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Biomecânica e Cinemática do Trauma - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 1 Biomecânica e Cinemática do Trauma - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO INTRODUÇÃO TRAUMA Ferimento ou lesão caracterizado por alteração estrutural ou desequilíbrio fisiológico, resultante de exposição aguda à energia mecânica, térmica, elétrica, química ou ausência de algo essencial, como calor e oxigênio MECANISMO DO TRAUMA Processo de avaliação de uma cena de acidente para determinar as lesões que podem ter ocorrido pelas resultantes forças que agem sobre um corpo FASES PRÉ-IMPACTO Todos os acontecimentos que precedem o incidente IMPACTO Inicia-se assim que os 2 corpos sólidos colidem, estando 1 ou ambos em movimento Momento em que ocorre a troca de energia cinética entre 2 corpos envolvidos PÓS-IMPACTO Lesões provocadas pela projeção do corpo ou de seus órgãos de encontro às estruturas onde se encontram alojados LEIS DA ENERGIA E MOVIMENTO ENERGIA CINÉTICA Relação entre massa e velocidade do objeto Ao dobrar a massa, dobra-se a energia cinética Ao dobrar velocidade, quadruplica-se a energia cinética EXEMPLO Antes da colisão o condutor está em movimento com a mesma velocidade do automóvel. Durante a fração de segundo do impacto, o automóvel e o condutor desaceleram para a velocidade zero. Esta força de desaceleração é transmitida para o corpo do condutor. Se a distancia percorrida até a paragem for aumentada, a força de desaceleração é reduzida, e a lesão resultante diminui proporcionalmente Ec = m.v /22 Biomecânica e Cinemática do Trauma - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 2 1ª LEI DE NEWTON DEFINIÇÃO Um corpo em repouso permanece em repouso. Um corpo em movimento permanece em movimento. A não ser que nele atue uma outra força externa EXEMPLO Em um carro em alta velocidade que colide com um objeto o corpo do paciente está na mesma velocidade que o carro possuía antes de desacelerar. Este corpo com vai colidir com alguma estrutura interna do carro ou vai ser ejetado Ocorrem 3 tipos de colisão Colisão do carro Colisão do corpo Colisão interna dos órgãos 2ª LEI DE NEWTON OU LEI DE CONSERVAÇÃO DA ENERGIA DEFINIÇÃO A energia não pode ser criada ou destruída, mas pode ser modificada em sua forma ENERGIA TRANSFERIDA Quando um corpo colide contra um objeto, o número de partículas atingidas pelo impacto determina a quantidade de energia transferida EXEMPLO Motorista trava e o carro desacelera TROCA DE ENERGIA DENSIDADE Quanto mais denso o tecido, maior o nº de partículas atingidas por um objeto em movimento EXEMPLO Golpear com o punho um travesseiro de penas e fazer o mesmo movimento com uma parede de tijolos, mas ambos produzem efeitos diferentes na mão. O punho absorve mais energia ao colidir com a parede densa de tijolos do que com o travesseiro de penas que é menos denso DENSIDADES DO CORPO 1. Ar a. Pulmão b. Intestino Biomecânica e Cinemática do Trauma - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 3 2. Água a. Músculos b. Fígado c. Baço d. Outros órgãos sólidos 3. Osso CAVITAÇÃO DEFINIÇÃO Os tecidos do corpo humano são deslocados para longe da sua posição original, criando uma cavidade CAVIDADE TEMPORÁRIA Forma-se no momento do impacto, mas dependendo da elasticidade do tecido, pode retornar à sua posição inicial Causada por estiramento Pode ou não ser visível ao exame do socorrista e do médico CAVIDADE PERMANENTE Forma-se no momento do impacto Causada por compressão, laceração e estiramento Como não retorna à sua forma original, pode ser observada mais tarde TRAUMAS PENETRANTE A energia do objeto está concentrada em pequena área de contato com a superfície do corpo Espera-se que a pele se rompa e o objeto penetre Arma branca, arma de fogo e empalados 1. Mulher esfaqueia de cima para baixo 2. Homem esfaqueia para “dentro” CONTUSO Biomecânica e Cinemática do Trauma - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 4 A energia do objeto está concentrada em grande área de contato com a superfície do corpo, a energia espalha-se e a pele pode não se romper PADRÕES DE COLISÕES DE VEÍCULOS FRONTAL 1. A quantidade de dano está relacionada à velocidade aproximada do veículo no momento do impacto a. Quanto maior a intrusão da carroceria para dentro do veículo, maior a velocidade no momento do impacto b. Quanto maior a velocidade do veículo, maior é a troca de energia e mais provável é a ocorrência de lesão nos ocupantes 2. O corpo do condutor tende a continuar o movimento após o impacto do carro, promovendo o impacto de seu tórax no volante 3. Quando o esterno interrompo o movimento do tórax, o conteúdo da caixa torácica continua o movimento, até que toda energia seja absorvida pelas costelas e pelos órgãos 4. Nesse processo possivelmente ocorre ESMAGAMENTO/ FORÇA DE COMPRESSÃO no coração e pulmões TRAJETÓRIA PARA CIMA Se o paciente assumir a trajetória para cima, provavelmente sua cabeça atingirá o para-brisas ou o teto Ocorrerá uma rachadura tipo olho de boi A energia do impacto vai ser distribuída por toda a coluna, principalmente cervical (menos protegida) Os rins, baço e fígado estão sujeitos à lesão por cisalhamento, quando o abdome atinge o volante TRAJETÓRIA PARA BAIXO Se o paciente assumir a trajetória para baixo, ocorre o maior acometimento dos MMII, geralmente os joelhos quando se chocam ao painel Biomecânica e Cinemática do Trauma - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 5 Pode ocorrer fratura tibial, gerando um deslizamento do fêmur e resultando em um deslocamento do joelho Pode ocorrer fratura de fêmur, visto que o movimento da pelve pode proporcionar uma lesão na cabeça do fêmur (acetábulo) TRASEIRA O veículo é atingido posteriormente por um segundo veículo com uma aceleração maior que a sua Se o encosto de cabeça estiver mal posicionado, ou seja, abaixo da região occipital, pode ocorrer o efeito chicote, assim toda a energia é transferida paras as vértebras cervicais LATERAL O veículo se envolve em uma colisão em T, ou seja, derrapa para fora da pista e colide lateralmente em um poste, ou quando um 2º veículo acerta sua lateral em um cruzamento Pode ocorrer lesão na clavícula por compressão se houver força contra o ombro A compressão da caixa torácica para dentro pode promover fraturas de costelas, contusão pulmonar (trauma de hiperpressão - pneumotórax) Pode ocorrer cisalhamento da aorta A intrusão compacta, fratura a pelve e empurra a cabeça do fêmur através do acetábulo Biomecânica e Cinemática do Trauma - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 6 Passageiros ao lado do motorista, tem maior chance de romper o baço por esse ser encontrado do lado esquerdo Pode ocorrer compressão do lado homolateral do pescoço A cabeça pode ser atingida pela própria lataria do carro ROTACIONAL As colisões ocorrem quando um canto do veículo atinge um objeto imóvel, o canto de outro veículo ou um veículo é mais lento ou que se move na direção oposta ao 1º veículo O canto do veículo irá parar e o restante irá continuar o movimento para frente, até que toda a energia seja completamente transformada Ocorrem lesões dos impactos frontais e laterais CAPOTAMENTO Ocorrem lesões do tipo cisalhamento pelas diversas forças atuantes em seus órgãos PADRÕES DE COLISÕES DE MOTOCICLETAS FRONTAL Uma colisão frontal em um objeto sólido interrompe o movimento dianteiro de uma motocicleta Como o centro de gravidade da motocicleta está para cima e atrás do eixo frontal, que muitas vezes se torna um ponto central em tais colisões, a motocicleta se inclina para frente e o motociclista pode colidir com o guidão O piloto pode receber lesões na cabeça, tórax, abdômen ou pelve, dependendo de qual parte da anatomia primeiro impacta com o guidão ou outro objeto Se os pés do motociclista permanecerem nos pedais da motocicleta e as coxas atingirem o guidão, o movimento para frente pode ser absorvido pela diáfise do fêmur médio, resultando às vezes em fraturas bilaterais do fêmur A interação entre a pelve do piloto e o guidão pode resultar em várias combinações de lesões ósseasou ligamentares que podem afetar a sínfise púbica anterior, enquanto o anel pélvico posterior abre como a dobradiça de um livro Tais lesões podem resultar em hemorragia intrapélvica com risco de vida 1. A aplicação imediata de uma cinta pélvica de algum tipo poderia ser uma medida que salva vidas Biomecânica e Cinemática do Trauma - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 7 ANGULAR A motocicleta atinge um objeto de maneira angulada Em seguida, a motocicleta vai cair contra o motociclista ou fazer com que o motociclista seja esmagado entre a motocicleta e o objeto que ele bateu Lesões nos MMSS ou MMII podem ocorrer, resultando em fraturas e lesões extensas de tecidos moles Podem ocorrer lesões nos órgãos na cavidade abdominal EJEÇÃO Devido à falta de restrição, o piloto é suscetível à ejeção Permanecerá em voo até que a cabeça, braços, tórax, abdome ou pernas atinjam outro objeto, como um veículo motorizado, poste telefônico ou estrada A lesão ocorrerá no ponto de impacto e se espalhará para o resto do corpo à medida que a energia for absorvida PADRÕES DE COLISÕES EM ATROPELAMENTOS ADULTOS 1. O impacto inicial é nas pernas e às vezes no quadril 2. O tronco rola sobre o capô do veículo (e pode bater no para-brisa) 3. O pedestre cai do veículo para o chão, geralmente a cabeça cai primeiro, com possível trauma na coluna cervical CRIANÇAS 1. O impacto inicial é no tronco 2. Devido à baixa estatura, após o impacto inicial, o corpo da criança entra embaixo do carro PADRÕES DE COLISÕES EM QUEDAS DE ALTURA FATORES A CONSIDERAR Biomecânica e Cinemática do Trauma - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 8 1. Altura da queda 2. Região do corpo que sofreu maior impacto 3. Superfície atingida QUEDA DE PÉ FRATURAS 1. Fratura bilateral de calcâneo 2. Fratura de tornozelo 3. Fratura distal da tíbia/fíbula e perônio APÓS PÉS ATINGIREM O CHÃO Pés param de se mover e as pernas são as estruturas seguintes do corpo que absorvem energia 1. Luxação de joelho 2. Fratura de fêmur 3. Lesão de quadril CABEÇA E TRONCO EM MOVIMENTO Corpo é obrigado a fletir 1. Fratura de coluna torácica e lombar por compressão QUEDA SOBRE OS BRAÇOS/MÃOS 1. Fratura de Colles (punhos) 2. Luxação de ombro 3. Fratura de clavícula QUEDA DE CABEÇA 1. Coluna e medula 2. Face 3. Cérebro