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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE NUTRIÇÃO DISCIPLINA: DBF0059 - FARMACOLOGIA APLICADA À NUTRIÇÃO Profª(s): Dra. Fernanda Regina de Castro Almeida e Dra. Maria Zenaide de Lima Chagas Moreno Fernandes WAYLLA CAROLINE SENA MACHADO CURARE TERESINA - PI FEVEREIRO - 2023 WAYLLA CAROLINE SENA MACHADO CURARE Trabalho apresentado à disciplina de Farmacologia para Nutrição como requisito parcial para aprovação no período 2022.2 Profª(s): Dra. Fernanda Regina de Castro Almeida Dra. Maria Zenaide de Lima Chagas Moreno Fernandes TERESINA - PI FEVEREIRO - 2023 SUMÁRIO 1.INTRODUÇÃO………………………………………………………………..……………4 2.METODOLOGIA……………………………………………………………….………….5 3.RESULTADOS E DISCUSSÃO ………………………………………………………....6 4.CONCLUSÃO……………………………………………………………………….……..8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……………………………………………… 4 1.INTRODUÇÃO O uso de bloqueadores neuromusculares – também conhecidos como Curare – na prática clínica propiciou um significativo avanço na medicina. Outrora, segundo Almeida (1997): “[...] A anestesia era mais uma arte, privilégio de poucos, do que uma ciência que poderia ser transmitida a muitos”. O anestesiologista era frequentemente impulsionado a optar por uma anestesia profunda, com efeitos depressores sobre os sistemas respiratório e cardiovascular e por marcantes efeitos metabólicos, afim de poder oferecer bom relaxamento muscular à cirurgia”. ALMEIDA, 1997, p.195 Antes desse uso em saúde, porém, o curare já era conhecido pelos povos nativos da região amazônica. A primeira menção ao uso de dardos envenenados data dos anos 1500, com a morte de um soldado em decorrência de uma flecha indígena supostamente contendo essa substância. “Curare” era, então, um termo utilizado pelos povos nativos para se referir ao conjunto de venenos extraídos de certas espécies de cascas e cipós. (GAUDÊNCIO; RODRIGUES; MARTINS, 2020) O curare é proveniente de diversas espécies de plantas que variam de acordo com a região e a tribo. A extração era feita da seguinte forma: as partes das quais se obtinha o curare eram cozidas com água e o líquido obtido era filtrado em folhas e depositado em potes de barro, sob fogo brando, para um processo de apuração bastante semelhante à produção de melaço. O produto final era um fluido escuro, que, então, estava pronto para ser utilizado em setas de caça. (SILVA, 2022) A primeira anestesia a base de curare utilizada no Brasil foi aplicada em 1945 sob o nome comercial Intocostrin. De lá para cá, o curare tem sido empregado em diversas condições, sobretudo no tratamento de dores intensas, pós-operatórios, anticonvulsionantes e relaxantes musculares. No entanto, é preciso bastante habilidade de quem administra, pois uma dosagem minimamente equivocada leva o paciente a uma parada respiratória rapidamente. A morte por curare é causada por asfixia, pois os músculos esqueléticos ficam relaxados e, então, paralisam, cessando os transportes de oxigênio. (SILVA, 2022, LIMOGNI, 1946) Feitas essas colocações e apresentações, o objetivo das práticas aqui descritas é demonstrar os mecanismos de ação do curare através de experimentos em animais e discutir seus efeitos na saúde humana. 5 2.METODOLOGIA A prática foi realizada de forma integralmente virtual, com o auxílio de um vídeo publicado na plataforma Youtube que reproduz a experiência de Claude Bernard, responsável pela descoberta da ação curarizante. Tomou-se uma rã, submetida previamente à descerebração. Na parte posterior das coxas do animal, separa-se o nervo ciático da artéria e se liga a um eletrodo de estimulação (estímulo indireto), em seguida, o tendão do músculo gastrocnêmio é separado, seccionado e preso a um fio, que será usado para registrar a atividade muscular. Na coxa direita, uma ligadura em massa impede o fluxo sanguíneo para a respectiva pata. Com essas posições, aplica-se estímulo em ambas as patas. Os resultados são transcritos por um transdutor de força. Feita essa primeira parte, os eletrodos são realocados no animal, dessa vez, diretamente sobre o músculo (estímulo direto). Esses procedimentos visam obter uma resposta controle, ou seja, como o músculo se comporta sem a ação da substância estudada. Em seguida, o curare é aplicado no saco linfático dorsal do animal. Aguarda-se alguns minutos e, então, são repetidas as estimulações. O experimento foi repetido em outros animais: um peixe elétrico e uma ave 6 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Nas primeiras estimulações, tanto na diretamente no músculo quanto na feita no nervo, ambas as patas apresentavam contração; já após o medicamento, apenas a pata com ligadura, ou seja, sem fluxo sanguíneo, apresentou contração quando o estímulo era aplicado. Estes achados estão sumarizados no quadro 1 abaixo. Quadro 1. Presença de contração frente ao uso do curare Presença do curare/ Estímulo Sim Não Direto Contração Contração Indireto Não contração Contração Fonte: Autoria própria (2023) Nas documentações de contração muscular, após a administração do curare, observa-se uma queda progressiva da capacidade de contração da pata esquerda, ou seja, aquela que recebia irrigação sanguínea adequadamente, evidenciando a ação neuromuscular. A junção neuromuscular (JNM) é a união entre o sistema nervoso periférico e as fibras musculares, onde ocorre a sinapse que permite a contração muscular; sendo fundamental para garantir a contração e, por consequência, o movimento. (ZANARDO, 2022) Nessa junção, há a fibra nervosa com um filamento terminal, que é denominado estrutura pré-sináptica; em seguida, há a membrana pós juncional. Quando o impulso elétrico atravessa a área pré-sináptica, há liberação de acetilcolina (ACh), o neurotransmissor responsável pelas ações. A ação do curare consiste, basicamente, numa competição com a acetilcolina pelos receptores, impedindo sua ação. (GALINDO, 1997) Contudo, o curare, tanto nas formas naturais quanto nas sintéticas, apresenta um efeito bastante potente, conforme observado na prática com aves, na qual se observa algumas diferenças entre as duas formas. Nos mamíferos, a rigidez não é tão aparente, todavia, independente do animal, as doses letais, variáveis com o pêso e a espécie, levam à asfixia em decorrência de paralisia dos músculos respiratórios; a morte pode ser evitada pelo emprego de respiração artificial. (SILVA JR., 1945) 7 4. CONCLUSÃO Através das práticas aqui descritas, foi possível demonstrar o mecanismo de ação do curare no organismo. A busca na literatura ajudou a esclarecer esses mecanismos, bem como trazer à luz seus efeitos na saúde. Cabe destacar que, como qualquer substância, o curare tem suas vantagens e desvantagens, cabendo cautela e parcimônia em seu uso, visando um melhor aproveitamento pela sociedade. 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Maria Cristina Simões de. A era dos bloqueadores neuromusculares. Brazilian Journal of Anesthesiology, v. 47, n. 3, p. 195-198, 1997. GALINDO, ANIBAL. Local de ação dos relaxantes musculares. Brazilian Journal of Anesthesiology, v. 21, n. 3, p. 0-0, 1971 GAUDÊNCIO, Jéssica da Silva; RODRIGUES, Sérgio Paulo Jorge; MARTINS, Décio Ruivo. Indígenas brasileiros e o uso das plantas: saber tradicional, cultura e etnociência. Khronos, n. 9, p. 163-182, 2020. LIMONGI, José Papaterra. O uso do curare como auxiliar da anestesia. Revista de Medicina, v. 30, n. 151, p. 359-364, 1946. SILVA, Angel Gabriella Garcia da. ETNOFARMACOLOGIA: CONTRIBUIÇÃO DE POVOS ORIGINÁRIOS NO DESCOBRIMENTO DE FÁRMACOS E FITOTERÁPICOS. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Farmácia). São Paulo, Bauru, 2022 SILVA JR, J. A. Aplicações do curare em neuro-psiquiatria. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 3, p. 467-471, 1945. ZANARDO, Gabriel Ferreira. Adaptações morfológicas da junção neuromuscular ao exercício físico. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Educação Física). São Paulo, Rio Claro, 2022.