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Técnicas terapêuticas manuais
Dentre tantos recursos manuais, destacam-se a massoterapia, a pompagem articular e
muscular, a mobilização articular e tração, a inibição muscular, as técnicas miotensivas, a
crochetagem, a massagem transversa de ciriax, mobilização neural e as posturais
baseando-se nos conhecimentos da anatomia palpatória, biomecânica e cinesiologia.
As técnicas posturais podem ser utilizadas não só para distúrbios posturais e da coluna
vertebral, mas também em casos de pés planos e cavos, joelho valgo e varo, joanetes,
torcicolo, cervicalgia, dorsalgia, hérnias de disco, labirintite, artrites, artroses, bursites,
tendinites, problemas respiratórios, estresse e problemas circulatórios.
Pompagem articular e muscular
A pompagem consiste em manobras em que o terapeuta realiza uma distensão terapêutica
na fáscia muscular associada a movimentos respiratórios. É uma técnica de fácil aplicação
que traz benefícios quase imediatos aos pacientes.
A pompagem deve ser realizada em três momentos, sendo eles:
1) Tensionamento do segmento a ser tratado que deve ser realizado de forma lenta, regular
e progressiva;
2) Manutenção do tensionamento em torno de 10 a 20 segundos de acordo com o objetivo;
3) Retorno à posição inicial que também deve ser realizado de forma lenta. O
tensionamento do segmento deve ser executado nas fases expiratórias do ciclo ventilatório.
Objetivos:
Reestabelecimento da elasticidade e comprimento das fáscias, relaxamento muscular,
estimulação circulatória, aumento do espaço articular e nutrição das cartilagens.
Indicação:
Em casos de contraturas musculares não agudas, estase líquida, ou seja, quando não há
movimento do líquido intersticial, encurtamentos e tensões musculares, dores musculares
subagudas ou crônicas e disfunções miofasciais em geral.
Contraindicação:
Nos casos de estiramento muscular ou ligamentar, contraturas musculares agudas e
rupturas ligamentares e fasciais.
As lesões articulares caracterizam-se por um quadro inflamatório que gera dor, edema,
calor local resultando em perda de movimento e, consequentemente, alterações funcionais.
Os movimentos fisiológicos são: extensão, flexão, rotação, adução, abdução, pronação, e
supinação. Movimentos acessórios podem apenas ser executados pelo terapeuta. Os
movimentos acessórios são: aproximação, separação, deslizamento, rolamento, e girar.
O movimento fisiológico é resultante das contrações musculares, concêntricas e
excêntricas, que agem movendo um osso ou uma articulação, são também conhecidos por
movimento osteocinemático.
Os movimentos acessórios envolvem o deslizamento, rolamento e giro, podendo ser
classificado em:
Hipomóveis, quando o movimento para em um ponto denominado barreira patológica,
anterior à barreira anatômica. É causado por dor, espasmo ou resistência aos tecidos;
Hipermóveis, quando o movimento ultrapassa a barreira anatômica devido à frouxidão das
estruturas adjacentes, necessitando de tratamento com exercícios de fortalecimento que
proporcionem a estabilização;
Articulações normais.
Mobilização articular e tração
As mobilizações articulares baseiam-se nos princípios de Maitland, descritas em cinco
graus, sendo que a aplicação é de acordo com o quadro clínico do paciente. Já a tração é
baseada nos princípios de Kalterborn, apresentando três graus, que envolvem a
mobilização de um segmento articular com o intuito de produzir alguma separação das duas
superfícies. Na avaliação deve ser observada a prevalência de dor ou rigidez articular, para
decidir qual é o grau de mobilização articular ou tração será aplicado.
Objetivo
Recuperar a amplitude de movimento ativo, restaurar os movimentos passivos articulares,
reposicionar ou realinhar a articulação, readquirir a distribuição normal de forças e de
estresses em torno da articulação e reduzir a dor.
Indicação
Hipomobobilidade articular, dor articular, rigidez e limitação da amplitude de movimento.
Contraindicação
Artrite inflamatória, doença óssea, comprometimento neurológico, fraturas ósseas e
deformidades ósseas congênitas.
1.3 Mobilização neural
O sistema nervoso é uma unidade composta pelas estruturas do Sistema Nervoso Central e
Sistema Nervoso Periférico. Como é um tecido contínuo, possui propriedades que
favorecem o alongamento tecidual e movimentação, já que a função e a mecânica do
sistema nervoso são interligadas.
Na avaliação cinético-funcional, o fisioterapeuta precisa identificar características
relacionadas ao quadro clínico do paciente. Em relação ao quadro álgico, alguns testes são
necessários para determinação da origem da dor que pode ser devido a disfunções
articulares, musculares ou neurais.
Se o quadro clínico do indivíduo estiver relacionado a disfunções neurais, o exame deverá
ser baseado no teste de força muscular da musculatura associada com os níveis dos
miótomos, testes dos reflexos dos tendões, exame de sensibilidade (dermátomos) e testes
de tensão neural, que serão importantes para conduzir o fisioterapeuta a um diagnóstico
cinético-funcional mais preciso.
A avaliação clínica respaldada nos testes de tensão neural deve ser realizada
cautelosamente, uma vez que é fundamental que o fisioterapeuta explique ao paciente
como os testes serão conduzidos. Durante a realização das manobras, deve-se observar o
início da resistência do tecido e a dor, buscando identificar as posições antálgicas para o
paciente. Sempre lembrar de repetir cada teste em ambos os lados, até mesmo para que
sirva de comparação do membro sadio com o membro a ser tratado.
Técnica
A seguir descreveremos os testes de tensão neural de flexão cervical passiva (PNF), testes
de tensão para membros superiores (ULTT) para nervos mediano, ulnar e redial, além de
testes para o nervo ciático, tibial, sural e fibular comum e as técnicas para tratamento. O
tratamento das disfunções neurais pode ser realizado através das técnicas de mobilizações
oscilatórias, manutenção da posição estática e mobilização indireta.
Objetivo
Melhorar a elasticidade neural, favorecendo a redução da dor e condução nervosa.
Indicação
Disfunções neurais.
Contraindicação
Doenças degenerativas, inflamatórias e malignas do sistema nervoso, estenoses extremas,
sinais neurológicos com início abrupto ou progressivo, aderências do tecido neural e
problemas cognitivos.
Testes:
FLEXÃO PASSIVA DA CERVICAL
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta coloca a mão na base do
occipital do paciente, realizando a flexão da cabeça. Se o paciente sentir dor ou alguma
alteração, o fisioterapeuta pode utilizar esse teste como tratamento, mantendo o paciente
nessa posição durante aproximadamente um minuto.
ULTT PARA NERVOS MEDIANOS
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deprime o ombro do
paciente, realiza flexão de cotovelo e abdução de ombro a 90°. Depois, estender o punho e
dedos com rotação externa de ombro, supinação de antebraço e extensão de cotovelo.
Finalmente, deve solicitar que o paciente incline lateralmente o pescoço para o lado
contralateral.
Para tratamento do nervo mediano, realizar a manutenção dessa postura de forma estática
ou fazer mobilizações oscilatórias do punho, realizando de 10 a 40 oscilações em 20
segundos. O tratamento também pode ser realizado ativamente orientando o paciente a
abduzir e deprimir os ombros bilateralmente. Um dos punhos inicia em flexão e o outro em
extensão. Então o paciente deve flexionar e estender alternadamente os punhos.
ULTT PARA NERVO ULNAR
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). Deprimir o ombro e flexionar o cotovelo do
paciente com o ombro em abdução de 90°. Depois, estender o punho e os dedos, rotar
externamente o ombro com pronação de antebraço e flexão de cotovelo. Finalmente, deve
solicitar que o paciente incline lateralmente o pescoço para o lado contralateral.
Para tratamento do nervo ulnar, manter a postura de forma estática ou realizando
mobilizações oscilatórias do punho, realizando de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. Para
realizar ativamente, o fisioterapeuta deve instruiro paciente a realizar uma pinça entre os 1°
e 2° dedos bilateralmente. Depois, o paciente deve posicionar a borda cubital das mãos sob
a mandíbula, tentando posicionar o ângulo formado pelas pinças dos dedos (de forma
invertida) na região dos olhos, como se fosse um óculos.
ULTT PARA NERVO RADIAL
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve deprimir o ombro com
flexão de cotovelo e pronação de antebraço. Depois, estender o cotovelo, flexionar o punho
e os dedos com abdução de ombro. Finalmente, o paciente deve inclinar lateralmente o
pescoço para o lado contralateral.
Para tratamento do nervo radial, manter a postura de forma estática ou realizando
mobilizações oscilatórias do punho, realizando de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. Para
realizar ativamente, o fisioterapeuta deve instruir o paciente a utilizar uma toalha,
posicionando-a na região da coluna e segurando-a com uma mão posicionada na parte
inferior, próxima da coluna lombar, e a outra mão superiormente próxima à coluna cervical,
realizar flexão e extensão de cotovelos como se estivesse enxugando as costas.
NERVO CIÁTICO
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve flexionar o quadril do
paciente com uma dorsiflexão de tornozelo. Depois, o fisioterapeuta deve flexionar a cabeça
do paciente.
Para tratamento do nervo ciático, manter a postura de forma estática ou realizando
mobilizações oscilatórias do tornozelo, realizando de 10 a 40 oscilações em 20 segundos.
Para realizar ativamente, o fisioterapeuta deve instruir o paciente a utilizar uma toalha
apoiada na planta do pé, realizando mobilizações oscilatórias de dorsiflexão de tornozelo
puxando a toalha.
NERVO TIBIAL
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve flexionar o quadril do
paciente com uma dorsiflexão e inversão de tornozelo. Depois, o fisioterapeuta deve aduzir
o quadril do paciente. Para o tratamento do nervo tibial, manter a postura de forma estática
ou realizando mobilizações oscilatórias do tornozelo, fazendo de 10 a 40 oscilações em 20
segundos.
NERVO SURAL
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve flexionar o quadril
com uma dorsiflexão e versão de tornozelo. Depois, aduzir o quadril do paciente. Para o
tratamento do nervo sural, manter a postura de forma estática ou realizando mobilizações
oscilatórias do tornozelo, fazendo de 10 a 40 oscilações em 20 segundos.
NERVO FIBULAR COMUM
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve flexionar o quadril
com uma flexão plantar e inversão de tornozelo. Depois, aduzir o quadril do paciente. Para
o tratamento do nervo fibular comum, manter a postura de forma estática ou realizando
mobilizações oscilatórias do tornozelo, fazendo de 10 a 40 oscilações em 20 segundos.
INIBIÇÃO MUSCULAR RECÍPROCA
A inibição recíproca refere-se às relações entre os músculos agonista e antagonista.
Lembrando que o músculo que contrai é o agonista e o movimento resultante corresponde à
musculatura antagonista, ou seja, estes se alongam para permitir a contração dos
agonistas.
Quando os neurônios motores do músculo agonista recebem impulsos excitatórios a partir
dos nervos aferentes, os neurônios motores que suprem os músculos antagonistas são
inibidos através dos impulsos aferentes.
Assim, a contração ou o alongamento duradouro do músculo agonista gera um relaxamento
ou a inibição do antagonista. Igualmente, um alongamento de curta duração do músculo
antagonista favorece a contração do agonista. Trata-se de uma técnica baseada no
alongamento pela técnica de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP).
Objetivo
Alongamento de músculo retraído que não consegue ser diretamente alongado devido à
dor, um exemplo dessa condição são as câimbras.
Indicação
Prevenção de contraturas ou quando já estão instaladas, recuperação de amplitude de
movimento fisiológica e mobilidade dos tecidos moles, aumentar a flexibilidade antes e
depois dos exercícios de fortalecimento, prevenir ou reduzir os riscos de lesões dos
músculos e tendões relacionados à atividade física e desequilíbrios musculares.
Contraindicação
Bloqueios ósseos ou corpos estranhos, fraturas recentes, processos inflamatórios ou
infecciosos agudos, dor aguda ou movimento articular ou alongamento, suturas cirúrgicas e
hematomas.
Técnicas miotensivas
Trata-se de técnicas que aproveitam a força muscular para mobilizar uma articulação
bloqueada. Após realizar uma contração, o músculo torna-se mais relaxado do que era
antes da contração. Tal fenômeno é amplamente utilizado para aumentar a eficácia do
alongamento. Primeiramente, deve ser feita uma avaliação cinético-funcional detalhada
para localizar a articulação bloqueada.
Objetivo
Mobilização de articulação bloqueada.
Indicação
Mobilizações articulares que não requerem estímulo nervoso, mobilizações conjuntas nas
quais as técnicas de alta velocidade não devam ser executadas após uma técnica de alta
velocidade, quando ainda é necessário melhorar o movimento.
Contraindicação
Quando a postura necessária para a mobilização articular seja dolorosa ou cause outro
sintoma, como tontura.
Crochetagem
A crochetagem é um método de liberação miofascial que se utiliza de um instrumento
metálico que apresenta uma curvatura na sua extremidade final (em formato de gancho),
aplicado e mobilizado contra a pele, situados em profundidade e inacessíveis à palpação
digital para tratamento das algias mecânicas do aparelho locomotor para a destruição das
aderências e dos corpúsculos irritativos interaponeuróticos ou mioaponeuróticos.
Técnica
Primeiramente, o fisioterapeuta deve fazer uma busca palpatória nas regiões adjacentes ao
local da dor. Essa busca segue as cadeias lesionadas que estão em relação anatômica com
a lesão. Isso é fundamental para evitar o aumento da dor pelo efeito rebote. Então, após a
palpação da área a ser tratada, é feita a palpação com o gancho que permitirá localizar
precisamente as fibras conjuntivas aderentes e os corpúsculos fibrosos. Depois, deve-se
proceder realizando movimentos lentos no sentido anteroposterior. Nessa etapa, já é
possível interpretar a resistência encontrada. Finalmente, realiza-se uma tração
complementar através do gancho com o intuito de alongar ou romper as fibras conjuntivas
que formam a aderência ou para deslocar ou achatar o corpúsculo fibroso.
Objetivo
Tratar as algias de origem mecânica do aparelho locomotor.
Indicação
Aderências fibrosas que dificultam o movimento de deslizamento, a circulação sanguínea
venosa e linfática; as aderências provenientes de traumas com derrame tecidual; as
aderências consecutivas a uma fibrose cicatricial cirúrgica; as disfunções locomotoras; as
nevralgias provenientes de irritação mecânica dos nervos periféricos e as síndromes tróficas
dos membros.
Contraindicação
Pele em más condições como aquelas hipotróficas, com ulcerações ou dermatoses; em
situação de mau estado circulatório, apresentando fragilidade capilar sanguínea, reações
hiperhistamínicas, varizes venosas e adenomas; paciente em uso de anticoagulantes.
Massagem transversa de Cyriax
Trata-se de uma técnica de massagem profunda que consiste em movimentos de fricção
transversais às fibras do tecido envolvido. Através desses movimentos são liberadas as
estruturas doloridas das aderências existentes e prevenindo a formação de outras devido a
um aumento na maleabilidade tecidual.
Técnica
Realizar a manobra de fricção transversal utilizando o dedo indicador apoiado pelo dedo
médio ou ao contrário, o dedo médio apoiado pelo indicador estabilizado pelos outros dedos
ou até o polegar com os demais dedos em contraposição. As manobras devem ser
localizadas com duração de 3 a 5 minutos para lesões agudas ou até de 15 a 20 minutos
para lesões crônicas. As regiões tratadas ficam sensibilizadas, mas ainda assim não é
recomendado diminuir a pressão da manobra, apenas aumentar o intervalo entre as
sessões, que pode variar entre dois e sete dias.
Objetivo
Tratar aderências teciduais diminuindo a dor.
IndicaçãoCicatrizes antigas e imóveis, lesões musculares, tendinosas e ligamentares. As fricções
transversais agem num maior aporte sanguíneo para os tecidos mal vascularizados,
fazendo com que esses tecidos sejam mais bem nutridos.
Contraindicação
Processos infecciosos, doenças de pele, neoplasias ou tuberculose, lesões vasculares
como tromboflebite e trombose venosa profunda.
POSTUROLOGIA
Postura é a posição que as distintas partes corporais têm em relação umas às outras:
Postura Ideal: Precisa ter equilíbrio entre as estruturas de apoio, com o mínimo de esforço e
sobrecarga e com a máxima eficiência do corpo.
Má Postura: Refere-se a um processo de lesões motoras repetitivas resultantes de uma
biomecânica deficiente que cria alavancas que causam várias cargas de trabalho para os
sistemas articulares.
A Academia Americana de Ortopedia refere-se à postura como o equilíbrio
musculoesquelético que favorece a proteção das demais estruturas do corpo contra
traumas. A manutenção de uma postura adequada requer tônus e flexibilidade muscular
adequados, já que os músculos necessitam agir continuamente contra a gravidade e em
harmonia um com o outro. A contração dos músculos antagonistas é essencial para permitir
as várias articulações do pescoço, dos ombros e dos membros, que são responsáveis pelo
suporte de peso do corpo e caracterizam a postura como um complexo sistema funcional.
O controle da postura durante a deambulação, em pé ou sentado, demonstra a capacidade
do indivíduo de manter o centro de pressão (CDP), que coincide com a projeção
perpendicular do centro de gravidade (CDG), dentro dos limites de estabilidade, ou seja,
bordas de uma área no espaço onde o corpo possa manter sua posição sem modificar a
base de suporte.
O sistema de equilíbrio evita quedas por meio de ajustes contínuos da postura em pé e
reduz as influências desestabilizadoras, como a gravidade ou outros vetores de força.
Estratégia do tornozelo
Gira o corpo em torno da articulação tíbia-talar, resultando principalmente em esforços de
direção anteroposterior.
Estratégia do quadril
Concentra os movimentos em torno dessa articulação e é produzida quando a base de
suporte é pequena e quando o CDG se move rapidamente em direção aos limites da
estabilidade. Essa estratégia produz principalmente esforços de direção no meio lateral.
A estabilometria verifica e quantifica as oscilações posturais do paciente em pé, em
diversas situações, ajudando a compreender sobre seu equilíbrio e seu sistema postural;
estudando a projeção na base do suporte, o centro de pressão associado ao centro de
gravidade do corpo.
Quatro diferentes padrões posturais:
Postura cifótica: Caracterizada por uma curvatura aumentada na parte torácica da
coluna vertebral. Também apresenta outras peculiaridades, como projeção de queixo ou
cabeça, hiperextensão cervical, abdução de escápulas, coluna torácica em flexão, reto do
abdome proeminente e/ou tenso.
Dorso curvo ou postura relaxada: Caracterizado por quadris projetados para frente
com inclinação anterior de pelve, lordose. Inicia com uma curvatura quase plana e finaliza
com uma curvatura mais acentuada. A cifose torácica é maior e pode se alongar até a
coluna lombar. Também apresenta cabeça projetada para frente, postura ligeiramente
cifótica, glúteos encurtados ou fracos, joelhos hiperextendidos, isquiostibiais encurtados e
fortes.
Postura lordótica: Curvatura lombar exagerada, inclinação anterior da pelve, reto do
abdome, oblíquos externos, glúteos médio e máximo fracos, músculos isquiostibiais tensos,
quadril em flexão, musculatura lombar e flexores de quadril fortes.
Postura retificada das costas: Possui uma curvatura lombar reduzida, cabeça para frente,
inclinação pélvica posterior, musculo reto do abdome e isquiotibiais encurtados e fortes,
flexores do quadril fracos e alongados, joelhos hiperextendidos.
TECNICAS POSTURAIS
Trata-se de um método que integra todo o corpo, trabalhando isoladamente ou em
conjunto cada parte corporal por meio da aplicação dos princípios de movimento e
estabilidade. Cada exercício tem um objetivo ou foco muscular, como controle motor,
flexibilidade, equilíbrio muscular, entre outros. As áreas trabalhadas vão sendo recrutadas
em níveis progressivos diferentes para oportunizar ao paciente a construção da habilidade e
construção que cada exercício vai requerendo.
REEDICAÇÃO POSTURAL GLOBAL (RPG)
O RPG é um método baseado na teoria do “campo fechado”, que busca esclarecer as
razões as quais fazem com que os seres humanos consigam se manter em pé para realizar
seus movimentos. No conceito desse método, para o ser humano conseguir se manter em
pé para realizar todas suas atividades cotidianas depende da harmonia entre as cadeias
musculares estáticas e dinâmicas, as quais quando ativam e relaxam nos permite realizar
tais movimentos com equilíbrio e força necessários.
O RPG, com suas posturas, permite que tais musculaturas atuem harmoniosamente, de
forma global o que evita ou até recupera disfunções posturais e, assim, as dores e
incômodos causados por ela.
MÉTODO HIPOPRESSIVO
O método hipopressivo é uma técnica que trabalha com exercícios posturais e respiratórios
associados a um ritmo de execução e metodologia de treino específica. O termo
hipopressivo se refere à negativação de pressão nas três cavidades (torácica, abdominal e
pélvica). Dessa forma, durante a execução das pautas posturais, além do controle postural,
associa-se respiração controlada com vácuo abdominal.
O método hipopressivo é uma das poucas ferramentas de trabalho postural com excelentes
benefícios, tanto no mundo fitness como no tratamento clínico, uma vez que seus benefícios
não incluem apenas melhoras posturais, mas também promovem prevenção e tratamento
de diástase abdominal e incontinência urinária, redução de circunferência abdominal,
melhoras na performance esportiva e na relação sexual, além de seus inúmeros benefícios
ao trabalho puramente postural.
ANATOMIA PALPATÓRIA
Quando falamos em terapia manual, torna-se indispensável o conhecimento das técnicas de
anatomia palpatória, uma vez que não basta ao fisioterapeuta saber tratar, antes é preciso
saber diagnosticar e, para tanto, saber localizar e identificar as estruturas anatômicas é
fundamental.
A palpação deve ser realizada no momento da inspeção, já que as estruturas
inspecionadas são as mesmas que devem ser palpadas. Podemos palpar pele, tecidos,
moles, subcutâneos, estruturas ósseas e articulares.
BIOMECÂNICA OSSEA
O osso é um tecido vivo e dinâmico que tem como funções mecânicas sustentar e proteger
outros tecidos corporais e atuar como um sistema de alavancas rígidas que podem ser
mobilizadas pelos músculos que se inserem nelas.
Toda a força e resistência óssea a uma eventual fratura é dependente de sua composição
material e da estrutura organizacional. Os minerais colaboram para a rigidez óssea e para
a resistência à compressão, o colágeno contribui para sua flexibilidade e resistência à
tração. O osso cortical é mais rígido e forte do que o osso trabecular, porém este tem maior
capacidade de absorção a choques.
Os ossos sofrem modificações de forma contínua em densidade, tamanho e formato por
meio das ações dos osteoblastos e osteoclastos.
BIOMECÂNICA MUSCULAR
A unidade motora é a unidade funcional do sistema neuromuscular, ela consiste em um
único neurônio motor e todas as fibras que ele inerva. As fibras de uma unidade motora
podem ser de contração lenta, rápida com resistência à fadiga ou rápida e rapidamente
fatigável. Ambas as fibras (contração lenta ou rápida), estão presentes em todos os
músculos humanos, porém a proporção dessa composição é variável. Nos músculos
esqueléticos humanos, o número e a distribuição das fibras musculares podem ser
determinados pela genética e ter relação com a idade. Em relação a sua organização, as
fibras podem ser paralelas ou peniformes.
Existe uma definição das relações entre o desenvolvimento muscular de força e a velocidade do
encurtamento muscular, o comprimento muscular no momentodo estímulo e o tempo a partir do
início do estímulo. Quando um músculo é ativamente previamente alongado, sua produção de
força é aumentada, isso se deve à contribuição extra dos componentes elásticos do músculo e
da facilitação neural.
O desempenho muscular se traduz em força, potência e resistência muscular. A força é a
capacidade de um grupo muscular produzir torque em uma articulação, a potência é a taxa da
produção de torque em uma articulação e a resistência é a capacidade de resistir à fadiga.
BIOMECÂNICA DOS MEMBROS SUPERIORES
O ombro é a articulação mais complexa do corpo humano, possui quatro articulações
diferentes atuantes nos movimentos. A articulação glenoumeral é esferóidea frouxamente
estruturada, nela a amplitude de movimento é substancial e pouco estável. A articulação
esternoclavicular promove pouco movimento dos ossos da cintura escapular, clavícula e
escápula. Os movimentos da cintura escapular favorecem o adequado posicionamento da
articulação glenoumeral em diferentes movimentos umerais. Movimentos mínimos
também são permitidos nas articulações acromioclavicular e coracoclavicular.
Articulação umeroulnar
Gerencia a flexão e a extensão do cotovelo. Nas articulações radiulnares proximal e distal
ocorrem os movimentos de pronação e supinação do antebraço.
Articulação condiloide
Entre o rádio e os três ossos do carpo permitem o movimento do punho que incluem flexão,
extensão, flexão radial e ulnar.
Na mão, as articulações carpometacarpal do polegar, metacarpofalângicas realizam a maior
parte dos movimentos e nas articulações interfalângicas os gínglimos.
BIOMECÂNICA DOS MEMBROS INFERIORES
O membro inferior tem como principais funções a sustentação de peso e locomoção. O
quadril é uma articulação do tipo esferóidea típica, que realiza flexão, extensão, abdução,
adução, abdução horizontal, adução horizontal, rotação medial e lateral e circundução
permitidas.
JOELHO: É uma articulação complexa composta por duas articulações elipsóideas lado a
lado. Os meniscos medial e lateral facilitam o encaixe entre as superfícies articulares dos
ossos e ajudam a absorver as forças transmitidas por meio da articulação. Muitos
ligamentos cruzam o joelho limitando sua mobilidade. Neles, os movimentos realizados são
a flexão, extensão e mínima rotação da tíbia, apenas quando está em flexão.
TORNOZELO: Constitui-se das articulações da tíbia e da fíbula com o tálus, sendo uma
articulação do tipo gínglimo que é reforçada lateral e medialmente pelos ligamentos. Os
movimentos do tornozelo são a dorsiflexão e a plantiflexão.
PÉ: É composto por vários ossos pequenos e suas articulações, os movimentos dessa
articulação são a inversão e eversão, abdução e adução, flexão e extensão dos dedos do
pé.
BIOMECÂNICA DA COLUNA E PELVE
A coluna vertebral compõe-se de 33 vértebras que se dividem em cinco regiões: cervical,
torácica, lombar, sacral e coccígea.
A coluna cervical, torácica e lombar possui segmento móvel, que são os pares de vertebras
adjacentes e seus tecidos moles interpostos. Três articulações conectam as vertebras de
cada segmento móvel. Os discos intervertebrais têm a função de amortecer o impacto nas
articulações vertebrais que sustentam o peso.
Os músculos do pescoço e do tronco são nomeados em pares, um de cada lado do corpo.
Esses músculos trabalham realizando a flexão e/ou rotação lateral do tronco quando agem
unilateralmente e a flexão ou extensão do tronco quando agem de forma bilateral.
As forças atuantes sobre a coluna vertebral incluem o peso do corpo, a tensão nos
ligamentos vertebrais e a tensão nos músculos circundantes, a pressão intra-abdominal e
qualquer carga aplicada externamente.
A coluna vertebral atua como caixa protetora da medula espinal, por isso as lesões
vertebrais são tão graves.
DESEQUILIBRIOS MUSCULARES E SUAS DISFUNÇÕES
Os desequilíbrios musculares referem-se à diferença de força e flexibilidade entre grupos
musculares que agem sobre uma mesma articulação. Geralmente, isso acontece quando
um grupo muscular está mais forte, encurtado ou tensionado que seu antagonista.
O equilíbrio do corpo é totalmente relacionado ao sistema nervoso central, ao feedback
sensorial das estruturas osteoligamentares e ao controle da musculatura ativa. Dessa
forma, quando ocorre uma disfunção, o resultado é a instabilidade, que de alguma forma
será compensada pelo corpo. Para compensar esses desequilíbrios musculares, os
músculos mais utilizados tornam-se mais fortes ou encurtados em detrimento dos seus
antagonistas que se tornam mais fracos.
Diversos são os fatores contribuintes e agravantes dos desequilíbrios musculares. Um deles é o
desalinhamento postural resultante de uma alteração do posicionamento das estruturas ósseas.
Também há sobrecargas excessivas em algumas articulações, ligamentos ou outras estruturas
que corroboram para as lesões agudas ou até mesmo crônico-degenerativas.
Como explicação para os desequilíbrios musculares, também temos as causas secundárias
como uma lesão antiga, como em lesões traumáticas e neurológicas que muitas vezes trazem
como consequência a inibição ou facilitação das contrações de determinados músculos. Um
desequilíbrio muscular dificilmente é percebido na sua fase inicial, sendo percebido apenas
quando se iniciam seus quadros álgicos e/ou deformidades.

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