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Natália Gomes dos Santos ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL A disciplina de Organização do Trabalho Pedagógico na Educação Infantil tem como objetivo apresentar recursos e caminhos para direcionar sua futura prática com as crianças de zero a cinco anos. A educação infantil é uma etapa de ensino assegurada pela legislação que tem uma função crucial para o desenvolvimento e a aprendizagem dos educandos, visto que se configura como a base para a construção dos saberes ao longo da trajetória escolar dos indivíduos. Para que o ensino propiciado nesta etapa aconteça com qualidade, os professores precisam ter uma preparação adequada para que possam estruturar de forma efetiva suas práticas pedagógicas. Por meio dos estudos, você compreenderá o impacto do contexto social, histórico e educacional da respectiva etapa de ensino analisada e compreenderá também quais são as principais políticas educacionais que subsidiam o trabalho desenvolvido na educação infantil. Os aspectos teóricos apresentados nesta obra te auxiliarão no entendimento da concepção de infância ao longo do tempo. Você também vai se apropriar dos aportes científicos que dão suporte para a compreensão do desenvolvimento e da aprendizagem das crianças e das práticas que devem ser realizadas para que elas tenham sucesso nesses campos. A partir das discussões deste material, você compreenderá as diversas formas de organizar, planejar e estruturar as atividades realizadas na educação infantil e também vai refletir sobre a importância da adequação das práticas aos arranjos curriculares, os quais favorecem a efetivação dos direitos de aprendizagem. Para que você tenha acesso às competências mencionadas anteriormente, o livro está organizado em quatro unidades. Na primeira, você realizará uma análise sobre a educação infantil no Brasil, a partir de discussões sobre a concepção de infância, organização desta etapa de ensino e compreensão sobre o papel da legislação educacional para a efetivação da aprendizagem. Na segunda unidade, você terá a oportunidade de refletir sobre as concepções e finalidades da educação infantil, a partir da articulação entre as infâncias e as tendências pedagógicas e dos objetivos e propostas educacionais voltadas ao trabalho com as crianças de zero a cinco anos. Na terceira unidade, as discussões serão sobre a interface entre a educação infantil e a Base Nacional Comum Curricular, para se compreender os eixos estruturantes, os direitos de aprendizagem e o modo como deve se estruturar o trabalho pedagógico nesta etapa de ensino. Por fim, a quarta unidade abordará a avaliação na educação infantil, de modo que serão propiciadas reflexões sobre como deve ser feita a avaliação das crianças, a forma de registrar e documentar os resultados de aprendizagem e o papel da avaliação no processo para os avanços pedagógicos. Estudante, este material foi construído para que você reflita sobre o funcionamento da educação infantil e compreenda a importância do seu futuro papel para a promoção de uma aprendizagem significativa. Será um espaço de muitas experiências e trocas. NÃO PODE FALTAR CONCEPÇÃO DE CRIANÇA E INFÂNCIA NO BRASIL Natália Gomes dos Santos O QUE SIGNIFICA INFÂNCIA? Ao longo deste material, veremos que a percepção sobre a infância vem se alterando ao longo do tempo, mediante mudanças históricas, econômicas, sociais e educacionais. Fonte: Shutterstock. CONVITE AO ESTUDO A educação infantil é uma etapa de ensino que gera muita curiosidade ao futuro pedagogo. É um momento de descobertas e experiências em que o lúdico e a construção de saberes se fazem presentes, tanto para as crianças quanto para os professores. Para que esse trabalho aconteça de forma adequada, o docente deve ter conhecimentos sobre o que antecedeu a configuração da educação infantil que temos atualmente, assunto que estudaremos nesta unidade. Na primeira seção, a reflexão será sobre como a criança era entendida desde o período colonial e como as percepções sobre ela foram se alterando ao longo do tempo. Compreenderemos de que forma os contextos social, político e econômico influenciaram a maneira como a criança é enxergada e atendida no contexto brasileiro. Também teremos inúmeros espaços para uma análise crítica, para que possamos problematizar como as desigualdades afetam a vida dos pequenos brasileiros. Entenderemos como a educação infantil avançou com o rompimento da perspectiva assistencialista e observaremos quais foram as primeiras instituições que atenderam as crianças no país. Na segunda seção, analisaremos a importância das políticas educacionais para a educação infantil, verificando como elas foram se constituindo ao longo dos momentos históricos. Traçaremos um panorama dos avanços que as normativas propiciaram para o trabalho com as crianças e as lacunas que ainda existem hoje, as quais dificultam a universalização da educação infantil. Vamos conhecer como alguns documentos tratam do assunto: Constituição Federal de 1988, Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996, Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e Estatuto da Criança e do Adolescente. Também vamos analisar quais são as orientações internacionais para o atendimento da educação infantil e como elas são implementadas no contexto brasileiro. Na última seção, estudaremos as especificidades das diferentes possiblidades de oferta na educação infantil, como creche e pré-escola. Compreendemos como ocorre o regime de colaboração entre os munícipios, estados e a União, e perceberemos quais são as condições fundamentais para que a educação infantil seja ofertada para oportunizar o desenvolvimento das crianças. E, por fim, estudaremos as diferentes possibilidades de funcionamento da educação infantil no país, analisando como o trabalho pode ser desenvolvido em tempo integral, parcial e as diferenças na estruturação de turmas e grupos, visando atender às necessidades das diversas faixas etárias do público-alvo desta etapa de ensino. Por meio deste breve panorama, já é possível observar quantos assuntos fundamentais trataremos neste estudo inicial. Será o começo de vários questionamentos e aprendizados. PRATICAR PARA APRENDER Iniciaremos nossas análises nesta disciplina destacando que ela tem um papel fundamental na carreira que você escolheu, pois o pedagogo é o profissional habilitado para direcionar as práticas pedagógicas na educação infantil. Na primeira seção, faremos um resgate no tempo para compreender como a educação infantil se constituiu no Brasil. O modo como a criança é entendida, seu papel social e as implicações da realidade em que ela está inserida são aspectos importantes para verificar como o sistema de ensino organiza os processos de aprendizagem. No entanto, essa preocupação nem sempre fez parte da vida de milhares de crianças brasileiras, e a história nos mostra que os direitos atuais dessa parcela da população são resultados de inúmeras lutas. Para que possamos manter os avanços já conquistados e alcançar novos, é fundamental analisar as concepções de infância, o modo como a criança foi entendida ao longo do tempo, os diversos contextos que impactaram as decisões e ações sobre a educação dos pequenos, a ruptura com uma perspectiva filantrópica e assistencialista e o conhecimento sobre as primeiras instituições de educação infantil no Brasil. O contexto de aprendizagem desta unidade se refere à realidade da pedagoga Rafaela, que trabalha no Centro de Educação Infantil Cecília Meireles. Ela organiza o processo de gestão da escola e também auxilia os professores com o planejamento das turmas, sempre em busca de articulação entre as práticas pedagógicas e o currículo da escola. Rafaela começou a ficar intrigada com a fala de alguns docentes, poismuitos desses profissionais tinham uma visão de infância equivocada e entendiam que a criança deveria realizar atividades que, muitas vezes, não coincidiam com sua faixa etária. Em outros casos, os professores compreendiam o trabalho na educação infantil como um cuidado assistencial, perdendo, em muitos momentos, o caráter educacional. Preocupada com esta situação, a pedagoga conversa com a diretora Helena e, juntas, organizam uma formação continuada na escola para que os docentes possam refletir sobre a constituição da educação infantil no Brasil. A formação intitulada “Conhecer a história para compreender a criança” acontecerá em três momentos, nos quais serão resgatados os avanços e desafios da educação infantil em seus aspectos históricos, políticos e sociais. Nesta primeira seção, a situação-problema vivenciada é o primeiro encontro da formação continuada, em que a professora Carolina foi convidada para ministrar os estudos sobre a temática do papel da criança na realidade brasileira. A docente relata a necessidade de conhecer todo o contexto que impulsionou a educação infantil até os dias atuais para compreender como a criança era vista em momentos anteriores e como ocorreram as mudanças nessa visão ao longo dos anos. Após sua fala inicial, a professora indicou algumas leituras e pediu para os docentes refletirem sobre três questões: • Quais foram os conceitos de infância ao longo da educação brasileira e o que se modificou no processo? • Como os contextos sociais, históricos e econômicos impactaram a infância das crianças brasileiras? • Quais foram as primeiras instituições de educação infantil no país? Elas contribuíram para a configuração da educação na atualidade? Agora é com você! Se coloque no lugar dos professores e reflita sobre os questionamentos apresentados. Você realizará discussões novas, instigantes e que vão auxiliá-lo na construção dos saberes docentes. Espero que você extraia deste momento conhecimentos, experiências e reflexões para que o passado seja ressignificado e o futuro seja aperfeiçoado. CONCEITO-CHAVE OS ASPECTOS HISTÓRICOS, SOCIAIS E ECONÔMICOS QUE PERPASSARAM AS CONCEPÇÕES DE INFÂNCIA NO BRASIL Para você, o que significa infância? Quais são as implicações de ser criança e como se modificou o entendimento sobre este conceito ao longo do tempo? É importante refletir que nem sempre a criança foi compreendida como um sujeito de direitos sociais. A percepção sobre a infância vem se alterando constantemente, mediante mudanças históricas, econômicas, sociais e educacionais. Por meio deste contexto, observa-se a relevância de todos os professores realizarem análises sobre como a criança foi sendo compreendida ao longo da história, para que nos dias atuais, em todos os espaços sociais, ela tenha condições efetivas de se desenvolver e de ser protagonista das suas ações. CRIANÇA COMO ADULTO EM MINIATURA No que tange a um regaste histórico, verifica-se que a criança no Brasil Colônia era compreendida como uma “folha em branco” que deveria incorporar conhecimentos religiosos e disciplinares. A concepção de infância como adulto em miniatura ainda se fazia presente naquele momento e tais indivíduos não haviam ganhado um espaço de centralidade no seu próprio desenvolvimento e aprendizagem (ÁRIES, 1981). Encontravam-se diferenças de ensino entre as crianças brancas, filhas de portugueses enviados para colonizar as terras brasileiras, e as crianças nativas. Para as crianças brancas, o ensino deveria perpetuar os costumes e preservar a classe a que pertenciam. Já as crianças indígenas tinham acesso à instrução, doutrinação e imposição da cultura europeia, sem qualquer consideração ao conhecimento e às crenças dos seus povos, os quais já se encontravam aqui. Nesse momento, temos o início da construção da desigualdade no país (CHAMBOULEYRON, 2010). Outra questão que perpassa o entendimento da realidade da criança na colonização eram os altos percentuais de mortalidade infantil. Isso era efeito da realidade precária de vida de inúmeras famílias que eram assoladas por enfermidades, tais como: sarna, impige, sarampo etc. A eficácia dos medicamentos existentes na época era mínima e as enfermidades levavam inúmeras crianças ao óbito. Outro dado sobre este período diz respeito aos castigos físicos aos quais as crianças eram submetidas. Tais castigos eram fruto das ações jesuítas e foram introduzidas no século XVI. Registros apontam que esse ato era repudiado pelos indígenas, os quais entendiam o ato de corrigir como afetuoso, e não punitivo. Até mesmo em momentos de ensino, como observado nas Aulas Régias, que ocorreram no século XVIII, o modo de corrigir os alunos era a palmatória. Essa difícil realidade já vivenciada no Brasil é apresentada para que possamos pensar a relevância do direito humano da criança e a necessidade da manutenção e preservação desse direito. É preciso refletir sobre o passado para ressignificar o presente, considerando que “fome, abandono, instabilidade econômica e social deixaram marcas em muitas crianças” (PRIORE, 2010, p. 98). Quando analisamos as concepções de infância e os impactos dos diferentes contextos na vida das crianças brasileiras ao longo da história, é inevitável a discussão sobre classe social. O Brasil tem em suas marcas a divisão da sociedade por grupos que possuem interesses e realidades antagônicas. Isso também se reflete na vida das crianças, pois as condições econômicas que favorecem o desenvolvimento infantil interferem diretamente no modo como a criança se constitui. Segundo Mauad (2010), no final do século XVIII as crianças da elite se vestiam como os adultos e tinham acesso a brinquedos, livros e instrumentos musicais. Em contrapartida, a vida das crianças escravizadas não era igual, pelo contrário. Nessa época, muitas não chegavam à vida adulta, por conta de maus tratos e negligência. Os estudos de Góes e Fiorentino (2010) apontam que várias crianças não completavam cinco anos de idade. Os pequenos que não faleciam eram separados de seus pais e, em vários casos, tornavam-se órfãos. Diferentemente das crianças ricas, as escravizadas viviam em uma realidade precária, com poucos recursos de higiene e alimentação. No lugar dos brinquedos encontravam ferramentas para o trabalho nas lavouras e na casa-grande. Esses fatores de desigualdade devem fazer parte das nossas análises, pois ainda vivemos em uma sociedade com resquícios escravocratas, em que os recursos financeiros determinam as condições de vida de várias crianças. NECESSIDADE DE DIFERENCIAR A CRIANÇA DO ADULTO No Ocidente, em meados dos séculos XVIII e XIX, a noção de infância estava vinculada à necessidade de diferenciar a criança do adulto. Nesse processo, a família tinha o papel de propiciar as condições básicas de subsistência, e a mulher era a principal responsável pelo cuidado dos filhos (ANDRADE, 2010). TRABALHO INFANTIL Com a modernização do país e o desenvolvimento industrial, a partir da década de 1930, as crianças da classe trabalhadora não tiveram uma infância fácil. Os pequenos encontravam-se nas fábricas, exercendo atividades manuais por várias horas e com uma remuneração pequena. Dessas crianças eram retiradas as possibilidades de acolhimento, cuidado e educação. Elas eram inseridas neste contexto para atendimento dos interesses dominantes. Também vale destacar que neste momento histórico as poucas prerrogativas legais que asseguravam a proteção dos pequenos brasileiros não se efetivavam na realidade. Na zona rural, as crianças também eram submetidas aos trabalhos no campo, tanto para o auxílio da agricultura familiar como para o desenvolvimento de produção das fazendas no país. A exigência das crianças pobres aos afazeres laborais era uma demanda do contexto capitalista, “[...] o qual gera pobreza e cria as condições para a reprodução do fenômeno dainserção precoce de crianças no trabalho” (FEITOSA; DIMENSTEIN, 2004, p. 62). O trabalho infantil é um tema sério que deve ser até hoje problematizado. A construção da sociedade que temos foi fruto da participação infantil na indústria, considerando que as crianças realizavam atividades laborais em espaços insalubres e com longas jornadas. O período marcado pela ditadura militar, de meados de 1960 a 1980, foi outro momento difícil para as famílias e crianças pobres. A situação era grave por conta da inexistência de recursos, da falta de políticas democráticas, da falta de educação e da inserção dos pequenos brasileiros no trabalho. Na atualidade, temos direitos garantidos para as crianças brasileiras e o trabalho infantil é proibido por lei. Entretanto, segundo os dados demográficos do censo de 2010, registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de três milhões de pessoas entre 10 e 17 anos exerciam atividades laborais (BRASIL, 2010). NECESSIDADE DE ASSEGURAR A DIGNIDADE HUMANA A partir das discussões sobre a necessidade de assegurar a dignidade humana, a infância ganhou espaço significativo e o direito às condições básicas de subsistência começou a se materializar nas políticas públicas. Todo esse percurso é circunscrito de contradições, precariedades e lutas. Assim, as diversas concepções de infância encontram-se entrelaçadas com a realidade social. DIMENSÕES INDIVIDUAL E COLETIVA DE INFÂNCIA A infância é uma condição de ser criança, de modo que ela se constitui a partir da realidade objetiva e das relações estabelecidas. “O termo infância apresenta um caráter genérico, cujo significado resulta das transformações sociais, o que demonstra que a vivência da infância modifica-se conforme os paradigmas do contexto histórico e outras variantes sociais como raça, etnia e condição social” (ANDRADE, 2010, p. 55, grifo do original). De acordo com Júnior e Vasconcellos (2017), a infância pode ser analisada por dois vieses: a dimensão individual, que está vinculada a um período da vida do indivíduo, e a dimensão coletiva, referindo-se ao conjunto de crianças que vivem em determinado contexto. Destaca-se que na própria dimensão coletiva se encontram diferenças, pois, como apontado anteriormente, ser uma criança rica no Brasil coloca o indivíduo em uma condição de privilégio em comparação com uma criança pobre. REFLITA Muitas vezes analisamos determinada situação com base em nossas experiências e o que já ouvimos falar sobre. No que se refere à infância e ao papel da criança, podemos já ter ouvido que se refere ao “melhor momento da vida” ou “é uma fase que não precisa se preocupar”. Atualmente, nossas crianças são entendidas como sujeitos de direito e devem ter condições para se desenvolver e aprender, entretanto nem sempre foi assim, como já vimos. A partir do exposto e considerando sua futura prática, como você enxerga a função do professor na luta pelos direitos das crianças? Deste modo, devemos analisar a concepção de infância a partir do contexto histórico, social, político e econômico para que possamos desconstruir ideais que atribuem a responsabilidade da condição de vida da criança a ela ou à sua família. Constatamos que as precariedades sociais e estruturais da nossa realidade impactam a vida dos pequenos brasileiros ao longo da história, e todo educador deve considerar essa conjuntura para que possa lutar por possibilidades educacionais que rompam com essa lógica. AS PRIMEIRAS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO INFANTIL E O ROMPIMENTO COM A PERSPECTIVA ASSISTENCIALISTA NO PAÍS No passado, o cuidar e o educar eram vinculados diretamente à família, em especial, era uma função exercida exclusivamente pela mulher. Os serviços da educação infantil iniciaram a partir do desenvolvimento industrial, pois homens e mulheres tinham extensas jornadas de trabalho e as crianças que ainda não tinham condições de acompanhar seus pais nos serviços laborais precisavam de algum local para ficar. Essas instituições eram, na maioria dos casos, de caráter filantrópico e tinham a finalidade de ofertar aos pequenos cuidados enquanto os pais estavam nas fábricas. As instituições confessionais também apresentaram significativa participação. Vinculadas à fraternidade e caridade, essas instituições tinham práticas que valorizavam a moralidade, obediência e devoção (OLIVEIRA, 2011). A ainda era marcada pelo caráter filantrópico dos serviços voltados às crianças, entretanto já se encontravam posicionamentos e perspectivas que compreendiam o papel da educação e a necessidade de os pequenos brasileiros terem acesso aos espaços educativos. Vale ressaltar que vários estudiosos europeus já haviam pontuado em séculos anteriores a importância da atenção às necessidades das crianças. Entre esses pensadores, podemos analisar as contribuições de Jean-Jacques Rousseau, as quais explicitam a valorização que deveria se ter sobre a educação na primeira infância, visto que esse era um momento da vida do sujeito que deveria prepará-lo para a vida adulta e por isso seu desenvolvimento deveria ser estimulado (OLIVEIRA, 2011). Em meados da década de 1930 foram criados parques infantis que tinham o objetivo de atender crianças de três a sete anos dando-lhes o acesso à higiene e alimentação. Segundo Brites (2000), os parques infantis eram localizados em São Paulo e se configuravam como espaços privilegiados. Vale ressaltar que a educação estava vinculada a ensinamentos de moral e bons costumes e não tinha caráter ou perspectiva pedagógica. Os profissionais que atuavam nestes parques eram principalmente da área da saúde. Na metade desta década, o governo federal toma para si a responsabilidade pelos parques e o foco passa a ser na formação de cidadãos que se encaixavam na lógica política e econômica do país. Deste modo, os espaços eram destinados para o atendimento de crianças da classe trabalhadora e os serviços prestados tinham caráter assistencialista. ASSIMILE Vamos retomar a questão do assistencialismo na educação infantil. Essa perspectiva fez parte do atendimento das crianças por muito tempo, em que os cuidados com higiene e alimentação eram o foco dos serviços voltados para os pequenos. Não estamos questionando a relevância dos cuidados com a criança, pois isso também é um direito garantido na legislação e na organização da educação infantil. Entretanto, a assistência não pode ser tomada como única via de atendimento. Estudos apontam que o desenvolvimento e a aprendizagem ocorrem desde o nascimento, de modo que a criança se humaniza ao ter contato com a cultura e com o outro. Sendo assim, um trabalho educativo deve acontecer com as crianças de zero a cinco anos de modo planejado e sistematizado, subsidiado pelas normativas curriculares. Você deve ter isso sempre em mente. Educação é o ponto central, e nossas crianças devem ter todas as condições para aprender. Houve uma ampliação das necessidades de organizar espaços para o acolhimento das crianças, visto o aumento da inserção de muitas brasileiras no mercado de trabalho. Desta forma, a década de 1960 é marcada pela expansão de atendimento com novas modalidades de serviços. Essas instituições eram públicas, privadas, filantrópicas, com diversas denominações (jardins de infância, escolas maternais, parques infantis, entre outros), no entanto todas tinham um mesmo viés: o assistencialismo. Vale destacar que na década de 1970 se iniciou um momento alicerçado pelas pesquisas sobre a infância e o desenvolvimento da criança. Nos estudos era apregoada a relevância de se pensar em uma educação de cunho pedagógico, que priorizasse a estimulação e construção de habilidades que se tornariam a base para o percurso escolar, evitando a elevada evasão na escola. Também estava em pauta o debate sobre a educação compensatória, visto que as crianças das classes populares se encontravamem desvantagem em comparação com as crianças da elite brasileira. É fundamental ressaltar que essa desvantagem não era derivada de uma falta e/ou culpa da criança pobre, mas sim por conta da conjuntura social injusta que não dava oportunidade para todos, tampouco o mesmo acesso aos bens materiais e culturais. “Neste momento, aumentaram as críticas quanto aos parques infantis, pois se considerava que eles eram estritamente assistenciais e que não ajudavam as crianças em suas dificuldades de aprendizagem” (SILVA, 2014, p. 19). É necessário destacar que a quebra com a perspectiva assistencialista na educação infantil e a necessidade de espaços de qualidade para atendimento das crianças foi fruto de lutas de inúmeros movimentos sociais. No período da ditadura militar não se tinha a preocupação com a educação dos pequenos, algumas iniciativas eram de disponibilizar nas escolas primárias classes extras para acolher as crianças, sem estrutura para um trabalho efetivo e preocupado com as reais necessidades deste público. A partir da luta por garantia de condições tanto para mães trabalhadoras quanto para as crianças, começou um embate para se assegurar uma “pré-escola pública, democrática e popular” (KUHLMANN JR., 2000, p. 11). EXEMPLIFICANDO Articulando teoria e prática, podemos resgatar a discussão sobre a ruptura com a perspectiva assistencialista para auxiliar o trabalho em sala de aula. Muitas pessoas ainda acreditam que o atendimento dos bebês na educação infantil é apenas o de cuidar, a partir das ações em relação à alimentação, sono e higiene. Entretanto, a organização das práticas deve ser, principalmente, de caráter pedagógico, pois o momento do brincar, da contação de histórias e da estimulação são vivências que as crianças têm o direito de experimentar. Vale ressaltar que cuidar e educar são realizados de forma concomitante e devem possuir objetivos pedagógicos. Muitas atividades são realizadas com os bebês e tornam-se experiências educativas fundamentais para o seu desenvolvimento e aprendizagem. De acordo com Rosemberg (2003), os movimentos de luta pretendiam dar a oportunidade de um atendimento de caráter educacional que vislumbrava na educação infantil uma possibilidade de combate às desigualdades. As justificativas para a expansão da educação infantil em um caráter educativo permeavam a relevância dessa etapa de ensino para a minimização da pobreza e melhora dos estudos das crianças no ensino fundamental. Vale ressaltar que o poder público implementou um modelo de educação infantil próximo ao que temos atualmente e a ampliação dos investimentos foi acompanhada pela expansão das políticas sociais. O final da década de 1980 foi um marco para a sociedade brasileira. Com o fim da ditadura militar e o entendimento social de que os direitos humanos deveriam ser assegurados, começou um novo momento no país. Ele foi marcado pela Constituição Federal de 1988 que assegura, até a atualidade, os direitos sociais de todos os brasileiros. Esse momento é crucial para o rompimento da educação infantil em um viés assistencialista, pois ela é apresentada na Carta Magna como “uma extensão do direito universal à educação para as crianças de 0 a 6 anos e um direito de homens e mulheres trabalhadores a terem seus filhos pequenos cuidados e educados em creches e pré- escolas” (ROSEMBERG, 2003, p. 183). A ampliação de pesquisas sobre a educação infantil gerou avanços no que diz respeito à necessidade de desvincular esta etapa de ensino do quadro assistencialista. Os centros de pesquisa produziram conhecimentos que trouxeram à tona a relevância de se olhar para as infâncias e considerar a criança como sujeito que se apropria e produz cultura e conhecimento, devendo ser valorizados os saberes que a ela traz consigo. É neste contexto que o caráter educacional da educação infantil ganha espaço e as políticas foram construídas para a ampliação de oferta da respectiva etapa de ensino. Também se observa a discussão sobre a relevância de formação de professores para a atuação com crianças e de se estruturar normativas curriculares para o atendimento deste público (KRAMER, 2006). A quebra da perspectiva assistencialista, que tem seus requisitos até a atualidade, acontece quando se compreende que a educação é um direito prioritário da criança para ela se desenvolver e aprender, e não apenas um espaço de cuidado enquanto os pais exercem as atividades laborais. Vale destacar o desafio de se entender a educação infantil em uma perspectiva educacional por duas questões: a primeira se refere à falta de qualificação dos professores para atuarem com os pequenos brasileiros e a segunda estava relacionada com o perfil maternal que perpassava a atuação das docentes. Esse último ponto era fortemente presente, pois, na história, a docência era exercida predominantemente pelas mulheres e se tinha uma ideia de que elas, por conta das responsabilidades com a família, tinham maiores condições de atuação e cuidado com os pequenos (KUHLMANN JR., 2000). A força do debate sobre a necessidade da educação das crianças estava sustentada por pesquisas educacionais. De acordo com Kramer (2006), o acesso às creches e pré- escolas potencializava o desenvolvimento de seu público. Sendo assim, as crianças se inseriam no ensino fundamental com uma bagagem de saberes que dava suporte para a continuidade de seus estudos de forma efetiva. Entretanto, os desafios para que ela se universalizasse foram grandes, e um deles é a falta de investimentos para atender a ampliação dos espaços, a formação dos professores e a articulação entre o cuidar e o educar, de modo que o primeiro citado não extrapole as práticas do último. POR DENTRO DA BNCC Você sabia que a BNCC apresenta os direitos de aprendizagem das crianças? Eles são: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Esses direitos refletem o modo com a criança é entendida na atualidade, ou seja, um indivíduo com potencial que teve ter condições de se desenvolver e aprender. Mas, nem sempre foi assim na história da educação. As primeiras instituições tinham um caráter de assistência que não atendida às necessidades educativas. Sendo assim, os direitos que encontramos na BNCC são reflexos de mudanças nos processos sociais, históricos e educacionais do modo de compreender a infância, e para que possamos manter e melhorar as condições de educação dos nossos pequenos brasileiros é necessário olhar de forma crítica para tudo que antecedeu o momento atual. Para que seja garantido do acesso à educação infantil e a concretização de práticas educacionais, é preciso: • Constante diálogo entre os centros de pesquisa que investigam os desafios e as possibilidades. • Responsabilidade efetiva do poder público no suporte ao acesso, permanência e sucesso escolar. • Problematização e reivindicação da sociedade sobre os diretos das crianças ao ensino gratuito e de qualidade. Assim, para que a educação infantil seja ofertada de forma efetiva é necessário: • Considerar sua estruturação e articulação com o ensino fundamental, a partir do foco de uma transição que favoreça o aprendizado. • Consolidar as normativas curriculares e o suporte do Ministério da Educação e das secretarias para a efetivação de práticas pedagógicas concretas. • Avaliar a implementação de políticas educacionais voltadas para a educação infantil, visando realizar um balanço do que se materializou e do que ainda precisa acontecer na realidade (KRAMER, 2006). Atualmente, os centros de educação infantil podem ser de caráter público e privado. Sobre os serviços gratuitos, eles estão sob a atuação prioritária das instâncias municipais e recebem recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). Os serviços ofertados nestes espaços devem ser subsidiados pelasnormativas curriculares, tais como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que se configura como um documento norteador para a elaboração dos currículos escolares. Se examinarmos os atendimentos às crianças no passado até os dias atuais vamos nos deparar com inúmeros avanços no que diz respeito ao reconhecimento das singularidades e dos direitos desses brasileiros. Entretanto, ainda nos deparamos com vários desafios e lacunas que permitem a manutenção de desigualdades de atendimento e acesso, causando prejuízos severos para o público que compõe a classe popular. Tanto no âmbito das práticas quanto no âmbito das políticas nota-se a relevância de análise crítica de todos os sujeitos, pesquisadores, profissionais da educação, representantes governamentais e sociedade civil, para que todas as crianças, independentemente da classe e condição social em que vivem, tenham o direito ao ensino garantido na política e na realidade. FOCO NA BNCC A BNCC apresenta aprendizagens essenciais que os educandos devem se apropriar, sendo assim os direitos de aprendizagem e os campos de experiências foram formulados considerando as necessidades das crianças, seu desenvolvimento e faixas etárias. Isso só foi possível por conta de um processo histórico de concepções e paradigmas que foram desconstruídos e reconstruídos para que hoje possamos considerar as crianças no centro do processo. Dentre os direitos de aprendizagem podemos citar o de “expressar” em que a criança pode dialogar, descobrir e expor suas dúvidas e opiniões de diversas formas. Agora a criança tem o direito de se colocar no mundo como cidadã. É importante considerarmos que todos os processos históricos e as concepções de infância impulsionaram mudanças e melhorias para se pensar a educação das crianças de zero a cinco anos. Quantos pontos importantes estudamos juntos, não é verdade? Estudamos aspectos históricos para compreender a atualidade. Também analisamos o quanto é fundamental problematizar a conjuntura social, sem julgar os sujeitos, pois ainda é preciso caminhar mais para que todas as crianças tenham seus direitos de aprendizagem garantidos. FAÇA A VALER A PENA Questão 1 Sobre a infância, leia o excerto a seguir: “A importância da infância ainda é, de uma forma geral, uma perspectiva pouco con¬siderada tanto na produção acadêmica quanto nas decisões políticas e econômicas das sociedades em geral. Demonstra, assim, que é possível e necessário conectar a infância às análises sociais e econômicas, incluindo-a e compreendendo-a como uma categoria coprodutora da realidade social” (JÚNIOR; VASCONCELLOS, 2017, p. 274). Como podemos observar na citação, ainda encontramos inúmeros desafios sobre o entendimento da infância. Entretanto, no passado a situação era ainda mais delicada. Considerando a criança no período colonial, avalie as afirmativas a seguir: I. As crianças eram compreendidas como adulto em miniatura e as instruções dadas a elas eram modeladoras e disciplinares. II. As crianças tinham o mesmo tratamento e condição de subsistência, independentemente de sua classe social. III. As crianças eram entendidas como cidadãos em potencial e por isso foram inseridas no processo de trabalho industrial para favorecer o desenvolvimento social. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. I e II, apenas. c. I, II e III. d. II, apenas. e. III, apenas. Questão 2 “Como ensinar solidariedade e justiça social, respeitar as diferenças e atuar contra a discriminação e a dominação? Estão nossas crianças e jovens aprendendo a rir da dor do outro, a humilhar, a serem humilhadas, a não mais se sensibilizar? Perdemos o diálogo? Como recuperá-lo? As práticas, desenvolvidas com as crianças, humanizam-nas?” (KRAMER, 2006, p. 812). Esse excerto se refere à problematização sobre a configuração da educação infantil no Brasil. Sabe-se que as mazelas sociais e as diferenças no acesso aos bens materiais e imateriais assolam a vida de todos os brasileiros. Nossas crianças se constituem neste contexto e por isso uma educação de qualidade deve ser possibilitada para que esse cenário se modifique. No que se refere ao papel dos movimentos sociais na luta pela educação, avalie as asserções e a relação proposta entre elas: I. No período da redemocratização, os movimentos sociais tiveram papel preponderante para a garantia dos direitos das crianças PORQUE II. A luta mobilizada pelos movimentos considerava as necessidades das crianças em terem acesso a um ensino que potencialize o desenvolvimento e a aprendizagem. A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta: a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I. b. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I. c. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa. d. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira. e. As asserções I e II são proposições falsas. Questão 3 De acordo com Andrade (2010, p. 131): “As políticas públicas para a infância brasileira do século XIX até as primeiras décadas do século XX são marcadas por ações e programas de cunho médico-sanitário, alimentar e assistencial, predominando uma concepção psicológica e patológica de criança, inexistindo um compromisso com o desenvolvimento infantil e com os direitos fundamentais da infância”. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-5 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-5 Sobre o rompimento da perspectiva assistencialista no Brasil, avalie as afirmativas e marque V para verdadeiro e F para falso: ( ) O assistencialismo perdeu força na realidade brasileira a partir das discussões sobre a relevância da ênfase educacional no atendimento das crianças. ( ) O assistencialismo foi retirado do cenário brasileiro a partir da reivindicação do poder público que pretendia assegurar financeiramente todas as necessidades educativas. ( ) O assistencialismo foi problematizado, pois houve o reconhecimento de que o espaço educativo deve possibilitar o pleno desenvolvimento da crianças. Agora, assinale a alternativa CORRETA: a. V-V-F. b. V-V-V. c. F-F-F. d. F-V-F. e. V-F-V. REFERÊNCIAS AGUIAR JÚNIOR, V. S.; VASCONCELLOS, L. C. F. A importância histórica e social da infância para a construção do direito da saúde no trabalho. Revista saúde esociedade. São Paulo, v. 26, n.1, p. 71-285, 2017. ANDRADE, L. B. P. Tecendo os fios da infância. In: ANDRADE, L. B. P. (Org.). Educação infantil: discurso, legislação e práticas institucionais. São Paulo: Editora UNESP, 2010, p. 47-77. ÁRIES, P. História social da criança e da família. Trad. Dora Flaksman. 2. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1981. BRITES, O. Crianças de Revista (1930/1950). Educação e pesquisa. São Paulo, v. 26, n. 1, p. 161-176, 2000. CHAMBOULEYRON, R. Jesuítas e as crianças no Brasil quinhentista. In: PRIORE, M. D. (Org.). História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 2010, p. 55-83. FEITOSA, I. C. N.; DIMENSTEIN, M. Trabalho infantil e ideologia nas falas de mães de crianças trabalhadoras. Estudos e pesquisa em psicologia. Rio de Janeiro, v. 4, n. 2, p. 58-65, 2004. GOÉS, J. R.; FIORENTINO, M. Crianças escravas, crianças dos escravos. PRIORE, M. D. (Org.). História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 2010, p. 177-191. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-5 KRAMER, S. As crianças de 0 a 6 anos nas políticas educacionais no Brasil: educação infantil e/é fundamental. Educação & sociedade. Campinas, v. 27, n. 96, p. 797-818, 2006. KUHLMANN JÚNIOR, M. Histórias da educação infantil brasileira. Revista Brasileira de Educação. Rio de Janeiro, n. 14, p. 5-18, 2000. MAUAD, A. M. A vida das crianças de elite durante o Império. In: PRIORE, M. D. (Org.). História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 2010, p. 137-176. OLIVEIRA, Z. R. Educação infantil: fundamentos e métodos. 7 ed. São Paulo: Cortez, 2011. (Coleção Docência em Formação) PRIORE, M. D. O cotidiano da criança livre no Brasil entre a Colônia e o Império. PRIORE, M. D. (Org.). História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 2010, p. 84-106. ROSEMBERG, F. Sísifo e a educação infantil brasileira. Pró-Posições. Campinas, v. 14, n. 1, p. 177-194, 2003. FOCO NO MERCADO DE TRABALHO CONCEPÇÃO DE CRIANÇA E INFÂNCIA NO BRASIL Natália Gomes dos Santos FORMAÇÃO CONTINUADA Você refletirá sobre o papel da criança na realidade brasileira. Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? SEM MEDO DE ERRAR A situação-problema desta seção se refere ao início do curso de formação intitulado “Conhecer a história para compreender a criança”. Nele, a professora Carolina aborda o contexto que impulsionou a educação infantil até os dias atuais. A proposta para esse primeiro encontro foi a realização de algumas leituras e reflexões sobre três questões levantadas por Carolina, e agora, após nossos estudos, vamos nos colocar no lugar dos docentes para resolver esses desafios. O primeiro questionamento se refere à concepção de infância ao longo da educação brasileira e o que se modificou ao longo desse processo. Com base na literatura, verificamos que no passado as crianças eram compreendidas como adultos em miniatura e as instruções voltadas a elas deveriam moldá-las a partir de pressupostos morais, doutrinadores e disciplinares. Os professores também devem destacar nas análises que as condições de desigualdades entre as crianças acontecem desde o período colonial, em que membros da elite tinham possibilidade de manter a condição social em que viviam, enquanto os pequenos escravizados sobreviviam em situações precárias e a manutenção de suas vidas tinha o objetivo de continuar servindo aos senhores. O olhar para a criança passa a ocorrer nas primeiras décadas do século XIX, com influência de estudos realizados por teóricos europeus, que apontaram a relevância de considerar as especificidades das crianças e o olhar para seu desenvolvimento. A luta por direitos e a realização das pesquisas sobre infância foram cruciais para a modificação da compreensão dessa etapa da vida humana. A criança não é um sujeito inferior ao adulto e não deve ser um depósito de costumes e conhecimentos, mas sim um cidadão que deve ter acesso aos saberes para se constituir e atuar de forma significativa. Outro questionamento realizado por Carolina foi sobre o modo como os contextos sociais, históricos e econômicos impactaram a infância das crianças brasileiras. O primeiro ponto que deve ser abordado pelos docentes é a influência econômica e a estrutural como base na atuação de todos os indivíduos na sociedade. A realidade brasileira sempre foi dividida entre os que detinham os recursos materiais, os explorados e os que vendiam sua mão de obra para sobreviver. Esse contraste se reflete no modo como as pessoas são vistas e nas oportunidades dadas a elas. As crianças fazem parte deste contexto e a classe social à qual pertencem também direciona o modo como terão (ou não) acesso aos bens econômicos e culturais. Os docentes devem problematizar essa realidade para não fazerem análises preconceituosas sobre seus alunos. Muitas crianças chegam aos espaços educativos sem nunca terem contato com livros antes, letras e outros aspectos ligados ao ensino. Isso pode colocá-las em desvantagem em comparação com crianças de classes sociais abastadas que possuem tais acessos deste o berço. O exercício que os professores precisam ter é o de não culpabilizar a criança e sua família por sua condição, mas questionar as injustiças que impossibilitam o acesso para tantos. Esse é o primeiro ponto para se avançar nas lutas e melhorias de uma educação infantil efetivamente universalizada. Por fim, o último questionamento do encontro foi sobre as primeiras instituições de educação infantil no país. A partir das leituras, os professores poderão perceber que os primeiros serviços eram de caráter assistencialista, propiciando um local para acolher as crianças enquanto seus pais trabalhavam nas indústrias. A contribuição foi o questionamento sobre esses serviços, pois tanto os pesquisadores sobre a infância quanto os movimentos sociais compreendiam que a educação infantil não deveria ser um direito apenas dos pais, mas das crianças. PESQUISE MAIS Para que você amplie ainda mais seus conhecimentos sobre a temática que estamos trabalhando, sugerimos a leitura de um trecho do livro denominado Tecendo os fios da infância, de Lucimary Bernadé Pedrosa de Andrade. O trecho sugerido é intitulado “Infâncias e crianças” (p. 47-55) e retrata o panorama de como as concepções foram se modificando. ANDRADE, L. B. P. Tecendo os fios da infância. In: ANDRADE, L. B. P. (Org). Educação infantil: discurso, legislação e práticas institucionais. São Paulo: Editora UNESP, 2010, p. 47-77. AVANÇANDO NA PRÁTICA O FOCO NO TRABALHO PEDAGÓGICO COM OS BEBÊS Mariana é estudante de pedagogia e está realizando seu estágio no Centro de Educação Infantil Pedro Bandeira. Ela acompanhará as atividades da sala da professora Laura, que atua com este público há 35 anos. Laura apresenta para Mariana o planejamento pedagógico e como se configura a rotina da turma, visto que os alunos que ela atende possuem 1 ano de idade. Mariana agradece a disponibilidade e atenção da professora e questiona como ela estrutura as práticas dando o enfoque na perspectiva pedagógica e não assistencialista, já que o trabalho com os bebêsrequer cuidados de higiene e alimentação. A partir dessa indagação de Mariana, se coloque no lugar de Laura e responda para a estagiária quais foram as mudanças e quais são as possíveis modificações sobre o trabalho com ênfase no âmbito pedagógico. RESOLUÇÃO NÃO PODE FALTAR LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL Natália Gomes dos Santos OFERTA DE EDUCAÇÃO INFANTIL As concepções das propostas pedagógicas devem apresentar a relação entre família e escola sobre a educação e o cuidado com as crianças, com promoção de igualdade de oportunidade, para que todas as crianças tenham acesso ao saber e à construção de https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/fmt_u1s1.html#resolucao%20.item-1 formas de sociabilidade e subjetividade que garantam a democracia e a minimização das desigualdades sociais. Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? PRATICAR PARA APRENDER Estudante, estamos iniciando mais um momento de reflexões na disciplina de Organização do Trabalho Pedagógico na Educação Infantil. Já discutimos como se constituiu a educação infantil na história do país e verificamos que nem sempre a criança foi compreendida como um sujeito de direitos. Mas isso se modificou a partir de inúmeras reivindicações. As políticas são frutos destas lutas e por isso elas serão nosso objeto de análise nesta seção. Sendo assim, vamos conhecer as principais legislações educacionais que marcaram o processo de democratização do ensino para as crianças brasileiras. Estudaremos o papel da Constituição de 1988 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, compreendo-as como políticas que subsidiam todas as normativas posteriores. Também estudaremos as políticas que foram construídas para garantir a organização das propostas pedagógicas na educação infantil, as quais consideram o brincar, educar e cuidar como aspectos fundamentais para a efetivação de práticas pedagógicas significativas. Por fim, vamos problematizar os limites para que essas políticas se efetivem e o papel que o professor deve assumir na luta pela construção de uma educação de qualidade. O contexto de aprendizagem desta unidade se refere à realidade da pedagoga Rafaela, que trabalha no Centro de Educação Infantil Cecília Meireles. Ela organiza o processo de gestão da escola e também auxilia os professores com o planejamento das turmas, sempre em busca de articulação entre as práticas pedagógicas e o currículo da escola. Rafaela começou a ficar intrigada com a fala de alguns docentes, pois muitos destes profissionais tinham uma visão de infância equivocada e entendiam que a criança deveria realizar atividades que, muitas vezes, não coincidiam com sua faixa etária. Em outros casos, os professores compreendiam o trabalho na educação infantil como um cuidado assistencial, perdendo, em muitos momentos, o caráter educacional. Preocupada com esta situação, a pedagoga conversa com a diretora Helena e, juntas, organizam uma formação continuada na escola para que os docentes possam refletir sobre a constituição da educação infantil no Brasil. A formação intitulada “Conhecer a história para compreender a criança” acontecerá em três momentos, nos quais serão resgatados os avanços e desafios da educação infantil em seus aspectos históricos, políticos e sociais. Após o primeiro encontro na formação continuada, verificaram-se novos posicionamentos por parte dos professores sobre a necessidade de entender o percurso histórico da infância para compreender a criança na atualidade e o papel da escola em sua formação. No segundo dia de estudos, a professora Carolina propôs aos docentes uma atividade investigativa, em que eles deveriam se organizar em trios e realizar uma pesquisa sobre as principais políticas que subsidiam o direito à educação das crianças. A ministrante relatou que os professores deveriam buscar as informações na fonte, ou seja, nas próprias políticas, e nas discussões da literatura da área da educação para se entender os limites e as possibilidades das políticas educacionais. A busca deveria ser realizada a partir dos seguintes questionamentos: • Quais políticas são fundamentais para a organização da educação infantil no Brasil? • Quais são os impactos das políticas educacionais na vida escolar do alunado da educação infantil? • Quais contribuições as políticas educacionais possibilitam para o trabalho desenvolvido pelo professor na educação infantil? Pense como os professores que estão em formação e reflita sobre esses questionamentos. EXEMPLIFICANDO Para compreender como as políticas se materializam na prática pedagógica, sugerimos que você pense a educação infantil como uma construção: antes de se levantar as paredes, construir os cômodos de uma casa ou escolher uma decoração é preciso ter uma planta, elaborada por um engenheiro. Na planta, temos as medidas, os materiais e as projeções, para que a obra seja elaborada de forma segura e sólida. É a mesma coisa na escola: quando pensamos as ações e práticas na educação infantil devemos considerar que tudo é baseado na planta, ou seja, nas políticas. Desde os aspectos de gestão escolar até as práticas desenvolvidas em sala de aula, absolutamente tudo é realizado a partir de lei, decreto, emenda e diretriz. Por isso você deve conhecer as políticas vinculadas à educação infantil, questionar o que está dando certo e o que ainda precisa melhorar nesse contexto. Só assim teremos fundamentos para a realização do nosso trabalho na escola. Vamos realizar novas descobertas e reflexões sobre o direito e organização da primeira etapa de ensino da educação básica. CONCEITO-CHAVE DIREITO À EDUCAÇÃO BÁSICA Atualmente, nossas crianças têm o direito ao acesso à educação básica. No entanto, como vimos anteriormente, nem sempre esta realidade fez parte da vida de inúmeras delas e lutas aconteceram para que esse cenário se modificasse. As lutas sobre os direitos das crianças tiveram início nas discussões internacionais. Dentre elas, podemos observar as contribuições da Declaração Universal dos Direitos das Crianças de 1959, a qual pontua que: A criança gozará de proteção especial e disporá de oportunidade e serviços, a serem estabelecidos em lei por outros meios, de modo que possa desenvolver-se física, mental, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade. Ao promulgar leis com este fim, a consideração fundamental a que se atenderá será o interesse superior da criança. (ONU, 1959, [s.p.]) O respectivo documento afirma a necessidade de a criança ser atendida em todos os aspectos que garantam seu desenvolvimento e sua sobrevivência, a saber: a saúde, a assistência, os cuidados e a educação. No que se refere à educação, é pontuada a relevância de um ensino gratuito que permita a construção de saberes que lhe preparem para a atuação em sociedade. O lazer também é apresentado na declaração, a partir da afirmação de que a criança deve desfrutar de momentos de brincadeiras e jogos, os quais devem estar presentes em todos os ambientes sociais dos quais ela faz parte (ONU, 1959). No Brasil, as mudanças foram expressivas a partir do período de redemocratização. Após anos de ditadura militar, os direitos sociais ganharam espaço na conjuntura brasileira. Vale destacar o papel das discussões e dos documentos internacionais para que esse processo acontecesse também no Brasil. A Constituição Federal de 1988 marca esse processo no país. O capítulo três, seção um deste documento, é destinado para as ações relacionadas à educação. O artigo 205 apresenta que a educação é direito de todos os cidadãos e dever do Estado e da família. Deste modo, os brasileiros devem ter condições objetivas que possibilitem o acesso e a aprendizagem nos espaços escolares. Notexto também são apresentados os princípios que devem direcionar os processos educativos, tais como: liberdade de aprender e ensinar, garantia do padrão de qualidade, gratuidade do ensino público, pluralismo de ideias e concepções pedagógicas. Sobre a obrigatoriedade da educação básica, a Emenda Constitucional nº 59 de 2009 afirma que todas as pessoas de 4 a 17 anos devem estar matriculadas no sistema de ensino. Atendimentos, por meio de programas suplementares de transporte, material didático-escolar, alimentação e assistência à saúde devem ser possibilitados para os educandos (BRASIL, 2009). A partir da Constituição novas políticas foram construídas para que o direito universal ao ensino se concretizasse. Essa discussão fica evidente na Lei nº 8.069/1990 que dispõe o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A lei foi elaborada para formalizar os direitos humanos deste público e a relevância de atenção às necessidades básicas dos indivíduos. O capítulo quatro apresenta dispositivos vinculados ao direto à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer de crianças e jovens. Segundo a lei, toda criança e todo adolescente tem o direito de acesso e permanência no espaço educativo, a partir da oferta de um ensino gratuito em instituição próxima de sua residência. No que se refere às responsabilidades do Estado, a lei indica no artigo 54 que deve ser ofertado “atendimento em creches e pré-escolas às crianças de zero a cinco anos de idade” (BRASIL, 1990, p. 18). Como pontuado na Constituição, o ECA também apresenta normativas relacionadas aos deveres dos pais, de modo que eles são responsáveis por matricular seus filhos na escola e, caso não atendam às suas atribuições de tutela e cuidados, a instituição escolar deverá acionar o Conselho Tutelar, caso haja sinais de maus tratos e faltas injustificadas que levem à evasão. No ECA também é afirmado o compromisso com o respeito aos valores culturais, artísticos e históricos da realidade das crianças, propiciando liberdade de criação e acesso aos conhecimentos culturais (BRASIL, 1990). PESQUISE MAIS O momento de estudo é repleto de descobertas. Por esse motivo, segue indicação de leitura: ANDRADE, L. B. P. Educação infantil: na trilha do direito In: ANDRADE, L. B. P. (Org). Educação infantil: discurso, legislação e práticas institucionais. São Paulo: Editora UNESP, 2010, p. 127-168. O material apresenta uma discussão sobre os impactos das principais políticas no fazer pedagógico. Boa leitura! Neste cenário também podemos observar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/1996. Ela foi elaborada para direcionar todas as ações da educação brasileira, em diversos níveis, etapas e modalidades de ensino. No que tange à educação infantil, ela é compreendida como a primeira etapa da educação básica e tem o objetivo de propiciar o desenvolvimento integral da criança de zero até cinco anos. Suas ações devem favorecer a aquisição de saberes e habilidades que potencializam os aspectos psicológico, intelectual, físico e social da criança (BRASIL, 1996). Sobre o atendimento, a LDB/1996 pontua que: • Crianças de zero a três anos devem estar inseridas em creches ou entidades equivalentes. • Crianças de quatro a cinco anos devem estar matriculadas nas pré-escolas. • A avaliação das crianças nesta etapa de ensino deve acontecer de forma processual, por meio de acompanhamento e registro sobre o seu desenvolvimento. • Há necessidade de cumprimento de carga horária mínima anual, de oitocentas horas, distribuídas em duzentos dias letivos (BRASIL, 1996). Verificamos que o acesso ao ensino das crianças está garantido. No entanto, para que as práticas aconteçam de forma efetiva, é fundamental a organização curricular dos sistemas de ensino. CURRÍCULO O primeiro ponto para essa análise é o entendimento de currículo. De acordo com Sacristán (2013), o currículo escolar é uma organização dos conteúdos e saberes que os alunos devem aprender, de modo que tais conhecimentos regularão as práticas pedagógicas nos espaços educativos. Desse modo, ele deve ser construído na escola, respeitando necessidades, etapa de ensino e faixa etária dos alunos, mas, como é pontuado tanto na Constituição como na LDB, deve-se ter uma base comum entre os conhecimentos sobre os quais as pessoas vão se apropriar, ou seja, a garantia de que todos os alunos de determinada etapa de ensino terão acesso aos mesmos conteúdos, respeitando as especificidades regionais, culturais e econômicas. Para isso, diretrizes curriculares para todas as etapas de ensino foram construídas, visando atender a essas normativas previstas nas políticas citadas anteriormente. Em relação à educação infantil, em 1998 foi publicado o primeiro volume do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. O RCNEI foi construído para direcionar a implementação de práticas educativas nos centros de educação infantil, atentando às necessidades das crianças. Dentre os princípios apresentados no RCNEI, podemos observar o respeito à dignidade das crianças, o direito ao brincar como forma de expressão e relação com o mundo, o acesso dos educandos aos bens socioculturais, a socialização das crianças e o atendimento aos cuidados primordiais (BRASIL, 1998a). Os pilares da educação infantil foram explicitados nas discussões apresentadas no documento. O primeiro deles é o educar, que significa propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural. (BRASIL, 1998a, p. 23) Nesta lógica, o ensino tem a finalidade de dar a oportunidade de desenvolvimento da capacidade de aquisição de saberes fundamentais para todas as crianças, tais como: corporais, afetivos, emocionais, estéticos e éticos. O desenvolvimento da criança é um fator essencial para que ela entenda o mundo, estabeleça relações com o outro e adquira futuros conhecimentos (BRASIL, 1998a). O primeiro volume do RCNEI também apresenta o cuidar como pilar. Ele não é visto em uma perspectiva assistencialista, mas antes é entendido como parte integrante da educação. O cuidar é compreendido como a forma de valorizar e estimular as possibilidades de desenvolvimento das crianças. Assim, o cuidado na educação infantil deve envolver a dimensão afetiva e as necessidades biológicas do cidadão, considerando a alimentação, a saúde e a higiene. Vale destacar o cuidado que o adulto deve ter no processo de interação com a criança e atendimento às suas necessidades, pois ele deve estabelecer comunicação e compreender os sinais sobre o que a criança precisa em cada faixa etária. Por isso, a responsabilidade do profissional que atua na educação infantil e o seu preparo são aspectos fundamentais para a potencialização do desenvolvimento e da aprendizagem das crianças (BRASIL, 1998a). No mesmo ano foi publicado o segundo volume do RCNEI, que tinha enquanto tema a formação social e pessoal da criança. O documento aborda inúmeros aspectos fundamentais para a construção dos currículos desta etapa de ensino, dentre eles os objetivos destinados às crianças atendidas na educação infantil. O primeiro ponto discutido no documento diz respeito às finalidades dos trabalhos realizados com as crianças de zero a três anos. Segundo o RCNEI, os centros de educação infantil devem propiciar um ambiente acolhedor que possibilite ao seu público expressar seus desejos e sentimentos de forma autônoma. O aluno também deve conhecer o corpo e aprender a ter cuidado com ele, brincar de diversas formas e relacionar-se com seus pares e com os profissionais da instituição (BRASIL, 1998b). O documentotambém sinaliza os objetivos destinados ao ensino das crianças de quatro a seis anos. Destaca-se que as crianças com seis anos no momento histórico em que foi construído o referencial faziam parte do público desta etapa de ensino. Assim, as finalidades para elas eram construir uma imagem positiva e de autoconfiança de si mesmas, identificar e enfrentar situações de conflito, valorizar ações de solidariedade e cooperação, brincar e se expressar de diversos modos, adotar ações de autocuidado e compreender sua participação nos diversos grupos sociais, visando a compreensão das regras de convívio social e da diversidade (BRASIL, 1998b). O último volume do RCNEI discute o conhecimento de mundo que a criança deve ter nessa etapa de ensino. O documento apresenta objetivos, conteúdos e ações da proposta que deve ser trabalhada para que as crianças se apropriem de saberes referentes a movimento, artes visuais, linguagem oral e escrita, natureza e sociedade, música e matemática. Algo que merece ser destacado é que, em todas as áreas do conhecimento denominadas anteriormente, os jogos e as brincadeiras estão presentes como instrumento mediador para que os alunos se apropriem dos saberes (BRASIL, 1998c). Os três documentos são compreendidos como direcionamentos que possibilitaram para o momento histórico a marca desta etapa de ensino como um espaço de educação que deve considerar as crianças em seu desenvolvimento integral. Eles foram adotados como um guia de reflexão das instituições de ensino de como deviam ser estruturados os conteúdos, objetivos e orientações didáticas para os profissionais, com vistas a dar aos alunos uma base sólida de conhecimentos que permitissem a construção de novos saberes nas demais etapas de ensino. Outro aspecto que deve ser considerado é que os volumes do RCNEI são frutos das exigências apontadas na LDB/96, as quais visam a qualidade de ensino e a formação integral das capacidades das crianças (BRASIL, 1998). REFLITA O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil é composto por três volumes. Ele não se refere apenas a benefícios no campo do direito, mas também como um instrumento para a organização das propostas e práticas pedagógicas que marcaram o início do século XXI no país. Com base nas questões que discutimos sobre o RCNEI em relação a educar e cuidar, você observa progressos na concepção de criança e no trabalho pedagógico, ao compará-lo com o histórico registrado no passado da educação infantil no Brasil? Em 2010, foi publicado um importante documento, que se refere às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, que tem por finalidade estabelecer normativas que, vinculadas às Diretrizes Nacionais da Educação Básica, permitissem a organização das propostas pedagógicas na respectiva etapa de ensino. O documento reúne fundamentos, princípios e procedimentos que propiciam a efetivação das práticas na educação infantil. Conforme apresentado na nomenclatura, as DCNEI são um direcionamento para a organização pedagógica. Assim, a legislação estadual e municipal deve se adequar para atender à normativa nacional, considerando as necessidades e peculiaridades de cada realidade. No que tange à orientação pedagógica, verifica-se que: Proposta pedagógica ou projeto político pedagógico é o plano orientador das ações da instituição e define as metas que se pretende para a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças que nela são educados e cuidados. É elaborado num processo coletivo, com a participação da direção, dos professores e da comunidade escolar. (BRASIL, 2010, p. 13) Essas ações e práticas devem ser realizadas por meio de princípios que considerem a autonomia, a responsabilidade e o respeito às diferenças. Também é necessário propiciar a efetivação dos direitos de cidadania e do exercício da criticidade. Por meio da educação, devem ser ofertadas às crianças a liberdade, a criatividade, a sensibilidade e a expressão das diferentes manifestações artísticas e culturais. Em relação às concepções das propostas pedagógicas das instituições que ofertam educação infantil, elas devem apresentar, tanto no texto como no contexto, a relação entre família e escola sobre a educação e cuidado com as crianças, com promoção de igualdade de oportunidade, para que todas as crianças tenham acesso ao saber e à construção de formas de sociabilidade e subjetividade que garantam a democracia e a minimização das desigualdades sociais (BRASIL, 2010). Outro aspecto interessante no documento é a necessidade de alinhamento entre a proposta pedagógica e as condições de um trabalho colaborativo desenvolvido por todos. Nesta perspectiva, a educação e o cuidado devem ser compreendidos como aspectos indissociáveis, de modo que as dimensões afetiva, motora, cognitiva, linguística, ética, estética e sociocultural sejam trabalhadas concomitantemente. A comunicação e escuta das famílias também apresentam benefícios para o fazer pedagógico, e ele deve se dar a partir de uma gestão democrática, em que todos os envolvidos pensarão as possibilidades de avanços e melhorias na realidade educativa (BRASIL, 2010). Outro ponto que deve ser atendido no momento de estruturação das ações pedagógicas é o respeito às crianças, considerando as singularidades de cada faixa etária. Também é pontuada no documento a necessidade de as crianças terem contato com os conhecimentos histórico-culturais dos povos indígenas e afrodescendentes, asiáticos, europeus e de outros países da América. Uma questão relevante que é tratada na DCNEI é a necessidade de acessibilidade e adaptação de espaços e práticas para as crianças público-alvo da educação especial, como forma de promoção e efetivação da inclusão escolar (BRASIL, 2010). Para que todos os indicativos normativos já citados se concretizem na realidade é fundamental fazer investimentos em recursos financeiros. Por isso, a educação infantil é incluída nos fundos vinculados ao financiamento do ensino. Essa afirmação pode ser verificada a partir de 2007 com a implementação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). Este fundo foi criado para atender ao artigo 212 da Constituição e seus recursos são derivados de impostos e transferências. Ele é composto por 27 fundos que representam cada estado brasileiro mais o Distrito Federal, e a distribuição é realizada a partir do número de alunos registrados no censo escolar do ano anterior (BRASIL, 2007). ASSIMILE Como podemos observar em nossos estudos, as políticas que antecederam 2005 apresentavam como faixa etária da educação infantil as crianças de zero a seis anos. Isso se modificou a partir da Lei nº 11.114 de 2005 que sancionou a ampliação do ensino fundamental em nove anos. Sendo assim, as crianças com seis anos deveriam ser inseridas na segunda etapa de ensino da educação básica. Na época, o Ministério da Educação argumentou essa mudança colocando a necessidade de universalizar, principalmente para as crianças das camadas populares, o acesso ao ensino obrigatório, visto que neste momento histórico a Constituição apresentava apenas o ensino fundamental como etapa obrigatória. Tanto a ampliação do ensino fundamental de nove anos (2005) quanto a expansão do ensino obrigatório para as pessoas de quatro a dezessete anos (2009) são avanços no campo das políticas, visto que o Estado deve se responsabilizar, impreterivelmente, com a educação. Como podemos verificar, a política brasileira é a expressão da relação de necessidades e interesses entre o Estado e a sociedade civil. Para que as ações aconteçam de forma organizada e sistematizada, textos normativos são construídos, visando ao atendimento dos direitos e deveres dos cidadãos. Ao analisarmos as principais políticas mencionadas anteriormente verificamos que seus benefícios são evidentese, se aplicadas na realidade, propiciam inúmeros avanços para a escolarização das crianças. Entretanto, devemos analisar para além do que está colocado no texto, pois nem sempre tais dispositivos se concretizam totalmente na realidade. De acordo com Saviani (2008) encontram-se no contexto brasileiro algumas dificuldades no campo das políticas educacionais, que podem influenciar a realidade. É por esse fator que vemos nas normativas políticas, por exemplo, um discurso de universalização do ensino e propostas pedagógicas que favorecem a educação, entretanto as escolas precisam de mais investimentos, os professores necessitam de maiores incentivos financeiros e pedagógicos para aprimorar suas práticas. A educação infantil é uma etapa de ensino crucial para o desenvolvimento do indivíduo, por isso um trabalho bem elaborado que propicie a transição entre esta etapa e o ensino fundamental é necessário para que não se apresentem problemas educacionais futuros na vida dos sujeitos, tais como o insucesso e a evasão escolar. Para que isso ocorra, a qualidade precisa deixar de ser uma palavra na política e se tornar uma realidade educativa. Segundo Dourados (2007, p. 940): A busca por melhoria da qualidade da educação exige medidas não só no campo do ingresso e da permanência, mas requer ações que possam reverter a situação de baixa qualidade da aprendizagem na educação básica, o que pressupõe, por um lado, identificar os condicionantes da política de gestão e, por outro, refletir sobre a construção de estratégias de mudança do quadro atual. Por essas questões é fundamental que você, enquanto futuro educador, problematize as políticas educacionais, considerando o momento em que foram elaboradas, suas intenções e efetivação (ou não) na realidade. É importante conhecer o projeto de educação que está posto, e sabemos que em uma sociedade de classes ele não está a serviço das classes trabalhadoras. Isso se reflete nas condições precárias que temos observado na educação pública brasileira. Kremer (2006) questiona essa conjuntura relatando a dificuldade de ensinar para as crianças solidariedade e justiça, enquanto vivemos em um contexto que tem a injustiça e dominação como base. Temos de lutar por uma sociedade e educação que não façam distinção das possibilidades de acesso ao saber pela condição econômica. As crianças que se encontram na creche, por exemplo, não estão incluídas na idade obrigatória, e isso se reflete na não universalização deste público no espaço educativo. No entanto, as crianças advindas da elite têm condições de estar inseridas desde o nascimento em espaços educativos particulares, enquanto muitos bebês e crianças bem pequenas não estão nas creches por falta de vaga. Vale ressaltar que essa diferença não é uma questão de mérito, mas de desigualdades estruturais. Esse é o abismo social e econômico, e você enquanto futuro professor deve questionar essa condição neste momento de formação e na sua futura atuação. O direito das crianças foi conquistado por meio de muita luta e as únicas coisas que devemos aceitar são avanços, não retrocessos. FOCO NA BNCC Você sabia que as políticas são elaboradas mediante as demandas educacionais, sociais e econômicas de determinado momento histórico? É por meio das dinâmicas e das novas necessidades que vão sendo construídas que ocorrem modificações no modo de direcionar as práticas pedagógicas. Na atualidade, a Base Nacional Comum Curricular se configura como o documento norteador para a construção dos currículos das escolas brasileiras, sendo assim 60% do currículo deve atender ao que está posto na base e 40% é diversificado, compreendendo as necessidades daquele local. No tocante à educação infantil, notamos o papel preponderante dos direitos de aprendizagem e dos campos de experiência para o trabalho desenvolvido pelo professor. Eles apresentam benefícios para a educação e só obtemos essa organização pelo fato de outras políticas terem sido construídas anteriormente. Tanto o RCNEI quanto as DCNEI são compreendidos como documentos fundamentais para os avanços que temos atualmente na educação. Destacamos que a BNCC não é uma “versão melhorada” destas políticas, mas sim a continuidade de normativas que consideram as necessidades das crianças e da educação na contemporaneidade. Quantos aspectos interessantes estudamos juntos nesta seção! Foi possível observar que as políticas educacionais apresentam uma dimensão fundamental na realização das práticas pedagógicas, e é por isso que você deve analisá- las com criticidade e compromisso. FAÇA A VALER A PENA Questão 1 Vitória é professora em um centro de educação infantil e está fazendo um estudo no curso de formação continuada. As análises da professora se referem à articulação entre políticas educacionais e as práticas pedagógicas. Dentre as atividades propostas no curso, Vitória terá de refletir sobre as normativas apresentadas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996. Considerando este contexto, analise as afirmativas e marque V para verdadeiro e F para falso: ( ) Vitória constatou na LDB/96 que os alunos de zero a três anos são atendidos na creche e os educandos de quatro a cinco anos são matriculados na pré-escola. ( ) Vitória observou na LDB/96 que a educação infantil é apresentada como primeira etapa da educação básica. ( ) Vitória verificou que, segundo a LDB/96, os aspectos físico, psicológico, intelectual e social devem ser desenvolvidos na criança. Agora, assinale a alternativa CORRETA: a. V-V-V. b. F-F-F. c. V-F-F. d. F-V-V. e. V-F-V Questão 2 De acordo com o terceiro volume do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil: “O movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura humana. As crianças se movimentam desde que nascem, adquirindo cada vez maior controle sobre seu próprio corpo e se apropriando cada vez mais das possibilidades de interação com o mundo. Engatinham, caminham, manuseiam objetos, correm, saltam, brincam sozinhas ou em grupo, com objetos ou brinquedos, experimentando sempre novas maneiras de utilizar seu corpo e seu movimento” (BRASIL, 1998c, p. 15). No que se refere ao trabalho realizado na escola para permitir experiências em relação ao movimento pela criança, avalie as afirmativas a seguir: • O trabalho com movimento abrange a multiplicidade de funções e manifestações do ato motor. • As atividades com o movimento devem ampliar a cultura corporal de cada criança. • O ambiente deve dar a possibilidade de a criança obter conhecimentos acerca de si, dos outros e do meio em que vive. É correto o que se afirma em: https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-5 a. II, apenas. b. I e II, apenas. c. III, apenas. d. I, II e III. e. I, apenas. Questão 3 Nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2010) a finalidade da proposta pedagógica é: “garantir à criança acesso a processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens, assim como o direito à proteção, à saúde, à liberdade, à confiança,ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e à interação com outras crianças” (BRASIL, 2010, p. 18). No que se refere à organização do trabalho e à relação com a família, para que os objetivos sejam alcançados, analise as asserções e a relação proposta entre elas: I. Deve-se estabelecer um diálogo com a família, de modo que estimule sua participação na vida escolar das crianças PORQUE II. Ela é isenta da responsabilidade sobre a escolarização das crianças na educação infantil, visto que o Estado deve assumir todos os compromissos com a educação. A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta: a. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I. b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I. c. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa. d. As asserções I e II são proposições falsas. e. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira. REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição Federal de 1988. Brasília, 1988. BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Institui o Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, 1990. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Institui a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394. Brasília, 1996. BRASIL. Lei nº 11.494, de 11 de junho de 2007. Institui Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação. Brasília, 2007. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. v.1, n.1, Brasília, p. 1-101, 1998a. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-5 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-5 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. v. 2, n.1, Brasília, p. 1-85, 1998b. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. v. 3, n.1, Brasília, p. 1-253, 1998c. BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília, DF, p. 1-40, 2010. DOURADOS, L. F. Políticas e Gestão da Educação Básica no Brasil: Limites e Perspectivas. Educação & sociedade. Campinas, v. 28, n. 100, p. 921-946, 2007. KRAMER, S. As crianças de 0 a 6 anos nas políticas educacionais no Brasil: educação infantil e/é fundamental. Educação & sociedade. Campinas, v. 27, n. 96, p. 797-818, 2006. ONU. Declaração Universal dos Direitos da Criança. 1959. SACRISTÁN, J. G. Saberes e incertezas sobre o currículo. Porto Alegre: Editora PENSO, 2013. SAVIANI, D. Política educacional brasileira: limites e perspectivas. Revista de educação. Campinas, n. 24, p. 7-16, 2008. FOCO NO MERCADO DE TRABALHO LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL Natália Gomes dos Santos QUAIS POLÍTICAS SÃO FUNDAMENTAIS PARA A ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL? Nesta situação-problema, seu desafio é fazer um levantamento das principais políticas que subsidiam o direito à educação das crianças. Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? SEM MEDO DE ERRAR No segundo dia da formação continuada, a professora Carolina propôs aos docentes uma atividade investigativa, em que eles deveriam se organizar em trios e realizar uma pesquisa sobre as principais políticas que subsidiam o direito à educação das crianças. Na discussão, o grupo de docentes deve pontuar que todas as políticas educacionais têm um papel preponderante para a estruturação da educação, especificamente as políticas em âmbito nacional, pois são elas que direcionam as ações dos estados e municípios. Dentre elas, os professores podem relatar o papel da Constituição Federal de 1988, que apresenta a educação como direito dos indivíduos e dever do Estado e da família. No que se refere à educação infantil, são inúmeros os aspectos que são tratados na Constituição e que favorecem a primeira etapa de ensino, pois a política visa assegurar os princípios da educação, os quais consideram o direito dos alunos aprenderem e dos professores ensinarem, a gratuidade do ensino público, o respeito ao pluralismo de ideias pedagógicas, entre outros. A Constituição também apresenta, por meio da emenda nº 59, a idade obrigatória que contempla uma parte do público atendido na educação infantil. Os docentes também podem discutir a relevância da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, a qual apresenta a necessidade de uma base comum para a organização do currículo escolar e o modo como a educação infantil deve ser estruturada, atendendo nas creches as crianças de zero a três anos e nas pré-escolas os educandos de quatro a cinco anos. Um outro ponto que deve ser levantado pelos professores diz respeito aos impactos das políticas educacionais na vida escolar dos alunos. É fundamental eles apresentarem que as políticas são ponto de partida para qualquer ação e melhoria na escola, pois nela encontra-se a exigência de formação de professores, da universalização do ensino, da implementação de programas e dos investimentos destinados à escola. Também é necessário eles atentarem ao impacto das políticas no próprio currículo escolar, pois todas as ações pedagógicas, os conteúdos e recursos que os alunos devem se apropriar estavam previstos nos volumes do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Algumas alterações foram realizadas e na atualidade e o documento normativo é a Base Nacional Comum Curricular, que também se configura como uma política educacional. É por apresentar também interferências na realidade escolar que a legislação educacional merece análise dos profissionais da educação e da comunidade em geral, para que reivindicações sobre sua concretização e melhorias sejam realizadas. Por fim, os docentes devem relatar que as políticas educacionais os auxiliam na estruturação das práticas pedagógicas. Por meio delas, especificamente as de cunho curricular, eles poderão refletir sobre a organização do currículo, compreender se esse documento elaborado pela escola está (ou não) de acordo com as normativas curriculares e (re)pensar a própria prática, observando se ela está de acordo com as propostas pedagógicas, os objetivos de aprendizagem e os conhecimentoscientíficos que devem ser socializados a partir do atendimento das necessidades apresentadas pelos alunos com base no processo de desenvolvimento e na faixa etária correspondente. É interessante que os professores saiam da formação instigados sobre como a política interfere diretamente na ação que eles realizam, levantando os limites dados pela realidade e as possibilidades que elas apresentam para a efetivação de uma trabalho estruturado, que atenta o artigo 205 da Constituição sobre o direito de todos à educação. AVANÇANDO NA PRÁTICA O BRINCAR COMO ASPECTO TRANSVERSAL NA POLÍTICA EDUCACIONAL BRASILEIRA Maria Luiza é professora em um centro de educação infantil em um município de pequeno porte. A docente adora realizar estudos sobre estratégias e práticas que aperfeiçoam seu trabalho pedagógico, pois reconhece a relevância de sua ação docente para o desenvolvimento integral dos alunos. Maria Luiza foi comunicada sobre a adequação do currículo escolar a partir das orientações indicadas na Base Nacional Comum Curricular e por isso quis refletir sobre um aspecto que é discutido no novo documento: o brincar. A partir de algumas conversas com colegas de trabalho e leituras que fez, Maria Luiza se propôs a levantar semelhanças entre o modo como o brincar é apresentado no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e na Base Nacional Comum Curricular. Agora, se coloque no lugar da professora Maria Luiza e levante pontos de semelhança sobre o modo como o brincar é apresentado nas duas normativas citadas. RESOLUÇÃO NÃO PODE FALTAR A ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL Natália Gomes dos Santos https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/fmt_u1s2.html#resolucao%20.item-1 EFETIVAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL Para que a educação das nossas crianças se efetive é fundamental a existência e harmonia de três elementos: processo de produção das políticas, gestão do sistema e práticas das instituições. Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? PRATICAR PARA APRENDER Nesta disciplina, já estudamos várias questões fundamentais para se compreender o olhar sobre a infância a partir de aspectos históricos, sociais e políticos. No entanto, essa jornada não acabou. Nesta seção, refletiremos sobre as possibilidades de organização e condições para que a educação infantil se efetive na realidade brasileira. Para isso, compreenderemos como se configura o regime de colaboração entre as diferentes instâncias administrativas (federal, estadual e municipal). Outro aspecto interessante que estará em nossos estudos diz respeito ao modo como a educação infantil é estruturada em turmas, faixa etária e jornada parcial ou integral. Também vamos refletir sobre a importância da gestão para o funcionamento e desenvolvimento desta etapa de ensino, sempre buscando estabelecer diálogo e práticas que favoreçam a escolarização das crianças brasileiras. O contexto de aprendizagem desta unidade se refere à realidade da pedagoga Rafaela, que trabalha no Centro de Educação Infantil Cecília Meireles. Ela organiza o processo de gestão da escola e também auxilia os professores com o planejamento das turmas, sempre em busca de articulação entre as práticas pedagógicas e o currículo da escola. Rafaela começou a ficar intrigada com a fala de alguns docentes, pois muitos desses profissionais tinham uma visão de infância que considera equivocada e entendiam que a criança deveria realizar atividades que, muitas vezes, não coincidiam com sua faixa etária. Em outros casos, os professores compreendiam o trabalho na educação infantil como um cuidado assistencial, perdendo, em muitos momentos, o caráter educacional. Preocupada com esta situação, a pedagoga conversa com a diretora Helena e, juntas, organizam uma formação continuada na escola para que os docentes possam refletir sobre a constituição da educação infantil no Brasil. A formação intitulada “Conhecer a história para compreender a criança” acontecerá em três momentos, os quais serão resgatados os avanços e desafios da educação infantil em seus aspectos históricos, políticos e sociais. Durante o segundo encontro da formação, os professores puderam refletir sobre o direito das crianças ao ensino de qualidade e também a necessidade de problematização da realidade educacional para que as políticas se efetivem e propiciem condições para os alunos aprenderem e os professores ensinarem. Por conta desta questão, os professores ficaram interessados em compreender o papel das diferentes instâncias e o regime de colaboração estabelecido entre as dependências administrativas para a oferta de uma educação infantil gratuita e de qualidade. Assim, a professora Carolina, responsável pela formação, deverá organizar uma fala que contemple os seguintes aspectos: • Trabalho colaborativo entre as dependências administrativas para a concretização da educação infantil. • Caracterização das instituições que ofertam a educação infantil. • Condições para a efetivação do trabalho na educação infantil. CONCEITO-CHAVE As políticas educacionais são construídas para direcionar as ações no cotidiano escolar. Por meio delas, as instituições de ensino se estruturam, visando atender às necessidades essenciais do seu aluno. O Estado deve se responsabilizar pela garantia de acesso, permanência e sucesso escolar das nossas crianças, visto que a educação é um direito social no Brasil. Agora que já temos essa base inicial, vamos estudar novos aspectos. O REGIME DE COLABORAÇÃO PARA A ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL Quando falamos em “dever do Estado”, o que passa pela sua cabeça? É importante compreendermos que a nomenclatura “Estado” é utilizada para se referir ao poder executivo. Sendo assim, no artigo 211 da Constituição Federal de 1988, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão organizar os sistemas de ensino, em regime de colaboração, para que todos os alunos da educação básica sejam atendidos. Neste viés a União: organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistribuitiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. (BRASIL, 1988, p. 124) Como o nosso foco é a educação infantil, um ponto importante é saber o que a lei fala sobre esta etapa. Segundo a Constituição, os municípios atuarão prioritariamente para o atendimento das demandas desta etapa de ensino e, por meio de um trabalho colaborativo, esta dependência administrativa deverá estar articulada com o Estado e a União para que os padrões de qualidade estabelecidos sejam alcançados e os serviços se concretizem na realidade. A dependência municipal também deverá estruturar diretrizes e competências para a respectiva etapa de ensino mencionada (BRASIL, 1988). Vale destacar que este trabalho deve ser concretizado com a colaboração dos outros entes administrativos e que o município deve atender às determinações das políticas em âmbito nacional, respeitando as necessidades e particularidades dos alunos atendidos. Outro ponto que deve ser destacado é o dever do município em organizar um sistema de ensino para que todas as ações educacionais que a ele competem sejam atendidas. É indispensável que este sistema seja estruturado pela secretaria e pelo conselho municipal de educação. O sistema também deve se responsabilizar pela criação, manutenção e organização das instituições sob sua tutela e supervisionar as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada (BRASIL, 1996). Você sabia que para os municípios realizarem um trabalho bem estruturado é cruciala organização de seu sistema, por meio de uma gestão que acompanhe, monitore e indique caminhos para que a educação das crianças aconteça? Nas palavras de Kramer, Toledo e Barros (2014), para que a educação das nossas crianças se efetive é fundamental a existência e harmonia de três elementos, que são: processo de produção das políticas, gestão do sistema e as práticas das instituições. O poder público, aqui representado pelo município, deverá atuar nestas três frentes, atendendo às normativas das políticas nacionais e direcionando as ações do sistema municipal a partir da gestão e das orientações sobre as práticas. Mas você pode estar se questionando sobre como o município se encarrega de auxiliar todas as instituições que ofertam a educação infantil, certo? Veremos na sequência como isso se dá. A gestão se refere ao trabalho de orientar, analisar, assessorar e monitorar as ações realizadas. Desta forma, os municípios se organizam por meio de secretarias de educação, as quais realizarão este trabalho a partir de uma equipe com formação na área da educação. Essa equipe vai estruturar as medidas para que tudo o que é apresentado nas políticas nacionais aconteça na prática das escolas (KRAMER; TOLEDO; BARROS, 2014). Sabemos das necessidades de as escolas organizarem seus currículos a partir da BNCC. Para que isso ocorra, a secretaria de educação deve dar a oportunidade para todas as escolas sob sua responsabilidade de ter formação adequada, metas a serem cumpridas e avaliação sobre as ações realizadas. Esse trabalho é crucial para que as demandas e necessidades do local sejam atendidas. Para que os alunos tenham qualidade no serviço prestado é necessária articulação entre poder público, aqui representado pelo papel da gestão municipal, e escola, contando com a participação dos seguintes atores: gestão escolar, professores, familiares e comunidade. Vale a pena também refletir sobre as condições fundamentais para o desenvolvimento da educação infantil. Sabemos que as crianças têm direitos e que a matrícula deve ser ofertada a todas, entretanto muitas outras ações devem se concretizar para que de fato tudo aconteça em perfeita harmonia, como em uma orquestra. O que garante a sintonia para o sucesso das práticas desenvolvidas na educação infantil é a qualidade. Esta se dá por meio da junção de inúmeros fatores, entre eles a formação e condição de trabalho dos professores que atuam na educação infantil. Para construir uma sólida bagagem de conhecimentos, são necessários anos de estudos, reflexões e análises, com vistas a uma atuação consistente e compromissada. Então, isso é fruto de conquistas que encontramos tanto na LDB/1996 como nas políticas vinculadas à formação de professores. Mas e quando o professor já está atuando, como isso poderá favorecer o desenvolvimento do trabalho realizado na educação infantil? Uma resposta possível é por meio de ações que dão para o docente o suporte necessário para a realização de seu trabalho: O Professor é peça-chave na promoção da qualidade da Educação Infantil. Para que esse profissional possa responder aos anseios e as expectativas sociais depositadas nessa etapa da Educação Básica, e necessário propiciar condições para sua valorização e desenvolvimento profissional: salário; carreira; jornada; participação efetiva na elaboração e condução dos projetos pedagógicos da instituição; formação inicial e continuada, com foco no desenvolvimento infantil, garantindo espaço para a pluralidade e para que Professores ampliem seu saber e seu saber fazer com as crianças. (BRASIL, 2018, p. 33) Outro aspecto que auxilia no desenvolvimento desta etapa de ensino é o trabalho realizado pela gestão da escola. Ela deve ser construída no coletivo, a partir de uma perspectiva democrática, que considere as necessidades das crianças atendidas e, em conjunto, sejam traçadas as metas e os objetivos necessários para o sucesso das práticas realizadas neste espaço educativo. Esse coletivo não se restringe aos profissionais da escola, pois pais, responsáveis e comunidade devem participar e ter voz ativa no processo de tomada de decisões (BRASIL, 2018). O fruto deste trabalho coletivo será refletido no projeto político-pedagógico (PPP), o qual se refere à proposta da escola que, alicerçada pelas principais políticas educacionais, apresenta identificação, objetivos, valores, princípios, projetos e organização do espaço responsável pela educação das crianças. Um ponto bem relevante sobre o PPP é que ele explicita as concepções pedagógicas adotadas pela escola, além de estar adequado às orientações descritas na BNCC para esta etapa de ensino (BRASIL, 2018). ASSIMILE Como podemos analisar em nossos estudos, a gestão escolar possui um papel essencial para que as ações na escola aconteçam de forma efetiva. Para isso, é fundamental a sistematização das propostas e ideias que são baseadas pelas políticas educacionais, as quais direcionam e descrevem os direitos de aprendizagem. As informações são apresentadas no projeto político-pedagógico (PPP), documento elaborado em uma perspectiva democrática, conforme apontado nos artigos 14 e 15 da LDB/1996. Essa discussão é necessária, pois o trabalho realizado na gestão democrática, o qual se materializa no PPP, descreve o modo como a instituição estrutura as possibilidades e os percursos para se propiciar as condições fundamentais do funcionamento da primeira etapa da educação infantil e você, enquanto futuro pedagogo, deve compreender o trabalho tanto do professor quanto do gestor, pois poderá atuar nas duas frentes mencionadas. Esse conjunto de práticas, ações e reflexões pode gerar questionamentos como: “Nossa, quanto trabalho. Como a escola vai se estruturar para acompanhar todas essas ações?”. Então, isso acontece por meio do planejamento e da avaliação dos processos, efetivados a partir de uma articulação entre os profissionais da escola (gestores e professores) que vão traçar procedimentos para acompanhamento, avaliação e replanejamento do trabalho pedagógico. Essa avaliação acontecerá a partir da reflexão sobre os avanços alcançados pela escola e o que ainda precisa ser aperfeiçoado no contexto. Essa análise permite uma reflexão da prática para que os ajustes e intervenções necessários aconteçam na realidade escolar (BRASIL, 2018). Como analisamos, essas condições devem ocorrer alicerçadas pelos direitos de aprendizagem indicados na BNCC, a partir da construção de um ambiente que apresente às crianças situações estimuladoras e desafiadoras. Também deve ser assegurado um trabalho colaborativo entre gestão e professores, sustentado pelos princípios de compromisso, consistência, coerência, participação no decorrer da elaboração, implementação e avaliação do PPP da escola. Outro ponto fundamental para a discussão do tema se refere às instituições que ofertam a educação infantil. O primeiro aspecto que temos de considerar é a necessidade de esta etapa ser ofertada em um espaço adequado com profissionais capacitados. De acordo com o Conselho Nacional de Educação, esta etapa de ensino deve ser oferecida em creches, pré-escolas e outros, e esses espaços devem ser institucionalizados, ou seja, esses serviços não podem ser ofertados em ambientes não formais por dois motivos: • Garantia de uma educação de qualidade que respeite as necessidades das crianças atendidas. • Quebra com qualquer resquício de educação que esteja vinculada com uma perspectiva assistencialista (BRASIL, 2018). Outro ponto a ser observado diz respeito ao modo como a política apresenta a organização das instituições que ofertam educação infantil. No tocante à nomenclatura das instituições, elas poderão variar mediante a realidade e a dependência administrava responsável pelos serviços. Por exemplo, em uma rede municipal que oferta educação infantil, podemos encontrar a seguinte denominação:“centro municipal de educação infantil”. Já na rede privada, podemos nos deparar com “escola de educação infantil” ou apenas “escola”, pois a instituição poderá ofertar outras etapas de ensino. O que devemos levar em consideração não é a nomenclatura em si, mas a adequação e regularização deste espaço, o qual deve seguir as orientações das políticas educacionais e seu funcionamento deve ser monitorado e autorizado pelo Conselho Municipal de Educação e pela Secretaria Municipal de Educação. Outro aspecto que devemos considerar é que educação infantil apresenta uma peculiaridade, em comparação com as outras etapas, a qual se refere à definição de sua composição a partir da faixa etária. Nesta etapa, as crianças podem ser matriculadas na creche ou na pré-escola (ROSEMBERG, 2014). EXEMPLIFICANDO Vamos retomar o regime de colaboração para o funcionamento da educação infantil. Notamos em nossos estudos que os municípios devem atuar prioritariamente sobre a organização da educação infantil. Mas será que esta instância administrativa pode tomar todas as decisões sobre a estruturação desta etapa sem atender às normativas nacionais? A resposta é não. O trabalho colaborativo se refere à função de cada instância na educação brasileira (União, Estados, Distrito Federal e municípios). É como uma engrenagem que depende de várias peças para funcionar, ou seja, cada uma tem a sua importância. Os municípios são responsáveis por organizar o sistema de ensino, orientando e monitorando as práticas, sempre de acordo com as normativas de âmbito nacional, ou seja, as políticas elaboradas pela União. A autonomia dos municípios não pode ultrapassar as exigências pontuadas pela instância federativa, pois o foco é dar oportunidade para todas as crianças nos quatro cantos do país uma base comum de conhecimentos fundamentais para sua trajetória escolar. ASPECTOS RELACIONADOS AO FUNCIONAMENTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL Se analisarmos a BNCC, essa organização fica ainda mais clara, pois, segundo o documento, os direitos de aprendizagem e os campos de experiência são organizados conforme as singularidades dos diferentes grupos etários. Observamos que as práticas são desenvolvidas de forma sequencial, respeitando o momento da criança e o nível de desenvolvimento em que ela se encontra. Para isso, as instituições escolares devem se organizar em três grupos por faixa etária. Quadro 1.1 | Grupos por faixa etária CRECHE PRÉ-ESCOLA Bebês Crianças bem pequenas Crianças pequenas De zero a 1 ano e 6 meses De 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses De 4 anos a 5 anos e 11 meses Fonte: elaborado pela autora a partir das informações da BNCC (2018). Outro ponto bem interessante sobre essa questão que devemos nos atentar é que a BNCC apresenta de forma explícita que esses grupos não podem ser estruturados e compreendidos de forma rígida, pois em nossa realidade se encontra uma pluralidade de condições e ritmos de aprendizagem, os quais devem ser respeitados e analisados caso a caso, tanto pela gestão que monitora os serviços educacionais quanto pela escola que está face a face com os alunos no cotidiano (BRASIL, 2018). FOCO NA BNCC Um conteúdo bem interessante que estudamos nesta seção se refere aos grupos de faixa etária apresentados na BNCC. Juntos, observamos que a creche é dividida em dois grupos (bebês e crianças bem pequenas) e a pré-escola compreende um grupo (crianças pequenas). Quando analisamos a organização dos campos de experiência, verificamos que eles são apresentados a partir dessa divisão dos grupos. Por exemplo, o campo de experiência denominado “Traços, sons, cores e formas” apresenta diferentes objetivos de aprendizagem, mediante a faixa etária. Verifique o primeiro objetivo de cada grupo: • Bebês: explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente. • Crianças bem pequenas: criar sons com materiais, objetos e instrumentos musicais, para acompanhar diversos ritmos de música. • Crianças pequenas: utilizar sons produzidos por materiais, objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais, festas. Observe que os objetivos vão se modificando conforme a idade das crianças, e isso ocorre de forma sequencial, respeitando cada fase de desenvolvimento e aprendizagem. Outra questão que deve ser analisada por nós diz respeito aos diferentes tipos de regime de oferta da educação infantil. De acordo com a LDB/1996, as crianças de 0 (zero) a 5 (cinco) anos podem ser escolarizadas em tempo parcial, com uma carga horária de quatro horas ou sete horas diárias na jornada integral. Outra questão é que a escola deverá realizar o monitoramento da frequência, de modo que o mínimo exigido é de 60% da carga horária total (BRASIL, 1996). Quando refletimos sobre a jornada na educação infantil devemos considerar que o currículo deve ser organizado mediante as necessidades das crianças, e as horas distribuídas devem ser compatíveis com os objetivos estabelecidos na BNCC e no PPP da escola. Apesar de a estrutura entre ambas as jornadas (parcial e integral) ser diferente, isso não pode refletir em divergências de acesso aos saberes fundamentais, de modo que todas as crianças têm o direito de se apropriarem dos conhecimentos indicados na BNCC. De forma predominante, encontramos na realidade brasileira uma oferta maior na jornada em tempo parcial, pois, segundo Aquino (2015), essa oferta tem custo menor para o poder público porque requer um número reduzido de profissionais. Também computará apenas uma matrícula e não necessitará de expansão do espaço físico da escola para atender à demanda da comunidade. No entanto, podemos observar um movimento para expansão das possibilidades de atendimentos às crianças em tempo integral, devido aos benefícios dessa jornada. VOCÊ CONHECE O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, VIGENTE DE 2014 A 2024? Essa política é subsidiada pelos dispositivos apresentados na Constituição Federal de 1988 e apresenta metas cuja finalidade é melhorar a educação a cada dez anos. No plano vigente, encontra-se uma meta destinada à educação infantil. Em uma das suas estratégias é pontuada a importância do ensino em tempo integral. De acordo com esta normativa deve-se estimular o acesso à educação infantil em tempo integral, para todas as crianças de 0 a 5 anos. Há discussões em torno da ampliação de jornada da educação infantil pelos avanços que ela representa na respectiva etapa de ensino. Dentre eles, podemos apontar a integralidade e indissociabilidade da educação infantil, por meio de uma educação em constante diálogo entre os profissionais envolvidos no contexto pedagógico para que as crianças pequenas tenham suas capacidades cognitivas, afetivas e expressivas garantidas. De acordo com os estudos de Araújo (2015), o trabalho desenvolvido deve ser bem estruturado para que não se tenha o risco de o atendimento se direcionar para um viés mais assistencialista do que pedagógico. É fundamental que haja investimentos pelo poder público para que os espaços da escola tenham condições de atender às crianças, os materiais pedagógicos sejam disponibilizados e os professores tenham formação para trabalhar com os educandos. Outro ponto que deve ser destacado em relação à ampliação da jornada na educação infantil é a relevância do monitoramento sobre as experiências e práticas realizadas. Esta perspectiva está sendo ampliada na realidade brasileira atualmente, por conta das determinações legais, e vários municípios brasileiros estão organizando centros de educação infantil em tempo integral para atender à escolarização das crianças de 0 a 5 anos. REFLITA A partir das nossas análises é possível observar quantos avanços foram conquistados na educação das crianças de 0 a 5 anos. Atualmente todo o processo de funcionamento da educação infantil é regularizado, desde as orientaçõespara o currículo até as condições de jornada desta etapa de ensino. Em relação à oferta da educação infantil em tempo integral, verificamos que se encontram incentivos na legislação brasileira para sua expansão, visando à integralidade e consolidação de práticas pedagógicas efetivas para crianças matriculadas nas creches e pré-escolas. Com base no exposto, você conhece alguma escola em seu município que oferte educação infantil em tempo integral? Para você, quais são os maiores desafios enfrentados pelos professores que atuam na educação infantil nessa jornada? Com base nas pesquisas de Maurício (2015), a estruturação dos serviços deve ser alicerçada nos seguintes aspectos: organização do tempo que permita a realização de múltiplas atividades educativas; espaço para a convivência e realização das atividades de todas as turmas atendidas na creche e pré-escola da instituição e capacitação de professores que possibilitará uma reflexão sobre como estruturar as atividades, atendendo a todas as exigências estabelecidas nas normativas curriculares. Para que tudo seja consolidado é fundamental a colaboração entre poder público, gestão do sistema municipal de ensino e gestão escolar. Esse trabalho em conjunto, da dimensão macro à micro, possibilita uma educação em tempo integral “garantidora de direitos às crianças pequenas, superando as correntes prerrogativas que a situam em uma perspectiva de política compensatória e preventiva dos males ocasionados pelas mazelas sociais da sociedade contemporânea” (PEIXOTO et al., 2015, p. 43). A educação infantil em tempo integral pode colaborar para a escolarização de várias crianças por amplificar as possiblidades de práticas diárias que colocarão os alunos em contato com experiências e vivências que articulem os saberes assimilados na escola com o cotidiano. Para isso, a organização pedagógica deve proporcionar ao aluno vinculação entre as aprendizagens experimentadas na instituição com a cultura, estimulando seu repertório linguístico, afetivo, cognitivo, psicológico e emocional. A educação infantil em tempo integral não pode ser analisada como “turno e contraturno”. As ações e propostas devem estar integradas com a carga horária diária, e a distribuição das atividades deve considerar as demandas e necessidades das crianças, atentando para a faixa etária, turma e objetivos de aprendizagem (PEIXOTO et al., 2015). Tudo isso ocorrerá a partir da proposta pedagógica da instituição que será apresentada no projeto político-pedagógico. Como já vimos, esse documento direciona as ações escolares e, por conta de seu papel, deve expor a sistematização do trabalho, atendendo às especificidades dessa jornada e às necessidades de aprendizagem dos alunos (PEIXOTO et al., 2015). Se desejar, baixe o pdf do objeto. POR DENTRO DA BNCC A discussão da nossa seção é sobre as condições de funcionamento da educação infantil e nada melhor do que examinar a BNCC para compreender as possibilidades de organização do trabalho pedagógico. Refletindo sobre essa questão, é relevante pensarmos o reconhecimento das “especificidades dos diferentes grupos etários que constituem a etapa da Educação Infantil, os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento estão sequencialmente organizados em três grupos por faixa etária, que correspondem, aproximadamente, às possibilidades de aprendizagem e às características do desenvolvimento das crianças” (BRASIL, 2018, p. 43). O mais interessante é que a BNCC apresenta os objetivos de aprendizagem de todos os campos de experiência a partir das necessidades de cada grupo de faixa etária, justamente para auxiliar os professores no planejamento das práticas pedagógicas nesta etapa de ensino. A partir das nossas reflexões, foi possível entender a relevância de um trabalho colaborativo entre todas as instâncias. Podemos observar um caminho promissor para a construção de uma educação infantil com qualidade. É muito interessante você pensar sobre os diferentes papéis exercidos na educação brasileira, pois poderá atuar tanto na gestão quanto na sala de aula e, por isso, é fundamental analisar os desafios, avanços e perspectivas deste campo de estudo e atuação, pois nosso foco é lutar para uma educação efetiva e contribuir para sua realização. FAÇA A VALER A PENA Questão 1 De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, a educação infantil é a primeira etapa da educação básica e deverá atender as crianças entre 0 a 5 anos. Sendo assim, os sistemas de ensino deverão trabalhar em colaboração para que haja expansão da garantia e oferta de matrículas nas creches e pré-escolas, atendendo às demandas apontadas nas políticas educacionais. Considerando estes aspectos, avalie as asserções e a relação proposta entre elas: I. Os municípios devem atuar prioritariamente na organização da educação infantil a partir das ações realizadas pelas secretarias de educação https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/pdf/EDUCA%C3%87%C3%83O%20INFANTIL%20EM%20TEMPO%20INTEGRAL.pdf PORQUE II. A gestão do sistema municipal de ensino tem o papel de analisar, assessorar e implementar ações educacionais que promovam as práticas pedagógicas e a qualidade desta etapa de ensino. A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta: a. As asserções I e II são proposições falsas. b. Asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa. c. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira. d. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I. e. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I. Questão 2 “A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, de modo a que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de Educação.” (BRASIL, 2018, p. 7) Atualmente, a BNCC é o principal documento curricular para organização das práticas pedagógicas na educação básica. No que se refere à educação infantil, o documento apesenta os direitos de aprendizagem e os campos de experiências. Em relação aos grupos de faixa etária, avalie as afirmativas e marque V para verdadeiro e F para falso: ( ) Os grupos de faixa etária correspondem às possibilidades de aprendizagem e às características do desenvolvimento das crianças. ( ) Os grupos de faixa etária devem ser considerados de forma rígida, pois é fundamental a padronização da aprendizagem. ( ) Existem três grupos de faixas etárias, sendo eles: bebês, crianças bem pequenas e crianças pequenas. Agora, assinale a alternativa CORRETA: a. V – V – V. b. V – F – F. c. V – F – V. d. F – F – F. e. F – V – V. Questão 3 Atualmente, as políticas educacionais apresentam de forma concisa os caminhos que devem ser percorridos para a estruturação das práticas pedagógicas. Esses avanços favorecem os gestores e docentes no momento de estruturar o funcionamento da https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-5https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-5 educação. Dentre os inúmeros aspectos que devem ser considerados, destacamos a jornada. Sobre esse aspecto, analise as asserções e a relação proposta entre elas: I. De acordo com a LDB/1996, a educação infantil pode ser ofertada em tempo parcial e integral e deve garantir os direitos de aprendizagem PORQUE II. A oferta da educação infantil como apresentada nos dias atuais é fruto de conquistas para que todas as crianças tenham oportunidade de aprender e se desenvolver. A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta: a. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I. b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I. c. As asserções I e II são proposições falsas. d. Asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa. e. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira. REFERÊNCIAS AQUINO, L. L. Educação infantil em tempo integral: infâncias, direitos e políticas de educação infantil. In: ARAÚJO, V. C. et al. O “tempo integral” na educação infantil: financiamento, gestão e projeto político pedagógico em questão. Vitória: EDUFES, 2015, p. 161-184. ARAÚJO, V. C. O “tempo integral” na educação infantil: uma análise de suas concepções e práticas. In: ARAÚJO, V. C. et al. O “tempo integral” na educação infantil: financiamento, gestão e projeto político pedagógico em questão. Vitória: EDUFES, 2015, p. 13-56. BRASIL. Constituição Federal de 1988. Brasília, 1998. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Institui a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394. Diário Oficial da União. Brasília, 1996. BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Brasília, 2014. BRASIL. Parâmetros Nacionais de Qualidade da Educação Infantil. Brasília, 2006. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. Versão entregue ao CNE em 3 de abril de 2018. Disponível em: https://bit.ly/3kX2lt7. Acesso em: 27 jul. 2020. KRAMER, S.; TOLEDO, L. P. B.; BARROS, C. Gestão da educação infantil nas políticas municipais. Revista Brasileira de Educação. v. 19, n. 56, p. 199-227, Rio de Janeiro, 2014. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-5 http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf MAURÍCIO, L. V. Educação infantil e(m) tempo integral na educação infantil: possibilidade de um olhar inovador. In: ARAÚJO, V. C. et al. O “tempo integral” na educação infantil: financiamento, gestão e projeto político pedagógico em questão. Vitória: EDUFES, 2015, p. 89-122. PEIXOTO, E. M. et al. O tempo integral na educação infantil: financiamento, gestão e projeto-político pedagógico em questão. In: ARAÚJO, V. C. et al. O “tempo integral” na educação infantil: financiamento, gestão e projeto político pedagógico em questão. Vitória: EDUFES, 2015, p. 123-160. ROSEMBERG, F. Políticas públicas e qualidade da educação infantil. In: SANTOS, M. O.; RIBEIRO, M. I. S. Educação infantil: os desafios estão postos e o que estamos fazendo? Salvador: Solffset, 2014, p. 169-187. FOCO NO MERCADO DE TRABALHO A ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL Natália Gomes dos Santos CARACTERIZAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES QUE OFERTAM A EDUCAÇÃO INFANTIL Nesta seção, você vai compreender o papel das diferentes instâncias e o regime de colaboração estabelecido entre as dependências administrativas para a oferta da educação infantil. Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? SEM MEDO DE ERRAR Nesta situação-problema, você deve se colocar no lugar da professora Carolina na última aula do curso de formação continuada para que os professores a compreendam o papel das diferentes instâncias e o regime de colaboração estabelecido entre as dependências administrativas para a oferta de uma educação infantil gratuita e de qualidade. A professora Carolina pode iniciar as reflexões pontuando o papel das diferentes instâncias administrativas para o cumprimento das exigências legais que asseguram o trabalho desenvolvido na educação infantil. A docente deverá enfatizar que a responsabilidade prioritária para com a escolarização das crianças de 0 a 5 anos é do município, o qual deverá se alinhar com os Estados e a União para estruturar uma oferta de ensino que atenda às necessidades educativas de sua população. Nessa discussão, destacam-se: as exigências nacionais sobre as práticas e funcionamento da educação infantil que deve respeitar as políticas em âmbito nacional, para que todos os direitos de aprendizagem das crianças sejam assegurados. No que tange à caracterização das instituições de educação infantil, a palestrante poderá pontuar que as escolas podem funcionar em período parcial (no mínimo quatros horas diárias) ou em período integral (sete horas diárias). Sobre a última jornada elencada, é relevante que a professora enfatize os benefícios que essa jornada propicia à escolarização das crianças, tendo em mente a necessidade de atendimento às normativas curriculares e a vinculação entre saberes e práticas sociais. Outra questão que sinaliza a caracterização desta etapa de ensino é a organização em grupos de faixa etária. Sendo assim, no momento da elaboração dos currículos e do planejamento pedagógico, os profissionais da escola deverão atentar aos campos de experiências e objetivos de aprendizagem, conforme a idade das crianças que se encontram na creche e pré-escola. Por fim, Carolina deverá relatar que as condições para a efetivação do trabalho na educação infantil ocorrem quando cada instância (poder público, gestão escolar, professores, responsáveis e comunidade) realiza suas atribuições de forma alinhada. Por isso é fundamental a gestão democrática, tanto para se pensar nos desafios e na forma de superá-los, quanto no momento de sistematizar as práticas pedagógicas. Ela deverá concluir a formação motivando os professores e pontuando a importância da atuação de cada um para a construção de uma educação infantil democrática e igualitária para todas as crianças. PESQUISE MAIS Como é bom aprender coisas novas, não é verdade? Pensando nisso, segue sugestão de leitura: “Gestão da educação infantil nas políticas municipais” de Sônia Kramer; Leonor Toledo e Camila Barros. O texto é fruto de uma pesquisa que analisou como os sistemas de ensino estruturam, monitoram e avaliam o funcionamentoda educação infantil. Boa leitura! KRAMER, S.; TOLEDO, L. P. B.; BARROS, C. Gestão da educação infantil nas políticas municipais. Revista Brasileira de Educação. v. 19, n. 56, p. 199-227, Rio de Janeiro, 2014. AVANÇANDO NA PRÁTICA O PAPEL DO GESTOR NA ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL Carlos é pedagogo e atua há 20 anos na educação do município de Cristais. Ele é responsável pela gestão da educação infantil da localidade e por conta de sua responsabilidade sempre procura estudar e se atualizar sobre as temáticas vinculadas às práticas e políticas educacionais. Dentre os desafios do trabalho de Carlos, podemos observar o alinhamento entre o sistema de ensino municipal, representado por ele e sua equipe, e os profissionais que se encontram na escola. Pensando nesta articulação entre gestão do sistema municipal de ensino e gestão escolar dos centros de educação infantil, Carlos convidou dez diretores para analisar os caminhos que devem ser percorridos em busca da qualidade e melhoria da educação infantil ofertada em Cristais e também pensar como construir uma proposta curricular que atenda às necessidades da jornada em tempo integral e parcial. Agora se coloque no lugar de Carlos e reflita sobre os benefícios desta conversa, articulando o papel do município e as possibilidades de avanços na educação infantil. RESOLUÇÃO Bons estudos! AVALIE ESTE MATERIAL Este conteúdo contribuiu para seu aprendizado? UNIDADE 2 -01 NÃO PODE FALTAR EDUCAÇÃO INFANTIL: CONCEPÇÕES E TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS Natália Gomes dos Santos CONCEPÇÃO DE INFÂNCIA Nesta seção, você vai compreender a concepção de infância dos principais pensadores que influenciaram as formas de analisar o processo de ensino e de aprendizagem. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/fmt_u1s3.html#resolucao%20.item-1 Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? CONVITE AO ESTUDO Olá, estudante! Nossa viagem pelo universo da educação infantil não pode parar e, por isso, trazemos nesta unidade um momento repleto de conhecimentos e reflexões. Algo bem interessante é que por meio dos estudos desta unidade você ficará ainda mais perto da prática, pois pensaremos sobre métodos, estratégias e maneiras de organizar o trabalho pedagógico. Na primeira seção vamos conhecer os principais pensadores que influenciaram as formas de analisar o processo de ensino e de aprendizagem: Jean-Jacques Rousseau, Johann Heinrich Pestalozzi, Friedrich Froebel, Ovide Decroly, Maria Montessori, Celestin Freinet, Jean Piaget, Lev Semenovich Vigotski. Estudaremos a visão de mundo destes estudiosos e como eles compreendiam a concepção de infância em sua totalidade. Na segunda seção, vamos utilizar os conhecimentos adquiridos anteriormente para pensar como a criança se constitui em toda a sua integralidade, e nosso foco estará sustentado nas contribuições de Piaget e Vigotski. Refletiremos sobre os aspectos psicológicos, sociais, afetivos, físicos e cognitivos, e sobre como o professor deve proceder na estruturação do trabalho pedagógico para que o desenvolvimento do aluno seja potencializado. Também analisaremos a articulação entre o educar e o cuidar, compreendendo o papel do brincar no processo de aquisição de conhecimentos pelo aluno. Em nossa última seção, entenderemos as concepções de infância nas propostas atuais e analisaremos os desafios e as possibilidades da inclusão escolar das crianças com necessidades educacionais especiais. Realizaremos uma análise sobre o compromisso com a educação integral e refletiremos sobre os principais saberes que os docentes precisam ter para estruturar o trabalho na educação infantil. PRATICAR PARA APRENDER Juntos, compreenderemos nesta seção a importância de todo o conhecimento construído para responder às problemáticas e inquietações da realidade social. Sendo assim, vamos conhecer os principais educadores que, a partir de observações e pesquisas, deixaram para nós um legado de saberes sobre o modo como as crianças aprendem e se desenvolvem. Iniciaremos nossas análises a partir dos primeiros teóricos que revolucionaram sua época, desconstruindo cientificamente as concepções sobre a infância que comparavam a criança com os adultos e não enxergavam nela potencial para se desenvolver. Também analisaremos as contribuições de vários teóricos que afirmavam a necessidade de se olhar para as singularidades das crianças e suas possibilidades de se apropriar e produzir conhecimento. Discussões que perpassam a importância do redimensionamento do trabalho pedagógico também estarão presentes neste momento, sempre analisando como cada vertente teórica poderá auxiliar no aperfeiçoamento do trabalho desenvolvido pelo professor diariamente. Por fim, refletiremos sobre as contribuições da perspectiva construtivista e histórico- cultural para pensar o papel das construções cognitivas, do meio social e das interações no processo de aquisição de conhecimento pelas crianças de zero a cinco anos. Em um município do interior, foi construído o Centro de Educação Infantil Ruth Rocha para atender à necessidade da comunidade local. A escola é de pequeno porte e atenderá oito turmas de creche e pré-escola. Além dos dez professores que atuarão com as crianças, a instituição conta com o trabalho da pedagoga Lúcia e da diretora Márcia. No início do semestre, foi organizada uma reunião pedagógica para dialogar sobre a estruturação das práticas pedagógicas. A diretora Márcia, durante a reunião, agradeceu a participação de todos na elaboração do projeto político-pedagógico e do currículo da escola, relatando que a parceria só se efetivou porque todos trabalharam em uma perspectiva de gestão democrática. Márcia também pontuou que a pedagoga Lúcia estará à disposição dos professores para auxiliá-los com o planejamento e as ações que serão realizadas em sala de aula, visando ao atendimento das demandas apresentadas no currículo da escola. Após essas orientações, a professora Camila, responsável por uma turma de pré-escola, marcou um horário com a pedagoga Lúcia para conversar sobre seu planejamento pedagógico. A docente relata que possui muitas dificuldades no momento de basear as práticas nas tendências e concepções pedagógicas, pois cada aluno apresenta uma realidade e demanda distinta. Lúcia tranquiliza a professora pontuando que essa preocupação é natural e que uma possibilidade para avançar nesse desafio é retomar as contribuições de alguns teóricos que auxiliam na compreensão do desenvolvimento e da aprendizagem. Camila gostou da sugestão e relatou que utilizará as contribuições de Piaget e Freinet. Agora, você deverá se colocar no lugar da professora Camila e elencar as características da teoria dos dois estudiosos e, na sequência, fazer uma proposta para colocá-las em prática. Não dá para perder esse aprofundamento teórico, não é verdade? Vamos lá? CONCEITO-CHAVE Durante a graduação, os professores em formação imaginam como será o momento de estar em sala de aula com os alunos. E você, já pensou sobre isso? Quando estamos em contato com discussões sobre as práticas, essas reflexões ficam mais latentes e a ação pedagógica começa a fazer sentido para nós. Neste contexto, é fundamental considerar o papel da práxis, ou seja, o modo como a teoria se concretiza na prática. Para isso temos que considerar que todo o planejamento e as atividades propostas na escola estão sustentados por teorias que foram construídas por estudos e pesquisadores que revolucionaram os modos de se compreender o aprender e o ensinar. Sendo assim, convidamos você a fazer uma “viagem teórica” sobre o papel de diferentes teorias para a organização do trabalho pedagógico na educação infantil. É crucial que nós, enquanto professores, entendamos e utilizemos os conhecimentos historicamenteconstruídos para ensinar a realidade com engajamento na aprendizagem do estudante e na sua própria aprendizagem, colaborando para a construção de uma sociedade livre, justa, democrática e inclusiva. OS PRIMEIROS TEÓRICOS QUE REFLETIRAM SOBRE AS CONCEPÇÕES DE INFÂNCIA E O PAPEL DA EDUCAÇÃO PARA AS CRIANÇAS ROUSSEAU Vamos iniciar as nossas análises a partir das contribuições do filósofo suíço Jean- Jacques Rousseau (1712-1778). O teórico marcou sua época, pois foi um dos primeiros pensadores a considerar as especificidades da infância e o olhar para as necessidades e potencialidades das crianças. Rousseau apontou que para compreender o desenvolvimento da criança é necessário observá-la e estudá-la. Com seus posicionamentos, o teórico desconstruiu a antiga concepção de infância, que comparava a criança com os adultos, e reelaborou o olhar sobre os primeiros anos de vida, relatando que o sujeito deve ser respeitado em seus aspectos físico, cognitivo e afetivo (MARTINS; DALBOSCO, 2013). Figura 2.1 | Jean-Jacques Rousseau Fonte: Wikipedia. Ao apresentar a criança como protagonista, Rousseau não retirou do adulto sua importância no desenvolvimento infantil, ao contrário, o adulto deve ser responsável por favorecer, e não impedir as descobertas das crianças. Para este teórico, a educação ocorre a partir das experiências vivenciadas pela criança de forma natural e espontânea (DINIZ; BATISTA; BERNADES, 2018). Outro ponto relevante que Rousseau nos apresenta é a necessidade de considerarmos a aprendizagem desde o nascimento. O desenvolvimento do bebê é uma prioridade, e, ao olharmos para a ação pedagógica na educação infantil, a afirmação do teórico evidencia a importância de práticas que considerem cada momento do desenvolvimento dos bebês. É por isso que Rousseau enfatizou o papel do respeito ao mundo da criança (MARTINS, DALBOSCO, 2013). O professor, nesta base teórica, tem o papel de conhecer o mundo da criança e possibilitar momentos e espaços de criação e manifestação. Algo muito interessante nos postulados de Rousseau é a necessidade de a criança se entender como um sujeito que faz parte de um contexto social, sobre o qual atua. O professor deve oferecer experiência e responder as dúvidas dos alunos, fazer isso através de brincadeiras com diversos recursos coopera com esse desenvolvimento natural. O docente deve ter conhecimento abrangente com diversas linguagens para poder se comunicar, isso facilita a construção de identidade dos alunos. (DINIZ; BATISTA; BERNARDES, 2018, p. 92) PESTALOZZI Outro teórico que deve estar presente em nossas reflexões sobre o processo de ensino e de aprendizagem das crianças é Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), educador suíço que trouxe novas vertentes para a área da psicologia e da educação. Figura 2.2 | Johann Heinrich Pestalozzi Fonte: Wikipedia. Como Rousseau, Pestalozzi também entendia a educação como um processo inerente ao desenvolvimento do sujeito e, por isso, deve acontecer da forma mais natural possível, a partir da liberdade de descobrir o mundo e a si mesmo. Algo interessante é que este educador se contrapôs à educação opressora, pois, para ele, o ensino deve dar suporte para que a criança se constitua de forma integral. Pestalozzi também considera o papel dos sentidos na aprendizagem, porque é a partir deles que a criança começa a compreender o mundo, expressando-se por meio da linguagem e realizando atividades intelectuais. Nesta perspectiva, a experiência sonora e a atividade intelectual são os pontos de partida para a criança analisar, discriminar e abstrair os saberes do seu cotidiano (ZANATTA, 2012). As colocações da teoria de Pestalozzi são muito significativas, pois na educação infantil é preciso organizar práticas que estimulem o desenvolvimento sensorial e cognitivo das crianças, assim como está indicado nos principais documentos que norteiam o planejamento pedagógico. Pestalozzi nos auxilia nas reflexões sobre o papel do professor nesta etapa de ensino. Segundo o teórico, os indivíduos devem se desenvolver compreendendo o papel social que possuem e, por isso, a educação não é um mero conjunto de saberes adquiridos, mas as condições fundamentais para que esses saberes sejam aplicados na realidade. Para que isso aconteça, o educador deve dar oportunidade de as crianças terem vivências educativas que façam os saberes serem entendidos na realidade concreta. Podemos pensar em uma prática em que o professor constrói um “baú sensorial”, com diversos objetos, por exemplo. Ele pode realizar uma atividade de exploração com as crianças, tanto dos sons quanto das cores. É uma ação simples, mas que contribui para a construção de novos saberes pela criança (DURÃES, 2011, p. 472). DECROLY Para ampliarmos nossas reflexões, vamos tratar agora do educador belgo Jean-Ovide Decroly (1871-1932). Ele se tornou um dos grandes pensadores da Escola Nova, a qual compreendia a relevância de organizar o ensino centralizado nos indivíduos, dando-lhes a oportunidade de serem protagonistas do próprio processo de aprendizagem. Figura 2.3 | Ovide Decroly Fonte: Wikipedia. Mas, de todas as contribuições de Decroly, é importante destacar o entendimento do conceito de expressão. O teórico era médico, psicólogo, educador e em seus atendimentos recebeu inúmeras crianças com dificuldades na fala. No entanto, Decroly verificou que a linguagem não se constitui, apenas, na condição da fala, visto que as pessoas possuem diferentes formas de se comunicar. Por isso, o educador preferia utilizar o termo expressão, que para ele se refere à possibilidade de o sujeito expressar sua visão sobre o mundo. A expressão mobiliza o corpo (gesto, movimento, mímica, dança; a mão (experimentação, desenho, construção); a palavra (chamado, canto, discurso), a escrita (leitura, escrita, códigos), a arte (pintura, música, poesia, teatro). A utilização destas diversas maneiras de expressão na vida cotidiana prova a importância e o valor das manifestações não verbais, geralmente negligenciadas e mesmo completamente sacrificadas. (DUBREUCQ, 2010, p. 23) Vamos pensar o papel do conceito de expressão segundo Decroly para a educação infantil? Um dos pontos valorizados nas normativas curriculares que respaldam o trabalho nesta etapa de ensino diz respeito às especificidades das crianças. Cada criança tem seu ritmo, seus gostos e formas de aprender e se desenvolver. Assim, neste contexto, o professor deve estar aberto a reconhecer as potencialidades e habilidades das crianças, dando a elas a oportunidade de se expressar e aprender (DUBREUCQ, 2010). FROEBEL Outro nome importante para nossos estudos é do pedagogo Friedrich Wilhelm August Froebel (1782-1852), que auxiliou no repensar da educação de sua época. Froebel tinha um olhar minucioso para a aprendizagem das crianças e por isso foi um dos fundadores do jardim de infância. Para o teórico, as crianças aprendem na prática de forma natural e o adulto, nesse contexto, deveria analisar as ações dos pequenos, pois eles também ensinam e produzem conhecimento. Ele também foi considerado um dos primeiros educadores a considerar o papel do mundo exterior. Para ele, a criança aprende quando se apropria do saber exterior, o qual se torna interior. O inverso também acontece, ou seja, quando a criança expressa no mundo exterior o conhecimento adquirido (ARCE, 2004). Figura 2.4 | Friedrich Wilhelm August Froebel Fonte: Wikipedia. Na perspectiva apresentada por Froebel, os jogos e as artes são fontes para a criança expressar o modo como compreende o mundo e se compreende neste contexto, isto é, passa a ter autoconhecimento. Para que esse autoconhecimento seja livre, a criança precisa de um ambiente que lhe permita acesso aos jogos e brinquedos, pois eles são instrumentos que extraem dos indivíduos as percepções e os saberes. Oteórico frisa a importância dos jogos como auxiliadores do desenvolvimento, principalmente na primeira infância. Nesta lógica, uma das possibilidades é o adulto conhecer o mundo da criança, observando o modo como ela brinca (ARCE, 2004). Refletindo sobre as contribuições de Froebel na nossa prática enquanto professores da educação infantil, este aspecto é crucial tanto no que se refere ao brincar dirigido quanto no brincar livre. Temos que ter em mente que o professor também é um pesquisador, ou seja, ele analisa as ações das crianças para planejar as práticas. A partir deste olhar sobre o brincar, o docente pode ampliar as possibilidades de aprendizagem e minimizar as dificuldades apresentadas pelos alunos. MONTESSORI Não poderíamos deixar de fora das nossas reflexões os postulados da educadora italiana Maria Tecla Montessori (1870-1952). Montessori foi uma das primeiras educadoras a se preocupar com o aprendizado das crianças com deficiência e seu método era sustentado nos ideais de liberdade, atividade e independência. Suas ações se expandiram e Montessori construiu um método de ensino que favorece todos os alunos, principalmente os que se encontram na fase pré-escolar. Figura 2.5 | Maria Tecla Montessori Fonte: Wikipedia. Nesta perspectiva, o foco não é uma transmissão de conhecimento de forma passiva, mas sim a possibilidade de as crianças terem momentos de descoberta, adaptando o ambiente às necessidades e à personalidade dos alunos. Também é destacado o redimensionamento da ação do professor. Vale ressaltar que o posicionamento de Montessori é contrário à pedagogia tradicional, pois, para a educadora, o professor deve deixar o lugar de superioridade e hierarquia e colocar-se como um sujeito que auxilia na organização da aprendizagem, dando ao aluno a possibilidade de escolha, ação e autonomia. No método montessoriano, portanto, os materiais adquirem imenso relevo, e o papel da mestra consiste em explicar seu uso. Montessori destaca a imensa dificuldade enfrentada pelas professoras que atuam nos moldes tradicionais, para adaptar-se ao seu método de ensino. Para atuar nas escolas montessorianas, era necessário que as professoras renunciassem à posição de ‘ensinantes’, adotando uma nova postura: a de oferecer simplesmente o apoio para que as crianças explorassem plenamente todas as possibilidades inscritas nos objetos, e fazê- lo na medida da necessidade dos alunos. (LANCELLOTTI, 2010, p. 169) Outra característica do método montessoriano é a necessidade de a criança utilizar os conhecimentos adquiridos em sua vida cotidiana. O foco é dar aos pequenos as condições de refletir, problematizar e pensar em soluções sobre as dificuldades encontradas no dia a dia. Para que isso aconteça, é fundamental que as crianças sejam independentes. Neste contexto, o professor deverá estruturar momentos e atividades que possibilitem essa habilidade. Um dos exemplos que podemos encontrar sobre a construção da autonomia que o aluno levará para a vida é um contexto de aprendizagem em que o professor seleciona criteriosamente os recursos e materiais e dá à criança a possibilidade de escolher o objeto que quer manusear. Essa ação favorece a liberdade da criança e reconhece a sua individualidade, considerando as necessidades e a espontaneidade de cada uma (LANCELLOTTI, 2010). FREINET Por fim, vamos conhecer as contribuições do pedagogo francês Célestin Freinet (1896- 1966). Freinet era ligado ao movimento da Escola Nova, que compreendia a necessidade de olhar para o indivíduo no processo de ensino e aprendizagem. Para o educador, a educação não deve ser limitada aos muros da escola, mas sim ser levada para as práticas dos alunos, já que são sujeitos sociais. Figura 2.6 | Célestin Freinet Fonte: Wikipedia. A proposta pedagógica de Freinet foi estruturada em três fases: 1. A primeira fase se refere à experimentação, a qual dá ao aluno as possibilidades de agir e construir seus próprios saberes. 2. A segunda fase está relacionada à criação, que parte da realidade e dos saberes instintivos derivados da experimentação para a construção de novas conexões e saberes. 3. A última fase é de documentação, que está ligada ao registro de informações dos conhecimentos adquiridos e das experiências realizadas (BARROS et al., 2017). Como muitos dos teóricos que já estudamos, Freinet também considera o papel da educação para as práticas cotidianas. Sendo assim, “os conhecimentos significativos para a criança são aqueles que estão diretamente ligados ao seu cotidiano, por meio do qual advêm todas as suas dúvidas, curiosidades e seu apetite por saberes” (COSTA, 2006, p. 30). Para que a aprendizagem aconteça de forma significativa, a proposta de Freinet é alicerçada em quatro eixos: cooperação, comunicação, documentação e afetividade. Além de realizar uma interface entre esses eixos e o currículo para a educação infantil, podemos observar seus benefícios para o ensino das crianças, pois a partir do trabalho coletivo os pequenos tornam-se produtores de conhecimentos. Esse trabalho ocorre a partir do diálogo estabelecido, o qual é direcionado pelas ações do docente. A afetividade se torna um aspecto fundamental, visto que se cria um elo entre os indivíduos e os saberes. A documentação permite ao acompanhar o processo de construção dos conhecimentos (BARROS et al., 2017). PESQUISE MAIS O momento de estudo é repleto de descobertas e por esse motivo sugerimos a leitura do artigo “A pedagogia de Célestin Freinet e a vida cotidiana como central na prática pedagógica”, de Michele Cristine da Cruz Costa. O material apresenta uma discussão sobre as contribuições do teórico para a organização das práticas educativas. • COSTA, M. C. C. A pedagogia de Célestin Freinet e a vida cotidiana como central na prática pedagógica. Revista HISTEDBR, Campinas, n. 23, p. 26-31, 2006. Observe como ao longo da história esses educadores foram fundamentais para a construção das concepções que temos atualmente sobre infância e educação das crianças. Aqui fica registrada a relevância da ciência para o aprimoramento das práticas sociais. Devemos sempre respeitar e considerar essa produção de conhecimento que foi crucial para as novas perspectivas teóricas que sustentam nosso trabalho como educadores. AS CONTRIBUIÇÕES DE PIAGET E VIGOTSKI PARA A APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS Todo professor deve considerar as teorias para subsidiar o seu trabalho pedagógico. Não devemos alicerçar nossas práticas com base no senso comum, mas, sim, articular as demandas curriculares apresentadas pelas políticas educacionais com as perspectivas teóricas, que são frutos de análise e investigação dos processos de desenvolvimento e aprendizagem. Assim, vamos agora conhecer um pouco do legado de Piaget e Vigotski para a educação das crianças de zero a cinco anos. PIAGET Vamos iniciar nossas análises pelos postulados do psicólogo suíço Jean William Fritz Piaget (1896-1980). Também compreendido como um epistemólogo, pois construiu uma teoria, Piaget é um dos grandes nomes da perspectiva construtivista. Figura 2.7 | Jean William Fritz Piaget Fonte: Wikipedia. Para Piaget, o desenvolvimento infantil ocorre em quatro estágios (WADSWORTH, 1999): 1. Sensório-motor (zero a dois anos). 2. Pré-operatório (dois a sete anos). 3. Operações concretas (sete a doze anos). 4. Operações formais (doze anos em diante). Nesta base teórica, as crianças constroem o conhecimento cognitivo, afetivo e social de modo espontâneo como forma de adaptação ao contexto em que estão inseridas. Sendo assim, o desenvolvimento antecede a aprendizagem, mas isso não significa que haja uma hierarquização entre eles, mas apenas um fluxo para que ambos aconteçam e constituam o indivíduo. Outro aspecto importante é que no construtivismo piagetiano o conhecimento é adquirido por meio da exploração:As crianças constroem o conhecimento a partir de suas ações exploratórias sobre o meio ambiente. Elas podem ser físicas (como a manipulação dos objetos) ou mentais (como pensar sobre algo). As ações apresentam duas fases. A primeira envolve a exploração de um objetivo ou uma ideia. Se a exploração do objeto ou da ideia provocar desequilibração, a exploração continua, porém atenta em atribuir sentido (assimilação) ao que produziu o desiquilíbrio. Isso é construção de conhecimento. (WADSWORTH, 1999, p. 169) Outro ponto bem relevante abordado por Piaget são as possibilidades de incentivar os interesses das crianças. Quando a criança se sente instigada por algo, significa que ela está em um processo de desequilibração, ou seja, em um momento de conflitos cognitivos que geram novos conhecimentos a partir da assimilação. Por esse motivo é necessário que o professor organize um ambiente de aprendizagem desafiador, em que a criança tenha a liberdade de explorar, questionar, trocar e se expressar. Para isso, o docente tem que ter clareza sobre quais objetivos de aprendizagem são estabelecidos em cada fase em que a criança se encontra na educação infantil e deve também traçar como as práticas nos campos de experiências podem ser estruturadas a partir da vida cotidiana e do interesse dos alunos (WADSWORTH, 1999; BRASIL, 2018). Vale destacar que Piaget enfatizava em seus estudos a importância do papel do professor para o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças. Para o teórico, os educandos precisam do suporte para que suas potencialidades sejam trabalhadas. Assim, o docente precisa se responsabilizar pelo ensino, conhecendo os pontos fortes e os limites de seus alunos. Este profissional também deve entender as singularidades dos educandos e respeitar sua fase de desenvolvimento. Ele precisa provocar os estudantes, situá-los onde se encontram e convidá-los a dar um passo além do limite (WADSWORTH, 1999). EXEMPLIFICANDO Devemos considerar o papel das brincadeiras na organização pedagógica da educação infantil. Deste modo, a ludicidade e a educação devem ser observadas de forma indissociável, pois a criança de zero a cinco anos vai se apropriar dos conteúdos por meio das atividades lúdicas. O professor deve ter um olhar atento para as habilidades e ações das crianças, de modo que o resultado da observação propiciará elementos para adequar as práticas desenvolvidas. Vemos, assim, como os jogos simbólicos, também conhecidos como “jogos de faz de conta”, são relevantes, pois por meio deles a criança poderá expressar o modo como compreende a realidade. Podemos citar como exemplos as brincadeiras em que as crianças interpretam papéis sociais, tais como: professor, médico, bombeiro, pai, mãe etc. Cada criança terá uma forma de representar esses papéis, porque essa ação é realizada a partir da história de vida e das experiências da criança. Estruturar na sala de educação infantil os cantinhos é uma atividade fundamental que o professor deve ter para potencializar a aprendizagem, pois, para Piaget, os jogos e brincadeiras auxiliam na aquisição de habilidades das crianças. VIGOTSKI O psicólogo russo Lev Semenovich Vigotski (1896-1934) revolucionou os campos da psicologia e da educação com a construção da perspectiva histórico-cultural. Figura 2.8 | Lev Semenovich Vigotski Fonte: Wikipedia. Vigotski se questionava sobre como o homem se constituía humano e verificou em seus estudos que, para responder suas inquietações, precisava analisar a relação dialética entre o sujeito e a natureza. O teórico constatou que o indivíduo se torna humano no contato com a cultura, sendo esta inserção realizada por outro humano, que se refere ao indivíduo mais experiente. Essa relação ocorre por meio da mediação, relacionada ao estabelecimento de relação entre o homem e o mundo (VIGOTSKI, 2008). A mediação acontece por dois vieses: 1. O primeiro é constituído por instrumentos ou objetos que fazem com que o homem interfira no meio social. Na escolha, por exemplo, um brinquedo se configura como um instrumento que faz com que a criança se aproprie da cultura. 2. O segundo viés é dos signos, que trazem a representação de algo, fazendo com que o sujeito atribua sentido à realidade. Alguns exemplos de signo são a linguagem, os sinais e as palavras (VIGOTSKI, 2008). FOCO NA BNCC Dentre os direitos de aprendizagem apresentados na BNCC para a educação infantil, há o direito de conviver. Ele se refere à relação estabelecida entre a criança com outras crianças e os adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas. Vinculando esse direito com as contribuições teóricas de Vigotski, podemos notar os benefícios proporcionados para a criança a partir desta relação. Por meio do contato com o outro, acontecerá o processo de internalização que, segundo Vigotski, refere-se à transposição do plano social para o pessoal. Em outras palavras, é quando o saber cultural passa a ser um saber da criança. Por essa razão, a troca e a vivência no coletivo são tão fundamentais e tornam-se um direito do aluno, como consta na BNCC. Refletindo sobre a relação destes conceitos para a aprendizagem das crianças na educação infantil, observamos que o professor é um ator fundamental para o processo de aprendizagem, pois, como sujeito mais experiente, ele seleciona tanto os signos quanto os instrumentos mediadores para que os alunos se apropriem do conhecimento. Sendo assim, ele auxilia a criança na passagem da zona de desenvolvimento real, ou seja, o que ela já sabe, para a zona de desenvolvimento potencial, que se refere à apropriação de novos saberes. Esta transição é denominada zona de desenvolvimento proximal, em que o professor auxilia o aluno na construção de novos conhecimentos. O que a criança pode fazer hoje com o auxílio dos adultos, poderá fazê-lo amanhã por si só. A área do desenvolvimento potencial permite-nos, pois, determinar os futuros passos da criança e a dinâmica do seu desenvolvimento, e examinar não só o que o desenvolvimento já produziu, mas também o que produzirá no processo de maturação. (VIGOTSKI, 2005, p. 37) As contribuições de Vigotski são fundamentais para nós, professores da educação infantil, pois nos mostram o quanto um trabalho bem-estruturado pode potencializar o desenvolvimento e aprendizado da criança. Por isso, o docente tem que ter clareza dos objetivos, selecionar os instrumentos mediadores e os signos de maneira adequada e olhar para seu aluno como sujeito histórico que se apropria da cultura e produz saberes ao mesmo tempo (VIGOSTSKI, 2008). ASSIMILE Algo muito importante é compreender que Piaget e Vigotski tinham visões diferentes sobre o processo de desenvolvimento e aprendizagem. Para Piaget, primeiramente a criança se desenvolve e depois aprende, por isso o autor defende a análise sobre os estágios do desenvolvimento e como a criança age e se apropria do conhecimento em cada um deles. Já Vigotski tinha um olhar diferente: para o teórico, desenvolvimento e aprendizagem acontecem de forma simultânea e, por isso, há dependência entre eles. Vale ressaltar que não há uma teoria certa ou outra errada, mas diferentes formas de se analisar os processos que constituem o ser humano. O professor que atua na educação infantil precisa de formação adequada que lhe instrumentalize para organizar as práticas pedagógicas de forma efetiva e com qualidade. Por isso é fundamental se apropriar de todas as teorias que direcionam os modos de enxergar o desenvolvimento, a aprendizagem e o ensino. REFLITA Com base no exposto e considerando os aspectos estudados nesta seção, como você observa o papel destas teorias na sua futura prática enquanto professor? Você tem afinidade com alguma destas perspectivasteóricas? Se sim, quais delas? PONTO EM COMUM ENTRE OS TEÓRICOS Apesar de os teóricos que estudamos nesta seção terem suas singularidades, todos possuem um ponto em comum: o olhar para o desenvolvimento infantil e a valorização das especificidades das crianças. É a partir deste viés sobre a criança que a BNCC assegura seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento na educação infantil (conviver, brincar, participar, explorar, expressar, conhecer-se). O primeiro direito é conviver, que se refere ao momento de a criança interagir com seus pares e com os adultos utilizando diversas linguagens. Podemos olhar esse direito a partir das contribuições de Vigotski, que afirma a necessidade das interações para a constituição e aprendizagem do sujeito. O brincar é apresentado como segundo direito, em que o espaço educativo deve organizar as práticas para que a criança se expresse e se aproprie do mundo e dos conhecimentos. Vários estudiosos, tais como Piaget, apresentam a importância desta atividade para que a criança se desenvolva. O terceiro direito é o de participar de forma ativa das práticas e da escolha de brincadeiras, materiais e ambientes. Freinet apontava a relevância de dar à criança autonomia e apresentar a ela a importância do papel da cooperação e atuação social. O quarto direito é o de explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela. Assim, a teoria de Decroly traz reflexões sobre como a exploração é um gatilho no aprendizado infantil. O quinto direito é de expressar, em que a criança vai atuar como individuo dialógico, sensível e criativo. A partir do método montessoriano, observamos o quanto é necessário a criança sentir que tem voz ativa no processo. O último direito é conhecer-se, que está relacionado à identidade pessoal, social e cultural da criança. Quando a criança possui um espaço que a valoriza e considera suas especificidades, são geradas condições para que ela se (re)conheça como sujeito singular. Este fator foi apresentado em todas as perspectivas teóricas estudadas até aqui. Como é bom se apropriar de novos conhecimentos, não é verdade? FAÇA VALER A PENA Questão 1 Ao analisarmos as contribuições de Freinet para a educação, podemos verificar que o teórico: “defende a ideia de que não é necessário sufocar as crianças com matérias para que elas consigam aprender. O papel da escola e dos professores é de proporcionar situações por meio das quais as crianças sintam necessidade de agir, ou seja, fazer com que elas se dediquem intensamente à descoberta de algo que conseguiu despertar seu interesse” (COSTA, 2006, p. 27). Considerando a perspectiva apresentada por Freinet, é correto afirmar que a educação tem a finalidade de: a. Satisfazer as necessidades da criança ao mesmo tempo que a educa. b. Considerar o desenvolvimento infantil para perpetuar a concepção de criança como um pequeno adulto. c. Manter os princípios da educação tradicional, pois eles apresentam eficácia no processo educativo. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-3 d. Auxiliar os professores na organização de práticas que valorizem a autoridade e hierarquia docente. e. Classificar as crianças a partir das condições de aprendizagem e participação escolar. Questão 2 No Centro de Educação Infantil Manoel de Barros, as professoras Catarina e Eloisa conversam sobre o modo como organizam as práticas na pré-escola. As docentes enfatizam a relevância da BNCC para a organização do currículo escolar. Sendo assim, no diálogo Eloisa relata o quanto as contribuições de Piaget auxiliam na garantia do direito de brincar. Neste momento, Catarina pede para a colega apontar alguns aspectos que sustentam essa afirmação. Com base no exposto, avalie as asserções e a relação proposta entre elas: I. Eloisa relata que a teoria de Piaget apresenta quão fundamental é o papel dos jogos simbólicos para o desenvolvimento e a aprendizagem infantil. PORQUE II. A partir destes jogos é estimulada a imaginação e a criatividade da criança, de modo que ela poderá expressar a forma como compreende a realidade. A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta: a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II justifica a I. b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I. c. As asserções I e II são proposições falsas. d. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira. e. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa. Questão 3 Ao considerar as contribuições de Maria Montessori, podemos observar que para ela: “a criança possui poderes desconhecidos, e a primeira infância é o período mais rico e deve ser explorado ao máximo através da educação. Deixar passar essa oportunidade pode ser irreparável, pois ‘os primeiros dois anos de vida abrem um novo horizonte, revelam leis de construção psíquica até agora mantidas ignoradas’” (MONTESSORI, [s.d.], p. 9 apud FARIA, 2012, p. 4). Considerando os aspectos do método montessoriano, analise as afirmativas a seguir: I. A escola deve ser um espaço que favoreça o bem-estar a criança e estimule seu interesse. II. As práticas devem romper com a perspectiva tradicional de acúmulo de informações. III. Os desejos, gostos e a liberdade da criança devem ser assegurados nos espaços educativos. É correto o que se afirma em: https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-5 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-5 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-2%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-2%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-2%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-2%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-2%20.item-5 a. I, apenas. b. II, apenas. c. III, apenas. d. I e II, apenas. e. I, II e III. REFERÊNCIAS ARCE, A. O jogo e o desenvolvimento infantil na teoria a atividade e no pensamento educacionalde Friederich Froebel. Cadernos Cedes. Campinas, v. 24, n. 62, p. 9-25, 2004. BARROS, F. C. O. M. et al. As implicações pedagógicas de Freinet para a educação infantil: das técnicas ao registro. Colloquium Humanarum. Presidente Prudente, v. 14, n. 2, p. 52-59. 2017. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. Versão entregue ao CNE em 3 de abril de 2018. Disponível em: https://bit.ly/3qulPc7. Acesso em: 27 jul. 2020. COSTA, M. C. C. A pedagogia de Célestin Freinet e a vida cotidiana como central na prática pedagógica. Revista HISTEDBR. Campinas, n. 23, p. 26-31, 2006. DINIZ, R. F.; BATISTA, G. A.; BERNARDES, S. T. As contribuições de Jean-Jacques Rousseau na educação. Cadernos da Fucamp. Campinas, v. 17, n. 30, p. 87-94, 2018. DUBREUCQ, F. Jean-Ovide Decroly. Recife: Editora Massangana, 2010. 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Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? SEM MEDO DE ERRAR Na retomada sobre as contribuições de Piaget, a professora Camila deve relembrar que para esse teórico a criança primeiro desenvolve e depois aprende. Sendo assim, é crucial olhar para a fase do desenvolvimento que a criança está para traçar o planejamento pedagógico. Também é importante a docente reconhecer que a criança se apropria do conhecimento por meio da exploração e, assim, o contato da criança com o ambiente possibilita a desequilibração, que se refere ao momento em que conflitos cognitivos acontecerão para que a criança assimile novos conhecimentos. Após este momento acontece a assimilação, que se refere à tentativa de resolver problemas por meio da estrutura cognitiva que a criança possui naquele momento específico de seu desenvolvimento. Ela ilustra um processo contínuo na medida em que a criança se encontra em constante atividade de interpretação da realidade que a cerca, consequentemente, precisando se adaptar a ela. Como o processo de assimilação representa sempre uma tentativa de integração de aspectos experienciais aos esquemas anteriormente estruturados, ao se relacionar com o objeto do conhecimento, a criança procura retirar dele as informações que lhe interessa, deixando outras que não lhe são tão relevantes. Pensando em uma prática, o primeiro aspecto que Camila deve considerar é o estágio de desenvolvimento de seus alunos. Como ela é professora da pré-escola, as crianças estão no estágio pré-operatório (dois a sete anos), em que elas desenvolvem a memória, a imaginação e interpretam a realidade de forma simbólica. Neste contexto, a professora poderá estruturar na sala vários cantinhos para o brincar livre, por exemplo: hospital, mercado, casa, escola, loja, entre outros. Durante o brincar livre, a criança terá a possibilidade de escolher e explorar o que quiser no ambiente, estimulando várias habilidades, tais como: criatividade, pois terá que improvisar; concentração, visto que terá que se organizar, cognitivamente, para agir como a personagem; e cooperação, pois terá que dividir os brinquedos. Camila precisa considerar que, apesar de a criança ter liberdade no brincar livre e o professor não interferir em suas escolhas, isso não significa que essa prática não atenda aos objetivos de aprendizagem, muito pelo contrário, o brincar livre é fundamental para o processo de aquisição de saberes da criança nesta etapa de ensino. Camila também considerou as fases apresentadas por Freinet para pensar as práticas pedagógicas. Para esse teórico, o educador deve analisar as possibilidades de desenvolvimento e aprendizagem do sujeito de forma integral. Assim, Camila poderá organizar uma prática de experimentação, a qual dá às crianças condições de agir e construir seus próprios saberes. Nesta fase, a docente pode pensar em levar as crianças em ambientes que suscitam a criatividade, tais como museus, fábricas, zoológico, entre outros, respeitando as condições e especificidade da localidade em que vive. Outra fase que poderá ser adotada é da criação, que parte do contexto e dos saberes instintivos originados da experimentação para a construção de novas conexões e saberes. Ela poderá contar histórias e pedir para eles criarem histórias a partir de suas vivências e pode solicitar a construção de brinquedos. Por fim, ela deverá perpassar pela fase de documentação, que está ligada ao registro de informações dos conhecimentos adquiridos e experiências realizadas. Ela deve anotar as informações e avaliar os avanços e o que ainda precisa ser aperfeiçoado na prática. AVANÇANDO NA PRÁTICA O PAPEL DAS INTERAÇÕES SOCIAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL Lívia é professora na pré-escola em um centro de educação infantil do município de Girassol. A docente é muito aplicada em seu trabalho, pois sabe da responsabilidade que lhe cabe e, também, compreende a importância da educação infantil para seus alunos. Lívia se identifica com a psicologia histórico-cultural de Vigotski, pois considera as relações sociais um fator crucial para o desenvolvimento e a aquisição de conhecimentos. Neste momento, Lívia está trabalhando com os alunos o campo de experiência “Escuta, fala, pensamento e imaginação”. A professora precisa estruturar uma prática com o seguinte objetivo de aprendizagem: permitir aos alunos condições de produzir suas próprias histórias orais e escritas (escrita espontânea) em situações com função social significativa. A partir do exposto, coloque-se no lugar de Lívia e aponte as contribuições do conceito de interação social em Vigotski; em seguida, reflita sobre uma atividade que possa ser organizada para atender ao objetivo de aprendizagem mencionado anteriormente. RESOLUÇÃO NÃO PODE FALTAR A FINALIDADE DA EDUCAÇÃO INFANTIL Natália Gomes dos Santos FUNÇÃO DO BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL Tanto o professor quanto o aluno atribuem finalidades parao brincar. Confira como cada um desses agentes entende a função do brincar na escola. Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/fmt_u2s1.html#resolucao%20.item-1 PRATICAR PARA APRENDER Olá, estudante! Nesta seção, vamos compreender os caminhos para que o desenvolvimento integral da criança aconteça a partir do trabalho desenvolvido na educação infantil. Como já estudamos, essa etapa de ensino deve favorecer o desenvolvimento físico, cognitivo, social e afetivo dos alunos de zero a cinco anos. Para pensarmos como o professor pode auxiliar nesse processo vamos retomar as teorias desenvolvidas por Piaget e Vigotski, refletindo como o trabalho pedagógico deve ser estruturado para atender às necessidades e demandas dos alunos. Juntos, estudaremos os conceitos de esquema, acomodação, assimilação e equilibração, analisando como o desenvolvimento impulsiona a aprendizagem da criança. Também vamos observar o papel do contexto social para o nascimento cultural da criança, o qual potencializa seu desenvolvimento social e afetivo. Outra discussão que estará em nossas análises é a função do brincar na educação infantil. Como apresentado nas políticas educacionais, a educação infantil deve ser alicerçada a partir de práticas de educação e cuidado que atendam às especificidades do público atendido e o brincar pode ser observado como uma atividade que favorece o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças. Assim, analisaremos como ele ocorre e como o professor pode organizar o tempo e o espaço para que as brincadeiras aconteçam da melhor forma possível. Em um município do interior, foi construído o Centro de Educação Infantil Ruth Rocha para atender às necessidades da comunidade local. A escola é de pequeno porte e atenderá oito turmas de creche e pré-escola. Além dos dez professores que atuarão com as crianças, a instituição conta com o trabalho da pedagoga Lúcia e da diretora Márcia. No início do semestre, foi organizada uma reunião pedagógica para dialogar sobre a estruturação das práticas pedagógicas. A diretora Márcia, durante a reunião, agradeceu a participação de todos na elaboração do projeto político-pedagógico e do currículo da escola, relatando que a parceria só se efetivou porque todos trabalharam em uma perspectiva de gestão democrática. Márcia também pontuou que a pedagoga Lúcia estará à disposição dos professores para auxiliá-los com o planejamento e as ações que serão realizadas em sala de aula, visando ao atendimento das demandas apresentadas no currículo da escola. Nosso desafio será auxiliar no dilema enfrentado por duas docentes da escola. Na sala de professores, Júlia e Cláudia estão dialogando sobre práticas que realizam com as crianças bem pequenas. Ambas as docentes atendem turmas com alunos de dois anos de idade e compartilham as angústias no momento de estabelecer práticas que auxiliem o desenvolvimento integral de seus alunos. Pensando sobre esses anseios, as professoras combinaram de estudar juntas sobre o desenvolvimento como um processo social e o brincar como possibilidade educativa. A necessidade se originou quando Júlia relatou um episódio em que o aluno Manoel viu a figura de uma cabra e chamou o animal de vaca. Mesmo explicando ao aluno que eram animais diferentes, a criança insistiu dizendo que era uma vaca, pois tinha pelos e produzia leite. A partir dessa situação, Júlia ficou intrigada e percebeu a necessidade de retomar estudos que expliquem a construção feita pelo aluno. Nesse processo, Cláudia também relata a relevância de pensar o brincar para auxiliar os alunos nas atividades escolares. A partir dessa situação, reflita sobre o episódio descrito com base nas contribuições de Piaget e retome o papel do brincar apresentado por Vigotski. Bom trabalho! CONCEITO-CHAVE ASPECTOS QUE POSSIBILITAM O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DA CRIANÇA DE ZERO A CINCO ANOS Todo professor que atua na educação infantil tem como desafio descontruir qualquer ideia de que a criança se encontra na escola para recreação. Os alunos devem estar inseridos desde pequenos nos espaços escolares, pois todas as práticas desenvolvidas nesse espaço têm finalidades educativas que permitem seu desenvolvimento e sua aprendizagem. A junção destes conhecimentos adquiridos na creche e pré-escola será fundamental para os processos escolares vindouros. Por essa questão, temos no texto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 a afirmação de que a educação infantil deve garantir o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade que já apresenta para a criança o acesso à cultura desde o nascimento. Para pensarmos tais aspectos, retomaremos as contribuições de Piaget e Vigotski. ESQUEMA Quando analisamos as possibilidades de potencializar o desenvolvimento físico, psicológico e intelectual da criança é preciso considerar as contribuições de Piaget. O teórico aponta que o primeiro conceito a ser considerado no desenvolvimento infantil é o esquema. Assim como nosso corpo, a mente humana também é organizada a partir de estruturas com funções determinadas. O esquema pode ser comparado a um arquivo que possui várias fichas. Conforme a criança se desenvolve, aumenta o número de fichas para dar conta da adaptação do sujeito ao meio social e sua atuação nesse contexto (WADSWORTH, 1999). Para exemplificar, vamos pensar como os esquemas se modificam e se expandem ao longo do desenvolvimento. Imagine uma situação escolar na creche, com crianças de dois anos, em que a professora está realizando a leitura de um livro para os alunos. Em algum momento, uma criança vê a figura de um pônei e chama-o de cachorro. Essa situação ilustra que, ao ver o pônei, o bebê de dois anos tentou encaixar essa informação em um esquema que ele já conhece: um cachorro. Se analisarmos as características dos animais, ambos possuem pelos, têm quatro patas e são de pequena estatura. A criança utilizou seu aparato cognitivo para entender o contexto, e é papel do professor possibilitar que essa criança tenha contato com a nova informação, de modo a auxiliá-la na ampliação de seu esquema cognitivo (FREITAS; ASSIS, 2007). ASSIMILAÇÃO O próximo passo para que a criança amplie seus esquemas cognitivos é a assimilação. Ela se refere “ao processo cognitivo pelo qual uma pessoa integra um novo dado perceptual, motor ou conceitual nos esquemas ou padrões de comportamento já existentes” (WADSWORTH, 1999, p. 19). Como vimos no exemplo anterior, a criança procura adaptar os novos conceitos (pônei) aos esquemas que ela já possui (cachorro). A assimilação tem justamente o papel de classificar nossos conceitos aos esquemas já existentes. É nesse ponto que a criança constrói novos saberes, pois a assimilação não altera o esquema, mas amplia-o, enriquecendo o repertório da criança. ACOMODAÇÃO A mudança do esquema é ocasionada pelo que Piaget denominou acomodação. Isso ocorre quando as características de um novo estímulo não são adequadas para o encaixe dos existentes. Neste caso, a criança precisa construir um novo esquema ou alterar um esquema prévio para que o novo estímulo faça parte dele. Vamos retomar nosso exemplo: ao ver a imagem do pônei, a criança tentou encaixar o estímulo no esquema que ela já havia construído (cachorro). No entanto, o professor apresentou para a criança esse novo animal, assim ela modifica o esquema já existente, observando que há outros animais com pelos, quatro patas e de pequeno porte além dos cachorros. Isso é a acomodação, pois a criança não amplia, apenas, seus esquemas, mas os altera, mudando sua estrutura cognitiva. Entretanto, vale destacar que: De modo algum, é esperado dacriança, que está assimilando e acomodando, ativamente, que desenvolva esquemas que assumam uma forma particular. Nas concepções de esquemas, aqui usadas, está implícita a ideia de que os esquemas são construídos sobre as experiências repetidas. Os esquemas refletem o nível atual da criança de compreensão e conhecimento do mundo. Os esquemas são, por ela, construídos. Como construções, os esquemas não são cópias exatas da realidade. Suas formas são determinadas pela assimilação e acomodação como experiência e, com o passar do tempo, elas se tornam cada vez mais próximas da realidade. (WADSWORTH, 1999, p. 21, grifo do autor) Algo que devemos ter em mente é que não existem episódios em que só ocorre assimilação ou acomodação. Eles acontecem como processos de forma articulada, visto que a estrutura da criança fica disponível para um novo processamento, em que um estímulo pode ser encaixado a uma estrutura existente (assimilação) e, também, pode acontecer de ser realizada uma modificação no esquema (acomodação). É importante entendermos que a assimilação é responsável pelo crescimento e a acomodação, pelo desenvolvimento, e, juntas, possibilitam a adaptação intelectual e física da criança ao meio social em que vive (ABREU et al., 2010). Também é importante ter um balanço entre assimilação e acomodação. Imagine se o aluno do nosso exemplo apenas assimilasse o estímulo do pônei, dificilmente ele compreenderia a infinidade de animais da natureza. Ou se fosse ao contrário, se a criança modificasse sua estrutura ao novo estímulo sem tentar, ao menos, classificá-lo em seus esquemas já existentes, ela provavelmente teria dificuldades em generalizar. Piaget denomina esse balanço entre assimilação e acomodação em equilibração, que está relacionado ao processo de transição entre o desequilíbrio para o equilíbrio. Esse processo possibilita que as experiências externas sejam incorporadas às estruturas internas (WADSWORTH, 1999). Esses conceitos corroboram para a reflexão sobre o modo como a criança se apropria do saber e se desenvolve na esfera intelectual, física e psicológica, mas também devemos considerar que os campos afetivo e social são fundamentais para a constituição integral da criança. Para essa discussão, vamos retomar as contribuições de Vigotski. CAMPOS AFETIVO E SOCIAL Na perspectiva apresentada por Vigotski, a criança tem dois nascimentos: o natural e o cultural. O último citado se refere à inserção do bebê ao mundo de seus cuidadores, que são sujeitos experientes e com bagagem de vivências sociais (VIGOTSKI, 2007). O bebê em seus primeiros meses de vida é movido por estímulos e sinais de caráter instintivo, como os animais. Devemos compreender que o aspecto físico do desenvolvimento também é necessário, pois a articulação entre a motricidade e a sensorialidade são as vias de entrada da criança nas práticas sociais. Por isso, quando um bebê tem alguma deficiência, é fundamental realizar a estimulação precoce dos outros sentidos, buscando, por vias alternativas, formas de compensação social para que ele se desenvolva plenamente (VIGOTSKI, 2007). A criança inicia o processo de atribuição de sentido à realidade a partir de seu desenvolvimento social e afetivo. Mas você pode estar se perguntando: o que é desenvolvimento social? Ele se refere às relações que o indivíduo estabelece com o contexto onde está inserido, apropriando-se dos saberes disponíveis neste contexto e, também, produzindo conhecimentos. Como já mencionado, os pais são os primeiros sujeitos que interagem com o bebê, e são eles que darão oportunidades de acesso às significações (PINTO, 2005). Uma ilustração do início desse processo é pensarmos o simples movimento de apontar do bebê. Para a criança, esse movimento é um ato natural e biológico, mas para o adulto ele é repleto de significação. Quando o bebê aponta para algo o adulto diz para ele “você quer esse brinquedo” ou, até mesmo, dá para a criança o objeto. Naquele momento, o bebê não sabe que apontar lhe proporciona algo, mas a partir de várias experiências ele internaliza essa ação e atribui significado a ela (PINTO, 2005). Nosso exemplo evidencia o quanto as trocas sociais viabilizam a aprendizagem e o desenvolvimento da criança. Nesse ponto, vale ressaltar o papel da escola desde os primeiros anos de vida, pois as interações entre os alunos e as trocas que acontecem nas práticas planejadas pelo professor potencializam o processo de inserção cultural da criança, visto que ela se apropria, pouco a pouco, das significações construídas historicamente pelos homens. Aqui, cabe a discussão do desenvolvimento afetivo da criança, pois a partir das interações ela interioriza os saberes experienciados. Neste viés: A importância do processo educativo como potencializador de novas necessidades humanizadoras decorre do fato de que, à medida que impulsiona relações significativas entre o sujeito e o conhecimento dos objetos sociais e das pessoas, por intermédio da atividade da criança, o professor cria possibilidades de afetá-la positivamente, de mobilizar sua potência para conhecer e atribuir sentidos ao que conhece, atuando inseparavelmente sobre os processos cognitivos e sobre os processos afetivos da criança. (GOMES, 2013, p. 516) O aspecto afetivo contribui com o desenvolvimento no movimento da criança de incorporar os saberes culturais à sua subjetividade. A escola deve possibilitar experiências que instiguem na criança o desejo de conhecer, compreender, expressar e demostrar sentimentos e emoções. E como esse trabalho pode se organizar? De que forma o professor estrutura a prática para possibilitar esse desenvolvimento integral? Essas questões podem ser refletidas a partir do papel do educar e cuidar nessa etapa de ensino. REFLITA Nesta seção, é evidenciada a importância do brincar para o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças na educação infantil. As brincadeiras se configuram como atividades que fazem com que a criança expresse seu entendimento sobre a realidade e as relações sociais que fazem parte dela. Por esse aspecto, a atividade lúdica proporcionada na escola precisa ser organizada para que o brincar seja eixo central de suas práticas. Com base no exposto, para você, como o brincar deve ser inserido na proposta pedagógica do centro de educação infantil? Qual participação o professor precisa ter nessa inserção? Antes de tratarmos do papel do brincar na efetivação do brincar e do cuidar, vamos relembrar os estágios do desenvolvimento segundo Piaget? Estágio sensório-motor (0 a 24 meses) Nesta etapa, o bebê começa a atuar na realidade a partir de ações impulsionadas pelos sentidos e motricidade. Nos primeiros dias de nascimento, o funcionamento dos movimentos da criança ocorre a partir dos reflexos inatos e com o passar dos dias sua percepção motora vai se aprimorando. A consciência da criança sobre o ambiente externo se amplia, resultado das ações de deslocamento do corpo até os objetos. Para explorar o ambiente, o bebê utiliza suas percepções sensoriais e motoras simples. O desenvolvimento nesse estágio favorece a percepção sobre os objetos, reconhecimento do mundo externo e primeiras representações simbólicas. Estágio pré-operatório (dois a seis anos) Nessa fase do desenvolvimento, a criança internaliza as ações do contexto social, representando-o mentalmente. Ela também realiza atividade de imitação dos papéis sociais de pessoas que convivem com ela (mãe, pai, avó, bebê, professora, médico, entre outros). Essas representações auxiliaram na aquisição e no aperfeiçoamento da linguagem, seja ela pela fala, ou por sinais, como o caso das crianças surdas. Nesse estágio também é observada a capacidade de construir símbolos e o entendimento dos sentidos sociais das ações dos sujeitos no contexto. Outra característica marcante são as atitudes egocêntricas, em que a criançase enxerga como o centro da realidade. Operatório concreto (seis a doze anos) A partir do processo de equilibração, em que os estímulos foram encaixados (assimilação) e/ou ampliados (acomodação), a criança consegue realizar operações concretas. Sendo assim, ela adquire a habilidade de separar, ordenar, combinar e transformar ações e objetos. Nessa fase, o egocentrismo já não se configura como uma postura da criança e ela começa a ter facilidade em realizar atividades em grupo. A partir das operações, os saberes anteriormente adquiridos pela criança vão se transformando em conceitos. Operatório formal (a partir dos doze anos) Nesse estágio são desenvolvidas habilidades de se pensar em conceitos abstratos. Encontra-se presente o pensamento hipotético dedutivo, raciocínio lógico, raciocínio dedutivo, capacidade de resolução de problemas e de pensamento sistemático. A linguagem está desenvolvida e permite haver discussões lógicas e que cheguem a conclusões. É o momento de aprimoramento da inteligência das pessoas, em que há a capacidade de refletir a partir do seu próprio pensamento, ficando cada vez mais consciente das operações mentais que realiza em seu contexto. O PAPEL DO BRINCAR NA EFETIVAÇÃO DO EDUCAR E DO CUIDAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL Algo que já discutimos muito em nossa disciplina é a indissociabilidade entre o educar e o cuidar. Sabemos da importância de pensarmos o cuidar como possibilidade para a aquisição de conhecimento da criança, desvinculando-o de qualquer aspecto assistencialista. Para que as práticas pedagógicas aconteçam de forma articulada, é fundamental ao professor considerar, no momento do planejamento, o papel do brincar. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular, o brincar se configura como um dos direitos de aprendizagem, o qual deve ser possibilitado cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais. (BRASIL, 2018, p. 36) O brincar é uma atividade humana que possui um motivo e objetivo. Tanto o professor quanto o aluno atribuem finalidades para o brincar. Para o professor, o motivo do brincar está relacionado com o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos, já que seu objetivo vincula-se à apropriação de conhecimentos pelos educandos. As crianças são motivadas a brincar pelo prazer que essa ação proporciona; sendo assim, seu objetivo, que se caracteriza de forma implícita, está na simples possibilidade de satisfazer seu desejo por essa ação. Vale destacar que o brincar é uma ação social que se aprende. Por meio dela, a criança cria condições de expressar suas significações sobre o mundo e realiza interações que contribuem para sua constituição (LEONTIEV, 2014). O brinquedo torna-se um instrumento mediador entre a criança e a realidade. Desta forma, sua principal finalidade não está em um possível produto, mas no processo da ação realizada pela criança, ou seja, são o manuseio e as experiências possibilitadas que motivam a atividade da criança. Suponhamos, como exemplo, que uma professora que atua na creche apresenta uma atividade em que as crianças devem construir algo utilizando blocos de madeira. Para as crianças, o que interessa é a ação de construir, em outras palavras, é produzir uma casa, castelo, edifício etc. com os blocos. O prazer e a diversão não se encontram na construção finalizada, mas em fazê-la. Para Leontiev (2014, p.125), o brinquedo é importante para a criança: A partir da sua necessidade de agir em relação não apenas ao mundo dos objetivos diretamente acessíveis a ela, mas também em relação ao mundo mais amplo dos adultos. Uma necessidade de agir como um adulto surge na criança, isto é, de agir da maneira que ela vê os outros agirem, da maneira que lhe disseram, e assim por diante. Os jogos são tão relevantes quanto os brinquedos, pois se referem às atividades compostas por um sistema de regras e que pode (ou não) ter um objeto físico para representá-los. O jogo possui significados do contexto social, pois suas regras foram construídas pelos indivíduos. Elas determinam como cada participante deve se comportar, apresentam os limites e o alcance de cada um no jogo. Esse fator é importante para a criança compreender a necessidade de respeito pelo espaço, direito e tempo do outro. Também permitem ao aluno entender que em uma realidade compartilhada encontram-se normas estabelecidas que devem ser acatadas. De acordo com Kishimoto (2006), o jogo possui algumas características específicas, como o efeito positivo, o qual se refere à sensação de alegria e prazer experimentado pela criança, possibilitando efeitos significativos nos aspectos social, corporal e moral. Outra característica é a flexibilidade, pois os jogos podem ser realizados em diversas culturas, adequando-se à realidade dos indivíduos. O jogo infantil também pode ser livre e espontâneo, proporcionando à criança autonomia e tomada de decisão. A partir deste contexto, devemos lembrar que a criança realiza a ação do brincar desde os primeiros anos de vida por meio das interações familiares, mas como os professores podem considerar e inserir o brincar como ação pedagógica para a potencialização do desenvolvimento e da aprendizagem na educação infantil? As brincadeiras trazem várias funções para o trabalho pedagógico. Um primeiro ponto que podemos citar são as informações sobre o desenvolvimento da criança que são fornecidas no ato de brincar. O professor pode realizar observações de como as crianças se colocam na brincadeira, suas capacidades de uso da linguagem e as habilidades afetivas e emocionais que cada aluno tem. A ação intencional subsidiada pela análise das brincadeiras das crianças propicia ao docente material adequado, assim como um espaço organizado para o brincar permite o enriquecimento das competências imaginativas, criativas e organizacionais da criança (KISHIMOTO, 2010). É uma atribuição do professor planejar situações para que o brincar aconteça de modo diversificado, dando às crianças oportunidade de autonomia nas escolhas sobre os papéis sociais que querem exercer, os temas das brincadeiras, os jogos que desejam brincar e a elaboração de regras a partir de decisão coletiva. EXEMPLIFICANDO Verificamos o quanto as brincadeiras e os jogos são importantes para o desenvolvimento das crianças, pois se tornam o modo como elas vão expressar sua visão de mundo e vão se apropriar dos elementos culturais. No que se refere à necessidade de dar liberdade para que a criança construa suas próprias regras nos jogos, é fundamental que isso seja discutido no coletivo de alunos. Vamos supor que as crianças estejam brincando de futebol no momento do brincar livre, mas na turma se encontra um aluno com deficiência física que possui dificuldade de chutar a bola. As crianças, a partir de uma decisão coletiva, podem adaptar as regras do jogo para que o amigo consiga realizar a atividade de forma ativa. Isso faz com que a ação do brincar seja invalidada? Não, pelo contrário, os alunos tiveram a condição de pensar em uma solução para o problema em conjunto. O docente deve considerar o caráter espontâneo e imaginativo do brincar. Por essa razão, essa prática não pode ser engessada. Dar liberdade às crianças não significa que a ação do brincar não seja de cunho pedagógico, pelo contrário, o fato de o professor organizar o espaço e o tempo da brincadeira, observar as potencialidades e os limites das crianças pela análise das situações de brincar são atitudes de aspecto educativo. A aprendizagem decorrente da brincadeira vem da experimentação que a atividade propicia. O professor pode possibilitar grande experimentaçãopor parte das crianças. As maneiras de mediação que o professor pode utilizar no ambiente da educação infantil são muitas, basta que ele reconheça o valor dos objetos, do ambiente, da sua ajuda e orientação e, principalmente, da sua organização, para assim possibilitar uma qualidade no brincar de seus alunos. (NAVARRO; PRODÓCIMO, 2012, p. 638) A atuação do docente é imprescindível para que, na escola de educação infantil, os alunos possam, em situações de interação social ou sozinhas, expandir suas habilidades e assimilar os conceitos, os códigos sociais e as diferentes linguagens a partir da expressão e comunicação de sentimentos, da experimentação, da reflexão, da elaboração de questionamentos e da construção dos próprios brinquedos. Neste viés, o professor deve conhecer e considerar as especificidades dos educandos de diferentes idades, bem como a diversidade de hábitos, costumes, valores, crenças e etnias, respeitando as diferenças e expandindo os processos de socialização. Nesse espaço, o professor deve estabelecer a mediação entre os alunos e os objetos de conhecimento, possibilitando espaços e situações de aprendizagens que vinculem os recursos e as capacidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas de cada educando aos seus conhecimentos prévios e aos conteúdos referentes aos diferentes campos dos saberes (BRASIL, 1998). É preciso considerar o educar, cuidar e brincar como elementos integrativos das práticas na educação infantil. É direito da criança o acesso às experiências que potencializem seu desenvolvimento e favoreçam a aprendizagem essencial. O cuidar está relacionado às necessidades básicas da criança, que podem ser atendimentos vinculados ao aprender. O momento da alimentação e da higiene pode se transformar em um espaço de aprendizado e descobertas, em que o professor poderá planejar ações que atendam às demandas educativas da turma. Essas ações podem ser trabalhadas a partir do brincar, de forma lúdica, pois na educação infantil essa é a via de expressão e relação da criança com o mundo (KISHIMOTO, 2010). Para que isso se concretize é fundamental essa articulação estar expressa no projeto político-pedagógico da escola, bem como no currículo e planejamento docente. É necessário um trabalho colaborativo entre todos os atores da realidade escolar para que as normativas apresentadas nas principais políticas de cunho curricular se efetivem na realidade, bem como o atendimento das especificidades da localidade atendida e das demandas dos alunos (BRASIL, 1998). ASSIMILE Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998), para que o desenvolvimento seja potencializado, o docente deve considerar na estruturação da prática pedagógica: a interação com crianças da mesma idade e de idades diferentes em situações diversas como fator de promoção da aprendizagem e do desenvolvimento e da capacidade de relacionar-se; os saberes prévios de qualquer natureza, que as crianças já possuem sobre o assunto, já que elas aprendem por meio de uma construção interna ao relacionar suas ideias com os novos conceitos que dispõem e com as interações que estabelecem; a singularidade e a diversidade em sala; o grau de desafio que as atividades apresentam e o fato de que devem ser significativas e apresentadas de maneira integrada para as crianças e, por fim, a resolução de problemas como forma de aprendizagem. Se olharmos para a BNCC, no campo de experiência “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações” encontra-se um objetivo de aprendizagem para as crianças bem pequenas (EI02ET06) que pretende utilizar conceitos básicos de tempo (agora, antes, durante, depois, ontem, hoje, amanhã, lento, rápido, depressa, devagar). Articulando com a importância do brincar e do faz de conta, como apontado por Piaget, esse tipo de brincadeira pode favorecer o alcance desse objetivo, visto que, ao representar um papel social, a criança narra e interpreta uma história que ela construiu a partir das suas experiências. EXEMPLIFICANDO Se a criança brinca de “alimentar o bebê”, ela segue os passos de seu cuidador que coloca a comida na colher, esfria o alimento (tempo) leva a comida à boca da boneca (devagar). Se ela está brincando de bombeiro, ela compreende que o “fogo no prédio” precisa ser apagado rapidamente (depressa – agora) para que ninguém se queime. O professor precisa articular esses conhecimentos com a prática, compreendendo o papel do brincar para o desenvolvimento de seus alunos. Nesta seção, tivemos a oportunidade de ficar ainda mais próximos da prática. Para finalizar, aproveite esta dica: POR DENTRO DA BNCC No campo de experiência “Escuta, fala, pensamento e imaginação” encontramos três aprendizagens que são fundamentais para a escolarização das crianças na educação infantil, a saber: • Expressar ideias, desejos e sentimentos em distintas situações de interação, por diferentes meios. • Argumentar e relatar fatos oralmente, em sequência temporal e causal, organizando e adequando sua fala ao contexto em que é produzida. • Ouvir, compreender, contar, recontar e criar narrativas. Articulando-as com discussões que foram possibilitadas nesta seção, observa-se o quanto o brincar auxilia na aquisição dessas habilidades, pois, a partir de atividades de jogos e brincadeiras de faz de conta, a criança consegue expor o que pensa e sente, dando para nós pistas de como está se desenvolvendo. Ela também tem a oportunidade de relatar fatos do dia a dia, seus anseios, desejos e o entendimento da sequenciação do tempo (horas, dias, meses) e do espaço. O brincar estimula a imaginação da criança, propiciando momentos de liberdade e criação, fato que coloca o sujeito como produtor de conhecimento e cultura. FAÇA VALER A PENA Questão 1 No Centro de Educação infantil Clarice Lispector, a professora realizou uma atividade lúdica com os alunos. A atividade aconteceu da seguinte forma: a docente retirava do baú objetos e as crianças deveriam nomeá-los. A professora retirou uma motocicleta e no mesmo momento o aluno Bernardo levantou a mão dizendo que o objeto era uma bicicleta. Após a fala do aluno, a professora elogiou a tentativa feita por ele, mas relatou que a peça se refere a uma motocicleta. Em seguida, ela explicou as diferenças entre os objetos. Com base nessa situação e considerando os conceitos apresentados por Piaget, é correto afirmar que o processo realizado por Bernardo é: a. Esquema. b. Acomodação. c. Estímulo. d. Assimilação. e. Reflexo. Questão 2 Leia o excerto a seguir: “Uma criança que imagina um motorista em uma brincadeira reproduz talvez a forma de agir único motorista que ela viu, mas sua própria ação é uma representação, não de um certo motorista concreto, mas de um motorista ‘em geral’, não suas ações concretas, tais como foram observadas pelas crianças, mas as ações de guiar um carro em geral, dentro dos limites, é claro, da compreensão e generalização dessas ações, que sejam acessíveis à criança” (LEONTIEV, 2014, p. 131). Na citação, o autor apresenta o quanto a brincadeira é importante para o processo de ensino e aprendizagem da criança, pois a partir dessa ação ela expressa a forma como compreende a realidade. No que se refere ao brincar na escola, avalie as afirmações a seguir: I. Deve acontecer de diversas formas em diferentes espaços e tempos. II. Deve ocorrer apenas com a participação de outras crianças. III. Deve ampliar o repertório de saberes da criança. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. c. III, apenas. d. I e II, apenas. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-1%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-1%20.item-2https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-1%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-1%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-1%20.item-5 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-2%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-2%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-2%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-2%20.item-4 e. I e III, apenas. Questão 3 Toda criança brinca, visto que essa ação se torna a forma de ela se expressar e se relacionar com o meio e com o outro. Como a educação infantil se refere a uma etapa de ensino em que as crianças são inseridas a partir dos primeiros meses de vida, esse ambiente educativo se configura como um lócus de brincadeira. Em relação à atuação do professor frente ao brincar, avalie as asserções e a relação proposta entre elas: I. No brincar livre, a criança tem a liberdade de criar e estabelecer as regras e ações que serão realizadas, de modo que o professor deverá ser um observador da atividade. PORQUE II. Ele deve dar à criança a autonomia necessária e, também, realizar mediação quando for preciso, para que a criança tenha maiores possibilidades de se expressar. A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta. a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II justifica a I. b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica a I. c. As asserções I e II são proposições falsas. d. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira. e. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa. REFERÊNCIAS ABREU, L. C. et al. A epistemologia genética de Piaget e o construtivismo. Revista Brasileira Crescimento e Desenvolvimento Humano. São Paulo, v. 20, n. 2, p. 361- 366, 2010. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. Versão entregue ao CNE em 3 de abril de 2018. Disponível em: https://bit.ly/3auVSU1. Acesso em: 13. ago. 2020. GOMES, C. A. V. O luar do afeto no desenvolvimento da criança: implicações educacionais. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 18, n. 3, p. 509-518, 2013. LEONTIEV, A. N. Os princípios psicológicos das brincadeiras na pré- escola. In: VIGOTSKI, L. S. et al. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. 12. ed. São Paulo: Ícone, 2014. NAVARRO, M. S.; PRODÓCIMO, E. Brincar e mediação na escola. Rev. Bras. Ciênc. Esporte, Porto Alegre, v. 34, n. 3, jul.-set. 2012. PINTO, A. As marcas do humano: às origens da constituição cultural da criança na perspectiva de Lev S. Vigotski. São Paulo: Cortez, 2005. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-2%20.item-5 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-5 https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf VIGOTSKI, L. S. Formação social da mente. 7 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. WADSWORTH, B. J. Inteligência e afetividade da criança na teoria de Piaget: fundamentos do construtivismo. São Paulo: Editora Pioneira, 1999. FOCO NO MERCADO DE TRABALHO A FINALIDADE DA EDUCAÇÃO INFANTIL Natália Gomes dos Santos O DESENVOLVIMENTO E O BRINCAR Chegou o momento de refletir sobre o desenvolvimento como um processo social e o brincar como possibilidade educativa. Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? SEM MEDO DE ERRAR Para entender o que aconteceu com o aluno Manoel, é importante Júlia considerar que o desenvolvimento da criança implica uma série de estruturas construídas progressivamente. Assim, os alunos são indivíduos ativos que constroem relações de troca com o saber, em um sistema de ações experimentadas e significativas. São essas vivências e o progresso de seu desenvolvimento físico que darão ao sujeito atribuição de sentido sobre a realidade. Neste contexto, as professoras devem relembrar a importância dos conceitos de assimilação (encaixe do novo estímulo à estrutura cognitiva já existente), acomodação (transformação do esquema por meio do novo saber) e equilibração (processo de transição entre o desequilíbrio para o equilíbrio). Como Manoel tem apenas dois anos, suas estruturas estão se constituindo e o contato com os novos conhecimentos, como diferentes animais, ampliaram seu repertório de saberes. Por isso, Julia deve persistir na apresentação de animais, frutas e objetos diferentes que sejam familiares aos que a criança já conhece, pois isso permite o desequilíbrio necessário para que a criança ressignifique o conhecimento que já tem e se aproprie do novo saber. Essas ações podem ser inseridas nas práticas cotidianas e favorecerão o desenvolvimento dos alunos. As docentes também devem considerar que o ambiente escolar deve ser instigante, favorecendo a construção de saberes; para isso, o trabalho desenvolvido por elas deve estar fundamentado em uma proposta de trabalho que tenha como característica processos dinâmicos para a construção cognitiva. Uma das possibilidades adotada pelas professoras é refletir sobre práticas que estejam vinculadas ao brincar. Para Vigotski, desenvolvimento e aprendizagem são processos que acontecem concomitantemente, então a brincadeira tem um papel crucial nesses processos. As professoras precisam retomar a discussão de que o brincar é a forma de a criança expressar o modo como enxerga a realidade em que vive, de forma que suas experiências e relações sociais estarão impressas em cada ação lúdica realizada. Na escola, a brincadeira torna-se uma atividade que favorece o desenvolvimento social, emocional e intelectual das crianças. Por essa razão, os professores devem organizar espaços de brincar e estimular ações que venham ao encontro dos objetivos de aprendizagem descritos no currículo da escola e no planejamento para cada grupo etário da educação infantil. Articulando com o episódio descrito por Júlia, no próprio ato do brincar, Manoel poderá ter contato com os novos animais e ampliar seu repertório. As professoras podem pensar em construir cantinhos de brincar por temas, dispor de um varal de fantasias, trazendo elementos novos aos alunos. Também é fundamental que as professoras façam observações sobre as ações dos alunos, elaborem registros e utilizem essas informações para (re)pensar a prática pedagógica, visando ao favorecimento e à potencialização do desenvolvimento e da aprendizagemde seus alunos. AVANÇANDO NA PRÁTICA A MEDIAÇÃO NO BRINCAR LIVRE Rosa é professora em um centro de educação infantil e atua com crianças de quatro anos de idade. A professora estabeleceu em seu planejamento pedagógico um momento diário para que as crianças realizem o brincar livre. Rosa entende esse brincar como fundamental para o desenvolvimento e a aprendizagem de seus alunos, pois eles possuem a oportunidade de criar histórias, utilizar a imaginação, expressar sua visão de mundo, explorar os objetos e se divertir. Apesar de ser uma atividade espontânea, Rosa procura fazer uma observação minuciosa sobre as ações dos alunos no momento do brincar, pois a docente entende que as informações coletadas são conteúdos para compreender os pontos fortes de cada educando e o que ainda precisa ser lapidado por meio das atividades pedagógicas. Em uma conversa na sala de professores, os docentes do centro de educação infantil estão dialogando sobre a forma como entendem o brincar livre. Uma das professoras relatou que sua auxiliar tem muita dificuldade em compreender o brincar livre como algo que integra as atividades escolares e também afirma ter receio de intervir no brincar das crianças. Após essa fala, alguns docentes pediram para Rosa relatar como ela entende o papel do professor no brincar livre. Com base no exposto, como Rosa poderá responder ao questionamento dos professores? NÃO PODE FALTAR PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL Natália Gomes dos Santos EDUCAÇÃO INTEGRAL DA CRIANÇA A educação integral possibilita um ambiente que estimule todas as capacidades sociais, cognitivas, físicas e afetivas da criança. Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? PRATICAR PARA APRENDER Olá, estudante! Esta seção apresenta um caminho rico de novos aprendizados. Vamos retomar a concepção de infância que direciona o trabalho pedagógico na atualidade, a qual considera a criança como um sujeito histórico e social, repleto de direitos e possibilidades de aprender e se desenvolver. Também refletiremos sobre o papel de uma educação que possibilite a formação integral das crianças, em seus aspectos físicos, cognitivos, sociais e afetivos. Outra discussão interessante que teremos nesta seção é sobre a inclusão escolar. Pensaremos sobre o conceito de inclusão, quem é o público-alvo da educação especial, quais políticas respaldam a escolarização desse alunado nos espaços regulares de ensino e como o professor da educação infantil pode desenvolver atividades e ações que propiciem o acesso ao conhecimento por todos. Por fim, refletiremos sobre as atribuições e os saberes docentes que dão o suporte para todo o trabalho desenvolvido na educação infantil. Juntos, analisaremos a atuação do professor nos diversos âmbitos escolares e, também, aprofundaremos as análises sobre a necessidade de planejar cada atividade desenvolvida com as crianças. Em um município do interior, foi construído o Centro de Educação Infantil Ruth Rocha para atender às necessidades da comunidade local. A escola é de pequeno porte e atenderá oito turmas de creche e pré-escola. Além dos dez professores que atuarão com as crianças, a instituição conta com o trabalho da pedagoga Lúcia e da diretora Márcia. No início do semestre, foi organizada uma reunião pedagógica para dialogar sobre a estruturação das práticas pedagógicas. A diretora Márcia, durante a reunião, agradeceu a participação de todos na elaboração do projeto político-pedagógico e do currículo da escola, relatando que a parceria só se efetivou porque todos trabalharam em uma perspectiva de gestão democrática. Márcia também pontuou que a pedagoga Lúcia estará à disposição dos professores para auxiliá-los com o planejamento e ações que serão realizadas em sala de aula, visando ao atendimento das demandas apresentadas no currículo da escola. Nosso desafio será auxiliar a professora Tatiane. Ela procurou a pedagoga Lúcia para solicitar auxílio com as práticas pedagógicas. Tatiane atua em uma turma de pré-escola com crianças de cinco anos, entre eles o aluno Valentim, que tem baixa visão. A professora relata que não sabe como realizar as adaptações curriculares para o aluno, entretanto demostra interesse de entender e trabalhar para que seu educando, que é público-alvo da educação especial, aprenda e se desenvolva. Lúcia disse para a professora ficar tranquila, pois marcaria um horário para que Tatiane pudesse conversar com a professora Nicole, que atende Valentim na sala de recursos no contraturno. Neste momento, coloque-se no lugar de Tatiane e reflita sobre as questões que devem estar presentes na conversa com Nicole: • Como deve ser efetivada a inclusão desse aluno público-alvo da educação especial na classe regular da educação infantil? • De que forma deve ser potencializado o desenvolvimento deste alunado? • Como devem ser realizadas as adaptações curriculares? Esperamos que você tenha um momento de muita reflexão. Bom trabalho! CONCEITO-CHAVE A EDUCAÇÃO INFANTIL COMO ESPAÇO DE DIREITO E DE INCLUSÃO DAS CRIANÇAS Já fizemos inúmeras reflexões sobre o papel da educação infantil para a construção de uma sociedade democrática. Verificamos os avanços ocorridos ao longo da história da nossa educação brasileira e o quanto o ensino dos pequenos brasileiros deve ser compreendido como uma das prioridades educacionais. De acordo com os documentos oficiais que direcionam a estruturação da educação infantil, a concepção de infância que se deve ter nas escolas é de que toda criança é um sujeito histórico e social, repleto de potencialidades e com capacidade de desenvolvimento e aprendizagem. Ela se constitui por meio dos saberes culturais e, ao mesmo tempo, contribui para a construção da realidade social (BRASIL, 1998; 2018). Por esses fatores é de extrema relevância considerar a educação integral da criança, a qual possibilita um ambiente que estimule todas as capacidades sociais, cognitivas, físicas e afetivas dos alunos. Essa educação deve olhar o sujeito em sua totalidade, extraindo dele todo seu potencial e construindo um trabalho que possibilite a aquisição de habilidades e competências que vão auxiliá-lo não apenas nas demais etapas de ensino, mas também em sua vida cotidiana. O desenvolvimento integral depende tanto dos cuidados relacionais, que envolvem a dimensão afetiva e dos cuidados com os aspectos biológicos do corpo, como a qualidade da alimentação e dos cuidados com a saúde, quanto da forma como esses cuidados são oferecidos e das oportunidades de acesso a conhecimentos variados. (BRASIL, 1998, p. 25) EXEMPLIFICANDO Nesta seção, destcamos a importância de organizar o trabalho pedagógico com o enfoque na educação integral do sujeito. Pensando nos aspectos que constituem essa integralidade, na escola devem ser desenvolvidas competências e habilidades que permitam ao aluno entender a importância de ser ouvido e escutar, de respeito ao próximo, de conhecer limites e normas para o bom desenvolvimento da sociedade, e esses aspectos perpassam a afetividade. Por isso é de extrema importância o professor trabalhar essas questões nas atividades escolares a partir de reflexões coletivas, nos trabalhos em grupo e, também, individuais, em que a criança poderá perceber o seu espaço e do outro. Deste modo, a proposta pedagógica das escolas públicas e privadas que ofertam educação infantil deve ser construída considerando uma concepção de infância que valorize a criança e suas necessidades, e que explicite o compromisso com uma educação integral que estimule e extraia de seu aluno todo o potencial para a aprendizagem e o desenvolvimento. Retomando o conceito de direito das crianças à educação, a legislação brasileira deixa claro que o ensino deve ser ofertado para todos, independentemente das singularidades e necessidades que os indivíduos possam apresentar. Também ficamevidentes as responsabilidades que o Estado e a família devem assumir para que isso aconteça no contexto educativo. Se todos os alunos têm o direito de aprender e estar na escola, como deve ser organizado o trabalho pedagógico voltado à inclusão dos alunos que são público-alvo da educação especial? Pensando na resposta dessa pergunta é necessário, primeiramente, entendermos o que é a educação especial. O QUE É EDUCAÇÃO ESPECIAL? Se analisarmos a história da educação das pessoas com necessidades educacionais especiais veremos que ela é marcada por inúmeras dificuldades e lutas. Anteriormente, os poucos atendimentos destinados ao público-alvo da educação especial aconteciam em instituições especiais, de forma segregada, pois havia apenas um olhar orgânico da deficiência. O pensamento era de que tudo o que não se encaixasse em um “padrão estabelecido” deveria ser “normalizado” ou “tratado”, e por isso os primeiros atendimentos destinados a esse público foram de caráter terapêutico e clínico. Em meados da década de 1970, a perspectiva de integração ganhou espaço na realidade brasileira. As pessoas com necessidades educacionais especiais não se encontravam apenas em instituições especiais, mas também em espaços regulares, em classes especiais. Esse período também foi marcado pela segregação, pois os alunos eram excluídos no contexto regular, sendo separados dos demais (JANNUZZI, 2006). O processo de redemocratização do ensino que ocorreu no final do século XX apresentou um novo olhar para a educação especial. Por meio de discussões, embates e lutas, surgiu a perspectiva inclusiva, que valoriza a diversidade humana e a garantia de igualdade de condições de acesso aos direitos sociais para esse público. No campo da educação, observamos a presença de documentos internacionais, como a Declaração de Salamanca (1994), que afirma a necessidade de um ensino inclusivo que permita aos alunos com necessidades educacionais especiais frequentarem a sala de aula comum. No Brasil, essa discussão também se apresenta nas principais políticas educacionais, como a LDB/1996, que compreende a educação especial como modalidade de ensino transversal que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades de ensino (KASSAR, 2008; CAIADO, 2009). Vamos conhecer mais detalhes sobre as políticas que respaldam o direito das crianças público-alvo da educação especial ao ensino regular: CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 A CF explicita que a educação é direito de todos os cidadãos e devem ser oportunizadas condições de aprendizagem. No artigo 208, é descrito que os alunos com deficiência devem ter garantido o atendimento educacional especializado, preferencialmente, em espaços regulares de ensino. DECLARAÇÃO DE SALAMANCA (1994) Na declaração é relatado que todas as crianças têm direito fundamental à educação, e que devem ser propiciadas condições de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem, isso porque elas apresentam características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem singulares. Os sistemas educacionais devem se organizar para promover o ensino inclusivo e programas educacionais devem ser implementados, considerando a diversidade de tais características e necessidades. Os alunos com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, que tem a responsabilidade de acomodá-los dentro de uma pedagogia centrada na criança, a qual valorize suas potencialidades e trabalhe suas necessidades. LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (1996) Na lei, a educação especial é apresentada como modalidade de ensino que deve ser ofertada preferencialmente em espaços regulares de ensino. Devem ser garantidos para os alunos: currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades, e docentes com formação adequada para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses alunos nas classes comuns. DIRETRIZES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO ESPECIAL (2001) Nas diretrizes, é apresentado que a inclusão escolar permite a construção de relações de respeito, identidade e dignidade. Sendo assim, ela torna-se uma via para assegurar os direitos das pessoas com necessidades especiais em todos os espaços sociais. Dentre as ações de inclusão no âmbito pedagógico, as diretrizes apontam a relevância do trabalho desenvolvido na sala comum de ensino, a qual deve se efetivar a partir do trabalho em parceria entre o professor regente e o professor da educação especial. POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA (2008) A política tem como objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares, orientando os sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais por meio da garantia da transversalidade; do atendimento educacional especializado; continuidade da escolarização; formação docente; participação da família e comunidade. LEI BRASILEIRA DE INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA (2015) A lei visa garantir a acessibilidade como possibilidade de condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias. Também assume a necessidade de eliminar as barreiras arquitetônicas e atitudinais, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa com deficiência. ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) Esse cenário apresenta inúmeros benefícios para nossas crianças com necessidades educacionais especiais. De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), o público-alvo é composto por alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento (transtornos do espectro autista – TEA, psicoses infantis, Síndrome de Asperger, Síndrome de Rett, Síndrome de Kanner) e altas habilidades/superdotação. Deste modo, os alunos matriculados em todas as etapas de ensino, inclusive na educação infantil, devem ter garantidas as condições para sua aprendizagem. Mas você deve estar se perguntando: quais são essas condições? De acordo com as políticas inclusivas, os alunos público-alvo da educação especial devem ter acesso ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), que se refere aos serviços complementares e/ou suplementares à formação dos educandos para a realização de atividades dentro e fora da escola. O AEE tem o papel de identificar, elaborar e estruturar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras que impedem o processo de ensino e de aprendizagem dos educandos. Muitas ações do AEE acontecem na sala de recursos multifuncionais, que é equipada com recursos, materiais e equipamentos tecnológicos para atender às necessidades dos estudantes. Esse trabalho é desenvolvido pelo professor de educação especial e os alunos são atendidos no contraturno, ou seja, se a criança frequenta a sala de aula regular no período da manhã, ela vai comparecer à sala de recursos no período da tarde (BRASIL, 2008). ESCOLARIZAÇÃO NA SALA DE AULA REGULAR No que tange ao trabalho desenvolvido com as crianças com necessidades especiais na educação infantil, é importante compreendermos que o AEE não substitui a escolarização na sala de aula regular, pois esse serviço é um apoio e suporte para que os alunos com necessidades educacionais especiais consigam se apropriar do conhecimento científico. Por exemplo: uma criança surda que se encontra na creche já teve contato com as demais crianças na sala de aula regular e frequenta o AEE no contraturno para se apropriar da Língua Brasileira de Sinais, a qual será sua primeira língua. Ter acesso à Libras é um direito dessa criança e dá a ela aoportunidade de ter contato com os saberes e atividades desenvolvidas na sala de aula. Destaca-se que os alunos surdos possuem o direito de serem acompanhados por intérprete de Libras (BRASIL, 1996; 2008). Vale ressaltar que, enquanto professores, temos de entender que todos os nossos alunos têm condições de aprendizagem e que as “insuficiências” não estão nos indivíduos, mas nos obstáculos atitudinais e arquitetônicos da sociedade. Sendo assim, a escolarização das crianças com necessidades especiais também é de responsabilidade do professor da sala regular. De acordo com Meletti e Bueno (2011), é fundamental que as crianças com deficiência tenham acesso à educação infantil, visto que essa etapa de ensino é a base para a construção de conceitos cruciais para a trajetória escolar dos indivíduos. Neste contexto, uma educação infantil inclusiva deve favorecer a estimulação precoce das crianças a partir dos primeiros meses de vida. De acordo com Vigoski (1997), a criança com deficiência tem condições de se desenvolver e aprender, desde que o meio social maximize suas potencialidades a partir da estimulação dos outros sentidos e, também, faça uso de compensação social. Vamos pensar em um exemplo de uma criança cega com cinco anos de idade que se encontra na pré-escola. Ela não enxerga, mas a audição e o tato podem ser estimulados para que ela tenha experiências que favoreçam sua escolarização. Pensando nesse exemplo, o que o professor pode fazer? Neste contexto, é fundamental a realização de adaptações curriculares. Existem duas formas de adaptações curriculares: • Adaptações de grande porte: referem-se às adequações que devem ocorrer de forma mais abrangente, tal como o acesso ao currículo. • Adaptações de pequeno porte: configuram-se como ajustes que o professor realiza em sala para promover a aprendizagem, sendo elas: adaptação de conteúdo, objetivos, métodos de ensino e da organização didática e de temporalidade do processo de ensino e de aprendizagem (BRASIL, 2000a; 2000b). Vamos refletir sobre as adaptações de pequeno porte, que são de responsabilidade do professor, e retomar o exemplo do aluno cego. Dentre as atividades que o professor pode realizar com a sala encontra-se a confecção de livros e brinquedos. Muitos desses materiais são coloridos. Será que precisam deixar de ser? Não, pois os materiais são compartilhados por todos os alunos. No entanto, o professor pode fazer uma adequação que também beneficie o aluno cego. Na confecção de um livro que tenha uma paisagem de floresta, por exemplo, cada gravura pode ter uma textura diferente, por exemplo, o caule da árvore pode ser de lantejoula, as folhas podem ser de papel crepom, as flores podem ser de barbante e os animais podem ser pintados com tinta de alto-relevo. Visualize o material pronto, ele será divertido, colorido (para os demais alunos) e repleto de diversas texturas para que a criança cega possa explorá-lo (BRASIL, 1998). Mas você deve estar se questionando: como vou fazer essas adaptações? Terei alguma ajuda? A resposta é sim! As pesquisas na área da educação inclusiva apontam como caminho para a efetivação de práticas pedagógicas inclusivas a concretização de um ensino colaborativo na escola. Segundo Viralonga e Mendes (2014), o ensino colaborativo ou coensino se refere ao trabalho compartilhado entre professor da sala regular de ensino e o professor de educação especial para a organização de planejamento, adaptações de atividades, recursos e materiais e acompanhamento do progresso do aluno. Nessa vertente, os dois professores atuarão em parceria, cada um em sua área de atuação, para a construção de práticas eficazes. O ensino colaborativo deve ser estreitado a partir do diálogo. Você poderá conversar com o professor que atua na escola com o atendimento educacional especializado e construir a parceria. Vamos pensar em uma situação de ensino colaborativo. Em uma sala de educação infantil com crianças de três anos encontra-se um aluno com paralisia cerebral. Ele possui dificuldades motoras, as quais comprometem o movimento de pinça das mãos. O professor da sala regular não sabe como adaptar os lápis, mas, em conversa com o professor de educação especial, construíram uma adaptação de material. Figura 2.9 | Adaptação para utilização de lápis Fonte: https://bit.ly/3bxgZon. Acesso em: 30 jul. de 2020. Apesar dos benefícios para a construção de uma educação infantil inclusiva, encontramos desafios para a concretização do ensino colaborativo. Os professores devem estar dispostos e executar o trabalho compartilhado, a escola precisa dar condições e tempo para que esses professores tenham momento de troca, diálogo e formação continuada, visando à ampliação e apropriação de saberes e estratégias (VILARONGA; MENDES, 2014). REFLITA A inclusão escolar é um direito social de todos os alunos público-alvo da educação especial. Para que esse direito se efetive, é preciso que haja condições e espaço adequado para fornecer todos os recursos necessários ao atendimento das singularidades de cada aluno, bem como preparar os professores para atuarem com esse público nos espaços regulares de ensino. Como base no exposto, aponte dois avanços e dois desafios sobre a concretização de uma educação infantil inclusiva. Você, enquanto futuro professor da educação infantil, deve conhecer as possibilidades para a construção de um trabalho eficiente e que traga avanços na escolarização de nossas crianças. Todos os alunos devem ter seu desenvolvimento potencializado, por meio de uma educação integral que extraia de cada um suas capacidades e habilidades. A criança é um indivíduo histórico, social e ativo, e cabe a nós, docentes, ofertar a ela uma educação que considere suas necessidades e singularidades. https://naescola.eduqa.me/desenvolvimento-infantil/ FOCO NA BNCC Dentre as dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular encontramos uma que discorre sobre a necessidade de “exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza” (BRASIL, 2017). Articulando essa competência com os processos inclusivos na educação infantil, verifica-se que promover a inclusão favorece todos os estudantes, pois os demais alunos poderão acompanhar o desenvolvimento de seus colegas com necessidades educacionais especiais e perceber que eles são sujeitos que aprendem e ensinam. Os espaços inclusivos possibilitam adaptações e adequações de recursos que podem auxiliar todas as crianças de modo que observem como a diversidade é rica e só potencializa as trocas e experiências sociais. Crianças que convivem com as diferenças se tornam adultos mais conscientes e humanos. POR DENTRO DA BNCC A BNCC apresenta um item sobre o currículo, o qual elenca ações que devem ocorrer na escola para que a construção desse documento aconteça de forma consolidada. Dentre essas ações, podemos observar a necessidade de “criar e disponibilizar materiais de orientação para os professores, bem como manter processos permanentes de formação docente que possibilitem contínuo aperfeiçoamento dos processos de ensino e aprendizagem” (BRASIL, 2018, p. 17). Essa ação se refere à relevância de os professores sempre repensarem os processos educativos e, também, considerarem a construção dos currículos escolares a partir da BNCC. Quando refletimos sobre as questões vinculadas à inclusão escolar na educação infantil, essa ação elencada na BNCC é crucial, pois, além de organizar o currículo para a escolarização dos alunos, é preciso realizar adaptações curriculares de grande porte, visando atender às necessidades educacionais dos alunospúblico-alvo da educação especial. Nesse processo, coloque-se no lugar de um pedagogo que atua na gestão escolar. É preciso ter um olhar minucioso sobre a importância de estabelecer diálogo com os professores e organizar formações continuadas para que a inclusão e as adaptações sejam construídas na escola. Desta forma, o que está previsto na ação descrita na BNCC poderá se efetivar na escola em que você vai atuar. SABERES NECESSÁRIOS PARA A PRÁTICA DOCENTE NA EDUCAÇÃO INFANTIL O docente é um profissional repleto de saberes, os quais são os instrumentos para a construção de uma prática consolidada. Segundo Tardif (2012, p. 32) os saberes docentes se referem ao “[...] saber plural, formado pelo amálgama, mais ou menos coerente, de saberes oriundos da formação profissional e de saberes disciplinares, curriculares e experienciais”. Desta forma, fica evidente que o atual momento de estudos vai instrumentalizá-lo para a futura prática. Também é interessante compreender que você nunca deixará de aprender, pois no dia a dia, em cada troca, nas atividades e relações estabelecidas com as crianças, você adquirirá saberes docentes. Os saberes docentes se referem aos conhecimentos que o professor traz consigo e auxiliam em todo o desenvolvimento do trabalho desenvolvido em sala de aula. ASSIMILE Tardif (2012) nos apresenta que os professores possuem saberes de suas experiências de vida, como os conhecimentos que adquiriram com seus familiares, amigos e os conhecimentos construídos em sua vida escolar, enquanto estudantes. O autor aponta que outros saberes fundamentais para o professor são os provenientes da formação inicial, os quais se referem aos conceitos, competências e habilidades que lhe constituem enquanto profissional da educação. Mas aquisição de conhecimentos não para por aqui, o professor aprende até o último dia da sua carreira e por isso encontram- se os saberes oriundos das vivências escolares, visto que no cotidiano ele aprende novas formas de socializar e ressignificar o conhecimento. Para essa discussão, vamos pensar em alguns saberes fundamentais para sua atuação na educação infantil? Dentre eles, podemos elencar o conhecimento sobre o desenvolvimento e a aprendizagem em cada fase da criança. É de extrema importância saber as características e necessidades das diferentes faixais etárias, considerar as singularidades dos alunos, pois são únicos. Para isso, você deverá ter um olhar atento para as ações dos alunos. Na educação infantil, a observação é uma das atividades mais importantes do professor, pois por meio dela ele consegue refletir sobre os avanços e os ajustes que devem ser realizados na prática cotidiana. Além disso, é fundamental conhecer as políticas e os documentos que direcionam o currículo e a proposta pedagógica da escola, o que se configura como saberes fundamentais para o exercício da docência na educação infantil. É preciso entender o que a legislação fala a respeito do trabalho nessa etapa de ensino e, pensando na atualidade, como a Base Nacional Comum Curricular apresenta as aprendizagens essenciais para os alunos de zero a cinco anos. O professor também deve estar atualizado quanto as discussões da escola sobre o currículo, analisando os ajustes e adequações necessárias para atender às demandas e necessidades dos alunos (BRASIL, 2018). O PAPEL DO PLANEJAMENTO PARA O TRABALHO DESENVOLVIDO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Mas, entre todos os saberes, o planejamento docente é um dos principais. O planejamento se refere à organização e sistematização do trabalho que se pretende desenvolver. Ele não se constitui, apenas, como uma atividade burocrática, mas sua relevância é direcionar cada ação que será desenvolvida em sala de aula. Lembramos que realizar planos e planejamentos educacionais e escolares significa exercer uma atividade engajada, intencional, científica, de caráter político e ideológico e isento de neutralidade. Planejar, em sentido amplo, é um processo que visa dar respostas a um problema, através do estabelecimento de fins e meios que apontem para a sua superação, para atingir objetivos antes previstos, pensando e prevendo necessariamente o futuro, mas sem desconsiderar as condições do presente e as experiências do passado, levando-se em conta os contextos e os pressupostos filosófico, cultural, econômico e político de quem planeja e de com quem se planeja. (PADILHA, 2001, p. 63, grifo do autor) Deste modo, como uma das atribuições docentes, o professor precisa realizar o planejamento de suas ações, como previsto no artigo 13 da LDB, que apresenta a elaboração do plano de trabalho a partir da proposta pedagógica da escola (BRASIL, 1996). O QUE É PLANO DE TRABALHO? Refere-se ao documento construído pelo professor para estruturar o processo de ensino e aprendizagem na sala de aula. Nele é apresentado o que, quando, como e com quem serão realizadas as atividades. Deve estar alinhado com o currículo da escola e pode se constituir em dois documentos: plano de ensino (também chamado de plano de trabalho docente em algumas localidades) e plano de aula. O plano de ensino se refere ao planejamento mais abrangente, em que o professor vai definir as práticas pedagógicas por bimestre, trimestre ou semestre. Essa organização será a partir de normas e exigências de cada unidade escolar. O plano de aula é um documento que tem a finalidade de atender aos objetivos apresentados no plano de ensino. Para cada dia de aula o docente deverá construir um plano, direcionando assim a atuação do professor e dos alunos nas atividades cotidianas. Quadro 2.1 | Exemplo de plano de aula PLANO DE AULA Tema: tema a ser desenvolvido no dia. Objetivos: metas traçadas para a aprendizagem. • Objetivo geral: finalidade que se pretende alcançar com as ações desenvolvidas. • Objetivos específicos: finalidades detalhadas que devem atender ao objetivo geral estabelecido. Conteúdos: conhecimento e conceitos previstos no plano de ensino e no currículo da escola. Procedimentos metodológicos: metodologias adotadas para a socialização dos saberes científicos. Recursos: materiais e equipamentos utilizados para as atividades. Avaliação: modo como o professor vai analisar a execução das atividades pelos alunos. Na educação infantil, ela é realizada pela observação. Referências: fontes que subsidiaram as ações do professor. Fonte: elaborado pela autora. De acordo com Libâneo (1994), o planejamento docente torna-se um espaço para que o professor reflita sobre as ações e decisões que vem tomando no processo de ensino e aprendizagem. Por essa razão, o professor deve avaliá-lo constantemente, visando à melhoria e ao aprimoramento das atividades desenvolvidas em sala de aula. O docente não pode entender a ação de planejar como um simples ato de preencher um documento, pois é, antes de tudo, uma ação consciente de sua própria prática. Sendo assim, ele deverá observar se os objetivos estão claros e alinhados com o currículo da escola, se os conteúdos estão adequados com o grupo etário da educação infantil em que atua, se as metodologias adotadas estão de acordo com as características da turma e atendem aos conteúdos trabalhados e se os recursos são seguros para o manuseio das crianças. Esses saberes são aprendidos na formação inicial e lapidados no exercício docente. O ponto importante deste processo é você considerar o quanto contribui para a escolarização de seus alunos e como o trabalho sistematizado possibilitará a você a execução de ações eficazes e para os educandos a possibilidade de apropriação efetiva do conhecimento. FAÇA VALER A PENA Questão 1 Muitas lutas foram travadas para que o direito à educação se concretizasse. No que tange ao ensino das crianças de zero a cinco anos, encontramos na realidade brasileira políticas que respaldam tanto a organização dos centros de educação infantil quanto o trabalhopedagógico desenvolvido diariamente na sala de aula. No que se refere aos aspectos vinculados à infância e à educação, avalie as afirmativas a seguir: I. A concepção de infância que deve direcionar a educação infantil tem a finalidade de compreender as crianças como sujeitos históricos que se transformam e transformam a realidade a partir do conhecimento. II. A criança que se encontra matriculada na educação infantil deve ter acesso a serviços e ações que promovam uma educação integral, a qual visa ao pleno desenvolvimento dos aspectos físicos, afetivos, cognitivos e sociais. III. A comunidade escolar deve estar preparada para organizar um trabalho que visa potencializar o desenvolvimento das crianças e propiciar a aquisição das competências e habilidades. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. c. III, apenas. d. I, II e III. e. I e II, apenas. Questão 2 As crianças público-alvo da educação especial devem ter a garantia de acesso, permanência e sucesso escolar. Para que isso ocorra, é de extrema importância que um trabalho coletivo seja desenvolvido na escola, visando eliminar os desafios e ampliar as possibilidades de ensino e de aprendizagem. De acordo com a legislação que assegura a inclusão escolar, verifica-se a presença do atendimento educacional especializado (AEE). Com base nesse contexto, avalie as afirmativas e marque V para verdadeiro e F para falso: ( ) O atendimento educacional especializado se configura como um serviço complementar e/ou suplementar. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-1%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-1%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-1%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-1%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-1%20.item-5 ( ) O atendimento educacional especializado tem o papel de substituir as ações e práticas desenvolvidas na sala regular de ensino. ( ) O atendimento educacional especializado é de responsabilidade do professor da sala regular. Agora, assinale a alternativa correta: a. V – V – V. b. F – F – F. c. V – F – F. d. F – F – V. e. V – F – V. Questão 3 Planejar é um dos atos mais importantes que acontecem no contexto educativo. É o planejamento que pode levar ao sucesso das práticas desenvolvidas tanto pelos docentes quanto pelos alunos. No que se refere aos saberes docentes para a organização do planejamento pedagógico, avalie as afirmativas a seguir: I. O professor é o ator responsável pela elaboração do plano de aula; sendo assim, ele deve organizá-lo apresentando finalidades, conteúdos e metodologia para as atividades propostas. II. As ações de planejamento que serão realizadas para orientar as práticas pedagógicas devem ser baseadas nos documentos curriculares, tais como a BNCC e o currículo da escola. III. Para aprimorar o planejamento e as práticas pedagógicas, a escola deve oferecer formação continuada para os professores. É correto o que se afirma em: a. I, II e III. b. II e III, apenas. c. I, apenas. d. III, apenas. e. I e III, apenas. REFERÊNCIAS BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996. BRASIL. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, 2008. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-2%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-2%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-2%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-2%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-2%20.item-5 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-5 CAIADO, K. R. M. Convenção internacional sobre os direitos das pessoas com deficiências: destaques para o debate sobre a educação. Revista Educação Especial. v. 22, n. 35, p. 329-338, set./dez, Santa Maria, 2009. JANNUZZI, G. M. A educação do deficiente no Brasil: dos primórdios ao início do século XXI. Autores Associados. Campinas. 2006. KASSAR, M. C. M. Liberalismo, neoliberalismo e educação especial: Algumas implicações. Caderno CEDES, v.19, n. 46, Campinas, set. 2008. LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1994. MELETTI, S. M. F.; BUENO, J. G. S. Educação infantil e educação especial: uma análise dos indicadores educacionais brasileiros. Revista Contrapontos. v. 11, n. 3, p. 278-287, set-dez 2011, Itajaí, 2011. PADILHA, P. P. Planejamento dialógico: como construir o projeto político pedagógico da escola. São Paulo: Cortez, 2001. TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. VILARONGA, C. A. R.; MENDES, E. Ensino colaborativo para o apoio à inclusão escolar: práticas colaborativas entre os professores. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Brasília, v. 95, n. 239, p. 139-151, 2014. VYGOTSKI, L. S. Obras Escogidas V: Fundamentos de Defectología. Madrid: Visor, 1997. FOCO NO MERCADO DE TRABALHO PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL Natália Gomes dos Santos ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO O Atendimento Educacional Especializado tem o papel de identificar, elaborar e estruturar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras que impedem o processo de ensino e de aprendizagem dos educandos. Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? SEM MEDO DE ERRAR Para a resolução desta situação-problema, Tatiane deve relatar para Nicole seus maiores anseios no trabalho desenvolvido com Valentim. Nesse processo, Nicole deverá orientar a professora que é normal se sentir insegura, pois essa experiência é nova para ela, entretanto Tatiane não pode perder de vista que o aluno tem totais condições de aprender e que os ajustes no planejamento serão fundamentais para que isso aconteça. O primeiro passo será conhecer a especificidade de Valentim. A baixa visão se refere à perda significativa da visão ocular, de modo que não é possível corrigir a perda com o uso de recursos ópticos, como os óculos. Após Nicole esclarecer a especificidadepara Tatiane, é necessário elencar as potencialidades de Valentim e, nesse momento, Tatiane pode apontar, por exemplo, que ele tem uma excelente comunicação e relação com as demais crianças, que sua escuta é aguçada e que ele utiliza o tato para realizar atividades. A partir dessas informações, Nicole pode orientar a professora regente na adequação de materiais, pois Valentim possui um resquício visual que deve ser estimulado. Nicole pode indicar a ampliação das letras e figuras nos materiais disponibilizados pela professora Tatiane. Outra adaptação relevante é a exploração de cores nos materiais e recursos para estimular o resquício visual. É de extrema importância que Tatiane pergunte a Valentim o que ele acha do recurso disponibilizado e se ele acha que poderia ter algum ajuste. Os alunos com necessidades educacionais especiais devem ser ouvidos em todos os processos e devem participar de algumas decisões, pois a percepção deles é fundamental para o aprimoramento do trabalho. Nicole também poderá se colocar à disposição de Tatiane e, juntas, elas podem marcar uma conversa semanal para a troca de experiências e sugestões sobre as adaptações desenvolvidas na sala de aula. O ensino colaborativo, que consiste em um trabalho em conjunto entre professor da sala regular e professor especialista, requer planejamento, diálogo e reflexão. Por fim, Lúcia poderá se mobilizar a partir da experiência de Tatiane e organizar uma formação de professores na escola que discuta práticas escolares e a inclusão na educação infantil. Com certeza, vários professores sentem as mesmas angústias de Tatiane, e um momento de estudos possibilitará mudanças de ações e perspectiva entre os professores. É de extrema importância compreender que uma escola inclusiva é construída por todos os envolvidos e que o direito à educação das crianças público-alvo da educação especial deve ultrapassar o texto e se materializar na realidade. PESQUISE MAIS Vamos ampliar nossos conhecimentos com mais uma indicação bem legal de leitura? O artigo denominado “Inclusão de crianças com necessidades educativas especiais na educação infantil”, de Maria Tereza Brandão e Marco Ferreira, apresenta limites e possiblidades sobre as diferentes formas de se pensar a inclusão das crianças na escola. BRANDÃO, M. T.; FERREIRA, M. Inclusão de crianças com necessidades educativas especiais na educação infantil. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 19, n. 4, p. 487-502, 2013. AVANÇANDO NA PRÁTICA HORA DE PLANEJAR Rafael é professor no Centro de Educação Infantil e atua com uma turma de pré-escola. A partir da BNCC e do currículo da escola, Rafael precisa organizar seu planejamento para atender ao seguinte objetivo de aprendizagem: “escolher e folhear livros, procurando orientar-se por temas e ilustrações e tentando identificar palavras conhecidas”. Rafael sabe da importância do planejamento para direcionar todas suas ações e dar oportunidade aos alunos de experimentar um espaço rico de aprendizagem. No entanto, ele tem muita dificuldade em descrever os itens de “objetivo” e “percurso metodológico” do plano de aula. Com base nesse desafio de Rafael e em nossos estudos, como ele poderá organizar os objetivos e os procedimentos metodológicos da aula para atender ao objetivo de aprendizagem descrito na BNCC e no currículo? NÃO PODE FALTAR ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL DE ACORDO COM OS EIXOS ESTRUTURANTES E OS DIREITOS DE APRENDIZAGEM Natália Gomes dos Santos Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? CONVITE AO ESTUDO Olá, estudante. Você está preparado para um novo momento de estudos? Todas as nossas unidades são importantes e interessantes. No entanto, essa unidade tem um “toque especial”, pois abordará a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), assunto relativamente recente e bastante pertinente para sua futura prática. Ela é fruto de discussão e articulação de diversos envolvidos nos processos educativos que pensaram o modo como os conteúdos mínimos em todas as etapas de ensino devem ser garantidos como direito primordial de nossos alunos. Por isso, a BNCC apresenta um conjunto de aprendizagens essenciais que, além de dar a oportunidade de acesso ao saber também favorece o desenvolvimento de competências e habilidades que propiciam aos indivíduos caminhos para resolução de conflitos e problemas com os quais eles poderão se deparar em suas práticas sociais. E como você sabe, a educação infantil não pode faltar em uma discussão tão rica e repleta de contribuições. Sendo assim, essa unidade está organizada em três seções nas quais estudaremos a estrutura da BNCC e os possíveis caminhos para a implementação de suas diretrizes nas práticas docentes. A primeira seção abordará os eixos estruturantes e os direitos de aprendizagem. Discutiremos como é necessário organizar o trabalho pedagógico a partir das interações e brincadeiras, favorecendo a construção de um ambiente que permite às crianças a apropriação e produção de saberes. Também observaremos a necessidade de valorização dos conhecimentos que os alunos possuem consigo, de modo que poderemos organizar as práticas a partir de tais saberes. Nesta seção, vamos reforçar a importância da diversidade de experiências para os alunos para que eles compreendam a relevância dos patrimônios cultural, artístico, científico e tecnológico. Na segunda seção, nossa reflexão será sobre os campos de experiências. Verificaremos a importância do trabalho interdisciplinar, tendo como foco o atendimento às necessidades e potencialidades dos alunos. Observaremos o papel das experiências presentes na vida cotidiana da criança como subsídios para experiências subsequentes. Também trabalharemos conceitos fundamentais, tais como: espaço, tempo, regras e rotina no arranjo curricular com campos de experiência. A terceira seção será o momento de refletirmos sobre a organização do espaço, do tempo, dos materiais e das interações de acordo com as etapas da educação infantil. Também abordaremos os diferentes estímulos de acordo com a respectiva etapa de ensino, incluindo as TDICs. Por fim, verificaremos a relevância da utilização do corpo, da arte e das múltiplas linguagens nos processos de educação e socialização dos bebês e crianças. Ficamos até empolgados com tantos assuntos interessantes, não é mesmo? Vamos iniciar? PRATICAR PARA APRENDER Olá, aluno. Nessa seção trabalharemos aspectos muitos importantes para sua futura atuação na educação infantil. Como você já sabe, a BNCC é o documento central para a construção dos currículos escolares e influenciará diretamente seu planejamento pedagógico enquanto docente. Por essa razão, iniciaremos nossa discussão analisando os dois eixos estruturantes que são a base para a construção das práticas na educação infantil: as interações e as brincadeiras. Verificamos que as interações devem ser propiciadas em toda a trajetória das crianças nessa primeira etapa de ensino, considerando que as relações sociais e as trocas de saberes e experiências são fundamentais para a aquisição de conhecimentos. Também notaremos que as brincadeiras são ações que geram aquisição de saberes culturais e produção de conceitos. Nessa seção, também conheceremos os seis direitos de aprendizagem que devem ser garantidos na educação infantil, os quais são: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Todos devem ser propiciados a partir de práticas que articulem o cuidar e o educar, considerando a criança como protagonista do processo de ensino e aprendizagem. Por essas questões, o professor precisa entender as singularidades das diferentes fases do desenvolvimento e adequar a socialização de saberes às necessidades de seus alunos. Por fim, vamos estudar como devem ser considerados os saberes das crianças e como as experiências podem favorecera valorização do patrimônio cultural, artístico, científico e tecnológico. Nesse momento verificaremos a importância de os conhecimentos serem mobilizados a partir das competências gerais e observaremos como o trabalho do professor deve estar alinhado às demandas apresentadas na BNCC, sempre visando a ampliação do repertório de seus alunos. No Centro de Educação Infantil “Monteiro Lobato”, os professores foram convocados para uma reunião sobre a implementação da Base Nacional Comum Curricular na escola. A diretora Cátia relata que pensar e construir ações e práticas será um desafio para todos, pois a BNCC é um novo documento que apresenta as aprendizagens essenciais sobre as quais todos os alunos devem se apropriar. A diretora também ressalta que será um momento de muitas trocas e conhecimentos para todos, pois os planejamentos e as ações serão compartilhados e dialogados entre os profissionais da escola. Para finalizar a reunião, Cátia pontua que os professores deverão refletir sobre os direitos de aprendizagem, os campos de experiência e os objetivos de aprendizagem. Nossa situação será a seguinte: Flávia é docente do Centro de Educação Infantil há 20 anos e após a reunião dos professores ela procura a diretora Cátia para relatar sua insegurança sobre este novo momento no espaço pedagógico. Cátia conversa com a professora, pontuando que, apesar dos desafios, a BNCC possibilita uma nova perspectiva de aprendizagem para todos e que isso deve ser analisado como ferramenta para melhorar as práticas pedagógicas. Cátia também enaltece o trabalho que Flávia realiza há anos e diz à professora que seu planejamento pedagógico sempre foi bem estruturado. Após este momento, a diretora pede para que Flávia analise os eixos estruturantes e os direitos de aprendizagem e estabeleça relação com o planejamento escolar. Veja que o desafio foi dado para Flávia e agora você deverá ajudá-la na realização desta demanda solicitada pela diretora. Vamos iniciar? Você está animado para começar? Então, vamos lá! CONCEITO-CHAVE OS EIXOS ESTRUTURANTES E OS DIREITOS DE APRENDIZAGEM NA BNCC Sabemos a importância da BNCC para a educação básica brasileira. Esse documento de caráter normativo orienta atualmente a elaboração dos currículos das escolas, visando atender à exigência apontada na Constituição sobre a necessidade de conteúdos mínimos para todos. Ela apresenta as aprendizagens essenciais sobre as quais os indivíduos devem se apropriar e que auxiliam no desenvolvimento de competências que darão condições para que os indivíduos resolvam, à luz do saber científico, conflitos e problemas do cotidiano (BRASIL, 2018). No que se refere à educação infantil, podemos observar que a BNCC apresenta enquanto eixos estruturantes das práticas pedagógicas as interações e as brincadeiras, que se referem às vivências em que as crianças poderão internalizar os saberes a partir de suas ações e interações com seus colegas e professores, propiciando desenvolvimento, aprendizagem e socialização. A interação durante o brincar caracteriza o cotidiano da infância, trazendo consigo muitas aprendizagens e potenciais para o desenvolvimento integral das crianças. Ao observar as interações e a brincadeira entre as crianças e delas com os adultos, é possível identificar, por exemplo, a expressão dos afetos, a mediação das frustrações, a resolução de conflitos e a regulação das emoções. (BRASIL, 2018, p. 37) Vale destacar que os eixos podem ser trabalhados de forma concomitante. Por exemplo, você poderá apresentar aos alunos uma brincadeira dirigida em que eles irão realizar um “caça ao tesouro das cores”. Nessa atividade você deixará pelo parque da escola várias pistas de cartelas com enigmas que levarão o aluno à leitura, como “minha cor é radiante e eu sou a beleza do sol – cor amarela”. Essa brincadeira poderá ser realizada em grupo, propiciando, assim, a interação entre as crianças. Devemos considerar que as competências gerais também são propiciadas pelo trabalho desenvolvido na educação infantil. Elas podem auxiliar na construção de um repertório criativo e participativo, além de propiciar para a criança uma leitura da realidade por meio da relação entre o que ela enxerga ao seu reder e as atividades da escola. Essas competências possibilitam valorização da diversidade e respeito às diferenças a partir da empatia, comunicação, entre outros aspectos. Sendo assim, podemos observar que os eixos estruturantes e as competências gerais são o alicerce para os direitos de aprendizagem na educação infantil. Esses direitos têm como finalidade propiciar o suporte para que todas as ações no campo educativo favoreçam a aprendizagem das crianças de zero a cinco anos. Os alunos devem ter um papel ativo, em que as descobertas sejam os caminhos para se apropriarem dos conceitos, saberes e vivências cruciais para a realização de toda a trajetória educacional. Além disso, os direitos de aprendizagem devem suscitar desafios para as crianças e formas de resolvê-los. (BRASIL, 2018). Você já deve ter observado o quanto uma criança se desenvolve à medida que ela convive com outras crianças. Lembre-se dos momentos de interação das crianças entre elas e do modo como essa interação acontece. A BNCC apresenta seis direitos de aprendizagem e o primeiro deles é o conviver, que se refere às possibilidades de interação entre os alunos, entre alunos e adultos e entre alunos e outras crianças. Essa convivência pode acontecer em atividades em grupos grandes e pequenos, por meio do uso de diversas linguagens, expandindo o saber que o aluno tem de si e dos outros indivíduos, sempre considerando a cultura e a diversidade que fazem parte do contexto educativo e social. Esse direito traz também benefícios, uma vez que, conforme Vigotski (2007), as pessoas se constituem na relação estabelecida com as outras e no contato com a cultura. Propiciar vivências desse porte para as crianças desde os primeiros meses de vida fortalecerá as possiblidades de desenvolvimento e aprendizagem. O segundo direito de aprendizagem é brincar, o qual está relacionado aos diferentes modos, formas e parcerias de ações lúdicas. Esse direito propicia para nossas crianças a possibilidade de ampliação dos saberes e o acesso aos aspectos culturais, visto que seu conhecimento, imaginação e repertório criativo serão instigados pelas ações do brincar. Com base no planejamento bem estruturado do professor que considera esse direito, será possível oferecer aos alunos experiências que aperfeiçoem suas relações sociais, suas emoções, a expressão corporal e o aspecto cognitivo. Já vimos na disciplina os benefícios do brincar, pois essa ação traz o modo de a criança expressar a leitura de mundo e as ações incorporadas do contexto cultural. Quanto mais organizado o trabalho na educação infantil, visando ao atendimento desse direito, maiores são as condições de crescimento dos alunos. É importante lembrar que uma brincadeira em que a criança imita algum papel social fará com que ela compreenda e explicite o modo como está entendendo a realidade (LEONTIEV, 2014; BRASIL, 2018). O direito de participar também foi instituído na BNCC. Algo bem interessante nesse direito é que a criança pode ser compreendida como protagonista dos processos escolares, pois além de participar das atividades que desenvolve como aluna, ela também poderá estar incluída nos processos de gestão da escola. Ela também poderá ter voz ativa nas tomadas de decisões sobre práticas, brincadeiras, escolha dos materiais e ambientes, sempre sendo incentivada a se posicionar em todo o processo educativo. Esse direito nos faz lembrar das contribuições de Maria Montessori quando explicita a necessidade de considerar a criança como sujeito ativo do processo, apresentando também o papel que devemos ter, enquanto educadores, no compromisso de organizar com uma práticapedagógica comprometida com uma educação sólida que favoreça o desenvolvimento do aluno em sua totalidade (LANCELOTTI, 2010). O quarto direito de aprendizagem é o de explorar. De acordo com a BNCC, as escolas de educação infantil devem possibilitar às crianças atividades que estimulem sons, gestos, movimentos, formas, texturas e emoções. Também é fundamental haver espaços que permitam a exploração que impulsiona as formas de a criança se relacionar e se compreender no ambiente escolar e social, além de instigar o interesse sobre os saberes culturais nas inúmeras modalidades de escrita, artes, ciência e tecnologia. Sabemos que um direito como esse é fruto de conquistas sobre novas concepções de infância que considerem o aluno em sua totalidade, não limitando as condições para sua aprendizagem, mas antes favorecendo espaços que estimulem seu pensamento crítico e o potencial de descobrir e criar saberes e cultura (DURÁES, 2011). Entre os direitos de aprendizagem, encontra-se o de expressar, o qual se constitui na possibilidade de a criança se formar como um indivíduo aberto ao diálogo, que seja sensível e criativo. A partir de diferentes linguagens, a criança terá a oportunidade de se colocar no mundo, apresentando seus sentimentos, emoções, opiniões, dúvidas, descobertas e questionamentos. Sabemos que o papel social da escola em uma perspectiva democrática é favorecer a constituição de sujeitos emancipados que saibam se colocar e argumentar sobre o que pensam e compreendem da realidade. Verifica-se que se iniciarmos um trabalho que dê à criança espaço para se colocar e lugar de fala para se posicionar, poderemos caminhar para a construção de uma sociedade justa, democrática que compreenda o direito das pessoas de viverem na diversidade (COSTA, 2006). O último direito de aprendizagem abordado na BNCC é o de conhecer-se. Esse direito está relacionado à identidade pessoal, cultural e social, a qual deve propiciar ao aluno a construção de uma imagem positiva de si mesmo e dos outros, observando que a diversidade humana é uma riqueza que deve ser valorizada. Esse direito também favorece a compreensão de pertencimento dos indivíduos, o qual deve se dar em todos os espaços sociais em que ele está inserido (a escola, o lar e a comunidade), a partir da participação em várias atividades (BRASIL, 2018). Em nossos estudos na disciplina, verificamos o quanto foi necessária a ressignificação da concepção de infância. Por meio da nossa análise, é possível observar que a BNCC vem ao encontro de uma concepção de criança como um ser social e histórico que deve ter possibilidades de questionar, criar, levantar hipóteses, assimilar saberes e produzir conhecimento. Esses direitos devem estar articulados em todas as práticas desenvolvidas na educação infantil, de forma transversal e intencional. Também é importante refletirmos sobre nosso papel enquanto educadoras e educadores que compreendem a necessidade de um trabalho consolidado na primeira etapa de ensino, pois o direito à educação foi conquistado de forma árdua e, por isso, tem que ser garantido da melhor forma possível (BRASIL, 2018). O PLURALISMO DE EXPERIÊNCIAS COMO CAMINHO PARA CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE DAS CRIANÇAS Ao analisarmos cada direito de aprendizagem mencionado anteriormente vamos notar que eles estimulam a construção de inúmeras experiências da criança no contexto da educação infantil. Vários teóricos já evidenciaram para nós que as práticas pedagógicas não podem ser fragmentadas, que o aluno não pode ser compreendido como um sujeito passivo e que a educação infantil não é um espaço para recreação. Sendo assim, o professor precisa ter muito claro o modo como as atividades devem ser estruturadas, visando ampliar o repertório de conhecimentos e vivências dos alunos, ampliando, assim, as possibilidades de constituição de sujeitos críticos e reflexivos. Articulando essa discussão, é necessário considerarmos a relação entre aprendizagem e subjetividade. De acordo com Pedroza (2005, p. 62): O aluno é um ser ativo, capaz de assimilar a realidade externa de acordo com suas estruturas mentais. Assimilar o mundo é transformá-lo, representando-o de forma subjetiva. A aprendizagem deve despertar o interesse, estimulando a curiosidade e a criatividade. Logo, o interesse relacionado à atividade lúdica na escola tem se mostrado cada vez maior por parte de pesquisadores e, principalmente, de professores que buscam alternativas para o processo ensino-aprendizagem. Partindo do exposto, podemos observar como a BNCC direciona a construção das propostas curriculares nas escolas de educação infantil, o que estimula a construção da subjetividade. De acordo com o documento, as crianças devem ter acesso a várias vivências, as quais ampliam seu repertório linguístico, cultural, social, criativo, cognitivo e emocional. Sendo assim, as práticas educativas devem ser estruturadas de forma intencional, analisando e avaliando as possibilidades de as crianças terem contato com várias experiências de diversas maneiras, tanto na creche quanto na pré-escola (BRASIL, 2018). Uma das vias para que isso se concretize na realidade educativa é a experiência do brincar. Como já analisamos anteriormente, o brincar é uma atividade humana que propicia para o sujeito a apropriação e expressão dos saberes culturais. Sendo assim, os professores no momento de organizar as práticas pedagógicas devem levar em consideração o contexto dos alunos para que eles possam atribuir sentido à realidade a partir das experiências lúdicas e transformar seu contexto por meio de sua leitura do mundo (LEONTIEV, 2014). Vamos refletira agora como é possível articularmos a BNCC e o brincar como caminhos para a construção da subjetividade. Se analisarmos as competências gerais da Base, vamos observar que uma delas traz a necessidade de conhecer as diversas formas artísticas e culturais locais e mundiais, além da participação em práticas diversificadas que envolvam a cultura. A partir dessa competência, o professor poderá refletir sobre a proposta de uma brincadeira de “baú do Brasil”, por exemplo, em que cada criança pegará um brinquedo que representa brincadeiras das diferentes regiões. A brincadeira começará da seguinte forma: você irá inserir objetos, fantasias e brinquedos que caracterizam várias regiões do país (chapéu gaúcho, mini guarda-chuva de frevo, um boneco do boi-bumbá, pandeiro etc.). Em seguida, você perguntará para elas se conhecem os objetos e as regiões. Se não conhecerem, você poderá apresentar para elas cada um dos objetos e as práticas a eles associadas com vídeos e músicas. Nessa atividade, as crianças poderão conhecer a cultura, as diferenças, valorizar sua região e as demais. Deste modo, essas experiências serão internalizadas por ela e auxiliará na constituição de sua própria singularidade. Sendo assim, podemos constatar que: A brincadeira assume um papel essencial porque se constitui como produto e produtora de sentidos e significados na formação da subjetividade da criança. Essa atividade proporciona um momento de descontração e de informalidade que a escola pode utilizar mesmo que isso possa parecer um paradoxo já que o seu papel, por excelência, é o de oferecer o ensino formal, mas tendo também de exercer um papel fundamental na formação do sujeito e da sua personalidade. Portanto, passa a ser sua função inclusive a de oferecer atividades como a brincadeira. (PEDROZA, 2005, p. 62) Quando analisamos o papel da educação, fica evidente que a preparação para o exercício da cidadania é um dos aspectos mais relevantes para a constituição de um sujeito crítico e refletivo que compreende a importância de seu papel social para a construção de uma sociedade justa e igualitária. Por esses aspectos, nós, enquanto docentes, temos uma função importante para que nossos alunos se desenvolvam de formaintegral: nossas práticas devem ser alicerçadas nos princípios que potencializam a constituição de um indivíduo capaz de resolver conflitos do cotidiano com ética, compromisso e responsabilidade. E esse trabalho começa desde a educação infantil, a partir da ampliação de experiências que favoreçam a aquisição das competências e habilidades, tendo enquanto alicerce os eixos de interações e brincadeiras. ARTICULAÇÃO ENTRE AS PRÁTICAS E OS SABERES DAS CRIANÇAS As práticas pedagógicas devem articular as experiências que as crianças adquirem com os seus saberes. Para que possamos compreender com clareza essa informação é fundamental entender que nossos alunos são sujeitos ativos que têm conhecimentos que devem ser valorizados. Nesta lógica, a aprendizagem deve ser significativa, para que as crianças possam atribuir sentido à realidade mediante os conhecimentos científicos que socializamos enquanto professores. Mas o que seriam as aprendizagens significativas? A aprendizagem significativa é um dos conceitos mais relevantes da teoria da aprendizagem de David Ausubel. Para esse teórico, os alunos têm saberes prévios, tanto adquiridos das diversas experiências sociais quanto das vivências escolares. Os professores precisam compreender quais são esses saberes para organizar a prática pedagógica partindo deles. Podemos entender então que: A aprendizagem significativa é aquela que o significado do novo conhecimento é adquirido, atribuído, construído, por meio da interação do conhecimento prévio. Para que essa aprendizagem seja realmente significativa, o professor tem que ter plena consciência do seu papel na formação do seu aluno, a partir daí, procurar desenvolver atividades que valorizem os conhecimentos que as crianças possuem, apanhados das mais variadas experiências sociais, afetivas, físicas, cognitivas a que estão expostas. (SANTOS; JÚNIOR, 2016, p. 3) É importante que você, enquanto futuro professor, compreenda que o momento de aprender tem que ser prazeroso e repleto de sentido, fazendo com que a criança incorpore os conhecimentos e os utilize em suas diversas práticas sociais. Por conta dessa discussão, devemos analisar os aspectos apresentados na BNCC no que diz respeito à apropriação pelas crianças dos saberes que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, científico e tecnológico. Vamos trabalhar com esses patrimônios a partir das competências gerais apresentadas na BNCC. Quando nos referimos aos saberes advindos dos patrimônios culturais e artísticos, podemos observar as contribuições da competência três que relata que se deve “valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural” (BRASIL, 201, p. 9). De acordo Osinski e Oliveira (2019), as manifestações artísticas e culturais devem ser trabalhadas na escola, pois são a expressão dos saberes, perspectivas e análises da realidade, ou seja, são legado humano. A arte e a cultura levam a criança ao desenvolvimento da sensibilidade e mostram a ela as possibilidades desse mundo para que elas possam também compreender-se como produtoras de saberes. Nesse sentido, o professor deve ter um papel crucial para que os alunos tenham experiências e contato com esses conhecimentos em suas rotinas. Pensando em práticas, é importante que o professor conheça a cultura da localidade dos alunos, considerando os aspectos regionais, culturais e históricos. Práticas extraescolares, como visitas a museus, bibliotecas municipais, teatros etc. também podem ser considerados no planejamento do professor, a partir da mediação da gestão escolar. Caso essas experiências não sejam possíveis na realidade dos alunos e professores, os docentes poderão pensar em levar toda essa riqueza para a escola, a partir de oficinas de arte e peças teatrais que abordem a riqueza cultural da realidade das crianças. Vinculando com a discussão que fizemos anteriormente, é importante considerar os saberes prévios das crianças, sendo assim o professor poderá fazer um levantamento das informações sobre o que as crianças já sabem em relação a esse repertório cultural e artístico para que as práticas partam desses conhecimentos. No que se refere ao patrimônio científico, podemos elencar a competência dois que apresenta a necessidade de: exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. (BRASIL, 2018, p. 9) Quando nos referimos à curiosidade intelectual estamos apresentando a necessidade de fazer com que as crianças tenham interesse em buscar explicações para suas perguntas. Elas gostam de questionar e saber o porquê das coisas e, nós, enquanto professores, temos que utilizar esse processo de descoberta como caminho para a construção dos conhecimentos. Por isso, é fundamental que o currículo da escola e planejamento do professor considerarem os objetivos de aprendizagem vinculados aos campos de experiência e os grupos etários, visto que se tornam norteadores sobre o modo como poderemos estruturar a prática visando as possiblidades de análise, reflexão e uso da imaginação pelas nossas crianças. Devemos sempre considerar que o conhecimento científico amplia a visão de mundo, humaniza e se torna um forte alinhado para a construção de uma sociedade justa, igualitária e sem preconceitos. Desta forma, oferecer aos nossos alunos essas experiências desde cedo é contribuir para a construção dessa sociedade (GALVÃO; BRASIL, 2009). Também podemos observar a riqueza do patrimônio tecnológico para os processos de ensino e aprendizagem na educação infantil. De acordo com a competência geral cinco da BNCC, os alunos precisam estar aptos para: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. (BRASIL, 2018, p. 9) A partir da competência é possível observar que o trabalho desenvolvido não é apenas propiciar acesso à tecnologia, mas ensinar a criança a utilizar como ferramenta para atuar nas práticas sociais de forma reflexiva. Laranjeiro, Antunes e Santos (2017) apontam que o professor deve ter clareza da relevância do uso das tecnologias, domínio desses recursos e incorporá-los às práticas pedagógicas, articulando com os saberes que as crianças precisam se apropriar em seu grupo etário e, também, dando oportunidades para que ela possa construir saberes a partir desse recurso. Atualmente, as crianças são compreendidas como nativos digitais, sendo assim a tecnologia faz parte do contexto da realidade de inúmeras delas. Por isso, a diversidade de experiências a partir de jogos interativos e atividades de pesquisas em grupo com orientação do professor são práticas interessantes. Vale salientar que a construção da autonomia frente ao uso das tecnologias também deve ser trabalhada em sala. Observe que a educação infantil é um campo repleto de possibilidades de práticas, trocas, vivências e crescimento. Se comprometer com a educação das crianças é se comprometer com a construção de uma sociedade melhor e mais justa. ASSIMILE Verificamos que o professor ao tomar a BNCC como documento norteador do trabalho pedagógico deve ter a compreensão sobre a necessidade de socializar o saber considerando os conhecimentos prévios dos alunos. Sendo assim, para que o ensino seja significativo é preciso estabelecer algumas estratégias que auxiliemesse processo. Elas se referem aos organizadores prévios que se configuram como recursos instrucionais que facilitam a aprendizagem, sendo a ponte entre os novos conhecimentos e os saberes sobre os quais os alunos precisam se apropriar. Na educação infantil, por exemplo, o professor pode iniciar uma atividade com uma roda de conversa, levantando informações das crianças sobre a temática trabalhada. Essa troca é muito interessante, pois os alunos poderão relatar o que sabem sobre o tema e, depois, poderão estabelecer relações sobre o que foi ampliado a partir das atividades pedagógicas. REFLITA A educação infantil é compreendida como a base para a construção de uma sólida trajetória escolar. Desse modo, os aspectos de educar e cuidar estão presentes nos principais documentos que orientam o currículo da escola. Considerando a BNCC, como você acha que os direitos de aprendizagem podem ser assegurados a partir do educar e do cuidar? EXEMPLIFICANDO Notamos que um dos eixos estruturantes da BNCC são as interações. Como já estudamos na disciplina, as relações sociais são cruciais para o desenvolvimento e a aprendizagem dos indivíduos, pois nessas trocas as pessoas internalizam os saberes e práticas culturais. Pensando sobre as possibilidades de interação na educação infantil, nós, enquanto professores, podemos estabelecer atividades pedagógicas em que as crianças possam trabalhar em grupo. Um exemplo é investigar na escola como as formas geométricas se apresentam nos seguintes espaços: biblioteca, parque, sala de informática, sala de aula, entre outros. As crianças podem ser divididas em grupos e, juntas, desbravar os ambientes da escola. Essa atividade é muito interessante, pois além da troca estabelecida entre elas também poderá ser articulado o conceito das formas geométricas com a realidade em que estão inseridas. FOCO NA BNCC Podemos observar que a sétima competência geral se refere à possiblidade de argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. (BRASIL, 2018, p. 9) Considerando as possibilidades de mobilizar tais conhecimentos na educação infantil é fundamental verificarmos a contribuição do eixo estruturante das brincadeiras para que esse processo se efetive. Por meio do brincar a criança poderá se posicionar, apresentando seu ponto de vista e o modo como entende as informações que internalizou. Ela também poderá tomar decisões nas escolhas das brincadeiras e negociar o uso de brinquedos com os colegas. No que se refere ao brincar dirigido, o professor também poderá elencar, enquanto temática, a necessidade de cuidado socioambiental, propiciando aos alunos possibilidades de pensar sobre seu papel social frente à relação com o meio social onde vivem. Quando assuntos legais, mas calma, ainda teremos outros momentos de aprendizagem. Até lá! FAÇA A VALER A PENA Questão 1 A BNCC apresenta seis direitos de aprendizagem que devem ser garantidos às crianças a partir do trabalho desenvolvido na educação infantil. Dentre esses direitos, está o direito de brincar, o qual deve ser propiciado: “cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais” (BRASIL, 2018, p. 38). Considerando esse direito de aprendizagem para as práticas pedagógicas, avalie as afirmativas a seguir e marque V para verdadeiro e F para falso: ( ) O direito de brincar possibilita a expansão dos saberes das crianças e favorece a construção de conhecimento. ( ) O direito de brincar permite a reprodução de práticas sociais que auxiliam na modulagem do sujeito de forma acrítica. ( ) O direito de brincar potencializa o repertório cultural e amplia as habilidades criativas dos alunos. Agora, assinale a alternativa correta: a. V – V – V. b. F – F – F. c. V – F – V. d. F – V – V. e. V – F – F Questão 2 A apropriação do saber científico é um direito de todos os indivíduos garantido por lei. Sendo assim, nossas crianças devem encontrar um espaço propício que possibilite vivências que auxiliam na aquisição do conhecimento. Por isso, fica evidente o papel da educação infantil para a aquisição do saber. Destaca-se que esse processo deve acontecer a partir de uma aprendizagem significativa. Considerando esse aspecto, avalie as afirmativas a seguir: I. A aprendizagem significativa ocorre quando o sujeito atribui sentido à realidade a partir do saber. II. A aprendizagem significativa favorece o desenvolvimento das crianças, pois a estruturação da aprendizagem será realizada a partir dos interesses e da realidade dos sujeitos. III. Na aprendizagem significativa, os conhecimentos prévios dos alunos serão considerados como ponto de partida das ações pedagógicas. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. c. III, apenas. d. I, II e III. e. I e II, apenas. Questão 3 A educação infantil é um momento importante na formação dos indivíduos. Nessa etapa, os sujeitos se apropriarão de saberes básicos para sua trajetória escolar. Por isso, o docente precisa organizar o trabalho pedagógico de um modo que favoreça várias experiências que considerem os saberes dos alunos e que ampliem esse repertório. Sobre as possibilidades de acesso ao patrimônio científico, analise as afirmativas e marque V para verdadeiro e F para falso: ( ) Deve ser exercitada a curiosidade intelectual dos alunos, partindo da abordagem científica. ( ) As atividades devem favorecer a investigação, reflexão e a criticidade das crianças. ( ) As crianças precisam compreender os modos de formular e resolver problemas, criando soluções. Agora, assinale a alternativa correta: a. F – F – F. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-1%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-1%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-1%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-1%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-1%20.item-5 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-2%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-2%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-2%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-2%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-2%20.item-5 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-1b. V – V – V. c. V – F – V. d. F – V – F. e. V – F – F. REFERÊNCIAS BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. Versão entregue ao CNE em 3 de abril de 2018. Disponível em: https://bit.ly/3rcBFru. Acesso em: 22 set. 2020. COSTA, M. C. C. A pedagogia de Célestin Freinet e a vida cotidiana como central na prática pedagógica. Revista HISTEDBR. Campinas, n. 23, p. 26-31, 2006. DURÃES, S. J. A. Aprendendo a ser professor(a) no século XIX: algumas influências de Pestalozzi, Froebel e Hebert. Educação e Pesquisa. São Paulo, v. 37, n. 3, p. 465- 480, 2011. LANCELLOTTI, S. S. P. Pedagogia montessoriana: ensaio de individualização do ensino. Revista HISTEDBR. Campinas, n. 226, p. 164-173, 2010. GALVÃO, A. C. T.; BRASIL, I. Desafios do ensino na educação infantil: perspectiva de professores. Arquivos Brasileiros de Psicologia, v. 61, n. 1, 2009. LARANJEIRO, D.; ANTUNES, M. J.; SANTOS, P. 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Deseja ouvir este material? SEM MEDO DE ERRAR A diretora Cátia propôs um desafio interessante para Flávia, o qual nos auxiliará na implementação de vários aspectos da BNCC nas nossas práticas pedagógicas. Neste contexto, o primeiro passo para a resolução dessa situação-problema é a professora relembrar os itens que compõem seu planejamento pedagógico. Apesar das especificidades e dosestilos de cada docente, todos os planejamentos possuem itens básicos em comum, tais como: tema, objetivo, conteúdo, procedimentos metodológicos e avaliação. Então, a primeira relação que Flávia poderá estabelecer é a articulação entre os direitos de aprendizagem com os objetivos de seu planejamento. De acordo com a BNCC, as práticas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula devem garantir seis direitos de aprendizagem, a saber: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Um dos itens do planejamento que pode assegurar esses direitos são os objetivos. Eles se referem às metas traçadas para serem atingidas mediante as atividades pedagógicas. Um exemplo que Flávia poderá elencar dessa relação é pensar a necessidade de garantir o direito de expressar. Ela poderá refletir sobre uma atividade em que os alunos irão construir uma história e encená-la a partir de fantasias. Deste modo, no planejamento, Flávia poderá elencar os seguintes objetivos para atendimento desse direito: Objetivo geral: Desenvolver a criatividade, imaginação e a comunicação a partir da construção e encenação de uma peça teatral sobre o folclore brasileiro. Objetivos específicos: • Ampliar o repertório comunicativo e criativo, a partir da troca de ideias com os colegas. • Produzir conhecimentos a partir de seus saberes culturais. • Expressar a apropriação do saber cultural. Veja que essa atividade assegura a possibilidade de as crianças externalizarem o modo como estão compreendendo o conhecimento e sua relação com o contexto cultural e social. Partindo dessa mesma atividade apresentada no planejamento, Flávia poderá articular o eixo estruturante interações como base de seus procedimentos metodológicos. Neste contexto, o caminho escolhido para a elaboração da história e da peça será a realização em grupo, em que as crianças terão vários momentos de diálogo, aprendendo e trocando experiências com seus colegas e com a professora. Após esse exercício de Flávia é possível observar quantas possibilidades temos de concretizar as diretrizes da BNCC nas práticas escolares. AVANÇANDO NA PRÁTICA EXPLORANDO AS EMOÇÕES Renata é professora em uma turma de educação infantil e desenvolve o trabalho pedagógico com crianças de quatro anos de idade. No início do ano letivo, um novo aluno foi matriculado na escola e integrou a sala de Renata. O nome do aluno é Felipe e todos os dias ele chora ao se despedir dos pais, pois essa é a primeira experiência que ele tem longe de sua família. Renata observa que a tristeza de Felipe permanece a manhã toda e os colegas também ficam apreensivos em ver o aluno tão triste e cabisbaixo. Por conta dessa situação, Renata se lembra que um dos direitos de aprendizagem apresentados na BNCC é o de explorar transformações, relacionamentos, histórias e emoções. A partir do exposto, como poderemos auxiliar Renata na organização de uma atividade que considere esse direito de aprendizagem e auxilie no processo de acolhida de Felipe na sala de aula? RESOLUÇÃO https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/fmt_u3s1.html#resolucao%20.item-1 NÃO PODE FALTAR ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL DE ACORDO COM OS CAMPOS DE EXPERIÊNCIA Natália Gomes dos Santos Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? PRATICAR PARA APRENDER Prezado estudante, daremos início a um novo momento de estudos e descobertas sobre as possibilidades de organizar o trabalho pedagógico a partir da BNCC. Nesse instante, nosso foco será sobre os campos de experiências, os quais estão alicerçados nos direitos de aprendizagem, e os eixos estruturantes. Os cinco campos de experiências são: “O eu, o outro e o nós”, “Corpo, gestos e movimento”, “Traços, sons, cores e formas”, “Fala, pensamento e imaginação” e “Quantidade, relações e transformações”. Verificaremos quais são as finalidades de cada um e o modo como a escola e o professor precisam adequá-los ao contexto dos alunos, a partir da inserção no currículo e no planejamento pedagógico. Mas você sabe que o importante é compreender a articulação entre teoria e prática, não é mesmo? Por isso, essa seção traz sugestões e caminhos de práticas que o professor poderá utilizar para adequar suas finalidades pedagógicas aos objetivos de aprendizagem descritos na BNCC. Para que isso fique ainda mais claro para você, esse material apresenta uma discussão sobre a perspectiva interdisciplinar, a qual compreende os estudos sobre temas da realidade por meio da articulaçãodos conhecimentos científicos. Um dos métodos mais eficazes de praticar essa ação é dando aos alunos possibilidades de indagar, questionar, analisar, observar e explorar, sendo assim a utilização da comunidade investigativa é um caminho muito interessante. O intuito dessa seção é apresentar subsídios para a construção de um trabalho eficiente e consolidado e te deixar, aluno, a cada leitura, mais animado para estar na sala de aula, contribuindo para a construção de uma prática humana, compromissada e sólida. No Centro de Educação Infantil “Monteiro Lobato” os professores foram convocados para uma reunião sobre a implementação da Base Nacional Comum Curricular na escola. A diretora Cátia relata que pensar e construir ações e práticas será um desafio para todos, pois a BNCC é um novo documento que apresenta as aprendizagens essenciais sobre as quais todos os alunos devem se apropriar. A diretora também ressalta que será um momento de muitas trocas e conhecimentos para todos, pois os planejamentos e as ações serão compartilhados e dialogados entre os profissionais da escola. Para finalizar a reunião, Cátia pontua que os professores deverão refletir sobre os direitos de aprendizagem, os campos de experiência e os objetivos de aprendizagem. Nossa situação será a seguinte: Lídia atua com alunos da pré-escola. Após a solicitação de Cátia sobre a organização das práticas com base na BNCC, a docente procura o professor Paulo, que atua com sua turma nas atividades de Educação Física, e propõe ao colega a construção, em conjunto, de um projeto interdisciplinar que possibilite o trabalho a partir dos campos de experiência. Paulo achou a ideia excelente e ambos começam a planejar as atividades. Com base nesta realidade, você deverá se colocar no lugar de Lídia e pensar sobre uma temática que pode ser abordada no projeto interdisciplinar que envolva os campos de experiência. Vamos lá? CONCEITO-CHAVE A IMPORTÂNCIA DOS CAMPOS DE EXPERIÊNCIA PARA O TRABALHO DESENVOLVIDO NA EDUCAÇÃO INFANTIL A BNCC vem sendo pauta de discussão na nossa disciplina desde o início. Ela se configura como a principal normativa para construção dos currículos nas escolas brasileiras e por isso é necessário o futuro professor a conheça para que possa construir planejamentos sólidos que propiciem desenvolvimento e aprendizagem para nossas crianças. Um dos pontos centrais para a organização do trabalho na primeira etapa de ensino são os campos de experiência. Alicerçados nos direitos de aprendizagem e nos eixos estruturantes, os campos de experiência se configuram como arranjos que abrangem situações e vivências sobre as quais todas as crianças devem se apropriar na educação infantil. Eles se configuram em cinco campos que perpassam todos os grupos etários e, por meio deles, são definidos os objetivos de aprendizagem para esse momento de escolarização. Algo muito interessante é que esses conhecimentos adquiridos pelas crianças são construídos a partir de uma prática pedagógica consistente que tenha enquanto ponto de partida a realidade social do indivíduo. Uma informação relevante é que denominação dos campos de experiência foi algo refletido e subsidiado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, as quais apresentam os saberes e conhecimentos primordiais ao aprendizado das crianças. O primeiro campo de experiência é intitulado “O eu, o outro e o nós” e se refere às possibilidades de interação entre as crianças e os colegas, além do contato com o professor e com outros adultos. Esse campo é muito importante, pois dá a oportunidade de a criança construir sua subjetividade, tendo um jeito próprio de agir, pensar e sentir, além de conhecer um mundo para além do seu, com pessoas diferentes, que pensam diferentes e vivem de formas distintas. Esse movimento é interessante, pois a escola é uma ampliação de contextos sociais das crianças e conhecer e vivenciar a diversidade torna-se algo positivo para sua constituição enquanto cidadão. Nesse campo também é necessário a criança se conhecer, entender seu corpo e os cuidados que deve ter com ele. Também deve ser destacada a responsabilidade que a escola tem para com as crianças, dando a elas possibilidades de conviver com diferentes grupos, o que amplia as condições das nossas crianças de se conscientizarem sobre a importância de respeitar a si e ao outro em sua singularidade (BRASIL, 2018). Uma possibilidade de trabalho com base nesse campo é a construção de um mapa no qual as crianças situem a origem de suas famílias. O segundo campo de experiência é denominado “Corpo, gestos e movimentos”, que compreende o corpo como uma forma de a criança ampliar suas potencialidades e seus sentidos, a partir da percepção do que são movimentos intencionais ou impulsivos, espontâneos e coordenados. O foco desse campo é propiciar à criança a condição de explorar o espaço, os objetos a sua volta com base nas relações estabelecidas consigo mesmo e com os outros, por meio de atividades e brincadeiras. É nesse contexto que ela também produz saberes sobre si e o outro, reconhecendo os diversos corpos e modos de existir e se movimentar. Também é importante sabermos enquanto professores que existem inúmeras maneiras de propiciar às crianças essas vivência de autoconhecimento, como o uso de linguagens como a música, a dança, o teatro e o faz de conta, de modo que elas poderão se expressar a partir de suas emoções, seus movimentos e, claro, seus corpos (BRASIL, 2018). Outro ponto crucial que esse campo aborda é a possibilidade de a criança compreender o modo de estar e se movimentar no contexto. A partir das práticas ela poderá observar tudo o que seu corpo poderá proporcionar e, também, os limites que ele possui, visando elaborar uma consciência sobre a integridade física de seu corpo. É por esse fator que na educação infantil o corpo da criança tem papel central para as possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento, e o professor deverá ponderar a necessidade de elaborar práticas que de fato mostrem para as crianças toda a potencialidade de seu corpo, além das condições de cuidado e autonomia que ela deverá construir. Uma possiblidade de prática é o professor trabalhar o conhecimento das crianças sobre seu corpo, o cuidado com a higiene na alimentação, no momento da escovação dos dentes e do banho (BRASIL, 2018). O terceiro campo de experiência é chamado de “Traços, sons, cores e formas”, o qual afirma a necessidade de organizar vivências em que as crianças tenham acesso a diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas. É importante a escola se organizar para que os alunos tenham contato com diversos modos de expressão a partir da pintura, modelagem, colagem e fotografia. O profesor deverá pensar sobre como essas práticas irão ocorrer, seja de forma coletiva como individual. Sendo assim, a criança deverá ter acesso a diversos materiais e recursos tecnológicos, visando prepará- la para a vida. As escolas precisam ter consciência da relevância desse campo e por isso é fundamental dar às crianças condições de se desenvolverem como sujeitos críticos que considerem o papel da cultura e da arte em suas realidades. É a partir do trabalho que os alunos se tornarão sujeitos sensíveis e criativos, que se apropriam e constroem cultura por meio da expansão de seus conhecimentos. As possibilidades de prática para esse campo perpassam a exploração de objetivos e reconhecimento de formas, cores e tamanhos nos próprios brinquedos utilizados diariamente (BRASIL, 2018). O quarto campo de experiência é intitulado “Escuta, fala, pensamento e imaginação”. Ele trata da necessidade de considerar as experiências que a criança constrói desde o nascimento, a partir da comunicação que é estabelecida, a priori, por seus cuidadores e que depois vai se ampliando com o contato com outras pessoas em diversos ambientessociais. Nesse aspecto está a riqueza do trabalho desenvolvido pela escola a partir desse campo, pois essas vivências fazem com que a criança amplie seu vocabulário e atribuía sentido à realidade. Na educação infantil é de extrema importância possibilitar às crianças experiências em que possam falar e ser ouvidas. Também temos que relembrar que todas as crianças podem ter seu repertório comunicativo potencializado, seja pela fala ou pela Libras, no caso das crianças surdas (BRASIL, 2018). Essas experiências podem acontecer de diversas formas. Por exemplo: em um momento de contação de histórias, as crianças estão escutando sua leitura, pensando sobre o que está sendo dito e buscando estabelecer relações com os conhecimentos que já possuem. Uma vivência como essa pode estimular as habilidades comunicativas dos alunos, visto que cultura e linguagem caminham juntas. Vale destacar que é necessário ao professor incentivar a fala das crianças, pedindo para que elas digam o que entenderam, o que acharam, instigando sua comunicação e expressão de ideias. É por meio da expressão de inúmeras linguagens, a partir da fala e escuta, tanto individual quanto coletiva, que a criança se constitui como indivíduo singular e coletivo. A questão da escrita deve começar a ser trabalhada na educação infantil, pois: Desde cedo, a criança manifesta curiosidade com relação à cultura escrita: ao ouvir e acompanhar a leitura de textos, ao observar os muitos textos que circulam no contexto familiar, comunitário e escolar, ela vai construindo sua concepção de língua escrita, reconhecendo diferentes usos sociais da escrita, dos gêneros, suportes e portadores. Na Educação Infantil, a imersão na cultura escrita deve partir do que as crianças conhecem e das curiosidades que deixam transparecer. As experiências com a literatura infantil, propostas pelo educador, mediador entre os textos e as crianças, contribuem para o desenvolvimento do gosto pela leitura, do estímulo à imaginação e da ampliação do conhecimento de mundo. (BRASIL, 2018, p. 42) Nesse sentido, o professor deve ter um repertório rico, propiciando às crianças contato com histórias, fábulas, poemas e cordéis. O contato com obras literárias de diversos gêneros, ilustrações e escritas também é importante, pois, as crianças poderão conhecer e manusear o material. Lembre-se que o hábito de ler, como qualquer outro hábito, é algo construído e cabe a nós, professores, propiciar esse espaço na escola, por isso, uma sugestão é construir cantos de leitura dentro da sala, com materiais que você poderá produzir com as crianças. As possibilidades de práticas para esse campo devem considerar o incentivo à criatividade, dando aos alunos momentos para construir histórias. O último campo de experiência é denominado “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações”. Esse campo nos demostra a importância de compreender que todo o dinamismo social interfere nos modos da criança agir, pois desde pequena ela procura se reconhecer nos diferentes espaços sociais (cidade, rua, bairro, entre outros) e tempo (dia e noite; ontem, hoje e amanhã). Esse campo é permeado de possibilidades e práticas, pois ele apresenta a relevância de considerarmos a curiosidade das crianças por desbravar e compreender o mundo físico (seu corpo, os objetos, os animais, as transformações da natureza). Mas a curiosidade não para por aí, pois a criança também quer compreender como se dão as relações de parentesco, quer saber a origem dos costumes e tradições e as diversidades que lhe cercam. Sendo assim, o professor poderá organizar momentos de interações e brincadeiras que atinjam justamente esses aspectos dando para a criança a oportunidade de conhecer e descobrir o mundo (BRASIL, 2018). Outro ponto que devemos destacar nesse campo é a necessidade de trabalhar conceitos matemáticos, tais como: contagem, ordenação, relações entre quantidades, dimensões, medidas, comparação de pesos e comprimentos, formas geométricas, conhecimento e reconhecimento de números. Para isso, o planejamento deve considerar momentos em que os alunos poderão observar, manipular, investigar e explorar, visto que o foco é dar todas as condições para que eles se desenvolvam da melhor forma possível. Uma possibilidade de prática é trabalhar com objetos concretos (material doutorado, blocos de madeira etc.) para que as crianças compreendam as quantidades (BRASIL, 2018). AS CONTRIBUIÇÕES DO TRABALHO INTERDISCIPLINAR PARA A CONCRETIZAÇÃO DOS CAMPOS DE EXPERIÊNCIA Como já mencionado anteriormente, os campos de experiências sustentam as formas de se pensar e construir práticas na educação infantil atualmente. Mas não basta o professor apenas conhecê-los, ele também precisa refletir sobre a maneira como essas vivências serão propiciadas aos alunos. Partindo desse pressuposto e da necessidade de um ensino bem estruturado que considere o contexto do aluno, verifica-se a relevância das práticas acontecerem de forma interdisciplinar. A interdisciplinaridade se configura como uma perspectiva que visa descontruir com a fragmentação dos conhecimentos científicos. Desta forma, o sujeito será instigado a estudar um determinado tema proveniente da realidade social e, para compreendê-lo, ele irá se apropriar de diversas áreas do saber científico. O enfoque é propiciar a dialogicidade entre os saberes de forma integrada, o que facilita o que tanto almejamos: a apropriação efetiva do conhecimento pelo indivíduo. Nesse sentido, a interdisciplinaridade será articuladora do processo de ensino e de aprendizagem na medida em que se produzir como atitude [...] como modo de pensar [...] como pressuposto na organização curricular [...], como fundamento para as opções metodológicas do ensinar [...] ou ainda como elemento orientador na formação dos profissionais da educação. (THIESEN, 2008, p. 546) É importante entendermos qual é o real sentido da perspectiva interdisciplinar para que possamos pensá-la na educação infantil. De acordo com Japiasu (1976), ela pretende fazer com que o indivíduo se reconecte com o conhecimento, de forma que ele possa analisá-lo vinculado à realidade, a um ponto que esse saber possa ser incorporado por ele, tornando-se parte integrante de sua subjetividade. Cabe a nossa reflexão sobre o papel da escola e da docência nesse processo, pois sabemos das inúmeras dificuldades que perpassam a realidade, mas temos a confiança e o compromisso de contribuir com a constituição de sujeitos críticos e emancipados. Apesar de todo esse contexto, você deve estar se questionando como trabalhar essa perspectiva na educação infantil. Como aliar aos campos de experiência? Na etapa de ensino que estamos estudando temos várias possibilidades de trabalhar de forma interdisciplinar e isso poderá ser desenvolvido a partir dos direitos de aprendizagem. Vamos trabalhar essas possibilidades por meio de duas frentes: a comunidade investigativa e a articulação entre os campos de experiência. A comunidade investigativa se refere ao processo metodológico abordado por Lipman (1995) para um trabalho que propicie a construção de um pensamento que consiga, desde a infância, fazer com que o indivíduo reflita, argumente, observe, dialogue e crie. Nessa perspectiva todo o grupo de alunos irá discutir e pesquisar um determinado tema que faça parte do contexto dos indivíduos. Sendo assim, a comunidade investigativa parte de um processo: rigoroso e organi¬zado o suficiente para permitir a intervenção de quem queira contribuir, de maneira que todos se sintam parte desta comuni¬dade e responsáveis pelas ideias que constroem e pelo conhe¬cimento que constituem e pelas problematizações criadas. Este ambiente em que a participação do professor é fundamental é o berço do desenvolvimento e do amadurecimento das habili¬dades cognitivas. (SANTOS, 2000, p. 30) Nesse sentido, as criançaspoderão ser inseridas no universo da investigação e pesquisa desde muito pequenas, e justamente por esse fator que o trabalho com os campos de experiência de forma interdisciplinar faz todo o sentido. Vamos pensar juntos em exemplos de práticas que ilustram esse processo. PRÁTICAS INTERDISCIPLINARES, CAMPOS DE EXPERIÊNCIA E OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM COMO FORMA ARTICULADORA DE PROPICIAR A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL Para que os profissionais da escola entendam os arranjos curriculares dos campos de experiência, foram apresentados na BNCC os objetivos de aprendizagem, os quais estão organizados a partir das necessidades de atendimento a cada grupo etário da educação infantil. Pensando na sua visualização sobre os modos de estruturar as práticas e considerando a articulação interdisciplinar entre os campos de experiência, vamos conhecer propostas direcionadas para cada grupo etário. Quadro 3.1 | Sugestões de propostas de projetos Grupo etário Objetivos de aprendizagem dos campos de experiência trabalhados Descrição do projeto interdisciplinar Creche: Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Os campos de experiência que serão trabalhados de forma interdisciplinar nessa proposta são: “Corpos, gestos e movimentos” que estimulam a exploração do corpo nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e “Fala, pensamento e imaginação” que está relacionado com o desenvolvimento de situações comunicativas cotidianas por meio de músicas e histórias. Meu corpo é um instrumento: Em um primeiro momento o professor irá apresentar para as crianças vários sons que podem ser produzidos com o corpo: sons produzidos com os lábios, com a língua, com palmas, com os pés, entre outros. O professor poderá falar e cantar o nome das crianças, intercalando os sons apresentados para instigar a curiosidades dos alunos. No segundo momento, o professor poderá apresentar aos alunos a música Bolinha de sabão do grupo musical Palavra Cantada. No vídeo, o som de bolhas de sabão é emitido de diferentes formas a partir do corpo humano. Após apreciarem o vídeo, as crianças poderão vivenciar movimentações rítmicas que serão embaladas pela canção. As crianças que ainda não ficam em pé serão embaladas no colo do professor seguindo o ritmo da música e as crianças que já conseguem ficar em pé serão estimuladas a acompanhar o ritmo batendo palmas ou batendo o pé no chão, por exemplo. Em um terceiro momento, o professor poderá fazer a leitura de um livro destacando as partes do corpo ao longo da história. O professor poderá variar a entonação ao longo da narrativa, estimulando ainda a observação sobre as imagens apresentadas. Crianças bem pequenas 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Os campos de experiência que serão trabalhados nesse projeto interdisciplinar são: “O eu, o outro e o nós” que favorece atitudes de cuidado e solidariedade nas interações e “Corpo, gestos e movimentos” que permite a apropriação de gestos e movimentos da cultura no cuidado de si próprio nos jogos e brincadeiras. Construção de bonecos: Primeiro, o professor irá solicitar aos alunos que relatem as partes do corpo (mão, pé, nariz, boca, olhos, orelha, braços, pernas etc.). Ele também poderá pedir para que as crianças falem sobre as diferenças entre as características físicas das pessoas. Após a fala dos alunos é importante o professor relatar que as diferenças são fundamentais e podem ser consideradas riquezas da nossa sociedade, por isso devemos respeitá-las e, assim, respeitar o próximo. Em um segundo momento, o professor poderá contar a história do livro intitulado Eu sou assim e vou te mostrar de Heinz Janisch. Ao realizar a leitura, o docente poderá indagar as crianças sobre o modo como elas percebem e compreendem o próprio corpo. Em um terceiro momento, o professor poderá construir com as crianças o molde de um boneco com várias partes do corpo, com inúmeras características (cabelo preto, cabelo loiro, cabelo crespo, cabelo liso, olhos castanhos, olhos pretos, olhos verdes, diversas tonalidades de pele etc.). O material poderá ser de E.V.A. Em seguida, o professor poderá pedir para que cada criança construa seu boneco e relate a importância de se valorizar e cuidar de si. Grupo etário Objetivos de aprendizagem dos campos de experiência trabalhados Descrição do projeto interdisciplinar Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) Os campos de experiência que serão trabalhados nesse projeto interdisciplinar são: “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações” que permitem a articulação de números às suas respectivas quantidades e a identificação das sequências e “Escuta, fala, pensamento, e imaginação” que propicia para a criança a expressão livre a partir de desenho, pintura, colagem, dobraduras, escultura etc. O mundo dos números: Em primeiro lugar, a professora fará uma roda de conversa com as crianças sobre os números, perguntando se elas sabem para que eles servem. Após as respostas, o professor deverá promover a reflexão dos alunos sobre suas próprias respostas. Em um segundo momento, o docente fará a leitura do livro Os números de Marcelo de Ruth Rocha. No material, o professor deverá explorar o conteúdo com os alunos, apresentando que os números representam uma quantidade. Em um terceiro momento, o professor irá pedir para que os alunos procurem em revistas os números e objetos para representarem as quantidades. Eles deverão realizar a colagem dos números e suas quantidades em uma cartolina. Você consegue observar que as sugestões propostas dão aos alunos condições de acesso ao conhecimento e ao mundo a partir de seu grupo etário? Você também observou que a comunidade investigativa, ou seja, a pesquisa e o interesse por um tema em comum podem ser trabalhados em sala? Pois bem, esse deve ser nosso trabalho contínuo, articular os caminhos e as possibilidades para que a BNCC se efetive na escola e nossos alunos tenham acesso ao saber. ASSIMILE É importante realizarmos uma análise sobre as mudanças que aconteceram nas políticas, pois elas direcionam o currículo. Os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil tinham eixos de conhecimento relevantes para a organização do trabalho, tais como: linguagem oral e escrita, natureza e sociedade, corpo e movimento, entre outros. Mas houve a necessidade de se construir campos na BNCC mais amplos com possibilidades maiores de desenvolver o trabalho com os alunos e por isso que eles podem ser observados como avanços importantes, propiciando uma participação efetiva da criança em seu próprio aprendizado. REFLITA O professor é um indivíduo que precisa estar atento às mudanças e novidades pedagógicas para a organização de um trabalho que auxilie o aprendizado de forma significativa. Por isso, articular as abordagens metodológicas e os conhecimentos é necessário para a estruturação de um trabalho consistente. Com base no exposto, como você observa o papel da perspectiva interdisciplinar para o ensino na educação infantil? EXEMPLIFICANDO A Comunidade Investigativa é um recurso metodológico que permite o envolvimento de todos para a resolução de uma problemática levantada pelo professor. Ela é necessária, pois possibilita ao aluno buscar caminhos e respostas para as indagações da realidade a partir do saber científico. Um exemplo de como articular essa metodologia com os campos de experiência é a organização de atividades que levem o aluno a pesquisar. Por exemplo: o professor quer trabalhar com os alunos o campo de experiência “O eu, o outro e o nós” a partir de uma atividade em que as crianças de cinco anos irão conhecer sua história. Nesse caso, o professor pode propor para as crianças a busca de informações com seus familiares e recolha de material (fotografia, cartas, jornais) que contenham a origem de sua família. Esse exercíciode busca dá à criança o caminho para a investigação e conhecimento sobre si. FOCO NA BNCC Importante saber interpretar as siglas da BNCC para analisar seu material. No que se refere à educação infantil, verificamos que os objetivos de aprendizagem são descritos do seguinte modo: EI02TS01, sigla que carrega significado e está explicada a seguir. O EI se refere à etapa de ensino que se destina na informação, nesse caso é a educação infantil. 02 se refere ao grupo etário, sendo assim 01 são os bebês, 02 está relacionado às crianças bem pequenas e o 03 são as crianças pequenas. O TS se refere aos campos de experiência, sendo que: “CG = Eu, o outro e nós”, “Corpo, gestos e movimento”, “TS = Traços, sons, cores e formas”, EF = “Fala, pensamento e imaginação e “ET = Espaços, tempos, quantidade, relações e transformações”. E, por fim, o 01 indica a posição da habilidade na numeração sequencial do campo de experiências para cada grupo/faixa etária. Estudamos muitos assuntos interessantes, mas ainda tem mais. FAÇA A VALER A PENA Questão 1 A educação infantil é um direito das crianças brasileiras e como tal deve ser concretizado. Por isso que o atendimento à BNCC se faz necessário para que toda a equipe escolar pense e reflita sobre práticas eficazes que valorizem as ações pedagógicas. Considerando o papel dos campos de experiência, avalie as afirmativas e marque V para verdadeiro e F para falso: ( ) A BNCC apresenta cinco campos de experiência que possuem a finalidade de fragmentar o ensino das crianças de zero a cinco anos. ( ) Os campos de experiências estão alicerçados nos direitos de aprendizagem, visando atender a aquisição de saberes fundamentais para essa etapa de ensino. ( ) As práticas subsidiadas pelos campos de experiência devem ter como foco os eixos estruturantes da interação e das brincadeiras. Agora, assinale a alternativa correta: a. V – V – V. b. F – F – F. c. V – F – F. d. F – V – V. e. V – F – V. Questão 2 “A escola é um ambiente de vida e, ao mesmo tempo, um instrumento de acesso do sujeito à cidadania, à criatividade e à autonomia. Não possui fim em si mesma. Ela deve constituir-se como processo de vivência, e não de preparação para a vida. Por isso, sua https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-5 organização curricular, pedagógica e didática deve considerar a pluralidade de vozes, de concepções, de experiências, de ritmos, de culturas, de interesses. A escola deve conter, em si, a expressão da convivialidade humana, considerando toda a sua complexidade.” (THIESEN, 2008, p. 552) Nota-se o quão importante são os espaços pedagógicos e ass prática que valorizem a construção de um sujeito emancipado. Isso deve acontecer desde a educação infantil, a partir de um trabalho interdisciplinar. Sobre esse contexto, avalie as afirmativas a seguir: I. A perspectiva interdisciplinar possibilita a articulação de vários conhecimentos para a leitura da realidade. II. Por meio da perspectiva interdisciplinar é possível ao professor vincular vários campos de experiências em uma mesma prática. III. A perspectiva interdisciplinar é um novo modelo pedagógico que visa excluir os currículos das escolas de educação infantil. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. c. III, apenas. d. I e II, apenas. e. I, II e III. Questão 3 Valentina é professora em um centro de educação infantil e está estudando as possibilidades de efetivar as práticas a partir da BNCC. Ela analisou os cinco campos de experiência e os respectivos objetivos de aprendizagem e, a partir de uma busca, observou o quanto é necessário construir práticas que favoreçam a assimilação do conhecimento. Em sua leitura, a professora observou o papel da comunidade investigativa. Com base no exposto, avalie as afirmativas e marque V para verdadeiro e F para falso: ( ) A comunidade investigativa é um procedimento metodológico. ( ) A comunidade investigativa possibilita a reflexão, argumentação, dialogo e criação. ( ) A comunidade investigativa parte de uma tema do contexto dos alunos que será pensado por meio da pesquisa. Agora, assinale a alternativa correta: a. V – V – V. b. F – F – F. c. F – V – V. d. V – F – F. e. V – F – V. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-2%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-2%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-2%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-2%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-2%20.item-5 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-3%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-3%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-3%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-3%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-3%20.item-5 REFERÊNCIAS BRASIL, Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. Versão entregue ao CNE em 3 de abril de 2018. Disponível em: https://bit.ly/2PpTPsE. Acesso em: 5 out. 2020. JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976. LIPMAN, M. O pensar na educação. Petrópolis: Vozes, 1995. SANTOS, N. Filosofia para crianças: investigação e democracia na escola. São Paulo: Terceira Margem, 2000. THIESEN, J. S. A interdisciplinaridade como um movimento articulador no processo de ensino e de aprendizagem. Revista Brasileira de Educação. São Paulo, v. 13, n. 39, p. 545-598, 2008. FOCO NO MERCADO DE TRABALHO ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL DE ACORDO COM OS CAMPOS DE EXPERIÊNCIA Natália Gomes dos Santos https://bit.ly/2PpTPsE Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? SEM MEDO DE ERRAR O primeiro passo para a construção do projeto interdisciplinar entre os professores é delimitar os campos de experiência e os objetivos de aprendizagem. Para isso, eles irão consultar o currículo da escola, que está sustentado pela BNCC, e verificar quais conceitos devem ser trabalhados com as crianças pequenas. Após a consulta, os professores podem elencara competência de criatividade e inovação, a qual possibilita às crianças construir saberes a partir dos conceitos e vivências experimentadas. Elas também deverão elencar alguns campos: O eu, o outro e o nós, que irá propiciar a valorização das características de seu corpo e respeito as características dos outros (crianças e adultos) com os quais convive, “Espaço, tempo, relações e transformação” para relacionar números às suas respectivas quantidades e identificar o antes, o depois e o entre em uma sequência, e o “Corpo, gestos e movimentos” para demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos, entre outras possibilidades. Sendo assim, os professores delimitaram que o tema do projeto será uma “Gincana dos números”, em que os alunos irão fazer brincadeiras relacionadas às quantidades. Juntos, os professores decidiram que o processo acontecerá da seguinte forma: a primeira ação será conversar com as crianças sobre a importância do trabalho em equipe e a necessidade de entender que em uma competição justa todos saem ganhando, pois cada um compartilha do momento e aprende com pares e adversários. A segunda ação é apresentar aos alunos as atividades que eles deverão fazer, pois serão divididos em trios e cada um realizará uma brincadeira. A primeira brincadeira será pular amarelinha e contar os números que estão registrados. A segunda brincadeira será encher os recipientes de bolinhas de ping pong, a partir do número indicado na lateral do recipiente. A última atividade será estourar a quantidade de bexigas ditas pelo professor. Após as brincadeiras, os professores conversarão com os alunos pedindo para que eles relatem o que tiveram mais dificuldades e o que acham de suas habilidades. Em seguida, as crianças deverão expressar suas sensações sobre a gincana a partir de um desenho que represente três pontos: como foi trabalhar com meu colega? Como eu me senti nas brincadeiras? Qual é a importância dos números para mim? AVANÇANDO NA PRÁTICA MINHA ÁRVORE GENEALÓGICA A professora Bruna atua em uma turma de pré-escola no Centro de Educação Infantil “Flor de Liz”. Ela é uma docente muito compromissada com o trabalho desenvolvido com os alunos, além de ser atenta às normativas que respaldam seu trabalho e suas práticas pedagógicas. Com base no currículo da escola, Bruna precisa fazer uma atividade que trabalhe o campo de experiência “Espaço, tempo, relações e transformação”, para atender ao objetivo de aprendizagem que vislumbra possibilitar à criança ter conhecimento sobre fatos importantes sobre seu nascimento e desenvolvimento, a história de seus familiares e de sua comunidade. A professora está pensativa sobre qual atividade propor para o atendimento desse objetivo que é tão importante para seus alunos. Com base nesse contexto, se coloque no lugar da professora Bruna e reflita sobre uma atividade que atenda ao campo de experiência indicado e ao objetivo de aprendizagem proposto. NÃO PODE FALTAR ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL DE ACORDO COM OS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO DAS ETAPAS POR DIVISÃO ETÁRIA Natália Gomes dos Santos Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? PRATICAR PARA APRENDER Olá, estudante, Espero que você esteja animado para esse novo momento de reflexão. Nessa seção iremos analisar como deve se constituir o arranjo curricular para a promoção das aprendizagens indicadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Compreenderemos que essa normativa se refere ao currículo prescrito, ou seja, às determinações que possuem o papel de propiciar a aquisição do saber científico. Também observaremos o quão importante é o currículo vivido, ou seja, a junção dessas aprendizagens com as experiências de vida dos alunos. Nesse momento de diálogo vamos analisar a necessidade de se organizar os tempos e espaços na primeira etapa de ensino. Verificaremos que o tempo deve ser considerado desde o projeto político pedagógico por meio da organização do funcionamento e das horas diárias de aprendizagem, como também deve ser analisado no planejamento docente para se pensar as práticas pedagógicas. Observaremos que os espaços são fundamentais para que a criança esteja inserida em um ambiente que potencialize seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. Por fim, refletiremos sobre o papel das Tecnologias Informação e Comunicação como potencializadoras do processo de aquisição dos saberes culturais, artísticos e científicos, bem como a construção de uma educação que integre saber ao cotidiano dos alunos. Vale destacar que esse conhecimento deve ser ofertado, como indicado nas competências, para preparar os indivíduos para a utilização dos meios digitais nas práticas sociais. No Centro de Educação Infantil “Monteiro Lobato”, os professores foram convocados para uma reunião sobre a implementação da Base Nacional Comum Curricular na escola. A diretora Cátia relata que será um desafio pensar nas ações e práticas e construí-las, pois a BNCC é um novo documento que apresenta as aprendizagens essenciais das quais todos os alunos devem se apropriar. A diretora também ressalta que será um momento de muitas trocas e conhecimentos para todos, pois os planejamentos e as ações serão compartilhados e dialogados entre os profissionais da escola. Para finalizar a reunião, Cátia pontua que os professores deverão refletir sobre os direitos de aprendizagem, os campos de experiência e os objetivos de aprendizagem. A professora Clarice procurou a diretora Cátia para sugerir uma ação na escola que possibilitaria a construção coletiva de práticas que vão ao encontro de várias demandas apresentadas na BNCC. Clarice relata que os professores poderiam organizar uma semana cultural no Centro de Educação Infantil, visando possibilitar aos alunos a exposição de atividades que realizam na sala de aula, sendo elas voltadas à arte, às múltiplas linguagens e ao brincar. Cátia adorou a sugestão da professora e reuniu os docentes para compartilhar a ideia. Com base no exposto, você deverá se colocar no lugar dos docentes e elencar uma ação desenvolvida com os alunos que poderá ser trabalhada na semana cultural. Preparado? Temos discussões incríveis para fazer, vamos iniciar? CONCEITO-CHAVE Já refletimos como a BNCC apresenta caminhos e possibilidades para o desenvolvimento de um trabalho bem consolidado na educação infantil. Para assegurar os direitos de aprendizagem, as práticas pedagógicas deverão ser construídas a partir de campos de experiências que estão alicerçados nos eixos de interação e brincadeiras. Esses campos perpassam várias áreas do conhecimento que darão a oportunidade de os alunos terem contato com modos de entender os papéis sociais, analisar as relações, atuar no contexto e continuar com os estudos na educação básica. Mas o professor não deve apenas ler a BNCC e reproduzir o que está posto no documento. É preciso fazer uma análise minuciosa sobre todos os conhecimentos sobre os quais os alunos precisam se apropriar e o modo como esses saberes serão socializados, considerando a realidade de cada educando. Por essas questões, realizaremos uma reflexão sobre arranjo curricular, tempos e espaços na educação infantil e a contribuições das Tecnologias da Informação e Comunicação para a apropriação do saber científico. CURRÍCULO, TEMPO E ESPAÇOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DA BNCC CURRÍCULO O primeiro aspecto a ser considerado na discussão sobre as possibilidades de organização das práticas na educação infantil é a reflexão sobre o arranjo curricular. Sabe-se que o currículo tem a finalidade de sistematizar a organização dos saberes e conteúdos dos quais os indivíduos devem se apropriar em seu processo de escolarização para que o direito à aprendizagem seja garantido. Nesse sentido, quando estamos dialogando sobre o elo entre BNCC e práticaspedagógicas, devemos considerar duas perspectivas de currículo: prescrito e vivido. De acordo com Sacristán (2000), o currículo prescrito se refere aos documentos oficiais que são elaborados para a garantia de que todos os indivíduos, em qualquer lugar do país, tenham acesso ao conhecimento que irá lhes preparar para atuar nas práticas sociais. Já o currículo vivido se refere à materialização dessas proposições na realidade. Cada unidade escolar terá uma forma peculiar de trabalhar esse currículo, pois tem base nas experiências e realidades dos alunos. Um exemplo, na BNCC (currículo prescrito) está colocado que as práticas na educação infantil têm enquanto eixos estruturantes as interações e as brincadeiras. Isso deve ser ofertado para todas as crianças brasileiras como um direito, entretanto, o modo como essas brincadeiras irão se configurar (currículo vivido) poderá se modificar, pois em cada região e estado encontram-se formas peculiares de brincar. Podemos observar que um dos desafios dos professores é construir esse elo entre as orientações da BNCC que se expressam no currículo da escola com a realidade e as experiências das crianças. Mas temos vários caminhos para que isso se efetive de forma consolidada na realidade e vamos apresentar como isso é possível. O primeiro aspecto que devemos analisar é a necessidade de ter a experiência como ponto de partida. O professor deve sempre considerar que a criança é um sujeito que traz consigo saberes de outros espaços e relações, sendo assim, o novo conhecimento irá se juntar ao que ela já sabe, facilitando sua leitura de mundo e ação social. De acordo com Santos (2018, p. 7): Ao centrar-se na experiência dos sujeitos do processo educativo, essa forma de organização curricular pressupõe modos flexíveis de pensar e preparar a prática pedagógica em creches e pré-escolas, pois abarca uma concepção de currículo vivo, aberto e cujos conteúdos – que no contexto da Educação Infantil se convertem em linguagens com as quais as crianças convivem e interagem cotidianamente – estejam articulados de modo a contribuir para o desenvolvimento pleno das mesmas. Tal modelo contraria e contrapõe-se a formulações curriculares centradas nos conteúdos e que, portanto apresentam-se descontextualizadas, isto é, distantes do contexto experiencial de meninos e meninas. É necessário ter claro que a construção das competências e habilidades apontadas na BNCC só se efetiva quando a criança incorpora o saber científico e cultural, fazendo com que ele faça parte de si, ou seja, torna-se sua forma de enxergar a vida. Para exemplificar, vamos supor uma situação em que as crianças de quatro anos possuem um momento do brincar livre na sala de aula e, no ambiente, se encontra um baú de brinquedos. Dentre os brinquedos favoritos, há um urso de pelúcia adorado por todas as crianças e o professor começa a observar que elas sempre disputam o brinquedo, impossibilitando seu compartilhamento. Essa situação pode ser trabalhada em sala a partir do campo de experiência “O eu, o outro e o nós” ao discutir a questão do respeito a si mesmo e ao próximo, sendo assim o professor poderia propor uma roda de conversa para que a turma discuta o problema e pense em uma solução. A partir de uma intervenção precisa, o docente poderia relatar para as crianças a importância de todos terem o direito de brincar com o urso de pelúcia, pois esse brinquedo é da sala e deve ser compartilhado entre todos. Desta forma, cada aluno terá dez minutos com o brinquedo, de modo que todos possam brincar com ele. Agora, vamos analisar a conversão dessa ação em uma competência. Com essa atividade e intervenção, as crianças vão entender que quando garantimos o direito de outra pessoa, consequentemente garantimos o nosso próprio direito. Sendo assim, essa ação possibilita tanto o trabalho com o campo de experiência mencionado como a construção da competência nove que visa: Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. (BRASIL, 2018, p. 12) Esse que deve ser o papel do arranjo curricular na educação infantil: possibilitar experiências que farão com que a criança atribua sentido à realidade e utilize essas competências em outros ambientes sociais. Em outras palavras, os saberes culturais aprendidos farão parte da subjetividade da criança e ela aplicará essas atitudes de partilha e cooperação também em outras relações sociais. Devemos considerar que as crianças são indivíduos ativos e por meio da linguagem e da comunicação constroem essas relações. Por meio de atividades como a mencionada anteriormente, a criança terá a possiblidade de construir e reconstruir suas vivências (SANTOS, 2018). ESPAÇO E TEMPO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Outro aspecto importante na organização das práticas pedagógicas a partir da BNCC é considerar os tempos e o espaço. Esses dois conceitos estão ligados à rotina e também devem fazer parte do planejamento do professor. Quando nos referimos ao tempo, é necessário considerar desde o que está prescrito no Projeto Político Pedagógico, ou seja, os aspectos ligados ao funcionamento da escola e se o processo educativo ofertado é em tempo integral ou parcial. Esse aspecto será responsável pela estruturação das atividades, visto que no regime integral a criança está em processos escolares por sete horas, enquanto no parcial, por quatro horas. Vale ressaltar que a qualidade do ensino e o acesso ao saber devem ser ofertados de forma igualitária entre ambos os regimes, para que não haja desigualdades educacionais. A partir dessa organização, o professor deve alinhar todos os conceitos dos campos de experiências aos dias e horas letivas. Nesse contexto, é imprescindível a elaboração de um Plano de Trabalho Docente (PTD) estruturado por bimestre, trimestre ou semestre (isso dependerá da organização da unidade escolar) para que o docente tenha um panorama geral sobre o que deve ser abordado com a turma. Em seguida, ele fará os planejamentos diários, considerando o tempo que será levado para cumprir os objetivos traçados no PTD (FERRARINI, 2016; QUEIROZ, SALGADO, 2016). O tempo também deve estar relacionado ao que será feito no cotidiano, sendo assim, o planejamento deve ilustrar o modo de organização pensado pelo professor para cada atividade, cada brincadeira, para o momento da merenda e de outras atividades que a criança faz com outros professores, como durante a educação física, por exemplo. Esse tempo também pode ser avaliado pelo professor e isso acontecerá a partir da reflexão sobre a prática. Vamos pensar que em uma sala o docente está desenvolvendo o campo de experiência “Fala, Pensamento e Imaginação” e resolveu trabalhar todos os dias com uma atividade de leitura. Sendo assim, ele determinou no planejamento um período de 45 minutos para a prática. No entanto, ele observou que as crianças se posicionam e questionam a leitura em todo o momento, fazendo ligações com suas histórias e experiências, deste modo o professor poderá fazer um ajuste para ampliar a duração da atividade (FERRARINI, 2016; QUEIROZ, SALGADO, 2016). Sobre os espaços na educação infantil, podemos compreender que ele se refere aos ambientes, estruturas, distâncias, extensões e lugares em que as trocas sociais e as aprendizagens acontecerão. De acordo com Souza (2001, p. 4), indica-se que a organização do espaço tempo na Educação Infantil seja feita a partir da observação daquilo que é objeto de brincadeira das crianças, como estas se desenvolvem, as preferências dessas crianças, bem como o contexto sociocultural no qual a proposta pedagógica está inserida. A perspectiva apresentadaé de que o espaço e o tempo são categorias de organização das atividades com as crianças pequenas. A ideia central é que as atividades planejadas diariamente devem contar com a participação ativa das crianças, garantindo às mesmas a construção das noções de tempo e de espaço, possibilitando-lhes a compreensão do modo como as situações sociais são organizadas e, sobretudo, permitindo ricas e variadas interações sociais. Como pode ser observado, o olhar para as singularidades e gostos da turma deve ser levado em consideração no momento de estruturação desses espaços. Tudo deve ser pensando para a construção de um ambiente harmonioso e propício ao aprendizado, como: mobiliário, cores, luzes, objetos, sons, decoração, entre outros aspectos. Vale ressaltar a relevância do trabalho colaborativo com a gestão da escola para que esse espaço tenha condições adequadas. Como o aspecto do tempo é considerado no planejamento diário do professor, o espaço também tem o seu lugar. É fundamental fazer com que as crianças participem da organização da sala de aula. O professor também deve adequar essa organização a partir do alinhamento com o grupo etário das crianças. Para ilustrar, vamos pensar em uma turma de bebês de seis meses: é importante que a sala esteja revestida de tatame, pois eles começarão o processo de engatinhar em breve. Os brinquedos devem ser condizentes com essa faixa etária e só podem estar ao alcance os objetos que não apresentam perigo. O local deve ter estímulos sonoros e visuais para potencializar o desenvolvimento dos pequenos (SOUZA, 2001). Nesse processo não podemos deixar de considerar as especificidades dos alunos público-alvo da educação especial. Como já vimos anteriormente, esses alunos têm o direito de estar inseridos em espaços regulares de ensino desde a educação infantil e, no momento do planejamento, o professor e a escola devem considerar as adaptações de tempo e espaço para o trabalho com esse alunado. Para que isso aconteça de forma satisfatória, é fundamental identificar qual necessidade educacional o aluno apresenta e, partir desse momento, pensar se será necessário ampliar o tempo das atividades escolares e fazer adaptações do espaço físico e dos mobiliários na sala de aula. Nós, enquanto professores, devemos considerar cada um desses aspectos para a organização de ambientes estruturados e acolhedores que oportunizem condições concretas de aprendizagem. Para que isso aconteça é necessária a análise dessas demandas, tanto curriculares quanto físicas, no projeto político pedagógico da escola, por meio de um diálogo democrático e colaborativo que assegure o direito do ensino para as crianças de zero a cinco anos. O USO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO COMO FACILITADOR DOS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL Vivemos em um mundo globalizado em que as pessoas estão em contato direito com os recursos digitais. As crianças já se constituem nesse meio e, por isso, a escola deve se preocupar com um ensino que permita que os alunos usem esses recursos adequadamente. Pensando nesse aspecto, a BNCC apresenta uma competência geral que afirma a necessidade de compreender o uso das tecnologias de modo crítico, reflexivo e ético nos diversos espaços sociais, fomentando as possibilidades de expressão e comunicação. Nesse sentido, o trabalho pedagógico que utiliza os recursos digitais, além de estar potencializando o processo de ensino e de aprendizagem, também está instrumentalizando os alunos a manusear as tecnologias, o que se configura como uma habilidade necessária na atualidade (BRASIL, 2019). Quadro 3.2 | Currículo, tempo e espaço Currículo Tempo Espaços Proposta construída na escola para orientar o trabalho docente e assegurar os direitos de aprendizagem dos alunos. Nele devem ser oferecidos os dispositivos curriculares apresentados na legislação brasileira de forma articulada com a realidade, contexto e saberes locais e regionais dos alunos. Sistematização dos momentos de aprendizagem feitos na instituição de ensino. Ele deve ser estruturado mediante o currículo e projeto político pedagógico da escola, bem como conforme as especificidades dos alunos em cada grupo etário da educação infantil. O professor deve refletir sobre o tempo destinado para cada atividade, visando os Ambientes que possibilitam as ações, trocas e relações na escola. Eles devem estar adequados às necessidades, faixa etária e gostos dos alunos. Devem propiciar segurança para as crianças e adequação aos objetivos de aprendizagem. O docente deve considerar os espaços na sala e fora dela aos planejar suas práticas pedagógicas. Currículo Tempo Espaços caminhos para potencialização do desenvolvimento e habilidade das crianças. Fonte: elaborado pela autora. Esse processo deve iniciar na educação infantil e tem o papel de propiciar o letramento digital, o qual, segundo Santos (2011), é a condição dos sujeitos de responderem às necessidade e demandas sociais que envolvem a utilização dos recursos digitais e tecnológicos. Por conta de sua importância, o uso desses recursos deve estar na proposta pedagógica da escola, a qual também deve proporcionar espaços equipados para que os alunos tenham acesso aos recursos. Vale ressaltar que apenas a utilização do recurso não garante uma eficiência da aprendizagem. O sucesso do processo está na organização de um bom planejamento que considere os conteúdos indicados no currículo e que articule esses saberes às experiências e aos gostos e necessidades dos alunos. Os benefícios das TICs para o trabalho na educação infantil perpassam os novos modos de se apropriar do saber, visto que as práticas poderão ser dinâmicas e atraentes, potencializando a curiosidade e criatividade da criança. O uso dos recursos também acentua as condições de um trabalho colaborativo, visto que alunos e professores irão interagir de forma efetiva para a realização das ações. O objetivo dessa utilização deve ser as contribuições de apropriação dos conceitos e isso pode ser alcançado a partir de um trabalho bem consolidado, pois: a construção do conhecimento ocorre em ambientes influenciados pela ação do sujeito sobre o meio e pelas mediações entre ele e seus pares, que favorecem o desenvolvimento de processos mentais superiores quando empregados num ciclo que pressupõe descrição-execução-reflexão-depuração de ideias na resolução de problemas. (BELLONI; GOMES, 2008, p. 729) Para isso, é fundamental a escola se organizar por meio de projetos para que esses benefícios e finalidade se concretizem. Belloni e Gomes (2008) enfatizam o papel dos Projetos Coletivos de Trabalho, os quais podem ser realizados em espaços computadorizados, propiciando experiências de situações diversas em uma perspectiva inovadora. Esses projetos são organizados a partir dos seguintes aspectos: contextualização do tema, tomada de decisão em conjunto; situações de trocas; reflexão individual e coletiva e a convivência com as diferenças. Os pontos apresentados são diretrizes para o professor entender as possibilidades de se trabalhar com projetos, sendo assim, esses aspectos podem ser alterados e/ou modificados para considerar o grupo etário da turma. Visando uma compreensão do trabalho que pode ser desenvolvido na educação infantil a partir das tecnologias, observem o Quadro 3.3 a seguir. Quadro 3.3 | Modelo de Projeto Coletivo de Trabalho Nome do projeto O mundo das letras e palavras Grupo etário Crianças pequenas (5 anos) Nome do projeto O mundo das letras e palavras Campos de experiência Escuta, fala, pensamento e imaginação: propiciar o conhecimento de diversos gêneros textuais. Traços, sons, cores e formas: estimular o raciocínio e a criatividade a partir de jogos e observações. Ações desenvolvidas O projeto acontecerá em três momentos: 1. Leitura de uma obra literária “Todasas letras de A a Z”, de Eliardo França e Mary França. Essa atividade deverá ser realizada em uma roda de conversa em que as crianças irão retomar conceitos já trabalhados anteriormente, tais como o reconhecimento de letras e palavras. 2. Construção de palavras: em seguida, o professor poderá disponibilizar aos alunos cartolinas e canetas para que eles possam escrever palavras que descrevam suas percepções sobre o livro. Nesse momento, o professor deverá mediar o processo de escrita pelas crianças, sendo assim ele poderá perguntar quais palavras expressam essa descrição e escrevê-las na lousa para que as crianças copiem. Vale destacar que a escrita deve ser realizada no tempo da criança. 3. Jogos digitais educativos: após a leitura e escrita, o professor poderá propor aos alunos um momento de brincar em que eles irão realizar atividades educativas relacionadas às letras e palavras por meio de recursos digitais. Essa atividade poderá acontecer a partir do uso de computadores da sala de informática da escola, ou com o uso de tablet na sala de aula. Aspectos do projeto Contextualização do tema: é importante que a escolha do software de jogos educativos esteja de acordo com a realidade dos alunos. Tomada de decisão: a escolha dos jogos poderá ser feita com os alunos, sendo assim, o professor poderá apresentar algumas possibilidades e fazer uma votação para a seleção. Situações de troca: a atividade de escrita poderá ser feita pelos alunos em duplas e trios, facilitando as possibilidades de diálogo e reflexão coletiva. Fonte: elaborado pela autora. Vale enfatizar que o quadro apresenta apenas um exemplo de como um projeto pode se dar. Os processos de escrita na educação infantil são iniciais, trabalhando assim algumas habilidades que serão potencializadas nos primeiros anos do ensino fundamental. Verificamos o quanto é importante dar a oportunidade de as crianças experimentarem e viverem experiências que as preparem para atuar na sociedade de forma crítica, reflexiva e ética. O diálogo entre professores e equipe pedagógica é fundamental para o sucesso do trabalho e construção de uma educação de qualidade. ASSIMILE Quando se fala de espaço na educação infantil, é preciso considerar a importância do cuidado com a infraestrutura das escolas brasileiras. Por isso que essa discussão deve ser levada em âmbito macro, ou seja, quando se trata de escolas públicas, deve acontecer uma parceria entre escola e sistema de ensino (representado pela secretaria de educação) para que o espaço físico esteja adequado e seguro para as experiências dos alunos. Sobre esse aspecto, podemos observar os apontamentos apresentados na LDB/1996, art. 70, que se refere à Manutenção e Desenvolvimento do Ensino, o qual apresenta como o investimento destinado à educação pode ser gasto. Dentre as despesas encontram-se a construção e ampliação das escolas, para atender justamente às normas de segurança e qualidade do espaço escolar. REFLITA Notamos a importância das Tecnologias da Informação e Comunicação para o processo de ensino e de aprendizagem na educação infantil. No entanto, sabemos que as discussões sobre tecnologia e educação são recentes na realidade brasileira e que muitos professores já experientes têm dificuldades para trabalhar esses recursos digitais com os alunos. Com base no exposto e se colocando no lugar de um gestor da escola, como o pedagogo pode promover formação continuada para que esses professores tenham acesso a esse saber? EXEMPLIFICANDO Realizamos uma discussão importante sobre o currículo e a BNCC, de modo que verificamos a necessidade de construção do currículo vivido, ou seja, a articulação entre as experiências e as determinações legais contidas na base. Para que isso aconteça de forma significativa, é importante o professor considerar a realidade dos alunos para a construção do planejamento. Um exemplo para fomentar esse trabalho é os professores estreitarem parcerias com as famílias, por meio de reuniões, grupos em aplicativo de comunicação e o uso de diários e/ou cadernos de anotações. Assim, os professores poderão conhecer cada vez melhor seus alunos, compreendendo personalidades, gostos e realidades individuais, de modo que essas informações passem a ser subsídios para a construção das ações pedagógicas e a consolidação de um currículo vivido, além de estabelecer um trabalho colaborativo, sustentado pelo respeito com as crianças e as famílias. FOCO NA BNCC De acordo com a BNCC, a competência três que pontua a necessidade de “valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural” (BRASIL, 2018, p. 9). Para que as crianças se apropriem de forma significativa das competências é de extrema necessidade a construção de um currículo na escola que aborde essas manifestações, indicando as possibilidades de conhecimento e propostas que poderão ser adotadas pelo professor em seu planejamento diário. Por exemplo, na região Norte, especificamente no Amazonas, há o Festival Folclórico de Parintins que acontece todos os anos e se configura como um momento de apresentações dos personagens folclóricos: Boi Garantido e o Boi Caprichoso. Esse festival é um patrimônio cultural e as escolas amazonenses podem inserir esse conhecimento em seus currículos, propiciando às crianças contato com os saberes e as tradições locais. Uma atividade que poderia acontecer na educação infantil é a construção de uma exposição de arte em que elas irão apresentar pinturas dos bois e o modo como compreendem o papel dos personagens para a cultura local. Essa atividade pode ser vinculada ao campo de experiência: “Escuta, fala, pensamento e imaginação”. Estamos finalizando um momento de muito aprendizado, mas ainda não acabou: vamos ter acesso a mais conhecimento na próxima unidade! FAÇA A VALER A PENA Questão 1 “Ao centrar-se na experiência dos sujeitos do processo educativo, essa forma de organização curricular pressupõe modos flexíveis de pensar e preparar a prática pedagógica em creches e pré-escolas, pois abarca uma concepção de currículo vivo, aberto e cujos conteúdos – que no contexto da Educação Infantil se convertem em linguagens com as quais as crianças convivem e interagem cotidianamente – estejam articulados de modo a contribuir para o desenvolvimento pleno das mesmas.” (SANTOS, 2018, p. 8) Refletindo sobre a importância da construção de um currículo subsidiado pela BNCC e que considere a relação entre conhecimento e realidade, avalie as afirmativas a seguir e marque V para verdadeiro e F para falso: ( ) O currículo tem que ser construído de forma coletiva na escola, considerando as reais necessidades dos alunos. ( ) O currículo tem que ter um caráter padronizado para que todas as crianças aprendam do mesmo modo. ( ) O professor deve considerar os gostos, os conhecimentos dos alunos e suas formas de posicionar para articular as práticas com o currículo. Agora, assinale a alternativa correta. a. V – V – V. b. F – F – F. c. V – F – V. d. F – V – F. e. F – F – V. Questão 2 Na Escola de Educação Infantil Monteiro Lobato, a professora Marina está organizando seu planejamento diário. Ela é dedicada e compreende o papel dos tempos e espaços para a construção de atividades que favoreçam a aprendizagem e façam com que seus alunos atribuam sentido ao saber. No entanto, Marina tem um desafio na organização do tempo das atividades, pois um de seus alunos tem necessidade educacional especial e precisa de um período maior. Considerando a realidade de Marina, avalie as afirmativas a seguir: I. Nesse caso é necessário Marina dar atividades diferentes para os alunos para não atrapalhar a sala. II. Marina precisa realizar algumas adaptações de tempo para que seu aluno tenha condições de realizar a atividadeproposta com sucesso. III. Marina deve encaminhar seu aluno para a sala de recursos, pois suas dificuldades podem limitar o trabalho. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. c. III, apenas. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-1%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-1%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-1%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-1%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-1%20.item-5 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-2%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-2%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-2%20.item-3 d. I e II, apenas. e. I, II e III. Questão 3 Em relação ao uso das Tecnologias Informação e Comunicação (TICs) na educação infantil, pesquisas apontam que: “este uso estimula as crianças a trocarem informações e opiniões sobre programas, heróis e histórias, mas também sobre questões técnicas, criando situações de aprendizagens colaborativas e gerando a construção de conhecimentos e atitudes de leitura crítica dos conteúdos da telinha”. (BELLONI; GOMES, 2008, p. 729). São inúmeros os benefícios das TICs para o processo de ensino e de aprendizagem na educação infantil. Considerando o papel da competência cinco, avalie as afirmativas e marque V para verdadeiro e F para falso: I. É necessário utilizar e criar tecnologias digitais para a construção de uma comunicação crítica e significativa. II. Por meio do contato com o conhecimento por meio das TICs, a criança poderá aplicar conhecimentos em suas práticas sociais. III. As tecnologias digitais devem dar a oportunidade de os alunos disseminarem informações e produzirem conhecimento. É correto o que se afirma em: a. II, apenas. b. III, apenas. c. I e II, apenas. d. II e III, apenas. e. I, II e III. REFERÊNCIAS BRASIL, Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. Versão entregue ao CNE em 3 de abril de 2018. Disponível em: https://bit.ly/2OZTGMy. Acesso em: 22 out. 2020. FERRARINI, A. R. K. et al. Infância e escola: tempos e espaços de crianças. Educação e Realidade: Porto Alegre, v. 41, n. 4, p. 1024-1048, 2016. SACRISTÁN, J. G. O currículo: uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre: Artmed, 2000. SANTOS, S. V. S. Currículo da educação infantil: consideração a partir das experiências das crianças. Educação em revista: Belo Horizonte, v. 34, p. 1-32, 2018. SILVA, A. C. Educação e tecnologia: entre o discurso e a prática. Revista Ensaio: Rio de Janeiro, v. 19, n. 72, p. 527-554, 2011. https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-2%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-2%20.item-5 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-1 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-2 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-3 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-4 https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/ORGANIZACAO_DO_TRABALHO_PEDAGOGICO_NA_EDUCACAO_INFANTIL/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-5 https://bit.ly/2OZTGMy DELMONDES, M. O.; SILVA, T. M. Os campos de experiência na Base Nacional Comum Curricular: do positivismo as intervenções cotidianas. Revista linguagem, educação e sociedade. Teresina, v. 23, n. 38, p. 72-98, 2018. FOCO NO MERCADO DE TRABALHO ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL DE ACORDO COM OS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO DAS ETAPAS POR DIVISÃO ETÁRIA Natália Gomes dos Santos Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? SEM MEDO DE ERRAR O primeiro passo nesse caso é Cátia conversar com o grupo de professores para relatar a ideia de Clarice. Por meio de uma votação democrática, o grupo adere à ideia e organiza uma semana cultural, em que todos os alunos irão apresentar suas percepções sobre as artes e expressões culturais. Sendo assim, as atividades vão se configurar a partir de: exposição de pinturas, encenação de peças teatrais e exposição de desenhos e poemas. Os professores decidiram que isso acontecerá na semana do dia 22 de agosto, quando é comemorado o Dia do Folclore. O primeiro aspecto discutido pelo grupo de professores é a relação entre as atividades e a BNCC, sendo assim a ênfase será sobre a competência três que apresenta a necessidade de valorização das diversas manifestações artísticas e culturais e as possibilidades de construção da produção artístico-cultural. Também foi discutido entre o coletivo a importância de se trabalhar os diversos campos de experiência, respeitando as necessidades de cada grupo etário e, também, possibilitando vivências repletas de sentido e significado. Para tanto, cada grupo etário ficou responsável por uma ação diferente, como pode ser observado no quadro a seguir: Quadro 3.4 | Atividades por grupo etário Bebês Pinturas Os professores trabalharão cantigas e músicas que apresentam as principais histórias folclóricas e farão com as crianças pinturas que representem esse momento de aprendizado e estímulo dos sentidos sensoriais delas. Crianças bem pequenas Encenação A partir de rodas de conversa, os professores irão contar histórias que representam o folclore brasileiro e as crianças irão encená-las. Cada turma ficará responsável por uma história. Crianças pequenas Exposição de desenhos e poemas Para estimular a escrita das crianças, os professores também realizarão o processo de leitura das histórias e cada turma deverá fazer uma releitura, propiciando a produção artística dos alunos. Juntos, irão construir poemas e gravuras para ilustrar a releitura, com o auxílio dos professores. Fonte: elaborado pela autora. As atividades serão abertas para a comunidade e as crianças poderão participar da organização, tanto na elaboração dos convites como na apresentação das obras construídas por elas. Ao final de todo o processo, o grupo de professores irá avaliar os desafios e os ganhos da semana para a aprendizagem das crianças. AVANÇANDO NA PRÁTICA O CURRÍCULO VIVIDO NA EDUCAÇÃO INFANTIL No Centro de Educação Infantil “Vinicius de Moraes”, a pedagoga Valéria dialoga com a diretora Marieta sobre a dificuldade que está tendo para alinhar com os professores as diretrizes apresentadas para fazer com que as práticas evidenciam o currículo vivido. Valéria compartilha da mesma preocupação de sua colega, pois a BNCC é uma proposta flexível, em quesuas aprendizagens devem ser adequadas à realidade dos alunos, com vivências em que as crianças atribuam sentido ao conhecimento trabalhado nos campos de experiências. Por essa questão, a diretora sugeriu que Valéria realize uma capacitação com os professores do centro para que eles aprofundem as discussões sobre o arranjo curricular na educação infantil e reflitam sobre práticas que fazem com que essa articulação se efetive. Com base no exposto, se coloque no lugar de Valéria e reflita sobre as seguintes questões: • Como buscar informações sobre as dificuldades dos professores em concretizar práticas vinculadas ao currículo vivido? • Como estruturar um momento de debate que de fato contribua para a análise e atuação dos professores? • Como acompanhar as futuras mudanças propiciadas pela capacitação? NÃO PODE FALTAR A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Natália Gomes dos Santos Fonte: Shutterstock. Deseja ouvir este material? CONVITE AO ESTUDO Olá, estudante! Estamos iniciando as reflexões da última unidade da nossa disciplina. Quantas discussões interessantes estudamos juntos, não é verdade? E esse novo momento não será diferente, pois nossa análise será sobre a avaliação da aprendizagem na educação infantil. Primeiro estudaremos o conceito de avaliação, compreendendo que existem diferentes concepções avaliativas e, que dentre elas, a concepção formativa é a mais adequada para o trabalho desenvolvido na educação infantil, por conta da ênfase no processo. Também será observado como o professor poderá avaliar cada momento do desenvolvimento dos alunos, pensando na integralidade da criança e as estratégias de práticas, visando o desenvolvimento pleno. Aspectos relacionados ao processo de transição da educação infantil para o ensino fundamental também serão apresentados nessa unidade. Em um segundo momento, compreendemos como podem ser realizados os registros e procedimentos avaliativos na educação infantil. Conheceremos os principais instrumentos para tal: observação, múltiplos registros e documentos das ações, experiências e atividades dos alunos. Analisaremos a importância do portfólio e como ele pode ser construído para auxiliar no processo de acompanhamento da aprendizagem das crianças. Também pensaremos sobre o trabalho colaborativo que deve ser estabelecido entre a escola e a família. Por fim, observaremos nessa unidade como se configuram os indicadores de qualidade da educação infantil e como os mesmos devem ser analisados para visualizar os caminhos de aperfeiçoamento das práticas pedagógicas. Também verificaremos como acontece a avaliação institucional e seus benefícios para o aprimoramento das práticas pedagógicas. PRATICAR PARA APRENDER Prezado aluno, essa seção pretende possibilitar reflexões sobre as contribuições da avaliação da aprendizagem nos processos escolares das crianças de zero a cinco anos. Deste modo, o primeiro aspecto de análise será o conceito de avaliação da aprendizagem, compreendendo-o como um dos elementos importantes do planejamento e da ação educativa. Também será abordada a concepção avaliativa que deve sustentar a prática pedagógica, a qual se refere à concepção formativa. Nessa perspectiva, o enfoque é no processo como um todo, visando analisar os objetivos que foram alcançados e as intervenções que precisam ser feitas para potencializar o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças. Iremos observar quais elementos devem ser analisados pelo professor no momento da avaliação e notaremos a importância de conhecimentos sobre cada fase do desenvolvimento para a compreensão desse processo. Também verificaremos que a avaliação deve ser uma pauta de discussão para além da sala de aula em que docentes, gestão e família devem dialogar para compreender quais caminhos devem ser percorridos para potencializar o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos. Por fim, a discussão será sobre a transição da educação infantil para os anos iniciais do ensino fundamental. Durante essa reflexão observaremos como a escola da educação infantil deve se organizar e estabelecer diálogo com a instituição de ensino que acolherá os alunos posteriormente, no ensino fundamental I. Analisaremos quais estratégias podem ser adotadas para que esse processo seja realizado de forma tranquila e efetiva. Na cidade de Girassol, a secretaria municipal de educação organizou uma semana de formação de professores para discutir a avaliação da aprendizagem na educação infantil. Os profissionais dos centros educacionais que atendem esta etapa de ensino ficaram entusiasmados com o momento de estudo, pois eles têm inúmeras dúvidas sobre como pode ocorrer a avaliação das crianças de zero a cinco anos. A pesquisadora Antônia Ferreira foi convidada para ministrar o curso, pois realiza pesquisas nesta área há muitos anos. Com base nesta realidade, você se colocará no lugar dos professores que realizarão o curso e refletirá sobre os desafios e as possibilidades do processo de avaliação da aprendizagem nesta etapa de ensino. Na abertura da formação, a pesquisadora Antônia inicia relatando sua satisfação em realizar essa interlocução com os professores, pois, para ela, teoria e prática devem andar juntas e a pesquisa só faz sentido quando possibilita mudanças na realidade. Antônia pede para os docentes relatarem suas maiores dúvidas sobre a avaliação na educação infantil. Neste momento, a professora Melissa pede a palavra e pergunta para a pesquisadora como deve ser realizada uma avaliação formativa que atenda às necessidades de aprendizagem das crianças nesta etapa de ensino. A partir do exposto, seu desafio será auxiliar a pesquisadora Antônia na devolutiva sobre o questionamento de Melissa. CONCEITO-CHAVE A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL Em muitos casos, as pessoas relacionam a avalição da aprendizagem à nota, como se a finalidade dessa ação seja apenas atribuição de conceito. Será que podemos pensar assim? E na educação infantil, como o processo avaliativo se efetiva? Essas e outras perguntas devem ter passado por sua mente ao ler o título dessa seção e, juntos, iremos desconstruir algumas ideias sobre a avalição e refletiremos como ela pode ocorrer na educação infantil. Para isso, faremos primeiramente uma análise sobre o conceito de avaliação da aprendizagem, em seguida pensaremos a melhor concepção para a educação infantil e analisaremos como ela deve acompanhar as práticas nos diferentes grupos etários. O CONCEITO DE AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL No processo de ensino e aprendizagem vários elementos devem compor o trabalho de planejamento desenvolvido pelo professor, com a avaliação. Ao analisarmos os sentidos atribuídos à avalição da aprendizagem, é necessário refletir que ela também está vinculada ao projeto de educação e de escola que subsidia as concepções e ideias adotadas no âmbito educativo. De acordo com Perrenoud (1999), a avaliação pode ser analisada em duas lógicas: a serviço da seleção ou da aprendizagem. O autor denomina a avaliação a serviço da seleção quando ela tem o caráter classificatório e excludente, de modo que o enfoque está no resultado. Um exemplo dessa perspectiva é uma prática tradicional, em que o aluno é visto como sujeito passivo do processo e tem o dever de memorizar todo o saber transmitido pelo professor. Ao final de um bimestre, o professor irá aplicar uma prova escrita em que o aluno precisa reproduzir tudo o que foi tido nas aulas, sem espaço para reflexão. Após a avaliação, o professor irá, por meio da correção, medir o saber do aluno. Os educandos que obtiverem um conceito satisfatório serão classificados como os alunos que sabem, já aqueles que tiverem um baixo rendimento serão vistos como educandos que não aprendem. Vale ressaltar que o ponto crítico nessaavaliação não é o instrumento adotado (prova escrita), mas o modo como o resultado é analisado e utilizado no processo. Nessa lógica, o aluno é culpabilizado pelo processo de aprendizagem e as análises estruturais, tanto no planejamento docente quanto nas ações escolares, não são feitas. Uma outra perspectiva é a avaliação para aprendizagem, a qual deve ser observada como parte integrante do processo. Nessa vertente, a avalição não tem o papel de classificar ou excluir o aluno, mas levantar informações precisas para refletir sobre o que deve ser aperfeiçoado nas práticas pedagógicas. Para exemplificar, vamos imaginar um professor que almeja entender o que os alunos sabem sobre os números. Por meio de uma atividade lúdica, ele pode fazer uma conversa com as crianças e observar quais números elas já sabem e quais ainda não conseguem identificar. Nessa perspectiva, os alunos não serão rotulados como os que “sabem” e “não sabem”, mas antes a informação obtida será utilizada para que o professor reorganize a prática pedagógica e socialize o saber com os educandos. Essa última concepção é denominada de avaliação formativa e deve ser adotada por nós professores no trabalho desenvolvido com os alunos da educação infantil, pois ela leva: O professor a observar mais metodicamente os alunos, a compreender melhor os seus funcionamentos, de modo a ajustar de maneira mais sistemática e individualizada suas intervenções pedagógicas e as situações didáticas que propõe, tudo isso na perspectiva de otimizar as aprendizagens. A avaliação formativa está, portanto, centrada essencial, direta e imediatamente sobre a gestão das aprendizagens dos alunos (pelo professor e pelos interessados). Essa concepção se situa abertamente uma regulação intencional, cuja intenção seria determinar ao mesmo tempo o caminho a ser percorrido por cada um e aquele que resta a percorrer com vistas a intervir para otimizar os processos de aprendizagem. (PERRENOUD, 1999, p. 89. Na educação infantil devemos considerar nossos alunos sujeitos sociais e históricos que se apropriam de saberes e produzem conhecimento. Por isso, todo o trabalho desenvolvido deve ser observado como possibilidade para ampliação dos saberes que a criança já tem. Outro fator que torna a concepção formativa mais adequada para essa etapa de ensino é o fato de ela se centralizar no processo. Nessa vertente, o resultado, que no caso da educação infantil é a aquisição dos conhecimentos já que as crianças não passam pelo sistema de conceitos e notas, é fruto de um trabalho bem consolidado e construído desde as primeiras intervenções pedagógicas (PERRENOUD, 1999). Outro aspecto relevante é considerar que a avalição da aprendizagem é um elemento importante do planejamento pedagógico, pois a partir de suas informações será possível observar se os objetivos propostos foram atingidos e se as metodologias adotadas foram adequadas às necessidades e especificidades dos alunos. Mas você pode estar se perguntando: e quando as informações obtidas pela avaliação não atendem às expectativas? O “erro” poder ser compreendido como algo prejudicial para a aprendizagem? Para responder essas questões, utilizaremos as palavras de Luckesi (2005) ao apontar que o erro deve ser analisado como elemento que irá desencadear nossas práticas para que o sucesso escolar seja efetivo. Vamos pensar, você está trabalhando com os alunos de cinco anos que se encontram na pré-escola. Espera-se que eles já saibam identificar os dez primeiros algarismos e construir relações de quantidade. No entanto, você observou que alguns alunos ainda apresentam dificuldades e sempre “erram” quando você pergunta para eles. Esse “não entendimento” pelos alunos não pode ser observado como um fracasso das crianças, apenas alguns saberes que ainda precisam ser apropriados por elas. Por isso que a avaliação é importante, pois a partir dela você poderá refletir sobre novas práticas que auxiliam esses alunos. Nesse contexto, o erro deve ser observado como elemento de crescimento no processo de aprendizagem e, para isso, deve ser detectado pelo professor, “reconhecendo origem e a constituição de um erro, podemos superá-lo, com benefícios significativos para o crescimento” (LUCKESI, 2005, p. 49). Vale destacar que as discussões sobre a avaliação na educação infantil não devem ser uma pauta apenas do professor. É necessário que toda a equipe, em uma perspectiva democrática, reflita sobre como a avaliação do processo de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos irá acontecer. Nesse contexto, a avaliação da aprendizagem deve se configurar como um item do projeto político pedagógico, além de se tornar tema de estudos nos cursos de capacitação docente. Nessa discussão deve ser analisado: quem se avalia? O que se avalia? Para que se avalia? E quais ações realizar a partir dos resultados da avaliação? (CASTILLO, 2009). O docente precisa entender que os resultados obtidos pelas observações, falas, atividades, portfólios, entre outros, são elementos que retroalimentam sua prática continuamente. É necessário que o docente esteja aberto à mudança e realize os rearranjos que farão com que os objetivos sejam alcançados. A realização de um processo de aprendizagem adequado e satisfatório por parte dos alunos constitui a finalidade de todo o processo de ensino e a razão de ser da prática docente, de modo que avaliar o processo de aprendizagem dos alunos significa conhecer o nível de conquistas atingido, suas aprendizagens e seus progressos. Trata-se, definitivamente, de comprovar os conhecimentos que cada aluno adquiriu em relação à consecução dos objetivos educacionais e os critérios de avaliação estabelecidos no currículo da etapa. CASTILLO, 2009, p. 117. No tocante à educação infantil, devemos relembrar que sua estrutura se diferencia das demais etapas de ensino, visto que a forma de organização curricular não se dá por componentes, mas, sim, por campos de experiência. Nessa lógica, o docente irá avaliar as ações desenvolvidas pelas crianças em todos os momentos de troca, experiência, atividades e brincadeiras. Como toda a prática desenvolvida com as crianças entre zero a cinco anos, a avaliação também apresenta um caráter intencional, o qual redimensiona as novas ações pedagógicas que acontecerão. Outro ponto que merece destaque ao falarmos de avaliação na educação infantil é o olhar atencioso que o professor precisa ter frente as fases do desenvolvimento (CASTILLO, 2009). Nessa etapa de ensino, a análise não se concentra em, apenas, o que a criança consegue ou não realizar do ponto de vista pedagógico e científico, mas toda a sua totalidade deve ser avaliada pelo professor. Vamos pensar em um exemplo: espera-se que as crianças consigam reconhecer as letras do seu nome com quatro anos de idade. Essa habilidade está ligada ao saber científico, visto que o reconhecimento das letras é um pré-requisito para a aquisição da alfabetização nos anos iniciais. Mas a pergunta é a seguinte: o professor irá avaliar só essa habilidade? Não, pois nessa idade o esperado é que a criança tenha desenvolvido a fala, realize atividades coletivas, brinque a partir de faz de conta, entre outros. Em outras palavras, o professor irá avaliar como se encontra o processo de desenvolvimento e de aprendizagem como um todo, já que eles são os alicerces para o trabalho que será desenvolvido nos anos iniciais do ensino fundamental. A avaliação na Educação Infantil tem por objetivo avaliar a aquisição das capacidades indicadas nos objetivos gerais da etapa. Trata-se, portanto, de avaliar a obtenção de determinadas capacidades, relacionadas com o movimento e controle postural, as primeiras manifestações da comunicação e da linguagem, a aprendizagem no uso da linguagem, as normas elementares de convivência e relação social, a descoberta do entorno imediato, a descobertadas características físicas do mundo em que vive, a elaboração de uma imagem positiva e equilibrada de si mesmo, a aquisição dos hábitos básicos de comportamento, etc. CASTILLO, 2009, p. 384. Sendo assim, o professor deve estar atento ao desenvolvimento esperado para cada grupo etário, observar o que pode ser realizado e implementar ações que ampliem as condições de aprendizagem. “É muito importante favorecer a participação dos pais na vida escolar, mediante estratégias colaboradoras no desenvolvimento de oficinas, no refeitório, em atividades lúdicas e recreativas” (CASTILLO, 2009, p. 386). Por isso, o trabalho em parceria (docente, família e escola) é fundamental para que todos auxiliem no processo. AS ESPECIFICIDADES DA AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL Como já mencionamos, a concepção avaliativa mais pertinente para o trabalho desenvolvido com as crianças na educação infantil é a formativa, visto que seu enfoque é processual. Nesse contexto, a avaliação deve estar alinhada às demais ações pedagógicas, tais como: planejar, observar, documentar e registrar. Para que o professor faça uma avaliação consistente do processo de desenvolvimento e aprendizagem das crianças é necessário que ele compreenda o que é esperado em cada fase do desenvolvimento infantil. Com base nos postulados da teoria construtivista, podemos observar no quadro abaixo como a avaliação pode ocorrer nos dois estágios do desenvolvimento que se aplicam as faixas etárias atendidas na educação infantil. Quadro 4.1 | Exemplos de elementos para a avaliação do desenvolvimento e aprendizagem na educação infantil Etapa do desenvolvimento Elementos que devem ser observados na avalição formativa 0 a 2 anos (estágio sensório-motor) Um dos aspectos do desenvolvimento que o professor deve considerar no processo de avaliação são as ações direcionadas pelos sentidos e motricidade, em que os bebês a partir dos seis meses começam a se deslocar no ambiente para acessar os objetos. Outro aspecto que o professor poderá observar é se as crianças a partir de um ano já estão começando a andar. No que se refere à linguagem, o docente poderá verificar entre o período de um a dois anos se a criança já formula pequenas palavras e estabelece algum outro modo de comunicação (balbuciar, apontar etc.). 2 a 6 anos (estágio pré- operatório) Os indicativos que devem ser avaliados pelo professor nessa etapa dizem respeito à linguagem que começa a ser estruturada. No processo de observação é fundamental que o professor verifique se as práticas das crianças indicam algum processo de internalização e compreensão dos papeis sociais e isso pode ser notado nas brincadeiras de faz de conta. O docente poderá observar nessa fase do desenvolvimento que a criança vê o mundo a partir de si mesma, ou seja, de forma egocêntrica. Fonte: elaborado pela autora. Com base no exposto, é necessário compreender que a criança deve ser avaliada de forma integral, pois ela é um sujeito que deve ser considerado em sua totalidade. Sendo assim, a prática avaliativa não tem a pretensão de promoção, mas sim, de possibilitar caminhos para que ações sejam aperfeiçoadas e reflexões sejam realizadas pelo professor. Quando problematizamos a cotidianidade da Educação Infantil por meio da avaliação de contexto, assumimos coletivamente a autoria e a responsabilidade pelas potências e lacunas identificadas em cada espaço de educação formal. Nessa direção, as dificuldades encontradas não estão endereçadas a nenhum profissional especificamente, e menos ainda às crianças, que historicamente foram vistas como sujeitos do vir a ser. Diferentemente de considerar as crianças pela ausência, elas são assumidas como sujeitos que balizam a nossa organização pedagógica, para que o pensar e o fazer com elas sejam plenos de sentidos às suas especificidades etárias e às idiossincrasias de cada menino e menina ali presente. FILHO; CASTRO, 2016, p. 14. Um ponto que merece destaque é que as características do estágio de desenvolvimento se configuram como um parâmetro para subsidiar as análises do professor. Deste modo, as crianças não podem ser classificadas pelos rótulos “sabem” ou “não sabem”, pois isso se caracterizaria em outra concepção de avaliação, a qual não é adequada para essa etapa. Mas você pode estar se perguntando: o que fazer quando a criança não apresentar algum aspecto esperado para sua faixa etária? Nesse caso, o professor irá estabelecer um diálogo com outros profissionais e solicitar o auxílio para a análise. São várias as causas que podem justificar esse quadro, desde uma simples singularidade do desenvolvimento (crianças que às vezes “demoram” para falar ou andar em comparação com as demais, mas posteriormente esse processo acontecerá sem prejuízos) até um quadro de necessidade educacional especial. Por isso, a participação de todos os envolvidos se faz necessária para os processos e intervenções propiciados pela avaliação na educação infantil (FILHO; CASTRO, 2016). A TRANSIÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA O ENSINO FUNDAMENTAL De acordo com a BNCC, a transição da educação infantil para o ensino fundamental deve ser feita com cuidado e cautela, para que haja equilíbrio entre as mudanças que acontecem nessa mudança, propiciando continuidade dos processos de aprendizagem das crianças, por meio do respeito pelas suas particularidades. Sendo assim, é primordial a construção de estratégias de acolhimento e adaptação para alunos e docentes, de modo que os alunos possam ter práticas adequadas ao momento do seu desenvolvimento. Deste modo, o trabalho de avaliação feitos durante a educação infantil é primordial, pois as informações contidas em relatórios, portfólios ou outros registros que evidenciem os processos vivenciados pelas crianças ao longo de sua trajetória na educação infantil podem auxiliar para a compreensão da história de vida escolar de cada educando. Também é necessário estabelecer diálogos e troca de materiais entre os docentes das escolas de educação infantil e de ensino fundamental, facilitando o ingresso da criança na nova escola e etapa de ensino da educação básica. Além disso, para que as crianças superem com sucesso os desafios da transição, é indispensável um equilíbrio entre as mudanças introduzidas, a continuidade das aprendizagens e o acolhimento afetivo, de modo que a nova etapa se construa com base no que os educandos sabem e são capazes de fazer, evitando a fragmentação e a descontinuidade do trabalho pedagógico. Nessa direção, considerando os direitos e os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, apresenta- se a síntese das aprendizagens esperadas em cada campo de experiências. BRASIL, 2019, p. 53. Nesse sentido, algumas estratégias podem ser realizadas para que essa transição ocorra da melhor forma possível. Vamos pensar em um exemplo de uma escola em que a pedagoga que atua na gestão tem esse cuidado com o processo transitório. Ela pode organizar uma conversa com as famílias e os professores para que, juntos, possam pensar em estratégias para conduzir esse momento. Nessa conversa, as famílias podem abordar seus anseios frente a nova realidade, já que será uma nova escola e etapa de ensino, além de novos professores. Eles podem pontuar como estão abordando essa mudança com as crianças e, nesse instante, a pedagoga e os professores podem apresentar sugestões de abordagem que os pais podem fazer para esse entendimento da criança frente à nova realidade. Já os professores podem inserir nas práticas pedagógicas momentos de diálogos com as crianças, apresentando os benéficos dessa nova fase. Por meio de brincadeiras e histórias, é importante estabelecer um espaço para que as crianças expressem suas sensações sobre a nova realidade. Vale destacar a necessidade de comunicação entre as escolas, sendo assim, a pedagoga pode marcar uma conversa com os profissionais