2,33% 32 Unidade I Tabela 3 – Cálculo a partir de 2018 (Alíquotas – Comércio) Receita bruta em 12 Meses (em R$) Alíquota Valor a deduzir (em R$) 3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 9,50% 13.860,00 Valores a serem considerados: Receita bruta nos 12 meses anteriores ao período de apuração de R$ 500.000,00 e cuja receita do mês de R$ 20.000,00: • Alíquota nominal (3ª faixa) de 9,50%. • Parcela a deduzir de R$ 13.860,00. Cálculo dos valores: • R$ 500.000 x 9,50% % = R$ 47.500,00 (-) menos a parcela a deduzir de R$ 13.860,00 = R$ 33.640,00. • Alíquota efetiva = R$ 33.640,00 / R$ 500.000,00 = 6,73%. • Aplicado sobre a Receita de laneiro = R$ 20.000 x 6,73 % = R$ 1.346,00. A nova sistemática de cálculo exige muita atenção para as atividades de serviços que estão estabelecidas nas tabelas ou Anexos III, IV e V, observando os diversos tipos de serviços.Por exemplo, uma empresa de serviço de Fisioterapia, que é tributada pelo Anexo V e cujo anexo possui uma carga tributária elevada, poderá valer-se da Tabela ou Anexo III com uma tributação menor, desde que o fator “r” que a relação da folha de pagamento acumulada dos 12 meses anteriores ao período de apuração e o Faturamento Bruto acumulado dos 12 meses anteriores ao período de apuração sejam iguais ou superiores a 28%. O objetivo do governo é privilegiar com alíquotas menores as empresas que têm um maior número de funcionários registrados. Para melhor entendimento, vejamos: Empresa A – Fisioterapia • Faturamento Bruto dos 12 meses anteriores ao período de apuração igual a R$ 400.000,00. • Folha de Salários Acumulada dos 12 meses anteriores ao período de apuração igual a R$ 100.000,00. • Período de apuração ou Faturamento de janeiro/2018 = R$ 25.000,00. • Razão entre a Folha de Salários e Faturamento Bruto: R$ 100.000,00/400.000,00 = 25%. 33 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO Enquadramento: Anexo V Tabela 4 – Alíquotas e Partilha do Simples Nacional – Receitas decorrentes da prestação de serviços relacionados no § 5º-I do art. 18 da LC 123/2016 Receita Bruta em 12 Meses (em R$) Alíquota Valor a Deduzir (em R$) 3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 19,50% 9.900,00 Valores a serem considerados: Receita Bruta nos 12 meses anteriores ao período de apuração de R$ 400.000,00 e cuja receita do mês de janeiro é de R$ 25.000,00: • Alíquota nominal (3ª faixa) de 19,50 % (Anexo VI). • Parcela a deduzir de R$ 9.900,00. Cálculo dos valores: • R$ 400.000 x 19,50% % = R$ 78.000,00 (-) menos a parcela a deduzir de R$ 9.900,00 = R$ 68.100,00. • Alíquota efetiva = R$ 68.100,00 / R$ 400.000,00 = 17,03%. • Aplicado sobre a Receita de Janeiro = R$ 25.000 x 17,03 % = R$ 4.257,50. Empresa B – Fisioterapia • Faturamento Bruto dos 12 meses anteriores ao período de apuração igual a R$ 400.000,00. • Folha de Salários Acumulada dos 12 meses anteriores ao período de apuração igual a R$ 115.000,00. • Período de apuração ou Faturamento de Janeiro/2018 = R$ 25.000,00. • Razão entre a Folha de Salários e Faturamento Bruto: R$ 115.000,00/400.000,00 = 28,75%. Enquadramento: Anexo III Tabela 5 – Alíquotas - Receitas de locação de bens móveis e de prestação de serviços não relacionados no § 5º-C do art. 18 da LC 123/2016 Receita Bruta em 12 Meses (em R$) Alíquota Valor a Deduzir (em R$) 3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 13,50% 17.640,00 34 Unidade I Valores a serem considerados: • Receita Bruta nos 12 meses anteriores ao período de apuração de R$ 400.000,00 e cuja receita do mês de janeiro de R$ 25.000,00. • Alíquota nominal (3ª faixa) de 13,50 % (Anexo V). • Parcela a deduzir de R$ 17.640,00. Cálculo dos valores: • R$ 400.000 x 13,50% % = R$ 54. 000,00 (-) menos a parcela a deduzir de R$ 17.640,00 = R$ 36.360,00 • Alíquota efetiva = R$ 36.360,00 / R$ 400.000,00 = 9,09 % • Aplicado sobre a Receita de Janeiro = R$ 25.000 x 9,09 % = R$ 2.272,50 Concluindo, a empresa cuja razão entre a folha de salários e faturamento dos 12 meses anteriores ao período de apuração é igual ou superior a 28% tem uma tributação favorecida, conforme exemplo acima citado. 3.5.1 Determinação das alíquotas A determinação das alíquotas ou percentuais aplicáveis sobre a receita bruta mensal a ser tributada no Simples Nacional é feita tendo como base as tabelas progressivas por ramo de atividades contidas nos Anexos de I a V, a seguir (BRASIL, 2017): Tabela 6 – Anexo I da Resolução CGSN nº 94, de 2011. (art. 25-A, § 1º, inciso I) (vigência: 01/01/2018) Alíquotas e Partilha do Simples Nacional – Comércio Receita Bruta em 12 Meses (em R$) Alíquota Valor a Deduzir (em R$) 1ª Faixa Até 180.000,00 4,00% - 2ª Faixa De 180.000,01 a 360.000,00 7,30% 5.940,00 3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 9,50% 13.860,00 4ª Faixa De 720.000,01 a 1.800.000,00 10,70% 22.500,00 5ª Faixa De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 14,30% 87.300,00 6ª Faixa De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 19,00% 378.000,00 35 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO Tabela 7 – Anexo II da Resolução CGSN nº 94, de 2011. (art. 25-A, § 1º, inciso II) (vigência: 01/01/2018) Alíquotas e Partilha do Simples Nacional – Indústria Receita Bruta em 12 Meses (em R$) Alíquota Valor a deduzir (em R$) 1ª Faixa Até 180.000,00 4,50% - 2ª Faixa De 180.000,01 a 360.000,00 7,80% 5.940,00 3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 10,00% 13.860,00 4ª Faixa De 720.000,01 a 1.800.000,00 11,20% 22.500,00 5ª Faixa De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 14,70% 85.500,00 6ª Faixa De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 30,00% 720.000,00 Tabela 8 – Anexo III Alíquotas - Receitas de locação de bens móveis e de prestação de serviços não relacionados no § 5º-C do art. 18 da LC 123/2016 Receita Bruta em 12 Meses (em R$) Alíquota Valor a deduzir (em R$) 1ª Faixa Até 180.000,00 6,00% - 2ª Faixa De 180.000,01 a 360.000,00 11,20% 9.360,00 3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 13,50% 17.640,00 4ª Faixa De 720.000,01 a 1.800.000,00 16,00% 35.640,00 5ª Faixa De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 21,00% 125.640,00 6ª Faixa De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 33,00% 648.000,00 Serviços abrangidos pelo Anexo III (BRASIL, 2008): (§ 5º-B Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar 123) § 5º-B Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: 1- creche, pré-escola e estabelecimento de ensino fundamental, escolas técnicas, profissionais e de ensino médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres, exceto as previstas nos incisos II e III do § 5º-D deste artigo; 2 - agência terceirizada de correios; 3 - agência de viagem e turismo; 4- centro de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; 36 Unidade I 5 - agência lotérica; 6 - serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais; 7 - transporte municipal de passageiros; 8 - escritórios de serviços contábeis, observado o disposto nos §§ 22-B e 22-C deste artigo. 9- produções cinematográficas, audiovisuais, artísticas e culturais, sua exibição ou apresentação, inclusive no caso de música, literatura, artes cênicas, artes visuais, cinematográficas e audiovisuais. 10- fisioterapia; 11- corretagem de seguros. 12- arquitetura e urbanismo 13 - medicina, inclusive laboratorial, e enfermagem; 14 - odontologia e prótese dentária; 15 - psicologia, psicanálise, terapia ocupacional, acupuntura, podologia, fonoaudiologia, clínicas de nutrição e de vacinação e bancos de leite. § 5o-D. Sem prejuízo do disposto no § 1o do art. 17 desta Lei Complementar, as seguintes atividades de prestação de serviços serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar: (Redação dada pela Lei Complementar nº 155, de 2016) 16 - administração e locação de imóveis de terceiros 17 - academias de dança, de capoeira, de ioga e de artes marciais; 18 - academias de atividades físicas, desportivas, de natação e escolas de esportes; 19 - elaboração de programas de computadores, inclusive jogos eletrônicos, desde que desenvolvidos em estabelecimento do optante; 20 - licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de computação; 37 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO 21 - planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas, desde que realizados em estabelecimento do optante; 22- empresas montadoras de estandes para feiras; 23 - laboratórios de análises clínicas ou de patologia clínica; 24 - serviços de tomografia, diagnósticos médicos por imagem, registros gráficos e métodos óticos, bem como ressonância magnética; 25 - serviços de prótese em geral (BRASIL, 2008). Os serviços acima mencionados, como: fisioterapia; arquitetura e urbanismo;medicina, inclusive laboratorial, e enfermagem; odontologia e prótese dentária; psicologia, psicanálise, terapia ocupacional, acupuntura, podologia, fonoaudiologia, clínicas de nutrição e de vacinação e bancos de leite; administração e locação de imóveis de terceiros, academias de dança, de capoeira, de ioga e de artes marciais; academias de atividades físicas, desportivas, de natação e escolas de esportes; elaboração de programas de computadores, inclusive jogos eletrônicos, desde que desenvolvidos em estabelecimento do optante; planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas, desde que realizados em estabelecimento do optante; empresas montadoras de estandes para feiras; laboratórios de análises clínicas ou de patologia clínica; serviços de tomografia, diagnósticos médicos por imagem, registros gráficos e métodos óticos, bem como ressonância magnética; estão sujeitos ao fator “r”, que representa o resultado da divisão da massa salarial pelo faturamento nos últimos 12 meses. Quando for igual ou superior a 28%, a tributação será na forma do Anexo III da Lei Complementar 123/2006. Importante observar que, quando o fator “r” for inferior a 28%, a tributação será realizada pelo Anexo V. Tabela 9 – Anexo IV - Alíquotas - Receitas decorrentes da prestação de serviços relacionados no § 5º-C do art. 18 da LC 123/2016 Receita Bruta em 12 Meses (em R$) Alíquota Valor a Deduzir (em R$) 1ª Faixa Até 180.000,00 4,50% - 2ª Faixa De 180.000,01 a 360.000,00 9,00% 8.100,00 3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 10,20% 12.420,00 4ª Faixa De 720.000,01 a 1.800.000,00 14,00% 39.780,00 5ª Faixa De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 22,00% 183.780,00 6ª Faixa De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 33,00% 828.000,00 Serviços abrangidos pelo Anexo IV: § 5º-C Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma 38 Unidade I do Anexo IV desta Lei Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo ela ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsáveis: 1 - construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores; 2 - serviço de vigilância, limpeza ou conservação. 3 - serviços advocatícios (BRASIL, 2006). Alíquotas e Partilha do Simples Nacional – Receitas decorrentes da prestação de serviços relacionados no § 5º-I do art. 18 da LC 123/2016 Tabela 10 – Anexo V da Resolução CGSN nº 94, de 2011. (art. 25-A, § 1º, inciso V) (vigência: 01/01/2018) Alíquotas e Partilha do Simples Nacional - Receitas de prestação de serviços descritos no inciso V do § 1º do art. 25-A, quando o fator “r” for inferior a 28% Receita Bruta em 12 Meses (em R$) Alíquota Valor a Deduzir (em R$) 1ª Faixa Até 180.000,00 15,50% - 2ª Faixa De 180.000,01 a 360.000,00 18,00% 4.500,00 3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 19,50% 9.900,00 4ª Faixa De 720.000,01 a 1.800.000,00 20,50% 17.100,00 5ª Faixa De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 23,00% 62.100,00 6ª Faixa De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 30,50% 540.000,00 Serviços abrangidos pelo Anexo V: Sem prejuízo do disposto no § 1o do art. 17 desta Lei Complementar, as seguintes atividades de prestação de serviços serão tributadas na forma do Anexo V desta Lei Complementar: 1 - medicina veterinária; 2 - serviços de comissária, de despachantes, de tradução e de interpretação; 3 - engenharia, medição, cartografia, topografia, geologia, geodésia, testes, suporte e análises técnicas e tecnológicas, pesquisa, design, desenho e agronomia; 4 - representação comercial e demais atividades de intermediação de negócios e serviços de terceiros; 39 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO 5 - perícia, leilão e avaliação; 6 - auditoria, economia, consultoria, gestão, organização, controle e administração; 7 - jornalismo e publicidade 8 - agenciamento, exceto de mão de obra; 9 - outras atividades do setor de serviços que tenham por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, desde que não sujeitas à tributação na forma dos Anexos III ou IV desta Lei Complementar (BRASIL, 2006). Todos os serviços abrangidos pelo Anexo V estão sujeitos ao fator “r”, que representa o resultado da divisão da massa salarial pelo faturamento nos últimos 12 meses. Quando for igual ou superior a 28%, a tributação será também na forma do Anexo III da Lei Complementar 123/2006. Quando o fator “r” for menor ou igual a 28%, então a tributação desses serviços fica sujeita às alíquotas do Anexo V. As tabelas progressivas Anexos I a V referem-se à receita bruta acumulada dos últimos 12 meses, obedecendo ao regime de competência ou receita bruta dos últimos 12 meses pelo regime de caixa, permitido desde 2009. Quando uma empresa estiver em início de atividades no próprio ano-calendário da opção pelo Simples Nacional, para efeito de determinação da receita bruta nos últimos 12 meses, a empresa deverá tomar como receita acumulada a do próprio mês de início de suas atividades multiplicada por 12 meses. Nos 11 meses posteriores ao do início da atividade, deverá ser utilizada a média aritmética da receita bruta total dos meses anteriores ao do período de apuração, multiplicado por 12. Na hipótese de início de atividade em ano-calendário imediatamente anterior ao da opção pelo Simples Nacional, deverá ser utilizada a regra prevista no parágrafo anterior até alcançar 13 meses de atividade, quando, então, adotará a regra geral, que é utilizar a receita bruta total acumulada de 12 meses anteriores ao do período de opção do Simples Nacional. Exemplificando: uma microempresa comercial, no mês de janeiro de 2018, obteve a receita de vendas de mercadorias no valor de R$ 20.000,00. Para determinar a alíquota que deverá ser aplicada sobre a base de cálculo de R$ 20.000,00, deverá obedecer ao seguinte procedimento: Valores a serem considerados: Receita bruta nos 12 meses anteriores ao período de apuração de R$ 240.000,00 e cuja receita do mês de janeiro de 2018 de R$ 20.000,00: 40 Unidade I • Alíquota nominal (2ª faixa) de 7,30%. • Parcela a deduzir de R$ 5.940,00. Cálculo dos valores: • R$ 240.000 x 7,30 % = R$ 17.520,00 (-) menos a parcela a deduzir de R$ 5.940,00 = R$ 11.580,00. • Alíquota efetiva = R$ 11.580,00 / R$ 240.000,00 = 4,83%. • Aplicado sobre a Receita de Janeiro/2018 = R$ 20.000 x 4,83 % = R$ 966,00. Algumas complexidades de cálculo devem ser levadas em consideração em relação às atividades sujeitas ao fator “r”, que representa o resultado da divisão da massa salarial dos últimos 12 meses pelo faturamento dos últimos 12 meses. Observe que todos os serviços elencados no Anexo V estão sujeitos ao fator “r”, e, quando inferior a 28%, os percentuais do Anexo V é que devem ser aplicados. Quando o fator “r” for igual ou superior a 28%, para esses mesmos serviços descritos no Anexo V, devem ser então tomados os percentuais do Anexo III, cuja tributação é inferior. Como afirmamos anteriormente, o governo incentiva ou reduz a carga tributária das empresas com maior número de empregados. Alguns serviços descritos no Anexo III estão também sujeitos ao fator “r”; procedimentos idênticos devem ser observados se menor, igual ou maior que 28%: fisioterapia, arquitetura e urbanismo, medicina, inclusive laboratorial, e enfermagem; odontologia e prótese dentária; psicologia, psicanálise, terapia ocupacional, acupuntura, podologia, fonoaudiologia, clínicas de nutrição e de vacinação e bancos de leite; administração e locação de imóveis de terceiros, academias de dança, de capoeira, de ioga e de artes marciais; academias de atividades físicas, desportivas,de natação e escolas de esportes; elaboração de programas de computadores, inclusive jogos eletrônicos, desde que desenvolvidos em estabelecimento do optante; planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas, desde que realizados em estabelecimento do optante; empresas montadoras de estandes para feiras; laboratórios de análises clínicas ou de patologia clínica; serviços de tomografia, diagnósticos médicos por imagem, registros gráficos e métodos óticos, bem como ressonância magnética. Concluindo, quando o fator “r” for igual ou maior, aplica-se os percentuais do anexo III. Quando inferior a 28%, para esses serviços, ainda que descritos no Anexo III, aplicar-se-ão os percentuais do Anexo V. As atividades especificadas no Anexo V também são beneficiadas pela redução da carga tributária quando há um maior número de empregados. 41 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO Exemplificando: Empresa A – Laboratórios de análises clínicas ou de patologia clínica • Receita Bruta nos 12 meses anteriores ao período de apuração de R$ 800.000,00 e cuja receita do mês de janeiro de R$ 50.000,00. • Folha de Salários Acumulada dos 12 meses anteriores ao período de apuração igual a R$ 250.000,00. • Período de apuração ou Faturamento de Janeiro/2018 = R$ 50.000,00. • Razão entre a Folha de Salários e Faturamento Bruto: R$ 250.000,00/ 800.000,00 = 31,30 %. Anexo III – 4ª Faixa 16,00%: Parcela a deduzir R$ 35.640,00 Cálculo dos valores: • R$ 800.000 x 16,00 % % = R$ 128.000,00 (-) menos a parcela a deduzir de R$ 35.640, 00 = R$ 92.360,00. • Alíquota efetiva = R$ 92.360,00 / R$ 800.000,00 = 11,55%. • Aplicado sobre a Receita de Janeiro = R$ 50.000 x 11,50 % = R$ 5.775,00. Empresa B • Receita Bruta nos 12 meses anteriores ao período de apuração de R$ 800.000,00 e cuja receita do mês de janeiro de R$ 50.000,00. • Folha de Salários Acumulada dos 12 meses anteriores ao período de apuração igual a R$ 200.000,00. • Período de apuração ou Faturamento de Janeiro/2018 = R$ 50.000,00. • Razão entre a Folha de Salários e Faturamento Bruto: R$ 200.000,00/ 800.000,00 = 25,00%. Anexo V – 4ª Faixa 20,50%: Parcela a deduzir R$ 17.100,00 Cálculo dos valores: • R$ 800.000 x 20,50 % % = R$ 164.000,00 (-) menos a parcela a deduzir de R$ 17.100, 00 = R$ 146.900,00. 42 Unidade I • Alíquota efetiva = R$ 146.900,00 / R$ 800.000,00 = 18,36%. • Aplicado sobre a Receita de Janeiro = R$ 50.000 x 18,36 % = R$ 9.180,00. Outra situação especial que existe no Simples Nacional é o estabelecimento de “sublimites” para fins de recolhimento de ICMS. Os sublimites são faixas diferenciadas de receita bruta que podem ser adotadas pelos estados e Distrito Federal, para efeito de recolhimento de ICMS e ISS. Quando estados e munícipios não adotam o novo teto do Simples Nacional, atualmente de R$ 4.800.000,00, as empresas podem continuar aderindo ao Simples Nacional, no entanto, não podem ultrapassar a receita bruta anual de R$ 3.600.000,00. Quando ultrapassada a importância de R$ 3.600.000,00, terão que recolher o ICMS e ISS fora da sistemática do Simples Nacional. Apesar de ultrapassado o sublimite de R$ 3.600.000,00, a EPP não será excluída do Simples Nacional, mas não deve ultrapassar o limite de 20% de R$ 3.600.000,00, igual a R$ 720.000,00, ou seja, não pode ultrapassar o valor de R$ 4.320.000,00, quando no exercício seguinte os impostos de ICMS e ISS serão recolhidos fora do Simples Nacional. Para o ano de 2018 são os seguintes sublimites, de acordo com a Lei Complementar 94/2011 e 137/2017: Art. 9º Os Estados e o Distrito Federal cuja participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro seja de até 1% (um por cento) poderão optar pela aplicação de sublimite de receita bruta anual de R$ 1.800.000,00 (um milhão e oitocentos mil reais) no mercado interno e consequente sublimite adicional, no mesmo valor, de exportação de mercadorias ou serviços para o exterior, para efeito de recolhimento do ICMS e do ISS relativos aos estabelecimentos localizados em seus respectivos territórios. § 1º Para os Estados e o Distrito Federal que não tenham adotado sublimites na forma do caput e para aqueles cuja participação no PIB brasileiro seja superior a 1% (um por cento), para efeitos de recolhimento do ICMS e do ISS, observar-se-á obrigatoriamente o sublimite no valor de R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais) no mercado interno e sublimite adicional, no mesmo valor, de exportação de mercadorias ou serviços para o exterior (BRASIL, 2017b). Ainda quanto à aplicação das tabelas progressivas dos Anexo I a V, deve ser verificada a condição da empresa participante do Simples Nacional, se as mercadorias comercializadas estão na condição de substituição tributária. Importante dizer que as empresas optantes do Simples Nacional se sujeitam integralmente às normas da Substituição Tributária, não havendo benefícios pela sua condição de pequena empresa. 43 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO Essa forma de tributação antecipada alcança as empresas do simples pelo fato de a Lei Complementar 123/06 não ter tratado as operações sujeitas ao regime de substituição tributária (LC 123/06, artigo 13, Parágrafo 1º, inciso XIII, letras “a” e “g”). Essa situação culminou numa carga tributária maior para os produtos abrangidos pela substituição tributária, principalmente no que tange o ICMS. Somente através da Lei Complementar 128/08 e da Resolução 61/2009 da CGSN – Comitê de Gestão do Simples Nacional é que foram permitidas alterações a partir de 1º agosto de 2009 no cálculo do ICMS-ST, ou seja, descontar o ICMS sobre a operação própria. Exemplificando: uma empresa situada em São Paulo e optante do Simples Nacional efetua vendas de produtos sujeitos à Substituição Tributária – ST a contribuintes situados simultaneamente em São Paulo e Paraná. Tabela 11 Exemplo: Interna R$ Exemplo: Interestadual (UF a 12%) R$ Vlr. do produto 1.000,00 Vlr. do produto 1.000,00 IVA 30% 300,00 IVA 30% 300,00 B/C- ST 1.300,00 B/C- ST 1.300,00 Alíquota 18% Alíquota interna 18% ICMS 234,00 ICMS 234,00 ICMS Op. Próp.18% 180,00 ICMS Op. Próp.12% 120,00 ICMS-ST * 54,00 ICMS-ST* 114,00 Valor a ser recolhido pela empresa vendedora Com relação ao credito de ICMS, as empresas que adquirem mercadorias de empresas optantes pelo Simples Nacional podem creditar-se do ICMS calculado na Operação, conforme disposto na Lei Complementar 123/06, entendendo-se que os percentuais de créditos são aqueles do Anexo I (Comércio) e Anexo II (Indústria). Para empresa submetida ao Simples Nacional e tributada pelo ICMS em valores fixos mensais, não poderá ser aproveitado o crédito de ICMS. Para o ano de 2018, os valores fixos mensais são: I – para a ME que no ano-calendário anterior tenha auferido receita bruta de até R$ 180.000,00 (cento e oitenta mil reais): a) R$ 108,00 (cento e oito reais), no caso de ICMS; e 44 Unidade I b) R$ 162,75 (cento e sessenta e dois reais e setenta e cinco centavos), no caso de ISS; II – para a ME que no ano-calendário anterior tenha auferido receita bruta entre R$ 180.000,00 (cento e oitenta mil reais) e R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais): a) R$ 295,50 (duzentos e noventa e cinco reais e cinquenta centavos), no caso de ICMS; e b) R$ 427,50 (quatrocentos e vinte e sete reais e cinquenta centavos), no caso de ISS (BRASIL, 2017b). Outros aspectos importantes referem-se à retenção de impostos relativos a empresas participantes do Simples Nacional. Fica dispensada a retenção do imposto de renda na fonte sobre as importâncias pagas ou creditadas a pessoa jurídica inscrita no Simples Nacional. Essa dispensa não se aplica ao imposto de renda relativo aos rendimentos ou ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável. A retenção do PIS/Cofins/CSLL por serviços prestados (Lei 10.833/2003) não será exigida na hipótese de pagamentos efetuados a pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional em relaçãoàs suas receitas próprias (IN RFB 765/2007). As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam dispensadas do pagamento das demais contribuições instituídas pela União, ficando ainda dispensadas das contribuições para as entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, de que trata o artigo 240 da Constituição Federal e demais entidades de serviço social autônomo. As ME e EPP optantes pelo Simples Nacional ficam dispensadas, na forma do § 3º do artigo 13 da Lei Complementar 123/2006, do pagamento das demais contribuições instituídas pela União, inclusive da Contribuição Sindical Patronal. Caso tenha havido a retenção na fonte do ISS, ela será definitiva e deverá ser deduzida da parcela do Simples Nacional correspondente, que será apurada, tomando-se por base as receitas de prestação de serviços que sofreram tal retenção, não sendo o montante recolhido na forma do Simples Nacional objeto de partilha com os municípios. As ME e EPP optantes pelo Simples Nacional não poderão segregar como receitas sujeitas à retenção aquelas recebidas pela prestação de serviços que sofrerem retenção do ISS na fonte, na forma da legislação do município, nas hipóteses em que não forem observadas as disposições do artigo 3º da Lei Complementar 116/2003. 45 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO Consideram-se isentos do imposto de renda, na fonte e na declaração de ajuste do beneficiário, os valores efetivamente pagos ou distribuídos ao titular ou sócio da microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional, salvo os que corresponderem à pró-labore, aluguéis ou serviços prestados. 3.6 PIS, Cofins e CSLL Com relação aos tributos federais PIS, Cofins e CSLL, as empresas participantes do Simples Nacional não as retêm e não são delas retidas. 3.7 INSS A pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional que prestar serviço mediante cessão de mão de obra ou empreitada está sujeita à retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura, ou do recibo de prestação de serviços (segundo a Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil nº 761/07) (BRASIL, 2007c). No valor devido em cada mês a título de Simples Nacional apurado com os Anexos IV e V, não está incluído o valor do INSS patronal que deverá ser recolhido de acordo com a legislação de regência. Na aplicação do Anexo V, a empresa terá de apurar a relação percentual entre os salários e encargos dos 12 meses com a receita bruta do mesmo período. De acordo com a relação obtida, será aplicada a alíquota. 3.8 IRRF A Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil nº 765/2007 dispensou a retenção do IR na fonte sobre as importâncias pagas ou creditadas à pessoa jurídica inscrita no Simples Nacional. 3.9 Receita de exportação O § 12 do art. 18 da LC nº 123 de 2006 dispõe que, na apuração do montante devido no mês relativo a cada tributo, a empresa que apure receitas de exportação de mercadorias terá direito à redução do valor a ser recolhido, calculada nos termos da lei (BRASIL, 2006). 3.10 Substituição tributária do PIS e da Cofins A substituição tributária do PIS e da Cofins ocorre nas revendas de combustíveis, produtos fármacos, perfumaria, cigarros, refrigerantes etc. A redução é feita por meio da aplicação das alíquotas de PIS e Cofins sobre a receita com substituição tributária ou exportação ao exterior, da linha que corresponder à receita bruta total. Assim, o comerciante que revende produtos farmacêuticos com substituição tributária de PIS e Cofins e que esteja na alíquota de 8,45% aplicará esse percentual para a receita total do mês e reduzirá o resultado da aplicação dos percentuais de 0,28% para o PIS e 1,17% para a Cofins sobre a receita do mês com substituição tributária. 46 Unidade I 3.11 Receitas não tributárias A Lei não permite excluir da tributação as receitas imunes, isentas, não tributadas ou alíquota zero. As empresas industriais, ao aplicarem a tabela do Anexo II, pagam o IPI ainda que a totalidade de suas receitas estejam classificadas como não tributadas. As milhares de livrarias existentes no Brasil têm imunidade de ICMS e isenção de PIS e Cofins, mas no Simples Nacional pagam esses tributos. Como os anexos trazem as alíquotas de cada imposto ou contribuição, fica mais fácil questionar, no Judiciário, a cobrança de ICMS, PIS e Cofins sobre a receita da venda de livros, o IPI sobre a receita de produtos classificados como NT na legislação de IPI e assim por diante. 3.12 Recolhimento dos tributos devidos O Recolhimento dos tributos devidos em cada mês será feito em um único documento de arrecadação instituído pelo Comitê Gestor, com códigos específicos para cada espécie de receita discriminada no § 4o do art. 18 da LC. Assim, se a empresa tiver receita de revenda de peças e acessórios para veículos e receita de conserto de veículos, o documento único de arrecadação terá dois códigos (art. 21 da LC nº 123) (BRASIL, 2006). 3.13 Imposto de Renda na fonte sobre serviços prestados As pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional, por recolherem os impostos e as contribuições em único documento de arrecadação, não tem como compensar o imposto retido na fonte. Por essa razão, não estão sujeitas à retenção do imposto de renda sobre as receitas decorrentes de serviços prestados. A maioria das atividades cujas receitas de prestação de serviços tem incidência do imposto na fonte está excluída da opção pelo regime. Saiba mais Os sites oficiais federais, estaduais e municipais disponibilizam gratuitamente a legislação para consulta e download. Inclusive, o Palácio do Planalto disponibiliza a qualquer pessoa que queira estar bem informado o sistema push. Após realizar seu cadastramento no link <http://www.saj.planalto. gov.br/saj/Boletins.nsf/frmInscricaoWeb?OpenForm>, o site enviará automaticamente para o e-mail informado as leis e decretos assinados diariamente pelo Presidente da República. Também na Federação Nacional das Empresas de Contabilidade (Fenacon), podemos nos cadastrar e, após o cadastramento, o sistema encaminhará todas as notícias relacionadas à área. 47 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO 3.14 Limite para exportação de serviço A partir de 2015, as empresas optantes pelo Simples Nacional que façam exportação de bens e serviços poderão auferir receita bruta anual de até R$ 7,2 milhões, sendo R$ 3,6 milhões no mercado interno e R$ 3,6 milhões no mercado externo. 3.15 MEI – contratação por empresas A empresa que contrata MEI para prestar serviços diferentes de hidráulica, eletricidade, pintura, alvenaria, carpintaria e de manutenção ou reparo de veículos, não está mais obrigada ao registro na GFIP e ao recolhimento da cota patronal de 20% (o art. 12 da LC nº 147/2014 revogou retroativamente essa obrigatoriedade). Todavia, quando houver os elementos da relação de emprego, o MEI deverá ser considerado empregado para todos os efeitos. Adicionalmente, a resolução ratifica que o MEI não pode prestar serviços na modalidade de cessão de mão de obra. 4 RETENÇÕES NA FONTE Apresentaremos aqui as normas de Retenções na Fonte de Imposto de Renda Retido na Fonte, PIS, Cofins E CSLL. As retenções dos diversos impostos e tributos federais têm como objetivo antecipar os respectivos recolhimentos, garantindo para o governo um melhor fluxo de arrecadação. Existem diversas formas de cálculo e recolhimento que incidem sobre os mais variados tipos de serviços, bens ou direitos; as empresas de serviços ou vendedoras de bens estão obrigadas a essas antecipações. 4.1 Retenção exclusiva na fonte e por antecipação Com relação à retenção de Imposto de Renda, temos que distinguir dois regimes atuais existentes: • Retenção exclusiva. • Retenção por antecipação do imposto que será ajustado na Declaração de Rendimentos do Contribuinte. No regime de retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora, que entrega o valor líquido ao beneficiário. Doponto de vista legal, a fonte pagadora substitui o contribuinte no momento que surge a obrigação tributária. A responsabilidade é exclusiva da fonte pagadora, embora o beneficiário receba o valor líquido e, desta forma, arque com o ônus do imposto. 48 Unidade I Um exemplo de retenção exclusiva é o IRRF sobre aplicações financeiras por empresas tributadas pelo Simples Nacional. Na retenção por antecipação, a responsabilidade é atribuída à fonte pagadora para retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte. A apuração definitiva do IR será efetuada pelo contribuinte pessoa física na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. 4.2 Retenção na fonte de PIS, Cofins e CSLL (CSRF) As retenções de CSRF devem ser realizadas nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas e outras pessoas jurídicas de direito privado pela prestação de serviços de: • Serviços de limpeza. • Conservação. • Manutenção. • Segurança. • Vigilância. • Transporte de valores e locação de mão de obra. • Factoring. • Pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber. • Pela remuneração de serviços profissionais, conforme definição prevista no artigo 647 RIR /99. A retenção incidirá sobre qualquer forma de pagamento, inclusive os pagamentos antecipados por conta de prestação de serviços para entrega futura. A retenção sobre os serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, aplica-se, inclusive, quando tais serviços forem prestados por empresa de factoring. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado pela prestação de serviços de informações cadastrais para fins de crédito e que são utilizados para subsidiar a concessão ou extensão de crédito, a realização de vendas a prazo ou outras transações comerciais e 49 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO empresariais que impliquem risco financeiro ao consulente ou para a execução de análise de risco de crédito do cadastrado (Serasa e similares) sujeitam-se às retenções especificadas. A empresa prestadora do serviço deverá informar no documento fiscal o valor correspondente à retenção das contribuições incidentes sobre a operação, não eximindo, todavia, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento. Conceito de serviços Entendem-se como serviços (BRASIL, 2004): I – de limpeza, conservação ou zeladoria os serviços de varrição, lavagem, enceramento, desinfecção, higienização, desentupimento, dedetização, desinsetização, imunização, desratização ou outros serviços destinados a manter a higiene, o asseio ou a conservação de praias, jardins, rodovias, monumentos, edificações, instalações, dependências, logradouros, vias públicas, pátios ou de áreas de uso comum. II – de manutenção todo e qualquer serviço de manutenção ou conservação de edificações, instalações, máquinas, veículos automotores, embarcações, aeronaves, aparelhos, equipamentos, motores, elevadores ou de qualquer bem, quando destinadas a mantê-los em condições eficientes de operação, exceto se a manutenção for feita em caráter isolado, como um mero conserto de um bem defeituoso. III – de segurança e/ou vigilância os serviços que tenham por finalidade a garantia da integridade física de pessoas ou a preservação de valores e de bens patrimoniais, inclusive escolta de veículos de transporte de pessoas ou cargas. IV – profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto 3.000/1999 - RIR/1999, inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicando-se, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Receita Federal do Brasil para a retenção do imposto de renda. 4.3 Não exigência das CSRF Não será exigida a retenção das CRSF na hipótese de pagamentos efetuados a: I – Empresas estrangeira de transportes de valores. II – Pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional. 4.4 Base de cálculo e alíquota CSRF O valor da retenção das CSRF será determinado mediante a aplicação, sobre o valor bruto da nota ou documento fiscal, do percentual de 4,65%, que corresponde à soma das alíquotas de 1% para CSLL, 0,65% para o PIS, e 3% para a COFINS. 50 Unidade I 4.5 Compensação dos Valores Retidos Os valores retidos serão considerados como antecipação do que for devido pelo prestador de serviço que sofreu a retenção. Regra geral, os valores retidos poderão ser compensados ou deduzidos das contribuições devidas da mesma espécie, porém, de acordo com a Lei 11.727/08, é permitida quando não for possível a dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições, dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. (Instrução Normativa RFB nº 1300/12). 4.6 Imposto de renda retido na fonte sobre receitas Algumas receitas auferidas pelas pessoas jurídicas são recebidas com desconto de imposto de renda retido pela fonte pagadora. São exemplos das receitas: • De prestação de serviços de natureza profissional; Artigo 647 RIR /99, retenção de 1,5 % sobre as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas. Relação de serviços caracterizadamente de natureza profissional: 1. administração de bens ou negócios em geral (exceto consórcios ou fundos mútuos para aquisição de bens) 2. advocacia; 3. análise clínica laboratorial; 4. análises técnicas; 5. arquitetura; 6. assessoria e consultoria técnica (exceto o serviço de assistência técnica prestado a terceiros e concernente a ramo de indústria ou comércio explorado pelo prestador do serviço); 7. assistência social; 8. auditoria; 9. avaliação e perícia; 10. biologia e biomedicina; 11. cálculo em geral; 51 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO 12. consultoria; 13. contabilidade; 14. desenho técnico; 15. economia; 16. elaboração de projetos; 17. engenharia (exceto construção de estradas, pontes, prédios e obras assemelhadas); 18. ensino e treinamento; 19. estatística; 20. fisioterapia; 21. fonoaudiologia; 22. geologia; 23. leilão; 24. medicina (exceto a prestada por ambulatório, banco de sangue, casa de saúde, casa de recuperação ou repouso sob orientação médica, hospital e pronto-socorro); 25. nutricionismo e dietética; 26. odontologia; 27. organização de feiras de amostras, congressos, seminários, simpósios e congêneres; 28. pesquisa em geral; 29. planejamento; 30. programação; 31. prótese; 32. psicologia e psicanálise; 33. química; 52 Unidade I 34. radiologia e radioterapia; 35. relações públicas; 36. serviço de despachante; 37. terapêutica ocupacional; 38. tradução ou interpretação comercial; 39. urbanismo; 40. veterinária. • Comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou mediação na realização de negócios civis ou comerciais, retenção de 1,5% sobre as importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídicas a outras pessoas jurídicas. Os serviços de comissões e corretagens abrangem os seguintes serviços: 1. Colocação ou negociação de títulos de renda fixa. 2. Operações realizadas em Bolsas de Valores e em Bolsa de Mercadorias. 3. Distribuição de emissão de valores mobiliários, quando a pessoa jurídica atuar como agente da companhia emissora. 4. Operações de câmbio. 5. Vendas de passagens, excursões ou viagens. 6. Administração de cartões de crédito. 7. Prestação de Serviços de distribuição de refeições pelo sistema refeições-convênio. 8. Prestação de serviços de administração de convênios. • Prestação de serviços de publicidade, retenção de 1,5% sobre as importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídicas a outras pessoas jurídicas, excluindo-se da base de cálculo as importânciaspagas ou repassadas a empresas de rádio e televisão, jornais e revistas. A agência de publicidade é quem se responsabilizará pelo pagamento do imposto, por conta e ordem da empresa anunciante. 53 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO Exemplo: Valo pago pela anunciante R$ 10.000,00 Valor repassado aos meios de comunicação (R$ 6.000,00) Base de calculo da retenção R$ 4.000,00 Alíquota de retenção 1,5% Valor da retenção R$ 60,00 • Prestação de serviços de limpeza e conservação de bens imóveis, (exceção a reformas e obras assemelhadas), de segurança e vigilância e locação de mão de obra; retenção de 1% sobre as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas. Deve-se observar que a retenção sobre serviços de limpeza e conservação incidirá quando realizado em bens imóveis. Com relação a serviços de Transportes de Valores, incide 1% de retenção. • Aplicações de Renda Fixa e Variável, temos que distinguir os seguintes tipos de aplicações financeiras: — Renda Fixa são as aplicações em Título Públicos e Privados - Títulos de renda fixa públicos: Notas do Tesouro Nacional (NTN); Bônus do Banco Central (BBC); Títulos da Dívida Agrária (TDA); Títulos estaduais e municipais. - Títulos de renda fixa privados (São emitidos por instituições ou empresas de direito privado: Letras de Câmbio (LC); Letras Hipotecárias (LH); Certificados de Depósito Bancário (CDB); Recibos de Depósito Bancário (RDB); Debêntures. As alíquotas aplicáveis são: • 22,5% em aplicações com prazo de até 180 dias; • 20% em aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias; • 17,5% em aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias; • 15% em aplicações com prazo acima de 720 dias. O IRRF incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa pago sobre os ganhos líquidos mensais será deduzido do imposto devido no encerramento de cada período 54 Unidade I de apuração do IRPJ ou na data da extinção da pessoa jurídica, no caso de empresas tributadas com base no Lucro Real, Presumido ou Arbitrado. Nesta hipótese, o imposto será registrado em conta do subgrupo de Impostos a Recuperar no grupo Ativo Circulante (AC), ou Não Circulante, denominado IRRF a Recuperar (AC). Renda variável Esses títulos são negociados em bolsas de valores, sendo que os mais comuns são: • as ações; • os fundos de renda variável (fundo de ação, multimercado e outros); • as quotas ou quinhões de capital; • os commodities (ouro ativo financeiro, moeda e outros); • os derivativos (contratos negociados nas Bolsas de valores, de mercadorias, futuros e assemelhadas). Alíquotas aplicáveis • 20%, no caso de operação day trade; • 15%, nas demais hipóteses. O IRRF incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa pago sobre os ganhos líquidos mensais será deduzido do imposto devido no encerramento de cada período de apuração do IRPJ ou na data da extinção da pessoa jurídica, no caso de empresas tributadas com base no Lucro Real, Presumido ou Arbitrado. Nesta hipótese, o imposto será registrado em conta do subgrupo de Impostos a Recuperar no grupo Ativo Circulante (AC), ou Não Circulante, denominado IRRF a Recuperar (AC). Fundos e Clubes de Investimentos Os rendimentos auferidos em aplicações ou operações realizadas através de fundos e clubes de investimentos em ações são tributados exclusivamente no resgate das quotas, à alíquota de 15%. Já os títulos de capitalização, no caso de resgate sem ocorrência de sorteio, terão os rendimentos tributados à alíquota de 20%. • Remuneração do Capital Próprio: — Alíquota aplicável. — 15% sobre a remuneração. 55 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO — Quando pago à pessoa física, pessoa jurídica isenta ou optante do simples nacional , o imposto é considerado tributação definitiva ou exclusivamente na fonte, não sendo recuperável o valor do imposto retido. — Quando pago à pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado, o imposto de renda retido será deduzido do valor apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual. • Juros e indenização por lucros cessantes, decorrentes de ação judicial: — As importâncias pagas às pessoas jurídicas a títulos de juros e indenizações por lucros cessantes, decorrentes de sentença judicial, estão sujeitas a alíquota de 5%. — O imposto descontando será deduzido no encerramento do período de apuração trimestral ou anual (Artigo 60 inciso I – Lei 8981 de 1995). — Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Artigo 61 – Lei 8981 de 1995). — Quando pago a pessoas físicas, será aplicada a tabela progressiva mensal. — O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das pessoas físicas. — A disposição está prevista na Solução de Consulta 372/14 da Cosit- Coordenação Geral de Tributação. • Multas ou quaisquer outras vantagens pagas ou creditadas pela empresa, ainda que a titulo de indenização, em virtude de rescisão de contrato: — Estão sujeitas ao imposto de renda na fonte, à alíquota de 15%, as multas ou quaisquer outras vantagens paga ou creditadas por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização a beneficiária pessoa física ou jurídica. — A retenção do imposto de renda será considerada antecipação apurada na declaração do imposto de renda da pessoa física e como antecipação do devido em cada período de apuração do lucro real , presumido ou arbitrado. • Prestação de serviços de administração de convênios: — Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis ou comerciais. 56 Unidade I 4.7 Retenção de tributos e contribuições por órgãos públicos federais, estaduais, municipais e Distrito Federal Os órgãos públicos federais, estaduais, municipais e Distrito Federal são obrigados a efetuar retenções na fonte do Imposto de Renda, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os pagamentos efetuados às pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras. Os seguintes órgãos e entidades da Administração Pública Federal que estão obrigadas a retenção dos tributos: • órgãos da Administração Pública Direta; • autarquias; • fundações federais; • empresas públicas; • sociedades de economia mista; • demais entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha maioria do capital social sujeito a voto, e que recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal – Siafi. Os órgãos da administração pública do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios somente poderão proceder à retenção das contribuições sociais (PIS/COFINS e CSLL) caso firmem convênio com a Superintendência da Receita Federal. Base de Cálculo de Alíquotas O valor da retenção das CSRF será determinado mediante a aplicação, sobre o valor bruto da nota ou documento fiscal, do percentual de 4,65%, que corresponde a soma das alíquotas de 1% para CSLL, 0,65% para o PIS, e 3% para a Cofins. Quanto aos percentuais de 3,0 (Cofins) e 0,65 (PIS/Pasep), aplicam-se inclusive para as empresas sujeitas ao regime não cumulativo ou regime de alíquotas diferenciadas. Caso o pagamento se refira a contratos distintos de uma mesma pessoa jurídica pelo fornecimento de bens ou serviços com percentuais diferenciados, aplicar-se-á o percentual correspondente a cada fornecimentocontratado. 57 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO A retenção será efetuada aplicando-se, sobre o valor que estiver sendo pago, o percentual constante da tabela a seguir. Tabela 12 – Retenções de Tributos Federais Natureza do bem fornecido ou do serviço prestado (01) Alíquotas % A ser aplicada IR (02) CSLL (03) COFINS (04) PIS/ PASEP (05) (06) Alimentação; Energia elétrica; Serviços prestados com emprego de materiais; Construção Civil por empreitada com emprego de materiais; Serviços hospitalares; Transporte de cargas, exceto os relacionados no código 8767; Mercadorias e bens em geral. 1,2 1,0 3,0 0,65 5,85 Gasolina, óleo diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP) e querosene de aviação (QAV) adquiridos de produtor ou importador; Demais combustíveis derivados de petróleo e gás natural, e dos demais produtos derivados de petróleo, adquiridos de produtor, importador, distribuidor ou varejista; Álcool etílico hidratado para fins carburantes, adquirido diretamente do distribuidor. 0,24 1,0 3,0 0,65 4,89 Gasolina, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) e querosene de aviação adquiridos de distribuidores e comerciantes varejistas, e álcool para fins carburantes quando adquirido, exclusivamente, de comerciante varejista. 0,24 1,0 0,0 0,0 1,24 Transporte internacional de cargas efetuado por empresas nacionais; Estaleiros navais brasileiros nas atividades de Construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 08 de janeiro de 1997; Aquisição de livros no mercado interno; Medicamentos, produtos de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal a que se refere o art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com a redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002, adquiridos de atacadistas ou varejistas; Pneus novos de borracha e Câmaras-de-ar de borracha, classificados nas posições 40.11 e 40.13 da TIPI, adquiridos de atacadistas e varejistas; Máquinas, veículos e tratores de que trata o caput do art 20 desta IN e autopeças constantes do Anexo I e II, da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, adquiridos de atacadistas e varejistas; Água, refrigerante e cerveja sem álcool, classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, adquiridos de atacadistas e varejistas. Outros produtos ou serviços beneficiados com isenção, não incidência ou alíquotas zero da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep. 1,2 1,0 0,0 0,0 2,2 58 Unidade I Passagens aéreas, rodoviárias e demais serviços de transporte de passageiros, exceto as relacionadas no código 8850. 2,40 1,0 3,0 0,65 7,05 Transporte internacional de passageiros efetuado por empresas nacionais. 2,40 1,0 0,0 0,0 3,40 Serviços prestados por associações profissionais ou assemelhadas. 0,0 1,0 3,0 0,65 4,65 Serviços prestados por bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades abertas de previdência complementar. 2,40 1,0 3,0 0,65 7,05 Serviços de abastecimento de água; Telefone; Correio e telégrafos; Vigilância; Limpeza. Locação de mão de obra; Intermediação de negócios; Administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; Factoring; Demais serviços. 4,80 1,0 3,0 0,65 9,45 Saiba mais Para informações completas, consultar a Instrução Normativa 1234/12 em: BRASIL. Instrução normativa RFB nº 1234, de 11 de janeiro de 2012. Brasília, 2012. Disponível em: <http://normas.receita.fazenda.gov.br/ sijut2consulta/link.action?visao=compilado&idAto=37200>. Acesso em: 4 abr. 2018. Resumo Nesta unidade vimos a importância do planejamento tributário, que envolve todas as empresas independentemente da forma pela qual suas receitas e lucros possam ser tributados: Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. Sabemos que o planejamento tributário é importante, assim como saber o conceito de elisão fiscal, que é a maneira legal ou lícita de evitar, reduzir ou postergar o pagamento do imposto. 59 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO A elisão fiscal, ou a economia de impostos, decorre de dois aspectos importantes: • da própria lei , em que há uma vontade clara e consciente do legislador de dar ao contribuinte determinados benefícios fiscais; • da interpretação da lei tributária, em que o contribuinte possa harmonizar os seus negócios com um menor ônus tributário. Amparado no conceito de elisão fiscal, evita-se toda a ação consciente e espontânea ou até mesmo dolosa de cometer a evasão fiscal, que nada mais é do que a fraude ou a sonegação fiscal. Ainda nesta unidade está definido o que é sociedade simples, sociedade empresária e opção pelo Sistema Simplificado de Tributação, o Simples Nacional. A sociedade simples foi introduzida pelo Código Civil de 2002; sua característica principal é estabelecer uma estreita relação entre as atividades desenvolvidas e a especialidade de seus sócios. Normalmente optam por esse tipo de sociedade simples as empresas de profissões regulamentadas, como sociedade de médicos, dentistas e demais profissões regulamentadas, cujo registro constitutivo é efetuado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. A sociedade empresária se caracteriza com o seu objetivo impessoal, ou seja, as atividades são desenvolvidas apartadas da figura de seus sócios ou proprietários. Nesse tipo, se enquadram as sociedades comerciais e cujos registros constitutivos são feitos nas Juntas Comerciais dos seus Estados. As duas modalidades podem ser enquadradas, do ponto de vista fiscal, como Microempresas – ME, Empresas de Pequeno Porte – EPP e Microempreendedor Individual – MEI. Podem eleger a forma de sua tributação observando os preceitos da legislação tributária, fazendo a opção pela tributação de suas receitas e lucros pelo sistema simplificado de tributação, Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. Exceção se faz necessária: a MEI, cuja tributação anualmente é definida por um valor fixo mensal e o faturamento também esteja anualmente nos limites de tributação exigidos para os microempreendedores. Importante dizer que os conceitos de microempresa e EPP foram criadas com o objetivo principal de se enquadrarem, do ponto de vista tributário, no Sistema Simplificado de Tributação, o Simples Nacional. Porém, mesmo que uma empresa possa eleger a forma de tributação pelo Simples Nacional, não há impedimento para que ela faça a opção pelos regimes de tributação 60 Unidade I do Lucro Presumido ou Lucro Real. Daí a importância de que no início de suas atividades, ou até mesmo no início de cada ano, a empresa atente para todos os preceitos do Planejamento Tributário e para qual a forma mais adequada de tributação, visando à economia de impostos. Ainda tivemos a oportunidade de verificar os aspectos mais importantes previstos na legislação tributária relativos à Retenção de Impostos na Fonte, tais como Imposto de Renda Retido na Fonte, Retenção na Fonte de PIS, Cofins e CSLL, tanto de empresas privadas quanto de empresas públicas. Exercícios Questão 1. (FGV 2009) Quanto à Elisão Fiscal, é correto afirmar que: A) Constitui procedimento lícito de economia de tributos, geralmente realizado antes da ocorrência do fato gerador. B) Constitui procedimento dúbio que pode ser desqualificado e requalificado pela autoridade administrativa. C) Constitui uma sucessão de atos ou negócios jurídicos realizados para dissimular a ocorrência do fato gerador. D) Constitui prática atentatória ao princípio da solidariedade social e, portanto, inconstitucional. E) Constitui mecanismo de economia fiscal, só possível quando a lei expressamente o permitir. Resposta correta:alternativa A. Análise das alternativas A) Alternativa correta. Justificativa: elisão fiscal é a economia tributária lícita, realizada mediante toda e qualquer ação prevista antes da ocorrência do fato gerador, que, sem violar a lei, reduz ou posterga impostos a pagar. B) Alternativa incorreta. Justificativa: a elisão fiscal não gera dubiedade, desde que seja adotada em decorrência da própria lei, que induz à economia de tributos, bem como pelo uso de lacunas e brechas existentes na própria lei. C) Alternativa incorreta. Justificativa: a elisão fiscal refere-se a atos contábeis e a sua forma de tratamento escritural é anterior à ocorrência do fato gerador. 61 PLANEJAMENTO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO D) Alternativa incorreta. Justificativa: quanto à elisão fiscal, os contribuintes têm o direito de recorrer aos seus procedimentos preferidos, ou aos mais adequados a sua realidade, autorizados ou não proibidos pela lei, ainda que, por uma escolha mais adequada de tributação, venham a prejudicar o Tesouro. E) Alternativa incorreta. Justificativa: a elisão fiscal constitui mecanismo de economia fiscal tanto se permitida por lei quanto quando o contribuinte opta por configurar seu negócio de tal forma que lhe recaia menor ônus tributário. Questão 2. (CESGRANRIO 2011) A Comercial Lua e Meia Ltda., tributada pelo lucro presumido, apresentou as seguintes informações ocorridas em suas atividades comerciais normais, em abril de 2010, em reais: Receita de vendas 120.000,00 Devolução de vendas 15.000,00 Descontos incondicionais concedidos 10.000,00 Descontos financeiros concedidos 5.000,00 Dividendos recebidos de participação societária avaliada ao custo 6.000,00 Adotando-se exclusivamente as informações recebidas e considerando-se as determinações fiscais em vigor, o valor da Cofins devido em abril/2010, em reais, é de: A) 2.700,00. B) 2.850,00. C) 3.150,00. D) 3.300,00. E) 3.600,00. Resolução desta questão na plataforma.