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Expressões contemporâneas da questão social
Prof. Leonardo Gonçalves de Alvarenga
Descrição
A questão social e suas principais expressões contemporâneas, como a globalização e seus impactos na América Latina. A desigualdade social no
contexto da Quarta Revolução Industrial. A Indústria 4.0 e sua influência na dinâmica do trabalho.
Propósito
A questão social é de grande importância para o entendimento da realidade envolvendo capital e trabalho. Este conteúdo é imprescindível para
quem está cursando Serviço Social. Sua intervenção se dará efetivamente mediante compreensão da questão social e suas expressões
contemporâneas, como a globalização e a Quarta Revolução Industrial.
Objetivos
Módulo 1
Globalização e América Latina
Reconhecer a globalização e seus impactos na América Latina.
Módulo 2
Globalização e desigualdade social
Analisar a globalização e os desafios para a desigualdade social.
Módulo 3
A Quarta Revolução Industrial
Identificar o que é a Quarta Revolução Industrial: a Indústria 4.0 e sua influência na dinâmica do trabalho.
1 - Globalização e América Latina
O surgimento da questão social está ligado à contradição entre capital e trabalho. Trata-se da consequência de um domínio do modo
capitalista de produção. Entretanto, esse processo de produção e contradição tem experimentado muitas mudanças que atingem grande
parte da população mundial. Por volta de 1830 foi cunhada a expressão “questão social”, que muitos pesquisadores têm associado à pobreza
das massas populares e às desigualdades sociais geradas pelo capitalismo. Contudo, ao invés de definir a questão social por meio das suas
expressões, a teoria social de Marx e Engels (2000) nos fornece um instrumental teórico-metodológico capaz de dar precisão conceitual à
expressão “questão social”, definindo-a como a exploração do trabalho assalariado pelo capital e a luta política do movimento operário
contra essa exploração e suas múltiplas expressões.
A globalização faz parte desse cenário de novas expressões e transformações da questão social. São poucas as pessoas que fazem parte
dessa rotina e que têm consciência dos efeitos da globalização sobre o seu cotidiano. A globalização, também chamada de mundialização, é
um fenômeno de caráter econômico que tem relação com a universalização do capital e tem a ver com um novo ciclo de expansão do
capitalismo, como modo de produção e processo civilizatório mundial. A globalização traz impactos profundos nas políticas, economias e
nas culturas do mundo todo. Por conseguinte, na vida do trabalhador.
Dos avanços atrelados à globalização está a Internet, importante meio de comunicação que está se tornando cada vez mais popular e que
contribui para a “desterritorialização de coisas, gentes e ideias”. Esse quadro tecnológico fez surgir o que especialistas chamam de Indústria
4.0 ou Quarta Revolução Industrial. Esta engloba um sistema amplo de tecnologias de última geração, como Inteligência Artificial, robótica,
Internet das Coisas, computação em nuvem etc. Todas essas coisas estão mudando as formas de produção e modelos de negócios na
América Latina e no mundo.
Introdução
Ao �m deste módulo, você será capaz de reconhecer a globalização e seus impactos na América Latina.
Conceito de globalização
A globalização (SANTOS, 2011) é um fenômeno de diferentes aspectos e com divisões econômicas, sociais, políticas, culturais, religiosas e jurídicas
conectadas por uma estrutura complexa.
Haveria uma eliminação das fronteiras tradicionais no âmbito nacional, particularizando a
diversidade local e étnica.
Essa definição é muito importante para entendermos o significado do fenômeno da globalização e seus impactos na América Latina.
O continente latino-americano não está isolado de outros países e regiões. Além disso, pode ser considerado um dos mais atingidos pela
globalização. Nosso modo de vida, tipos de trabalho, gostos e até mesmo performance religiosa (liturgias, cultos) recebem algum tipo de influência
de países dominantes como os Estados Unidos e países europeus. Marcas de celulares/smartphones, eletrodomésticos, roupas etc. são alguns dos
exemplos de um novo padrão de qualidade imposto como sinônimo de status nas principais cidades de nosso continente.
Starbucks, empresa multinacional norte-americana com a maior cadeia de cafeterias do mundo, uma das marcas que mais simboliza o alcance da globalização na atualidade.
A globalização é um fenômeno de diferentes aspectos porque atinge várias áreas da nossa vida, não só a econômica, como veremos a seguir. A
estrutura que conecta cada uma das áreas afetadas pela globalização é complexa, porém, acessível àqueles que se conectam à Internet por
computador, smartphones ou outro dispositivo. Ficamos sabendo da alta da bolsa no Japão em segundos. As tendências na moda, os avanços
tecnológicos chegam em instantes pela televisão ou pela tela de algum outro aparelho (notebook, smartphone, tablet etc.). As fronteiras tradicionais
que exigem passaporte, que fazem revista, ainda que estejam presentes, não são suficientes para impedir que as informações de outras
nacionalidades e comunidades cheguem a todas as partes. Sendo assim, podemos elencar três aspectos ou áreas em que a globalização impactou
fortemente a América Latina:

Economia

Cultura

Informação
As características da globalização

O professor Leonardo Alvarenga apresenta as principais características da globalização, destacando aspectos econômicos e culturais.
Globalização e impactos econômicos
Um exemplo clássico da globalização - seja para sua efetivação, seja para que algumas nações tenham condições de posicionarem-se frente a ela -
são os chamados blocos econômicos. No caso da América Latina (IBGE, 2018) temos aqueles blocos formados especificamente por países desse
recorte continental (do México ao Chile) e aqueles blocos formados por países de mais de um recorte continental. Temos, por exemplo, a Nafta, da
qual participa o México (juntamente com Estados Unidos e Canadá) e, no primeiro caso, a Comunidade Andina (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru). O
mapa a seguir ajuda nessa compreensão:
Blocos Econômicos 2018.
O Mercosul é o único bloco econômico do qual nosso país é membro. O Mercosul reúne atualmente quatro países: Argentina, Brasil, Paraguai e
Uruguai. A Venezuela foi incorporada, mas, recentemente, encontra-se suspensa. A Bolívia está em processo de adesão. Questões ideológicas são
geralmente suprimidas em função dos interesses comerciais. Com um processo aberto e dinâmico, o Mercosul desde seu estabelecimento teve
como objetivo principal a criação de um espaço comum com geração de oportunidades comerciais e de investimentos por meio de uma integração
competitiva das economias nacionais e internacionais.
A república argentina, a república federativa do brasil, a república do paraguai e a república oriental do uruguai,
considerando que, de acordo com o estabelecido no protocolo de ushuaia sobre compromisso democrático no
mercosul, subscrito em 24 de julho de 1998, têm como condição essencial para o desenvolvimento do processo
de integração a plena vigência das instituições democráticas; que toda ruptura da ordem democrática constitui
obstáculo inaceitável para a continuidade do processo de integração; decidem: suspender a república
bolivariana da venezuela de todos os direitos e obrigações inerentes à sua condição de estado parte do
mercosul, em conformidade com o disposto no segundo parágrafo do artigo 5º do protocolo de ushuaia.
(MERCOSUL, 2017)
Em um contexto de políticas desenvolvimentistas e populistas, principalmente a partir dos anos 1950, a divisão internacional do trabalho vai
tomando forma e ocupando espaços por meio da presença de empresas multinacionais que passaram a operar em setores-chave da estrutura
produtiva de países como Brasil, Argentina e México.
Esse cenário foi propício às elites econômicas desses países, que não mediram esforços em aceitar a condição de sócias minoritárias na condução
deum capitalismo subalterno. Essa associação com o capital estrangeiro e com a burguesia industrial desestabilizou qualquer projeto de uma
hegemonia na condução do desenvolvimento nacional.
A dívida externa dos países latino-americanos com os países dominantes do primeiro mundo e fundos monetários criou maior dependência
daqueles em relação a estes. As consequências foram drásticas e imediatas: desemprego, aumento da miséria, privatização das empresas e
serviços públicos, cortes nos gastos sociais como educação, saúde, moradia e previdência.
Comentário
Nem todos percebem, mas as dívidas externas dos países latino-americanos travam a possibilidade de desenvolvimento local. Os países pagam
mais juros e ficam cada vez mais distantes de solucionar seus reais problemas. Com isso, as economias centralizadas dos países ricos determinam
os rumos da economia dos países subdesenvolvidos.
No gráfico a seguir, é possível visualizar o aumento da dívida externa da América Latina, de 1980 a 2000. Por conseguinte, o valor pago em relação à
dívida é muito inferior, não alcançando sequer a metade do total.
Dívida externa da América Latina.
Esse aumento da dívida externa pode ser considerado um impacto de grande envergadura da globalização sobre os países latino-americanos. Foi a
partir de empréstimos realizados junto às instituições financeiras internacionais, como o FMI, que esses países se tornaram subalternos e
endividados. Uma das questões que dificulta o pagamento dessas dívidas é que os países que tomam emprestado produzem mais matérias-primas
ou produto primário para fabricação dos produtos industrializados, produzidos principalmente no continente europeu e que possuem valor alto,
tornando a troca comercial bastante desigual. Por isso, o crescimento econômico acaba sendo pequeno e os recursos para sanar a dívida não são
suficientes.
Uma das saídas para a prorrogação do prazo para pagamento das dívidas foi por meio da busca pelo desenvolvimento econômico do país, com a
construção de hidrelétricas, portos, rodovias, fortalecimento e criação de novas empresas ligadas às indústrias de base, no ramo das metalúrgicas,
siderúrgicas, petroquímicas e mineração. Os países que mais investem e por conseguinte acabam contraindo maiores dívidas são Brasil, Argentina e
México.
maiores dívidas
A dívida externa não é uma característica apenas das economias liberais, ou dos países emergentes. Você poderá conferir isso em nosso Explore +.
Globalização e impactos culturais
Os países da América Latina foram colonizados por portugueses e espanhóis, portanto, europeus. Mas antes já havia a presença dos índios. Com a
exploração das terras e riquezas vieram os africanos escravizados pelos europeus. Com isso, vários costumes, culturas e tradições se misturaram
neste grande continente. O Brasil, por exemplo, tem a fama de ser um país miscigenado.
Com o avanço da globalização, novas culturas e costumes passaram a fazer parte do dia a dia dos
latino-americanos.
O processo de aculturação é um fenômeno inquestionável, em que valores e símbolos culturais que faziam parte de uma região ou nação agora
estão presentes em quase todos os lugares. As novas tecnologias de informação abriram as portas e derrubaram fronteiras.
São músicas, filmes e festas que são consumidos no Brasil e em outros países que já fazem parte da rotina. Os shoppings como lugar de encontro e
consumo de bens de várias regiões do mundo não podem faltar nas principais cidades e capitais.
Um exemplo de comemoração é o Halloween, festa típica da América do Norte, que hoje faz parte do calendário de vários países latino-americanos.
Não todos, obviamente. Países como Venezuela e Bolívia têm uma postura de maior resistência ao que vem dos EUA.
A língua é uma das principais características identitárias de qualquer país. Devido à globalização, esse elemento da cultura já tem sofrido impactos
com o que especialistas chamam de estrangeirismos. Você já ouviu falar nesse termo? O inglês é uma língua universal. Com isso, estabelecimentos,
nomes de pessoas, produtos alimentícios e outros serviços são cada vez mais denominados com a língua inglesa. Mesmo quem não possui curso
do idioma, usa com frequência no cotidiano. Nesse sentido, observe os dois diálogos abaixo.
Pizzaria Delivery
- Boa noite. É da Pizzaria?
- Sim, Aqui é da delivery.
- Qual o valor da entrega?
- Nós não fazemos entregas!
- Ué!? Mas aí não é delivery?
- Sim. “Delivery” é o nome de nossa pizzaria. Mas não fazemos entregas!
Hamburgueria
- Boa noite. É da hamburgueria?
- Sim.
- Vocês fazem entrega?
- Não, só delivery!
Embora de caráter jocoso, os diálogos mostram como as pessoas já se habituaram tanto com “delivery”, que a palavra comum para descrever o
serviço prestado - entrega - já ficou obsoleta, Ou, ao contrário, mesmo sendo uma palavra comum, sequer se tem noção do seu sentido. Esse é um
impacto claramente visível do estrangeirismo.
Globalização e os impactos na informação
Os impactos da globalização na informação se devem ao desenvolvimento das tecnologias de informação. Por meio do acesso à Internet é possível
receber e enviar informações de forma instantânea para todo o mundo. Contudo, o acesso à informação não tem sido para todos. Se a Internet é um
dos principais meios de acesso à informação, os dados são preocupantes:
Pelo menos 77 milhões de moradores rurais de 24 países da américa latina e do caribe não têm acesso a uma
conectividade com os padrões de qualidade mínimos necessários, segundo o conceito compartilhado neste
estudo de conectividade significativa. na população urbana, 71% dispõe de serviços de conectividade
significativa enquanto, em populações rurais, a percentagem baixa para 36,8%, um hiato de 34 pontos
percentuais. cabe indicar que não é importante apenas ter conectividade, mas que a mesma tenha qualidade
suficiente para poder prestar serviços de educação, de medicina ou qualquer outro serviço público.
(IICA, 2020, p. 12)
Nesse cenário, destacam-se “Brasil e Costa Rica que se posicionam na região com percentuais mais altos de conectividade significativa rural, de
43,2% a 46,9%” (IICA, 2020, p. 21). Fora isso, a diferença do acesso à Internet entre a população urbana e rural "aprofunda a desigualdade, em
matéria de vínculo com o conhecimento, do exercício da cidadania plena e das possibilidades de inserção econômica" (IICA, 2020, p. 33), afirma a
pesquisa.
Por falta de informações, quem vive nas zonas rurais pode se tornar presa fácil para políticos desonestos que, com isso, aumentam seus mandatos.
O acesso à informação é um direito humano fundamental.
A globalização trouxe mais informações, mas essa informação não chega a todos, o que acaba causando maior desigualdade social. Um paradoxo
preocupante:
“A informação é o oxigênio da democracia. Se as pessoas não sabem o que está acontecendo em sua sociedade, se as ações daqueles que as
governam forem ocultadas, então eles não podem tomar uma parte significativa nos assuntos da sociedade.” (PERLINGEIRO; DÍAZ; LIANI, 2019, p.
147).
Neste módulo, você verificou o que é o fenômeno da globalização e seu impacto na América Latina, no âmbito da economia, da cultura e da
informação. A globalização não afeta apenas a economia, mas tem um alcance muito maior, especialmente no cotidiano, no dia a dia, nas tarefas de
casa, no trabalho, na escola etc. E quanto mais imperceptível, mais acontecerá.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A globalização é um fenômeno decorrente da expansão do capitalismo e processos de industrialização. Sendo assim, seu alcance pode ser
múltiplo e impactar diferentes esferas da sociedade. Nesse sentido, a globalização pode incidir sobre
Parabéns! A alternativa A está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EA%20globaliza%C3%A7%C3%A3o%20atinge%20diferentes%20aspectos%2C%20como%20economia%2C%20sociedade%2C%20pol%C3
Questão 2
No contexto daglobalização, uma das principais estratégias adotadas pelas nações, seja com o objetivo de integrar-se economicamente,
buscando posição econômica internacional, seja para facilitar a circulação de mercadoria, são os chamados blocos econômicos.
Sobre eles, podemos afirmar:
I - Um dos blocos econômicos compostos apenas por países da América Latina é o Mercosul, do qual a Venezuela é membro, atualmente.
II - O Brasil participa de um único bloco econômico: o Mercosul. Também são membros Argentina, Paraguai e Uruguai.
III - A Nafta é um exemplo de mercado econômico intercontinental, embora nenhum país da América Latina faça parte.
A o cotidiano, a língua, a economia, a informação e a cultura como um todo.
B fatores econômicos, somente, dos quais a sociedade se estrutura.
C aspectos culturais, apenas, pois estes englobam toda a sociedade.
D a economia, que é o principal alvo.
E a industrialização, apenas.
A Todas estão corretas.
B Somente a I está correta.
C Somente a III está correta.
D Somente a II está correta.
E Somente I e II estão corretas.
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EO%20Brasil%20participa%20do%20Mercosul.%20O%20chamado%20Mercado%20Comum%20do%20Sul%20%C3%A9%20um%20bloco%
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2 - Globalização e desigualdade social
Ao �m deste módulo, você será capaz de analisar a globalização e os desa�os para a desigualdade
social.
A questão sociocultural
No primeiro módulo, vimos que a globalização é um fenômeno que afeta diferentes âmbitos da vida de homens e mulheres contemporâneos. Esse
fenômeno que surgiu com efeito nas últimas décadas do século XX, como definiu Boaventura de Souza Santos (2011), precisa ser entendido em um
contexto em que aspectos multidimensionais estão envolvidos e cujas mudanças podem trazer implicações nas relações, conexões e sociedade.
Se a globalização remete à promoção de uma aproximação das comunidades de diferentes regiões do mundo, como acontece por meio de viagens,
de comércio, migração, influências econômicas, culturais e a expansão do saber tecnológico e científico, por outro lado tem sido questionado o
efeito dessas transformações e a maneira como esse fenômeno de escala mundial tem contribuído para o desenvolvimento humano, principalmente
com relação à distribuição de riquezas e qualidade de vida. Se de um lado alguns países desfrutam dos benefícios de uma rede global, outros têm
experimentado muitos malefícios.
Comentário
Você que usufrui dos benefícios da globalização talvez não tenha pensado o quanto esse termo global é insuficiente para explicar um fenômeno que
ainda não é para todos.
Muitos estudiosos compartilham da ideia de que a globalização tem sido responsável pela expansão da desigualdade social. Expansão, porque a
desigualdade social não é de agora, do final do século XX até os dias de hoje. É possível afirmar que a globalização potencializou a desigualdade
social nos países subdesenvolvidos, como exemplo, os que fazem parte da América Latina. Ouvimos muito falar de oportunidades para jovens que
desejam estudar e se preparar para o mercado de trabalho. Mas o acesso a uma educação de qualidade não é equânime. Aqueles que conseguem
com muita luta se formar encontram dificuldades para se inserir no mercado de trabalho.
Em 2017 (IBGE, 2018), o Brasil contava com a pior taxa de desemprego de todas da América Latina: de 10% a 15%.
A pandemia da covid-19 impactou profundamente esse cenário com perdas de empregos, falência de empresas e consequente queda na renda da
população. Temos um número gigantesco de jovens formados no Ensino Superior, mas sem emprego ou em algum trabalho informal, sem relação
com sua área.
Esse breve panorama é útil para compreendermos que a desigualdade social como efeito do fenômeno da globalização pode ser vista de diferentes
modos e lugares. A fim de oferecer uma abordagem didática, dividiremos, como no módulo anterior, quatro áreas em que se pode verificar o impacto
da globalização para a desigualdade social:

Econômica

Política

Social

Cultural
Dentre várias possibilidades de definição acerca da desigualdade social, Santos (2010, p. 3) a compreende como uma “condição de acesso
desproporcional aos recursos, materiais ou simbólicos, fruto das divisões sociais”. Ou seja: na forma de privações e de desenvolvimento de
capacidades. Essa questão social é de extrema importância e, por vezes, pode estar velada aos olhos de grande parte da população. A globalização
social e cultural (CAMPOS; CANAVEZES, 2007) gira em torno de duas óticas:
ora tendência de uniformização da cultura em termos mundiais;
ora provocando a diversidade cultural.
Também gira, paralelamente, em torno do grande desenvolvimento tecnológico, principalmente no que se refere ao campo de comunicação e
informática, que possibilita troca de informações quase em tempo real, independentemente da distância entre um território e outro. Considerando
que os EUA detêm o monopólio da produção eletrônica, é de se esperar que suas criações se tornem um padrão a ser consumido. Mas não por
todos. As taxas de importação tornam os produtos mais caros e, por conseguinte, acessíveis a poucos.
Em uma cultura globalizada, determinadas práticas sociais e culturais tendem a ser impulsionadas pelas grandes empresas. Existe nesse contexto
uma ocidentalização da cultura. Práticas sociais e culturais transnacionais estão relacionadas diretamente com as trocas desiguais de identidades e
culturas.
Logo, o que se designa por globalização (SANTOS, 2011), deveria ser designado por ocidentalização ou americanização, uma vez que os valores e
culturas que se globalizam são ocidentais.
Observamos que a globalização trouxe efeitos negativos, como a desigualdade social. Se por um lado houve acesso a diferentes bens de consumo,
essa porta não se abriu a poucos. Um número grande e ainda encoberto da população sofre as consequências da desigualdade social na economia,
na cultura e na política. Afinal, segundo Foucault (2010, p. 30), “quem tem mais saber, tem mais poder”.
A desigualdade social
Alguma vez você já ouviu falar no Consenso de Washington? Se não ouviu, muito menos saberá o que isso tem a ver com a realidade da
desigualdade social na América Latina. O Consenso de Washington está associado ao sistema econômico capitalista e ao consenso neoliberal.
O neoliberalismo é uma doutrina que defende a absoluta liberdade de mercado e uma restrição à intervenção
estatal sobre a economia.
Devendo esta ocorrer em setores imprescindíveis, como saúde e educação, mas ainda assim em um grau mínimo. O conceito de neoliberalismo não
é consenso entre especialistas, pois depende do recorte teórico (ou ideologia) que fundamenta sua análise de mundo: há quem ache ruim porque
nem todos têm as mesmas oportunidades e há quem veja um estímulo à competição e ao melhor preparo.
O Consenso de Washington, ocorrido na capital dos Estados Unidos, em 1989, é fruto de algumas reuniões que envolveram o Fundo Monetário
Internacional (FMI), o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O objetivo dessas reuniões era traçar políticas
econômicas, consideradas reformistas, para a América Latina. Mas quais foram os assuntos e recomendações tratados? Podemos destacar
(SANTOS apud ALMEIDA, 2015, pp. 157-158) nove pontos:
A ideologia do neoliberalismo articulada no Consenso de Washington se disseminou em vários países, ainda que tenha sofrido adaptações de
acordo com as características de cada região. Entretanto, são as liberdades em relação às atividades que tangem o meio econômico que
predominam a despeito das regionalidades e especificidades de cada país. Em um cenário de globalização, o projeto neoliberal impõe aos países
periféricos uma economia de mercado global sem restrições. Com isso, a competição ilimitada e a minimização doEstado na área econômica e
social fazem parte da realidade desses países, gerando desigualdades sociais sem precedentes.
Reforma tributária
Redução das despesas públicas
Monitoramento do dé�cit �scal
Gerenciamento das taxas de juros
Gerenciamento das taxas de câmbio
Quebra de barreiras que impediam entrada de capital externo
Políticas voltadas para a abertura comercial e liberação de importações
Preservação de direito à propriedade, até mesmo as industriais e intelectuais
Privatização de empresas públicas, desregulamentação do sistema econômico, na qual houve
também a inserção de leis trabalhistas
Sem políticas definidas por cada país, o mercado financeiro tem autonomia e poder para gerir negócios e como consequência impactar a vida em
sociedade gerando pobreza e riqueza ao mesmo tempo. Grandes empresas e companhias dominam o mercado de bens e serviços, explorando mão
de obra e, por vezes, diminuindo o custo dos seus produtos. Controlada por um número pequeno de países, as corporações transnacionais do Japão,
Estados Unidos e União Europeia concentravam um poder econômico imbatível até a chegada da China. Além disso, é incrível o potencial
econômico das grandes empresas, chegando a superar as economias de alguns países.
Re�exão
Se a Apple, empresa multinacional norte-americana de eletrônicos, fosse um país, teria um tamanho similar ao da economia turca, holandesa ou
suíça. E nesse sentido, você pode fazer um exercício mental: quantas pessoas que você conhece estão em uma universidade? Quantos têm casa
própria? Quantos têm condições de pagar por um serviço de Internet? Quantos possuem um aparelho da Apple, como iPhone, MacBook?
A globalização econômica está diretamente ligada à desigualdade social na medida em que o crescimento desenfreado e massivo da tecnologia e
dos canais de informação restringem seu alcance a determinados grupos sociais, favorecendo o acúmulo de riqueza para os mais ricos e
dificultando, assim, a emancipação social dos mais pobres.
A questão política
Queda do Muro de Berlim
O professor Leonardo Alvarenga apresenta características da reestruturação mundial após o fim da Guerra Fria, no contexto da globalização: vitória
do capitalismo ou derrota do socialismo.
A questão política é de grande importância para entendermos a relação entre globalização e desigualdade social. Por que? É relevante ressaltar que
a supremacia da globalização resultou de decisões dos Estados Nacionais. Logo, uma deliberação política. O sistema interno dos Estados se
direciona ao desenho político do atual sistema mundial, ou então, os Estados ficam fragilizados. Podemos perceber três contextos importantes
presentes no mundo globalizado:
O primeiro é composto por estados preeminentes, por si só ou por meio das entidades financeiras que
dominam, que reduziram a liberdade política e a soberania dos estados marginalizados ou semimarginalizados.
o segundo, está ligado à intensificação de alianças políticas entre os estados, como, por exemplo, a formação
de blocos econômicos como a união europeia, nafta e o mercosul. o terceiro, aponta a existência de privação
do poder de realizar certas determinações econômicas, sociais e políticas, antes tradicionalmente feitas pelo
estado-nação.
(SANTOS, 2011, p. 160)
Todos esses cenários podem ser vistos em países da América Latina, a exemplo do Brasil. O Estado se reestrutura quando suas organizações
públicas são privatizadas por interesses econômicos. Setores importantes como educação, habitação, saúde, transporte etc. se enfraquecem à
medida que o Estado e a sociedade não pensam nas questões que importam a todos.

O Estado alinhado à sociedade e seus interesses tem mais chances de oferecer respostas às necessidades do cotidiano, que também possuem
raízes históricas, como a escravidão.
Exemplo
Barros (2021) cita uma pesquisa recente que demonstra como a disparidade de acesso ao computador e à Internet afetou o aprendizado de
milhares de jovens enquanto as escolas estiveram fechadas. Os estudantes negros foram os que mais sentiram os impactos negativos da pandemia
de covid-19. Em maio de 2020, 79% dos estudantes brancos já tinham a estrutura em casa para manter o aprendizado, contra 70% dos alunos
negros. A proporção é mais agravada no recorte de classe social: 84% para estudantes brancos com renda de mais de dois salários mínimos e
apenas 68% para os negros em famílias que recebem até dois salários mínimos.
Com a política econômica no controle sobre os Estados as desigualdades se acentuam ainda mais, uma vez que a educação oferecida tem
interesses majoritários em atender às demandas existentes no mercado de trabalho, sem, contudo, enfrentar e combater os problemas estruturais
presentes na sociedade. Em uma análise do capitalismo e da sociedade por determinada vertente ideológica é possível perceber que a classe
dominante controla a sociedade sem precisar exercer a tirania explícita. O que se quer dizer com isso? As ideias dominantes em uma dada época
passam a um patamar superior e exercem controle e domínio sobre as relações cotidianas da sociedade, sem que, a maioria das pessoas, tenha
percepção disso.
Um fato histórico marcante, que virou símbolo, foi a queda do Muro de Berlim. O acontecimento que acabou com a Guerra Fria operou uma
transformação de um mundo “bipolar” em um território sob domínio dos EUA. O capitalismo e neoliberalismo ganharam força no mundo inteiro, sob
o comando das modernas e poderosas empresas multinacionais, cujas sedes estavam localizadas nos países proeminentes do primeiro mundo.
Baseados nos avanços tecnológicos que viabilizam um volume cambial de informações de forma instantânea e manipulação de capitais,
desencadearam a vulnerabilidade de todos os mercados, traço que se agravou nos países do denominado “terceiro mundo”; ou “emergentes”, como
ficaram conhecidos esses países após o fim da Guerra Fria.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
“Falar de características dominantes da globalização pode transmitir a ideia de que a globalização é não só um processo linear, mas também
um processo consensual. Trata-se obviamente de uma ideia falsa...” (SANTOS, Boaventura de Sousa, A globalização e as Ciências Sociais. São
Paulo: Cortez, 2011, p. 27).
A frase acima pode nos levar a perceber algumas características políticas da globalização. Sobre isso, podemos afirmar:
I - Para melhor entender a relação entre globalização e desigualdade social, é necessário compreender as características políticas da
globalização.
II - Alianças políticas e formação de blocos econômicos são características da globalização.
III - A queda do Muro de Berlim é um exemplo de como um fato ocorrido em um país pode trazer equilíbrio econômico para a sociedade global.
Das afirmativas acima:
A Somente a I é verdadeira.
B Somente a II é verdadeira.
C Somente a III é verdadeira.
D Somente I e II são verdadeiras.
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EAs%20afirmativas%20I%20e%20II%20trazem%20o%20paradoxo%20da%20globaliza%C3%A7%C3%A3o%3A%20se%20por%20um%20lad
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Questão 2
A pandemia da covid19 impactou profundamente o mundo. Em 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada
sobre vários casos de pneumonia na cidade de Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China. Em um mundo globalizado,
diferentes populações foram afetadas. Principalmente a população de baixa renda, que sofreu com
Parabéns! A alternativa B está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3ECom%20a%20pandemia%20de%20covid19%2C%20pequenas%20empresas%20tiveram%20que%20fechar%20suas%20portas%20e%20E Somente II e III são verdadeiras.
A acesso a transportes de aplicativos e Internet.
B perdas de empregos, falência de empresas e consequente queda na renda.
C habitação em bairros de classe média e alimentação saudável.
D cancelamentos de viagem para o exterior.
E desocupação de terras habitadas.
3 - A Quarta Revolução Industrial
Ao �m deste módulo, você será capaz de identi�car o que é a Quarta Revolução Industrial: a Indústria
4.0 e sua in�uência na dinâmica do trabalho.
A Quarta Revolução Industrial e a Indústria 4.0
Características da Quarta Revolução Industrial
O professor Leonardo Alvarenga apresenta a relação entre Quarta Revolução industrial, globalização e questão social, a partir das principais
características da primeira.
O processo de globalização e o desenvolvimento da tecnologia permitiram um novo processo de revolução industrial denominado Quarta Revolução
Industrial. Esse conceito foi criado no contexto do Fórum Econômico Mundial, em uma obra homônima:
A quarta revolução industrial cria um mundo onde os sistemas físicos e virtuais de fabricação
cooperam de forma global e �exível. isso permite a total personalização de produtos e a criação
de novos modelos operacionais.
(SCHWAB, 2016, p. 19)
Com a Quarta Revolução, a indústria e a sociedade têm se transformado de um modo diferente de qualquer coisa que o gênero humano já
experimentou antes. Essa transformação se dá por três motivos, com os quais os especialistas estão de acordo: sua velocidade, seu alcance e seu
impacto sem precedentes.
Essa figura representa muito bem a diferença entre os quatro processos de industrialização. Tudo começou com mecanismos simples movidos a
vapor, depois houve o surgimento da eletricidade e do motor a combustão e a indústria passou para o processo de linha de montagem e produção
em escala. Em seguida, uma nova revolução aconteceu com a automação de processos por meio da robótica, equipamentos eletrônicos,
computadores e Internet. Atualmente, estamos nesse processo da Quarta Revolução Industrial caracterizado pela inclusão dos sistemas
cibernéticos, Inteligência Artificial e sistemas interligados em rede.
O termo “Indústria 4.0” foi utilizado pela primeira vez em 2011, em um projeto estratégico para aumentar a produtividade da indústria alemã fazendo
uso de inovações de alta tecnologia. Em 2012, o grupo responsável pelo projeto apresentou um relatório ao governo alemão, traçando estratégias

para a implementação da Indústria 4.0. A Alemanha liderou as pesquisas desse tema devido ao know-how em pesquisa, produção de tecnologia
voltada para a produção industrial e na liderança no desenvolvimento de aplicações de sistemas base para os sistemas ciberfísicos. Entendendo
sistema ciberfísico como um sistema que integra o mundo real e virtual e que integra todos os atores do processo, iniciando pela cadeia de
suprimento até o consumidor final.
A Indústria 4.0 se apoia em nove pilares que são na realidade tecnologias. São eles:

Big Data
É um conjunto de tecnologias de armazenamento e processamento de grande volume de informações.

Cibersegurança
É um conjunto de infraestruturas de hardware e software voltado para a proteção de informação.

Manufatura aditiva
Consiste na fabricação de peças a partir de um desenho digital por meio de uma impressora 3D.

Computação nas nuvens
Refere-se à possibilidade de se ter acesso a serviços de tecnologia da informação por meio de uma conexão à Internet, gerando diminuição de
custos.

Robótica autônoma
Está relacionada aos dispositivos que agem em grande parte, ou parcialmente, de forma autônoma e que interagem fisicamente com as pessoas.

Integração dos sistemas
É a união de diferentes sistemas de computação para atuar como um todo coordenado, possibilitando a troca de informações entre eles.

Internet das Coisas
É a interconexão entre objetos que passam a se comunicar e interagir, podendo ser remotamente monitorados e/ou controlados, resultando em
ganhos de eficiência.

Realidade aumentada
Fornecerá dados precisos e em tempo real que poderão ser utilizados na elaboração de projetos e na capacitação em treinamento e supervisão de
equipes de trabalho.

Simulação
É a utilização de computadores e um conjunto de técnicas para gerar modelos digitais que descrevem ou exibem a interação complexa entre várias
variáveis dentro de um sistema, imitando processos do mundo real.
Toda mudança, de qualquer natureza, implica em vantagens e desvantagens, desafios e oportunidades. As vantagens advindas da Quarta Revolução
Industrial são evidentes: melhoria e aumento da produtividade; eficiência e qualidade nos processos; segurança no local de trabalho; utilização de
ferramentas que permitem tomar decisões baseadas em dados; competitividade por meio de produtos que satisfaçam às necessidades dos
consumidores; e outras.
Em relação às desvantagens e aos desafios a serem superados, os especialistas apontam: necessidade de adaptação frente à enorme velocidade
das mudanças; crescentes riscos cibernéticos que obrigam a aumentar a cibersegurança; alta dependência tecnológica, o que dificulta, muitas
vezes, a captação de pessoal qualificado; e outras.
Indústria 4.0 e mercado de trabalho
Parece não haver dúvidas de que a Indústria 4.0 trará, inevitavelmente, impactos e influências desse novo modelo industrial nas diferentes áreas da
sociedade. Países que adotarem tecnologias de ponta podem incrementar pontos percentuais em seus PIBs (Produto Interno Bruto) nas próximas
décadas, gerando uma nova onda de empregos e uma nova ordem econômica. A despeito de que a automação desemprega, o mundo pós-industrial
nunca contratou tanto. O perfil do empregado é que mudou ao longo do tempo.
A Quarta Revolução Industrial tem o potencial de elevar o PIB e melhorar a qualidade de vida de populações inteiras, porém esse processo de
revolução só beneficiará quem for capaz de inovar e de se adaptar rapidamente. Em entrevista à BBC, Elizabeth Garbee, pesquisadora da Escola para
o Futuro da Inovação na Sociedade, da Universidade Estatal do Arizona (ASU), revelou que:
No jogo do desenvolvimento tecnológico, sempre há perdedores. Uma das formas de desigualdade que mais
me preocupa é a dos valores. Há um risco real de que a elite tecnocrática veja todas as mudanças que vêm
como uma justificativa de seus valores.
(PERASSO, 2016)
As tecnologias que permeiam a Indústria 4.0 influenciam as economias globais, alterando sobremaneira a forma de produzir e consumir bens e
serviços. Com os equipamentos cada vez mais inteligentes por meio da Inteligência Artificial, haverá a interferência de técnicos de manutenção
somente quando a máquina solicitar, do contrário o próprio sistema poderá resolver problemas que surgirem. Outra mudança na dinâmica do
trabalho tem relação com a qualificação dos profissionais que precisarão ser multidisciplinares e ter alguma formação em programação, robótica
colaborativa e análise de dados, assim como desenvolver competências socioemocionais com métodos para estimular a criatividade, o
empreendedorismo, a liderança e a comunicação.
Assim, os profissionais da Indústria 4.0 (MILLANI apud CARDOSO, 2016, p. 34) necessitarão possuir as seguintes características:
Essas características são voláteis e, à medida que novas tecnologias surgirem, outras exigências se estabelecerão. Consequentemente, haverá
também mudanças significativas em relação à oferta de empregos, especialmente com o surgimento da robótica e informatização do processo de
produção.
A Indústria 4.0 veio para estabelecer um novo padrão e dinâmica no mundo do trabalho. Esse padrão será marcado pela digitalização dos modos de
produção e a inclusão de novas tecnologias. Com isso haverá aumento de produção e criação de novos negócios. Entretanto, o acesso à informação
e qualificação para esses novos setores deverão estar sempre sob vigilância, para que, com uma nova configuração no mundo do trabalho, não haja
maiores níveis de desemprego e desigualdadesocial.
Indústria 4.0 e ética
A Indústria 4.0, assim como as revoluções industriais anteriores, deixaram desafios éticos. O famoso filme Tempos modernos, de Chaplin, apresenta
a conhecida crítica ao novo modelo e dinâmica de trabalho, no início do século XX. Mas é no discurso, também famoso, de O grande ditador, que ele
apresenta uma frase emblemática: “Não sois máquinas, homens é o que sois!”. O que importava, afinal, o homem ou máquina? Vale a pena sacrificar
a vida humana em nome da evolução das máquinas ou das novas tecnologias?
Boa formação
Os profissionais precisarão ter uma boa formação, inclusive multidisciplinar.
Conhecimento variado
Manter-se aprendendo constantemente, incluindo o conhecimento em novas tecnologias.
Senso de urgência
Reconhecer e saber atuar em situações urgentes de forma imediata.
Bom relacionamento
O avanço tecnológico não eliminará a necessidade de interação entre os profissionais, que devem pautar suas relações com respeito
e ética profissional.
Tempos modernos, 1936.
O grande ditador, 1940.
Uma reportagem foi publicada pelo Fórum Econômico Mundial em 2017 e trouxe para reflexão os dilemas morais da Quarta Revolução Industrial.
Algumas questões aparecem logo de início: para o professor Klaus Schwab, essa fase será construída em torno de "sistemas ciberfísicos", em que
os limites entre o físico, o digital e o biológico são atenuados:
Ao abraçarmos a era da máquina, seremos confrontados com novos desafios éticos, exigindo novas leis. Em alguns
casos, todo o código moral pode precisar de reelaboração. É a natureza dos avanços tecnológicos. Acreditamos
que a humanidade estará, em breve, prestes a repensar a moral – uma ética 2.0. (IHU, 2017)
A reportagem do Fórum Econômico Mundial conclui dizendo que será necessário um fórum internacional estruturado para elaboração de uma lista
de tecnologias que precisarão de governança. Além disso, também será preciso avaliar cada tecnologia e um plano para seu código de conduta. Não
permanece o risco de cada vez mais termos uma elite altamente tecnológica, que domine uma classe de pessoas possuidoras apenas de uma
subtecnologia?
A dinâmica no trabalho, impactada pela Indústria 4.0, será refém da Inteligência Artificial, que por sua vez nos ajudará a tomar decisões. Mas o que
garantirá a boa projeção dos algoritmos e os preconceitos embutidos nesses sistemas, que serão usados para determinar, por exemplo, promoções
no trabalho? O mesmo Fórum Mundial parece apresentar alguma esperança, pela voz do Secretário Geral da ONU:
E por isso eu acredito que existe agora uma nova oportunidade... Para responder aos desafios que nós iremos
enfrentar em relação ao futuro e nomeadamente os impactos que já foram discutidos tantas vezes neste Fórum
Econômico Mundial, a chamada Quarta Revolução Industrial, e os desafios que a comunidade internacional
enfrenta em áreas como Engenharia Genética ou Inteligência Artificial e os problemas do espaço cibernético,
nos quais, de acordo com a minha profunda convicção, apenas com um diálogo muito forte e uma parceria
entre governos, organizações internacionais e o setor privado, seria possível transformá-los em instrumentos
que nos permitam um crescimento fantástico no bem-estar das pessoas e a evitar os riscos que seriam um
pesadelo para a humanidade.
(GUTERRES, 2017)
Neste módulo, você aprendeu sobre o conceito de Indústria 4.0 ou Quarta Revolução, seu surgimento e pilares. Mas também refletiu sobre suas
vantagens e desvantagens, assim como as implicações para a dinâmica do trabalho, finalizando com os desafios éticos que os avanços da Indústria
4.0 pode trazer para os que dela usufruem e os que não podem por motivos já apresentados.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(Prefeitura de Aquiraz/CE, 2017 - Concurso para Guarda Municipal). Uma revolução industrial é caracterizada por mudanças abruptas e radicais,
motivadas pela incorporação de tecnologias, tendo desdobramentos nos âmbitos econômico, social e político. Segundo teóricos, o mundo
passa por uma transição de época e estaria no início da Quarta Revolução Industrial ou da chamada Indústria 4.0. O desenvolvimento e a
incorporação de inovações tecnológicas vão mudar radicalmente o mundo como o conhecemos e moldar a indústria dos próximos anos. Nesse
sentido, podemos afirmar que a Indústria 4.0 é caracterizada por
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EAs%20caracter%C3%ADsticas%20marcantes%20da%20Ind%C3%BAstria%204.0%20s%C3%A3o%3A%20Internet%20das%20Coisas%2C%
Questão 2
Utilizado pela primeira vez em 2011, o termo Indústria 4.0 fez parte de um projeto estratégico da indústria alemã com que finalidade?
A produção em escala, linha de montagem, eletricidade e combustão.
B automação, robótica, computadores e Internet.
C mecanização, tear e força a vapor.
D Internet das Coisas, redes, Inteligência Artificial e sistemas cibernéticos.
E Internet das Coisas, automação e Internet.
A Superação dos danos da Segunda Guerra Mundial e do nazismo.
B Elevação da produção com auxílio das inovações tecnológicas.
C Desenvolvimento automobilístico.
Parabéns! A alternativa B está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EO%20termo%20Ind%C3%BAstria%204.0%20foi%20utilizado%20pela%20primeira%20vez%20em%202011%20em%20um%20projeto%20e
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Considerações �nais
Após nos situarmos um pouco no universo de grandes transformações, provenientes deste fenômeno chamado Quarta Revolução Industrial,
pudemos ver com mais detalhes as expressões contemporâneas da questão social em três aspectos: a globalização e seus impactos na América
Latina; globalização e os desafios para a desigualdade social; a Quarta Revolução Industrial, a Indústria 4.0 e sua influência na dinâmica do trabalho.
Os dois primeiros módulos trataram da globalização. No primeiro momento refletimos sobre o que significa esse fenômeno e sua relação com o
capitalismo moderno: vimos como a globalização é entendida como expressão contemporânea da questão social. Entendida, assim, como
consequência de um modo capitalista de produção, a questão social tem experimentado mudanças que atingem grande parte da população, em
especial da América Latina. Uma das consequências desse fenômeno é a desigualdade social, com impactos econômicos, culturais e políticos sem
precedentes. A globalização atinge várias esferas da sociedade e está presente no cotidiano.
No último módulo, pudemos perceber como as grandes mudanças no modo de produção, velocidade e dinamismo fazem parte dessa nova
realidade. Diferentemente das revoluções industriais anteriores, a Indústria 4.0 faz da máquina e dos avanços tecnológicos seu meio e seu fim. Sua
influência na dinâmica do trabalho é visível e massificante. Quem não se atualiza em curto tempo corre o risco de ficar de fora, desempregado. Por
fim, a Indústria 4.0, como outras, traz desafios éticos que precisam de atenção. Afinal, a vida humana está em jogo.
Podcast
Agora, o professor Leonardo Alvarenga encerra abordando os principais pontos deste conteúdo.
D Concorrência com outras nações industrializadas.
E Demonstração de superioridade tecnológica.

Referências
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