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ECONOMIA, 
MERCADO FINANCEIRO 
E DE CAPITAIS
Heloísa de Puppi e Silva;
Isabella Christina Dantas Valentim;
Luana da Silva Ribeiro;
Rosilda do Rocio do Vale. 
Organizadora: Claudineia Kudlawicz Franco. 
Economia 
Mercado Financeiro 
e de Capitais
© by Ser Educacional
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, 
eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro 
tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia 
autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional.
Imagens e Ícones: ©Shutterstock, ©Freepik, ©Unsplash.
Diretor de EAD: Enzo Moreira.
Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato.
Coordenadora de projetos EAD: Jennifer dos Santos Sousa.
Equipe de Designers Instrucionais: Gabriela Falcão; José Carlos Mello; Lara 
Salviano; Leide Rúbia; Márcia Gouveia; Mariana Fernandes; Mônica Oliveira 
e Talita Bruto.
Equipe de Revisores: Camila Taís da Silva; Isis de Paula Oliveira; José Felipe 
Soares; Nomager Fabiolo Nunes.
Equipe de Designers gráficos: Bruna Helena Ferreira; Danielle Almeida; 
Jonas Fragoso; Lucas Amaral, Sabrina Guimarães, Sérgio Ramos e Rafael 
Carvalho.
Ilustrador: João Henrique Martins.
Silva, Heloísa de Puppi e; Ribeiro, Luana da Silva; Valentim, Isabella 
Christina Dantas; Vale, Rosilda do Rocio do.
Economia Mercado Financeiro e de Capitais:
Recife: Grupo Ser Educacional - 2022.
180 p.: pdf
ISBN: ---
1. economia 2. finanças 3. investimentos.
Grupo Ser Educacional
Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro
CEP: 50100-160, Recife - PE
PABX: (81) 3413-4611
E-mail: sereducacional@sereducacional.com
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contéudo.
OBJETIVO
Descrição do conteúdo 
abordado.
IMPORTANTE
Informações importantes 
que merecem atenção.
OBSERVAÇÃO
Nota sobre uma 
informação.
PALAVRAS DO 
PROFESSOR/AUTOR
Nota pessoal e particular 
do autor.
PODCAST
Recomendação de 
podcasts.
REFLITA
Convite a reflexão sobre 
um determinado texto.
RESUMINDO
Um resumo sobre o que 
foi visto no conteúdo.
SAIBA MAIS
Informações extras sobre 
o conteúdo.
SINTETIZANDO
Uma síntese sobre o 
conteúdo estudado.
VOCÊ SABIA?
Informações 
complementares.
ASSISTA
Recomendação de vídeos 
e videoaulas.
ATENÇÃO
Informações importantes 
que merecem maior 
atenção.
CURIOSIDADES
Informações 
interessantes e 
relevantes.
CONTEXTUALIZANDO
Contextualização sobre o 
tema abordado.
DEFINIÇÃO
Definição sobre o tema 
abordado.
DICA
Dicas interessantes sobre 
o tema abordado.
EXEMPLIFICANDO
Exemplos e explicações 
para melhor absorção do 
tema.
EXEMPLO
Exemplos sobre o tema 
abordado.
FIQUE DE OLHO
Informações que 
merecem relevância.
SUMÁRIO
UNIDADE 1
Noções de economia � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 15
Conceitos de economia � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �15
Os dez princípios da economia � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �18
Oferta e demanda � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 23
Forças da oferta e da demanda � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 23
Existem dois conceitos muito importantes que são abordados na 
economia criados pela teoria clássica que são a oferta e a demanda, 
além de preço e quantidade� A oferta pode ser denominada como as 
unidades e quantidades que os produtores estão dispostos a oferecer 
para o mercado (compradores/consumidores)� Enquanto a demanda 
seria a procura pela quantidade que os consumidores estão dispostos 
a comprar (MANKIW, 2015)� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 23
Ponto de equilíbrio, oferta e demanda � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 26
A teoria da elasticidade � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 28
Sistema econômico � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 34
Definição de sistema econômico � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 34
Teorias econômicas e fatores de produção � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �39
Teorias econômicas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 39
Fatores de Produção e Bens e Serviços � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �45
Classificações de Bens � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �47
Mercado de Fatores e Mercado de Bens e Serviços � � � � � � � � � � � � � � � � � 48
Fluxo Circular da Renda � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 49
UNIDADE 2
Políticas econômicas e renda � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 55
Macroeconomia e os tipos de mercado � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 55
O significado de renda � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 61
Significado da escassez dos recursos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 66
Compreendendo as políticas macroeconômicas fiscais e monetárias
� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 72
O papel do governo no planejamento econômico � � � � � � � � � � � � � � � � � � 72
Políticas Fiscais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 73
Políticas Fiscais expansionistas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 74
Política cambial � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �76
Política macroeconômica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 76
Políticas Monetárias � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 77
Taxa de Redesconto � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 78
Depósito Compulsório� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 80
Operações de Open Market (taxa básica de juros) � � � � � � � � � � � � � � � � � � �81
Compreendendo as variações da taxa de câmbio e os regimes 
cambiais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 83
Oferta e Demanda por Moeda Estrangeira � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 83
Mercado cambial � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �86
Mercado de Câmbio � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 86
Efeitos das variações da taxa de câmbio � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �91
Regimes Cambiais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �92
Taxa de câmbio fixa � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 92
Taxa de câmbio flutuante � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 93
UNIDADE 3
Sistema Financeiro � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �97
Principais conceitos do sistema financeiro nacional � � � � � � � � � � � � � � � 97
Definição de sistema financeiro � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 99
Composição do Sistema Financeiro Nacional � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 103
Conselho Monetário Nacional – CMN � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 104
Banco Central do Brasil – BCB ou Bacen � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �� � � � � 105
Comissão de Valores Mobiliários – CVM � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 106
Estrutura do sistema financeiro nacional � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 107
Instituições especiais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 111
Bancos comerciais e múltiplos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 113
Bolsa de valores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 119
Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 120
Bolsa de Mercadorias & futuros (BM&F) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 122
Surgimento da BM&FBovespa � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 124
B3 - Brasil, Bolsa, Balcão � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 124
Negociações � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 124
Mercado de ações � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 125
Mercado de opções � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 126
Mercado futuro � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 130
UNIDADE 4
Indicadores econômicos� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 135
Produto Interno Bruto (PIB) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �135
Produto Nacional Bruto (PNB) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �135
Índices de inflação � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 136
Taxa de câmbio � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �137
Taxa Selic � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 138
Taxa de juros de longo prazo (TJLP) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 138
Noções de finanças � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 139
Objetivos das empresas � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 139
Funções de finanças � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 142
Tomada de decisão financeira e custo de capital � � � � � � � � � � � � � � � � � � 147
Intermediação financeira � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 148
Riscos financeiros e o ambiente econômico � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �150
Riscos em finanças � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 150
Riscos versus incerteza � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 151
Riscos na atividade econômica, em empresas e mercados financeiros
� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �153
Gestão dos riscos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 158
Risco e retorno esperados � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 158
Relação risco, retorno e investimento � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 159
Risco e rentabilidade � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 160
Análise de crédito e sua função � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 161
Empresas que atribuem risco “rating” � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 166
Projeção de preço e risco (volatilidade) de ativos � � � � � � � � � � � � � � � � � � 167
Modelo Black & Scholes � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 171
Modelo Binominal � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 172
Precificação de uma opção de venda � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 173
Volatilidade � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 175
Apresentação
Você sabia que a área de economia, mercado financeiro e de capi-
tais está mais presente no seu dia a dia do que você possa imagi-
nar? Quando você assiste nos telejornais ou lê na internet etc., uma 
reportagem que diz: “o índice de inflação aumentou”; “a bolsa de 
valores fechou em alta”; “as taxas de juros aumentaram”, “a cesta 
básica está mais cara”. Você já parou para analisar qual o impacto 
que esta notícia tem nas suas rendas mensais, no mercado de tra-
balho etc.?
Por isso, esta disciplina foi elaborada visando lhe ajudar a me-
lhor entender a relação da economia e finanças com seu dia, e sendo 
assim lhe proporcionarão conhecimentos a respeito. Esta unidade 
apresenta noções de economia e finanças, em que se apresentam os 
conceitos de política econômica e os seus desdobramentos na forma 
de política monetária, fiscal, cambial e a política macroeconômica. 
Sua principal tarefa aqui, é entender o conceito da economia, o sis-
tema econômico e suas divisões, a relação da economia com as ou-
tras ciências e os demais conceitos da economia. Então, preparado? 
Venha comigo mergulhar neste universo!
Autoria
Heloísa de Puppi e Silva.
Olá. Meu nome é Heloísa de Puppi e Silva. Sou formada em Ciên-
cias Econômicas e possuo Mestrado em Sustentabilidade pela FAE 
– Centro Universitário (PR). Fiz o Doutorado em Tecnologia, no 
Programa de Pós-Graduação em Tecnologia (PPGTE) e Sociedade 
da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Tenho ex-
periência técnico-profissional na área de Gestão Pública, Privada e 
Ambiental por ter trabalhado na Secretaria de Planejamento do Es-
tado do Paraná (SEPL-PR) e acadêmica de 16 anos em Instituições 
de Ensino Superior (IES).
Tenho experiência de 6 anos com docência de educação fundamen-
tal e 13 anos com ensino de graduação, especialização e ensino a 
distância (EAD). Atualmente, leciono disciplinas de economia (mi-
cro e macro), economia brasileira, custos, modelagem de negócios 
e inteligência competitiva. Além disso, presto serviços de consul-
toria em inteligência competitiva e meio ambiente. Sou apaixonada 
pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles 
que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela 
Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. 
Estou muito feliz em poder auxiliar você nesta fase de muito estudo 
e trabalho. Conte comigo!
Isabella Christina Dantas Valentim.
Olá. Meu nome é Isabella Christina Dantas Valentim. Sou forma-
da em Ciências Contábeis, com mestrado em Ciências Contábeis: 
usuários internos, controladoria e contabilidade gerencial. Te-
nho experiência técnico-profissional na área contábil, gerencial e 
Currículo Lattes
consultoria econômica. Além de possuir cinco anos de experiência 
como professora de graduação e pós-graduação nas áreas de conta-
bilidade, auditoria, perícia e gestão financeira.
Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência 
de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui 
convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores 
independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de 
muito estudo e trabalho. Conte comigo!
Luana da Silva Ribeiro.
Olá. Meu nome é Luana da Silva Ribeiro. Tenho graduação em Eco-
nomia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), mestrado 
em Economia na Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), sou 
Doutoranda em Economia pela Universidade Estadual de São Paulo 
(UNESP) e pesquisadora participante do Grupo de Estudos em Eco-
nomia Industrial (GEEIN).Tenho experiência profissional de 8 anos 
no setor financeiro e comercial, além de consultorias. Passei por 
empresas como a Companhia Sulamericana de Distribuição, Petra 
Consulting Corporation, Surya Dental, entre outras. 
Atualmente, trabalho com Ensino a Distância (EaD) e faço espe-
cialização em mediação e aprendizagem EaD na Universidade Vir-
tual de São Paulo (UNIVESP), também sou conteudista de materiais 
técnico-pedagógicos para graduação e pós-graduação nas áreas de 
administração e economia. Estou muito feliz pela oportunidade de 
poder ajudar você neste novo ciclo e agregar experiência para mi-
nha carreira. Os conceitos que serão trabalhados no decorrer deste 
e-book irão ajudá-los na compreensão inicial dos conceitos da Eco-
nomia. Conte comigo e bom trabalho!
Currículo Lattes
Rosilda do Rocio do Vale.
Olá. Meu nome é Rosilda do Rocio do Vale. Sou mestre em Adminis-
tração com ênfase em finanças pela PUCPR, especialista em finanças 
corporativas e gestão organizacional e graduada em administração. 
Possuo experiência na área financeira, adquiridas ao longo dos anos 
realizando operações financeiras em empresa de comércio exterior. 
Faz sete anos que atuo no ensino superior, em disciplinas nas áreas 
de finanças e comércio exterior. Sou apaixonada pelo que faço. É 
muito gratificante poder transmitir meu conhecimento e minha ex-
periência com quem está buscando aprendizado para atingir os seus 
objetivos pessoais e/ou profissionais. Por isso, fui convidada pela 
Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. 
Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e 
trabalho. Seja bem-vindo(a) e conte comigo!
Currículo Lattes
Currículo Lattes
Organizadora
Claudineia Kudlawicz Franco. 
Eu sou Claudineia Kudlawicz Franco. Sou Doutora em Administra-
ção pela PUCPR e Mestre em Contabilidade pela UFPR com ênfase 
em finanças. Tenho três especializações, uma em Controladoria, 
uma em Metodologia da Educação e outra em Educação a Distância. 
Sou graduada em Administração pela UniFael e em Contabilidade 
pela UFPR. Minha experiência profissional está tanto na área aca-
dêmica, como professora, quanto em empresa. Trabalhei no setor 
empresarial atuando como analista contábil por muitos anos e como 
operadora de caixa de banco. Como professora atuo há 10 anos, com 
cursos de graduação e especialização. Atualmente sou professora da 
UniFael na modalidade de Ensino à Distância (EaD) e também sou 
revisora técnica de conteúdo para cursos EaD da Sagah.
Currículo Lattes
UN
ID
AD
E
1
Título da unidade 
(se houver)
Objetivos
1. Entender as principais definições de economia e sua presença 
no cotidiano tanto de empresas quanto de pessoas.
2. Compreender as forças de oferta e demanda e como são 
afetadas.
3. Compreender o sistema econômico e seus componentes.
4. Conhecer as teorias econômicas e os fatores de produção com 
os bens e serviços.
14
Introdução
A economia é uma das áreas mais importantes de uma sociedade, 
está presente em nosso dia a dia sem que nós percebamos. Sua prin-
cipal responsabilidade nessa unidade é entender o conceito da eco-
nomia, o sistema econômico e suas divisões, a relação da economia 
com as outras ciências e a lei da oferta e da demanda. Esta disciplina 
está dividida em quatro objetos de aprendizagens. Neste primeiro, 
você verá o conceito da economia de maneira geral, os princípios 
econômicos, além de estudar definições que estão presentes na 
economia.
No segundo, você verá as forças da oferta e da demanda, com 
conceitos muito importantes sobre ambos e o equilíbrio de mer-
cado. Já no terceiro, você irá compreender a definição do sistema 
econômico, divisão do estudo da economia que é a microeconomia e 
a macroeconomia, além de conseguir compreender suas principais 
linhas de pensamento econômico. Por último, você irá aprender so-
bre as teorias econômicas e os fatores de produção, bens e serviços.
Então, preparado(a)? Vamos mergulhar neste universo!
15
Noções de economia
Ao término deste capítulo você será capaz de entender o que é eco-
nomia, os principais conceitos e qual o impacto da economia no dia 
a dia de cada pessoa e nas empresas. Isto será fundamental para o 
exercício de sua profissão e para seu dia a dia, pois seja em nosso 
cotidiano, seja nos jornais, no rádio, na televisão e na internet, nos 
deparamos com inúmeras questões econômicas, tais como: aumen-
to de preços, desemprego, setores que crescem mais que outros, di-
ferenças salariais, valorização e desvalorização da taxa de câmbio, 
diferenças de rendas entre as várias regiões do país, ociosidade em 
alguns setores de atividades, comportamento das taxas de juros, 
elevação de impostos, tarifas públicas etc. Será que alguma vez você 
já parou para analisar como essas e outras questões estão presentes 
em sua vida e qual o impacto financeiro no seu salário? Motivado 
para desenvolver esta competência? Então vamos lá aprender. Bom 
estudo!
Conceitos de economia
A palavra economia vem do grego oikonomía. Oiko significa casa, lar, 
moradia e nomia significa organizar, distribuir, administrar leis. 
Juntando ambos significados ficaria como: leis, regras, costumes, 
ordem, organização e distribuição da casa (MANKIW,2015).
Diante da explicação da origem da palavra economia, é abor-
dado que a mesma busca o desenvolvimento e a criação de ações 
com o objetivo de planejar, desenvolver, distribuir, administrar 
e organizar a produção, distribuição e consumo dos bens e servi-
ços e dos recursos escassos, visando a garantia da sobrevivência e 
bem-estar da população em curto, médio e longo prazo. Por esse 
OBJETIVO
16
motivo, a ciência econômica é considerada uma ciência social apli-
cada, bem como uma ciência humana que tem ligação com diver-
sas áreas como: agronomia, engenharia, educação, política, entre 
outras.
De forma geral seria um estudo de alocação dos recursos escassos 
(MANKIW, 2015). Economia é a ciência social aplicada que busca 
entender como o indivíduo e a sociedade definem o uso dos recur-
sos produtivos escassos destinados para produzir os bens e serviços 
(VASCONCELLOS, 2010).
Lagioia (2011) diz que a economia está presente no cotidia-
no de todas as pessoas e nos acompanha em todos os momentos de 
nossas vidas e, por isso, é necessário que tenhamos conhecimento 
de alguns conceitos fundamentais, para que possamos compreen-
dê-la cada vez mais e melhor.
Sabemos que a economia é considerada uma ciência social 
por estudar a administração, organização e planejamento de uma 
determinada sociedade. Assim, a Economia “[...] é considerada uma 
ciência social porque estuda a organização e o funcionamento de 
uma sociedade” (ALBERGONI, 2008, p. 13).
Além disso, a Economia é uma área considerada multidisci-
plinar em razão de ter relação com outras áreas que também estu-
dam a sociedade. Por este motivo, a economia expandiu para uma 
diversidade de linhas de pesquisa, como: economia do meio am-
biente, economia industrial, economia rural, economia feminista, 
economia da saúde, economia do setor público, economia política, 
economia da ciência, tecnologia e inovação, economia institucional, 
economia comportamental, entre outras.
A sociedade, no entanto, é objeto de estudo de outras ciên-
cias. Embora cada ramo das Ciências Sociais analise a realidade sob 
DEFINIÇÃO
17
óticas diferentes, essas visões acabam por se inter-relacionar. Além 
do aspecto econômico, a realidade é observada sob o aspecto polí-
tico, social, histórico, demográfico, jurídico e geográfico. O conhe-
cimento dos demais aspectos ajuda a entender a evolução dos fatos 
econômicos (ALBERGONI, 2008, p. 19).
Existem diversas linhas de pensamento sobre a economia. 
Mesmo com uma diversidade de linhas de pensamentos relaciona-
das com outras ciências existe uma diversidade de divergências en-
tre os economistas, isto por quê:
[...] ela ocorre tanto porque há várias corren-
tes de pensamento econômico para interpretar 
situações quanto porque cada economistaleva 
consigo seus valores individuais, que acabam 
influenciando a análise de questões teóricas 
(ALBERGONI, 2008, p. 17).
De acordo com Assaf Neto (2014) é essencial o conhecimento 
econômico social para um melhor entendimento do funcionamento 
e funções dos mercados financeiros, formando, assim, uma visão 
mais ampla e crítica de todo o mercado financeiro, como as que en-
volvem a poupança, investimento etc. Isso porque a compreensão 
da economia permite que relações sejam estabelecidas entre resul-
tados agregados e o desempenho dos vários agentes econômicos. 
Entende-se por agentes econômicos todas as pessoas e formas de 
organizações, que possuem capacidade de tomar decisões.
De acordo com Vasconcellos (2010) economia é a ciência que 
estuda de que maneira a sociedade decide empregar recursos pro-
dutivos escassos na produção de bens e serviços a fim de satisfazer 
ao máximo as necessidades humanas, ou seja, é a ciência que estuda 
como a sociedade administra recursos produtivos (fatores de pro-
dução) escassos.
O autor ainda afirma que em qualquer sociedade os fatores 
de produção são limitados. Porém, por outro lado, as necessidades 
humanas são ilimitadas e sempre se renovam, por força do cresci-
mento populacional e pela contínua elevação do padrão de vida. Por 
isso, nenhum país, independente do seu grau de desenvolvimento, 
consegue dispor de todos os recursos dos quais necessita.
18
Então, toda a sociedade tem que escolher entre alternativas 
de produção e de distribuição dos resultados da atividade produtiva 
para atender os vários grupos da sociedade. Diante da escassez dos 
recursos de produção, associada às necessidades ilimitadas do ser 
humano, os empresários precisam tomar decisões que atendam a 
demanda. E então terão que decidir: o que e quanto produzir? Como 
produzir? Para quem produzir?
Vasconcellos (2010) afirma que diante da escassez de recur-
sos de produção, a sociedade terá que escolher dentro de um leque 
de possibilidades de produção, o que e quanto produzir, ou seja, 
quais produtos serão produzidos e as respectivas quantidades a se-
rem fabricadas. Bem como, terá que decidir como vai produzir, ou 
seja, quais recursos de produção serão utilizados para a produção de 
bens e serviços, escolhendo os métodos mais eficientes, aqueles que 
tiverem o menor custo de produção possível. E também para quem 
produzir, pois dependerá da oferta e da demanda nos mercados.
Segundo Maia (2014) o ser humano para sobreviver necessita 
satisfazer suas necessidades básicas, sem o que morreria. Sendo que 
as três necessidades primárias são: alimentos, vestuário e habita-
ção. À medida que o ser humano foi progredindo, outras necessida-
des começaram a surgir, tais como educação, lazer, conforto etc., as 
quais são conhecidas como necessidades progressivas. Para satis-
fazer a todas essas necessidades, o homem precisa consumir bens, 
porém os alimentos encontrados na natureza não são suficientes, 
por isso é necessária a produção. Há, portanto, dois grandes fatores 
econômicos: o consumo e a produção.
Os dez princípios da economia
Para enriquecer o conceito da economia o autor e economista Man-
kiw (2015) propôs dez princípios básicos da economia que são divi-
didos em: 1) como as pessoas tomam decisões; 2) como interagem; 
e 3) como funciona a economia como um todo. O Quadro 1 apre-
senta essa divisão com os dez princípios da economia para melhor 
compreensão.
19
Quadro1 - Resumo dos dez princípios da economia
Como as pessoas tomam 
decisões
1) Enfrentam trade-off
2) O custo de algo é o aquilo que 
se desiste para obtê-la
3) Pessoas racionais pensam na 
margem
4) Pessoas reagem a incentivos
Como as pessoas interagem
5) O comércio pode ser bom 
para todos
6) Os mercados são geralmente 
uma boa forma de organização 
da atividade econômica
7) Os governos podem às vezes 
melhorar o mercado
Como funciona a economia
8) O padrão de vida de um país 
depende de sua capacidade de 
produzir bens e serviços
9) Os preços tendem a subir
10) A sociedade enfrenta um 
tradeoff de curto prazo entre in-
flação e desemprego
Fonte: adaptado pelo autor.
Dos princípios de 1 a 4 que seriam: as pessoas enfrentam tra-
deoffs, o custo de alguma coisa é aquilo que você desiste para ob-
ter outra, as pessoas pensam na margem e reagem a incentivos que 
se enquadram na divisão de como as pessoas tomam decisões. Dos 
princípios de 5 a 7, que são: o comércio pode ser bom para todos; os 
mercados são uma boa maneira de organizar a atividade econômica; 
e o governo pode melhorar os resultados de mercado se enquadram 
em como as pessoas interagem umas com as outras.
Por fim, dos princípios econômicos de 8 a 10, que são: a 
produtividade é a fonte fundamental do padrão de vida, os preços 
sobem quando o governo emite moeda e a sociedade enfrenta um 
20
tradeoff de curto prazo entre inflação e desemprego estão na divisão 
de como a economia funciona como um todo.
Veja a seguir, segundo Mankiw (2015), a explicação dos dez 
princípios básicos da economia e suas devidas.
1. Pessoas enfrentam tradeoffs: neste princípio é colocado que 
as pessoas passam por uma escolha conflitante para toma-
da de decisões. Em razão disso, as pessoas sempre realizam 
comparativos para, assim, conseguir tomar uma decisão e co-
locar na “balança” para tomar a melhor escolha.
2. O custo de alguma coisa é o que você desiste para obtê-la: 
basicamente é a necessidade de renunciar a uma coisa para 
obter outra. Que tudo tem um custo, você acaba ganhando 
por um lado, mas perde por outro lado. É chamado também 
de custo de oportunidade, ou seja, as pessoas levam em con-
sideração o benefício para tomar uma decisão. “Ao deixar de 
satisfazer uma necessidade e suprir outra, temos o custo de 
oportunidade” (ALBERGONI, 2008, p. 12).
3. Pessoas racionais pensam na margem: as pessoas possuem 
o costume de pensar nos pequenos ajustes, benefícios adicio-
nais e interesses individuais. Muitas consideram que para de-
cidir qual alternativa escolher, é necessário fazer uma análise 
de custo-benefício marginal. O conceito marginal refere-se 
ao que é adicionado ao montante já existente, pois os indiví-
duos não escolhem pelo todo e sim por partes.
Ao decidir quantas horas estudar para uma prova, você não decide 
entre estudar nada e estudar 5 horas. Você inicia seus estudos e ana-
lisa quais benefícios você terá, caso aumente uma hora de estudos 
(ALBERGONI, 2008, p. 13).
EXEMPLO
21
4. Pessoas reagem a incentivos: para o autor o efeito dos pre-
ços é essencial para entender como as pessoas reagem com 
incentivos. Quando o preço de um bem aumenta a demanda 
cai e quando o preço cai a demanda aumenta. Isto é, pessoas 
tendem a alterar comportamentos com incentivos.
Se a renda de uma pessoa aumentar provavelmente ela irá consumir 
mais ou irá consumir produtos mais sofisticados que antes. A renda 
neste caso seria um estímulo para o consumo.
5. O comércio pode melhorar a situação de todos: a competição 
entre as famílias pode melhorar a situação de todos, em razão 
de que, as famílias sempre estarão em busca de melhorias.
6. Os mercados são uma boa forma de organização da ativida-
de econômica: basicamente o mercado é uma boa maneira de 
equilibrar a economia.
7. Os governos podem às vezes melhorar o mercado: para Man-
kiw quanto menos a ação do Estado melhor para a economia. 
O Estado pode ser bem-vindo em casos de falhas de mercado, 
externalidades e poder de mercado.
8. O padrão de vida de um país depende de sua capacidade de 
produzir bens e serviços: o crescimento econômico seria o 
elemento chave para a garantia do padrão de vida das pessoas. 
Os fatores diferenciais de um país para outro para Mankiw 
(2015) seriam – 1) diferenças de produtividade; 2) quantidade 
x qualidade da mão de obra; e 3) tecnologia.
9. Os preços tendem a subir: na visão do autor quanto maior a 
quantidade de moeda emitida pelo governo e em circulação no 
mercado menor é seu valor. A inflação é mais comum no mer-
cado do que a deflação.CURIOSIDADE
22
A inflação é a elevação do nível geral de preços na economia e o mer-
cado pode ser entendido como sendo um grupo de compradores e 
vendedores de um dado bem em serviço.
10. A sociedade enfrenta um tradeoff de curto prazo entre infla-
ção e desemprego: essa teoria se enquadra na Curva de Phil-
lips, quanto maior a taxa de desemprego menor a inflação e 
quanto menor a taxa de desemprego maior a inflação.
Diante dos dez princípios econômicos e da definição do con-
ceito de Economia é possível perceber que em razão da escassez de 
recursos, toda sociedade precisa definir opções de produção e de 
distribuição de sua atividade produtiva. “Essa é a questão central 
do estudo da Economia: como alocar recursos produtivos limitados, 
de forma a atender ao máximo as necessidades humanas” (GARCIA, 
2015, p. 15).
O autor que criou os dez princípios da Economia Nicholas Gregory 
Mankiw foi diretor do Conselho de Consultores Econômicos (CEA) 
à Presidência da República, na gestão de George W. Bush (2003-
2005), além de ser colunista e escritor do The New York Times, Bos-
ton Globee The Wall Street Journal.
DEFINIÇÃO
VOCÊ SABIA?
23
Oferta e demanda
Forças da oferta e da demanda
Existem dois conceitos muito importantes que são abordados na 
economia criados pela teoria clássica que são a oferta e a demanda, 
além de preço e quantidade. A oferta pode ser denominada como 
as unidades e quantidades que os produtores estão dispostos a 
oferecer para o mercado (compradores/consumidores). Enquanto 
a demanda seria a procura pela quantidade que os consumidores 
estão dispostos a comprar (MANKIW, 2015).
Os produtores possuem vários níveis de preços para escolher 
e oferecer para o mercado. E os consumidores podem consumir em 
vários níveis de preço. Quando tem um equilíbrio entre oferta e de-
manda, os clássicos chamam de: equilíbrio de mercado (MANKIW, 
2015).
Na figura 1 abaixo, apresenta-se o equilíbrio de mercado, na 
qual a curva que se inicia da origem (0) é a curva de oferta e a curva 
que está ligada a linha de preço e de quantidade é a curva de deman-
da. A linha vertical é o preço e a linha horizontal a quantidade.
Quando vamos analisar o gráfico olhando para o lado da ofer-
ta chamamos de quantidades ofertadas em função do preço, ou seja:
Fórmula: Qo = f(P)
Quando vamos analisar pelo lado da demanda chamamos de 
quantidade demandada em função do preço, ou seja:
Fórmula: Qd = f(P).
24
Figura 1 - Equilíbrio de mercado
Fonte: adaptado pelo autor.
O equilíbrio de mercado seria no ponto onde a quantidade de-
mandada se iguala à quantidade ofertada, quando o preço se iguala 
a quantidade, ou ainda quando há equivalência entre a oferta e de-
manda. No gráfico, o ponto de equilíbrio de mercado seria o ponto 
vermelho (MANKIW, 2015). A seguir, veja as duas fórmulas que re-
presentam esse equilíbrio.
Fórmula: P = Q
Fórmula: Qd = Qo
Diante disso, quanto maior for o preço de um bem para o pro-
dutor mais interessante é, e, assim, a oferta é maior. A oferta de um 
bem dependerá dos preços dos fatores de produção e são eles que 
definem o custo. Tendo um aumento nos preços de qualquer um dos 
fatores de produção, terá impactos nos custos de produção e alte-
ração nos rendimentos dos empresários. Além disso, a tecnologia 
também influencia no preço dos bens/serviços, porque com a tec-
nologia inserida, os empresários podem ter aumento do lucro.
A oferta de um determinado bem pode ser alterada por mu-
danças nos preços dos outros bens em um mercado. Se os preços dos 
demais bens aumentarem o preço e o preço do bem Y, por exemplo, 
25
continuar o mesmo, a sua produção acabará sendo menos “encanta-
dora” em relação aos outros bens, levando a uma redução da oferta.
O ponto onde as curvas de oferta e demanda se encontram é o 
ponto de equilíbrio do mercado. Ou seja, existe uma compatibiliza-
ção das quantidades que os consumidores desejam consumir com os 
que os produtores querem produzir e colocar para venda.
Como vimos, a oferta e a demanda são as forças que movem 
as economias de mercado determinando o preço e a quantidade de 
equilíbrio. Diante disso, existem as chamadas estruturas de mer-
cado, ou seja, são as diferentes formas de mercado existentes na 
economia.
As sete principais estruturas de mercado são: 1) concorrência 
perfeita; 2) monopólio; 3) oligopólio; 4) duopólio; 5) concorrência 
monopolística; 6) monopsônio; e 7) oligopsônio (MANKIW, 2015). 
A seguir as semelhanças e diferenças de cada uma delas.
1. Concorrência perfeita: para muitos compradores e muitos 
vendedores, não há poder de mercado individualmente, os 
agentes são tomadores de preço, o produto é homogêneo e há 
livre entrada e saída de mercado.
2. Monopólio: uma única empresa atuando, existe um elevado 
poder de mercado, a empresa é determinadora de preços até 
certo ponto, o produto é diferenciado, não há livre entrada ou 
saída de mercado.
3. Oligopólio: poucas empresas atuando, existe poder de mer-
cado, porém é dividido, a empresa é determinadora de pre-
ços até certo ponto, o produto é o mesmo, mas com algumas 
diferenças.
4. Duopólio: mesmas características do oligopólio, mas com 
apenas duas empresas atuando.
5. Concorrência monopolística: inúmeras empresas atuando, o 
poder de mercado é limitado ao produto vendido, os preços 
são determinados pela oferta, mas dependerão da vontade ou 
necessidade dos clientes.
26
6. Monopsônio: quando uma única empresa detém o poder de 
compra em determinado produto ou insumo.
7. Oligopsônio: mesmas características do monopsônio, mas 
com um grupo de empresas atuando.
Você conhece alguma empresa que seja monopólio? Você 
acha que é um monopólio benéfico ou que precisa de concorrência? 
A Petrobrás é um monopólio.
E então? Gostou do que foi abordado nesta produção? Agora, só para 
termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estu-
do deste material, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter 
aprendido que o conceito de economia vem do latim Oikonomia, que 
os dez princípios da economia são divididos em: I) como as pessoas 
tomam decisões; II) como as pessoas interagem e como funciona 
a economia como um todo. Você aprendeu conceitos relacionados 
com as estruturas de mercado como: oligopólio, monopólio, entre 
outros. Viu também que a sociedade precisa escolher entre alterna-
tivas de produção e distribuição de recursos. Como você já viu que 
aprendeu tudo, vamos para o próximo assunto que é o ponto de 
equilíbrio, a oferta e a demanda.
Ponto de equilíbrio, oferta e demanda
Antes de começar a abordagem sobre o ponto de equilíbrio e dese-
quilíbrio de mercado, é relevante conhecermos os principais con-
ceitos do equilíbrio de mercado que são: I) equilíbrio; II) preço de 
equilíbrio; III) quantidade de equilíbrio; IV) excesso de oferta; V) 
excesso de demanda; e lei da oferta e da demanda.
SINTETIZANDO
27
Quadro 2 - Conceitos do equilíbrio de mercado
Conceitos Explicações
Equilíbrio Uma situação na qual o preço 
atingiu o nível em que a quan-
tidade ofertada é igual à quan-
tidade demandada.
Preço de equilíbrio O preço que iguala a quanti-
dade ofertada e a quantidade 
demandada.
Quantidade de equilíbrio A quantidade ofertada e a quan-
tidade demandada ao preço de 
equilíbrio.
Excesso de oferta Uma situação em que a quanti-
dade ofertada é maior do que a 
quantidade demandada.
Excesso de demanda Uma situação em que a quanti-
dade demandada é maior do que 
a quantidade ofertada.
Lei da oferta e da demanda A afirmação de que o preço de 
qualquer bem se ajusta para 
trazer a quantidade demandada 
e a quantidade ofertada desse 
bem para o equilíbrio.
Fonte: adaptado pela autora.
A curva de demanda apresenta como a quantidade deman-
dada de um determinado bem depende do preço. Assim, segundo a 
lei da demanda, se o preço de um bem cai, a quantidade demandada 
aumenta. Já a curva de oferta apresenta como a quantidade ofertada 
de um bem depende do preço. Segundo a lei da oferta, se o preço de 
um bem aumenta, a quantidadeofertada também aumenta.
Diante disso, a intersecção entre as curvas de oferta e deman-
da determina o equilíbrio do mercado. Ou seja, ao preço de equilí-
brio, a quantidade demandada é igual à quantidade ofertada.
28
De acordo com a teoria clássica, o comportamento de com-
pradores e vendedores conduz de forma natural os mercados em 
direção ao equilíbrio. Assim, quando o preço de mercado está acima 
do preço de equilíbrio, existe um excedente do bem, que logo leva a 
uma redução no preço de mercado. Quando o preço de mercado está 
abaixo do equilíbrio, há limitação, que leva a um aumento no preço 
de mercado.
A teoria da elasticidade
A demanda de um produto está conectada às quantidades que os 
consumidores e compradores estão dispostos a obter em função dos 
preços. A elasticidade é a variação da quantidade de equilíbrio em 
resposta à variação do preço de equilíbrio.
A elasticidade preço da demanda que é calculado pela varia-
ção percentual da quantidade dividido pela variação percentual do 
preço.
É muito importante ter o conhecimento de como variações no 
preço de um produto terão variações na quantidade deste produto. 
Assim, a demanda elástica tem uma queda no preço e a receita au-
menta. Já o produto com demanda de elasticidade unitária a queda 
no preço mantém a quantidade de receita. Agora se for um produto 
de demanda inelástica, a queda de preço diminuirá a receita.
As explicações para os fatores de elasticidades de preços são 
pelos bens substitutos, quanto maior os bens substitutos maior vai 
ser a elasticidade de preço. Quanto maior o peso dos bens no orça-
mento menor será sua elasticidade de preço. Quanto maior a essen-
cialidade do bem menor sua elasticidade.
Na elasticidade de preço da oferta a maneira como se calcula 
é igual a forma que se calcula a elasticidade de preço da demanda. 
Assim, a variação percentual da quantidade é dividida pela variação 
percentual do preço de equilíbrio.
Vamos aplicar isso em uma realidade, os produtos agrícolas 
são definidos como inelásticos, isso porque um aumento do preço 
não resulta em variações de quantidade suficientemente grandes.
29
A reação comum da demanda em relação aos preços pode ser 
colocada em três principais aspectos.
1. Quanto mais baixos os preços, maior a demanda, assim os 
consumidores tendem a comprar mais. Já se os preços estive-
rem muito altos, menores quantidades são consumidas pelos 
consumidores.
2. O Efeito substituição é outro processo comum na demanda. 
Quando o preço de determinado bem aumenta, os consumi-
dores tendem a substituí-lo por outro bem parecido.
3. A Utilidade marginal é explicada pelo processo de que quan-
to maiores forem às quantidades de um determinado produ-
to, menores serão os graus de utilidade de cada nova unidade 
adicional.
Assim, os graus de sensibilidade em relação aos preços não 
são iguais para todos os produtos. Existem momentos que mesmo 
com variações no preço a quantidade de demanda não sofre alte-
rações. Esses graus de sensibilidade são chamados de elasticidade. 
Eles podem ser explicados por meio do conceito elasticidade-preço 
da demanda. Quando as unidades da demanda aumentam na mes-
ma proporção de que a queda dos preços, o produto apresenta uma 
elasticidade-preço unitária.
Quando a demanda aumenta menos que a redução dos preços, 
ela é chamada de demanda inelástica. Já se a quantidade demanda-
da de um determinado produto aumenta mais que as reduções de 
preços, há uma demanda elástica (VARIAN, 1994; MANKIW, 2009).
Existem fatores determinantes da elasticidade preço. Os 
principais determinantes são:
 • essencialidade;
 • hábitos;
 • periodicidade da aquisição.
30
A essencialidade está relacionada ao grau de necessidade do 
produto. Os produtos em que as pessoas necessitam mais tendem a 
ter coeficientes de elasticidade baixos.
Os hábitos são aspectos rígidos do consumo. Isso porque al-
guns hábitos podem se tornar em vício e fazer com que os consumi-
dores tenham pouca sensibilidade em relação a variação de preços.
Já na periodicidade da aquisição, o relevante é o intervalo de 
tempo entre uma e outra aquisição de produto. Se forem grandes 
intervalos de tempo entre a compra, provavelmente, o consumidor 
irá esquecer o produto (VARIAN, 1994; MANKIW, 2009).
De acordo com a introdução acima a respeito da elasticidade, 
podemos conceituar que a elasticidade é uma medida de resposta da 
quantidade ofertada ou demandada das variações de mercado.
Diante disso, a medida seria: quanto a quantidade ofertada ou 
demandada varia em função do preço? Esse fenômeno é chamado de 
elasticidade-preço da demanda. Que é dado pela fórmula:
Os fatores determinantes da elasticidade-preço da demanda 
são:
 • substitutos próximos disponíveis;
 • se o bem é essencial ou supérfluo;
 • a definição do mercado, quando mais específico o bem mais 
inelástico ele será, ou seja, não sofrerá variações de mercado;
 • o horizonte do tempo, já que quanto mais passa o tempo mais 
elástico o bem se torna e, por isso, é preciso pensar em uma 
dimensão de tempo para adaptação do consumo.
Nesse sentido, a elasticidade da oferta determina se os ven-
dedores têm saídas/soluções de produção do bem diante de uma 
condição desfavorável de mercado. A elasticidade da demanda de-
termina se os compradores têm soluções de consumo na falta do 
31
bem que eles desejam (VARIAN, 1994; MANKIW, 2009). Quanto à 
elasticidade, um bem pode ser denominado como:
 • perfeitamente elástico;
 • elástico;
 • unitário;
 • inelástico;
 • perfeitamente inelástico.
Os produtos elásticos são mais sensíveis diante das alterações 
de preço. Ou seja, quando os preços dele sofrem alterações as pes-
soas tendem a aumentar/reduzir o consumo (VARIAN, 1994; MAN-
KIW, 2009). Já produtos inelásticos independem do preço para que 
ele seja consumido. Em outras palavras, mesmo se aumentar/dimi-
nuir a quantidade ofertada ou reduzir os preços, a demanda não tem 
alterações.
Exemplo
Um exemplo de produto elástico seriam as carnes nobres. Se o preço 
da picanha aumentar sua demanda diminui, se o preço diminuir sua 
demanda aumentará.
Um exemplo de produto elástico seriam as carnes nobres. Se o preço 
da picanha aumentar sua demanda diminui, se o preço diminuir sua 
demanda aumentará.
EXEMPLO
EXEMPLO
32
A elasticidade dos produtos é acompanhada por diversas em-
presas em razão de que acompanham o comportamento do consu-
midor, verificam as sazonalidades de mercado, fazem alterações 
nos produtos etc.
Assim, na teoria, a demanda perfeitamente inelástica seria 
uma elasticidade igual a zero, ou seja, um aumento no preço do bem 
X deixa inalterada a quantidade demandada. A demanda inelástica 
seria a elasticidade inferior a 1, ou seja, com um aumento de 22% no 
preço causa uma queda de 11% na quantidade demandada (VARIAN, 
1994; MANKIW, 2009).
A demanda com elástica unitária seria uma elasticidade igual 
a 1, ou seja, um aumento de 22% no preço de um bem X causa uma 
queda de 22% na quantidade demandada (VARIAN, 1994; MANKIW, 
2009). A demanda elástica seria a elasticidade maior do que 1, ou 
seja, um aumento de 22% no preço do bem X causa uma queda de 
67% na quantidade demandada (VARIAN, 1994; MANKIW, 2009).
Por fim, a demanda perfeitamente elástica seria a elasticida-
de infinita. Assim, a qualquer preço abaixo de “x” colocado no mer-
cado a quantidade demandada é infinita (VARIAN, 1994; MANKIW, 
2009).
Na teoria da elasticidade temos também a Elasticidade-Ren-
da da demanda que é uma medida do quanto a quantidade de um 
bem X responderá a uma variação na renda dos consumidores. Para 
realização do cálculo da Elasticidade-Renda da demanda seria: a 
variação percentual da quantidade demandada dividida pela varia-
ção percentual da renda (VARIAN, 1994; MANKIW, 2009). A fórmula 
seria:
Temos também a Elasticidade-Preço cruzada da demanda e 
da oferta. A Elasticidade-Preço cruzada da demanda é considerada 
uma medida do quanto a quantidade demandada de um bem X res-
ponde a uma variação no preço deoutro bem denominado Y.
33
Para realização deste cálculo é preciso ter a variação percen-
tual da quantidade demandada do primeiro bem (X) dividida pela 
variação percentual do preço do segundo bem (Y) (VARIAN, 1994; 
MANKIW, 2009).
Na Elasticidade-Preço da oferta é considerada uma medida 
do quanto a quantidade ofertada de um bem responde a uma va-
riação do seu preço. Para calcular, temos a variação percentual da 
quantidade ofertada dividida pela variação percentual do preço 
(VARIAN, 1994; MANKIW, 2009). A fórmula seria:
Diante disso, uma oferta perfeitamente inelástica seria a 
elasticidade igual a zero, ou seja, um aumento no preço deixa inal-
terada a quantidade ofertada. A oferta inelástica seria a elasticidade 
inferior a 1. Assim, um aumento de 22% no preço causa um aumen-
to de 10% na quantidade ofertada (VARIAN, 1994). Na oferta com 
elástica unitária seria a elasticidade igual a 1. Pode-se dizer que um 
aumento de 22% no preço causa uma queda de 22% na quantidade 
ofertada (VARIAN, 1994).
Na oferta elástica a elasticidade é maior do que 1. Com um 
aumento de 22% no preço causa uma queda de 67% na quantidade 
ofertada. Na oferta perfeitamente elástica tem-se a elasticidade in-
finita, ou seja, a qualquer preço acima de “x” colocado no mercado 
a quantidade ofertada é infinita (VARIAN, 1994).
Vimos que a Elasticidade-Preço da demanda mede o quanto a 
quantidade demandada responde a variações do preço. Logo, a de-
manda tende a ser mais elástica se há substitutos próximos dispo-
níveis, se o bem é supérfluo ao invés de ser necessário, se o mercado 
é definido de maneira restringido ou se os consumidores possuem 
muito tempo para uma resposta a uma determinada mudança de 
preço (VARIAN, 1994).
O cálculo da Elasticidade-Preço da demanda é realizado com 
a variação percentual da quantidade demandada dividida pela va-
riação percentual do preço. Se o resultado da elasticidade for menor 
34
que 1, dizemos que a demanda é inelástica. Se a elasticidade é maior 
que 1, dizemos que a demanda é elástica (VARIAN, 1994).
A receita total, que é a quantia total paga por um bem, é igual 
ao preço do bem multiplicado pela quantidade vendida. A fórmula 
seria:
Receita Total RT= P x Q
No caso de curvas de demanda inelásticas, a receita total 
aumenta quando o preço aumenta. Isto porque, um aumento nos 
preços leva a uma diminuição na quantidade demandada, em me-
nor proporção que o aumento dos preços. Para curvas de demanda 
elástica, a receita total diminui quando o preço aumenta (VARIAN, 
1994).
Sistema econômico
Definição de sistema econômico
Podemos definir sistema econômico como sendo a maneira especí-
fica e particular que um país ou uma economia organiza, distribui, 
desenvolve, planeja a sua produção, política, recursos, bens e servi-
ços. Cada sistema econômico possui suas particularidades e especi-
ficidades e depende de uma diversidade de variáveis, como a cultura 
e outros fatores. A política adotada em um determinado país tem 
muita influência em um sistema econômico.
Os sistemas econômicos são a forma pela qual os agentes 
econômicos interagem nos mercados, com diretrizes políticas, ou 
ideológicas, determinando de que forma será a organização da ati-
vidade econômica. Ao interagirem, de acordo com seus interesses, 
para os seus determinados fins e objetivos próprios, os agentes da 
economia produzem e transacionam bens, serviços e fatores de pro-
dução. Assim, ocorre a geração de renda nos processos produtivos, 
porque os esforços de produção são remunerados.
Os agentes se organizam em sistemas econômicos para pen-
sar: o que produzir, como produzir e para quem produzir. A forma 
35
como as pessoas optam por esta organização, resulta na classifi-
cação dos sistemas econômicos em: (I) Economia de Mercado, (II) 
Economia Mista ou (III) Economia Centralizada. Estes são os termos 
técnicos adequados para classificar os sistemas econômicos.
Quando classificados conforme os vieses ideológicos, há, 
respectivamente, o capitalismo, o neoliberalismo e o socialismo ou 
comunismo.
1. Economia de Mercado: na Economia de Mercado, famílias e 
empresas decidem o que produzir, para quem produzir e como 
produzir. Estes agentes interagem nos mercados de fatores e 
de bens e serviços por meio das forças de oferta e de demanda.
2. Economia Mista: na Economia Mista, famílias, empresas e 
governo decidem o que produzir, para quem produzir e como 
produzir.
3. Economia Centralizada: na Economia Centralizada, apenas 
um agente da economia decide o que será produzido, para 
quem será produzido e como será produzido. Este agente é o 
governo.
O quadro 3 mostra as principais ideologias existentes que são: 
comunismo, socialismo, liberalismo do estado do bem-estar social, 
liberalismo clássico, liberalismo conservador, conservantismo mo-
nárquico e fascismo.
Quadro 3 - Principais ideologias e seus determinados princípios
36
Fonte: elaborado pelo autor.
Diante do quadro 3 podemos perceber que geralmente exis-
te uma relação entre a ideologia política e o sistema econômico de 
um país, que impactam o desenvolvimento econômico, ou seja, a 
política e o estilo de governo têm um forte impacto na formação e 
desenvolvimento de uma economia. “A ideologia dos partidos po-
líticos que assumem a presidência dos países, afetam diretamente 
as relações econômicas nesses países” (ALBERGONI, 2008, p. 25).
Um país conservador tem sua economia voltada para dentro, 
ou seja, protecionista, evitando importações. No liberalismo clássi-
co o Governo intervém sempre na economia, desenvolvendo políti-
cas e buscando a inclusão social.
Dessa forma, os partidos políticos com ideais liberais tendem 
a adotar medidas que reduzam a participação do Estado na econo-
mia e que possibilitem a atuação do livre mercado. Partidos políti-
cos com ideais sociais, geralmente, adotam medidas para melhorar 
a distribuição de renda e, consequentemente, o bem-estar da so-
ciedade. Partidos com ideais socialistas, por sua vez, adotam medi-
das para aumentar a intervenção do Estado na economia e repartir a 
renda e prosperidade (ALBERGONI, 2008, p. 25).
Após a análise e compreensão de um sistema econômico, po-
demos entrar na divisão da economia e suas linhas de pensamento. 
Em síntese, a economia é dividida em duas áreas principais: a mi-
croeconomia e a macroeconomia. Como será mostrado na figura 2 
para melhor esclarecimento do que está sendo abordado.
37
Figura 2 - Economia: Macro e Micro
Fonte: elaborada pela autora.
A microeconomia analisa a interação e comportamentos indivi-
duais, além de termos como: maximização, racionalidade, ponto de 
equilíbrio, oferta e demanda, quantidade, preço. Enquanto a ma-
croeconomia estudará o agregado como um todo.
A microeconomia analisa os agentes de forma individual. 
Dentro de um sistema econômico são analisadas as famílias e em-
presas. Na microeconomia busca-se o entendimento da oferta e da 
demanda por meio da tomada de decisões dos agentes. Podemos 
ainda dizer que a microeconomia é o estudo de como as famílias e 
empresas tomam decisões e como tem as interações de mercado 
(VARIAN, 1994).
A microeconomia, que estuda o comportamento e a intera-
ção das unidades individuais que compõem o sistema econômico 
(famílias e empresas), analisa as decisões privadas e individuais de 
produção e consumo. Seu foco é a determinação do preço em mer-
cados específicos, por meio da compreensão da oferta e demanda 
(ALBERGONI, 2008, p. 24).
Já a macroeconomia, estuda o sistema econômico de forma 
completa sempre olhando os termos agregados de uma economia, 
como: produto interno bruto, exportação, importação, dívida pú-
blica, entre outros.
VOCÊ SABIA?
38
A macroeconomia analisa o sistema econômico como um 
todo e tem como objeto de estudo as relações entre os grandes agre-
gados: renda nacional, nível de emprego, nível de preços, consumo, 
poupança e investimento. Seu objetivo é formular políticas que es-
tabeleçam o equilíbrio entre renda e despesa nacional (ALBERGONI, 
2008,p. 24).
As políticas adotadas por um governo como: política mone-
tária, política fiscal, políticas de inclusão social, política industrial, 
entre outras, são usadas para organizar, estimular, administrar a 
economia de uma nação. Se acaso for implantada uma política in-
dustrial, em um determinado país, provavelmente os empresários 
terão incentivo para investirem em sua empresa e, consequente-
mente, terá geração de emprego, aumento de demanda, ou seja, 
essa política terá impacto nos agregados macroeconômicos.
As quatro variáveis agregadas da macroeconomia, que se re-
lacionam e se conectam de forma que tenha impacto em uma de-
terminada sociedade são: o nível de preços, o nível de emprego, a 
taxa de câmbio e a taxa de juros. Isso porque essas variáveis afetam 
o crescimento econômico, a inflação, o comércio exterior e a distri-
buição de renda.
Logo, se houver um aumento na taxa de juros, isso prova-
velmente afetará o investimento do empresário que, consequente-
mente, contratará menos empregados e oferecerá um menor salário 
e, assim, terá um forte impacto na taxa de desemprego, aumentan-
do a taxa de desemprego que poderá levar a uma queda do cresci-
mento econômico e aumento da taxa de pobreza em um país.
Dentro da macroeconomia há duas áreas extremamente 
importantes que são: desenvolvimento econômico e a economia 
internacional.
Segundo Albergoni (2008, p. 24) podemos defini-las da se-
guinte forma: o desenvolvimento econômico estuda o processo de 
acumulação de bens/serviços e a geração de tecnologias capazes de 
aumentar a produção. Além disso, trata-se de uma área que pensa 
no bem-estar da sociedade, então busca refletir o planejamento e 
a formulação de políticas públicas para inclusão social, geração de 
emprego, renda, educação, padrão de vida da sociedade, redução da 
39
desigualdade social, redução da concentração de renda, entre outros 
instrumentos. “A economia internacional analisa as relações entre 
os residentes e não residentes em um país, as transações financeiras 
e de bens e serviços entre um país e o resto do mundo”.
Neste caso, os policys makers precisam estar preocupados com 
as políticas públicas, visando ao “equilíbrio do comércio externo 
(importações e exportações) e dos fluxos de capital (investimentos 
estrangeiros)”.
 Figura 3 - Mapa Mundi
Fonte: Freepik.
Teorias econômicas e fatores de produção
Teorias econômicas
No estudo da economia temos uma diversidade de vertentes do 
pensamento econômico, as principais são: teoria clássica e críticas à 
teoria clássica. A teoria clássica é chamada de ortodoxia e as críticas 
à teoria clássica são chamadas de heterodoxia.
Até hoje, existe um debate entre ortodoxos e heterodoxos. 
Esse debate é forte inclusive no Brasil entre os economistas. O artigo 
40
“Os métodos que dividem as águas no debate econômico” aborda 
esse tipo de discussão. Vale a pena conferir!
Leia o artigo “Os métodos que dividem as águas no debate econô-
mico” e conheça o debate entre economistas sobre igualdade social 
e eficiência econômica.
Entre as teorias econômicas existentes, a teoria clássica tem 
ênfase na produção industrial, livre mercado e pouca intervenção do 
Estado, apenas em casos das chamadas falhas de mercado. Os prin-
cipais autores dessa linha de pensamento são: Adam Smith, Thomas 
Malthus, David Ricardo e Jean Baptiste Say (BRUE, 2005).
Adam Smith escreveu um dos livros mais famosos da econo-
mia, A riqueza das nações. Este autor acredita na mão invisível, ou 
seja, no livre mercado com Estado mínimo. Além disso, ele criou 
uma teoria para divisão do trabalho. O trabalho precisava ser orga-
nizado visando à ampliação da capacidade de produção de bens e 
serviços, o que acabava levando a uma qualificação de mão-de-obra 
(BRUE, 2005).
Thomas Malthus tem como principal visão a teoria da po-
pulação. Essa ideia dizia que quando a população não é controlada, 
ela pode aumentar em uma progressão geométrica. Já os meios de 
subsistência podem aumentar em progressão aritmética. Em razão 
disso, a população poderia aumentar tanto que os recursos da terra 
não seriam suficientes (BRUE, 2005).
David Ricardo criou duas teorias essenciais: Rendimentos de-
crescentes e troca internacional. Os rendimentos decrescentes eram 
explicados sobre a produtividade, logo, se houver uma intensifi-
cação da utilização da Terra (espaço para montar o capital de uma 
empresa) a longo prazo, isso poderá levar a uma queda na produti-
vidade, porque a produção não fica estável por um longo período e, 
SAIBA MAIS
41
assim, teria a inflação dos alimentos e, consequentemente, a eco-
nomia ficaria estagnada (BRUE, 2005).
Na teoria da troca internacional para Ricardo, o livre comér-
cio é benéfico para os países. O país A exportaria o bem que teria 
vantagem comparativa em vinho, e o país B importaria o vinho e 
exportaria o queijo (BRUE, 2005).
Jean Baptiste Say trouxe a “lei dos mercados”, ou seja, para 
ele a oferta cria sua própria demanda, não tem necessidade de polí-
ticas para estabilizar, o próprio mercado se estabiliza. É o livre mer-
cado que se autorregula (BRUE, 2005).
Os autores que criticaram a teoria clássica que são considera-
dos parte da heterodoxia, por quebrarem o “núcleo duro” da teoria 
clássica, foram: Karl Marx, John Maynard Keynes, Alfred Marshall 
e Joseph Schumpeter. Atualmente, ainda existe discórdia entre os 
economistas. Podemos dizer que o que leva os economistas a dis-
cordarem são as diferenças no julgamento científico, diferenças em 
valores e, além disso, diferenças de analisar a percepção versus a 
realidade.
O autor Karl Marx critica principalmente a ideia de divisão de 
trabalho de Adam Smith. Para Marx a divisão de trabalho proposta 
por Adam Smith, que era um clássico, colocava o trabalhador como 
máquina e totalmente dependente do proprietário, o qual pagava 
apenas para suprir os meios de subsistência. Além disso, apresentou 
conceitos como o da “mais valia” (BRUE, 2005).
John Maynard Keynes pode ser considerado o pai da macroe-
conomia, pois ele defendia a intensa intervenção do Estado na eco-
nomia em momentos de crises, o que acabava destruindo a ideia de 
livre mercado da teoria clássica. Ele também criou os termos agre-
gados da economia (demanda agregada, oferta agregada, entre ou-
tras), ou seja, a economia começou a ser analisada como um todo, e 
não por meio de um só indivíduo, um só comportamento.
Enquanto, a lei de Say colocava que a oferta cria sua própria 
demanda, Keynes, diante da crise de 1929, coloca o contrário: a 
oferta é guiada pela demanda. Assim, Keynes escreve o livro A teoria 
geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicado em 1936. Esse livro é 
42
considerado um dos mais relevantes da economia por abordar con-
ceitos macroeconômicos que são usados até hoje.
Keynes ainda apresenta a ideia de que em momentos de ins-
tabilidade é necessária a intervenção do Estado para retomar o in-
vestimento, para fortalecer a expectativa e confiança dos agentes e 
que só assim um país conseguirá sair de uma recessão econômica e 
voltar a crescer. Além disso, trabalhou conceitos como: expectati-
va, incerteza etc. Esses conceitos podem ser vistos até hoje em uma 
economia. Segundo Albergoni (2008, p. 25):
Em momentos de eleições presidenciais, há 
incerteza sobre a condução da política econô-
mica a ser adotada pelo partido que vencer a 
disputa. Quando as pesquisas indicam a possi-
bilidade de um candidato de esquerda vencer, 
as empresas e os investidores sentem-se inse-
guros com a tomada de decisões e a realização 
de investimentos que podem ser prejudicados 
futuramente.
O economista britânico Keynes também criou um modelo 
para a relação das variáveis agregadas e para explicar a composi-
ção do crescimento econômico. A composição do modelo Keynesia-
no para o Produto Interno Bruto (PIB) é composta pelas seguintes 
variáveis: demanda agregada, consumo das famílias, investimento 
das empresas, gastos do governo, exportações e importações (FRO-
YEN, 2013).
Conforme éapresentado na fórmula a seguir:
Fórmula: Y = C+I+G+(X-M)
A seguir será explicado o que cada letra composta na
fórmula significa.
Y: demanda agregada.
C: consumo das famílias.
I: investimento das empresas – bens de capital, estruturas e
estoques – não estão inclusos os ativos financeiros.
43
G: gastos do governo – gastos de bens ou serviços dos gover-
nos municipais, estaduais e federais.
(X-M): X representa a exportação e M representa a importa-
ção de um determinado país. A exportação menos (-) a importação 
é chamada de saldo da balança comercial (BC), que está presente 
no balanço de pagamentos de um país. Denominamos de déficit da 
balança comercial, quando um país tem mais importação do que ex-
portação, já quando um país exporta mais bens do que importa é 
denominado de superávit da balança comercial.
A Editora Abril organizou uma coleção na década de 80 chamada: Os 
economistas. Essa coleção tem a composição das obras dos principais 
pensadores da economia, como: Adam Smith, David Ricardo, Marx, 
Keynes, Schumpeter, Marshall, entre outros.
Retomando os autores da linha de pensamento econômico, 
o Alfred Marshall é um autor considerado da linha de pensamen-
to neoclássica. A sua principal contribuição para a economia foi a 
maximização de lucro, racionalidade e equilíbrio. Com tudo mais 
constante, todo indivíduo é racional e busca a maximização de seus 
interesses de acordo com sua renda e os empresários buscam a ma-
ximização de lucro. Para Marshall existia o ponto de equilíbrio que 
era quando a quantidade ofertada se igualava à quantidade deman-
dada (BRUE, 2005).
Joseph Schumpeter é um autor da linha de desenvolvimen-
to econômico e defende a inovação em uma economia. Para ser um 
verdadeiro empresário é preciso ser inovador, estar em constante 
mudança e praticar a destruição criativa do capitalismo. O principal 
conceito de Schumpeter era a destruição criativa (BRUE,2005).
DICA
44
Para entender melhor sobre a evolução da economia e a história do 
pensamento econômico, o artigo do professor e economista João 
Marcos Batista que é muito esclarecedor: “A evolução da economia: 
uma abordagem histórica sobre os principais modelos, teorias e 
pensadores”.
Em qual corrente de pensamento combina mais com seu 
modo de pensar? Corrente Schumpeteriana? Keynesiana? Clássica? 
Ou a Marshalliana?
Então? Gostou deste material letivo? Qual parte lhe chamou mais a 
atenção e por quê? Só para termos certeza, vamos para um breve re-
sumo do que vimos sobre este assunto. Vimos que um sistema eco-
nômico é uma maneira peculiar e particular de cada país; também 
foram vistas as principais ideologias existentes como: comunismo, 
liberalismo, socialismo, entre outros. Além disso, aprendemos que 
a economia é dividida entre microeconomia e macroeconomia e que 
existem muitas diferenças sobre essas duas linhas; pois, enquanto 
a microeconomia estuda conceitos como: racionalidade, maximi-
zação, equilíbrio, escolhas, entre outros, a macroeconomia estuda 
conceitos mais agregados, como: desemprego, inflação, produto 
interno bruto, concentração de renda, entre outros. Estudamos, 
também, as principais correntes do pensamento econômico, como: 
marshalliana, schumpeteriana, keynesiana, marxista e a linha de 
livre mercado de Say, entre outras vertentes de pensamento. Agora, 
depois deste resumo, você está mais do que preparado para o próxi-
mo assunto. Tudo pronto? Então, vamos lá!
SAIBA MAIS
SINTETIZANDO
45
Fatores de Produção e Bens e Serviços
Os fatores de produção são classificados em: terra, capital, trabalho, 
capacidade empresarial e tecnologia. São recursos que formam os 
processos produtivos e que podem ser separados em físicos e finan-
ceiros, como a terra, o capital e a tecnologia; e em humanos, como o 
trabalho, a capacidade empresarial e a tecnologia. Note que a tecno-
logia possui uma parte física e uma parte humana.
Sobre o respeito aos recursos humanos, vale ressaltar que: as pes-
soas detêm os meios (fatores) de produção; as pessoas ofertam e 
demandam fatores de produção; as pessoas agem, praticando ações 
e atuando nas transformações dos meios de produção; um dos 
meios de produção é o humano, o qual compõe e altera os proces-
sos produtivos, seja decidindo ou trabalhando; a tecnologia tem um 
componente humano; as pessoas detêm os bens; as pessoas não são 
bens; as pessoas trabalham e são classificadas como um fator hu-
mano de produção; as pessoas ofertam e demandam bens e serviços, 
principalmente quando organizadas em empresas.
Fatores de Produção
O Fator Terra: consiste no conjunto dos recursos naturais 
e nas delimitações de espaço utilizados na produção de bens e de 
serviços. Devem ser cuidados, preservados, recuperados e respei-
tados, quando utilizados nos processos produtivos, para que sejam 
otimizados, a curto e a longo prazo. Quanto ao seu uso, enfatiza-se 
a “sustentabilidade ambiental”.
O Fator Capital: pode ser físico ou financeiro. O capital físico 
consiste nas máquinas, equipamentos e estruturas produtivas como 
fábricas, galpões, prédios, entre outras infraestruturas. Quando fi-
nanceiro, pode ser considerado em um estado não físico, que pode, 
REFLITA
46
por meio de investimentos, ser transformado em estruturas pro-
dutivas. Disso resultam os cálculos do custo do capital investido. O 
respeito aos valores monetários e físicos passam pela ética e pela 
compreensão de que os recursos financeiros têm origem nos esfor-
ços dos trabalhos cotidianos. A partir desses valores é possível di-
recionar novos investimentos para solucionar desde desequilíbrios 
sociais até alternativas para a vida da espécie.
O Fator Trabalho: é o esforço humano de produção que trans-
forma os fatores terra, capital e tecnologia. O valor trabalho deve 
ser respeitado em todas as suas formas, em todas as suas ativida-
des, em todas as territorialidades. A produtividade do trabalho é um 
dos valores humanos mais importantes, porque é o meio pelo qual 
se escoa a criatividade humana. A qualidade das relações sociais de 
trabalho amadurece a sociedade em que vivemos.
O Fator Capacidade Empresarial: também chamada de em-
presariedade, que é a capacidade de dirigir empresas mediante os 
posicionamentos estratégicos e as soluções ótimas. Por ter origem 
em uma das formas de trabalho, deve ser igualmente respeitada, 
reconhecida e valorizada entre os demais fatores. Este fator repre-
senta o comportamento empreendedor das pessoas que direciona e 
mobiliza novos investimentos e alternativas para o uso de recursos 
e o atendimento de necessidades.
O Fator Tecnologia: a tecnologia tem uma parte abstrata e 
uma parte material. Trata-se da interação de técnicas e de conhe-
cimentos capazes de reunir, reorganizar, repensar e redirecionar o 
uso dos demais fatores para o atendimento das necessidades ilimi-
tadas. Pode-se considerar a tecnologia como inerente ou externa 
aos seres humanos, mas, de modo geral, uma interação que resulta 
na materialização de processos criativos de produção. A tecnologia 
pode ou não ser uma inovação e tem origem nas interações e pensa-
mentos humanos.
47
Classificações de Bens
Quanto à escassez, os bens podem ser: econômicos ou livres.
A energia solar disponível na forma de raios solares é um bem livre.
Os demais tipos de bens são considerados econômicos porque são 
escassos, como a água ou qualquer produto ou serviço que se de-
seje consumir. Quanto ao nível de renda e consumo, os bens podem 
ser: Bem de Consumo; Saciado ou Bem Normal; Bem de Luxo; e Bem 
Inferior.
Bens públicos são de domínio público como praças, iluminação, 
vias, ruas, placas, pontos de ônibus, entre outros bens disponí-
veis mediante gasto do recurso público para suprir as necessidades 
coletivas.
Comparativamente, os bens podem ser: Bem Substituto; Bem 
Concorrente; Bem Complementar. Substitutos podem ser perfeitos, 
como camiseta branca e camiseta bege; ou imperfeitos, como cami-
seta e regata. Bens concorrentes competem entre si e bens comple-
mentares precisamser consumidos em conjunto para serem úteis, 
como pasta de dente e escova de dente.
Quanto à finalidade, os bens podem ser de consumo final e 
bem de consumo Intermediário. Os bens de consumo final podem 
ser duráveis e não duráveis, quando perecíveis em um curto período.
Nos processos produtivos os bens Intermediários são trans-
formados pelos bens de Capital, em bens Materiais (Produtos) ou 
Bens Imateriais (Serviços). Os bens de capital são máquinas, equi-
pamentos, infraestruturas e estruturas produtivas físicas, que 
transformam os bens intermediários.
EXEMPLO
48
Há, portanto, tipos de bens e serviços, que variam de acordo 
com sua utilidade, etapa do processo produtivo, entre outras classi-
ficações. Produtos são bens materiais e serviços são bens imateriais. 
Conforme o uso, os bens podem ser duráveis ou não-duráveis. Já 
conforme o processo produtivo, há os bens intermediários, consu-
midos no processo; os bens de capital, utilizados para a transfor-
mação dos bens intermediários; e os bens finais, que resultam do 
esforço produtivo.
Bens de capital são máquinas e equipamentos utilizados para a 
transformação de insumos e de bens intermediários em bens fi-
nais ou serviços. Esta é a lógica de uma cadeia produtiva. Uma ca-
deia produtiva é o resultado da atividade econômica. Ela é composta 
por agentes e pelas relações estabelecidas entre eles no processo de 
organização da produção e da geração de bens e serviços. Em con-
trapartida ao esforço produtivo está a remuneração dos fatores de 
produção e dos bens e serviços.
Mercado de Fatores e Mercado de Bens e Serviços
Os fatores terra, capital, trabalho, capacidade empresarial e tecno-
logia são ofertados e demandados, formando o mercado de fatores 
de produção. As famílias, detentoras dos meios de produção, espe-
ram receber uma remuneração em troca de sua oferta. Os nomes das 
remunerações dos fatores de produção são: aluguel, juros, salários, 
lucro e royalties, respectivamente.
No mercado de bens e serviços, as empresas os ofertam e es-
peram receber uma remuneração em troca do esforço produtivo. Há 
diversos mercados de bens e serviços no sistema econômico.
REFLITA
49
E-commerce; Mercados; Feiras; Shoppings; Supermercados; Cen-
tros comerciais; Conveniências; Lojas; entre outros locais que reú-
nem ou possibilitam a troca entre a oferta e a demanda.
Os bens resultam de processos produtivos e cadeias produti-
vas, existentes tanto para a geração de produtos quanto de serviços. 
O conjunto de cadeias produtivas, entrelaçadas para a produção de 
um bem, forma os complexos econômicos.
A reunião de todos os entrelaçamentos de cadeias produti-
vas de todas as atividades econômicas resulta no Fluxo Circular da 
Renda. Ele é composto pelo Fluxo Real, caracterizado pelo proces-
so de produção de bens e serviços, desde a origem dos fatores de 
produção, e pelo Fluxo Monetário, que compreende as respectivas 
remunerações resultantes dos esforços produtivos.
A troca nos mercados expressa uma relação de complemen-
taridade entre a produção e a remuneração de fatores, bens e ser-
viços. Na sociedade há um meio de troca, a moeda, que garante a 
sobrevivência ou a vida das pessoas. Assim, compreende-se que as 
relações sociais de trabalho, que geram renda, têm origem nas tro-
cas, de modo que toda atividade, toda a oferta de fatores ou toda a 
oferta da produção, de bens e serviços são remuneradas.
Fluxo Circular da Renda
A Atividade Econômica pressupõe o processo de produção, Setor 
Real da Economia, e a remuneração de todos os bens e serviços tran-
sacionados. Tratam-se de dois fluxos com sentido contrário, um de 
produção e a contrapartida da remuneração pelo esforço produtivo. 
Nesse momento, iniciamos a construção do conhecimento sobre o 
Fluxo Circular da Renda.
EXEMPLO
50
No Fluxo Real:
 • as empresas demandam no mercado de fatores de produção;
 • as empresas transformam fatores de produção em bens e 
serviços;
 • as empresas ofertam no mercado de bens e serviços;
 • as famílias ofertam terra, capital, trabalho, capacidade em-
presarial e tecnologia, no mercado de fatores de produção; e
 • as famílias demandam bens e serviços.
Em contrapartida ao esforço de produção do Fluxo Real está o 
Fluxo Monetário, em que:
 • as empresas, ao demandar em fatores de produção, ofertam 
moeda em troca;
 • as empresas, ao ofertarem produtos, bens e serviços, deman-
dam moeda;
 • as famílias esperam receber lucro, royalties, juros, aluguéis e 
salários, em troca da oferta de fatores de produção, deman-
dando moeda;
 • as famílias ofertam moeda no mercado de bens e serviços 
como forma de remuneração às empresas.
Com a moeda recebida, famílias e empresas podem conti-
nuar ofertando fatores de produção e bens e serviços, estruturando 
a atividade econômica, por meio do emprego, da renda e do nível de 
preços.
Na figura 4 está um esboço de um Fluxo Circular da Renda de 
uma Economia de Mercado. Não há uma figura para expressar uma 
Economia Centralizada, porque ela pressupõe a decisão de apenas 
um órgão central, distorcendo o equilíbrio natural dos mercados.
51
Figura4 - Fluxo Circular da Renda–Economia de Mercado
Fonte: elaborado pelas autoras.
O Fluxo Circular da Renda pode ser esboçado de várias for-
mas. Ora ele pode aparecer com, ora ele pode aparecer sem a pre-
sença do governo. Isso mostra que esse agente interfere nas relações 
econômicas e no funcionamento dos mercados, quando as nações 
optam por sua presença no sistema econômico.
Você já parou para pensar de que forma você atua na socie-
dade pensando o que, para quem e como produzir? Depois de ter 
estudado este conteúdo você compreendeu como funciona a orga-
nização das pessoas, em sistemas econômicos, para pensar o que, 
como e para quem produzir. Observe a qualidade das relações sociais 
de trabalho no dia a dia para enxergar melhor a forma como nós nos 
organizamos em sociedade para fazer uso de recursos e atender as 
necessidades das pessoas. Será que precisamos mudar a forma como 
nós nos comportamos?
Então? Gostou de operacionalizar conceitos sistematizando-os em 
gráficos? Vamos revisar os conteúdos desta produção letiva? Pri-
meiramente, conhecemos os fatores de produção: terra, capital, 
trabalho, capacidade empresarial e tecnologia. Vimos que estes 
fatores são alocados nos processos produtivos para a produção de 
SINTETIZANDO
52
bens e serviços. Para desenvolver a linha de raciocínio da economia, 
operacionalizamos as três questões fundamentais (o quê, como 
e para quem produzir) na fronteira de possibilidade de produção 
(FPP). Você deve ter aprendido que a fronteira expressa a escolha 
sobre “o que produzir”, que, a partir do conhecimento do público-
-alvo, consegue direcionar a produção compreendendo “para quem 
produzir”. As escolhas dos níveis de produção e a alocação dos fato-
res na FPP representam o “como” produzir. A FPP sintetiza a ope-
racionalização de cinco conceitos: o Pleno Emprego, a Capacidade 
Ociosa, a Impossibilidade de Produção, os Avanços Tecnológicos e o 
Custo de Oportunidade.
UN
ID
AD
E
2
Objetivos
1. Entender como a política econômica afeta a renda das pessoas.
2. Compreender como funcionam as políticas macroeconômi-
cas, fiscais e monetárias.
3. Compreender o funcionamento do mercado cambial.
4. Conhecer os regimes cambiais e seu funcionamento.
54
Introdução
Olá, aluno(a)!
Conhecermos como a economia funciona é muito importante para 
nossa vida pessoal e profissional. Ela nos ensina que existem poucos 
recursos que precisam ser divididos em diversas alternativas. Nos 
ensina também que a atividade econômica dos países em geral, afe-
ta tanto de forma direta quanto de forma indireta nossas vidas. 
Esta unidade está dividida em quatro temas. No primeiro, 
você verá o conceito das políticas econômicas e da renda, também 
será abordada a escassez de recursos. No segundo serão aborda-
das as políticas macroeconômicas, políticas fiscais e políticas mo-
netárias. No terceiro você vai conhecer e compreendero mercado 
cambial e como ele funciona. Por fim, você irá conhecer os regimes 
cambiais e como eles funcionam.
Então, preparado(a)? Vamos comigo mergulhar neste 
universo!
55
Políticas econômicas e renda 
Macroeconomia e os tipos de mercado
A economia é influência por diversos fatores, diversas variáveis. Es-
sas variáveis podem ser interna à um país ou externa, podem ser 
controladas ou não. São utilizadas para análises como inflação, ren-
da das pessoas, preços e outros.
Em uma das partes da economia, chamada de parte real, te-
mos mercados de bens e serviços e mercado de trabalho. As variáveis 
relacionadas aos mercados de bens e serviços são: produto/renda 
nacional e nível geral de preços. No mercado de trabalho as variáveis 
são: nível de emprego e salário monetário representado por (W).
Já na parte monetária da economia temos o mercado finan-
ceiro (monetário de títulos) e o mercado de divisas (mercado cam-
bial). As variáveis do mercado financeiro são: taxa de juros e estoque 
de moeda. A variável do mercado de divisas é a taxa de câmbio.
As variáveis de poder do governo como impostos, emissão de 
moeda e gastos são chamadas de variáveis exógenas ou variáveis 
autônomas. Ou seja, elas não são determinadas pelos modelos eco-
nômicos, assim, são determinadas fora do modelo. As contas nacio-
nais mostram o retrato de como está a economia naquele momento. 
É com base nos indicadores nas contas nacionais que o governo vai 
decidir o estilo de política que vai adotar. Assim, a contabilidade de 
um país desenvolve conceitos como consumo, produto, renda, pou-
pança, investimento, despesa, entre outros.
Temos então variáveis de fluxo e estoque. Na variável de es-
toque temos: taxa de câmbio, nível de reservas internacionais e en-
dividamento público. Na variável fluxo temos, o produto anual e o 
endividamento público. 
A contabilidade social é essencial para entender os conceitos 
macroeconômicos. Irá reunir medidas capazes de mostrar os mo-
vimentos da economia. O sistema de contas nacionais é composto 
de cinco contas e foi criado para servir como uma apresentação das 
56
contas de um país e também para comparativo de contas entre paí-
ses (Seria um sistema internacional). 
As cinco contas são as listadas abaixo.
• Conta do governo: despesas e renda
• Conta de produção: conta das firmas
• Conta de apropriação: das famílias
• Conta do setor externo: país estrangeiro que é realizado o 
meu comércio
• Conta de capital: poupança geral 
Vale a pena lembrar que a microeconomia tem diferença da 
macroeconomia em razão de estudar os termos agregados. Keynes 
foi o pai da contabilidade social. Assim, conseguiu criar medidas 
para olhar os termos agregados. A obra de Keynes foi chamada de 
revolução Keynesiana. Com a teoria de Keynes conseguimos olhar 
o comportamento e a evolução da economia de um país. Ele tam-
bém criou um modelo para a relação das variáveis agregadas e para 
explicar a composição do crescimento econômico. A composição 
desse modelo para o Produto Interno Bruto (PIB) é composto pelas 
seguintes variáveis: demanda agregada, consumo das famílias, in-
vestimento das empresas, gastos do governo, exportações e impor-
tações (FROYEN, 2013). Como é apresentado na fórmula a seguir:
Y = C+I+G+(X-M)
A seguir será explicado o que cada letra composta na fórmula 
significa:
Y:demanda agregada;
C: consumo das famílias;
I: investimento das empresas - bens de capital, estruturas e 
estoques – não estão inclusos os ativos financeiros;
G: gastos do governo - gasto de bens ou serviços dos gover-
nos municipais, estaduais e federais;
(X-M): X representa a exportação e M representa a importa-
ção de um determinado país. A exportação menos (-) a importação 
57
é chamada de saldo da balança comercial (BC) que está presente no 
balanço de pagamentos de um país.
Denominamos de déficit da balança comercial, quando um 
país tem mais importação do que exportação, já quando um país 
exporta mais bens do que importa é denominado de superávit da 
balança comercial.
Assim, seria o Consumo (despesa das famílias com compras 
de bens) + Investimento (despesa das empresas com máquinas, 
equipamentos etc., excluindo somente as despesas de pessoal e im-
postos) + Gastos do governo (despesas do Estado com compras de 
bens e serviços) + (exportações, valores de vendas para outros paí-
ses – importações, compras de outros países).
O PIB pode ser medido de duas formas somando as rendas 
pagas pelas empresas dentro da produção ou pelo total dos gastos 
dos consumidores no mercado de bens e serviços.
Definição
O PIB é o produto interno bruto de um país. É composto pela soma 
dos bens e serviços produzidos em um determinado período de 
tempo, comumente um ano. 
Um conceito muito importante que você já deve ter visto nos 
noticiários é a renda per capita (PIB per capita). A definição deste 
conceito é a quantia em reais que cada habitante receberia caso o 
PIB fosse dividido entre toda a população.
Voltando ao Modelo Keynesiano, ele diz que a demanda por 
produtos tem uma finalidade primordial na determinação do nível 
de produção e de renda de uma economia. Isto porque, se a deman-
da agregada (DA) aumenta, as empresas respondem essa elevação 
por meio de mais produção e mais empregos, o que faz aumentar 
DEFINIÇÃO
58
a renda, possibilitando o aumento da produção até encontrar um 
novo ponto de equilíbrio.
A função consumo é explicada como sendo a quantidade de 
gastos de uma pessoa que dependerá de sua renda, ou seja, se au-
mentar sua renda, aumentará seu consumo, se a renda reduzir, 
consequentemente reduzirá o consumo.
Outro conceito importante é Propensão Marginal a Consumir 
(PMC). A PMC é a fração de renda adicional que uma pessoa gasta. É 
representada pela seguinte fórmula:
fórmula: PMC = (mudança no consumo) / (mudança na 
renda)
Já o consumo autônomo sempre acontecerá. Mesmo que a 
pessoa tenha renda 0. Este consumo é representado pelos bens que 
necessitamos, não vivemos sem eles, ou seja, os bens de subsistên-
cia. Assim, o consumo é representado pela seguinte fórmula:
Consumo = Consumo autônomo + Renda esperada
Ainda dentro do assunto consumo, temos a propensão mar-
ginal a poupar. A propensão marginal a poupar é a fração da renda 
adicional que uma pessoa economiza e investe, poupa.
Assim, a renda seria o consumo mais a poupança mais os im-
postos, representados na fórmula:
Renda = consumo + poupança + impostos (Y
= C + S + T)
Enquanto a poupança é representada na fórmula:
Função poupança: (S = – Co + (1 – c)Yd
Se acaso a renda disponível for zero, a poupança será de - Co. 
O consumo autônomo se refere aos gastos de subsistência, bens es-
senciais que precisamos. Um indivíduo que não tem renda não pode 
gastar com nada que não se encaixe nesse tipo de despesa.
A Renda em equilíbrio seria os impostos (T) + consumo
(C) + poupança esperada (Sexp)= consumo (C) + investimentos
59
(I) + gastos do governo (G). Representados na fórmula:
 Renda de equilíbrio: (T + C + Sexp = C + I + G)
Já a Poupança em equilíbrio seria a poupança esperada (Sexp) 
+ impostos (T) = investimentos (I) + gastos do governo (G)
fórmula: (Sexp + T = I + G)
Ainda Dentro do modelo keynesiano, o consumo autônomo, 
os gastos do governo e as exportações são considerados gastos au-
tônomos. Como representado na fórmula:
 Ye = ( 1 / 1 – C ) X ( Co – cT + I + G ) Em que:
• C = é variação consumo/renda;
• Co = consumo autônomo;
• cT= variação dos impostos;
• I = investimento;
• G = gastos do governo;
A Renda disponível é representada pela renda – impostos 
= renda – tributos sobre renda. Como apresentado na fórmula a 
seguir:
 (Yd = Y – T = Y – tY)
A condição de equilíbrio da renda agregada será quando a de-
manda agregada (DA) por bens e serviços for igual à oferta agregada 
por bens e serviços (OA).
fórmula: DA = OA
A oferta agregada seria a soma de todos os bens produzidos 
no país (Y) mais os bens disponíveis para importação (M). Como na 
fórmulaa seguir.
fórmula: OA = Y + M
Temos também a demanda agregada (DA), ou seja, quem 
compra os bens e serviços ofertados. Essa compra é realizada pelas 
famílias (que consomem os bens de consumo (C), pelas empresas 
(que consomem bens de capital – investimentos (I), pelo governo 
(que realiza gastos, comprando bens e serviços de consumo e bens 
60
de capital (G), e, por fim, pelo setor externo (que compra produtos 
produzidos no nosso país, ou seja, as exportações (X). A fórmula da 
demanda agregada é:
 DA = C + I + G + X
Sabemos que Keynes colocou que o consumo das famílias (C) 
depende da renda agregada disponível que elas têm para gastar. 
Assim, a renda agregada disponível (YD) seria toda renda recebida 
pela sociedade, ou seja, a renda agregada (Y) menos os tributos co-
brados pelo governo (T). 
fórmula: YD= Y-T
Assim, quanto maior a renda disponível, maior o consumo 
das famílias. Quanto menor a renda, menor o consumo das famílias. 
Como afirmamos anteriormente, nem toda renda agregada gerada 
na economia será utilizada para comprar bens e serviços, parte dela 
será poupada. A fórmula abaixo representa isso.
fórmula: C = cYD = c(Y – T)
C é a propensão marginal a consumir.
Esta fórmula representa quanto do consumo irá variar quan-
do a renda disponível tiver variações.
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste material, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você deve ter aprendido sobre a composição do produto interno 
bruto, demanda agregada, consumo das famílias, investimento 
das empresas, gastos do governo, propensão marginal a consumir 
e renda de equilíbrio. Agora sim, você está pronto para aprender 
sobre mais assuntos sobre a economia. 
Vamos Lá? 
SINTETIZANDO
61
O significado de renda
A renda é mensurada pelo fluxo de rendimento do mercado de fa-
tores de produção, ou seja, a renda nacional é definida como sendo 
a distribuição da renda entre os proprietários dos fatores de pro-
dução. A renda agregada é a soma da remuneração dos fatores de 
produção dos salários, juros, lucros e aluguéis.
O PIB se divide em quatro componentes de despesas: con-
sumo, investimento, compras do governo e exportações líquidas. O 
consumo inclui despesas das famílias em bens e serviços. O inves-
timento inclui despesas em novos equipamentos e estruturas, in-
cluindo a compra de novas residências por parte das famílias. 
As compras do governo incluem as despesas em bens e servi-
ços dos governos locais, estaduais e federal. A exportação líquida é 
igual ao valor dos bens e serviços produzidos internamente e vendi-
dos no exterior (exportações) menos o valor dos bens e serviços no 
exterior e vendidos internamente (importações) (MANKIW, 2015, p. 
516).
O crescimento econômico é o aumento das atividades eco-
nômicas de um determinado país durante um período de tempo. 
Geralmente é medido pelo Produto Interno Bruto. Assim, quando 
o país apresenta níveis de produção e emprego menores, produz 
menos, chamamos de recessão (contrário de crescimento econômi-
co). Assim, em momentos em que uma economia tem alto desem-
penho para a produção, beneficiam a todos e geram o crescimento 
econômico.
Para melhor compreensão vamos analisar no gráfico a seguir 
sobre o produto interno bruto de alguns países como a Argentina, 
Suíça, China, Japão, México, Estados Unidos, bem como o Brasil.
62
Gráfico 1 - Produto Interno Bruto 1996-2017 (% anual)
Fonte: Adaptado pelo autor
No gráfico 1 conseguimos ver que o Brasil na linha amarela 
fica com a linha de tendência (% anual) em 1% e 5%. Enquanto o PIB 
da China fica oscilando em 10%. O México que é considerado tam-
bém um país em desenvolvimento fica entre 1% e 5%. A Argentina 
possui muitas oscilações, destaca-se o período de 2003-2008 por 
ter o PIB com taxas em torno de 9%. Os países desenvolvidos Suíça, 
Japão e Estados Unidos estão entre 1% e 5% do PIB (% anual).
Para melhor entender a mensuração do PIB e outros agre-
gados precisaremos aprender alguns conceitos da macroeconomia. 
Existem quatro variáveis principais agregadas da macroeconomia:
1. Nível de preços.
2. O nível de emprego.
3. A taxa de câmbio.
4. A taxa de juros.
Essas quatro variáveis se relacionam entre si. Elas também 
são relacionadas com o crescimento econômico, inflação, comércio 
exterior e distribuição de renda.
O preço é definido como sendo a soma de todos os preços 
de todas as empresas que operam no mercado. Um dos efeitos que 
63
altera o preço é a chamada inflação. A Inflação seria um aumento do 
nível geral de preços. Para alguns economistas, o aumento da quan-
tidade de moeda na economia também gera a inflação. Já a Deflação 
é a redução do nível geral de preços em uma economia.
Na macroeconomia temos também o Emprego. O emprego é 
conceitualizado como a mão-de-obra como fator de produção den-
tro de um sistema econômico. O nível de emprego depende das ex-
pectativas dos empresários em torno do que vão produzir. Quando 
os empresários estão com as expectativas altas diante do cenário 
econômico, provavelmente aumenta o nível de produção e o nível 
de emprego. Quando as expectativas dos empresários estão baixas, 
o nível de produção, investimento e emprego são baixos.
A taxa de juros também influencia a decisão dos empresários. 
Se a taxa de juros estiver baixa, o investimento provavelmente au-
mentará, gerando maior produção e consequentemente maior nível 
de emprego.
Agora iremos aprender algumas variáveis importantes do co-
mércio exterior. A taxa de câmbio é considerada o preço da moeda 
nacional em relação à moeda estrangeira. Quando temos uma des-
valorização da taxa de câmbio isso significa que a moeda estran-
geira encareceu, ou seja, para comprarmos a moeda estrangeira 
ficou mais caro, preciso de mais “reais” para comprar o dólar. Já a 
valorização do câmbio significa que a moeda estrangeira está mais 
barata. Preciso de menos “reais” para comprar o dólar. 
Segundo a teoria do comércio internacional, quando há mui-
tos dólares circulando no país, o preço do dólar cai. Se o Banco Cen-
tral deseja elevar o preço do dólar, tornando o real mais barato, ele 
compra dólares no mercado e os soma a sua reserva. O oposto acon-
tece quando há poucos dólares circulando no mercado, desta forma 
o Banco Central vende dólares de sua reserva por valores mais bai-
xos do que do mercado.
Um conceito muito relevante na macroeconomia para verifi-
carmos a situação de um país é a balança de pagamentos (BP). A BP 
determina a atratividade de um país para o comércio exterior (ge-
ralmente mostra para o comércio internacional a credibilidade do 
país), e controla o fluxo de entrada e saída de capitais.
64
Podemos dizer que Balança de Pagamentos é registro de to-
das as transações econômicas que envolvem o país com os outros 
países. Temos os registros das exportações, importações e paga-
mento de juros das dívidas externas.
Você pode ter acesso a várias análises de conjuntura da economia 
sobre atividade econômica, mercado de trabalho, inflação, moeda, 
crédito, economia mundial, entre outras variáveis no Instituto de 
Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
A taxa de juros ocorre quando o mercado adiciona um valor no 
preço dos bens/serviços nas compras de crédito. Seria uma manei-
ra que o mercado compensa suas perdas diante da inflação. Diante 
disso, há o aumento da taxa de juros, os empresários ficam desesti-
mulados a investir, desestimulando os investimentos na produção 
acaba estimulando a poupança. Se os empresários investem menos, 
a produção cresce menos, o que implica em menos emprego. Assim, 
a taxa de juros afeta o emprego.
Ainda, dentro do nível de empregos em uma economia, o sa-
lário é conceituado como sendo a fonte de renda para quem trabalha 
e para o lado do empresário seria um custo. Reajuste nos salários 
estimula o consumo em uma economia e eleva os custos do empre-
sário, mas o empresário repassa esses custos paraos produtos.
Se acaso, esse reajuste ocorrer com frequência poderá dar 
início a um momento de inflação. Assim, se você ganha um salário 
maior e o reajuste dos empresários (custo) é repassado para o preço 
das mercadorias, tudo ficará mais caro, dando a impressão de que o 
dinheiro passa a valer menos. Na economia chamamos isso de po-
der de compra. O consumidor terá menos poder de compra.
Diante desses conceitos podemos dizer que os quatro pro-
blemas econômicos nacionais principais são: I) inflação; II) 
VOCÊ SABIA?
65
crescimento econômico baixo; III) dívida externa alta; e, IV) má 
distribuição de renda.
Os componentes do cálculo do PIB são:
1. consumo;
2. investimento;
3. gastos do governo;
4. exportações – importações = balança comercial.
Vimos também que o PIB é igual à soma do consumo das 
pessoas, investimento das empresas e gastos do governo com o 
total das exportações, diminuído do valor das importações. Quan-
do temos um superávit na balança comercial, isso significa que as 
exportações do país foram maiores que as importações. Se tiver-
mos um déficit isso significa que tivemos mais importações do que 
exportações.
Diante disso, a renda de um país pode ter três destinos:
• consumo (C);
• a poupança (S);
• ou pagamento de impostos (T).
Fórmula: PIB = C + S + T
A mesma fórmula do PIB é representada para a Demanda 
agregada. A demanda agregada seria o desejo dos indivíduos de ad-
quirir os bens produzidos em um país dentro de um determinado 
período.
Fórmula: DA = C + I + G
Quando o PIB é igual à demanda agregada (PIB = DA = C + I + 
G) dizemos que o PIB está em equilíbrio.
Agora se a demanda agregada (DA) for menor que a quanti-
dade produzida, terá um acúmulo de estoque. Se a demanda agre-
gada for maior que a quantidade produzida, haverá falta de estoque. 
Desta maneira, o ponto de equilíbrio será quando DA=PIB.
66
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste material, vamos resumir tudo o que vimos.
 Você deve ter aprendido sobre o crescimento econômico, recessão 
econômica, nível de preços, nível de emprego, taxa de câmbio, taxa 
de juros, inflação, dívida, má distribuição de renda, e componentes 
de cálculo do PIB. 
Pronto! Agora podemos saber mais sobre a escassez de recursos. 
Significado da escassez dos recursos
De acordo com Garcia (2015), a escassez dos recursos é o proble-
ma econômico fundamental para todos os países, caso os recursos 
fossem ilimitados esse problema não precisaria ser analisado. Mas, 
as necessidades humanas são ilimitadas, por isso a importância de 
estudar os recursos escassos na economia.
A escassez está relacionada ao confronto entre as necessida-
des ilimitadas e os recursos limitados. Não significa a ausência de 
recursos, ou que os recursos sejam poucos, e sim que eles são insu-
ficientes para satisfazer todas as necessidades. As sociedades po-
bres e ricas enfrentam escassez, uma vez que as necessidades ficam 
cada vez mais sofisticadas e demandam mais recursos. Mesmo que 
novas tecnologias possibilitem maior produção e novos produtos, 
novas necessidades sempre surgirão (ALBERGONI, 2008, p. 12).
Em Albergoni (2008, p. 11) “Toda sociedade possui necessi-
dades a serem satisfeitas e os recursos para provê–las. No entanto, 
enquanto as necessidades são ilimitadas e renováveis, os recursos 
são limitados”. Deste problema central surgem os três problemas 
econômicos que constituem o mercado: 1) o quê e quanto produzir? 
2) Como produzir? 3) Para quem produzir?
SINTETIZANDO
67
1. O termo o quê e quanto produzir: é explicado que diante da 
escassez de recursos de produção, a sociedade precisa decidir 
as possibilidades de produção, os produtos que serão produ-
zidos e as quantidades ofertadas;
2. Como produzir: a sociedade precisa decidir quais recursos de 
produção serão planejados e empregados na atividade econô-
mica para produzir os bens e serviços, analisando sempre o 
nível de tecnologia. “Os produtores escolherão, entre os mé-
todos mais eficientes, aquele que tiver o menor custo de pro-
dução possível” (GARCIA, 2015, p. 18);
3. Para quem produzir: a distribuição da produção e da renda 
necessita de uma diversidade de análises como: determinação 
dos salários, taxa de juros etc. Além do controle de oferta e 
demanda para estabilizar nível de preços.
É muito fácil entender que: o quê, quanto, como e para quem 
produzir não seriam problemas se os recursos utilizáveis fossem 
ilimitados. Todavia, na realidade existem ilimitadas necessidades 
e limitados recursos disponíveis e técnicas de fabricação. Baseada 
nessas restrições, a Economia deve optar dentre os bens a serem 
produzidos e os processos técnicos capazes de transformar os re-
cursos escassos em produção (GARCIA, 2015, p, 18).
Como as necessidades humanas são ilimitadas e os recursos 
são escassos isso reflete que a economia é uma área relacionada com 
as decisões e escolhas, diante de um possível esgotamento de recur-
sos naturais.
68
Figura 1 - Esgotamento dos recursos naturais
Fonte: Freepik
Destes três problemas econômicos básicos percebe-se que a 
economia tenta alocar eficientemente esses recursos limitados com 
um leque de escolhas e decisões.
Você Sabia?
Um índice foi medido desde 1970 e mostra que a terra está em so-
brecarga em 2019. Ou seja, o planeta terra atingiu um esgotamento 
de recursos naturais. A estimativa foi realizada pela Global Footprint 
Network. 
A sustentabilidade poderia ser colocada como um quarto 
problema para ser repensado. Precisa-se analisar métodos e instru-
mentos para que se tenha um crescimento econômico sustentável, 
ou seja, é necessário um crescimento econômico ligado com o de-
senvolvimento econômico.
VOCÊ SABIA?
69
Além dos problemas trabalhados na microeconomia, existem 
quatro problemas macroeconômicos que todo país enfrenta ou já 
enfrentou, que são:
1. Inflação, ou seja, aumento do nível geral de preços.
2. Crescimento econômico baixo, quando o país tem queda na 
produtividade, na demanda, nos investimentos etc.
3. Dívida externa alta, este caso pode ser por juros que estão al-
tos, pelo país ter gastado muito, entre outros aspectos.
4. Má distribuição de renda, quando existe muita concentração 
de renda, pouca inclusão social, direitos humanos etc.
Explicando cada um desses problemas macroeconômicos 
para melhor entendimento. A Inflação é um aumento do nível geral 
de preços, é o aumento da moeda circulante no país. Quando o país 
apresenta níveis de produção e emprego menores, produz menos, 
chamamos recessão, ou seja, crescimento econômico baixo. Se o 
país tem uma dívida externa alta provavelmente ficará com a cre-
dibilidade afetada tendo dificuldades de realizar novas negociações 
comerciais e internacionais. A má distribuição de renda gera uma 
desigualdade social muito grande o que é um problema complexo de 
resolver (FROYEN, 2013).
Quais problemas macroeconômicos estão enraizados no Bra-
sil? Como poderiam ser resolvidos?
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) com-
pletou 70 anos em 2018 e realizou o projeto chamado “O Brasil que 
queremos” por meio de uma diversidade de seminários em várias 
capitais do Brasil. Lançaram o caderno com o nome:” Políticas Pú-
blicas para o Brasil que queremos”. Este caderno tem vários temas 
relevantes no âmbito econômico como: Democracia, inovação, di-
reitos humanos, educação, saúde.
REFLITA
70
Ainda dentro dos problemas econômicos existe a econo-
mia positiva e a economia normativa. A economia positiva prega 
o que a economia realmente é. Geralmente nessa linha de pensa-
mento existem dois tipos de problemas: os que não conseguem ser 
solucionados e os problemas que o tempo resolve. Essa linha de 
pensamento tem a preocupação com as afirmações aptas de serem 
analisadas pelos acontecimentos (MANKIW, 2015).
Um argumento positivo é aquele que apenas relata a reali-
dade como ela é,ou seja, o descritivo. Um argumento normativo é 
aquele que diz como as coisas deveriam ser, ou seja, é prescritivo. 
O argumento positivo é científico, pois baseia-se na observação da 
realidade e é desprovido do juízo de valor. O argumento normativo, 
por sua vez, tem caráter da economia política, isto é, propositivo. 
Ele inclui não apenas o entendimento da questão, mas o juízo de 
valor do propositor sobre o que deve ser feito (ALBERGONI, 2008, 
p. 18).
Já a economia normativa coloca como a economia deveria 
ser. Esse método busca resolver os problemas existentes de maneira 
simplista e prática. Qual resultado é benéfico e qual não? Essa linha 
leva em consideração os juízos de valor (MANKIW, 2015).
Um país importar mais é bom ou é ruim? Aumentar um de-
terminado imposto em um país X é bom ou não? Implantar a Ciên-
cia, Tecnologia e inovação em um país alcança um resultado bom 
ou não?
Vale ressaltar que para que os resultados de uma economia 
sejam alcançados é necessário que as políticas estejam bem dese-
nhadas. Ou seja, que os objetivos estejam claros e bem definidos.
Podemos dizer então que uma política econômica precisa es-
tar estruturada de teorias econômicas consistentes e acompanha-
mento dos resultados. Para que as políticas possam ser aprimoradas 
a ponto de realizar os objetivos propostos. Outro ponto importante 
é que cada país possui sua particularidade, especificidade e peculia-
ridade, assim não é porque uma política funcionou no país X que irá 
funcionar no país Y. É necessário observar todas as particularidades 
para montar um arcabouço adaptado para cada país.
71
Para entender melhor a diferença entre os argumentos positivos e 
normativos seguem duas situações. 
Situação A – argumento positivo: “a inflação diminui o poder de 
compra do salário mínimo. Argumento normativo: o governo deve 
aumentar o salário mínimo para melhorar o poder de compra dos 
trabalhadores”. 
Situação B – argumento positivo: “a taxa de desemprego aumentou 
4% no último ano. Argumento normativo: o Banco Central deve re-
duzir a taxa de juros para estimular a geração de empregos” 
(ALBERGONI, 2008, p. 19).
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu tudo mesmo? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu 
o tema de estudo deste material, vamos resumir tudo o que vi-
mos. Você viu que o principal problema econômico é a escassez de 
recursos. 
As necessidades humanas são ilimitadas, logo os recursos são li-
mitados para atender todas as necessidades existentes, além disso, 
você viu sobre os seguintes aspectos: 1) O que e quanto produzir? 2) 
Como produzir? 3) Para quem produzir? Conheceu também sobre a 
economia normativa e positiva e o importante papel do economista 
de estudar maneiras para proporcionar bem estar para uma deter-
minada sociedade. 
Espero que tenham gostado deste material. Vamos para a próxima 
produção? Prontos? Então vamos nessa. 
EXEMPLO
SINTETIZANDO
72
Compreendendo as políticas 
macroeconômicas fiscais e monetárias
O papel do governo no planejamento econômico
Diz respeito ao papel do governo na economia, que age pelos an-
seios da soberania do Estado. Há uma estrutura governamental 
para a tomada de decisão sobre o equilíbrio macroeconômico que 
se relaciona à eficiência produtiva e à eficácia alocativa. Então, por 
pressuposto, o governo deve alocar da melhor forma seus recursos 
para que sejamos mais produtivos, no âmbito do sistema econômi-
co. Para isto, ele interage com a sociedade por meio das funções alo-
cativa, distributiva e estabilizadora.
Assim como as empresas, o governo também é uma estrutura 
produtiva da sociedade, ou seja, uma oferta de bens e serviços pú-
blicos. Da mesma forma que uma empresa privada, precisa atentar 
para a sua competitividade, estudando as variáveis internas, estru-
turais e sistêmicas, o governo também o faz. Para realizar políticas 
públicas ou macroeconômicas é preciso levantar indicadores e rea-
lizar diagnósticos. 
Para estes estudos existem conteúdos, dados, indicadores e 
informações, nos órgãos governamentais e institutos de pesquisa 
como o IPEA e o IBGE, além do levantamento e apresentação de in-
dicadores por cada órgão de competência como o BACEN, o MDIC, 
Ministério da Saúde, Educação, entre outros ministérios. Um gover-
no competitivo é aquele que opera com eficiência produtiva e eficá-
cia alocativa e, assim como qualquer outra organização, ocupa-se 
do bem estar, tem resultados positivos, reduz dívida pública e cria 
condições de pagamento futuro.
Por ser um agente, o governo também age como demanda e 
quando não tem condições de pagar os fornecedores gera déficits, 
aumentando a dívida pública. Se o governo não encontra formas fis-
cais, recolhimento de impostos ou outras formas de financiamentos 
para aumentar sua receita, ele emite títulos públicos. A emissão de 
um título público para o governo pode ser comparada com a tomada 
73
de crédito por uma pessoa física ou jurídica, que faz um financia-
mento no banco comercial para adquirir uma casa, carro, bem ou 
serviço, ou suprir outros tipos de necessidades. Isto quer dizer que 
haverá uma conta para pagar, e ela é paga com o dinheiro da arre-
cadação de impostos. 
Como o governo é uma organização que representa aproxi-
madamente 5,4% do PIB do país, quando ele faz dívidas, todos nós 
precisamos trabalhar, e muito, para pagar a conta, desencadeando 
cargas tributárias elevadas, que impedem a liberdade econômica 
e o direcionamento dos esforços produtivos para novos postos de 
trabalho.
Políticas Fiscais
As políticas fiscais têm origem nas contas do governo (G = A – T). 
Para fazer política fiscal o governo atua pelos instrumentos fiscais 
que são: as arrecadações (A) ou nas transferências (T) que realiza 
para o sistema econômico.
O infográfico abaixo sintetiza as políticas fiscais, que podem 
ser expansionistas e contracionistas e serão detalhadas nas linhas 
a seguir.
Infográfico
Fonte: Adaptado pelas autoras
Os preços caem e a inflação reduz porque a demanda diminui 
e a redução dos gastos corresponde a um menor volume de trans-
ferências de recursos.
74
Quando o governo reduz as transferências, corta gastos e o 
orçamento público, com infraestrutura, meio ambiente, pesquisa, 
educação, entre outros. Vale lembrar que há limites nos cortes dos 
gastos que são previstos por lei, como os cortes em saúde e educação.
Se o governo reduzir os gastos, contratará menos serviços, 
consumirá menos bens para o funcionamento da estrutura pública 
e as empresas privadas que atendem à demanda de bens e servi-
ços do governo, deixarão de receber, investirão menos, contratarão 
menos, remunerarão menos e o consumo cairá.
No que refere-se ao governo elevar os impostos das empre-
sas, Lagioia (2011) diz que as duas grandes repercussões previstas 
são a redução dos resultados, o que torna o capital investido menos 
atraente, e a menor capacidade de investimentos, pois por acumular 
menores fluxos de caixa as empresas tornam-se mais dependentes 
de empréstimo para financiar suas atividades. Kerr (2011) diz que ao 
aumentar a carga tributária das empresas o governo causa a redução 
da atratividade do investimento de capital e reduz a capacidade de 
investir das empresas. Portanto, a alteração na cobrança de impos-
tos causa modificações na economia no que se refere a consumo e 
investimento.
Se o governo gastar menos, e arrecadar mais, haverá uma re-
dução da dívida pública. Sabendo que G = A – T, se A > T, o governo 
registra superávit e reduz a dívida pública, tornando o governo 
mais eficiente para gerir os recursos públicos e garantir a presta-
ção do serviço público pelo qual a sociedade pagou.
Políticas Fiscais expansionistas
Se o governo reduzir a arrecadação (A) ou aumentar as transferên-
cias (T), estará realizando políticas fiscais expansionistas. Quando 
o governo reduz a arrecadação, as pessoas têm mais dinheiro para 
consumir ou para investir porque terão que pagar menos impostos.Se as pessoas aumentarem o consumo ou o investimento, en-
tendem que devem produzir mais, contratarão mais funcionários, 
eles terão maior renda, maior será a demanda, eles farão maior 
consumo e assim por diante. É um ciclo.
75
O aumento do gasto público e a dívida pública são umas das princi-
pais causas da inflação.
Vale lembrar que o governo precisa ter projetos de longo pra-
zo para realizar investimentos de acordo com o interesse público. 
Quando o governo aumenta as transferências, faz obras de infraes-
trutura, meio ambiente, pesquisa, educação, entre outros. 
Se o governo aumentar os gastos, contratará mais serviços, 
consumirá mais bens para o funcionamento da estrutura pública e 
as empresas privadas que atendem à demanda de bens e serviços do 
governo, receberão mais, investirão mais, contratarão mais, remu-
nerarão mais e o consumo aumentará.
Contudo, a sociedade precisa decidir qual deve ser o tamanho 
da atuação do governo, refletindo sobre a sua eficiência para gerir 
os recursos que recebe via arrecadação pública. Caso o governo re-
duza sua participação no sistema econômico, as empresas privadas 
tenderão a assumir novas responsabilidades na sociedade.
Se o governo gastar mais, e arrecadar menos, haverá um au-
mento na dívida pública. Sabendo que G = A – T, se A < T, o governo 
registra déficit e aumenta a dívida pública, colocando a socieda-
de em risco. Risco de não receber o serviço público pelo qual pagou.
A dívida pública aumenta quando há o resultado de déficit da conta 
do governo e a dívida pública diminui quando há o resultado de su-
perávit na conta do governo. O governo pode se financiar realizando 
a venda de títulos públicos e operando junto com o Banco Central, 
que renegocia as operações primárias do Tesouro Nacional. 
EXEMPLO
DICA
76
Política cambial 
De acordo com Kerr (2011) a política cambial diz respeito à gestão 
das taxas de câmbio e ao controle das operações cambiais, a políti-
ca cambial influencia diretamente nas transações internacionais de 
um país, tais como: remessas de capitais, empréstimos estrangeiros 
e saldo da balança comercial. No que se refere à taxa de cambio As-
saf Neto (2014) diz que ela representa o valor com que a autoridade 
monetária de um país aceita negociar sua moeda, ou seja, vender a 
moeda de sua emissão ou adquirir.
O autor também afirma que um câmbio encontra-se valori-
zado quando se necessita de menor volume de moeda nacional para 
comprar um mesmo volume de moeda estrangeira, nesta situação o 
ambiente econômico encontra-se favorável aos importadores, pois 
se pode adquirir produtos por um valor mais baixo. Por outro lado, 
quando é necessária mais moeda nacional para se comprar o mesmo 
volume de moeda estrangeira o câmbio está desvalorizado e torna-
-se atraente para os exportadores, pois podem receber um valor 
maior de moeda por seus produtos vendidos para o exterior.
Cavalcante, Misumi e Rudege (2009) dizem que a adminis-
tração da política cambial é uma das atividades fundamentais dos 
governos de países bem sucedidos, pois intervenções desastrosas no 
mercado de câmbio podem arruinar o crédito de um país.
Provavelmente você muitas vezes já ouviu nos telejornais que 
o dólar fechou em alta ou em baixa. Como vimos a política cambial 
tem grande impacto na economia. Que tal aprender um pouco mais?
Política macroeconômica 
De acordo com Vasconcellos (2010) a política macroeconômica 
estuda a economia como um todo e, que essa abordagem da ma-
croeconomia possibilita uma compreensão maior das interações da 
economia com os mercados de bens e serviços, o “mercado” mone-
tário, financeiro, cambial, e o mercado de trabalho, e dessa forma 
representa um importante instrumento para a política e a progra-
mação econômica.
77
Conforme Pinheiro (2012) o desempenho da economia reflete 
na Bolsa de valores, pois se a economia vai bem, as empresas têm a 
possibilidade de obter bom desempenho e consequentemente suas 
ações subirão, provocando uma alta da bolsa. Com isso possibilitan-
do que sejam realizadas previsões que resultarão em grandes opor-
tunidades de ganhos nos investimentos em ações. Pinheiro (2012) 
diz que as variáveis macroeconômicas que mais impactam na bolsa 
de valores são: nível de preços “inflação”, PIB, população, inves-
timento direto estrangeiro, exportações globais, importações glo-
bais, desemprego, taxa de juros Selic, reservas internacionais, taxa 
de câmbio. E, com a globalização as economias estão cada vez mais 
relacionadas e as bolsas de valores seguem o mesmo caminho.
Políticas Monetárias
Segundo Vasconcellos (2010) a política monetária refere- se à atua-
ção do governo sobre a quantidade de títulos públicos disponíveis na 
economia. De acordo com Kerr (2011) a política monetária é a parte 
da política econômica global do governo que controla a oferta de 
moeda e as taxas de juros, com o objetivo de manter a estabilidade 
da moeda, manter o equilíbrio do balanço de pagamentos e buscar 
pleno emprego. O principal órgão do governo executor da política 
monetária é o Banco Central. 
 • A taxa de redesconto.
 • O depósito compulsório.
 • As operações de open market.
Elas podem ser expansionistas, quando o governo aumen-
ta o volume de moeda em circulação, ou contracionistas, quando o 
governo reduz o volume de moeda em circulação.
 • O aumento do volume de moeda em circulação tende a au-
mentar a inflação.
 • A redução do volume de moeda em circulação tende a reduzir 
a inflação.
78
Taxa de Redesconto
A taxa de redesconto é uma taxa “punitiva” do Banco Central (BA-
CEN) para os Bancos Comerciais. Os bancos comerciais “ganham 
dinheiro” realizando empréstimos para pessoas físicas, para pes-
soas jurídicas e para o governo.
Quando os bancos comerciais emprestam dinheiro e não re-
cebem eles fecham com resultado negativo, “no vermelho”. Por 
ficarem devendo, precisam se financiar, pegando crédito com o 
Banco Central para “cobrir” suas contas. O BACEN empresta o di-
nheiro, cobrando uma taxa de juros chamada de taxa de redesconto.
Se o BACEN aumentar a taxa de redesconto, os bancos co-
merciais emprestarão menos dinheiro para as pessoas físicas e jurí-
dicas, com receio do pagamento dos juros altos. Em função disso, os 
bancos comerciais aumentam as taxas de juros de financiamentos e 
crédito para pessoas e empresas, como as taxas de financiamentos 
de veículos, casas, consignado, capital de giro, entre outras.
Para entender melhor, você também pode pensar na sua 
conta corrente no banco comercial. Quando você gasta mais do que 
recebe, entra no vermelho, utilizando o limite do cheque especial. 
Quando isso acontece, automaticamente, o banco lhe empresta di-
nheiro e você paga juros no próximo mês. Se você não cuidar, no 
próximo mês terá menos dinheiro, porque terá que pagar os juros 
e talvez precise entrar no vermelho novamente, tornando-se cada 
vez mais difícil sair dessa situação.
As operações do sistema financeiro, quando mal direciona-
das comprometem o trabalho futuro. Quando antecipamos consu-
mos com financiamentos ao invés de poupar para pagar os bens e 
os serviços à vista, comprometemos e sobrecarregamos nosso tra-
balho futuro.
De acordo com Assaf Neto (2014) o Banco Central costu-
ma realizar diversos empréstimos para as instituições financei-
ras, conhecidos por empréstimos de assistência a liquidez, visando 
equilibrar suas necessidades de caixa diante de um aumento mais 
acentuado de demanda por recursos de seus depositantes, a taxa de 
79
juros cobrada pelo Banco Central nessas operações é denominada de 
taxa de redesconto.
Assaf Neto (2014) afirma que a taxa de redesconto age, ao 
mesmo tempo, sobre o nível de liquidez monetária da economia e, 
também, sobre as taxas de juros praticados pelos bancos. Se a taxa 
cobrada no redesconto for menor àquela adotada pelo mercado, as 
instituições financeiras são incentivadas a elevar a oferta de crédito, 
porém, se ao se elevar a taxa de redesconto, reduz-se emconse-
quência, a oferta de crédito no mercado, incentivando um aumento 
das taxas de juros.
O instrumento de redesconto é muito utilizado como for-
ma de incentivar a atividade econômica, elevando a oferta de em-
préstimos em longo prazo para determinados setores estratégicos 
ao desenvolvimento econômico. No Brasil essa política vem sendo 
adotada como auxilio financeiro aos bancos que passam eventual-
mente por dificuldades financeiras, colaborando para o saneamen-
to do seu caixa.
O Quadro 1 mostra um resumo das decisões tomadas para 
promover a contração ou expansão da liquidez da economia, pode-
-se observar que na primeira coluna os instrumentos de controle 
monetário são utilizados para contrair ou expandir a liquidez da 
economia, observe quais são as ações e/ou impactos quando apre-
senta maior liquidez e quando se tem menor liquidez.
Quadro 1 - Decisões para contrair ou expandir a liquidez da economia
POLÍTICA MONETÁRIA
EXPANSIONISTA
Maior Liquidez
RESTRITIVA
Menor Liquidez
Depósitos 
Compulsórios
Diminui o percentual 
de recolhimento
Aumenta o percentual 
de recolhimento
Mercado Aberto Open 
Market
Governo injeta dinhei-
ro na economia adqui-
rindo títulos públicos
Governo retira dinhei-
ro da economia ven-
dendo títulos públicos
80
Política de Redesconto 
Bancário
Autoridade monetária 
reduz a taxa de juro e 
aumenta o prazo da 
operação
Autoridade monetária 
aumenta a taxa de ju-
ros e reduz o prazo da 
operação
Fonte: Assaf Neto (2014, p. 26)
Depósito Compulsório
O depósito compulsório é o depósito obrigatório dos bancos comer-
ciais no Banco Central. Como os bancos comerciais ganham dinheiro 
emprestando o seu dinheiro para as outras pessoas, o BACEN preci-
sa estabelecer limites para essas operações.
O Acordo da Basiléia também estabelece alguns limites para a saúde 
das operações e dos balanços patrimoniais dos bancos comerciais. 
“O Comitê de Basileia para Supervisão Bancária é o fórum interna-
cional para discussão e formulação de recomendações para a regu-
lação prudencial e cooperação para supervisão bancária”.
O BACEN estabelece esses limites dos depósitos compulsórios 
aos bancos comerciais porque, se eles emprestarem todo o dinheiro 
disponível nas contas correntes e não receberem, os bancos podem 
quebrar. O BACEN também opera o depósito compulsório porque se 
os bancos comerciais emprestarem excessivamente o dinheiro dos 
clientes, poderia ocorrer à falta de dinheiro para a realização de sa-
ques das contas correntes.
O depósito compulsório diz que parte do nosso dinheiro, ou 
do nosso salário, que está em nossas contas correntes nos bancos 
comerciais (depósito à vista nos bancos comerciais), não pode ser 
emprestado para as outras pessoas. Isto ocorre para garantir a saúde 
do sistema financeiro.
VOCÊ SABIA?
81
Se o depósito compulsório for de 40%, os bancos comerciais 
podem emprestar 60% do valor que temos em nossas contas cor-
rentes para as outras pessoas. Assim, 40% do nosso dinheiro ficará 
obrigatoriamente, ou compulsoriamente, retido no Banco Central. 
Se o governo aumentar a taxa do depósito compulsório, os bancos 
comerciais irão emprestar menos dinheiro para nós consumir-
mos. Isso reduzirá a produção, o emprego, a renda da economia e 
a inflação.
De acordo com Hoji (2012) o Banco Central utiliza o depósito 
compulsório para inibir o crescimento indesejado do multiplicador 
bancário e regular o nível de expansão monetária.
Assaf Neto (2014) diz que os recolhimentos compulsórios re-
presentam o percentual incidente sobre os depósitos captados pelos 
bancos (comerciais, múltiplos e caixas econômicas) que devem ser 
colocados à disposição do Banco Central. É um instrumento de con-
trole monetário bastante eficiente, já que atua diretamente sobre os 
meios de pagamentos através do multiplicador bancário.
De acordo com Assaf Neto (2014) sempre que as autoridades 
monetárias alterarem as taxas de recolhimento compulsório, é mo-
dificado o multiplicador bancário e, consequentemente, os meios de 
pagamento da economia, determinando a expansão ou a retração 
da atividade econômica.
Operações de Open Market (taxa básica de juros)
As operações de open market, também são chamadas de operações 
de compra e venda de títulos públicos em mercado aberto. O gover-
no, por intermédio do Tesouro Nacional, vende títulos para as pes-
soas, para as empresas privadas e para os bancos comerciais, em 
troca de dinheiro para pagar os gastos públicos. 
Quando o governo vende títulos ele está se endividando. As 
pessoas, empresas e bancos que emprestam dinheiro para o gover-
no esperam receber juros pelo empréstimo deste dinheiro. Esta taxa 
de juros é a taxa básica de juros, também chamada de Selic.
82
A taxa Selic de juros das negociações dos títulos públicos é uma taxa 
de referência para a economia. 
Um banco comercial pode decidir se ele quer ganhar dinheiro 
emprestando para você ou para o governo. Se o governo aumentar 
a taxa de juros dos títulos públicos, o banco comercial vai preferir 
emprestar dinheiro para o governo ao invés de emprestar dinheiro 
para você. Isto quer dizer que se você quiser fazer financiamentos 
de carros e casas, por exemplo, a taxa de juros ficará mais alta para 
você.
Então, quando o governo aumenta a taxa de juros, os juros 
aumentam de modo geral na economia, as pessoas fazem menos in-
vestimentos, menos financiamentos, consomem menos, produzem 
menos, menor é o emprego e menor é a inflação.
Em síntese, as políticas monetárias contracionistas reduzem 
o volume de moeda em circulação, o investimento, o emprego, o 
consumo e a inflação. São elas:
 • O aumento da Taxa de Redesconto.
 • O aumento do Depósito Compulsório.
 • O aumento da Taxa Básica de Juros dos títulos públicos.
Em síntese, as políticas monetárias expansionistas aumen-
tam o volume de moeda em circulação, o investimento, o emprego, 
o consumo e a inflação. São elas:
 • A redução da Taxa de Redesconto.
 • A redução do Depósito Compulsório.
 • A redução da Taxa Básica de Juros dos títulos públicos.
DEFINIÇÃO
83
Um exemplo de sucesso de planejamento público e macroeconômi-
co no Brasil é o Plano Real! Ele foi implementado a partir de 1993 e, 
em 1994, o Real entrou em circulação. O Plano Real foi um conjunto 
de políticas administrativas, regulatórias e macroeconômicas con-
tracionistas. O objetivo era conter a inflação e, para isso, o governo 
aumentou a taxa de juros, reduziu as transferências e aumentou os 
impostos. O plano atingiu seus objetivos e até hoje há equilíbrio mo-
netário no país.
Compreendendo as variações da taxa de 
câmbio e os regimes cambiais 
Oferta e Demanda por Moeda Estrangeira
Para realizar operações de compra e venda de bens ou serviços, 
entre outras operações de crédito e financiamento, os agentes da 
economia demandam e ofertam moeda estrangeira. Como resulta-
do dessas operações é formada a taxa de câmbio, que é o valor de 
troca (preço) da moeda estrangeira. Essas interações com o setor 
externo são registradas, aumentando ou diminuindo as reservas 
internacionais.
A taxa de câmbio se forma pelas relações entre oferta e de-
manda de moeda estrangeira. Os registros de trocas de todas as re-
lações com o setor externo estão no Balanço de Pagamentos e cada 
uma delas corresponde à entrada ou à saída de moeda estrangeira 
do país. Quando há muita oferta de moeda estrangeira há, conse-
quentemente, o aumento do estoque de divisas. Quando há muita 
demanda por moeda estrangeira há a redução do estoque de divisas.
O estoque de divisas de um país é composto por moedas de 
diversos países, reservas em ouro, ativos, títulos públicos, posição 
EXEMPLO
84
de reservas no FMI (Fundo Monetário Internacional), SDRs (Special 
Drawing Rights), que são direitos de saques especiais no FMI, entre 
outros. A credibilidade das relações internacionais de um país tam-
bém está relacionada ao seu volume de divisas, que indica credibi-
lidade e capacidade de pagamento das suas contas externas com osdemais países do mundo. Caso não haja dinheiro em estoque, um 
país faz empréstimos com outros países, e essas operações podem 
ser de pessoas físicas jurídicas, bancos, governos, entre outros 
agentes. 
O Fundo Monetário Internacional (FMI) faz esses registros da 
capacidade de pagamento dos países, por meio de metodologias de 
lançamentos de contas do Balanço de Pagamentos. O FMI acom-
panha a composição dos estoques de divisas dos países e, quando 
necessário, atua nas relações internacionais de empréstimos entre 
os países; ou como credor de empréstimos, a partir de quotas dis-
poníveis para cada país. Caso um país entre em condições de endi-
vidamento com riscos de capacidade de pagamento, a credibilidade 
deste país cai em relação aos outros países, que podem não querer 
mais negociar, vender bens e serviços, investir, adquirir títulos 
entre outras operações. Caso um país tenha boa capacidade de pa-
gamento e estoque de divisas, ele pode ser credor, via FMI, no mer-
cado internacional (FMI, 2019).
Devido às transações e operações realizadas com o setor ex-
terno, os países tomam posse de moedas de outras nacionalidades, 
interferindo no aumento ou na diminuição das suas reservas inter-
nacionais (estoque de divisas). Como há diversos tipos de divisas e 
tipos de moeda no mundo, os valores sempre são convertidos em 
dólar. Nesse sentido, a moeda de maior representatividade entre as 
reservas internacionais do mundo é o Dólar Americano (62%), se-
guido do Euro (20%) (Gráfico 2).
85
Gráfico 2 - Composição das Moedas Estrangeiras das Reservas Internacionais – 
Disponíveis no Mercado Internacional – Por País – 2º Quadrimestre – 2019.
Composição das Moedas Estrangeiras (Crédito) - 
Mercado Internacional
Fonte: Adaptado pelas autoras
Para realizar as operações com outros países nós devemos 
observar a taxa de câmbio da nossa moeda, o Real, com as demais 
moedas dos demais países.
62%
5%
2%
20%
4%
3%
2%
2%
3%
86
Mercado cambial
Mercado de Câmbio
As taxas de câmbio são formadas a partir do encontro das forças de 
oferta e de demanda por moeda estrangeira. Para importar, expor-
tar, viajar, entre outros motivos, as pessoas demandam e ofertam 
moeda estrangeira e, como em qualquer mercado, forma-se o preço 
da moeda estrangeira: a taxa de câmbio.
Infográfico
A taxa de câmbio
A taxa de câmbio se forma a partir da oferta e da demanda dor 
moeda estrangeira.
87
Todas as formas de ingresso de moeda estrangeira no país ca-
racterizam a oferta de moeda estrangeira. São exemplos: o recebimento 
pelas exprtações de bens e serviços, os investimentos diretos no país, os 
investimentos em bolsa de valores, em títulos públicos, entre outros.
Todas as formas de egresso de moeda estrangeira no país carac-
terizam a demanda de moeda estrangeira. São exemplos: o pagamento 
pelas importações de bens e serviços, os investimentos diretos em outros 
países, os investimentos em bolsa de valores e em títulos públicos de ou-
tros países, entre outros.
Fonte: Adaptado pelas autoras
A paridade do poder de compra (PPC) - em inglês, purcha-
sing power parity (PPP) - é um método alternativo à taxa de câmbio. 
Muito útil para comparações internacionais, mede quanto uma de-
terminada moeda poderia comprar se não fosse influenciada pelas 
razões de mercado ou de política econômica que determinam a taxa 
de câmbio. Leva em conta, por exemplo, diferenças de rendimentos 
e de custo de vida. Sendo necessária para comparações de produtos 
internos brutos (PIB).
A medida comparativa da capacidade de compra entre os países é 
denominada de paridade de poder de compra. Para saber mais, 
acesse o site do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)
Para entender o mercado de câmbio o raciocínio é o mes-
mo para os demais mercados, analisam-se os comportamentos da 
oferta e da demanda de moeda estrangeira.
OFERTA: Toda operação de troca internacional que gera a 
entrada de capital estrangeiro no país contribui para o aumento da 
oferta de moeda estrangeira no mercado de câmbio. 
CURIOSIDADE
88
Exportadores de bens, serviços e capitais nacionais; turistas do 
mundo todo que visitam o país; investidores em bolsas de valores, 
títulos públicos, investimento direto estrangeiro e todos os demais 
agentes que precisarem trocar moeda estrangeira por Real. 
A oferta de moeda estrangeira desencadeia a redução da taxa 
de câmbio e a valorização da moeda nacional e o aumento do esto-
que de divisas.
Gráfico 3 - Deslocamento da curva de oferta de moeda estrangeira no mercado de 
câmbio – Redução da taxa de câmbio
Fonte: Adaptado pelas autoras
EXEMPLO
89
 • DEMANDA: Toda operação de troca internacional que gera saída 
de capital estrangeiro no país contribui para o aumento da de-
manda por moeda estrangeira no mercado de câmbio. 
Exemplos: importadores de bens, serviços e capitais internacio-
nais; turistas brasileiros que visitam os demais países do mundo; in-
vestidores em bolsas de valores, títulos públicos, investimento direto 
estrangeiro em outros países, e todos os demais agentes que precisarem 
trocar Real por moeda estrangeira.
 • A demanda de moeda estrangeira desencadeia o aumento da taxa 
de câmbio e a desvalorização da moeda nacional e a redução do 
estoque de divisas.
Quando queremos viajar para fora do país ou comprar produtos 
importados, demandamos moeda estrangeira. Caso haja um grande vo-
lume de pessoas indo para o exterior e consumido bens importados, há 
um aumento significativo da demanda por moeda estrangeira. Com esse 
aumento da demanda, a curva se desloca para a direita e a taxa de câm-
bio aumenta. Quem demanda moeda estrangeira são turistas brasileiros 
e importadores, por que trocam Real por moeda estrangeira.
90
Gráfico 4 - Deslocamento da curva de demanda de moeda estrangeira no mercado de 
câmbio – Aumento da taxa de câmbio
Fonte: Adaptado pelas autoras
91
Efeitos das variações da taxa de câmbio
Quando a taxa de câmbio aumenta:
 • Reduzem as importações de bens, serviços e capitais inter-
nacionais. Esse efeito pode ser reverso (não benéfico) em um 
país como o Brasil, que possui baixa diversificação produtiva 
e depende de tecnologia, máquinas, equipamentos, entre ou-
tros insumos de produção. Nesse caso, a redução das importa-
ções reduz ainda mais a capacidade de produção no país.
 • Há um estímulo às exportações, que pode ser benéfico prin-
cipalmente para os bens em que o país tem destaque inter-
nacional, no caso do Brasil, o agronegócio, que pode tender a 
gerar superávits comerciais e aumento do estoque de divisas.
 • Embora o aumento das exportações gere superávits nas con-
tas do Balanço de Pagamentos, reduzam a dívida externa e 
aumentem o estoque de divisas, o esforço ao pagamento da 
dívida externa aumenta. Assim, a capacidade de pagamento 
da dívida externa diminui porque para cada Dólar da dívida 
são necessários mais reais para pagar.
 • Há um estímulo à entrada de capital estrangeiro no país, 
porque os investimentos podem se tornar mais atrativos aos 
olhos dos investidores. O estímulo pode não se verificar caso 
existam outros tipos de riscos à produtividade e rentabilidade 
dos investimentos dentro do país, como, por exemplo, o risco 
político, o risco do país, o custo país, a ausência de capacidade 
de pagamento da estrutura produtiva, entre outros.
 • O país tende a perder competitividade internacional porque 
reduz seu contato com a qualidade e a produtividade dos bens, 
serviços e produção dos outros países.
 • Ocorre pressão inflacionária, quando o país depende de in-
sumos, máquinas, equipamentos e outros bens essenciais 
de origem internacional. O aumento dos preços de insumos e 
commodities gera inflação de custos, aumento os preços dos 
bens e serviços no mercado nacional.
92
Quando a taxa de câmbio diminui:
 • Aumentam as importações de bens, serviços e capitais inter-
nacionais. Isso tende a gerar déficits nas contas do Balanço de 
Pagamentos e o aumento da dívida externa.
 • Há um desestímulo às exportações,que passam a ser menos 
rentáveis e direcionadas ao mercado interno.
 • Aumenta a capacidade de pagamento da dívida externa por-
que para cada Dólar da dívida são necessários menos reais 
para pagar.
 • O país tende a ficar exposto à competitividade internacional, 
avançando em sua curva de aprendizagem, porque aumenta 
seu contato com a qualidade e a produtividade dos bens, ser-
viços e produção dos outros países.
 • Ocorre redução da pressão inflacionária, via redução do custo 
de produção, dos preços de insumos e das commodities.
Regimes Cambiais
A forma de atuação da autoridade monetária no mercado de câmbio 
depende do regime cambial adotado em cada país. Há diferentes re-
gimes cambiais que determinam a política cambial.
Taxa de câmbio fixa
São determinadas fora do mercado de câmbio e pela autoridade mo-
netária do país. Portanto, a taxa de câmbio não é definida pelas va-
riações da oferta e da demanda por moeda estrangeira. Nesse caso, 
a determinação da taxa de câmbio ocorre por meio da posição das 
reservas cambiais de um país.
Esse mecanismo de convertibilidade de moeda estrangeira 
pode ser utilizado, durante um determinado e restrito período de 
tempo, para o controle inflacionário de um país. Nesse sentido, o 
câmbio fixo mantém a capacidade de compra, o emprego, a renda 
93
e desencadeia investimentos no país. Ao atrelar a moeda nacional à 
estabilidade de uma moeda internacional, atua-se no fator psicoló-
gico e da inércia inflacionária, reduzindo a memória inflacionária 
dos agentes nacionais, devido à estabilidade contínua dos preços.
Deve-se ressaltar que o câmbio fixo, abaixo da taxa de mer-
cado, tende a reduzir o estoque de divisas e reservas internacionais 
de um país. Por isso, deve ser utilizado por um período definido de 
tempo. Além disso, esse mecanismo confere previsibilidade aos es-
peculadores do mercado de câmbio.
Quando há esta opção de regime cambial, há também a ne-
cessidade de estimular a entrada de capital estrangeiro no país para 
que os níveis das reservas sejam mantidas. Os mecanismos com-
pensatórios podem ser: abertura e desregulamentação à entrada do 
capital estrangeiro no país, aumento da taxa básica de juros, para 
tornar os títulos públicos mais atrativos aos olhos dos investidores 
internacionais, programas de privatizações, estímulos aos investi-
mentos diretos estrangeiros, entre outros.
Quando a moeda nacional está desvalorizada (taxa de câmbio alta), 
ou quando a moeda estrangeira está escassa em relação à necessida-
de das trocas, a autoridade monetária atua no mercado de câmbio, 
vendendo moeda estrangeira até que se atinja o valor da taxa fixa. 
Taxa de câmbio flutuante
As taxas de câmbio flutuantes se formam no mercado de câmbio, 
por meio do encontro das forças de oferta e de demanda por moeda 
estrangeira. São estabelecidas pelo mecanismo de mercado, reti-
rando a obrigatoriedade da autoridade monetária de disponibilizar 
reservas cambiais, atuar para modificar o equilíbrio de mercado de 
câmbio.
EXEMPLO
94
O câmbio flutuante tende a proteger as reservas cambiais do 
país, desvinculando a política monetária, via definição da taxa de 
juros dos títulos públicos da taxa de câmbio. Por não “queimar” as 
reservas internacionais para manter uma taxa de câmbio fixa, o re-
gime flutuante torna-se mais viável e solidifica as relações produti-
vas internacionais no longo prazo. O foco da produtividade nacional 
tende a desenvolver maior inteligência para trocar com o mercado 
internacional, fortalecendo sua competitividade.
Por outro lado, esse regime pode se tornar vulnerável à ins-
tabilidade do mercado financeiro, o qual pode especular diante das 
oscilações da moeda nacional, mesmo que não haja a atuação da 
autoridade monetária.
Como foi o seu aprendizado sobre o mercado de câmbio? Você com-
preendeu as lógicas e os raciocínios sobre os motivos das variações da 
taxa de câmbio? Vamos resumir tudo o que vimos? Você deve ter apren-
dido que a taxa de câmbio se forma a partir da oferta e da demanda por 
moeda estrangeira. Vimos também os motivos de demanda e de oferta 
de moeda estrangeira e que estas forças resultam das operações realiza-
das diante das trocas com o mercado internacional.
 As relações produtivas, financeiras e de capitais internacionais são re-
gistradas no Balanço de Pagamentos. O FMI é o organismo internacional 
responsável por padronizar os registros, monitorar as reservas interna-
cionais dos países e atuar, se necessário, na negociação de dívidas ex-
ternas. Para isso, vimos que há a o registro das reservas internacionais 
no FMI. 
Quanto ao mercado de câmbio, também estudamos que existem dife-
rentes regimes cambiais e que o Banco Central pode atuar para reduzir 
ou aumentar a taxa de câmbio realizando leilões de venda ou de compra, 
respectivamente, visando o equilíbrio monetário internacional do país. 
Gostou do aprendizado deste material? Vamos em frente!
SINTETIZANDO
UN
ID
AD
E
3
Objetivos
1. Entender os conceitos do sistema financeiro nacional, bem 
como seu impacto no sistema econômico.
2. Entender a estrutura e funcionamento do sistema financeiro 
nacional.
3. Compreender o conceito de bolsa de valores e sua importância 
para o sistema financeiro.
4. Conhecer a composição e as negociações da bolsa de valores.
96
Introdução
Olá, aluno(a)!
Conhecermos como a economia funciona é muito importante para 
nossa vida pessoal e profissional. Ela nos ensina que existem poucos 
recursos que precisam ser divididos em diversas alternativas. Nos 
ensina também que a atividade econômica dos países em geral, afe-
ta tanto de forma direta quanto de forma indireta nossas vidas. 
Esta unidade está dividida em quatro temas. No primeiro, 
você verá o conceito das políticas econômicas e da renda, também 
será abordada a escassez de recursos. No segundo serão aborda-
das as políticas macroeconômicas, políticas fiscais e políticas mo-
netárias. No terceiro você vai conhecer e compreender o mercado 
cambial e como ele funciona. Por fim, você irá conhecer os regimes 
cambiais e como eles funcionam.
Então, preparado(a)? Vamos comigo mergulhar neste 
universo!
97
Sistema Financeiro
Principais conceitos do sistema financeiro 
nacional
Lagioia (2011) sugere que para falar sobre sistema financeiro se faça 
uma abordagem fundamentada nos princípios das instituições que 
o formam. Particularmente, o sistema financeiro é representado 
pelos bancos, uma vez que todo o processo de intermediação finan-
ceira é baseado nas suas origens.
O primeiro banco que surgiu no país foi o Banco no Brasil. 
Instalado quando o Príncipe Regente D.João chegou ao Brasil e,a-
conselhado por D.Rodrigo, Conde de Linhares e Ministro da Guerra 
e dos Negócios Estrangeiros, determinou a instalação de um “banco 
de troco” que tinha por finalidade fazer chegar aos cofres da coroa o 
ouro disponível em poder do público. Diante disso, o modelo bancá-
rio introduzido no Brasil obedeceu ao perfil europeu, pela influência 
da família real.
De acordo com Lagioia (2011) em 12 de outubro de 1808 pelo 
alvará do Príncipe Regente é criado o primeiro Banco do Brasil, de-
finido como banco de depósitos, descontos e emissão , a partir de 
1836 surgiram novas instituições e também os primeiros bancos es-
trangeiros. 
Figura1 – Logomarca do Banco do Brasil
Fonte: https://bit.ly/34hdtds
98
O mesmo autor afirma que o período pós-guerra (1946) foi 
marcado pelo crescimento industrial nos estados do Sul do Brasil, 
quando se iniciava um processo de substituição de importações de 
bens de consumo duráveis. Nessa época predominava a Lei de Usu-
ra, que limitava os juros a 12% ao ano, o que impedia o governo de 
financiar o crescimento industrial através da emissão de títulos pú-
blicos. Devido a isso, a emissão de moeda era a única forma de sa-
tisfazer às necessidades financeiras, o que contribui para acelerar o 
processo inflacionário. Na época o sistema financeiro se deparava 
com deficiências que impediam um processo de intermediaçãofi-
nanceira capaz de mobilizar os investimentos, o que significa baixo 
nível de poupança oficializada.
Caso você não saiba o que é a Lei da Usura, pode ler mais sobre o 
assunto no Decreto 22.626 de abril de 1933, no Art. 13.
Lagioia (2011) afirma que ao mesmo tempo em que a produ-
ção de automóveis, eletrodomésticos etc. se expandia, o crédito era 
carente. Isso tudo estava aliado a um processo inflacionário cres-
cente, fazendo com que não existissem os depósitos a prazo. Diante 
disso, os fundos disponíveis para operar eram em depósitos à vista. 
E,por prudência os bancos só podiam emprestar no curto prazo, sob 
o risco de promover um desequilíbrio de seu caixa por saques ines-
perados. E você? Está conseguindo associar o que vimos no que se 
refere à produção, risco e necessidade de recursos,com o que está 
sendo abordado aqui?
Esse mesmo autor ainda, traz que enquanto os bancos remu-
neravam os correntistas a vista até o limite de 12%, ou seja, per-
centual máximo de juros pagos para os que faziam poupança, eles 
encontravam uma forma de burlar quando se tratava de fazer ope-
rações de crédito,ou seja,emprestar para os que necessitavam de re-
cursos financeiros. Os bancos aproveitavam a escassez de recursos 
DICA
99
em médio prazo que forçava cada vez mais as operações em prazos 
mais curtos e, passaram a levar significativa vantagem. Com isso a 
rentabilidade proporcionada pela alta rotatividade era consegui-
da com uma diferença de taxa de até 50% a.a. A Figura 2 mostra o 
símbolo da porcentagem, pois sempre que nos referimos a taxas, e 
neste caso em específico taxa de juros, elas são representadas em 
porcentagem.
Figura 2 – Símbolo da porcentagem
Fonte: pixabay.com
De acordo com Lagioia (2011) diante das situações apresenta-
das e outras que ocorreram, viu-se a necessidade de reestruturar o 
Sistema Financeiro Nacional, por meio de uma revisão geral de nor-
mas e procedimentos, visando a adequação ao momento econômico 
e, nos anos 1964/1965 foi realizada a modificação estrutural, com a 
criação do Conselho Monetário Nacional (CMN) e Banco Central do 
Brasil (BACEN), e assim constitui a base atual do Sistema Financeiro 
Nacional (SFN) com a incorporação da Comissão de Valores Mobi-
liários (CVM) em 1979.
Definição de sistema financeiro
De acordo com Pinheiro (2012) o sistema financeiro pode ser vis-
to como uma rede de mercados e instituições que tem por função 
100
transferir os fundos disponíveis dos agentes superavitários, ou seja, 
aqueles cuja renda é maior que seus gastos, para os agentes defici-
tários, ou seja, aqueles cujas oportunidades de gastos são maiores 
que sua renda. Você já conhece este assunto? Muito bem. Vamos re-
cordar e saber mais um pouco?
Você sabia que em 2019 a produção de automóveis aumentou em 
2,3% e as vendas cresceram em 8,6%.
Será que todas as pessoas compraram os automóveis e paga-
ram a vista? Ou precisaram financiar? E a empresa para produzir os 
2,3% a mais de automóveis, talvez precisasse tomar recursos finan-
ceiros. Será? E quantos empregos ela gerou?
Você já pensou o que essas pessoas que foram contratadas 
para suprir essa demanda de produção, fizeram com sua renda? Em 
quantos outros setores talvez elas contribuíssem para aumentar a 
produção, por exemplo: de alimentos, vestuário etc. E agora, para 
finalizar suas reflexões, pense em tudo o que já aprendeu até agora 
e veja se você consegue fazer a relação entre (agente superavitário, 
agente intermediário e agente deficitário). Viu como é importante? 
Conseguiu? Muito bem.
Para melhor compreensão do significado do sistema finan-
ceiro, que tal recordar de alguns conteúdos que você já conhece? 
Pois bem, imagine a renda gerada pelos fatores de produção, tais 
como trabalho, terra e capital. Esta renda, que pode ser represen-
tada pelo salário, aluguel e juros respectivamente, poderá gerar um 
excedente ou não. Caso gere um excedente, poderíamos denominar 
esta parte de poupança, ou seja, é a parcela da renda que não foi 
consumida. Então, aqueles que consomem menos que sua renda são 
chamados de agentes superavitários. E aqueles que estão na posição 
VOCÊ SABIA?
101
inversa, ou seja, os que necessitam de poupança alheia para com-
pletar as suas necessidades de consumo ou investimentos são os 
agentes deficitários.
Agentes superavitários são os poupadores, são pessoas, em-
presas e instituições públicas que conseguem poupar e aplicam es-
ses recursos e recebem uma remuneração, que é representado pelo 
juro o qual faz o dinheiro render, e do outro lado temos os agentes 
deficitários, que são os que necessitam de recursos financeiros e 
que também podem ser pessoas, empresas e instituições públicas, 
os quais pagam pelo uso dos recursos tomados, que também é re-
presentado pelos juros. Porém, para que os recursos financeiros dos 
agentes superavitários cheguem até os agentes deficitários, existe o 
agente intermediário, que são as instituições financeiras (ex. ban-
co) os quais fazem a intermediação financeira.
Pinheiro (2012) afirma que o sistema financeiro pode ser en-
tendido como a soma das unidades operacionais que o compõem e 
dos responsáveis pelas políticas monetárias, creditícias, cambial e 
fiscal, que regulam seu funcionamento, bem como dos fluxos mo-
netários entre os que dispõem de recursos financeiros e os que deles 
careçam, para suas atividades de produção e de consumo. Lagioia 
(2011) afirma que o sistema financeiro possui outros valores agre-
gados, mas fundamentalmente aproxima os agentes superavitários 
dos deficitários ou vice-versa, sem que os mesmos necessariamente 
precisem se conhecer. Você já havia parado para pensar de onde vêm 
os recursos financeiros que o banco lhe fornece para você finan-
ciar seu imóvel, seu automóvel, etc. ou os recursos que financiam 
máquinas e equipamentos para as empresas? Para você entender 
melhor o que é e o que faz o sistema financeiro, o infográfico (PI-
NHEIRO, 2012) a seguir mostra a dinâmica do sistema financeiro.
102
Infográfico
Fonte: Pinheiro (2012, p. 38)
Você pode ver na figura que as instituições financeiras não 
realizam apenas empréstimos e financiamentos, realizam muitas 
outras operações financeiras, as quais serão abordadas no decorrer 
desta unidade, bem como nas demais unidades. Então, vamos em 
frente!
Como afirma Lagioia (2011), o sistema financeiro pode ser 
definido como um conjunto de mercados, instituições e instrumen-
tos financeiros que possibilitam a transferência de recursos dos 
ofertadores finais para os tomadores finais. Sendo que os tomadores 
finais são os agentes deficitários, ou seja, aqueles que não dispõem 
de excedente de renda e por isso necessitam de recursos para gas-
tar com consumo ou investimento, os quais estão dispostos a pagar 
juros pelo capital tomado. Enquanto, que os ofertadores finais são 
os agentes superavitários, os quais possuem excedente de renda, ou 
seja, pretendem gastar menos do que ganham.
E você, é um superavitário ou deficitário? Ou já foi os dois em 
diferentes momentos de sua vida? A Figura 3 mostra a moeda brasi-
leira, pois quando falamos em recursos financeiros ou renda esta-
mos nos referindo ao Real.
103
Figura 3 – “Real” a moeda brasileira
Fonte: pixabay.com
Pinheiro (2012), afirma que o sistema financeiro é um dos 
setores mais regulamentados no mundo. Isso ocorre porque os go-
vernos devem aumentar a informação disponível aos participantes, 
garantir o adequado funcionamento do sistema e melhorar ou exer-
cer o controle sobre a oferta de moeda. Pinheiro (2012) também diz 
que o sistema financeiro deve acompanhar as exigências e modifi-
cações acusadas pela economia, pois se funcionar em sentido opos-
to, poderá tornar-se um grave obstáculo às atividades produtivas, 
desestimulando o esforço da coletividade.
O mesmo autor ainda, afirma que as principais funções de 
um sistema financeiro na economia são: promover a poupança; ar-
recadar e concentrar a poupança em grandes volumes; transformar 
a poupançaem créditos especiais; encaminhar os créditos às ativi-
dades produtivas; e gerenciar as aplicações realizadas e manter um 
mercado para elas.
Composição do Sistema Financeiro 
Nacional 
De acordo com Hoji (2012) o Sistema Financeiro Nacional (SFN) é 
formado por instituições que têm como finalidade intermediar o 
fluxo de recursos entre os poupadores e investidores e os tomadores 
de recursos, em condições satisfatórias para o mercado.
104
De uma forma simples a figura 4 a seguir, mostra como ocor-
re a intermediação financeira, ou seja, o sistema financeiro por meio 
do agente intermediário capta os recursos financeiros do ofertador 
final que é o agente superavitário e aplica junto ao tomador final que 
é o agente deficitário. Isso lhe ajudou?
Figura 4 – Modelo simplificado de intermediação financeira
Fonte: Adaptado de Lagioia (2011).
Hoji (2012) diz que o mercado financeiro é regulamentado 
e fiscalizado principalmente pelo Banco Central do Brasil (BCB ou 
Bacen) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que estão su-
bordinados ao Conselho Monetário Nacional (CMN).
Rogante (2009), diz que de acordo com o Banco Central do 
Brasil, em dezembro de 2005 o sistema financeiro brasileiro conta-
va com 135 bancos. Diz também que os 20 maiores bancos detinham 
aproximadamente 80% do total de ativos do sistema, em 2001 essa 
concentração era de cerca de 77%. A concentração é consequência 
da competitividade no setor, obrigando os bancos a atingirem uma 
maior escala operacional.
E você é cliente de algum banco? É um cliente que utiliza os 
serviços por meio do sistema tradicional (vai até a agência bancária, 
enfrenta fila, realiza pagamentos no caixa) ou você é mais digital e 
faz tudo pela internet? 
Conselho Monetário Nacional – CMN
De acordo com Fortuna (2008) o Conselho Monetário Nacional, é 
um órgão normativo e não lhe cabem funções executivas, o mesmo 
é responsável pela fixação das diretrizes das políticas monetária, 
creditícia e cambial do país. A Medida Provisória 542 de 06/94, que 
criou o Plano Real, simplificou a composição da CMN, caracteri-
zando seu perfil monetário, que passou a ser integrado pelo Minis-
tro da Fazenda, Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, e 
105
Presidente do Banco Central. Segundo Hoji (2012) o CMN é o órgão 
mais importante do Sistema Financeiro Nacional, ou seja, é a enti-
dade superior do sistema financeiro e, é presidido pelo Ministro da 
Fazenda.
De acordo com Assaf Neto (2014, p. 43) as principais atri-
buições do Conselho Monetário são:
 • fixar as diretrizes e as normas da política cambial, regula-
mentar as operações de câmbio, visando ao controle da pa-
ridade da moeda e ao equilíbrio do balanço de pagamentos;
 • regulamentar, sempre que julgar necessário as taxas de juros, 
comissões e qualquer outra forma de remuneração praticada 
pelas instituições financeiras;
 • regular a constituição e o funcionamento das instituições fi-
nanceiras, bem como zelar pela liquidez e solvência;
 • estabelecer as diretrizes para as instituições financeiras;
 • acionar medidas de prevenção ou correção de desequilíbrios 
econômicos, surtos inflacionários etc.;
 • disciplinar todos os tipos de créditos e orientar as instituições 
financeiras no que se refere à aplicação de seus recursos, ten-
do como objetivo promover o desenvolvimento equilibrado da 
economia;
 • regular as operações de redescontos e as operações no âmbito 
do mercado aberto.
Banco Central do Brasil – BCB ou Bacen
De acordo com Fortuna (2008) o Banco Central do Brasil é a entida-
de criada para atuar como órgão executivo central do sistema finan-
ceiro, cabendo-lhe a responsabilidade de cumprir e fazer cumprir 
as disposições que regulam o funcionamento do SFN e as normas 
expedidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O Bacen está 
sediado em Brasília, possuindo representações regionais em Belém, 
106
Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro e 
São Paulo. Hoji (2012) afirma que a missão institucional do Bacen é 
zelar pela estabilidade do poder de compra da moeda e solidez do 
sistema financeiro.
Comissão de Valores Mobiliários – CVM
A Comissão de Valores Mobiliários, foi criada pela Lei 6.385 em 07 
de dezembro de 1976, até aquela data não tinha uma entidade que 
realizasse a regulamentação e a fiscalização do mercado de capi-
tais, especialmente no que se referia às sociedades de capitais aber-
to (FORTUNA, 2008). E a CVM foi fixada como o órgão normativo do 
sistema financeiro, especificamente voltado para o desenvolvimen-
to, a disciplina e a fiscalização do mercado de valores mobiliários, 
exceto os emitidos pelo sistema financeiro e pelo Tesouro Nacional. 
A principal atribuição da CVM é a regulação e fiscalização da emis-
são e negociação de títulos pelas companhias abertas.
De acordo com Kerr (2011) as principais funções da CVM 
são:
 • assegurar o funcionamento eficiente e regular os mercados de 
bolsa e de balcão; 
 • proteger os titulares de valores mobiliários; 
 • evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação no 
mercado; 
 • assegurar o acesso do público a informações sobre valores 
mobiliários negociados e sobre as companhias que os tenham 
emitido; 
 • assegurar a observância de práticas comerciais equitativas 
no mercado de valores mobiliários; estimular a formação de 
poupança e sua aplicação em valores mobiliários; 
 • promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular 
do mercado de ações e estimular a aplicação permanente em 
ações do capital social das companhias abertas.
107
Neste capitulo foi lhe apresentado, como surgiu o primeiro Banco 
no Brasil e os principais conceitos sobre o sistema financeiro na-
cional. Vale destacar que os agentes deficitários e superavitários 
são (governo, empresas e famílias) e que os agentes intermediários 
são as instituições financeiras, as quais possibilitam que os recur-
sos financeiros dos agentes superavitários cheguem até os agentes 
deficitários. 
Estrutura do sistema financeiro nacional
De acordo com Assaf Neto (2014) o sistema financeiro é compos-
to por um conjunto de instituições financeiras públicas e privadas 
existentes no país, e seu órgão normativo máximo Conselho Mone-
tário Nacional (CMN), os quais visam transferir recursos dos agen-
tes econômicos (pessoas, empresas, governo) superavitários para 
os deficitários.
Assaf Neto (2014) diz que todo o processo de desenvolvimen-
to de uma economia exige a participação crescente de capitais, os 
quais são identificados por meio da poupança disponível em poder 
dos agentes econômicos e direcionados para os setores produtivos 
carentes de recursos mediante intermediários e instrumentos fi-
nanceiros. E é em função desse processo de distribuição de recursos 
no mercado que se evidencia a função econômica e social do sistema 
financeiro.
Segundo Assaf Neto (2014) o Sistema Financeiro Nacional foi 
estruturado e regulado pela Lei de Reforma Bancária (1964), Lei do 
Mercado de Capitais (1965) e com a Lei de Criação dos Bancos Múl-
tiplos (1988). Para o mesmo autor, as instituições podem ser clas-
sificadas em dois tipos: bancárias ou monetárias e não bancárias ou 
não monetárias.
SINTETIZANDO
108
As instituições financeiras bancárias são aquelas a quem se 
permite a criação de moeda por meio de depósitos à vista, operam 
basicamente com ativos financeiros monetários que representam os 
meios de pagamento da economia (ASSAF NETO, 2014). Essas insti-
tuições são representadas fundamentalmente pelos bancos comer-
ciais e múltiplos. Você sabe o que são Bancos Comercial e múltiplo? 
Não. Fique tranquilo que veremos mais adiante.
As instituições bancárias (ou monetárias) são aquelas que 
podem captar depósitos a vista, e usar esses recursos para realiza-
rem empréstimos e financiamentos, geralmente de curto e médio 
prazo, para as pessoas físicas e jurídicas. Essas instituições são cria-
doras de moeda escritural por meio do efeito multiplicador do cré-
dito. Enquantoque as instituições financeiras não bancárias (ou não 
monetárias) não recebem depósito à vista. 
Conforme Assaf Neto (2014) as instituições financeiras não 
bancárias, ao contrário das bancárias, não estão legalmente autori-
zadas a receber depósitos à vista e, portanto, não existe a faculdade 
de criação de moeda. Essas instituições trabalham basicamente com 
ativos não monetários, tais como ações, letras de câmbio, certifi-
cados de depósitos bancários, debêntures etc. São constituídas por 
praticamente todas as instituições financeiras que operam no mer-
cado financeiro, exceto bancos comerciais e bancos múltiplos. Você 
consegue identificar a diferença entre as instituições financeiras 
bancárias das não bancárias? 
Vou lhe apresentar um exemplo de instituições não bancárias, tenho 
certeza que vai lhe ajudar. As instituições não bancárias são socie-
dades corretoras, bancos de investimento, sociedades de arrenda-
mento mercantil etc.
Conseguiu entender? Talvez agora você esteja se pergun tando o 
que são corretoras de valores ou banco de investimento. Certamente 
EXEMPLO
109
você já deve ter visto na TV os comerciais da XP Investimentos, BTG 
Pactual, JP Morgan e outros. 
O Sistema Financeiro Nacional é composto por diversas insti-
tuições, as quais segundo Kerr (2011) podem ser agrupadas em dois 
grandes subsistemas. Sendo que o primeiro é o subsistema norma-
tivo, que edita as normas que regem o sistema financeiro e fiscaliza 
suas aplicações, o qual é composto dos órgãos normativos propria-
mente ditos e das entidades supervisoras.
Conforme Kerr (2011) o segundo é o subsistema operador ou 
de intermediação financeira, que é composto das instituições que 
fazem a intermediação financeira entre agentes superavitários e 
agentes deficitários do Sistema Financeiro Nacional. Para que você 
possa entender melhor, vou lhe apresentar o conceito de outro au-
tor, o qual detalha melhor cada um dos subsistemas. Vamos lá, ver o 
que Assaf Neto tem para nos dizer?
Assaf Neto (2014) diz que o subsistema normativo é responsável 
pelo funcionamento do mercado financeiro e de suas instituições, 
fiscaliza e regulamenta suas atividades por meio principalmente do 
Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central do Bra-
sil (Bacen). E a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é um órgão 
normativo de apoio do sistema financeiro, o qual atua mais especi-
ficamente no controle e fiscalização do mercado de valores mobiliá-
rios (ações e debêntures). 
O autor também afirma que se enquadram no sistema nor-
mativo mais três outras instituições financeiras que apresentam um 
caráter especial de atuação, assumindo certas responsabilidades 
próprias e interagindo com vários outros segmentos do mercado fi-
nanceiro, como é o caso do Banco do Brasil (BB), do Banco Nacional 
DEFINIÇÃO
110
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa Eco-
nômica Federal (CEF).
No que se refere ao subsistema de intermediação ou ope-
rador, Assaf Neto (2014) diz que essas instituições são classifica-
das em bancárias e não bancárias, de acordo com a capacidade que 
apresentam de emitir moeda, instituições auxiliares do mercado e 
instituições definidas como não financeiras, porém integrantes do 
mercado financeiro. Também faz parte dessa classificação o Sis-
tema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) O que são 
instituições bancárias e não bancárias, você lembra? Já abordamos 
anteriormente nesta unidade. Para que possa melhor entender a es-
trutura do sistema financeiro nacional, vou lhe apresentar a figura 
5. 
Figura 5 – Estrutura do sistema financeiro nacional
Fonte: Assaf Neto (2014, p. 42).
111
Quer saber mais sobre as diversas instituições que compõem 
o sistema financeiro nacional? Vamos lá.
Instituições especiais
As instituições especiais são: o Banco do Brasil, o BNDES e a Caixa 
Econômica Federal, agora vamos saber um pouco mais sobre cada 
uma dessas instituições.
Segundo Assaf Neto (2014) o Banco do Brasil é uma sociedade 
anônima de capital misto, cujo controle acionário é exercido pela 
União. No desenvolvimento de suas atividades o Banco do Brasil 
assume três funções:
1. Agente financeiro do Governo Federal, na execução de sua po-
lítica creditícia e financeira e atua sob a supervisão do CMN, e 
dentre as operações realizadas ele recebe os tributos e rendas 
federais, realiza os pagamentos da União, recebe depósitos 
compulsórios, bem como pode executar a política de comércio 
exterior etc. 
2. A outra função é de Banco Comercial, quando exerce ativi-
dades tais como: mantém conta corrente de pessoas físicas e 
jurídicas, opera com caderneta de poupança, concede crédi-
tos de curto prazo aos vários segmentos da economia, execu-
ta operações de descontos, além de outras funções de bancos 
comerciais. 
3. A terceira função exercida é a de um Banco de Investimento e 
Desenvolvimento. É um Banco de Investimento quando ope-
rar em algumas modalidades de crédito a médio e longo prazo, 
podendo financiar atividades rurais, comerciais, industriais e 
de serviços. E atua como Banco de Desenvolvimento quando 
fomenta a economia de diferentes regiões, ao atender as suas 
necessidades creditícias, objetiva o fortalecimento do setor 
empresarial do país por meio do apoio a setores estratégicos e 
às pequenas e médias empresas nacionais.
112
De acordo com Pinheiro (2012) o BNDES é um órgão vincula-
do ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior 
(MDIC) e tem como objetivo apoiar empreendimentos que contri-
buam para o desenvolvimento do Brasil, que resultem na melhoria 
da competitividade da economia brasileira e a elevação da qualidade 
de vida da sua população. O objetivo principal dos bancos de desen-
volvimento é proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos 
recursos necessários ao financiamento, a médios e longos prazos, 
de programas e projetos que visem promover o desenvolvimento 
econômico e social, conforme determinação governamental.
De acordo com Assaf Neto (2014) a Caixa Econômica Federal 
(CEF) é uma instituição financeira pública que atua de forma autô-
noma e apresenta um objetivo claramente social, pois é o principal 
agente do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), atuando no seg-
mento da casa própria, principalmente no segmento de baixa renda. 
A CEF ao longo do tempo vem alternando os diversos programas de 
financiamento, com apoio do governo, à aquisição ou construção da 
casa própria, procurando viabilizar o acesso da população mais po-
bre à moradia.
A CEF também executa atividades características de bancos 
comerciais e múltiplos, como recebimento de depósitos à vista e à 
prazo, cadernetas de poupança, concessão de empréstimos sob con-
signação com desconto em folha de pagamento, etc (ASSAF NETO, 
2014). Para o mesmo autor, os estatutos da CEF preveem outros ob-
jetivos, tais como: administrar com exclusividade os serviços das 
lotéricas federais; constituir-se no principal arrecadador do FGTS; 
ter o monopólio das operações de penhor. Você sabia que o principal 
objetivo da Caixa Econômica Federal é social?
Atualmente a Caixa Econômica Federal (CEF) é o maior banco pú-
blico da América Latina, focado em grandes operações comerciais, 
mas ainda assim não perdendo seu lado social, pois a mesma é cen-
tralizadora de operações como FGTS (Fundo de Garantia do Tempo 
SAIBA MAIS
113
de Serviço), PIS (Programa de Integração Social) e Habitação Po-
pular (PAR – Programa de Arrendamento Residencial, por meio de 
carta de crédito, FGTS entre outros). É agente pagador dos progra-
mas de auxílio governamental que são complementos de renda para 
pessoas que mais precisam. 
Bancos comerciais e múltiplos
Conforme você já viu na estrutura do sistema financeiro nacional 
temos o subsistema de intermediação ou operacional, o qual é com-
posto por instituições bancárias e não bancárias, as quais atuam em 
operações de intermediação financeira, e elas estão divididas em 
cinco grandes grupos de instituições (Bancárias;Não Bancárias; 
Sistema de Poupança e Empréstimo – SPE; Auxiliares e Instituições 
Não Financeiras). Que tal sabermos mais sobre essas instituições?
Assaf Neto (2014) diz que as instituições financeiras bancá-
rias, englobam os Bancos Comerciais, Bancos Múltiplos e Caixas 
Econômicas. Então vamos saber quais são as principais caracterís-
ticas dessas instituições financeiras bancárias.
Para o autor, Os Bancos Comerciais são instituições financei-
ras constituídas obrigatoriamente sob a forma de sociedades anô-
nimas. De acordo com o artigo 1º do capítulo 1, da Lei nº 6.404, de 
15 de dezembro de 1976, a companhia ou sociedade anônima terá o 
capital dividido em ações, e a responsabilidade dos sócios ou acio-
nistas será limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou 
adquiridas.
De acordo com Hoji (2012) os Bancos Comerciais, por suas 
múltiplas funções, constituem a base do sistema monetário. Os 
mesmos são intermediários financeiros que têm o objetivo de con-
seguir os recursos necessários para financiar a curto e médio prazo 
o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços e as 
pessoas físicas.
No que refere-se às atividades realizadas pelos bancos co-
merciais, segundo Assaf Neto (2014) eles têm a prestação de serviços 
114
como uma importante atividade, podendo realizar pagamentos de 
cheques, transferências de fundos e ordens de pagamentos, co-
branças diversas, recebimentos de impostos e tarifas públicas, 
aluguel de cofres e custódia de valores. Ainda, o autor destaca que 
os bancos vêm apresen tando rápida evolução em sua estrutura de 
funcionamento, procurando adaptar suas operações e produtos a 
um mercado cada vez mais exigente e globalizado.
Com relação ao tipo de atendimento dispensado, de acordo 
com Assaf Neto (2014) as instituições financeiras costumam atuar 
como:
 • private bank, em que atendem pessoas físicas de elevada renda 
e/ ou patrimônio; 
 • personal bank, em que dão atendimento a pessoas físicas de 
alta renda e, muitas vezes, a pequenas e médias empresas;
 • corporate bank, são voltados preferencialmente para empresas 
(pessoa jurídica) de grande porte. 
De acordo com Assaf Neto (2014) os bancos múltiplos surgi-
ram como reflexo da própria evolução dos bancos comerciais e cres-
cimento do mercado. Hoji (2012) diz que os bancos múltiplos foram 
criados com a finalidade de racionalizar a administração das insti-
tuições financeiras. Pois várias instituições financeiras do mesmo 
grupo econômico constituem- se em uma única com personalidade 
jurídica própria, com a consequente redução de custos operacio-
nais. Um banco múltiplo pode ter as seguintes carteiras: comercial, 
de investimento, de crédito imobiliário, de desenvolvimento e de 
arrendamento mercantil. 
Assaf Neto (2014) diz que para que uma instituição seja con-
figurada como um banco múltiplo, ela deve operar pelo menos duas 
das carteiras apresentadas, sendo que uma delas necessariamen-
te deve ser de banco comercial ou de banco de investimento. Para 
que você possa melhor entender, o banco múltiplo é como se fos-
sem vários bancos dentro de um único banco. Ficou mais claro o que 
é um banco múltiplo? Que tal, lembrar-se de um ou mais bancos 
múltiplos.
115
Os bancos múltiplos podem ser bancos privados ou públicos. 
A Caixa Econômica Federal é um banco público e, também um ban-
co múltiplo, pois ela trabalha com mais de uma carteira.
Está lembrado da figura que mostra a estrutura do Sistema 
Financeiro Nacional? Sim? Ótimo, como vimos na figura, no subsis-
tema de intermediação temos as instituições financeiras não ban-
cárias, é o que veremos agora. Vamos lá?
De acordo com Assaf Neto (2014) as instituições classificadas 
como instituições financeiras não bancárias são as que não apre-
sentam capacidade de emitir moeda ou meios de pagamentos, como 
os bancos comerciais. Dentre elas estão:
• bancos de investimento; 
• bancos de desenvolvimento; 
• sociedades de crédito, financiamento e investimento; 
• sociedades de arrendamento mercantil; 
• cooperativas de crédito; 
• sociedades de crédito imobiliário;
• associações de poupança e empréstimo. 
Quer saber mais sobre eles? Vamos lá? De acordo com Hoji 
(2012) a principal função dos Bancos de Investimentos é a de in-
termediar recursos de médio e longo prazo para financiamento de 
capital fixo ou de giro das empresas. Esses bancos não podem captar 
recursos por meio de depósitos a vista, eles captam recursos por 
meio de Certificados de Depósitos Bancários (CDB) e Recibos de 
Depósito Bancário (RDB), ou pela venda de cotas de fundos de in-
vestimento. Assaf Neto (2014) diz que os bancos de investimentos 
podem dedicar-se também à prestação de vários tipos de serviços, 
tais como: avais, fianças, custódias, administração de carteiras de 
títulos e valores mobiliários etc.
Hoji (2012) diz que dentre os Bancos de Desenvolvimento, o 
BNDES destaca-se como o principal agente do Governo Federal para 
financiamento de médio e longo prazo. As instituições de fomento 
116
regionais são o Banco do Nordeste do Brasil e o Banco da Amazô-
nia. Os bancos de desenvolvimento estaduais são controlados pelos 
governos estaduais, e repassam recursos oficiais e externos. Assaf 
Neto (2014) diz que os bancos de desenvolvimento apoiam formal-
mente o setor privado da economia, por meio principalmente de 
operações de empréstimos e financiamentos, arrendamento mer-
cantil, garantias entre outras.
Segundo Assaf Neto (2014) as sociedades de crédito, finan-
ciamento e investimento, mas conhecidas como financeiras, dedi-
cam-se basicamente ao financiamento de bens duráveis às pessoas 
físicas (usuários finais) por meio do mecanismo denominado crédi-
to direto ao consumidor – CDC. As financeiras podem também rea-
lizar repasses de recursos governamentais, financiar profissionais 
autônomos legalmente habilitados e conceder crédito pessoal.
De acordo com Hoji (2012) as sociedades de arrendamento 
mercantil são mais conhecidas por empresas de leasing. Essas em-
presas captam recursos por meio da emissão de debentures e em-
préstimos de médio e longo prazo e financiam a compra de bens 
como máquinas e veículos. Assaf Neto (2014) diz que essas insti-
tuições também praticam operações de cessões de créditos, que 
consistem na negociação das contraprestações dos contratos de ar-
rendamento realizados com outras instituições financeiras.
Os principais tipos de leasing, são: leasing operacional, leasing 
financeiro e lease-back.
Assaf Neto (2014) afirma que as cooperativas de crédito são 
instituições voltadas a oferecer créditos a prestar determinados 
serviços financeiros a seus associados. De acordo com a legislação 
em vigor a cooperativa de crédito é equiparada a uma instituição 
financeira, tendo seu funcionamento regulado e autorizado pelo 
Banco Central. Os recursos são captados dos associados por meio 
de depósitos a vista e a prazo, e também de empréstimos, repasses 
e refinanciamentos de outras instituições financeiras, bem como 
podem receber doações. A concessão de crédito pode ser realizada 
mediante empréstimos, descontos de títulos e financiamentos.
Segundo Assaf Neto (2014) as sociedades de crédito imobi-
liário são voltadas para o financiamento de operações imobiliárias, 
117
que envolvem a compra e venda de bens imóveis. Também prestam 
apoio financeiro a outras operações do setor imobiliário, como ven-
das de loteamentos, incorporações de prédios etc. Os recursos são 
levantados por meio de letras imobiliárias e poupança.
A MRV e Participações S.A. é uma das maiores incorporadoras e 
construtoras brasileiras no segmento de empreendimentos resi-
denciais populares, e já está no mercado há mais de 40 anos. 
Conforme Assaf Neto (2014) as sociedades de poupança e em-
préstimos (APE) são instituições financeiras que atuam também na 
área habitacional, por meio de financiamentos imobiliários, fazem 
parte do Sistema Brasileiro de Poupança (SBPE), atuam de forma 
restrita em determinada região e,a principal alternativa de capta-
ção financeira é a poupança, cujos depositantes são pessoas físicas.
O mesmo autor afirma com a extinção do Banco Nacional de 
Habitação (BNH), o sistema financeiro de habitação do Brasil pas-
sou a ser constituído praticamente pelas instituições integrantes 
do SBPE, que são: Caixa Econômica Federal, sociedade de crédito 
imobiliário, associações de poupança e empréstimos e bancos múl-
tiplos com carteira de crédito imobiliário. A captação de recursos é 
identificada principalmente pelas cadernetas de poupança e pelos 
fundos do FGTS.
De acordo com a estrutura do SFN no subsistema de inter-
mediação, estão as instituições auxiliares, que são formadas pelas 
bolsas de valores, sociedades corretoras, sociedades distri buidoras 
e, agentes autônomos de investimentos. Vamos ver o que os autores 
têm a nos dizer a respeito delas?
De acordo com Hoji (2012) as bolsas de valores, de merca-
dorias e de futuros são instituições constituídas pelas corretoras 
de valores para fornecer a infraestrutura do mercado de ações, 
CURIOSIDADE
118
mercadorias e futuros. A principal função da bolsa é a de manter 
um local adequado para as negociações de compra e venda de ações, 
mercadorias e índices. Esse local chama- se pregão e, as operações 
feitas fora das bolsas são chamadas operações de balcão. A única 
bolsa que negocia ações no Brasil é a BM&FBovespa, criada em 2008 
com a fusão entre a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e a Bol-
sa de valores de São Paulo (Bovespa).
Porém em 22 de março de 2017, a partir de uma fusão da Cen-
tral de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip) com a 
Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa) foi cria-
da a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), é uma das principais empresas de 
infraestrutura de mercado financeiro no mundo, com atuação em 
ambiente de bolsa e de balcão, a mesma está localizada na cidade 
de São Paulo, no Centro da cidade. Isso será mais explicado a seguir.
De acordo com Assaf Neto (2014) as sociedades corretoras 
são instituições que efetuam, com exclusividade, a intermediação 
financeira nos pregões das bolsas de valores. No que refere- se às 
sociedades distribuidoras, Assaf Neto (2014) diz que são instituições 
intermediárias de títulos e valores mobiliários, cujos objetivos bási-
cos se assemelham aos das corretoras.
Assaf Neto (2014) diz que os agentes autônomos de inves ti-
mentos são pessoas físicas credenciadas pelas instituições financei-
ras intermediárias (corretoras, distribuidoras, bancos e financeiras) 
para atuarem na colocação de títulos e valores mobiliários e outros 
serviços financeiros no mercado, recebendo em troca uma comissão. 
Vamos recordar a estrutura do SFN, lá temos as instituições 
não financeiras, que de acordo com Assaf Neto (2014) as sociedades 
de fomento comercial (factoring) são empresas comerciais (não fi-
nanceiras) que operam por meio de aquisições de duplicatas, che-
que etc, de forma similar a uma operação de desconto bancário. Hoji 
(2012) diz que as factoring não estão sujeitas às normas do Banco 
Central.
119
Até agora você aprendeu como é composta a estrutura do Sistema 
Financeiro Nacional e quais são os principais conceitos e as ativida-
des de cada um dos órgãos que compõem. Agora vamos mergulhar 
no mundo das Bolsas de Valores, como surgiram, sua história e a 
Bolsa de Valores do Brasil, na qual todos podemos investir. Vamos 
lá? 
Bolsa de valores 
De acordo com Pinheiro (2012) as bolsas de valores são instituições 
de caráter econômico que tem como objetivo a negociação pública 
mercantil de títulos e valores mobiliários, ou seja, é o local onde se 
compram e vendem ações. Nelas ocorre a canalização da oferta e de-
manda dos investidores e a publicação oficial dos preços ou cotações 
resultantes das operações realizadas.
De acordo com Assaf Neto (2014) as Bolsas de Valores são en-
tidades, cujo objetivo básico é o de manter um local em condições 
adequadas para a realização de operações de compra e venda de tí-
tulos e valores mobiliários.
A Bolsa de Valores se preocupa em preservar os valores éticos 
nas negociações realizadas em seu âmbito, e a divulgação rápida e 
eficiente dos resultados de todas as transações realizadas.
Segundo Pinheiro (2012) as bolsas estão abertas a todo tipo de 
indivíduos e instituições financeiras e, apesar de possuírem poder 
de autorregulamentação, estão sujeitas ao controle e à regulamen-
tação de algum órgão governamental de controle, como no caso da 
CVM no Brasil e a SEC nos Estados Unidos.
Pinheiro (2012) diz que os principais objetivos de uma bolsa 
de valores são: 
SINTETIZANDO
120
 • facilitar a troca de fundos entre entidades que precisam de fi-
nanciamento e os investidores; 
 • proporcionar liquidez aos investidores em bolsa; 
 • fixação do preço dos títulos através da lei da oferta e da de-
manda; dar informações aos investidores sobre as empresas 
que negociam em bolsa; 
 • proporcionar confiança aos investidores, já que as compras e 
as vendas de valores estão garantidas juridicamente;
 • publicar os preços e as qualidades negociadas para informar 
aos investidores e entidades interessadas.
As empresas admitidas em bolsa de valores devem informar 
periodicamente sua evolução econômica e cumprir uma série de re-
quisitos, para que a bolsa possa dar informações aos investidores 
sobre as empresas.
Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa
De acordo com Pinheiro (2012) a bolsa de valores de São Paulo (Bo-
vespa) foi fundada em 23 de agosto de 1890 como entidade oficial 
corporativa, porém a Bovespa só assumiu a característica institu-
cional com as reformas do sistema financeiro nacional e do mercado 
de capitais em 1965-1966, ou seja, tornou-se uma associação civil 
sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e 
patrimonial, o Quadro 1 mostra o histórico da Bovespa.
Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa (st)
De acordo com Pinheiro (2012) a bolsa de valores de São Pau-
lo (Bovespa) foi fundada em 23 de agosto de 1890 como entidade 
oficial corporativa, porém a Bovespa só assumiu a característica 
institucional com as reformas do sistema financeiro nacional e do 
mercado de capitais em 1965-1966, ou seja, tornou-se uma asso-
ciação civil sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, fi-
nanceira e patrimonial, o Quadro 1 mostra o histórico da Bovespa.
121
Quadro 1: Resumo da Bovespa
Final do século XIX
1890 - inauguração da Bolsa Livre em 23/8/1890 por Emílio Ran-
gel Pestana. 
1891 - fechamento da Bolsa Livre.
1895 - fundação da Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo.
Década de 1930
1934 - desenvolvimento e instalação da bolsa no Palácio do Café. 
1935 - a bolsa ganha o nome de Bolsa Oficial de Valores de São 
Paulo.
Década de 1960
1960 - a bolsa deixa de ser subordinada à Secretaria da Fazenda 
do Estado e ganha características institucionais, com autonomia 
administrativa, financeira e patrimonial. 
1967 - a bolsa passa a charmar-se Bolsa de Valores de São Paulo.
1967 - são formadas as Sociedades Corretoras de Títulos e Valores 
Mobiliários.
Década de 1970
1970 - os negócios passam a ser registrados de forma eletrônica.
1972 - a Bovespa é a primeira bolsa a implementar o pregão 
automatizado.
Década de 1990
1990 - iniciam-se as negociações através do Sistema de Negocia-
ção Eletrônica - Cats. 
1997 - o Mega bolsa é implantado.
1999 - lançamento do home broker e after-market.
122
Anos 2000
2000 - integração das bolsas brasileiras. 
2005 - fim do pregão viva voz.
2006 - a Bovespa implanta uma nova Infraestrutura de Tecnolo-
gia da Informação. 
2007 - desmutualização, a Bovespa deixa de ser uma institui-
ção sem fins lucrativos e torna-se uma S.A. Foi criada a Bovespa 
Holding.
Fonte: Pinheiro (2012, p. 302)
Bolsa de Mercadorias & futuros (BM&F)
De acordo com Pinheiro (2012) a Bolsa de Mercadorias de São Pau-
lo (BMSP) foi criada no Brasil em 26 de outubro de 1917, devido à 
necessidade dos empresários paulistasligados à exportação, ao co-
mércio e à agricultura, o quadro 2 mostra de forma resumida a his-
tória da BM&F.
Quadro 2: Resumo da Bolsa de Mercadorias de São Paulo BM&F
Ano Fato ocorrido
1985 Surge a Bolsa Mercantil & de Futuros.
1986 Começam a funcionar os pregões da BM&F.
1991
BM&F e BMSP fundem suas atividades, e surge a Bolsa 
de Mercadorias & Futuros, também com a sigla BM&F.
1997
Ocorre a Fusão entre a Bolsa Brasileira de Futuros (BBF) 
do Rio de Janeiro com a BM&F, e assim consolidando a 
BM&F como o principal centro de negócios de derivati-
vos do Mercosul.
2000
A BM&F ingressa na Aliança Globex, formada pelas bol-
sas de Chicago, Paris, Cingapura, Madri, e Montreal.
123
2002
Inicio das atividades de Clearing de Câmbio BM&F. 
BM&F adquiriu da Companhia Brasileira de Liquidação e 
Custódia os direitos de operacionalização das atividades.
2002
BM&F negociou com a Federação Brasileira das Associa-
ções de Bancos (Febraban) e com a Central de Compen-
sação e Liquidação S.A., visando a cessação das atividades 
de registro, compensação e liquidação de operações com 
títulos públicos e privados de renda fixa. Lançou a Bol-
sa Brasileira de Mercadorias, e as bolsas de mercadorias 
de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio 
Grande do Sul e Uberlândia, foram transformadas em 
Centrais Regionais de Operação.
2004
Iniciadas as operações da Clearing de Ativos da BM&F; 
CMN autoriza as bolsas de futuros a constituir banco co-
mercial. Iniciou o processo de criação do Banco BM&F.
2007
Iniciou o processo de desmutualização, para se preparar 
para a abertura de capital. 
BM&F torna-se de capital aberto.
2008
BM&F e Bovespa se uniram para formar a Bolsa de Valo-
res, Mercadorias e Futuros a BM&FBovespa.
Fonte: Adaptado de Pinheiro (2012)
Você já havia ouvido falar em desmutualização? Sabe o que é? 
Não? Então, antes que você vá pesquisar no Google, estou colocando 
uma nota que certamente vai lhe ajudar a entender.
Desmutualização é o processo de alteração societária em bolsa de 
valores.
DEFINIÇÃO
124
Surgimento da BM&FBovespa
De acordo com Pinheiro (2012) a BMF&Bovespa é uma instituição 
que atua nas relações de trocas de recursos entre poupadores e to-
madores, foi criada em 04 de julho de 2008 a partir da fusão da Bolsa 
de Valores de São Paulo e da Bolsa de Mercadorias e Futuros, tor-
nando-se a única Bolsa de Valores, Mercados e Futuros em opera-
ção no Brasil. A soma do valor de mercado das duas bolsas resultou 
na terceira maior bolsa em valor de mercado em preços de maio de 
2008, ficando atrás apenas da alemã (Deustsche Borse) e da america-
na (Chicago Mercantile Exchange). Com isso também a BM&FBovespa 
se torna a maior da América Latina nos mercados de ações e deriva-
tivos, com participação de aproximadamente 80% do volume médio 
diário negociado com ações.
Segundo Pinheiro (2012) a BM&FBovespa tem como finali-
dades, desenvolver, implantar e prover sistemas para a negociação 
de ações, derivativos de ações, títulos de renda fixa, títulos públi-
cos federais, derivativos financeiros, moedas a vista e commodities 
agropecuários. Faz a compensação e liquidação física e financeira 
das operações que ocorrem em pregões e em sistemas.
B3 - Brasil, Bolsa, Balcão
De acordo com informações disponíveis no site da Bolsa de Valores, 
a B3 é uma sociedade de capital aberto, foi criada em março de 2017, 
a partir da fusão entre a BM&FBovespa e a Cetip, dando origem a 
uma das principais empresas de infraestrutura de mercado finan-
ceiro do mundo, a qual atua em ambiente de bolsa e de balcão. 
Negociações
De acordo com Lagioia (2011) existem duas formas de se negociar 
ações na Bovespa (B3), que são no Mercado à Vista e no Mercado 
Futuro, a diferença é que no Mercado à Vista a liquidação da ope-
ração se dá no momento que ocorre a operação de compra ou de 
venda das ações, enquanto que no Mercado Futuro, a liquidação das 
125
transações realizadas ocorre em um momento futuro, conforme o 
acordo firmado entre o comprador e vendedor. O Mercado Futuro se 
subdivide em três outros mercados que são: o Mercado a Termo, o 
mercado de Opções e o Mercado Futuro de Ações.
Mercado de ações
De acordo com Pinheiro (2012) as negociações com ações no mer-
cado brasileiro são realizadas através de mercado eletrônico, com o 
objetivo de viabilizar a realização de operação de compra e venda de 
ações em mercado livre e aberto.
O sistema eletrônico de negociação permite que as sociedades 
corretoras executem as ordens de seus clientes por meio de termi-
nais de computadores, sem a necessidade de presença física de seus 
representantes nos pregões da bolsa.
Pinheiro (2012) diz que o sistema de negociação eletrônica, o 
qual é regulado e fiscalizado pela bolsa, compreende as operações 
de compra e venda a vista de ações e de opções sobre ações, bem 
como índices de ações, as operações são realizadas pelas correto-
ras credenciadas e também as registradas por meio de conexões 
eletrônicas.
Segundo Pinheiro (2012) as negociações com ações requerem 
a intermediação das sociedades corretoras de títulos e valores mo-
biliários, credenciados para executar as ordens de compra e venda 
de seus clientes em pregão. Sendo que para execução dessas ordens, 
cada corretora membro possui operadores dentro do pregão e ter-
minais de computador interligados aos sistemas de bolsa. 
Hoje em dia, os bancos comerciais possuem corretoras que permi-
tem fazer esse tipo de investimento sem que seus conrrentistas pre-
cisem contratar outras corretoras. Você pode fazer investimentos 
REFLITA
126
em ações por meio do banco que tem conta corrente, caso este tenha 
uma corretora ? 
A figura 6 mostra o fluxo da operação de compra de ações.
Figura 6 - Fluxo da operação de compra de ações
Fonte: Adaptado de Pinheiro (2012, p.349)
De acordo com Assaf Neto (2014) o preço da ação na bolsa 
é formado pelo fluxo de oferta e procura de cada papel, sendo que 
a maior demanda por uma ação influencia em sua valorização no 
mercado e a maior oferta de venda motiva a desvalorização. Todo o 
comportamento depende em grande parte da situação atual e espe-
rada da empresa, de indicadores econômicos e setoriais, mudanças 
tecnológicas, movimentação na economia mundial, fatores políti-
cos nacionais e mundiais, entre outros.
O investidor pode aplicar em ações também através de Fun-
dos de Ações, administrados por instituições financeiras, ou através 
de clubes de investimentos, formado por pessoas físicas que tem 
por objetivo comum formarem uma carteira. Pode também utilizar 
a corretora de um banco comercial.
Mercado de opções
De acordo com Pinheiro (2012) o mercado de opções é uma modali-
dade operacional em que não se negociam ações objeto, mas direitos 
sobre elas. Opções são direitos de uma parte comprar ou vender a 
127
outra, até determinada data, certa quantidade de ações objeto a um 
preço estabelecido, ou seja, no mercado de opções não ocorre a ne-
gociação da ação, mas dos direitos sobre ela. Sendo que o titular de 
uma opção paga um prêmio por esses direitos, podendo exercê-lo 
até a data do vencimento (no caso de uma opção americana) ou na 
data de vencimento (no caso de opção européia), ou revende-lo no 
mercado. A figura 7 mostra quais são os elementos de um contrato 
de opções. 
Figura 7: Elementos de um contrato de opções
Fonte: Pinheiro (2012, p. 390)
128
Existem três tipos de opções que são: 
 • opção americana, a qual pode ser exercida em qualquer mo-
mento, desde a compra até a data do vencimento; 
 • opção européia, esta só pode ser exercida na data de venci-
mento e; 
 • opção asiática, opção cujo valor no vencimento não depen-
de do preço da ação-objeto nesse momento, mas da média de 
seus preços em determinado período de tempo.
Lagioia (2011) afirma que no mercado de opções são nego-
ciados contratos que dão o direito de compra ou venda de ações. Por 
sua vez, Assaf Neto (2014) afirma que uma opção de compra oferece 
ao titular o direito de adquiriras ações objeto previstas no contra-
to, ao preço conveniado (preço de exercício), e obedecidas às con-
dições estabelecidas pela Bolsa de Valores. Sendo que este direito 
(opção) pode, a qualquer momento, ser negociado pelo comprador 
de mercado.
O vendedor de uma opção de compra é denominado lançador. 
Ele assume o compromisso de vender (entregar) as ações objeto em 
caso do comprador decidir exercer seu direito.
De acordo com Assaf Neto (2014) uma opção de venda confere 
ao seu titular o direito de vender as ações objeto, ao preço ajustado 
e obedecidas as condições da Bolsa de Valores. Portanto, a qualquer 
momento o titular pode negociar seu direito de venda. Sendo que o 
lançador (vendedor da opção de venda) tem o compromisso perante 
a Bolsa de comprar as ações objeto caso o direito seja exercido pelo 
comprador.
Pinheiro (2012) diz que se a opção for de compra, o direito 
será de comprar put options. Se for de venda, o direito será de vender 
call options.
De acordo com Pinheiro (2012), o titular de uma opção tem 
sempre os direitos e o lançador sempre as obrigações. Os direitos 
são negociados por um preço, o prêmio, que é o valor pago pelo ti-
tular e recebido pelo lançador. Segundo Pinheiro (2012) o titular de 
uma opção de compra sempre acredita que o preço da ação irá subir, 
129
enquanto que o lançador a descoberto acha que vai cair. Já o titular 
de uma opção de venda sempre acredita que o preço de uma ação irá 
cair, enquanto o lançador espera que as cotações subam de forma a 
não ser exercido.
Negociações a descoberto é a venda de títulos não possuídos 
pelo investidor. 
Exemplo
Um investidor pode dar uma ordem de venda a uma corretora de 
100.000 ações da Cia. Vale do Rio Doce sem as possuir. Sendo que 
para realizar esta operação de venda a descoberto a corretora nego-
cia o empréstimo dessas ações junto a outro investidor e as vende 
no mercado à vista.
O quadro 3 mostra como ocorrem os ganhos e perdas com 
opções.
Quadro 3 - Ganhos e perdas das opções
Titular de uma opção
Ganha Perde
Se levar a posição ao vencimen-
to ganha, ganha o diferencial 
entre o preço de mercado e o 
preço de exercício, menos o va-
lor do prêmio (ganho limitado).
Perde, no máximo, o valor 
investido no prêmio (perda 
determinada).
Lançador de uma opção
Ganha Perde
EXEMPLO
130
Se reverter a posição, ele ganha 
a diferença entre os valores dos 
prêmios de compra e de venda 
(ganho limitado)
O lançador de uma opção de 
compra assume a possibilidade 
de vender a ação ao titular da 
opção (troca um ganho limitado 
por uma perda ilimitada).
Fonte: Adaptado de Pinheiro (2012, p. 393)
Em função dos direitos adquiridos e das obrigações assumi-
das nos lançamentos, o titular (comprador) paga e o lançador re-
cebe uma quantia denominada prêmio. O prêmio ou preço da opção 
é negociado entre comprador e lançador, pelos seus representantes 
no pregão da bolsa. Ele reflete fatores como oferta e demanda, pra-
zo de vigência da opção, diferença entre preço do exercício e preço 
à vista da ação objeto, volatilidade de preços. Portanto o valor do 
prêmio é o resultado das forças de oferta e procura e oscila de acor-
do com a variação do preço da ação.
Mercado futuro
De acordo com Pinheiro (2012) o mercado futuro de ações da BM&-
FBovespa (B3) compreende a compra e venda de ações a um pre-
ço acordado entre as partes, para vencimento em data especifica 
previamente definida e autorizada. Já, Lagioia (2011), afirma que 
o Mercado Futuro é muito utilizado com operações vinculadas às 
commodities e a outros ativos financeiros, o mercado futuro agora 
também está sendo aplicado às ações.
De acordo com Lagioia (2011) um contrato futuro representa 
um contrato padronizado onde é especificado o bem objeto do con-
trato (ex. ação), o seu volume (a quantidade) e a data da liquidação 
do mesmo. Quando um negócio é fechado no futuro, as partes não 
se relacionam mais entre si, pois a câmara de compensação da bol-
sa (CBLC) assume a parte oposta, quer em relação ao comprador ou 
ao vendedor. Um contrato futuro pode ser transferido a terceiros ou 
ainda encerrado antes de seu vencimento, mediante uma operação 
de natureza inversa.
131
De acordo com Pinheiro (2012), numa operação a futuro, as 
duas partes intervenientes realizam compra e venda de determina-
da quantidade de um bem, por um preço acordado entre elas, para 
liquidação numa data futura. A única diferença com as operações à 
vista é a data de liquidação da operação, pois a fim de propiciar li-
quidez no mercado futuro, as datas de vencimento são padroniza-
das pela bolsa. As operações são fechadas para aqueles vencimentos 
que estão em aberto.
De acordo com Pinheiro (2012) a diferença entre as operações 
a vista com as do mercado a futuro, é que nas operações a vista as 
duas partes estão efetivamente comprando e vendendo a ação, en-
quanto que na operação a futuro estão assumindo compromisso de 
comprar e vender em determinada data futura.
Na bolsa de valores podem ser negociados os mais diversos 
tipos de contratos, desde produtos agropecuários (café, boi gordo, 
algodão etc) até produtos financeiros (ouro, dólar, índice de ações, 
taxa de juros etc). São negociadas as ações das empresas que pos-
suem capital aberto, das mais variadas atividades.
132
UN
ID
AD
E
4
Objetivos
1. Conhecer os principais indicadores econômicos e como eles 
impactam no risco das empresas.
2. Compreender as finanças, seus conceitos e funções.
3. Conhecer a importância da gestão de riscos.
4. Conhecer a relação entre o risco e a rentabilidade, bem como 
se faz uma análise de crédito.
134
Introdução
Olá, aluno(a)!
O estudo das finanças é fundamental para as empresas, tanto para 
seu crescimento quanto para as decisões de investimentos. Conhe-
cer os indicadores econômicos é muito importante para um gestor e 
também para nós pessoas físicas, saber o que pode afetar a econo-
mia e saber dos riscos a que se está sujeito.
Este capítulo está dividido em quatro objetos de aprendiza-
gens. No primeiro, você verá os indicadores econômicos e sua rela-
ção com a economia. No segundo, você verá as noções de finanças e 
as funções financeiras, com conceitos e exemplos. Em seguida, você 
vai compreender a gestão de riscos, quais riscos existem e como po-
dem afetar sua vida, seu trabalho, e também, como afeta a rentabi-
lidade. E por último, irá aprender sobre a análise de crédito e suas 
implicações nos investimentos e nos financiamentos. 
Então, preparado(a)? Vamos comigo mergulhar neste 
universo!
Bons estudos!
135
Indicadores econômicos
Segundo Lagioia (2011) os reflexos da política econômica de um país 
são expressos por indicadores, que são um conjunto de dados que 
dão ideia da situação da economia de um país, estado ou município, 
em determinado período de tempo. Os indicadores econômicos po-
dem ser utilizados em analises isoladamente ou de forma combina-
da. Os principais são: Produto Interno Bruto (PIB), Produto Nacional 
Bruto (PNB), Índice de Inflação, Taxa de Câmbio, Taxa Selic e Taxa 
de Juros de Longo Prazo (TJLP).
Esses indicadores podem ser utilizados para analisar o risco 
de uma operação, de uma atividade, seja ela econômica ou opera-
cional. Também, podem afetar a avaliação do risco do país. Mas, isso 
você verá mais adiante!
Produto Interno Bruto (PIB)
De acordo com Lagioia (2011) o Produto Interno Bruto (PIB) cor-
responde à soma de tudo o que é produzido dentro de um esperado 
espaço geográfico em um determinado período de tempo o qual ge-
ralmente é utilizado é de um ano, mas podem ser realizadas divul-
gações trimestrais e semestrais.
Produto Nacional Bruto (PNB)
Lagioia (2011) diz que o Produto Nacional Bruto (PNB) é o resultado 
de tudo o que foi produzido pelos agentes econômicos de determi-
nado país, em qualquer parte do mundo, enquanto que o PIB consi-
dera somente o que foi feito dentro de um país.
Se uma empresa brasileira constrói uma estrada na Inglater-
ra, o faturamento referentea essa estrada entra no PNB, mas não 
entra no PIB, já se a grife italiana Gucci vende uma bolsa no Brasil, 
o valor da venda entra no PIB brasileiro, mas não entra no PNB do 
nosso país. De acordo com Lagioia (2011) o comportamento do PIB 
ou PNB é um dos indicativos da saúde econômica de um país, pois 
136
determina o risco do país e a cotação de papéis no mercado finan-
ceiro internacional.
Índices de inflação
Os índices de inflação, conforme Lagioia (2011), correspondem à 
média das variações dos preços dos produtos consumido pelas famí-
lias das diferentes faixas de renda e em diversas regiões brasileiras.
Imagine uma família em que cada pessoa tem hábitos de con-
sumo diferente e, portanto, consomem produtos diversos. Sendo 
que o pai compra seus ternos e gravatas, a mãe compra os vestidos, 
e a filha a maquiagem. Todos esses produtos variam de preços, e 
dessa forma, cada pessoa “observa” sua própria inflação. Da mesma 
forma, as cidades e as regiões do país consomem artigos diferentes e 
quantidades diferentes dos mesmos artigos e, para apurar a inflação 
os órgãos responsáveis fazem médias de consumo, por extensão das 
cidades, regiões etc.
De acordo com Lagioia (2011) no Brasil, existem vários índi-
ces que registram a inflação e estão divididos em três grandes gru-
pos, que são: o índice de preços ao consumidor (IPC); índice geral 
de preços (IGP) e índices de preço ao consumidor de São Paulo (IPC 
/ FIPE).
Lagioia (2011) diz que os índices de preços ao consumidor, 
possuem cobertura nacional, são apurados pelo Instituto Brasilei-
ro de Geografia e Estatística (IBGE), e se dividem em duas catego-
rias: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo e o Índice 
Nacional de Preços ao Consumidor. O Índice Nacional de Preços ao 
Consumidor Amplo (IPCA) é atualmente o índice oficial do Brasil. 
Por ser considerado um índice mais relevante do ponto de vista da 
política monetária, ele verifica a variação dos preços dos produtos 
consumidos pelas famílias que possuem renda entre 1 e 40 salários 
mínimos, e foi escolhido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) 
como referência para o sistema de metas da inflação, o qual é utili-
zado desde 1999. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) 
é muito utilizado nos dissídios salariais, pois representa a variação 
137
de preços dos artigos consumidos por famílias que ganham até oito 
salários mínimos e residem nas áreas urbanas.
De acordo com Lagioia (2011) os índices gerais de preços, são 
apurados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e se dividem em três 
categorias, sendo o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), Ín-
dice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) e o Índice 
Geral de Preços – Versão 10 (IGP-10). Os indicadores da “família 
IGP são muito utilizados no mercado financeiro, como para balizar 
as correções de alguns títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e De-
pósitos Bancários com renda pós-fixada acima de um ano, também 
são utilizados para correção dos contratos de aluguel e como inde-
xador de algumas tarifas como energia elétrica.
O que diferencia entre cada um dos índices da família IGP é 
somente o período de coleta dos preços, sendo que para o IGP-M são 
feitas três apurações mensais, enquanto que para o IGP- DI e IGP-
10 são realizadas apenas uma apuração mensal.
Os IGP são compostos pelo Índice de Preços por Atacado 
(IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional de 
Custos da Construção Civil (INCC). E agora que você já sabe os con-
ceitos sobre índices de preços, conseguiu associar o conteúdo a al-
gum fato da realidade?
De acordo com Lagioia (2011) o índice de preços ao consu-
midor de São Paulo é apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas 
Econômicas (FIPE), da Universidade de São Paulo (USP), ele mede a 
variação de preços para consumidores na cidade de São Paulo com 
base nos gastos de quem ganha de um a vinte salários mínimos, o 
período de pesquisas ocorre a partir do primeiro ao último dia útil 
de cada mês. É o mais tradicional indicador da evolução do custo de 
vida das famílias paulistanas e um dos mais antigos do Brasil, o qual 
teve início em 1939.
Taxa de câmbio
De acordo com Lagioia (2011) a taxa de câmbio é o valor que a moe-
da de um país possui em relação a outra moeda, apesar no nome 
“taxa”, o câmbio é um valor e não um “percentual”. Quando se fala 
138
em “câmbio de compra” estamos nos referindo ao valor pelo qual o 
agente financeiro que pode ser o banco ou casa de câmbio etc., está 
comprando a moeda, por outro lado, quando se fala em “câmbio de 
venda” estamos falando do valor pelo qual o agente financeiro está 
vendendo a moeda.
Segundo Ferreira (2012) a taxa de câmbio é o preço em moe-
da nacional de uma moeda estrangeira, o qual permite calcular a 
relação de troca, ela influencia diretamente no desempenho das 
bolsas de valores, uma vez que afeta toda a economia. Quer saber 
como isso acontece? Vou lhe dar um exemplo.
Uma queda na taxa de câmbio induz um aumento nas expor-
tações e para atender a essa demanda as empresas tendem a pro-
duzir mais e a contratar mais mão de obra, como consequência as 
empresas crescem e a economia também e a bolsa de valores que 
reflete o desempenho da economia apresentará uma alta, em função 
da queda na taxa de câmbio.
Taxa Selic
Lagioia (2011) diz que o Sistema Especial de Liquidação e Custódia 
(Taxa Selic) é a taxa média ponderada e ajustada das operações de 
financiamento por um dia, lastreadas em títulos públicos, é a partir 
dessa taxa que o governo vai oferecer ao mercado os seus títulos.
Assaf Neto (2012) diz que os títulos negociados na SELIC nor-
malmente apresentam elevada liquidez e risco reduzido, visto que 
são títulos públicos emitidos pelo poder público, sendo que a taxa 
desses títulos negociados se constituem na principal referência no 
mercado para a formação das taxas de juros. A taxa SELIC é normal-
mente expressa em taxa anual.
Taxa de juros de longo prazo (TJLP)
De acordo com Lagioia (2011) a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) 
é utilizada para remunerar empréstimos de longo prazo, possui 
um período de vigência de um trimestre-calendário, é fixada pelo 
139
Conselho Monetário Nacional e divulgada até o último dia útil do 
trimestre.
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudi-
nho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu 
o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você aprendeu sobre os indicadores econômicos, quais são eles e o 
que eles podem afetar na economia. Que podem afetar até mesmo o 
risco do país. Aprendeu sobre as taxas de medição de preços. Agora 
você está pronto para aprender um novo assunto, as finanças. Va-
mos lá! 
Noções de finanças
Objetivos das empresas
As empresas brasileiras com fins lucrativos, possuem como objetivo 
financeiro a maximização de seu valor de mercado, pois com a em-
presa consegue-se contribuir para o desenvolvimento da sociedade 
e de seus colaboradores (HOJI, 2012). As empresas geram empregos, 
e contribuem para a economia de um país, gerando e distribuindo 
riquezas. Ainda segundo Hoji (2012) a empresa, seja ela industrial, 
comercial, de prestação de serviços etc., contribui para o de-
senvolvimento da sociedade produzindo bens e serviços, pois ela 
processa recursos e fornece produtos, bens e serviços, dessa forma 
interagindo com o ambiente ao seu redor e assim cumprindo com 
seu papel na sociedade. Observe a Figura 1 e procure analisar onde 
você consegue se incluir e contribuir com o desenvolvimento da so-
ciedade. Que tal? Tenho certeza que você faz parte.
SINTETIZANDO
140
Figura 1 – A empresa como um sistema aberto.
Fonte: Padoveze (2012. p. 13)
De acordo com Hoji (2012) a empresa deve ser vista como um 
sistema de geração de lucro, em que os proprietários, ou acionis-
tas, injetam recursos com a finalidade de obter o retorno propor-
cional ao risco assumido, e para que a empresa produza o retorno 
adequado para os acionistas, os administradorese empregados que 
representam a empresa perante terceiros, devem interagir com os 
agentes externos para obter os resultados desejados em suas tran-
sações, conforme mostra a Figura 2.
Figura 2 – Visão da empresa como um sistema de geração de lucro.
Fonte: Hoji (2012, p. 4)
141
Uma empresa precisa gerar lucros para sobreviver, para po-
der investir e crescer, dar continuidade em suas atividades. Por este 
motivo, o estudo do lucro da empresa é fundamental. Mas, não ape-
nas o estudo do lucro, mas de toda a parte de finanças.
Segundo Padoveze (2016) o objetivo de finanças é a maxi-
mização do lucro, maximização da riqueza e criação de valor, e que 
a maximização do lucro é o principal objetivo de finanças, sendo 
considerado o propósito mais importante da atividade financeira. 
Porém, é possível fazer uma distinção entre os conceitos de maxi-
mização do lucro e maximização da riqueza.
Padoveze (2016) diz que o conceito de maximização do lucro 
parte da equação contábil de que o lucro é resultante das receitas 
menos as despesas. Porém, apesar de lógico este conceito pode não 
conduzir as empresas a uma melhor situação, pois a obtenção de um 
bom lucro não quer dizer que o futuro da empresa será beneficiado, 
visto que o conceito de maximização do lucro tem a visão no cur-
to prazo e não permitindo uma visão no longo prazo. Sendo que, os 
acionistas investem pensando em retornos recorrentes e contínuos 
ao longo prazo, razão por que gestões de aumento do lucro no curto 
prazo pode estar em desacordo com os interesses dos acionistas.
Ainda de acordo com Padoveze (2016) administradores das 
empresas com interesses dissociados dos acionistas podem tomar 
decisões que levem a obter um excelente lucro, mas comprometer o 
futuro da empresa. 
Alguns exemplos de possibilidades que pode levar a tais resultados 
são: redução ou suspensão dos gastos com treinamentos e capaci-
tação de funcionários; redução dos gastos com desenvolvimento de 
novos produtos; redução ou suspensão dos investimentos em mo-
dernização do parque operacional; aumento do volume de vendas 
por meio de descontos de preços, aumentando o valor do lucro, mas 
diminuindo a lucratividade dos produtos. 
EXEMPLO
142
Portanto, esse tipo de decisão está associado ao objetivo de 
obtenção de maior lucro em determinado período e não remete à 
geração de lucro futuro.
Conforme Padoveze (2016) a maximização da riqueza é o 
mesmo que criação de valor, pois a criação de valor representa o au-
mento da riqueza e maximizando-se a riqueza, maximiza-se o va-
lor. Sendo que, a riqueza compreende o valor patrimonial de alguém 
ou de uma empresa, o qual é mensurado economicamente , inclui 
todos os investimentos líquidos de suas dívidas e os lucros gerados 
por esses investimentos até o momento da mensuração da riqueza. 
O valor da riqueza dos acionistas é representado nas demonstrações 
financeiras pelo valor do capital próprio ou patrimônio líquido.
Funções de finanças
Para Padoveze (2016) as principais funções de finanças decorrem 
das decisões de investimento, de financiamento e de dividendos, as 
quais os administradores são levados a tomar no cotidiano, com o 
objetivo de criar valor para a empresa e para os acionistas.
 • Decisão de investimento 
Padoveze (2016) diz que a decisão de investimento é a mais 
importante das três, pois é a própria razão de ser de um empreen-
dimento, ou seja, um investimento para gerar produtos e serviços 
e, consequentemente, por meio destes, gerar resultados. A decisão 
de investir é a mais complexa das decisões financeiras, pois envolve 
incerteza em todo o seu processo, visto que trabalha com um inter-
valo de tempo no presente para uma recuperação no futuro.
De acordo com Hoji (2012) um investimento pode ser re-
presentado por aquisição de uma empresa, expansão de operação, 
implantação de software etc., os quais irão gerar resultados eco-
nômicos durante sua vida útil, porém, as decisões de investimen-
tos devem ser tomadas com base em informações cuidadosamente 
analisadas, pois comprometem a riqueza de uma empresa por lon-
go tempo e seu retorno efetivo pode ser estimado somente no pre-
sente, e por isso acaba gerando incerteza. Hoji (2012) diz que para a 
143
tomada de decisão, um investimento deve ser comparável com ou-
tro investimento.
Deve-se fazer a comparação entre a compra de um equipamento 
novo ou a manutenção do equipamento antigo; a instalação de uma 
fábrica nova ou o aumento da capacidade de produção da fábrica 
existente; investir em gastos em pesquisas e desenvolvimento ou 
comprar tecnologia existente no mercado. 
Ainda de acordo com Hoji (2012) a engenharia econômica tem 
a finalidade de possibilitar a escolha da melhor alternativa de inves-
timento, utilizando métodos de análise específicos, que demons-
trem com clareza os retornos sobre os investimentos, considerando 
os níveis de riscos assumidos, e assim proporcionem a otimização 
dos recursos.
Pense em alguma decisão de investimento que você teve de fazer em 
sua vida pessoal. Você teve de analisar uma série de questões antes 
de tomar a decisão. Porém nas empresas existem ferramentas que 
dão suporte para tomar as decisões de forma a reduzir os riscos. 
Conforme Souza e Clemente (2012) um investimento, para a 
empresa, é um desembolso feito visando gerar um fluxo de bene-
fícios futuros, usualmente superior a um ano, porém a decisão de 
investir é de natureza complexa, pois depende do retorno esperado. 
E, quanto maiores forem os ganhos futuros, mais atraentes esse in-
vestimento parecerá para qualquer investidor, porém os ganhos fu-
turos não são certos. Temos dois fatores que devem ser analisados, 
EXEMPLO
REFLITA
144
que são os retornos esperados que atraem os investidores e o risco 
que o afasta. Portanto, para a decisão de investimento é necessário 
realizar a estimativa do retorno esperado e do grau de risco associa-
do a esse retorno.
Padoveze (2016) diz que as propostas de investimentos en-
volvem riscos, visto que os benefícios futuros não são conhecidos 
e que o capital investido tem um custo financeiro ou de capital, e 
que o mesmo deve ser recuperado para justificar o investimento e 
o risco e, portanto, algumas variáveis (ver exemplo abaixo) devem 
ser analisadas para a tomada de decisão. 
O valor do investimento; o período previsto de operacionalização 
do investimento; os fluxos futuros de lucros e caixa previstos pelo 
investimento durante o período previsto; o risco envolvido no in-
vestimento; o custo de capital. 
No que se refere ao balanço patrimonial, a decisão de inves-
timento está no ativo. Hoji (2012) diz que é importante realizar a 
avaliação econômica e financeira de investimentos para avaliar o 
fluxo de caixa futuro gerado pelo investimento realizado, visto que, 
existe o desembolso inicial e espera-se que o fluxo de caixa líquido 
seja positivo em períodos futuros.
 • Decisão de financiamento
De acordo com Padoveze (2016) a decisão de financiamento é 
a segunda decisão mais importante, pois o administrador financeiro 
é responsável por determinar o melhor mix de financiamento para 
o projeto ou estrutura de capital da empresa, seja, capital próprio 
ou capital de terceiros. A decisão de financiamento envolve algumas 
variáveis, tais como: o montante do investimento; a disponibilidade 
de fundos de capital próprio ou de terceiros; o risco do investimen-
to; o custo de capital das fontes de financiamento. No que se refere 
EXEMPLO
145
ao balanço patrimonial, a decisão de financiamento está ligada ao 
passivo.
Definição
Capital próprio: é o dinheiro que os sócios ou acionistas investem 
na empresa e com os lucros obtidos da empresa ao longo do período. 
Capital de terceiros: pode ser obtido por meio de empréstimos, 
financiamentos e outros meios que não sejam sócios ou a própria 
empresa. 
Padoveze (2016) diz que a integralização de capital social é 
a principal fonte de recursos próprios, se a empresa for limitada, o 
dinheiro injetado na empresa a títulode capital social é registrado 
sob o nome de cotas e, se a empresa for uma sociedade anônima, 
seja de capital aberto ou fechado, é registrada sob o nome de ações. 
A outra fonte de recursos próprios é a reinversão de lucros, na qual 
a parcela de lucros obtidos em cada período que não é distribuída 
entre os acionistas, é automaticamente reinvertida, aplicada nova-
mente na empresa.
Hoji (2012) diz que são inúmeras as modalidades de finan-
ciamento existentes no mercado financeiro, sendo que as fontes de 
capital de terceiros podem ser tanto financiamentos quanto em-
préstimos e, portanto, os empréstimos e financiamentos podem ser 
em moeda nacional ou estrangeira. Os principais empréstimos e fi-
nanciamentos de capital de terceiros realizados em moeda nacional 
são: capital de giro, desconto de títulos, conta garantida, hot money, 
factoring, e recursos do BNDES. Enquanto os principais empréstimos 
e financiamentos em moeda estrangeira são: adiantamento sobre 
contratos de câmbio, financiamento de importação, arrendamento 
mercantil etc.
DEFINIÇÃO
146
Segundo Hoji (2012) os empréstimos para capital de giro são 
fornecidos por meio de contrato no qual são estabelecidas as con-
dições gerais e específicas da operação como valor, vencimento e a 
taxa de juros. Podem ser exigidas garantias, tais como: duplicatas, 
hipotecas etc.
Com relação ao desconto de títulos Hoji (2012) diz que o ce-
dente da duplicata ou nota promissória transfere ao banco o direito 
de recebê-los nos respectivos vencimentos, recebendo antecipa-
damente o valor líquido dos títulos após descontados os juros. No 
vencimento, o devedor paga o valor do título ao banco, que baixa da 
responsabilidade do cedente.
Hot Money de acordo com Hoji (2012) é um empréstimo de 
curtíssimo prazo, geralmente de um dia a uma semana, a taxa de 
juros é baseada no CDI, acrescida de spread do banco e impostos, de-
vido a cobrança de IOF e CPMF etc., o custo efetivo pode tornar-se 
excessivamente alto.
Conforme Hoji (2012) a conta garantida é para pessoa jurídi-
ca, na qual o banco abre uma conta de crédito para a empresa, a qual 
saca o valor de acordo com a necessidade e até o limite estabelecido, 
pode cobrir o saldo a qualquer tempo, sendo os encargos financei-
ros pagos periodicamente.
Factoring de acordo com Hoji (2012) é uma operação de fo-
mento comercial, na qual os direitos creditórios sobre a duplicatas 
são cedidos para a empresa de factoring, esta operação não é regula-
mentada pelo Banco Central. Por seu custo final ser mais alto que os 
praticados pelos bancos são normalmente utilizados por empresas 
de pequeno e médio porte quando têm dificuldades em obter linhas 
de crédito em bancos.
O BNDES possui diversas linhas de financiamento de má-
quinas e equipamentos de fabricação (FINAME); financiamento à 
exportação de máquinas e equipamentos, financiamentos para pe-
quenas empresas, entre outras.
Para Hoji (2012) o adiantamento sobre contratos de câmbio 
é um incentivo à exportação, devido a isso seu custo é mais baixo 
do que a taxa de mercado, o exportador de posse do contrato de 
147
fornecimento ou pedido de compra, recebe o valor equivalente em 
moeda local, convertido pela taxa de câmbio da data da operação. 
A operação pode ser realizada antes do embarque e recebe o nome 
de ACC ou após o embarque que passa a chamar-se ACE. E aí, ficou 
interessado no assunto e quer saber mais?
Em relação ao financiamento da importação, Hoji (2012) diz 
que os bens adquiridos no exterior podem ser financiados, e que em 
vez de o importador pagar as compras à vista, o banco paga a vista 
o exportador e importador fica devendo para o banco e pagará de 
acordo com o vencimento definido. É uma modalidade de crédito 
muito utilizada por empresas de importação, disponíveis em diver-
sos bancos comerciais.
De acordo com Hoji (2012), o Arrendamento mercantil é uma 
forma de financiamento de bens do Ativo Imobilizado, na qual por 
meio do Leasing uma empresa arrenda um bem do fabricante, o bem 
pode ser móvel ou imóvel, de fabricação nacional ou estrangeira, 
mediante pagamentos mensais, trimestrais etc., durante a vigência 
do contrato.
 • Decisão de dividendos
De acordo com Padoveze (2016) a decisão de dividendos é 
a terceira, e ela complementa as outras duas, decisões de investi-
mento e financiamentos, uma vez que trata do retorno do capital 
aos investidores após a geração de lucros e criação de valor, pois im-
plica na decisão de distribuir ou reter os lucros obtidos. Sendo que, 
a distribuição de dividendos determina a parcela de lucros que fica 
retido na empresa, a qual deve ser analisada em relação ao custo de 
oportunidade de autofinanciamento. A decisão de dividendos deve 
ser analisada sempre em relação à decisão de financiamento. No que 
se refere ao balanço patrimonial a decisão de dividendos está ligada 
ao passivo.
Tomada de decisão financeira e custo de capital
De acordo com Padoveze (2016) no que se refere às decisões finan-
ceiras e o custo de capital, a administração financeira se embasa na 
148
solução dessas três decisões (investimento, financiamento e divi-
dendos), pois elas estão inter-relacionadas e juntas elas determi-
nam o valor da empresa para os acionistas. 
Sendo que, o custo de capital das fontes de financiamento 
determina a avaliação do projeto de investimento e sua aceitação 
ou não. Enquanto que, os lucros gerados pelo investimento devem 
cobrir o custo de capital, remunerando as fontes próprias e de ter-
ceiros e gerando o valor adicionado para a empresa e os acionistas, 
e após a remuneração das fontes de financiamento de terceiros, a 
distribuição de dividendos justifica o investimento de capital dos 
acionistas. Portanto, o custo de capital é o elemento que integra as 
decisões de investimentos, financiamentos e dividendos.
Intermediação financeira
Pinheiro (2012) define intermediação financeira como uma ativida-
de que tem por finalidade viabilizar o atendimento das necessidades 
financeiras de curto, médio e longo prazo dos agentes econômicos 
deficitários. Ou seja, os que necessitam de recursos, ao mesmo tem-
po, aplicando o excedente monetário dos agentes econômicos supe-
ravitários, os poupadores que estão dispostos a realizar transações 
financeiras no mercado financeiro. Para melhor compreensão, ob-
serve a Figura 3.
Figura 3 - Intermediação financeira
Fonte: Adaptado de Pinheiro (2012)
De acordo com Pinheiro (2012), o processo de intermedia-
ção financeira funciona por meio da transferência de recursos en-
tre ofertadores de recursos (que podem ser pessoas físicas, pessoas 
jurídicas e governo federal, estadual e municipal, que possuem 
recursos excedentes), os tomadores de recursos (também podem 
ser pessoas físicas, pessoas jurídicas e governo federal, estadual 
e municipal, que necessitem de recursos), e a intermediação de 
compra dos recursos. Essa negociação é feita por (bancos; caixas 
149
econômicas; sociedade de crédito imobiliário; factoring; socieda-
des de crédito, financiamento e investimento; sociedade de crédi-
to mercantil etc.), sendo as transferências viabilizadas por meio de 
mercados financeiros. Você certamente em algum momento já foi 
poupador ou tomador. Você sabia como são realizadas essas opera-
ções financeiras?
Segundo Kerr (2011) a intermediação financeira pode ser di-
reta ou indireta. É direta quando o poupador deposita seus recursos 
excedentes em uma instituição financeira (ex. banco comercial) que 
recebe do poupador e repassa ao tomador; é indireta quando os in-
vestidores adquirem títulos de crédito mobiliários, como ações na 
bolsa de valores.
Se os recursos poupados forem aplicados para ampliar a ca-
pacidade produtiva podem aumentar ainda mais a renda dos pou-
padores, e desta forma representam um investimento. Portanto, 
poupança e investimento constituem a base do mercado financeiro.
Cavalcante, Misumi e Rudge (2009) dizem que a intermedia-
ção financeira é importante, pois funciona como forma de aproxi-
mar de forma organizada,a oferta e a procura, nas negociações com 
valores mobiliários, ativos financeiros e derivativos em geral. Sem a 
presença do intermediário financeiro, as pessoas que possuem re-
cursos ociosos e aquelas que necessitam de recursos para o desen-
volvimento das atividades econômicas teriam pouca oportunidade 
de se encontrarem, e quando estivessem frente a frente teriam di-
ficuldades e obstáculos na forma de negociar a oferta e a demanda 
dos recursos financeiros. Imagine como seria sem os intermediado-
res. Será que seria mais difícil conseguir crédito? Qual o impacto que 
isso teria na economia?
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudi-
nho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu 
o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
SINTETIZANDO
150
Você aprendeu os conceitos de finanças e como elas funcionam no 
cotidiano, quais os objetivos e funções de finanças. Agora está pron-
to para mais um assunto muito importante e interessante, os riscos. 
Vamos lá! 
Riscos financeiros e o ambiente econômico
Riscos em finanças
De acordo com Oliveira et.al. (2018) devido ao ambiente econômico 
ter sofrido grandes mudanças ao longo dos anos 2000, como con-
sequência foram trazidos novos níveis de risco à realidade das em-
presas, e como as empresas estão inseridas neste ambiente, estão 
submetidas a uma série de riscos devido à falta de certeza sobre o 
futuro. Portanto, o risco é inerente à atividade empresarial. Conhe-
cer os riscos, tomar decisões ou ações que possam reduzi-los ou eli-
miná-los, são algumas questões que devem ser consideradas antes 
de empreender ou conduzir qualquer atividade.
Segundo Hoji (2012) o risco existe em todas as operações em-
presariais, tudo que é decidido hoje, visando um resultado futuro, 
está sujeito a algum grau de risco. Porém, com base em condições 
e fatos conhecidos, podem-se projetar os fatos que acontecerão no 
futuro, sendo que os mesmos podem acontecer, mas não exatamen-
te como foi projetado.
Oliveira et.al. (2018) diz que em finanças o termo risco re-
presenta a probabilidade de perda, que de acordo com a definição 
financeira, é a dispersão de resultados inesperados, decorrentes do 
movimento das variações financeiras, ou seja, risco financeiro sig-
nifica estar exposto à volatilidade. Se ocorrer um movimento ad-
verso no preço ou na taxa de juros pode afetar os fluxos de caixa da 
empresa e, portanto, prejudicar sua rentabilidade ou valor de mer-
cado. Você deve estar se perguntando, como isso acontece na reali-
dade no meio empresarial. 
151
Aí vai um exemplo. Tenho certeza que a partir deste exemplo 
você vai conseguir pensar em muitos outros. E você, já passou por 
alguma situação de risco? Que tal tentar lembrar.
Uma empresa que se financia com uma taxa de juros variável esta-
rá exposta ao risco, pois se a taxa de juros subir os custos financeiros 
se elevarão também; ao contrário, se um investimento financeiro 
for realizado com taxa de juros variável, estará exposta ao risco, 
pois se as taxas de juros baixarem, ela poderá obter rendimentos 
menores se comparados com outras opções. 
Riscos versus incerteza
De acordo com Assaf Neto (2014) as decisões não são tomadas em 
ambiente de total certeza com relação a seus resultados, como essas 
decisões estão voltadas para o futuro, existe, portanto, a variável 
incerteza nas operações do mercado financeiro. Sendo que se a in-
certeza estiver associada a verificação de determinado evento que 
possa ser quantificada por meio de probabilidades dos diversos re-
sultados previstos, diz-se que a decisão está sendo tomada sob uma 
situação de risco. 
Oliveira et.al. (2018) diz que os riscos e as incertezas refletem 
rapidamente no sistema financeiro global em razão da grande in-
terconexão dos mercados, sabe-se também que muitos negócios e 
empresas deixarão de existir num futuro não muito distante, o que 
traz apreensão, e diante disso o tema risco ficou mais complexo e 
nenhuma organização está imune aos seus efeitos.
De acordo com Oliveira et.al. (2018) o risco pode ser entendi-
do como a incerteza a respeito dos resultados esperados e, tanto o 
risco como a incerteza, estão associados à existência de um conhe-
cimento incompleto, porém, há uma diferença conceitual entre eles. 
EXEMPLO
152
Os mesmos autores dizem que o risco se refere aos casos em que se 
conhecem os eventos futuros, se conhece a dimensão deles em ter-
mos do investimento analisado e, antecipadamente, também se co-
nhece a probabilidade de ocorrência desses eventos. Já a incerteza é 
a falta de certeza, ou seja, existe dúvida, pois são situações nas quais 
se tem conhecimento antecipado dos eventos futuros, podendo ou 
não saber a dimensão deles, mas não se sabe com antecedência a 
probabilidade de acontecerem.
Souza e Clemente (2012) afirmam que o termo incerteza é ge-
ralmente utilizado quando a informação é tão escassa que não se 
sabe quais os eventos possíveis ou se sabe os eventos possíveis, mas 
não se consegue atribuir probabilidade a eles. 
O comportamento da economia, as vendas futuras de certo produ-
to, o desgaste e custo de manutenção de equipamentos etc., pode 
se fazer previsão, mas não se pode determinar quando e com que 
intensidade eles irão ocorrer .
O termo risco é utilizado quando a informação disponível é 
suficiente para determinar os possíveis eventos e atribuir-lhes pro-
babilidade. Oliveira et. al. (2018) dizem que em uma situação de 
risco, sabe-se a exata distribuição de probabilidade de cada um dos 
eventos possíveis relacionados à decisão tomada.
De acordo com Oliveira et. al. (2018) a medição do risco é 
fundamental para o conhecimento do nível de probabilidade acei-
tável de perda de valores em determinados momentos e, a análise 
e o controle de riscos proporcionam informações sobre a realidade 
econômica empresarial. Portanto, é importante que o tema “risco” 
esteja no radar das empresas para que possam minimizar os efeitos 
e tomar as decisões mais adequadas.
EXEMPLO
153
Você já deve ter assistido nos telejornais reportagens sobre o ca-
dastro positivo. Você sabe o que é, e como ele impacta no merca-
do financeiro e quais os benefícios que você enquanto consumidor 
terá? Como já vimos, todas as operações financeiras apresentam 
riscos, pois as decisões são tomadas no presente para acontecer no 
futuro. Diante disso, o cadastro positivo tem como objetivo reduzir 
o índice de risco e incerteza no mercado financeiro. 
Riscos na atividade econômica, em empresas e 
mercados financeiros
De acordo com Oliveira et.al. (2018) são diversos os tipos de riscos 
que estão envolvidos na atividade econômica, e elas começam antes 
mesmo das operações serem fechadas e continuam após seu fecha-
mento. Sendo que, os riscos econômicos são os que derivam de ou-
tros fatores e que podem implicar a ocorrência de um maior nível de 
gastos ou de um menor nível de receitas, como por exemplo: avan-
ços tecnológicos podem implicar que determinados equipamentos 
produtivos fiquem obsoletos antes do prazo inicialmente previsto.
Segundo Hoji (2012) os riscos de natureza financeira po-
dem exercer impacto sobre os ativos e passivos financeiros, bem 
como sobre os preços futuros e podem causar grandes prejuízos 
financeiros.
Aumento inesperado e considerável do preço da matéria-prima; re-
dução forçada do preço de venda; aumento ou redução inesperada e 
considerável da taxa de câmbio; aumento ou redução inesperada e 
considerável da taxa de juros etc. 
DICA
EXEMPLO
154
E agora! Que tal refletir sobre quais são as causas da alta do dólar? 
Quais os impactos para a economia quer seja para os investidores, 
empresários sejam importadores ou exportadores e para você en-
quanto consumidor? 
No que se refere às negociações comerciais empresariais é o Dólar 
comercial que é utilizado, o dólar turismo é utilizado para conversão 
em operações para turistas. 
Oliveira et.al. (2018) afirmam que adotando uma visão estra-
tégica sobre a empresa,os riscos que elas estão expostas são:
 • riscos de negócios, que são os riscos que a empresa está dis-
posta a assumir para criar vantagens competitivas e agregar 
valor aos acionistas; 
 • riscos estratégicos, que são os riscos resultantes de mudanças 
fundamentais na economia ou no ambiente político; 
 • riscos financeiros, que são os riscos relacionados com as pos-
síveis perdas nos mercados financeiros, sendo que a exposição 
ao risco financeiro implica um ganho ou uma perda financei-
ra, dependendo do comportamento dos preços em questão.
De acordo com Oliveira et.al. (2018) as operações financeiras 
estão expostas a riscos que podem produzir grandes impactos nos 
resultados e na continuidade das empresas e dentre os diversos ris-
cos aos quais as empresas estão expostas, os riscos financeiros são 
considerados os mais importantes. 
REFLITA
CURIOSIDADE
155
Os riscos financeiros podem ser classificados em quatro cate-
gorias, que são: risco de mercado, risco de crédito, risco operacional 
e, risco legal.
 • Risco de mercado 
Segundo Oliveira et. al. (2018) os riscos de mercado se re-
ferem à possibilidade de perda em determinado período, os quais 
podem ser causados por fatores como, movimentos inesperados e 
adversos nas taxas de juros, taxas de câmbio ou preço dos ativos. 
De acordo com Mellagi Filho e Ishikawa (2007) o risco de 
mercado é o risco que engloba a mudança no cenário econômico que 
influencia todas as instituições. Oliveira et.al (2018) dizem que o 
risco de mercado é causado por oscilações dos indicadores macroe-
conômicos (inflação, desemprego).
Assaf Neto (2014) diz que o risco de mercado está relacio-
nado com o preço que o mercado estipula para ativos e passivos 
negociados pelos intermediadores financeiros, ou seja, com o com-
portamento verificado no preço de um bem no dia a dia. Este risco 
expressa quanto pode ser ganho ou perdido quando da aplicação em 
contratos e outros ativos diante de mudanças em seus preços de ne-
gociação. O risco de mercado pode ser entendido como as chances 
de perdas de uma instituição financeira decorrentes de comporta-
mentos adversos nos índices de inflação, taxas de juros, indicadores 
de bolsas de valores, preços de commoditties etc.
Que tal pensar no que ocorre com o dólar! O qual talvez seja o 
mais comum no nosso dia a dia, pois sempre ouvimos que tem uma 
alteração na taxa cambial.
 • Risco de crédito 
Oliveira et. al. (2018) dizem que o risco de crédito é a proba-
bilidade de que um cliente, que tomou um empréstimo e / ou crédi-
to, nem pague os juros conforme negociados. Está relacionado com 
a capacidade da outra parte de cumprir as obrigações negociadas. 
Sendo que quanto maior o montante da dívida e a taxa de juros que 
uma empresa pública ou privada deve pagar, maior a probabilidade 
de a soma da amortização e dos juros se tornarem um problema. 
156
Você já deve ter ouvido nos noticiários que a taxa de inadimplência 
aumentou ou diminuiu em determinado período. É através da va-
riação dessas taxas que conseguimos entender melhor como o ris-
co de crédito impacta em nossas vidas e na situação financeira das 
empresas. 
 • Risco operacional
Conforme Oliveira et. al. (2018) o risco operacional pode ser 
entendido pelo conjunto de incidentes possíveis na cadeia de ope-
rações e manipulações necessárias para materializar o posiciona-
mento no mercado. Os riscos operacionais são oriundos da falta de 
segurança na guarda e no transporte de ativos, da insuficiência de 
controles e informações, de processamento e controles inadequa-
dos, de quebra de sigilo, da possibilidade de fraudes. Podem ocasio-
nar riscos de crédito, liquidez etc.
Hoji (2012) diz que os riscos de natureza operacional podem 
ser causados por catástrofes, fraudes, falha humana, produtos e 
serviços. De acordo com Assaf Neto (2014) o risco operacional, é o 
risco de perdas (diretas e indiretas) determinadas por erros huma-
nos, falhas nos sistemas de informações e computadores. Ou seja, é 
a perda estimada caso a gestão de riscos não atinja seu objetivo de 
evitar perdas. O risco operacional pode se originar de três segmen-
tos: pessoas, processos e tecnologia.
Perda material que podem ser causadas por incêndio, naufrágio. 
Inundação, terremoto, guerra, colisão de veículos, roubo etc.; lu-
cro cessante que podem ser causados por perda de lucro em função 
da paralisação das operações pelo incêndio, falta de matéria-prima 
VOCÊ SABIA?
157
no mercado etc. E você conseguiu lembrar alguma situação? Que tal 
pensar nos casos das operações realizadas pela Lava Jato. 
De acordo com Assaf Neto (2014) para que uma instituição 
realize suas operações com garantia de sua eficiência e identificação 
de seu risco operacional, necessita de um bom sistema eletrônico 
de controle e acompanhamento de suas operações. O qual deve ser 
revisto e atualizado de maneira a reduzir as possibilidades de falhas.
Assaf Neto (2014) diz que a gestão do risco operacional pode 
ser entendida como um processo de medição e controle dos riscos 
presentes nas atividades normais de uma organização e, o geren-
ciamento envolve pessoas, sistemas e padrões de controle.
Uma inadimplência pode ser atribuída ao risco padrão espe-
rado do crédito ou a um erro humano presente na avaliação da con-
cessão do crédito.
 • Risco legal
Oliveira et. al. (2018) dizem que o risco legal traduz a possi-
bilidade de ocorrência de perdas pelo fato de um contrato não ter 
aplicabilidade legal e inclui riscos resultantes de documentação in-
suficiente e de poderes reduzidos da parte contraparte. Portanto, 
esse risco ocorre com a possibilidade de uma perda em função da 
não execução de uma operação provocada pela incapacidade de uma 
das partes não cumprir os compromissos, ou quando uma contra-
parte não tem autoridade legal para realizar uma transação.
De acordo com Assaf Neto (2014), o risco legal está relacio-
nado tanto à falta de uma legislação mais atualizada e eficiente com 
relação ao mercado financeiro, como a um eventual nível de des-
conhecimento jurídico na realização dos negócios. Outro aspecto 
inerente a risco legal é a falta de padronização jurídica e termos nos 
contratos financeiros elaborados em diferentes países, dificultando 
as transações internacionais. Oliveira et. al. (2018) dizem que o risco 
legal considera alterações nas leis que afetam as rotinas das insti-
tuições financeiras.
158
Mellagi Filho e Ishikawa (2007) dizem que as empresas po-
dem sofrer sanções devido a legislação vigente ser passível de mo-
dificações e dubiedade, bem como pode sofrer possíveis perdas por 
um mau entendimento dos tributos existentes. Ainda no que se re-
fere a perdas decorrentes do risco legal, Assaf Neto (2014) diz que 
podem ser identificadas na incerteza da qualidade da aplicação da 
lei, descumprimento de contratos, contratos firmados mal elabora-
dos e confusos, e assim por diante.
Gestão dos riscos 
De acordo com Hoji (2012) a gestão dos riscos é muito importan-
te em qualquer empresa, pois com o mercado globalizado, um fato 
econômico ocorrido na Ásia, provoca reflexo imediato na economia 
brasileira. Sendo que, principalmente os riscos de natureza finan-
ceira devem ser bem administrados, pois exercem impactos tam-
bém sobre as operações, como por exemplo, o aumento dos custos 
de produção ou financiamento é repassado aos preços e esse fator 
pode prejudicar as vendas.
Risco e retorno esperados
Para Assaf Neto (2014) o conceito de risco pode ser entendido de 
diferentes maneiras, dependendo da pessoa que está avaliando, 
alguns tipos de risco podem ser: risco aéreo, para uma companhia 
seguradora; risco de contrair uma doença para uma pessoa qual-
quer; risco de insucesso de um negócio, para o empresário; e assim 
por diante. Sendo o risco interpretado pelo nível de incerteza asso-
ciado a um acontecimento. No caso de empresas, os riscos se refe-
rem ao seu risco total, que é o risco econômico e o financeiro.
Segundo Assaf Neto (2014) as principais causas determinan-tes do risco econômico são de natureza conjuntural (alterações na 
economia, tecnologia etc.), de mercado (crescimento da concorrên-
cia) e do próprio planejamento e gestão da empresa (vendas, custos, 
preços, investimentos etc.). Enquanto que o risco financeiro está 
mais diretamente relacionado com o endividamento (passivo) da 
159
empresa, sua capacidade de pagamento, e não com as decisões de 
ativos, conforme definidas para o risco econômico. Sendo, portanto, 
que o risco total de qualquer ativo é definido pela parte sistemática, 
que é o risco sistemático ou conjuntural, e não sistemática, que é o 
risco específico ou próprio do ativo.
De acordo com Assaf Neto (2014) o risco sistemático é ine-
rente a todos os ativos negociados na carteira e, são determinados 
por eventos de natureza política, econômica e social, enquanto que 
o risco não sistemático é identificado nas características do próprio 
ativo, não se alastrando aos demais ativos da carteira. O risco sis-
temático, o qual também é chamado de risco “não diversificável”, 
risco de “mercado” e risco “comum”, este é um risco relacionado às 
condições macroeconômicas e estão fora do controle de um investi-
dor individual, e afeta todos os seguimentos econômicos.
E você já realizou algum tipo de investimento em ações? No 
que se refere ao retorno, Assaf Neto (2014) informa que pode ser 
entendido como um ganho ou perda, de um investimento em um 
determinado período de tempo.
Relação risco, retorno e investimento
Para Assaf Neto (2014) a postura de um investidor em relação ao ris-
co é pessoal, sendo que alguns podem ter um perfil avesso ao risco 
e preferem investimentos que possibilitem retorno com menor ris-
co, tem o que se mantém neutro sendo indiferente ao risco e tem o 
investidor que é propenso ao risco e prefere os investimentos com 
maior risco e retorno. E você? Qual é seu perfil de investidor? 
Os bancos possuem uma análise de perfil que indicam se você é mais 
propenso ao risco ou não, um investidor arrojado ou conservador. 
VOCÊ SABIA?
160
Risco e rentabilidade
De acordo com Oliveira et. al. (2018) a liquidez pode ser entendida 
como a capacidade de uma instituição honrar seus compromissos 
financeiros no vencimento. É um indicador bastante importan-
te para as empresas, visto que reflete a capacidade de pagamento 
delas, porém, a liquidez de uma empresa é motivo de preocupação 
para acionistas, credores, administradores e investidores, visto que 
pode impactar na rentabilidade dos acionistas e também na capaci-
dade de pagamento em geral.
Vamos utilizar como exemplo a moeda brasileira que é o Real, 
a liquidez mostra quanto de dinheiro a empresa tem para pagar seus 
credores, ou seja, para cada um Real que ela deve ela deve ter no 
mínimo um Real para pagar suas dívidas.
Padoveze (2016) diz que a liquidez é a condição que a em-
presa tem de honrar todos seus compromissos financeiros e quanto 
maior a liquidez, mais segurança a empresa tem. Porém, se a em-
presa busca preservar ao máximo a liquidez, a rentabilidade geral 
cai, pois, o rendimento tende a ser inferior a outras possibilidades 
de investimento de risco e com maior retorno.
Oliveira et. al. (2018) dizem que a liquidez apresenta risco, 
que é o risco assumido pelo tomador de empréstimo de não dispor 
dos fundos necessários para o pagamento da dívida, o qual pode ge-
rar diversas consequências, como por exemplo: o banco pode dimi-
nuir o limite de crédito, reduzindo o montante que está disposto a 
emprestar para a empresa. Portanto, é essencial fazer a gestão do 
risco, pois ela consiste em garantir a capacidade de pagamento da 
instituição, considerando o planejamento financeiro, os limites de 
risco e a otimização na utilização dos recursos disponíveis.
De acordo com Oliveira et. al. (2018) o mercado considera 
aceitáveis índices de liquidez corrente geralmente entre um, cinco 
e três para empresas saudáveis, porém pode variar de indústria para 
indústria. Se o índice de uma empresa estiver nesta escala, indica 
geralmente uma boa saúde financeira de curto prazo. Sendo, o ín-
dice de liquidez corrente obtido por meio do ativo circulante (AC) 
dividido pelo passivo circulante (PC).
161
Uma empresa que possui R$200.000,00 em AC e R$100.000,00 
em PC apresenta uma liquidez corrente de dois. Sendo assim, a em-
presa possui a capacidade de cumprir suas obrigações de curto pra-
zo, isso indica que os ativos circulantes da empresa, que são aqueles 
que podem ser convertidos em dinheiro até o final do exercício se-
guinte, são duas vezes maiores que as obrigações de curto prazo, 
indicando baixo risco no curto prazo.
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudi-
nho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu 
o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você aprendeu sobre como funciona a análise de crédito e sua im-
portância, pois uma boa análise de crédito reduz os riscos, bem 
como saberá como deve ser realizada e quais ferramentas que au-
xiliam. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão, pois 
em todas as empresas que não realizam suas operações de venda à 
vista deve realizar a análise de crédito. E então? Motivado para 
novos conhecimentos? Então vamos lá. Avante! 
Análise de crédito e sua função 
De acordo com Sicsú (2010) a concessão de crédito é uma decisão 
sob condições de incerteza. Caro estudante, se estima a probabili-
dade de perda por meio da análise de crédito, que é o que veremos a 
partir de agora.
De acordo com Oliveira et.al. (2018) a atividade de fornecer 
crédito é um negócio de risco, pois qualquer falha no plano do clien-
te, seja por fatores que são do seu controle, seja por fatores externos 
a sua vontade, pode levá-lo a não conseguir cumprir com suas obri-
gações e com seus credores.
SINTETIZANDO
162
Segundo Mellagi Filho e Ishikawa (2007) o administrador fi-
nanceiro de uma instituição bancária deve estar atento à qualida-
de de seus empréstimos para que a instituição não sofra problemas 
de liquidez que podem acarretar, em casos extremos, a falência da 
mesma.
É necessário ter um conhecimento detalhado de seu cliente, 
pessoa física ou não, saber: Qual é a capacidade de pagamento de 
seus clientes? Qual é o objetivo dos empréstimos realizados? Qual 
é a qualidade das garantias colocadas em disposição? Tem liquidez 
ou não? Caso ocorra uma mudança de política econômica, como isso 
impactará em seus clientes?
De acordo com Mellagi Filho e Ishikawa (2007) o risco de cré-
dito poderá ser diminuído por meio de uma cuidadosa análise de cré-
dito, isto é, que o emprestador tenha conhecimento das atividades 
e potencialidade de quem pede emprestado. Entre os elementos que 
tradicionalmente auxiliam na análise estão a análise dos balanços e 
das perspectivas de dado setor econômico (para pessoas jurídicas) e 
análise do patrimônio e renda (para pessoas físicas), existem diver-
sos outros elementos e metodologias que podem ser utilizados para 
realizar a análise de crédito.
De acordo com Oliveira et.al. (2018) a análise de crédito é a 
metodologia que permite mensurar o nível de risco de uma tran-
sação de dívida solicitada por um cliente. O processo de aprovação 
de uma linha de crédito varia conforme a instituição, porém alguns 
princípios básicos são comuns para todas elas, seja por exigência do 
regulador, seja por representarem boas práticas bancárias, e dentre 
os princípios de uma boa análise creditícia se destacam os 5 Cs do 
crédito, que são “caráter ou credibilidade; capacidade; condições; 
capital e; colateral), o conceito de cada um são apresentados de for-
ma resumida no quadro 1 a seguir.
163
Quadro 1: Resumo do 5Cs do crédito
5 C’s do crédito Conceito
Caráter ou credibilidade Trata do entendimento subjetivo de 
que o tomador está comprometido a 
pagar suas obrigações. O entendimen-
to é baseado em um relacionamento 
prévio com a instituição, que indica 
que o cliente possui boa índole e está 
sendo ético.
Capacidade Trata-sede uma análise técnica de 
que o tomador terá um fluxo de caixa 
suficiente, ou seja, terá condições de 
honrar com o compromisso assumido, 
bem como analisa a capacidade téc-
nica de tocar o negócio (se for pessoa 
jurídica).
Condições Trata-se de análise de fatores externos 
não controláveis pela empresa, tais 
como mudanças macroeconômicas, 
tecnológicas, ambientais ou regulató-
rias que possam impactar sua perfor-
mance de modo positivo ou negativo e, 
por consequência, sua capacidade de 
pagar seus compromissos.
Capital Refere-se ao levantamento que visa 
saber se o patrimônio da empresa é 
suficiente e se sua estrutura de capital 
é adequada no sentido de ela ter os re-
cursos necessários para investir na sua 
atividade de modo que gere um fluxo 
de caixa suficiente para arcar com suas 
dívidas e obrigações.
164
Colateral Analisa se as garantias reais ou avais 
pessoais são suficientes para fazer 
frente total ou parcial ao risco assumi-
do pela instituição financeira. Existem 
dois tipos de garantias, as pessoais e 
as reais. As garantias reais são ativos 
da empresa como (bens imobiliários, 
ações, produtos acabados, equipa-
mentos que a empresa possa alugar) e 
as garantias pessoais são os avais pes-
soais dos administradores, que deve 
possuir patrimônio compatível com o 
crédito em questão.
Fonte: Adaptado de Oliveira et.al. (2018, p.143)
Oliveira et. al. (2018) afirmam que com a experiência e a sis-
tematização dos dados, a mensuração passou a ser mais assertiva. 
Quanto mais observações forem feitas, mais dados colhidos e pro-
cessados, maiores as chances de emprestar bem e principalmente, 
receber.
Sicsú (2010) afirma que existem várias formas de realizar a 
análise de crédito e estimar a probabilidade de perda, como as téc-
nicas estatísticas, são várias as técnicas quantitativas que podem 
ser utilizadas para calcular os escores.
O mesmo autor afirma que o risco de uma solicitação de cré-
dito pode ser avaliado de forma subjetiva ou de forma objetiva uti-
lizando metodologia quantitativa. A avaliação subjetiva, apesar de 
incorporar a experiência do analista, não quantifica o risco de cré-
dito, pois dizer que uma empresa é de alto risco não é suficiente para 
estimar de maneira precisa as perdas ou ganhos esperados com a 
operação e, consequentemente tomar a decisão mais adequada.
De acordo com Caouette (1999), as cinco técnicas mais utili-
zadas na gestão de crédito são: 
 • o sistema tradicional em que a presença do analista é extre-
mamente relevante e o papel do homem é determinante na 
concessão ou não do crédito; 
165
 • modelos de otimização ou dinâmicos, o qual utiliza técnicas 
de programação matemática, determinando pesos aos atribu-
tos de créditos; 
 • as técnicas econométricas que modelam a probabilidade e 
inadimplência pela combinação de variáveis independentes e 
dependentes; 
 • os modelos probabilísticos que já utilizam de alguma maneira 
conceitos de inteligência artificial e; 
 • os modelos híbridos que mesclam dois ou mais dos sistemas 
apresentados.
De acordo com Sicsú (2010) uma das metodologias quantita-
tivas para realizar a análise de crédito é utilizando modelos de credit 
scoring, pois os escores de crédito têm a finalidade única de quanti-
ficar o risco de crédito. Porém, são atribuições dos gestores de cré-
dito decidir a forma como a informação será utilizada para tomar 
a decisão de conceder ou não o crédito para estruturar a operação, 
definindo taxas, garantias, prazos etc. Modelos de credit scoring é a 
denominação genérica dada no mercado para as fórmulas de cálculo 
dos escores de crédito.
Segundo Sicsú (2010) os escores de crédito podem ser cal-
culados considerando apenas as características do solicitante de 
crédito, o chamado risco cliente, ou, de forma mais ampla consi-
derando também características da operação (risco cliente & ope-
ração). Quanto maior o número de informações disponíveis, mais 
confiável será a estimativa do risco. Por isso, é preferível calcular o 
escore considerando também as características da operação.
Medir o risco de crédito de forma objetiva, utilizando técnicas 
quantitativas, apresenta uma série de vantagens, tais como: consis-
tência nas decisões; decisões rápidas; decisões adequadas; decisão à 
distância; monitorar e administrar o risco de um portfólio de crédi-
to; e outras.
Mellagi Filho e Ishikawa (2007) dizem que apesar de todos 
os cuidados a instituição sempre estará sujeita ao não pagamento 
dos empréstimos concedidos, em razão de fatos que podem ocorrer 
166
independente da vontade do cliente como (perda de emprego, mu-
danças de hábitos de consumo etc.).
De acordo com Oliveira et.al. (2018) as políticas de crédito so-
frem pequenas alterações em cada instituição, devido entre outros 
fatores, ao perfil de clientes com os quais trabalha. A figura 4 mostra 
a trilha básica da política de crédito das instituições financeiras, ou 
seja, o ciclo de vida do crédito.
Figura 4: Ciclo de vida do crédito.
Fonte: Oliveira et. al. (2018, p. 147). Adaptado.
Oliveira et. al. (2018) reforçam que o tratamento estatísti-
co dado aos empréstimos e financiamentos cresce em importância 
como forma de subsidiar o dinâmico processo de concessão e con-
trole desse risco de crédito, as instituições financeiras cada vez mais 
se empenham em modelar seus instrumentos de controle e gestão 
do risco do crédito. Os mesmos autores afirmam que à medida que a 
amplitude mensurada com base na quantidade e variedade de ope-
rações, bem como o volume em seus volumes e tomadores cresce, 
as instituições vêm aperfeiçoando suas metodologias para o cálculo 
do risco de crédito.
Empresas que atribuem risco “rating”
Segundo Mellagi Filho e Ishikawa (2007) é comum que instituições 
financeiras e também as indústrias se utilizem de empresas espe-
cializadas em mensurar risco, porque, com o aumento da volatili-
dade da economia, a concessão de crédito tornou-se uma atividade 
altamente criteriosa. Para a instituição financeira, a utilização des-
sas empresas serve para saber o nível de risco quando da compra de 
um título e mostrar a qualidade de uma oferta pública de título (por 
exemplo: debêntures).
Assaf Neto (2014) diz que as principais empresas de ratings 
em nível internacional são (Moody’s, Standard & Poor’s, Fitch, 
167
entre outras), estas agências divulgam suas avaliações sobre o risco 
de um país, empresas ou títulos, focados na qualidade do emitente 
do título em cumprir corretamente com suas obrigações de paga-
mentos (principal e juros).
Em 2016, as três principais agências de rating Moody’s, 
Standard & Poor’s e Fitch, cortaram o grau de investimento da 
Odebrecht, como reflexo das crescentes restrições financeiras de-
correntes do avanço das investigações sobre corrupção relacionadas 
à empresa. A perda do grau de investimento representava um acesso 
mais restrito ao crédito e a novos contratos que poderiam afetar a 
liquidez e a capacidade de pagamento da dívida externa pela com-
panhia. A tabela 1 mostra as classificações do Brasil de acordo com a 
última atualização realizada pelas principais agências que avaliam 
o risco de um país.
Tabela 1: Nível de risco do Brasil
Agência
Moeda 
Estrangeira
Moeda 
Local
Perspectiva
Última 
Alteração
Standard & 
Poor’s
BB- BB- Estável 14/06/2022
Moody’s Ba2 Ba2 Estável 12/04/2022
Fitch BB- BB- Negativa 14/12/2021
R&I BBB- BBB- Negativa 07/10/2021
DBRS BB (low) BB (low) Estável 03/09/2021
JCR BBB- BBB Estável 09/11/2020
Fonte: https://bit.ly/2Vbpld5
Projeção de preço e risco (volatilidade) de ativos
De acordo com Mellagi Filho e Ishikawa (2007) os preços dos ati-
vos, bem como seus riscos, variam ao longo do tempo. A modelagem 
de análise é complexa e exige um nível avançado de conhecimen-
tos matemáticos e estatísticos, principalmente em relação às séries 
temporais.
168
Caro estudante, como os próprios autores abordam, a proje-
ção de preço e risco de ativos, é complexo e exige um nível avança-
do de conhecimentos matemáticose estatísticos, portanto, de um 
modo geral pode-se dizer, que para realizar a projeção de preço e 
risco de ativos, são utilizadas algumas técnicas, alguns conceitos e 
processos, tais como: Extrapolação Simples; Random Walk; Arima; 
Raiz Unitária etc.
De acordo com Mellagi Filho e Ishikawa (2007) a análise das 
séries de tempo basicamente procura explicar o comportamento 
de uma variável por seu próprio comportamento passado. E que a 
partir do comportamento passado da variável, pode-se tomar como 
base para tomada de decisões e de elaboração de cenários futuros.
A figura 5 apresenta uma visualização gráfica de uma série 
temporal do Ibovespa, com dados diários (fechamento) de 1999 a 
2001, o que corresponde a uma mostra de 738 pregões. A partir de 
técnicas estatísticas e com a ajuda do computador, é possível dizer 
que se têm uma forte tendência de alta, e que pode ser utilizado para 
prever o que aconteceria futuramente. 
Figura 5: Reta de tendência linear do Ibovespa com base nos dados de 1999-2001
Fonte: Mellagi Filho e Ishikawa (2003, p. 308)
169
De acordo com Mellagi Filho e Ishikawa (2007) a análise das 
séries de tempo basicamente procura explicar o comportamento de 
uma variável por seu próprio comportamento passado.
Propriedades das opções (st)
De acordo com Pinheiro (2012) existem vários métodos para 
a valorização de opções, sendo que os mais utilizados são o método 
binominal e o modelo de Black & Scholes, os quais são baseados na 
combinação de cinco parâmetros fundamentais: preço de exercício; 
tempo para o vencimento; preço do ativo objeto; taxa de juros e; 
volatilidade.
De acordo com Mellagi Filho e Ishikawa (2007) o quadro 2 
mostra as propriedades de uma opção de compra ou de venda.
Quadro 2 - Propriedades de opção de compra e/ ou venda
Propriedades de uma opção de 
compra
Propriedades de uma opção de 
venda
O valor da opção é sempre maior 
ou igual a zero.
O valor da opção é sempre maior 
ou igual a zero.
Na data do vencimento, o valor 
de uma opção será: zero, se o 
preço à vista da ação-objeto for 
menor que o preço de exercício 
da opção e; diferente de zero 
quando o preço à vista for maior 
que o preço de exercício.
Na data do vencimento, o valor 
de uma opção será: zero, se o 
preço à vista da ação-objeto for 
maior que o preço de exercício 
da opção e; diferente de zero 
quando o preço à vista for me-
nor que o preço de exercício.
Antes do vencimento, o preço 
de uma opção será pelo menos 
a diferença entre o preço à vista 
da ação e seu preço de exercício, 
se o primeiro for maior que o 
segundo.
Antes do vencimento, o preço 
de uma opção será pelo menos 
a diferença entre o preço à vista 
da ação e seu preço de exercício, 
se o primeiro for menor que o 
segundo.
170
Para duas séries de opções, re-
ferentes a uma mesma ação-
-objeto, uma com vencimento 
mais longo que a outra: aquela 
com prazo mais longo terá valor 
superior ou pelo menos igual ao 
da opção com prazo mais curto.
Para duas séries de opções, re-
ferentes a uma mesma ação-
-objeto, uma com vencimento 
mais longo que a outra: aquela 
com prazo mais longo terá valor 
superior ou pelo menos igual ao 
da opção com prazo mais curto.
Para duas opções, referentes a 
uma mesma ação-objeto e mes-
mo vencimento, uma com preço 
de exercício superior ao da ou-
tra, aquela com menor preço de 
exercício terá valor superior ou 
pelo menos igual ao da opção de 
preço de exercício maior.
Para duas opções, referentes a 
uma mesma ação-objeto e mes-
mo vencimento, uma com preço 
de exercício superior ao da ou-
tra, aquela com menor preço de 
exercício terá valor superior ou 
pelo menos igual ao da opção de 
preço de exercício menor.
A mudança percentual no prê-
mio de uma opção será sempre 
superior ou pelo menos igual à 
mudança percentual no preço 
da ação correspondente.
Uma opção de compra não será, 
racionalmente, exercida an-
tes da data de seu vencimento. 
Isto decorre de a possibilidade 
operacional do exercício antes 
do vencimento não dar à opção 
qualquer valor adicional.
Uma opção de venda pode, ra-
cionalmente, ser exercida a 
qualquer momento do período 
que estiver em vigor.
Quanto maior for o nível das ta-
xas de juros, maior será o valor 
de uma opção.
Fonte: Adaptado de Mellagi Filho e Ishikawa (2007, p. 325)
171
Modelo Black & Scholes
De acordo com Mellagi Filho e Ishikawa (2007, p. 326) em 1973, os 
professores Fischer Black e Myron Scholes desenvolveram um mo-
delo para determinar o valor de uma opção de compra. Suas hipóte-
ses são de que: 
 • não há custos de transação ou imposto; 
 • o ativo pode ser comprado ou vendido em qualquer quantidade; 
 • existe um ativo em risco e sua taxa de retorno é constante no 
tempo; 
 • a opção é protegida contra dividendos aos portadores da 
ação-objeto; 
 • a negociação do ativo é contínua e o preço da ação-objeto obe-
dece a um processo estocástico, do tipo “processo de difusão”.
Durante muitos anos, os analistas de mercado de capitais 
buscaram um modelo de precificação de opções que funcionasse, 
mas foi somente com Black e Scholes em 1973, que passamos a ter 
uma fórmula para valorização de opções.
De acordo com Pinheiro (2012) o Modelo Black & Scholes re-
presentou um avanço na área de finanças, ao mostrar como os preços 
teóricos de opções podem ser determinados. Na prática, o modelo é 
largamente utilizado pelos agentes econômicos na precificação de 
opções europeias (só pode ser exercida na data do vencimento).
Pinheiro (2012) diz que o Modelo Black & Scholes procura de-
finir o preço justo do prêmio para compra de uma opção de compra. 
Sendo que a principal hipótese do modelo é a de que os preços do 
ativo seguem uma distribuição probabilística dos retornos do ativo 
de uma data futura, calculados de forma contínua e composta a par-
tir dos seus preços, é normal.
172
Modelo Binominal
De acordo com Pinheiro (2012) o Modelo Binominal parte do pres-
suposto de que o preço de ação pode assumir apenas dois valores no 
vencimento da opção, sendo que: ou a ação subirá até um preço mais 
alto, ou ela cairá até um preço mais baixo. 
Suponhamos que fôssemos dividir o ano em dois semestres e 
depois afirmássemos que, sobre cada semestre, o preço da ação pu-
desse assumir dois valores. Com isso teríamos três possíveis valores 
para a ação no final do ano, e três para a opção. Conforme mostra a 
figura 6.
Figura 6: Simulação do possível valor da ação com dois cenários
Fonte: Adaptado de Pinheiro (2012, p. 400)
De acordo com Pinheiro (2012) se continuarmos dividindo 
o ano em intervalos cada vez menores (meses e dias) a amplitude 
dos possíveis preços no final do ano para cada ação se expandiria, 
assumindo o formato de uma distribuição binominal. Com essa 
abordagem, pode-se afirmar que as opções podem ser precificadas 
relativamente ao preço do ativo-objeto, usando um modelo bino-
minal de dois períodos e dois estados. Sendo que, enquanto o núme-
ro de períodos aumenta, o método pode aproximar as distribuições 
de preços da realidade.
De acordo com Mellagi Filho e Ishikawa (2007) o modelo bi-
nominal pode ser aplicado para as opções americanas, que podem 
ser exercidas antes do vencimento, e para opções europeias. A figura 
7 mostra um exemplo do Modelo Binominal.
173
Figura 7 - Árvore de decisão
Fonte: Mellagi Filho e Ishikawa (2007, p. 332)
De acordo com Mellagi Filho e Ishikawa (2007) o preço pode 
tomar diferentes valores em diferentes períodos, sendo, portanto 
que o processo de determinação do preço da opção pelo modelo bi-
nominal começa pela divisão dos períodos e pelo cálculo dos preços 
nesses períodos. Após isso, o preço da opção será determinado de 
trás para frente, ou seja, em cada “nó” da árvore binominal o preço 
da ação será o valor presente da probabilidade de ganho.
Precificação de uma opção de venda
De acordo com Mellagi Filho e Ishikawa (2007) pode- se obter o 
valor de uma opção de venda por meio da relação: compra da ação 
objeto, compra da opção de venda e lançamento de opçãode compra 
que deve ser igual ao valor presente do preço do exercício da opção, 
conhecida como Put-Call Parity. A figura 8 mostra essa relação.
174
Figura 8 - Put-Call Parity
Fonte: Mellagi Filho e Ishikawa (2007, p. 332)
Conforme se observa na figura 8, S = cotação da ação- obje-
to; P = prêmio da opção de venda; c = prêmio da opção de compra, 
com preço de exercício X e data de vencimento igual aos da opção 
de venda.
Conforme Mellagi Filho e Ishikawa (2007), para medir a variância 
existem diversas metodologias. A variância da série histórica da 
lucratividade da ação-objeto, a qual consiste em calcular o desvio 
padrão da mesma; a variância implícita, extrai a volatilidade do 
próprio mercado, considerando que o valor da opção de compra está 
em equilíbrio, por meio do modelo Black-Scholes pode ser deter-
minada a volatilidade implícita por tentativa e erro; a variância va-
riando no tempo por meio de uma série histórica, permite analisar 
como a variância varia no tempo, possibilitando analisar o nível de 
incerteza no mercado; a variância pelo método de valores extremos, 
leva em consideração o preço mais alto e o mais baixo atingido pelo 
ativo-objeto durante o pregão, porém nesse método pode-se perder 
informações sobre o comportamento por considerar apenas o preço 
de fechamento. 
SAIBA MAIS
175
Volatilidade
De acordo com Bollerslev, Chou e Kroner (1992, p. 46) a “volatili-
dade é uma variável-chave que permeia a maioria dos instrumen-
tos financeiros e que exerce um papel central em diversas áreas de 
finanças”.
Segundo Assaf Neto (2014) a volatilidade é uma medida esta-
tística de dispersão, a qual expressa a incerteza dos retornos de um 
ativo, ou seja, a intensidade e a frequência das variações obser-
vadas em seus preços. Um mercado é entendido como volátil quan-
do os preços dos ativos oscilam rapidamente, sofrendo aumentos e 
reduções de preços. O desvio-padrão e a variância são indicadores 
bastante utilizados da volatilidade de um ativo.
Assaf Neto (2014) diz que a volatilidade de um título é enten-
dida como as mudanças ocorridas nos preços do título em decorrên-
cia de modificações verificadas nas taxas de juros. Quanto maior for 
a volatilidade de um título, mais elevadas apresentam-se as mu-
danças em seus preços diante de alterações nas taxas de juros.
Parabéns, estudante! Em conjunto, concluímos esta etapa! E en-
tão? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Compreendemos os principais indicadores econômicos e como eles 
impactam no risco das empresas; os conceitos de finanças, seu fun-
cionamento no cotidiano das empresas e os principais riscos finan-
ceiros e a sua relação com o ambiente econômico. 
Abordamos também que os preços dos ativos, bem como seus ris-
cos, variam ao longo do tempo, e que para medir existem diversos 
modelos estatísticos, os quais exigem nível de conhecimento ma-
temático e estatístico avançados, sendo que tais estudos podem 
ser realizados a partir das séries temporais de tempo, pode-se ex-
plicar o comportamento de uma variável a partir do seu próprio 
SINTETIZANDO
176
comportamento passado. Vimos que uma opção de compra ou venda 
de ativos é sempre maior ou igual a zero. 
Foi um prazer poder compartilhar contigo um pouco do meu co-
nhecimento e do universo da Economia, Mercado Financeiro e de 
Capitais. Tenho certeza de que tudo o que você aprendeu ao lon-
go da nossa jornada de estudos será útil na sua carreira. Desejo-
-lhe muita motivação, garra e determinação para desenvolver suas 
competências. 
Sucesso!
177
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