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Universidade Tiradentes - Medicina Acúmulos intracelulares e calcificação patologia ● É uma das manifestações de alterações metabólicas nas células: o acúmulo intracelular de quantidades anormais de diversas substâncias. ● As substâncias podem ser inofensivas ou associadas com graus variados de lesão. ● A substância pode estar localizada no citoplasma, dentro das organelas (lisossomos), ou no núcleo. ● Pode ser sintetizada pelas próprias células afetadas, ou em outros locais. ● Se a sobrecarga for controlada ou interrompida, o acúmulo é reversível. ● Nas doenças de depósito genéticas, o acúmulo é progressivo e pode causar lesão celular, morte do tecido e do paciente. Existem quatro mecanismos principais que geram acúmulos intracelulares anormais: ■ Remoção inadequada de uma substância normal secundária a defeitos nos mecanismos de acondicionamento e transporte: (esteatose) no fígado. ■ Acúmulo de uma substância endógena anormal como resultado de defeitos genéticos ou adquiridos em seu dobramento, acondicionamento, transporte, ou secreção: formas mutantes de α1-antitripsina. ■ Falha em degradar um metabólito devido a deficiências enzimáticas hereditárias. Os distúrbios resultantes são chamados de doenças de depósito (também chamadas de doenças de armazenamento). ■ Depósito ou acúmulo de uma substância exógena anormal quando a célula não possui maquinaria enzimática para degradar a substância ou não tem capacidade de transportá-la para outros locais. (Acúmulo de carbono ou sílica). 1.1 LIPÍDIOS: ● Todas as classes principais de lipídios podem se acumular; 1 Acúmulos intracelulares: 2 triglicerídeos, colesterol/ésteres de colesterol e fosfolipídios. ● Os fosfolipídios são componentes das figuras de mielina encontradas nas células necróticas. ● Complexos anormais de lipídios e carboidratos se acumulam nas doenças de depósito lisossômico. Esteatose: . ● (Degeneração Gordurosa): acúmulos anormais de triglicerídeos dentro das células parenquimatosas. ● É vista com frequência no fígado, pois o mesmo está envolvido no metabolismo lipídico ● Pode também ocorrer no coração, músculos e rins. ● Causas: substâncias tóxicas, desnutrição proteica, diabetes melito, obesidade e anoxia. Colesterol e Ésteres de Colesterol: . ● O metabolismo celular do colesterol é finamente regulado, assim a maioria das células usa-o para a síntese das membranas celulares sem acúmulo intracelular. ● Os acúmulos, manifestados histologicamente por vacúolos são observados em diversos processos patológicos. ● Aterosclerose: Nas placas ateroscleróticas, as células musculares lisas e os macrófagos dentro da túnica íntima da aorta e das grandes artérias estão repletos de vacúolos lipídicos ○ A maioria é composta de colesterol e ésteres de colesterol. ○ Essas células exibem uma aparência espumosa e agregados dessas células na íntima produzem os ateromas amarelos carregados de colesterol. ○ Algumas dessas células cheias de gordura se rompem, liberando lipídios no espaço extracelular. ○ Os ésteres de colesterol extracelulares podem se cristalizar na forma de agulhas longas, produzindo fendas bastante características nos cortes histológicos. ● Xantomas: O acúmulo intracelular de colesterol dentro dos macrófagos. ○ Característico dos estados hiperlipidemicos hereditários ou adquiridos. ○ Células espumosas se acumulam no tecido conjuntivo subepitelial da pele e tendões, produzindo massas tumorais conhecidas como xantomas. ● Colesterolose: Acúmulos focais de macrófagos cheios de colesterol na lâmina própria da vesícula biliar. O mecanismo do acúmulo é desconhecido. 2 3 1.2. PROTEÍNAS: ● Geralmente aparecem como gotículas, vacúolos, ou agregados arredondados e eosinófilos no citoplasma. ● Em alguns distúrbios, como em certas formas de amiloidose, proteínas anormais se depositam principalmente nos espaços extracelulares. ● Gotículas de reabsorção nos túbulos renais proximais são observadas em doenças renais associadas à perda de proteína na urina (proteinúria). ○ No rim, quantidades mínimas filtradas são normalmente reabsorvidas. ○ Em distúrbios com extravasamento maciço de proteína através do filtro glomerular há um aumento da reabsorção de proteína dentro das vesículas pinocitóticas, e a proteína aparece como gotículas hialinas róseas dentro do citoplasma da célula tubular. ○ O processo é reversível; se a proteinúria diminuir, as gotículas de proteína são metabolizadas e desaparecem. ● Defeito intracelular no transporte e secreção de proteínas fundamentais. ○ Na deficiência de α1- antitripsina, mutações em que há dobramento lento de proteínas resultam no acúmulo de intermediários parcialmente dobrados, que se agregam no RE do fígado e não são secretados. ○ A deficiência dessa enzima na circulação causa enfisema. ○ Resulta não apenas da perda da função da proteína, mas também do estresse do RE causado por proteínas mal dobradas, culminando na morte das células por apoptose. ● Acúmulo de proteínas do citoesqueleto. Existem vários tipos de proteínas do citoesqueleto (microtúbulos, filamentos finos de actina, filamentos grossos de miosina e filamentos intermediários.) ○ Os filamentos intermediários fornecem uma armação intracelular flexível que organiza o citoplasma e resiste às forças aplicadas sobre a célula, e são divididos em cinco classes. ○ Os acúmulos de filamentos de ceratina e 3 4 neurofilamentos estão associados com certos tipos de lesão celular. ○ A hialina alcoólica é uma inclusão citoplasmática eosinófila, característica de doença hepática alcoólica, e é composta, predominantemente, de filamentos intermediários de ceratina. ○ Os emaranhados neurofibrilares encontrados no cérebro na doença de Alzheimer contêm neurofilamentos e outras proteínas. ● Agregação de proteínas anormais. As proteínas anormais ou mal dobradas podem se depositar nos tecidos e interferir. ○ Os depósitos podem ser intra ou extracelulares, ou ambos, e podem causar alterações patológicas. ○ Esses distúrbios são algumas vezes chamados de proteinopatias ou doenças de agregação de proteína. 1.3 DEGENERAÇÃO HIALINA: ● O termo hialina geralmente refere-se a uma alteração dentro ou fora das células, que confere uma aparência rósea, vítrea e homogênea, em cortes histológicos. ● É amplamente usado como um termo descritivo histológico, não como indicador específico de lesão celular. ● É produzido por uma variedade de alterações e não representa um padrão específico de acúmulo. ● Os acúmulos intracelulares de proteína são exemplos de depósitos hialinos intracelulares. ● A hialina extracelular tem sido mais difícil de analisar. ● O tecido fibroso colágeno em cicatrizes antigas parece hialinizado, mas a base bioquímica dessa alteração é obscura. ● Na hipertensão e no diabetes melito, as paredes das arteríolas, especialmente no rim, tornam-se hialinizadas devido ao extravasamento e depósito de proteína plasmática na membrana basal. 1.4 GLICOGÊNIO: ● É uma reserva de energia prontamente disponível armazenada no citoplasma de células saudáveis. ● Depósitos intracelulares excessivos são encontrados em pacientes com uma anormalidade no metabolismo da glicose ou do glicogênio. ● O acúmulo do glicogênio aparece como vacúolos claros dentro do citoplasma. ● O diabetes melito é o principal distúrbio do metabolismo da glicose. Nessa doença, o glicogênio é encontrado nas células epiteliais dos túbulos renais, bem como dentro dos hepatócitos, células β das ilhotas de Langerhans e células musculares cardíacas. ● O glicogênio se acumuladentro das células em um grupo de distúrbios genéticos relacionados, denominados de doenças de depósito do glicogênio ou glicogenoses. ● Nessas doenças, defeitos enzimáticos na síntese ou degradação do glicogênio resultam em acúmulo maciço, causando lesão e morte celular. 1.5 PIGMENTOS: ● São substâncias coloridas, algumas das quais são constituintes normais das células, 4 5 enquanto outros são anormais e acumulam-se nas células. ● Podem ser exógenos ou endógenos. Pigmentos Exógenos : ● O mais comum é o carbono (poeira de carvão). Quando inalado, é assimilado pelos macrófagos dentro dos alvéolos e, então, transportado através dos vasos linfáticos para linfonodos regionais na região traqueobrônquica. ○ O acúmulo desse pigmento confere cor negra ao tecido pulmonar (antracose) e aos linfonodos envolvidos. ○ Nos mineiros de carvão, os agregados de poeira de carvão podem induzir uma reação fibroblástica, ou até mesmo enfisema, causando pneumoconiose. ● A tatuagem é uma pigmentação exógena localizada da pele. ○ Os pigmentos inoculados são fagocitados pelos macrófagos da derme, nos quais residem pelo resto da vida ○ Geralmente não despertam nenhuma resposta inflamatória. Pigmentos Endógenos : ● A lipofuscina (lipocromo ou pigmento de desgaste) é um pigmento insolúvel. Composta de polímeros de lipídios e fosfolipídios formando complexos com proteínas. ○ Não é nociva à célula ou às suas funções. ○ É um sinal denunciador de lesão por radicais livres e peroxidação lipídica. ○ Aparece como um pigmento castanho- amarelado finamente granular citoplasmático, frequentemente perinuclear. ○ É particularmente proeminente no fígado e coração de pessoas idosas ou em pacientes com desnutrição grave e caquexia do câncer. ● A melanina (melas, preto), é um pigmento endógeno com cor que varia do castanho ao negro, formado quando a enzima tirosinase catalisa a oxidação da tirosina em di-hidroxifenilalanina nos melanócitos. ○ Para fins práticos, a melanina é o único pigmento endógeno marrom-negro. ● A hemossiderina é um pigmento granular ou cristalino, amarelo-ouro a marrom, derivado da hemoglobina. ○ É uma das principais formas de armazenamento do ferro. ○ O ferro é carreado pela proteína transferrina. ○ Nas células, o ferro é armazenado em associação com a apoferritina. ○ Quando há excesso local ou sistêmico de ferro, a ferritina forma grânulos de hemossiderina, que são vistos à microscopia óptica. 5 6 Os excessos locais de ferro: resultam de hemorragias nos tecidos: equimose comum, em que as hemácias extravasadas são fagocitadas pelos macrófagos, que degradam a hemoglobina e recuperam o ferro. A porção heme do ferro → biliverdina → bilirrubina. Em paralelo, o ferro liberado do heme é incorporado na ferritina e, finalmente, na hemossiderina. Na sobrecarga sistêmica de ferro: a hemossiderina é depositada em muitos órgãos e tecidos, uma condição denominada hemossiderose. Causas: (1) aumento da absorção do ferro da dieta; (2) anemias hemolíticas, em que a lise prematura das hemácias conduz à liberação de quantidades anormais de ferro, e (3) transfusões de sangue repetidas. ● É a deposição anormal de sais de cálcio nos tecidos, junto com quantidades menores de ferro, magnésio e outros sais minerais. ● Calcificação distrófica: A deposição ocorre localmente em tecidos mortos, e ocorre independente dos níveis séricos de cálcio normais e na ausência de alterações no metabolismo do cálcio. ● Calcificação metastática: Deposição de sais de cálcio em tecidos normais, quase sempre resultante da hipercalcemia secundária. 2.1 CALCIFICAÇÃO DISTRÓFICA: ● Encontrada em áreas de necrose (coagulativa, caseosa ou liquefativa), e em focos de necrose enzimática da gordura. ● Quase sempre está presente nos ateromas da aterosclerose avançada. ● Comum nas valvas cardíacas envelhecidas ou danificadas, dificultando ainda mais a sua função. ● Os sais de cálcio aparecem macroscopicamente como delicados grânulos ou grumos brancos. ● É um sinal indicador de lesão celular prévia, mas com frequência, é causa de disfunção do órgão. ● O cálcio sérico é normal na calcificação distrófica. ● A hipercalcemia também acentua a calcificação distrófica. 2.2 CALCIFICAÇÃO METASTÁTICA: ● Ocorre nos tecidos normais sempre que há hipercalcemia. ● Afeta principalmente os tecidos intersticiais da mucosa gástrica, rins, pulmões, artérias sistêmicas e veias pulmonares. ● Todos esses tecidos excretam ácido e, portanto, têm um compartimento interno alcalino que os predispõe à calcificação metastática. ● Ocorrem como depósitos amorfos não cristalinos ou, em outras vezes, como cristais de hidroxiapatita. ● Em geral não causam disfunção clínica, mas, o envolvimento maciço dos pulmões pode causar comprometimento respiratório e nos rins causar lesão renal. Causas principais de hipercalcemia: 6 2. Calcificação patológica 7 1. Aumento da secreção do paratormônio (PTH) com subsequente reabsorção óssea; 2. Destruição de tecido ósseo, decorrente de tumores primários da medula óssea; 3. Distúrbios relacionados à vitamina D, incluindo intoxicação por vitamina D, sarcoidose e hipercalcemia idiopática da lactância; 4. Insuficiência renal, que causa retenção de fosfato, provocando hiperparatireoidismo secundário. 5. Causas menos comuns: intoxicação por alumínio (diálise renal crônica), e na síndrome leite-álcali (ingestão excessiva de cálcio). 7