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Introdução
Apesar de alguns clínicos discutirem a importância
da postura e do equilíbrio para a independência em ati-
vidades como sentar, ficar em pé e andar, não há ne-
nhuma definição de postura e equilíbrio ou concor-
dância nos mecanismos neurais que fundamente o
controle dessas funções. 
Nas últimas décadas, a pesquisa sobre controle pos-
tural e equilíbrio e suas disfunções se modificaram e se
ampliaram. As próprias definições de postura e equilí-
brio, assim como a nossa compreensão dos mecanismos
neurais que as fundamentam, se modificaram, e conti-
nuarão a se modificar, em resposta à pesquisa emer-
gente na área. 
Como observado no Capítulo 1, o controle postu-
ral emerge da interação do indivíduo com a tarefa e o
ambiente (Fig. 7.1). Além disso, a habilidade de con-
trolar a posição dos nossos corpos no espaço é fruto de
uma interação complexa dos sistemas musculoesque-
lético e neural, coletivamente referidos como “sistema
de controle postural”.
Definindo o controle postural
Para compreender o controle postural no indivíduo,
deve-se compreender a tarefa do controle postural e
examinar o efeito que o ambiente exerce nela. 
O controle postural envolve controlar a posição
do corpo no espaço por propósitos duplos de estabili-
dade e orientação. A orientação postural é definida
como a habilidade de manter uma relação apropriada
entre os segmentos corporais e entre o corpo e o meio
ambiente da tarefa (Horak e Macpherson, 1996). O
termo postura é frequentemente utilizado para descre-
ver o alinhamento biomecânico do corpo e a orientação
do corpo no ambiente. Empregamos o termo orienta-
ção postural para incluir esses conceitos. Para a maioria
das tarefas funcionais, mantemos uma orientação verti-
cal do corpo. No processo de estabelecimento da
orientação vertical, foram usadas múltiplas referências
sensoriais, incluindo a gravidade (sistema vestibular), a
superfície de sustentação (sistema somatossensorial)
e o relacionamento do corpo com os objetos no seu
ambiente (sistema visual). 
A estabilidade postural, também referida como
equilíbrio, é a habilidade de controlar o centro de massa
em relação à base de sustentação. O centro de massa
(CM) é definido como o ponto que está no centro da
massa corpórea total, determinada no encontro do peso
médio do CM de cada segmento corporal. Acredita-se
que a variável é controlada pelo sistema de controle pos-
tural. A projeção vertical do CM é frequentemente defi-
nida como o centro de gravidade (CG). A base de
sustentação (BS) é definida como a área do corpo que
está em contato com a superfície de apoio. Enquanto os
pesquisadores falam com frequência sobre estabilidade
como controladora do CM em relação à BS, eles se refe-
rem ao controle da projeção vertical do CM e do CG em
relação à BS. Neste livro, o uso de CM e CG ocorre de
modo indistinto.
Qual é o centro de pressão (CP) e qual é o seu pa-
pel na estabilidade? Como será discutido em maiores
detalhes neste capítulo, para garantir a estabilidade, o
sistema nervoso gera forças para controlar o movi-
mento do CM. O CP é o centro de distribuição da força
total aplicada à superfície de apoio. Ele se move conti-
nuamente em volta do CM para mantê-lo dentro da base
de sustentação (Benda et al., 1994; Winter, 1991). 
Diversos pesquisadores sugeriram que caracterizar
a relação entre CM e CP fornece uma melhor com-
preensão da estabilidade do que o CP ou o CM sozinho
(Corriveau et al., 2000, 2001; Winter, 1995). A estabili-
dade é representada como a distância escalar entre CP
e CM em um dado momento. Durante o ortostatismo
imóvel, a diferença entre CP e CM é proporcional à ace-
leração horizontal do CM. A distância entre CP e CM é
proposta como sinal de “erro” detectado e usado para
impulsionar o sistema de controle postural durante o
controle de equilíbrio. Portanto, pesquisadores utiliza-
ram a interação CP-CM como uma estimativa da eficá-
cia do controle postural.
Requisitos do controle postural que
variam com a tarefa e o ambiente
A habilidade de controlar a posição do nosso corpo
no espaço é fundamental para tudo o que realizamos. To-
das as tarefas requerem controle postural, isto é, cada ta-
refa tem um componente de orientação e um compo-
nente de estabilidade. Entretanto, os requisitos da
estabilidade e da orientação irão variar conforme a tarefa
e o ambiente. Algumas tarefas dão importância à manu-
tenção de uma orientação apropriada à custa de estabi-
158 Segunda Parte • Controle Postural
T
Tarefa
I
Indivíduo
CP
Controle
postural
A
Ambiente
FIGURA 7.1 Ações posturais emergem da interação do
indivíduo com a tarefa e suas exigências posturais inerentes,
e com as restrições ambientais nas ações posturais.
lidade. Defender um gol no futebol ou uma bola voadora
no beisebol requer que o jogador sempre se mantenha
orientado em relação à bola, às vezes caindo no chão, no
esforço de impedir o gol ou pegar a bola. Portanto, en-
quanto o controle postural é um requisito comum para a
maioria das atividades, as exigências de estabilidade e
orientação se modificam a cada tarefa (Horak e Macpher-
son, 1996; Shumway-Cook e McCollum, 1990).
A tarefa de sentar-se em um banco e ler tem um re-
quisito de orientação postural de manter a cabeça e o
olhar estáveis e fixos no material de leitura (Fig. 7.2A).
Os braços e as mãos mantêm uma orientação específica
da tarefa determinada que permite que o livro seja se-
gurado na posição apropriada em relação à cabeça e
aos olhos. Os requisitos de estabilidade dessa tarefa são
maleáveis, uma vez que o contato do corpo com o en-
costo do banco e do assento fornece uma base de sus-
tentação relativamente grande, o requisito de controle
postural primário é o controle sem apoio da massa da
cabeça em relação à massa do tronco. 
Por outro lado, a tarefa de ficar em pé e ler um li-
vro tem, grosso modo, o mesmo requisito de orienta-
ção postural em relação à cabeça, aos olhos, aos braços e
ao livro, mas o requisito de estabilidade é considerado
mais rigoroso (Fig. 7.2B), uma vez que envolve contro-
lar o CM (de forma mais precisa, o CG, que é a proje-
ção vertical do CM) em relação a uma base de susten-
tação muito menos definida entre os dois pés. 
As exigências de estabilidade nessa tarefa, ficar em
pé e ler um livro, se tornam ainda mais difíceis se a pes-
soa está em pé em um ônibus em movimento, uma vez
que o CM tem que ser controlado em relação à base de
apoio que está se movendo, frequentemente de modo
imprevisível. Nesse caso, as exigências da tarefa variam
a cada momento, necessitando de adaptação constante
do sistema postural. 
O controle postural garante orientação e estabilida-
de e também é uma parte essencial da mobilidade em ta-
refas nas quais o corpo está em movimento – andar, por
exemplo (Fig. 7.2C). A tarefa de controlar a estabilidade
durante o andar é muito diferente da tarefa de equilíbrio
durante o ortostatismo (Winter et al., 1991). Na marcha,
o CM (CG) não permanece dentro da base de sustentação
dos pés e, portanto, o corpo está em um estado contínuo
de desequilíbrio. O único modo de evitar quedas é colo-
car o pé de balanço à frente e lateralmente ao centro de
gravidade à medida que se move adiante, garantindo o
controle do CM em relação a uma BS em movimento.
Portanto, é possível observar que, enquanto essas
tarefas exigem controle postural, os requisitos de esta-
bilidade e orientação específicos variam de acordo
com a tarefa e o ambiente. Em razão disso, as estraté-
gias de percepção/ação utilizadas para se obter o con-
trole postural devem se adaptar à tarefa variante e às
exigências do ambiente. 
Nesta parte do livro é abordada a pesquisa relacionada
ao controle postural no ortostatismo e são consideradas as
aplicações dessa pesquisa ao tratamento clínico de pa-
cientes com controle postural comprometido, limitando o
desempenho de atividades relacionadas ao ortostatismo.
Na próxima parte do livro são abordadas as pesquisas re-
lacionadas ao controle de mobilidade, examinando o con-
trole de estabilidade e orientação no contextode tarefas
que envolvem o movimento do corpo. 
Capítulo 7 • Controle Postural Normal 159
CG projetado
dentro da BS
CG projetado
dentro da BS
CG projetado
para fora da BS
A B C
Ônibus Ônibus Ônibus
FIGURA 7.2 Requisitos de estabilidade variam com a tarefa. A estabilidade na posição sentada e em pé requer que o centro de
gravidade (CG) seja mantido dentro da base de sustentação (BS). A. As exigências da estabilidade são baixas na posição sentada
totalmente apoiada, uma vez que a BS (o banco) é larga. B. As exigências da estabilidade em pé aumentam, uma vez que o CG
deve ser mantido dentro de uma BS menor, definida pelos pés. C. Quando deambulando, o CG frequentemente sai da BS e é
recapturado pelo posicionamento do membro que balança.
Definindo sistemas para o 
controle postural
O controle postural para estabilidade e orientação
requer a interação complexa dos sistemas musculoes-
quelético e neural, como demonstrado na Figura 7.3.
Os componentes musculoesqueléticos incluem ampli-
tude de movimento da articulação, flexibilidade espi-
nal, propriedades do músculo e relações biomecânicas
entre os segmentos corporais ligados. 
Os componentes neurais essenciais para o controle
postural abrangem: (a) processos motores, que incluem
a organização dos músculos pelo corpo em sinergias
neuromusculares; (b) processos sensorial/perceptual,
que envolvem a organização e a integração dos siste-
mas visual, vestibular e somatossensorial; e (c) proces-
sos de níveis superiores essenciais para o mapeamento
da sensação à ação e a garantia dos aspectos antecipa-
tórios e adaptativos do controle postural.
Neste livro, processos neurais de níveis superiores
são entendidos como influências cognitivas do controle
postural. É muito importante compreender, entretanto,
que o termo cognitivo como é usado aqui não significa
necessariamente controle consciente. Aspectos cogniti-
vos de níveis superiores do controle postural são a base
para aspectos adaptativos e antecipatórios desse con-
trole. O controle postural adaptativo envolve modifi-
car os sistemas sensorial e motor em resposta à mudança
da tarefa e às exigências do ambiente. Aspectos anteci-
patórios do controle postural sintonizam os sistemas sen-
sorial e motor para as exigências posturais baseadas em
experiência e aprendizagem prévias. Outros aspectos da
cognição que afetam o controle postural incluem pro-
cessos como a atenção, a motivação e a intenção.
Portanto, em um sistema de abordagem, o controle
postural resulta de uma interação complexa entre os
sistemas corporais que trabalham em cooperação para
controlar tanto a estabilidade como a orientação do
corpo. A organização específica de sistemas posturais é
determinada pela tarefa funcional e pelo ambiente no
qual está sendo realizada.
Controle postural no ortostatismo 
Como os sistemas de percepção/ação trabalham
em conjunto no controle da estabilidade durante a po-
sição em pé? Como foi descrito anteriormente, quando
examinada em relação ao controle do ortostatismo imó-
vel, a estabilidade postural, ou equilíbrio, é definida
como a habilidade de manter o CM projetado dentro do
limite da BS e referida como “limites de estabilidade”.
Os limites de estabilidade são considerados as fronteiras
dentro das quais o corpo pode manter estabilidades sem
modificar a base de sustentação.
Outrora, os limites de estabilidade durante a fase de
apoio eram conceituados relativamente de forma está-
tica, definidos somente por características físicas da base
de sustentação, os pés. Pesquisas mais recentes sugeri-
ram que os limites de estabilidade não são fronteiras fi-
xas, mas mudam de acordo com a tarefa; as característi-
cas do próprio indivíduo, incluindo força e amplitude de
movimento; as características do CM; e diversos aspec-
tos do ambiente. Enquanto pesquisas anteriores sobre
controle postural no ortostatismo tendiam a enfatizar a
importância da oposição entre o CM e os limites de es-
tabilidade, pesquisas mais recentes sugerem que qual-
quer compreensão da estabilidade deve considerar a po-
sição e a velocidade do CM em qualquer momento (Pai
et al., 2000). É a interação entre essas duas variáveis, e
não somente a posição do CM, que determina se uma
pessoa será capaz de manter a estabilidade dentro de sua
base de sustentação atual ou se será necessário dar um
passo a fim de restabelecer o equilíbrio.
Na Figura 7.4 que ilustra esse ponto, estão traçadas
três trajetórias possíveis do CM (combinando velocidade
e deslocamento) em resposta à perturbação externa em
pé. A área sombreada indica a região do espaço de estado
do CM, onde dar o passo é pressuposto como algo ne-
cessário. A posição inicial do CM está indicada pela fle-
cha e está cerca de meio pé antes da perturbação. Na tra-
jetória 1, a mudança combinada da posição e da
velocidade do CM permanece baixa o suficiente para que
a estabilidade seja recuperada sem a mudança na base de
sustentação. Por outro lado, na trajetória 2, o desloca-
mento e a velocidade são suficientes para mover o CM
além da fronteira de estabilidade, o que exige um passo
160 Segunda Parte • Controle Postural
Mecanismos
adaptativos
Mecanismos
antecipatórios
Estratégias
sensoriais
Sistemas
sensoriais
do indivíduo
Sinergias
neuro-
musculares
Componentes
musculo-
esqueléticos
Controle
postural
Representações
internas
FIGURA 7.3 Modelo conceitual representando os diversos
componentes do controle postural que foram estudados
pelos pesquisadores. O controle postural não é regulado
por um único sistema, mas emerge da interação entre
diversos sistemas.
para recuperar a estabilidade. A trajetória 3 também re-
quer um passo, não porque a amplitude de deslocamento
do CM é grande, mas porque a velocidade é alta, resul-
tando na necessidade de dar um passo para recuperar a
estabilidade. Para as trajetórias 2 e 3, a posição final do
CM está à frente do dedo, o que indica que um passo
ocorreu (Pai et al., 2000).
Portanto, muitos fatores têm impacto no modo
como o CM é controlado em relação aos limites de es-
tabilidade do corpo no ortostatismo, incluindo tanto a
velocidade como a posição do CM. Além disso, limites
de estabilidade (o ponto no qual a pessoa irá modificar
a configuração de sua base de sustentação para alcan-
çar estabilidade) são afetados por muitos outros fato-
res, como o medo de cair e a percepção de segurança
(Pai et al., 2000).
Na última década, estratégias que fundamentam o
controle postural no ortostatismo foram amplamente es-
tudadas. O que se entende como estratégias de controle
postural? A estratégia é o plano de ação, uma abordagem
para organizar elementos individuais em um sistema
dentro de uma estrutura coletiva. Alguns exemplos de
estratégias que contribuem para o controle postural in-
cluem estratégias de ação postural, que se referem à or-
ganização dos movimentos apropriados para o controle
da posição do corpo no espaço. Estratégias sensoriais são
usadas para descrever como a informação sensorial dos
sistemas visual, somatossensorial e vestibular é organi-
zada para o controle postural. Estratégias sensório-moto-
ras refletem as regras para coordenar aspectos motores e
sensoriais do controle postural (Nashner, 1989). Pesqui-
sadores começaram a definir estratégias de atenção para
o controle postural. Estratégias de atenção determinam
o grau de atenção dado a uma tarefa postural ao se exe-
cutarem outras tarefas simultaneamente (p. ex., andar
enquanto se conversa com um amigo) (para uma revisão
desse assunto, ver Woollacott e Shumway-Cook, 2002).
Iremos começar pelo exame da contribuição do sistema
de ação ao controle postural quando estamos em pé,
imóveis e em resposta às perturbações do CM.
Sistemas de ação no controle postural 
O sistema de ação que fundamenta o controle da
postura inclui sistemas envolvidos no planejamento de
nível superior (córtex frontal e córtex motor), na coor-
denação (tronco cerebral e redes espinais que coorde-
nam a sinergia de resposta muscular) e na geração
(neurônios motores e músculos) de forças que produ-zem movimentos efetivos no controle da posição cor-
poral no espaço.
Controle motor no ortostatismo imóvel
Quais são as características comportamentais do or-
tostatismo imóvel e o que nos permite permanecer ere-
tos durante o ortostatismo imóvel ou sentados? A esta-
bilidade subjacente do sentar ou do ficar em pé de
forma estática tem sido frequentemente denominada
“equilíbrio estático”, pois a base de sustentação não se
modifica. Entretanto, esse termo é errôneo, uma vez
que o controle postural, mesmo no ortostatismo imó-
vel, é bastante dinâmico.
O ortostatismo imóvel é caracterizado por peque-
nas quantidades de balanços posturais espontâneos.
Inúmeros fatores contribuem para nossa estabilidade
nessa situação. De início, o alinhamento corporal pode
minimizar o efeito das forças gravitacionais, que ten-
dem a nos empurrar para fora do centro. O tônus mus-
cular evita que o corpo caia, em resposta à tração da
gravidade. Três fatores principais contribuem para a
Capítulo 7 • Controle Postural Normal 161
FIGURA 7.4 Interação entre o movimento do centro de massa
(CM) (caracterizado pela velocidade no eixo y e pelo
deslocamento no eixo x) e o tipo de resposta utilizada para
recuperar a estabilidade após uma perturbação externa. A área
sombreada indica a região do espaço de estado do CM onde
dar o passo é pressuposto como algo necessário. Estão
demonstradas três trajetórias do CM em resposta à perturbação.
Na trajetória 1, a mudança combinada da posição e da
velocidade do CM permanece pequena o suficiente para
que o CM não cruze o limite de estabilidade; portanto, a
estabilidade é recuperada sem o passo. Por outro lado, na
trajetória 2, o deslocamento e a velocidade do CM são
suficientes para mover o CM além do limite de estabilidade,
necessitando dar um passo para recuperar a estabilidade.
O passo é refletido pela trajetória que se estabilizou no ponto
além do dedo da base de sustentação original. A trajetória 3
também necessita de um passo, mas é em virtude de a
velocidade inicial do CM ser alta, apesar de o deslocamento
inicial ser pequeno. O modelo ilustra a importância da
velocidade do CM, não somente da posição, em determinados
estágios para a recuperação da estabilidade.
(Adaptado de Pai YC, Maki BE, Iqbal K et al. Thresholds for
step initiation induced by support surface translation: a
dynamic center of mass model provides much better prediction
than a static model. J Biomechanics 2000; 33:390, Fig. 3.)
base do tônus muscular durante o ortostatismo imóvel:
(a) a rigidez intrínseca do músculo em si; (b) os tônus
musculares de base, que existem em todos os múscu-
los em virtude das contribuições neurais; e (c) o tônus
muscular, a ativação dos músculos antigravitacionais
durante o ortostatismo imóvel. Na parte seguinte do li-
vro observaremos esses fatores (Basmajian e Deluca,
1985; Kendall e McCreary, 1983; Roberts, 1979;
Schenkman e Butler, 1992). 
ALINHAMENTO Em uma postura perfeitamente
alinhada, demonstrada na Figura 7.5A e B, a linha verti-
cal da gravidade desce pela linha média do corpo entre:
(a) o processo mastóideo; (b) um ponto logo à frente
das articulações do ombro; (c) a articulação dos quadris
(ou logo atrás dela); (d) um ponto logo à frente do cen-
tro das articulações dos joelhos; e (e) um ponto logo à
frente das articulações dos tornozelos (Basmajian e De-
luca, 1985). O alinhamento ideal no ortostatismo per-
mite ao corpo a manutenção do equilíbrio com o menor
gasto de energia interna. 
Antes de continuar revendo a pesquisa em relação
ao controle postural, veja as informações contidas nos
quadros de Tecnologia (p.163-164) sobre a discussão das
técnicas para análise de movimento em diferentes níveis
de controle, incluindo eletromiografia (Ferramenta de
Tecnologia 7-1), cinemática (Ferramenta de Tecnolo-
gia 7-2) e cinética (Ferramenta de Tecnologia 7-3).
TÔNUS MUSCULAR O que é tônus muscular e como ele
nos auxilia a manter equilíbrio? O tônus muscular é a
força com a qual o músculo resiste ao alongamento, isto
é, a sua rigidez (Basmajian e Deluca, 1985). Ele é, com fre-
quência, testado clinicamente pela extensão e pela fle-
xão passiva de um dos membros do paciente, relaxado, e
ao sentir a resistência oferecida por esses músculos.
Tanto os mecanismos não neurais como os neurais con-
tribuem para o tônus ou rigidez muscular. 
Um certo nível de tônus muscular está presente em
uma pessoa normal, consciente e relaxada. Entretanto,
em um estado relaxado, nenhuma atividade elétrica é
registrada no esqueleto muscular normal de um hu-
mano utilizando a eletromiografia (EMG). Isso levou os
pesquisadores a evidenciar que as contribuições não
neurais para o tônus muscular resultam de pequenas
quantidades de cálcio livre na fibra muscular, o que leva
a um nível baixo de reciclagem contínua de pontes cru-
zadas (Hoyle, 1983). 
Há também contribuições neurais ao tônus muscu-
lar ou à rigidez, associadas com a ativação do reflexo de
estiramento, que resiste ao alongamento do músculo.
O papel desse reflexo de estiramento como um contri-
buinte do tônus muscular normal é relativamente cla-
ro; entretanto, no controle postural no ortostatismo,
não é. De acordo com uma teoria, os reflexos de esti-
ramento têm um papel de feedback durante a manu-
tenção da postura ortostática. Portanto, essa teoria su-
gere que, à medida que balançamos para a frente e para
trás e enquanto estamos em pé, os músculos do torno-
zelo são alongados, ativando o reflexo de estiramento.
Isso resulta em um reflexo de encurtamento do mús-
culo e o controle subsequente do balanço para a frente
e para trás. Relatos de que o ganho do reflexo de esti-
ramento é relativamente baixo durante o ortostatismo
levaram alguns pesquisadores a questionar sua relevân-
cia no controle do balanço (Gurfinkel et al., 1974).
TÔNUS POSTURAL Quando ficamos em pé, eretos, a ati-
vidade aumenta nos músculos posturais antigravitacio-
nais para contrapor-se à força da gravidade; isso é referido
como tônus postural. Os estímulos sensoriais dos siste-
mas múltiplos são essenciais para o tônus postural. Le-
162 Segunda Parte • Controle Postural
Tensor da fáscia
lata (+)
Tibial
anterior (±)
A B
Abdominais (±)
Sóleo (+)
Eretor da
coluna (+)
Iliopsoas (+)
Glúteo
médio (+)
Bíceps
femoral (-)
Gastrocnêmio (+)
FIGURA 7.5 A. O alinhamento ideal no ortostatismo requer
mínimo esforço muscular para manter a posição vertical. B. Os
músculos que são ativados tonicamente durante o controle do
ortostatismo imóvel. (Adaptado de Kendall FP, McCreary EK.
Muscles: testing and function, 3rd ed. Baltimore: Williams &
Wilkins, 1983:280.)1
1. N.E.: Edição Brasileira pela Editora Manole sob o título Músculos:
Provas e Funções – 5a edição, 2007.
sões nas raízes dorsais (sensoriais) da medula espinal re-
duzem o tônus postural, o que ressalta a importância dos
estímulos somatossensoriais no tônus postural. A ativa-
ção dos estímulos cutâneos nas solas dos pés causa uma
reação de resposta que resulta em uma extensão auto-
mática do pé para a frente na superfície de apoio, aumen-
tando, portanto, o tônus postural nos músculos extenso-
res. Os estímulos somatossensoriais do pescoço ativados
pelas mudanças na orientação da cabeça também podem
influenciar a distribuição do tônus postural no tronco e
nos membros. Esses estímulos foram referidos como “re-
flexo tônico cervical” (Ghez, 1991; Roberts, 1979). Estí-
mulos dos sistemas visual e vestibular também podem in-
fluenciar o tônus postural. Os estímulos vestibulares,
ativados pela mudança na orientação da cabeça, alteram
a distribuição do tônus postural no pescoço e nos mem-
bros e foram referidos como os reflexos “vestibulocóli-
cos” e “vestibulospinais” (Massion e Woollacott, 2004).
Na literatura clínica, há muita ênfase no conceito
de tônus postural como um mecanismo principal no
suporte do corpo contra a gravidade. Em especial, mui-
tos clínicos sugeriram que o tônus postural no seg-
mento do tronco é um elemento-chave para o controle
da estabilidade postural normal na posição ereta (Da-vies, 1985; Schenkman e Butler, 1983). Qual é a perti-
nência dessa suposição nos estudos de EMG que exa-
minaram os músculos ativos no ortostatismo imóvel?
Pesquisadores descobriram que muitos músculos
são ativados tonicamente durante o ortostatismo imó-
vel (Basmajian e Deluca, 1985). Alguns desses múscu-
los estão demonstrados na Figura 7.5B e incluem: (a) o
sóleo e o gastrocnêmio, pois a linha de gravidade desce
levemente à frente do joelho e do tornozelo; (b) o tibial
anterior, quando o corpo balança para trás; (c) o glúteo
médio e o tensor da fáscia lata, mas não o glúteo má-
ximo; (d) o iliopsoas, que previne a hiperextensão dos
quadris, mas não os isquiotibiais e quadríceps; (e) o
eretor espinal torácico no tronco (com a ativação inter-
mitente dos abdominais), pois a linha de gravidade desce
à frente da coluna espinal. Pesquisadores sugeriram que
a ativação apropriada dos músculos abdominais e outros
do tronco, frequentemente discutidos em relação à “es-
tabilidade central”, é importante para a eficiência do
controle postural, incluindo a compensação postural
para o movimento do corpo induzido pela respiração
(Hodges et al., 2002; Mok et al., 2004).
Esses estudos sugerem que os músculos são ativados
tonicamente para manter o corpo em uma posição verti-
cal bem restrita durante o ortostatismo imóvel. Apesar
de o termo controle postural “estático” ser usado tradi-
cionalmente para descrever o controle postural durante
o ortostatismo imóvel, pode-se perceber que o controle
é, na verdade, dinâmico. Pesquisas sugerem, na reali-
dade, que o controle postural envolve o processamento
Capítulo 7 • Controle Postural Normal 163
A eletromiografia é a técnica utilizada para medir a ativi-
dade dos músculos através de eletrodos colocados na su-
perfície da pele, em cima do músculo que será registrado,
ou no músculo em si. O sinal de output do eletrodo (o ele-
tromiograma ou EMG) descreve o output ao sistema mus-
cular, partindo do reservatório de neurônios motores. For-
nece informações ao clínico sobre (a) a identidade dos
músculos que são ativados durante o movimento; (b) a cro-
nometragem e a intensidade relativa da contração mus-
cular; e (c) a ocorrência de atividade muscular antagonís-
tica ou sinergística. Eletrodos superficiais são mais
frequentemente utilizados; entretanto, a capacidade des-
ses eletrodos de diferenciar a atividade de músculos vizi-
nhos não é muito eficiente.
A amplitude do sinal do EMG é frequentemente inter-
pretada como uma medida grosseira da tensão gerada no
músculo. Entretanto, deve-se ter cuidado ao interpretar as
medições de amplitude no EMG. Há muitas variáveis que
podem afetar a amplitude nos sinais do EMG, incluindo a
velocidade na qual o músculo muda o comprimento, a re-
sistência associada com o tecido cutâneo e a gordura sub-
cutânea, e a localização do eletrodo. Por-
tanto, geralmente, não é correto comparar amplitudes
absolutas da atividade do EMG de um músculo entre indi-
víduos ou no mesmo indivíduo em dias diferentes. Os
pesquisadores que utilizam a informação da amplitude
do EMG para comparar padrões temporais e espaciais da
atividade muscular entre indivíduos ou no mesmo indi-
víduo, em diferentes dias, geralmente convertem medi-
das absolutas de amplitude em medidas relativas. Por
exemplo, um indivíduo pode determinar a relação entre a
resposta da amplitude (a área embaixo da curva da ati-
vidade do EMG por um período específico, denominado
EMG integrado ou EMGI) e a amplitude de contração vo-
luntária máxima daquele músculo. De forma alternativa,
pode ser determinada a relação do EMGI com os múscu-
los agonistas e antagonistas em uma articulação. Da
mesma forma, pode ser encontrada a relação do EMGI
para músculos sinergistas. Pode-se então examinar como
essa relação se modifica de acordo com a função de mu-
dança da tarefa ou das condições ambientais (Gronley e
Perry, 1984; Winter, 1990).
EElleettrroommiiooggrraaffiiaa
Tecnologia 7-1 FERRAMENTA DE Tecnologia 7-1 
sensorial ativo, com um mapeamento constante da per-
cepção para a ação, de forma que o sistema postural é ca-
paz de calcular onde o corpo está no espaço e prever o
que ele fará e quais ações serão necessárias para contro-
lar esse movimento.
Estratégias de movimento 
durante o ortostatismo perturbado
Muitos laboratórios de pesquisa estudaram a orga-
nização das estratégias de movimento utilizadas para
recuperar a estabilidade, em resposta aos deslocamen-
tos breves da superfície de apoio, utilizando uma varie-
dade de plataformas móveis, como mostrado na Figura
7.6 (Allum e Pfaltz, 1985; Diener et al., 1982; Nashner,
1976). Além disso, foram descritos padrões caracterís-
ticos de atividade muscular, denominados “sinergias
musculares”, associados às estratégias de movimento
postural utilizadas para recuperar a estabilidade no
plano sagital (Horak e Nashner, 1986; Nashner, 1977;
Nashner e Woollacott, 1979). Pesquisadores anteriores
focaram sobretudo a avaliação das estratégias de mo-
vimento para o controle do balanço anterior e poste-
rior. Por quê? Para responder a essa pergunta, faça a
Atividade Laboratorial 7-1.
164 Segunda Parte • Controle Postural
A análise da cinemática é a descrição das características de
um objeto em movimento, incluindo os deslocamentos, a
velocidade e as acelerações lineares e angulares. As infor-
mações no deslocamento são geralmente compiladas por
medidas das posições de marcadores colocados em pon-
tos anatômicos e registrados em relação a um sistema
coordenado anatômico (isto é, relacionado ao ângulo ar-
ticular) ou a um sistema de referência espacial externo. Há
diversos modos de medir as cinemáticas do movimento
corporal. Goniômetros, ou potenciômetros elétricos, po-
dem ser acoplados a uma articulação para medir o ângulo
articular (a mudança no ângulo articular produz uma mu-
dança proporcional na voltagem). Acelerômetros são ge-
ralmente transdutores de força que medem as forças de
reação associadas com a aceleração de um segmento cor-
poral. A massa do corpo é acelerada contra o transdutor
de força, produzindo um sinal de voltagem
proporcional à aceleração. Por fim, as técnicas de men-
suração de imagem, incluindo a cinematografia, a video-
grafia ou os sistemas optoeletrônicos, podem ser usadas
para medir o movimento corporal. Os sistemas optoele-
trônicos requerem que o indivíduo use luzes especiais in-
fravermelhas ou marcadores refletivos em cada marco
anatômico, que são registrados por uma ou mais câmeras.
A localização da luz, ou do marcador, é expressa em ter-
mos das coordenadas x e y em um sistema bidimensional,
ou as coordenadas x, y e z em um sistema tridimensional.
O output desses sistemas é expresso como mudança nos
deslocamentos dos segmentos, nos ângulos articulares e
nas velocidade ou acelerações; esses dados podem ser
usados para reconstruir o movimento corporal no espaço
(Gronley e Perry, 1984; Winter, 1990).
AAnnáálliissee ddaa CCiinneemmááttiiccaa
Tecnologia 7-2 FERRAMENTA DE Tecnologia 7-2 
A análise cinética se refere à análise das forças que cau-
sam o movimento, incluindo as forças internas e externas.
As forças internas vêm da atividade muscular, dos liga-
mentos ou da fricção nos músculos e nas articulações; as
forças externas vêm do chão e de cargas externas. A aná-
lise cinética nos dá insight sobre as forças que contribuem
para o movimento. Os recursos de medição de força ou de
transdução de força são utilizados para medir força, com
os sinais de output que são proporcionais à força aplicada.
As placas de força medem forças de reação
do solo, que são forças embaixo da área do pé, onde as
informações do centro de pressão são calculadas. O termo
centro de gravidade (CG) do corpo não é o mesmo que o
centro de pressão (CP). O CG do corpo é a localização em
rede do centro de massa em uma direção vertical. O CP é
a localização da força de reação vertical ao solo na plata-
forma de força e é igual e oposto a todas as forças que
agem para baixo (Gronley e Perry, 1984; Winter, 1990).
AAnnáálliissee CCiinnééttiiccaaTecnologia 7-3FERRAMENTA DE Tecnologia 7-3

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