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DESCRIÇÃO
Discussões sobre o conceito de saúde, saúde como ausência de doença, conceito ampliado de saúde e revisão histórica da VIII
Conferência Nacional de Saúde a da Constituição Federal de 1988.
PROPÓSITO
Compreender a ampla definição do conceito de saúde, como as políticas nacionais e internacionais influenciaram o acesso aos
serviços de saúde, e a organização do sistema de saúde brasileiro.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Distinguir saúde de ausência de enfermidade
MÓDULO 2
Definir o conceito ampliado de saúde de acordo com a visão da Organização Mundial da Saúde (OMS)
MÓDULO 3
Reconhecer a importância da VIII Conferência Nacional de Saúde (CNS) e da Constituição Federal (CF) de 1988 para o sistema de
saúde brasileiro
INTRODUÇÃO
Vamos abordar e discutir o conceito ampliado de saúde e algumas de suas definições. Trataremos brevemente dos diversos modelos
que explicam o processo saúde-doença ao longo da história.
Por meio deste conteúdo, vamos também compreender como as políticas internacionais (OMS) e nacionais (VIII CNS E CF 1988)
atuaram em relação ao acesso aos serviços de saúde. Assim, conseguiremos também entender a organização do nosso sistema de
saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS).
MÓDULO 1
 Distinguir saúde de ausência de enfermidade
CONCEITO DE SAÚDE
O conceito de saúde representa o contexto social, político, econômico e cultural. Traduzindo, a saúde não se apresenta nem é igual
para todos. Esse conceito sofre influência da época, do status social e do lugar onde um indivíduo se encontra e depende ainda dos
valores pessoais, das concepções religiosas, filosóficas e científicas também (SCLIAR, 2007).
Vamos fazer um breve panorama histórico para entender melhor as proximidades e diferenças das concepções de saúde e cuidado até
os dias de hoje.
Real ou fictícia, a doença acompanha o ser humano desde os primórdios, como mostram pesquisas paleontológicas. Desde muito
cedo, a humanidade dedica-se a lutar contra essa ameaça, de diversas maneiras, pautada em variados conceitos do que vem a ser
doença e a saúde (SCLIAR, 2007).
MODELO MÁGICO-RELIGIOSO
O modelo mágico-religioso enxerga a doença como um resultado de forças alheias ao organismo, que ocupam o indivíduo devido ao
pecado ou a uma maldição.
 SAIBA MAIS
Para os antepassados hebraicos, a doença não era causada, obrigatoriamente, por demônios ou maus
espíritos, mas se mostrava como um sinal da ira divina frente aos pecados terrenos. A doença era um
indicativo da desobediência ao divino, e a enfermidade anunciava o pecado, para que todos pudessem ver o
pecador e o que a falta de desobediência poderia causar.
Em outras culturas, é função do xamã ou feiticeiro tribal expulsar, por meio de rituais, os maus espíritos que possuíram uma pessoa,
causando, então, determinada doença. O intuito é fazer com que a pessoa volte ao universo total a qual pertence (SCLIAR, 2007).

Logo, dentro do conceito mágico-religioso, os povos da época compreendiam os agentes causadores de doenças como oriundas tanto
de elementos naturais quanto de espíritos sobrenaturais.
O processo de adoecimento era visto como resposta a transgressões de origem individual e coletiva. Para o reestabelecimento da
saúde, era necessário reatar a união com o divino por meio de sacerdotes, feiticeiros ou xamãs.
 ATENÇÃO
A ligação com o mundo natural se baseava em um universo que englobava deuses e espíritos bons e maus,
e a religião era o ponto inicial para compreender o mundo e como estruturar o cuidado (HERZLICH, 2004).
MODELO HOLÍSTICO
O modelo holístico diz respeito às Medicinas hindu e chinesa, que, desde a Antiguidade, trazem uma nova visão de entender a doença.
A definição de equilíbrio deu origem à Medicina holística. A noção de equilíbrio vincula o conceito de “proporção justa ou adequada”
com a doença e a saúde.
 SAIBA MAIS
A saúde era vista e entendida como um equilíbrio entre os fluidos e os elementos que compõem o ser
humano. O desequilíbrio de um desses elementos causaria a doença. A causa do desequilíbrio era
relacionada diretamente ao ambiente físico, como clima, insetos, astro etc. (HERZLICH, 2004).
Com base nesse modelo, o cuidado deveria alcançar o ajuste que é preciso para se ter um equilíbrio entre corpo e ambiente, e este
corpo é considerado como um todo, é visto holisticamente.
O cuidado significa a busca pela saúde, que está diretamente relacionada à busca pelo equilíbrio corporal entre os elementos
intrínsecos e extrínsecos.
MODELO EMPÍRICO-RACIONAL
O modelo empírico-racional (hipocrático) começa a esboçar uma explicação desde o Egito, com os filósofos que procuraram respostas
não sobrenaturais para as origens da vida e do universo, como também para saúde e doença.
Um desses filósofos foi Hipócrates, que determinou uma relação entre homem e meio com o desenrolar de sua Teoria dos Humores.
Essa teoria reconhecia os elementos terra, fogo, água e ar como responsáveis por desencadearem algum processo patológico ou
manter a saúde (HERZLICH, 2004).
 
Imagem: Shutterstock.com
Saúde, para a teoria hipocrática, é o equilíbrio dos humores (fluidos corporais), e a doença, portanto, o desequilíbrio deles. O cuidado
fica dependente de um entendimento desses desequilíbrios e uma tentativa de restaurá-los.
No Oriente, o conceito de saúde e doença seguia, e ainda segue, um caminho diferente, mas, de alguma maneira, semelhante ao
conceito hipocrático. Fala-se de forças essenciais existentes no corpo humano:
Quando funcionam de maneira harmoniosa, tem-se saúde.

Caso contrário, surge a doença.
 SAIBA MAIS
As ações terapêuticas (acupuntura, ioga) têm como objetivo reestabelecer o fluxo normal de energia no corpo
(SCLIAR, 2007).
MODELO BIOMÉDICO
O modelo biomédico ou modelo de Medicina científica ocidental, que predomina na atualidade, tem como base o contexto do
Renascimento e toda a Revolução Artístico-Cultural, que tiveram início a partir do século XVI.
O Método de Descartes (séculos XVI e XVII) delimitou as regras que compõem os fundamentos de sua visão sobre o conhecimento
(HERZLICH, 2004):
Não se deve aceitar como verdade nada que não possa ser identificado como tal.
É necessário desassociar cada dificuldade que surgir para que cada parte possa ser examinada detalhadamente a fim de se resolver o
problema.
É preciso conduzir o pensamento em uma linha de raciocínio sequencial, partindo sempre do mais simples para o mais complicado.
Deve-se revisar exaustivamente um conteúdo para compor um argumento.
O conceito biomédico define saúde como um erro nos mecanismos de adaptação do organismo ou falta de ação aos estímulos. Esse
processo conduz uma alteração estrutural ou funcional de um órgão, de todo o organismo ou de suas funções vitais (JENICEK;
CLÉROUX, 1982 apud HERZLICH, 2004).
O modelo biomédico concentrou-se, cada vez mais, no esclarecimento da doença e passou a olhar e tratar o corpo em fragmentos
cada vez menores, reduzindo a saúde a um desempenho mecânico (BARROS, 2002).
 
Foto: Shutterstock.com
A intervenção de cuidado é pautada em uma perspectiva reducionista e mecanicista, em que a figura do médico especialista é vista
como um mecânico que consertará a parte da máquina do corpo que apresenta algum defeito ou do ambiente para domínio das
possíveis causas de epidemias.
MODELO SISTÊMICO
O modelo sistêmico surgiu no final da década de 1970 com uma compreensão mais ampla do processo saúde-doença, sendo visto
como um processo sistêmico que tem origem no conceito de sistema.
O sistema é explicado como a soma de elementos relacionados de alguma maneira. Uma alteração em qualquer elemento provoca
mudança no estado dos outros. 
 
Em outras palavras, essa noção de sistema agrega a ideia de todo, de colaboração de elementos diversos pertencentes ao
ecossistema no processo saúde-doença, indo de encontro ao que é pregado pelo modelo biomédico:
Um atendimento fragmentado com uma visão unidimensional (ROBERTS, 1978 apud ALMEIDA FILHO; ROUQUAYROL, 2002).
Segundoesse modelo, a organização geral de um problema de saúde é compreendida como uma responsabilidade sistêmica, onde
um sistema epidemiológico se estabelece por meio de um equilíbrio dinâmico. Ou seja, toda vez que um de seus componentes passa
por alguma modificação, este reflete e atinge as outras partes, em um processo em que o sistema almeja um novo equilíbrio.
HISTÓRIA NATURAL DAS DOENÇAS
O anseio por explicações que desencadeiam o processo saúde-doença deu origem à composição da História Natural das Doenças
(HND), também conhecida como modelo processual dos fenômenos patológicos.
Os principais pesquisadores desse modelo foram Leavell e Clark. Em 1976, ambos interpretaram a história natural da doença como
uma soma de processos interativos que geram um estímulo patológico no meio ambiente ou em qualquer lugar, passando da resposta
do homem ao estímulo, até as modificações que levam a um defeito, a invalidez, à recuperação ou à morte (LEAVELL; CLARK, 1979
apud ALMEIDA FILHO; ROUQUAYROL, 2002).
O modelo processual (HND) tem como objetivo acompanhar o processo saúde-doença, compreendendo:
As inter-relações do agente causador da doença, do hospedeiro e do meio ambiente
&
O processo de desenvolvimento de uma doença
Essa maneira de exemplificar facilita o entendimento dos diferentes métodos de prevenção e controle das doenças existentes.
SAÚDE COMO AUSÊNCIA DE ENFERMIDADE?
Os conceitos de saúde e doença só podem ser definidos com base no contexto sociocultural. Cada sociedade estabelece o
entendimento sobre o que é um organismo dito como normal e o que é dito como organismo doente.
Canguilhem (2000) questiona a objetividade desses conceitos ao afirmar que a doença, antes de ser diagnosticada pelo médico,
percorre a subjetividade da pessoa e sofre influência dela.
 RESUMINDO
A doença não seria apenas uma ausência de norma, não seria a falta de qualquer tipo de regra, porque a
doença ainda rege a vida. Esse regimento não permite nenhum tipo de desvio, já que não consegue se
modificar ou se transformar em outro regimento/norma.
A saúde não seria apenas um estado de normalidade, mas, sim, a habilidade de reconhecer e admitir uma alteração para novas
normas. E a cura seria um meio de regresso a essa estabilidade fisiológica (CANGUILHEM, 2000).
 ATENÇÃO
Mesmo entendendo que o que é normal e doente depende da vivência e da subjetividade das pessoas, é
preciso reconhecer que todas as sociedades elaboram conceitos e parâmetros para definir o que é normal.
Quando ampliamos nossa visão para além da normalidade, do ponto de vista biológico, e nos voltamos para a questão de normalidade
em relação ao comportamento, identificamos que esse parâmetro normal x doente não se enquadra mais, e sim, o parâmetro de
comportamento normal x desviante (ou inadaptado).
Ser inadaptado não é algo ruim na maioria das vezes. Ser desviante indica que o indivíduo consegue dar outros significados à vivência
que pessoas consideradas normais ou ajustadas não conseguem captar (VELHO, 1981).
No século XVIII, as cobranças não se limitaram ao contexto capitalista, mas também houve repercussões sobre o corpo, que passou a
ser visto como uma máquina. Logo, se o corpo é uma máquina, precisa ser disciplinado e moldado, submisso e dócil, além de
especializado. Dessa forma, não haveria resistência, e o processo de dominação ocorreria facilmente (FOUCAULT, 2002).
Essa disciplina dos corpos tem a função de:
Otimizar e organizar o espaço físico entre as pessoas (lugares, fileiras etc.).

Ter controle das atividades (horários).

Consequentemente, aumentar a eficiência do trabalho desenvolvido.
 COMENTÁRIO
Essa dinâmica também ocorre dentro dos hospitais, onde os pacientes precisam adaptar suas necessidades
fisiológicas aos horários e às normas estabelecidas.
Essa intensa subordinação do corpo e o domínio de suas atividades, aliados à lógica capitalista de produção, contribuem para o arranjo
das ideias de:
SAÚDE
DOENÇA
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Como vimos até aqui, esse conceito de saúde como ausência de doença se mostrou um processo complexo, dinâmico e
multidimensional, pois envolve aspectos biológicos, socioculturais, econômicos, psicológicos, políticos, ambientais etc. Podemos
identificar uma complexa inter-relação entre saúde e doença em uma sociedade: cada organização social definirá o que é saúde e o
que é doença.
COMPREENDENDO A SAÚDE ALÉM DA ENFERMIDADE
A especialista Carine Sena descreve a saúde como uma visão multifacetada:
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. (CEFET-BA - PREFEITURA DE ALAGOINHAS - BA - ASSESSOR TÉCNICO - 2018) 
A COMPREENSÃO DOS CHAMADOS “MODELOS EXPLICATIVOS" É FUNDAMENTAL PARA ENTENDER
AS PROXIMIDADES E DISPARIDADES ENTRE AS CONCEPÇÕES DE SAÚDE, DOENÇA E CUIDADO QUE
TEMOS ATUALMENTE. DESSA FORMA, DIFERENTES MANEIRAS DE ORGANIZAR E OFERTAR AÇÕES
DE CUIDADO EM SAÚDE SE BASEIAM, TAMBÉM, EM DIFERENTES PERSPECTIVAS DO QUE VEM A SER
A SAÚDE, A DOENÇA E O CUIDADO EM SI. 
 
EM RELAÇÃO AOS MODELOS EXPLICATIVOS DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA, É CORRETO AFIRMAR
QUE:
A) No modelo empírico-racional, a noção de saúde está relacionada à busca do equilíbrio do corpo com os elementos internos e
externos.
B) O modelo sistêmico parte de uma perspectiva biologicista para ratificar a visão unidimensional e fragmentária do modelo biomédico.
C) O modelo biomédico é predominante atualmente, tendo como foco a explicação da doença e partindo de uma visão fragmentária e
mecanicista do corpo.
D) O modelo mágico-religioso predomina na atualidade e concebe que o adoecimento pode resultar de elementos naturais ou mesmo
ter causas espirituais.
E) O modelo holístico se relaciona à Teoria dos Humores, na qual os elementos água, terra, fogo e ar estão subjacentes à explicação
sobre a saúde e a doença.
2. QUAL MODELO EXPLICATIVO DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA TEM COMO OBJETIVO
ACOMPANHAR ESSE PROCESSO EM SUA REGULARIDADE, ENTENDENDO AS INTER-RELAÇÕES DO
AGENTE CAUSADOR DA DOENÇA, DO HOSPEDEIRO DA DOENÇA E DO MEIO AMBIENTE E O
PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE UMA DOENÇA?
A) Modelo da História Natural das Doenças (modelo processual)
B) Modelo sistêmico
C) Modelo holístico
D) Modelo mágico-religioso ou xamanístico
E) Modelo de Medicina Científica Ocidental
GABARITO
1. (CEFET-BA - Prefeitura de Alagoinhas - BA - Assessor Técnico - 2018) 
A compreensão dos chamados “modelos explicativos" é fundamental para entender as proximidades e disparidades entre as
concepções de saúde, doença e cuidado que temos atualmente. Dessa forma, diferentes maneiras de organizar e ofertar
ações de cuidado em saúde se baseiam, também, em diferentes perspectivas do que vem a ser a saúde, a doença e o cuidado
em si. 
 
Em relação aos modelos explicativos do processo saúde-doença, é correto afirmar que:
A alternativa "C " está correta.
 
O modelo biomédico tem como objetivo o esclarecimento da doença e visa somente tratar o corpo em subespecialidades.
2. Qual modelo explicativo do processo saúde-doença tem como objetivo acompanhar esse processo em sua regularidade,
entendendo as inter-relações do agente causador da doença, do hospedeiro da doença e do meio ambiente e o processo de
desenvolvimento de uma doença?
A alternativa "A " está correta.
 
O modelo processual (HND) busca acompanhar o processo saúde-doença, entendendo e correlacionando as inter-relações do agente
causador da doença, do hospedeiro e do meio ambiente e o processo de evolução de uma doença.
MÓDULO 2
 Definir o conceito ampliado de saúde de acordo com a visão da Organização Mundial da Saúde (OMS)
CONCEITO AMPLIADO DE SAÚDE
No módulo anterior, discutimos sobre o conceito de saúde como um estado patológico de uma pessoa, ou seja, a saúde é vista como
ausência de características patológicas. Porém, devemos ter em mente que saúde não se caracteriza somente pela ausência da
doença.
Temas como nível de renda econômica, questões sanitárias, desigualdades sociais e relação de poder começaram a ser identificados
como agentesativos de influência no processo saúde-doença.
No final do século XIX, a revolução pasteuriana conseguiu comprovar os fatores etiológicos causadores de algumas doenças, fazendo
com que fosse possível elaborar uma “contabilidade da doença”. Seus padrões, então, poderiam ser estudados e pesquisados por
análises estatísticas sobre a organização saúde-doença (SCLIAR, 2007). 
 
Até esse momento histórico, ainda não existia um conceito universalmente aceito sobre o que é saúde. Para isso, seria preciso um
acordo entre as nações em nível de um organismo internacional.
A primeira experiência para tentar resolver esse problema foi a criação da Liga das Nações – instituição internacional que surgiu após a
Primeira Guerra Mundial, mas não teve sucesso. Foi necessário ocorrer uma Segunda Guerra Mundial e, consequentemente, a criação
da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), para que esse consenso sobre o que é saúde
surgisse.
 
Imagem: Denelson83, Zscout370 ve Madden / Wikimedia Commons / Public domain
 Bandeira da ONU.
Em 1978, a OMS tornou pública em sua constituição a definição de saúde: “estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não
apenas ausência de doença ou enfermidade”. Esse documento também reconhece a saúde como um direito de todo cidadão, sem
restrição de etnia, religião, política e condições socioeconômicas, e afirma que é dever do Estado promover e proteger a saúde (WHO,
2006).
 COMENTÁRIO
A visão de saúde desse conceito é mais ampla, e não apenas focada em ausência de enfermidade.
Considerando o contexto histórico mencionado (pós-guerra), esse conceito refletia um desejo oriundo dos
movimentos sociais, como o fim do colonialismo e a ascensão do socialismo. Saúde deveria ser um direito a
uma vida ampla, sem privações.
CAMPO DA SAÚDE
Em 1974, Marc Lalonde, Ministro da Saúde e do Bem-estar do Canadá, ampliou o entendimento da saúde e dos estudos em saúde
pública ao renovar o conceito de campo da saúde.
 COMENTÁRIO
Lalonde tem noção que pode ser difícil alcançar um estado de completo bem-estar físico. Mesmo assim,
muitas coisas ainda podem ser realizadas para que se aumente a liberdade de doenças e que sejam
fornecidas condições suficientes para a prática de atividades físicas, sociais e mentais.
Com base no sistema de saúde canadense, o então ministro reconhece a necessidade de organizar uma estrutura de diagnóstico e
avaliação do campo da saúde. Pautado nessa descoberta, ele estipula que o campo da saúde deveria ser estudado a partir de quatro
elementos principais (SCLIAR, 2007). São eles:
BIOLOGIA HUMANA
Inclui os aspectos de saúde física e mental, compreendendo a herança genética e os processos biológicos característicos da vida,
inclusive o processo de envelhecimento.
MEIO AMBIENTE
Inclui solo, ar, água, moradia, alimentação, local de trabalho, saneamento básico etc. São situações externas ao corpo humano que
podem afetar diretamente a saúde.
ESTILO DE VIDA
Decisões ou escolhas de vida que afetam a saúde, como hábitos alimentares, tabagismo, sedentarismo etc.
ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE
Baseia-se em compreender a qualidade, a quantidade, a natureza, a organização e a relação das pessoas com os recursos disponíveis
para a prestação de cuidados com a saúde. São levados em consideração a assistência médica, os serviços ambulatoriais e
hospitalares, o acesso a medicamentos e tratamentos odontológicos etc. No entanto, esse é apenas um componente do campo da
saúde e não pode ser considerado o mais importante, porque, às vezes, é melhor ter acesso à água potável e à comida saudável do
que ser medicado.
Miwa (2015) aponta cinco contribuições desse estudo para o campo da saúde:

Identificar que as divisões biologia humana, meio ambiente e estilo de vida possuem a mesma importância que a categoria de
organização da assistência à saúde.
Reconhecer que esse campo é globalizante ao levar em consideração vários componentes da saúde.


Propiciar um sistema de análise, pois qualquer questão poderá ser avaliada sob os quatro elementos.
Permitir maior subdivisão de fatores patológicos.


Conferir uma perspectiva diferente à saúde, estudando e explorando campos até então esquecidos.
CRÍTICAS À NOVA DEFINIÇÃO DE SAÚDE
Ao expandir a definição de saúde, a OMS também recebeu críticas:
Algumas dessas críticas eram de origem técnica, já que a saúde seria algo difícil de alcançar, e a explicação não pode ser utilizada
como objetivo pelos serviços de saúde.
&
Outras, de cunho político, já que essa definição permitiria que abusos pudessem ser realizados pelo Estado com a população sob a
justificativa de promover a saúde.
Ainda em relação às críticas, o conceito ampliado de saúde da OMS foi considerado uma utopia, já que uma “situação de perfeito bem-
estar físico, mental e social” não pode ser avaliada sob a mesma lupa, uma vez que existem diferenças entre elas. Afinal, é difícil
distinguir uma necessidade física da mental e da social. Por isso, essa ideia de saúde perfeita não pode existir, além de ser irreal
(SEGRE; FERRAZ, 1997).
Como fruto da primeira contestação, surge o conceito de Boorse que diz que saúde é ausência de doença. A categorização das
pessoas como saudáveis ou doentes seria um aspecto objetivo, diretamente relacionado ao grau de bom funcionamento dos órgãos,
sem que houvesse a necessidade de juízo de valor (SCLIAR, 2007).
 
Imagem: Shutterstock.com
Como resposta a esse debate, a declaração final da Conferência Internacional de Assistência Primária à Saúde, realizada pela OMS
em 1978, na cidade de Alma-Ata (atual Cazaquistão), enfatizou o conceito ampliado de saúde, ressaltando a interferência que as
questões sociais exercem sobre a manutenção e o acesso à saúde, destacando a responsabilidade dos governos pela saúde de sua
população e defendendo o cuidado primário à saúde como fundamental.
 SAIBA MAIS
A Conferência destacou as desigualdades sociais discrepantes entre os países desenvolvidos e
subdesenvolvidos. Além disso, enfatizou a responsabilidade governamental no provimento da saúde e a
importância da participação popular no planejamento e na ação dos cuidados à saúde.
Essa estratégia se baseia nos seguintes pontos (SCLIAR, 2007):
As ações de saúde devem ser práticas e aceitas socialmente

Os serviços de saúde devem ser fornecidos a toda população e em locais de fácil acesso

A comunidade deve ser a protagonista ao implementar o sistema de saúde e atuar nele

O custo financeiro dos serviços deve ir ao encontro da situação econômica local
Divididos assim, os serviços que fornecem os primeiros cuidados à saúde se apresentam como a porta de entrada ao sistema de
saúde, consolidando-se como a base de todo um sistema organizacional voltado para a saúde.
Ajustados e alinhados às condições socioeconômicas, culturais e políticas de determinado local, os cuidados primários de saúde
deveriam englobar os seguintes tópicos:

Nutrição adequada
Educação em saúde


Planejamento familiar
Cuidado materno-infantil


Saneamento básico
Imunização


Controle e prevenção de patologias endêmicas e de outros agravos à saúde
Fornecimento de medicação

Deveria ocorrer uma intersetorialização, uma integração do setor de saúde com os demais setores que compõem uma comunidade.
DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE
A partir da década de 1970, o conceito de campo da saúde de Lalone demonstrou a importância dos fatores sociais sobre o processo
saúde-doença. Assim, os fatores socioambientais ficaram conhecidos como Determinantes Sociais da Saúde (DSS).
DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE (DSS)
Para a Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS), os DSS são definidos como fatores econômicos,
culturais, sociais, étnicos, comportamentais e psicológicos que influenciam o surgimento de problemas de saúde e seus fatores de risco
para a população. 
 
Já a OMS utiliza uma definição mais enxuta, afirmando que os DSS são condiçõessociais em que os indivíduos vivem e trabalham.
Apesar de o foco inicial da saúde pública ser o biomédico dentro do campo científico, e não levar em conta as questões
socioambientais e políticas, podemos observar, ao longo do século XX, um conflito permanente entre essas abordagens. Na própria
história da OMS, abordada anteriormente, vimos que esse órgão recebeu críticas.
Conforme o tempo foi passando, ocorreram alternâncias entre (BUSS; PELLEGRINI FILHO, 2007):
Focar somente nos aspectos biológicos, individuais e tecnológicos
OU
Voltar-se para as questões sociais e ambientais
A Conferência de Alma-Ata e as ações inspiradas no tema “Saúde para todos no ano 2000” dão destaque outra vez ao tema dos DSS.
Na década de 1980, o predomínio da saúde como um bem privado direcionou de novo o debate para uma concepção centrada no
cuidado médico individual, a qual, na década seguinte, com o debate sobre as Metas do Milênio, deu lugar novamente aos DSS,
culminando na criação da CNDSS da OMS, em 2005.
Essa comissão foi elaborada com o objetivo de prestar suporte aos países e chamar a atenção dos governantes e das sociedades para
esses determinantes, buscando melhores condições sociais de saúde, principalmente para os grupos mais vulneráveis. Contudo, essa
Comissão teve seu fim em 2008, logo após entregar um documento com recomendações que visavam à redução das desigualdades
em saúde.
Em 2011, a OMS publicou outro documento sobre DSS que continha as seguintes intenções:
Estimular ações sobre esses determinantes.
Promover a participação popular e de líderes comunitários nas decisões e ações de políticas públicas de saúde.
Conduzir os programas de saúde pública e os serviços de saúde para diminuir as desigualdades em saúde.
Estabelecer prioridades em saúde e reconhecer interesses tanto em nível local (municípios, cidades etc.) quanto em nível internacional
(países).
Elaborar estudos para avaliar a efetividade dessas ações e divulgar seus resultados.
As orientações da CNDSS têm como objetivo:
Melhorar as condições de vida.

Lutar contra a distribuição desigual de poder, recursos e dinheiro.

Identificar a extensão do problema e compreendê-lo.

Avaliar o impacto das alterações.
O conceito de cuidados primários apresenta uma proposta racionalizadora e política, que, ao invés de oferecer todo um aparato
tecnológico para cuidar, sugere o uso de tecnologias mais simples. Trocam-se os grandes centros hospitalares por atendimentos
ambulatoriais; profissionais especialistas por generalistas etc. Diante desse cenário, fica um questionamento:
Como elaborar uma política de saúde pública sem levar em consideração os critérios sociais e sem fazer qualquer tipo de juízo de
valor?
Devido a esse questionamento, a Constituição Federal de 1988 evita debater o conceito de saúde, mas afirma que:
ART. 196. A SAÚDE É DIREITO DE TODOS E DEVER DO ESTADO, GARANTIDO
MEDIANTE POLÍTICAS SOCIAIS E ECONÔMICAS QUE VISEM À REDUÇÃO DO
RISCO DE DOENÇA E DE OUTROS AGRAVOS E AO ACESSO UNIVERSAL E
javascript:void(0);
IGUALITÁRIO ÀS AÇÕES E SERVIÇOS PARA A PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E
RECUPERAÇÃO.
(BRASIL, 1988, art. 196)
Abordaremos esse tema com profundidade no próximo módulo.
A VISÃO DA OMS SOBRE A SAÚDE
A especialista Carine Sena aborda o conceito de saúde dentro de uma visão ampliada:
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. A CONCEPÇÃO DE SAÚDE, FORMALIZADA EM 1978 PELA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE
(OMS), DEFINE ESSE TERMO COMO:
A) Ausência de doenças agudas
B) Bem-estar social, físico e mental
C) Acesso a hospitais especializados
D) Ausência de doenças infectocontagiosas
E) Bem-estar nutricional, respiratório e mental
2. (EBSERH - ASSISTENTE ADMINISTRATIVO - 2019) 
OS DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE (DSS) ABORDAM, DE MODO GERAL, AS CONDIÇÕES DE
VIDA E DE TRABALHO DOS INDIVÍDUOS, QUE, DE ALGUMA MANEIRA, CONDICIONAM SUA SAÚDE.
COM BASE NA COMISSÃO NACIONAL SOBRE OS DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE (CNDSS),
ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:
A) Fatores psicológicos não fazem parte dos DSS.
B) Fatores comportamentais não fazem parte dos DSS.
C) Fatores étnico/raciais não fazem parte dos DSS.
D) Fatores culturais e sociais não fazem parte dos DSS.
E) Fatores ambientais, como poluição do ar, da terra e dos alimentos, não fazem parte dos DSS.
GABARITO
1. A concepção de saúde, formalizada em 1978 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), define esse termo como:
A alternativa "B " está correta.
 
Para conceituar melhor o estado de saúde, a OMS percebe a necessidade de analisar o corpo, a mente e até mesmo o contexto social
no qual o indivíduo está inserido.
2. (EBSERH - Assistente Administrativo - 2019) 
Os Determinantes Sociais da Saúde (DSS) abordam, de modo geral, as condições de vida e de trabalho dos indivíduos, que,
de alguma maneira, condicionam sua saúde. Com base na Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais da Saúde
(CNDSS), assinale a alternativa correta:
A alternativa "E " está correta.
 
De acordo com a CNDSS, DSS são fatores econômicos, culturais, sociais, étnicos, comportamentais e psicológicos que interferem
diretamente nos problemas de saúde e seus fatores de risco para a população. Já a OMS afirma que os DSS são condições sociais em
que os indivíduos vivem e trabalham.
MÓDULO 3
 Reconhecer a importância da VIII Conferência Nacional de Saúde (CNS) e da Constituição Federal (CF) de 1988 para o
sistema de saúde brasileiro
CONTEXTO HISTÓRICO
Para iniciarmos este módulo, vamos revisar a história do Brasil e entender os movimentos das ações e políticas em saúde que
resultaram no contexto brasileiro de saúde atual.
Da descoberta do Brasil (1500) até o fim do Brasil Império (1889), existia uma importante escassez de médicos formados, e os
medicamentos eram importados de Portugal com alto custo.
 VOCÊ SABIA
Não existia modelo de atenção à saúde consolidado, mas havia a prática dos boticários (antigos
“farmacêuticos”), curandeiros, juntas de higiene pública (centralizada) para cuidar de ações sanitárias
emergentes, como o combate a doenças pestilenciais (de fácil transmissão por falta de saneamento,
conglomerados, falta de conhecimentos sobre o curso das doenças etc.).
Com o fim da escravidão (após 1988) e o aumento da chegada de imigrantes europeus no país para atender à falta de mão de obra
nas lavouras de café, houve um aumento populacional nas áreas urbanas.
No período de 1897 a 1930, as questões de saúde eram resolvidas pelo Ministério da Justiça e Negócios Interiores, mais
especificamente, pela Diretoria Geral de Saúde Pública, com ações direcionadas ao saneamento básico e ao controle de endemias.
ENDEMIAS
“Doenças infecciosas que ocorrem habitualmente e com incidência significativa em determinada população ou região.” 
Fonte: Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa.
Umas das intervenções mais famosas desse período foi a Revolta da Vacina. O Departamento Nacional de Saneamento e Saúde
(vinculado ao Ministério da Justiça) ganhou um dirigente: o médico Oswaldo Cruz (1872-1917), nomeado pelo então Presidente da
República Rodrigues Alves (1848-1919).
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Foto: Luferom / Wikimedia Commons / Domínio público
 Oswaldo Cruz
Nesta época, a capital da República era o Rio de Janeiro, que passava por grande precariedade quanto ao saneamento, o que causou
uma incidência preocupante de doenças, como febre amarela, varíola, tuberculose e peste bubônica. Ações de saneamento passaram
a ser tratadas com grande prioridade no governo, e a necessidade do combate às doenças impulsionou vacinação obrigatória,
instituída pela Lei Federal nº 1.261, em outubro de 1904.
 VOCÊ SABIA
A brigada sanitária, que, na época, fazia parte de uma comissão de empregados treinados da área de saúde,
realizava a vacinação. Os profissionais entravam nas casas e vacinavam à força todos que lá residiam,
causando indignação na população.
Entre 10 a 16 de novembro de 1904, os populares se manifestaram contra as forças da polícia e do Exército, com trocasde ações
violentas e consequente suspensão da referida lei. Esse episódio ficou conhecido como Revolta da Vacina. Nessa época, havia o
predomínio da corrente médico-sanitarista nos grandes centros urbanos.
REPÚBLICA VELHA: 1889-1930
Nesse período, a economia estava voltada ao Sudeste. A migração de pessoas para essa região do Brasil, sem condições financeiras
para se sustentar, colaborou com o predomínio das doenças transmissíveis e epidemias, como febre amarela, varíola, tuberculose,
endemias rurais, sífilis etc. Esses casos eram influenciados por:
Imigrações e migrações

Condições de saneamento precário

Aglomerados urbanos
Essa foi uma época de grande precarização no trabalho, com umidade, baixa luminosidade, sem limite de carga horária, trabalhos
insalubres etc. Diante disso, houve movimentos grevistas muito importantes em 1917 e 1919, cujo resultado culminou na aprovação da
Lei Eloy Chaves – um marco da Previdência Social no Brasil.
Nesse momento inicial que o Estado promoveu, ainda que timidamente, ações específicas para os trabalhadores por meio da
instituição das Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPS).
 COMENTÁRIO
Esse pode ser considerado o início da intervenção estatal em prol da saúde, ainda que não financeiramente.
Além disso, o interesse da permissão das CAPS era econômico, para que os trabalhadores
adoentados/acometidos de doença fatal não interrompessem o processo produtivo.
Em 1920, foi criada a primeira instituição de organização de ações em saúde pública: o Departamento de Saúde Pública. O médico
sanitarista Carlos Chagas (1879-1934), vinculado ao Ministério da Justiça, foi convocado para amenizar as ações mais autoritárias de
Oswaldo Cruz, apesar de ter recebido grande credibilidade pelas erradicações.
Na década de 1930, no final da República Velha, com Getúlio Vargas (1882-1954) ainda no poder, as CAPs foram suspensas e
substituídas por Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs): autarquias de nível nacional centralizadas no governo federal. Assim, a
filiação passava a ocorrer por classes profissionais, diferente do modelo das CAPs, que se organizava por empresas.
 
Foto: Governo do Brasil / Wikimedia Commons / Public domain
 Getúlio Vargas
REPÚBLICA NOVA (1930-1945) E REPÚBLICA
CONTEMPORÂNEA (1945 ATÉ HOJE)

Em 1930, foi criado o Ministério da Educação e Saúde.
Nos anos 1940, os gastos públicos começaram a beneficiar a assistência médica individual, desfavorecendo a saúde pública.


Somente em 1953, o Ministério da Saúde se separou do Ministério da Educação, mas a assistência médica continuou atrelada às
instituições previdenciárias.
Em 1960, as ações institucionais não conseguiam mais combater a miséria e as ruins condições de saúde da população brasileira
(MERHY; QUEIROZ, 1993).

Já durante o governo militar de Castelo Branco (1897-1967), o Decreto-Lei nº 72/1966 unificou os seis IAPs que existiam na época,
criando o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), que passou a concentrar todas as contribuições previdenciárias, incluindo a
dos trabalhadores do comércio, da indústria e dos serviços.
O INPS começou a organizar e gerir as aposentadorias, pensões e a assistência médica dos trabalhadores. Além disso, unificou as
ações da previdência para os trabalhadores do setor privado, exceto os rurais e os domésticos, rompendo as resistências à unificação
por parte das categorias profissionais que tinham institutos mais ricos.
Nesse mesmo ano de 1966, foi acertado que o Ministério da Saúde seria o responsável pela coordenação da Política Nacional de
Saúde, que deveria legislar sobre:
Ações de prevenção e promoção à saúde
Vigilância sanitária de fronteiras e de portos marítimos, fluviais e aéreos
Controle de drogas, medicamentos e alimentos
Controle de pesquisa na área da saúde
O INPS agrupou a área assistencial, com marcada opção de compra de serviços assistenciais do setor privado, concretizando o
modelo assistencial em um modelo hospitalocêntrico, curativista e centrado na figura do médico, que teria uma forte presença no futuro
SUS.
Já, em 1977, houve outro grande marco: a elaboração, pelo regime militar, do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência
Social (INAMPS) pelo desmembramento do INPS, que, hoje, é o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). O objetivo era prestar
atendimento médico apenas aos que contribuíam com a Previdência Social, ou seja, aos empregados de carteira assinada.
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 ATENÇÃO
O INAMPS foi o grande prestador da assistência médica e funcionava à custa de compra de serviços
médicos hospitalares do setor privado, ou seja, houve um grande crescimento do sistema privado e
enfraquecimento do sistema público.
Com o fim da ditadura militar, era cada vez mais claro o esgotamento desse modelo sanitário, tornando-se visível a necessidade da
elaboração de um modelo alternativo de atenção à saúde.
O processo de incorporação dos serviços de saúde, a possibilidade da universalização da assistência e os debates levantados pelo
movimento da reforma sanitária brasileira ganharam força e forma com a VIII Conferência Nacional de Saúde.
VIII CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE E CONSTITUIÇÃO
FEDERAL
Em 1986, aconteceu a VIII Conferência Nacional de Saúde (CNS), liderada por Sérgio Arouca, então presidente da Fundação Oswaldo
Cruz (Fiocruz), cujo tema era: Democracia é Saúde. Esse foi um fórum de luta pela descentralização do sistema de saúde e pela
implantação de políticas sociais que defendessem e cuidassem da vida.
A VIII CNS foi a primeira conferência a permitir a participação popular e teve apoio do governo, já que o momento histórico era de
resgate de dívidas sociais. Seus debates ocorreram baseados nos seguintes temas (BRASIL, 2009):
Saúde como um direito
Reestruturação do Sistema Nacional de Saúde
Financiamento do setor
O relatório final lançou os fundamentos da proposta do SUS, que eram (BRASIL, 1986):
• A necessidade de alterações no setor da saúde, não se limitando a reformas administrativas ou financeiras, mas reconsiderando o
conceito de saúde, assim como a própria legislação em relação à promoção, proteção e recuperação da saúde. 
• Um sistema novo de saúde nacional, reconhecendo a importância do fortalecimento e da ampliação do setor público. 
• A separação da Previdência da Saúde. 
• Os debates mais profundos sobre o financiamento do setor de saúde.
Imagem: [http:// www.saude.gov.br Portal da Saúde – Ministério da Saúde] / Wikimedia Commons / Public domain
• A necessidade de alterações no setor da saúde, não se limitando a reformas administrativas ou financeiras, mas reconsiderando o
conceito de saúde, assim como a própria legislação em relação à promoção, proteção e recuperação da saúde. 
• Um sistema novo de saúde nacional, reconhecendo a importância do fortalecimento e da ampliação do setor público. 
• A separação da Previdência da Saúde. 
• Os debates mais profundos sobre o financiamento do setor de saúde.
Finalmente, em 1988, foi promulgada a Constituição Federal, também conhecida como Constituição Cidadã. Esse foi um importante
marco, pois o SUS foi criado pela CF/1988, no Título VIII: Da Ordem Social, no Capítulo II: Da Seguridade Social, e na Seção II: Da
Saúde (artigos 196 a 200).
A Constituição compreendeu muitas das propostas da Reforma Sanitária, reconhecendo o direito à saúde e a responsabilidade do
Estado em garantir um agrupamento de políticas econômicas e sociais, incluindo a criação do Sistema Único de Saúde (SUS),
universal, participativo, público, integral e descentralizado (PAIM, 2013).
REGULAMENTAÇÃO DO SUS
O SUS foi regulamentado pela Lei nº 8.080/1990, que:
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DISPÕE SOBRE AS CONDIÇÕES PARA A PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E
RECUPERAÇÃO DA SAÚDE, A ORGANIZAÇÃO E O FUNCIONAMENTO DOS
SERVIÇOS CORRESPONDENTES.
(BRASIL, 1990)
Essa primeira lei orgânica do SUS detalha:

Os objetivos e as atribuições
Os princípios e as diretrizes


A organização, a direção e a gestão,a competência e as atribuições de cada nível (federal, estadual e municipal)
A participação complementar do sistema privado


Os recursos humanos
O financiamento e a gestão financeira


O planejamento e o orçamento
A consolidação do SUS ocorreu ao longo da década de 1990. A Lei nº 8.142/1990 determinou a criação de conselhos de saúde em
cada esfera do governo, como órgãos colegiados deliberativos constituídos por “representantes do governo, prestadores de serviço,
profissionais de saúde e usuários” (art. 1º, § 2º), capazes de fiscalizar e avaliar os serviços e recursos em saúde. Essa lei também
dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUS e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros.
O SUS ainda enfrenta desafios bem parecidos com os de sua criação. O Conselho Nacional de Secretariados da Saúde (CONASS)
publicou um documento que trouxe a público os pontos que o SUS precisa superar.
São eles (BRASIL, 2009):
Obstáculo da universalização
Obstáculo do financiamento
Obstáculo do modelo institucional
Desafio do modelo de atenção à saúde
Obstáculo da gestão do trabalho no SUS
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Desafio da participação popular
Mesmo valorizando e ressaltando todas as conquistas do SUS até hoje, o sistema ainda apresenta três grandes desafios (MENDES,
2013):
A formação macroeconômica do sistema de saúde brasileiro

A formação microeconômica do modelo de atenção à saúde vigente

O repasse financeiro
O sucesso do SUS não depende exclusivamente de medidas governamentais e de maior investimento financeiro. A participação
popular na elaboração e no gerenciamento de políticas é de suma importância para melhorar os serviços de saúde ofertados pelo SUS
e reduzir as diferenças na qualidade dos serviços de saúde ofertados no Brasil.
COMPREENDENDO A IMPORTÂNCIA DA VIII CONFERÊNCIA
NACIONAL DE SAÚDE (CNS) E DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
(CF) DE 1988 PARA O SISTEMA BRASILEIRO
A especialista Carine Sena descreve a importância da VIII Conferência Nacional de Saúde (CNS) e da Constituição Federal (CF) de
1988 para o sistema brasileiro:
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. (ADAPTADO DE: IBFC - EBSERH - HUGG-UNIRIO - ASSISTENTE SOCIAL - 2017) 
DE ACORDO COM BRAVO E MATOS (2004, P. 32-33), NO ANO DE 1986, TIVEMOS NO BRASIL O “MARCO
HISTÓRICO MAIS IMPORTANTE NA TRAJETÓRIA DA POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE”. ASSINALE A
AFIRMATIVA QUE APRESENTA ESSE MARCO:
A) Movimento de Reforma Psiquiátrica
B) Movimento Diretas Já
C) Movimento de Reforma Sanitária
D) VIII Conferência Nacional de Saúde
E) Promulgação da Constituição de 1988
2. (HU-UFBA - EBSERH - IADES - TÉCNICO EM ENFERMAGEM - 2014) 
ANTES DA CRIAÇÃO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS), O MINISTÉRIO DA SAÚDE, APOIADO POR
ESTADOS E MUNICÍPIOS, DESENVOLVIA BASICAMENTE QUAIS TIPOS DE AÇÕES?
A) Ações de promoção da saúde e de prevenção de doenças, merecendo destaque as campanhas de vacinação e controle de
endemias.
B) Assistência médico-hospitalar de alta complexidade e fabricação de vacinas e medicamentos, com destaque para as drogas de
combate ao vírus da Aids.
C) Campanhas educacionais de prevenção de doenças, com incentivo à prática de exercícios e à busca por uma alimentação
saudável.
D) Fiscalização das ações de saúde pelos estados e municípios, com a aplicação de multas quando encontradas irregularidades na
execução dos orçamentos contratados.
E) O Ministério da Saúde foi criado juntamente com o SUS. Antes disso, as ações de saúde pública eram executadas pelo Instituto
Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS).
GABARITO
1. (Adaptado de: IBFC - EBSERH - HUGG-UNIRIO - Assistente Social - 2017) 
De acordo com Bravo e Matos (2004, p. 32-33), no ano de 1986, tivemos no Brasil o “marco histórico mais importante na
trajetória da política pública de saúde”. Assinale a afirmativa que apresenta esse marco:
A alternativa "D " está correta.
 
A VIII Conferência Nacional de Saúde (CNS) ocorreu em 1986 e seu lema foi: Democracia é Saúde. Essa conferência foi a primeira a
permitir a participação popular e teve apoio do governo, já que o momento histórico era de resgate de dívidas sociais.
2. (HU-UFBA - EBSERH - IADES - Técnico em Enfermagem - 2014) 
Antes da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde, apoiado por estados e municípios, desenvolvia
basicamente quais tipos de ações?
A alternativa "A " está correta.
 
Todas as ações desenvolvidas pelo Ministério da Saúde antes da criação do SUS tinham caráter universal, sem nenhum tipo de
discriminação com relação à população beneficiária.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste conteúdo, compreendemos o conceito de saúde não apenas como ausência de doença, mas também como um processo
complexo, dinâmico e multidimensional, interagindo com os aspectos biológicos, socioculturais, econômicos, psicológicos, políticas,
ambientais.
Também conseguimos identificar uma complexa e interessante inter-relação entre saúde e doença. Aprendemos ainda que cada
sociedade e a cultura de cada organização social definirão o que é saúde e doença.
Além disso, apresentamos discussões que envolvem o conceito de saúde e revisitamos algumas de suas definições. Entendemos,
ainda, a partir do contexto histórico, como as políticas nacionais e internacionais influenciaram o acesso aos serviços de saúde. Por
fim, compreendemos a organização do sistema de saúde brasileiro.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
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BRASIL. Conselho Nacional de Secretários da Saúde (CONASS). As Conferências Nacionais de BRASIL. Constituição (1988).
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. In: Planalto. Consultado em meio eletrônico em: 10 mar. 2021.
BRASIL. Decreto-lei nº 72, de 21 de novembro de 1966. In: Planalto. Consultado em meio eletrônico em: 10 mar. 2021.
BRASIL. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. In: Planalto. Consultado em meio eletrônico em: 10 mar. 2021.
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BUSS, P. M.; PELLEGRINI FILHO, A. A saúde e seus determinantes sociais. Physis: Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 1,
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MENDES, E. V. 25 anos do Sistema Único de Saúde: resultados e desafios. Estudos Avançados, 27(28): 27-34, 2013.
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PAIM, J. S. A Constituição Cidadã e os 25 anos do Sistema Único de Saúde (SUS). Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 29(10):
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VELHO, G. Desvio e divergência: uma crítica dapatologia social. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981.
WHO. Constitution of World Health Organization – basics documents, Forty-fifth edition, Supplement, October, 2006.
EXPLORE+
Para consolidar o seu aprendizado deste conteúdo:
Assista ao documentário produzido em 2006 por iniciativa da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da
Saúde em parceria com a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), intitulado
Políticas de saúde no Brasil: um século de luta pelo direito à saúde.
Na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVMS), pesquise e leia a Declaração de Alma-Ata sobre Cuidados
Primários de Saúde (1978) e a Carta de Ottawa (1986).
Além disso, sugerimos a leitura do seguinte artigo:
LUZ, M. T.; BARROS, N. F. Racionalidades médicas e práticas integrativas em saúde: estudos teóricos e empíricos. Rio de
Janeiro: CEPESC-IMS-UERJ-ABRASCO, 2012. p. 15-24. (Série Clássicos para Integralidade em Saúde).
CONTEUDISTA
Andressa Fernandes David da Silva Gomes
 CURRÍCULO LATTES
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