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CONTABILIDADE SOCIETÁRIA 
AULA 1 
Profª Paolla Hauser 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Já se passaram alguns anos depois da convergência das normas 
internacionais de contabilidade no Brasil. Tais alterações foram iniciadas a partir 
da Lei n. 11.638/2007 e da Medida Provisória n. 448/2008, convertida na Lei n. 
11.941/2009. Ambas normas alteraram diversos dispositivos da Lei das S/As, 
como é conhecida a Lei n. 6.404/1976. 
Estas alterações tiveram (e ainda têm) o objetivo de facilitar a análise dos 
investidores internacionais, principalmente. De acordo com Viceconti e Neves 
(2013, p. 33), “a necessidade de manusear diversas demonstrações financeiras 
com várias normas distintas e diferenciadas, dificultava sobremaneira a 
comparação das mesmas e, consequentemente, a aplicação dos recursos pelos 
investidores residentes ou domiciliados em outros países”. 
Desta forma, a convergência das normas contábeis garante que a leitura 
da informação que as demonstrações financeiras apresentam possa ser 
entendida por qualquer investidor em qualquer lugar do mundo. 
Nesta disciplina, nós vamos conhecer algumas normas contábeis trazidas 
pela chamada contabilidade internacional, por meio do Comitê de 
Pronunciamentos Contábeis (CPC). 
Nesta primeira aula, vamos conhecer o CPC 01 – Redução ao Valor 
Recuperável de Ativos. Este pronunciamento objetiva estabelecer 
procedimentos que a empresa deve aplicar para garantir que seus ativos estejam 
registrados contabilmente por valor que não exceda seus valores de 
recuperação. 
Em nossa segunda aula, falaremos sobre aspectos conceituais, cálculo e 
contabilização dos empréstimos e financiamentos, tratando aqui um pouco do 
CPC 20. 
Na aula de número três vamos conhecer mais um pouco sobre a estrutura 
conceitual do Patrimônio Líquido. Vamos abordar de forma mais aprofundada as 
contas existentes neste grupo do balanço. 
Em nossa quarta aula, falaremos sobre todas as reservas existentes no 
balanço, assim como a conta de ajuste de avaliação patrimonial. Vamos 
conhecer os conceitos, limites e regras aplicáveis a estas contas contábeis. 
Em nossa aula cinco, veremos o CPC 23, que trata das Políticas 
Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro. 
 
 
3 
Por fim, em nossa sexta aula, conheceremos o CPC 02, que trata dos 
efeitos das mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações 
contábeis, contabilização de transações em moeda estrangeira e conversão de 
ativos e passivos monetários. 
CONTEXTUALIZANDO 
De acordo com a notícia extraída do portal do Valor Econômico, de 
22/02/2017, a empresa Gerdau apresentou em 2016 um prejuízo líquido de R$ 
2,89 bilhões durante o ano. “Os principais motivos para o segundo ano 
consecutivo de perdas foram um faturamento menor, baixas contábeis e 
operações com controladas e coligada” (Rostás, 2017). 
Ainda segundo o jornal, “Durante o ano de 2016, as baixas contábeis pela 
não recuperabilidade de ativos foram todas realizadas no último trimestre e 
subtraíram R$ 2,92 bilhões do balanço. Em 2015 os impairments foram de R$ 5 
bilhões”. 
Este é apenas um exemplo do que ocorre no balanço das empresas, 
quando realizado ajuste pelo teste de impairment test, também chamado de teste 
de recuperabilidade. Este teste serve para verificar se o valor escriturado 
contabilmente é de fato recuperável, caso não seja, o valor deverá ser reduzido 
ao seu valor recuperável. Por recuperável, vamos entender como o valor que a 
entidade poderá recuperar com o uso do ativo. 
TEMA 1 – CPC 01 – ASPECTOS NORMATIVOS E CONCEITUAIS 
O impairment test ou teste de recuperabilidade, ou ainda redução ao valor 
recuperável de ativos, está disposto no art. 183, parágrafo 3º da Lei das 
Sociedades por Ações (Lei n. 6.404/1976), conforme transcrito a seguir: 
§ 3o A companhia deverá efetuar, periodicamente, análise sobre a 
recuperação dos valores registrados no imobilizado e no intangível, a 
fim de que sejam: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 
I – registradas as perdas de valor do capital aplicado quando houver 
decisão de interromper os empreendimentos ou atividades a que se 
destinavam ou quando comprovado que não poderão produzir 
resultados suficientes para recuperação desse valor; ou (Incluído pela 
Lei nº 11.638, de 2007) 
II – revisados e ajustados os critérios utilizados para determinação da 
vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, exaustão 
e amortização. 
 
 
4 
A legislação supracitada determina que a companhia deverá realizar de 
forma regular uma análise sobre o valor contábil dos seus ativos (imobilizado e 
intangível), com o intuito de identificar se estes ativos estão escriturados por 
valor que não exceda seu valor de recuperação. 
De acordo com o CPC 01, valor contábil “é o montante pelo qual o ativo 
está reconhecido no balanço depois da dedução de toda respectiva depreciação, 
amortização ou exaustão acumulada e ajuste de perdas”. 
O CPC traz ainda outas definições importantes para nossa aula, conforme 
transcrevemos: 
Unidade geradora de caixa é o menor grupo identificável de ativos 
que gera entradas de caixa, entradas essas que são em grande parte 
independentes das entradas de caixa de outros ativos ou outros grupos 
de ativos. 
Despesas de venda ou de baixa são despesas incrementais 
diretamente atribuíveis à venda ou à baixa de um ativo ou de uma 
unidade geradora de caixa, excluindo as despesas financeiras e de 
impostos sobre o resultado gerado. 
Valor depreciável, amortizável e exaurível é o custo de um ativo, ou 
outra base que substitua o custo nas demonstrações contábeis, menos 
seu valor residual. 
Depreciação, amortização e exaustão é a alocação sistemática do 
valor depreciável, amortizável e exaurível de ativos durante sua vida 
útil. 
Valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou 
que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação 
não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração. 
Perda por desvalorização é o montante pelo qual o valor contábil de 
um ativo ou de unidade geradora de caixa excede seu valor 
recuperável. 
Valor recuperável de um ativo ou de unidade geradora de caixa é o 
maior montante entre o seu valor justo líquido de despesa de venda e 
o seu valor em uso. 
Vida útil é: 
(a) o período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar um 
ativo; ou 
(b) o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes 
que a entidade espera obter do ativo. 
Valor em uso é o valor presente de fluxos de caixa futuros esperados 
que devem advir de um ativo ou de unidade geradora de caixa. 
Para facilitar o entendimento da norma, vamos começar com o conceito 
de ativo. O Ativo é representado pelos bens e direitos controlados pela empresa 
tendo como característica a capacidade de gerar benefícios presentes e futuros 
(fluxos de caixa). 
A utilidade do impairment test é calcular o valor de retorno deste bem ou 
direito (de longo prazo), isto é, quanto de benefícios decorrentes de seu uso ele 
ainda pode gerar para a empresa. 
 
 
5 
O Impairment significa dano, prejuízo, deterioração, depreciação. Para 
fins contábeis, dizemos que é a redução do valor do ativo. (Padoveze, 2016) 
O impairment test, ou teste de recuperabilidade, como também é 
chamado, tem como finalidade identificar e ajustar o valor de um ativo, evitando 
que este esteja escriturado por um valor superior ao que pode ser recuperado 
pelo uso ou por sua venda. 
Desta forma, a entidade demonstra sua real situação financeira e 
patrimonial, garantindo assim transparência quanto às informações contábeis e 
financeiras da entidade. 
O Impairment test é obrigatório pelo menos no encerramento do balanço 
CPC 01, e deve ser efetuado quando houver evidências de uma provável perda 
do potencial do ativo ou de um grupo de ativos. 
Para Ferrari (2012, p. 646), o teste de recuperabilidade do ativo 
imobilizado e ativo intangível é consequência do princípioda prudência, o qual 
determina que, diante de opções igualmente válidas, deve-se sempre adotar o 
menor valor para os itens do ativo. 
O autor traz o seguinte exemplo para ilustrar tal conceito: 
Se uma empresa tivesse em seu imobilizado um equipamento adquirido 
por R$ 45.000,00 com uma depreciação acumulada de R$ 12.000,00, seu valor 
contábil seria de R$ 33.000,00. Se, ao ser realizado o impairment test deste valor 
(R$ 33.000,00), fosse constatado que o valor recuperável por uso ou por venda 
(destes dois, escolhe-se o maior) fosse de R$ 28.000,00 (por exemplo), isto 
significaria que o referido bem estaria contabilmente registrado por R$ 5.000,00 
a mais do que deveria. 
Neste caso, em conformidade com o CPC 01, deve-se registrar a perda, 
para que o bem apresente um valor líquido de R$ 28.000,00. 
De acordo com o Pronunciamento Contábil – CPC 01 
A entidade deve avaliar ao fim de cada período de reporte, se há 
alguma indicação de que um ativo possa ter sofrido desvalorização. Se 
houver alguma indicação, a entidade deve estimar o valor recuperável 
do ativo. 
Independentemente de existir, ou não, qualquer indicação de redução 
ao valor recuperável, a entidade deve (i) testar, no mínimo anualmente, 
a redução ao valor recuperável de um ativo intangível com vida útil 
indefinida ou de um ativo intangível ainda não disponível para uso, 
comparando o seu valor contábil com seu valor recuperável. Esse teste 
de redução ao valor recuperável pode ser executado a qualquer 
momento no período de um ano, desde que seja executado, todo ano, 
no mesmo período. Ativos intangíveis diferentes podem ter o valor 
recuperável testado em períodos diferentes. Entretanto, se tais ativos 
intangíveis foram inicialmente reconhecidos durante o ano corrente, 
 
 
6 
devem ter a redução ao valor recuperável testada antes do fim do ano 
corrente; e (ii) testar, anualmente, o ágio pago por expectativa de 
rentabilidade futura (goodwill) em combinação de negócios. 
TEMA 2 – CPC 01 – UNIDADE GERADORA DE CAIXA E GOODWIL 
Segundo Martins et al. (2013, p. 290), “pode haver situações nas quais 
não é possível estimar o valor recuperável de um ativo imobilizado de maneira 
individual, considerando a unidade de propriedade definida pela empresa. 
Nessas situações a entidade deve identificar a unidade geradora de caixa à qual 
o imobilizado pertence e determinar seu valor recuperável”. 
2.1 Unidade geradora de caixa 
Para Rios e Marion (2017, p. 248), “uma unidade geradora de caixa pode 
ser conceituada como o menor grupo identificável de ativos, cujas entradas de 
caixa sejam altamente independentes dos demais ativos. A unidade geradora de 
caixa pode ser um único ativo ou até mesmo um segmento operacional todo”. 
Se não for possível estimar o valor recuperável para o ativo individual, a 
entidade deve determinar o valor recuperável da unidade geradora de caixa à 
qual o ativo pertence (unidade geradora de caixa do ativo). 
O valor recuperável de um ativo individual não pode ser determinado se 
(i) o valor em uso do ativo não puder ser estimado como sendo próximo de seu 
valor justo líquido de despesas de venda (por exemplo, quando os fluxos de 
caixa futuros advindos do uso contínuo do ativo não puderem ser estimados 
como sendo insignificantes); e (ii) o ativo não gerar entradas de caixa que são 
em grande parte independentes daquelas provenientes de outros ativos (CPC 
01). 
Nesses casos, o valor em uso e, portanto, o valor recuperável, somente 
pode ser determinado para a unidade geradora de caixa do ativo. 
A fim de facilitar o entendimento, vamos citar o exemplo trazido pelo 
Comitê de Pronunciamentos Contábeis: 
Uma entidade de mineração tem uma estrada de ferro particular para 
dar suporte às suas atividades de mineração. Essa estrada pode ser 
vendida somente pelo valor de sucata e ela não gera entradas de caixa 
que são, em grande parte, independentes das entradas de caixa 
provenientes de outros ativos da mina. 
Não é possível estimar o valor recuperável da estrada de ferro privada 
porque seu valor em uso não pode ser determinado e é provavelmente 
diferente do valor de sucata. Portanto, a entidade deve estimar o valor 
 
 
7 
recuperável da unidade geradora de caixa à qual a estrada de ferro 
particular pertence, isto é, a mina como um todo. 
Vamos conhecer também os exemplos mencionados por Rios e Marion 
(2017): 
Vamos supor que, para a produção de um determinado produto, uma 
empresa industrial possui uma série de máquinas. Essa série forma o 
que se chama de linha de produção. Embora as máquinas possam ser 
tratas contabilmente de forma separada, por diversas razões, como 
depreciação, etc., o conjunto dessas máquinas, ou seja, essa linha de 
produção pode ser considerada uma unidade geradora de caixa, pois 
é esse conjunto que de fato fabrica o produto e, portanto, gera 
benefícios econômicos para a entidade. Nesse caso, a aplicação do 
teste de recuperabilidade será feita na unidade geradora de caixa. 
2.2 Valor recuperável de uma unidade geradora de caixa 
O valor recuperável de uma unidade geradora de caixa é o maior valor 
entre (i) o valor justo líquido de despesas de venda e (ii) o valor em uso. O valor 
contábil de uma unidade geradora de caixa deve ser determinado de maneira 
consistente com o modo pelo qual é determinado o montante recuperável da 
unidade geradora de caixa. 
Já o valor contábil de uma unidade geradora de caixa compreende os 
seguintes elementos: 
(i) Valor contábil dos ativos que podem ser alocados em base razoável e 
consistente à unidade geradora de caixa e que gerarão fluxos de caixa 
futuros utilizados na determinação do valor em uso da referida unidade 
geradora de caixa; 
(ii) Ágio ou deságio decorrente e relativo ao ativo pertencente à unidade 
geradora de caixa proveniente de uma aquisição ou subscrição, cujo 
fundamento esteja na diferença entre o valor de mercado do referido 
ativo e o seu valor contábil; 
(iii) Não inclui o valor contábil de qualquer passivo reconhecido, exceto se 
o valor contábil da unidade geradora de caixa não puder ser 
determinado sem considerar esse passivo. (Martins et al., 2013, p. 291) 
2.3 Ágio por expectativa de rentabilidade futura – goodwill 
Conforme explica Andrade Filho (2016, p. 692) “a palavra ágio pode ser 
utilizada para fazer referências a diversas realidades. Em geral, a palavra 
designa um plus sobre determinado preço ou valor previamente determinado”. 
De acordo com o art. 20 do Decreto-Lei n. 1.598/1977, o ágio por 
rentabilidade futura (goodwill) corresponde à diferença entre o custo de 
aquisição do investimento e o somatório do valor de patrimônio líquido na época 
da aquisição e mais ou menos-valia, que corresponde à diferença entre o valor 
justo dos ativos líquidos da investida. 
 
 
8 
O ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), reconhecido em 
uma combinação de negócios, é um ativo que representa benefícios econômicos 
futuros advindos de outros ativos adquiridos na combinação de negócios que 
não são identificados individualmente e não são reconhecidos separadamente 
(CPC 01). 
“Combinação de negócios é quando o adquirente obtém o controle de um 
negócio. Controle é o poder para governar a política financeira e operacional da 
empresa ou do negócio, de forma a obter benefícios de suas atividades” 
(Almeida, 2014, p. 5). 
O ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) não gera 
fluxos de caixa independentemente de outros ativos ou grupos de 
ativos, e frequentemente contribui para os fluxos de caixa de múltiplas 
unidades geradoras de caixa. Às vezes, o ágio por expectativa de 
rentabilidade futura (goodwill) não pode ser alocado em base não 
arbitrária a unidades geradoras de caixa individuais, mas apenas a 
grupos de unidades geradoras de caixa. Assim, o menor nível dentro 
da entidade, no qual o ágio por expectativa de rentabilidade futura 
(goodwill) é monitorado para fins gerenciais internos, às vezes,inclui 
algumas unidades geradoras de caixa às quais o ágio se relaciona, 
mas às quais não pode ser alocado. (CPC 01) 
O ágio resultante de uma combinação de negócios é demonstrado ao 
custo na data da combinação do negócio líquido da perda acumulada por 
redução ao valor recuperável, se houver. 
Para fins de teste de redução ao valor recuperável, o ágio é alocado a 
cada uma das unidades geradoras de caixa do grupo que irão se beneficiar das 
sinergias da combinação. 
As unidades geradoras de caixa às quais o ágio foi alocado são 
submetidas anualmente a teste de impairment, ou com maior frequência quando 
houver indícios de que uma unidade poderá apresentar redução ao valor 
recuperável. 
De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 15 – Combinação de 
Negócios, se o tratamento contábil inicial da combinação de negócios puder ser 
determinado somente provisoriamente ao término do período no qual a 
combinação de negócios ocorre, o adquirente deve: 
(a) contabilizar a combinação utilizando esses valores provisórios; e 
(b) reconhecer quaisquer ajustes a esses valores provisórios como 
resultado da conclusão do tratamento contábil inicial dispensado 
dentro do período de mensuração, o qual não excederá doze meses a 
partir da data da aquisição. 
 
 
9 
Em tais circunstâncias, pode não ser possível concluir a alocação inicial 
do ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), isto é, pode não ser 
possível segregar os intangíveis atrelados ao ágio adquirido em combinação de 
negócios, antes do término do período anual em que ocorre a combinação. 
Desta forma, o CPC 15 diz: 
Se o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) tiver sido 
alocado a uma unidade geradora de caixa e a entidade se desfizer de 
uma operação dentro dessa unidade, o ágio por expectativa de 
rentabilidade futura (goodwill) associado à operação baixada deve ser 
(i) incluído no valor contábil da operação quando da determinação dos 
ganhos ou perdas na baixa; e (ii) mensurado com base nos valores 
relativos da operação baixada e na parcela da unidade geradora de 
caixa mantida em operação (retida), a menos que a entidade consiga 
demonstrar que algum outro método reflita melhor o ágio por 
expectativa de rentabilidade futura (goodwill) associado à operação 
baixada. 
Vejamos um exemplo trazido pelo próprio Comitê de Pronunciamentos 
Contábeis: 
2.3.1 Exemplo 
Uma entidade vende por R$ 100 uma operação que fazia parte de unidade 
geradora de caixa na qual houve alocação de ágio pago por expectativa de 
resultado futuro (goodwill). 
O ágio alocado à unidade não pode ser identificado ou associado, exceto 
arbitrariamente, a um grupo de ativos em nível mais baixo do que aquela 
unidade. O valor recuperável da parcela remanescente da unidade geradora de 
caixa retido é de R$ 300. 
Como o ágio alocado à unidade geradora de caixa não pôde ser 
identificado ou associado, de forma não arbitrária, a um grupo de ativos em nível 
mais baixo do que aquela unidade, o ágio associado à operação alienada é 
medido com base nos valores relativos da operação alienada e na parcela da 
unidade remanescente. Portanto, 25% do ágio alocado à unidade geradora de 
caixa são incluídos no valor contábil da operação que é vendida. 
TEMA 3 – CPC 01 – MENSURAÇÃO DO VALOR RECUPERÁVEL DE UGC´S 
O impairment test consiste em avaliar cada ativo ou unidade geradora de 
caixa, testando sua recuperabilidade. Sendo assim, faz-se necessário 
determinar o valor recuperável do ativo ou da unidade geradora de caixa. 
 
 
10 
O valor recuperável é o maior valor entre (i), valor justo líquido de 
despesas, e o (ii), valor em uso. 
Lembrando que o valor justo é o preço que seria recebido pela venda de 
um ativo. As despesas de venda ou de baixa são despesas incrementais 
diretamente atribuíveis à venda ou à baixa de um ativo ou de uma unidade 
geradora de caixa. E por fim, o valor em uso é o valor presente de fluxos de caixa 
futuros esperados que devem advir de um ativo ou de unidade geradora de caixa. 
3.1 Estimativa do valor em uso 
A estimativa do valor em uso de um ativo envolve: (Viceconti e Neves, 
2013, p. 346/347) 
1. Estimar futuras entradas e saídas de caixa decorrentes de uso contínuo 
do ativo e de sua baixa final, e 
2. Aplicar taxa de desconto adequada a esses fluxos de caixa futuros. 
De acordo com o CPC 01, ao mensurar o valor em uso a entidade deve: 
(i) basear as projeções de fluxo de caixa em premissas razoáveis e 
fundamentadas que representem a melhor estimativa, por parte da 
administração, do conjunto (range) de condições econômicas que 
existirão ao longo da vida útil remanescente do ativo. Peso maior deve 
ser dado às evidências externas; 
(ii) basear as projeções de fluxo de caixa nas previsões ou nos 
orçamentos financeiros mais recentes aprovados pela administração 
que, porém, devem excluir qualquer estimativa de fluxo de caixa que 
se espera surgir das reestruturações futuras ou da melhoria ou 
aprimoramento do desempenho do ativo. As projeções baseadas 
nessas previsões ou orçamentos devem abranger, como regra geral, o 
período máximo de cinco anos, a menos que se justifique, 
fundamentadamente, um período mais longo; 
(iii) estimar as projeções de fluxo de caixa para além do período abrangido 
pelas previsões ou orçamentos mais recentes pela extrapolação das 
projeções baseadas em orçamentos ou previsões usando uma taxa de 
crescimento estável ou decrescente para anos subsequentes, a menos 
que uma taxa crescente possa ser devidamente justificada. Essa taxa 
de crescimento não deve exceder a taxa média de crescimento, de 
longo prazo, para os produtos, setores de indústria ou país ou países 
nos quais a entidade opera ou para o mercado no qual o ativo é 
utilizado, a menos que se justifique, fundamentadamente, uma taxa 
mais elevada. 
3.2 Estimativa do valor líquido de venda 
As despesas com a baixa de algum bem, exceto as que já foram 
reconhecidas como passivo, devem ser diminuídas ao se mensurar o valor justo 
líquido de despesas de alienação (CPC, 2010). 
 
 
11 
Exemplos desses tipos de despesas são as despesas legais, tributos, 
despesas com a remoção do ativo e gastos diretos incrementais para 
deixar o ativo em condição de venda. Entretanto, as despesas com 
demissão de empregados e as associadas à redução ou reorganização 
de um negócio em seguida à baixa de um ativo não são despesas 
incrementais para baixa do ativo. 
Em alguns momentos, a baixa de um ativo poderia exigir que o comprador 
assumisse um passivo e somente um único valor justo líquido de despesas de 
venda, contemplando o ativo e o passivo imputado ao comprador, estaria 
disponível (CPC, 2010). 
Exemplo 
 A empresa RM possui um único item em seu ativo imobilizado: uma 
máquina fabril. Seu valor contábil é de R$ 520.000,00, e sua depreciação 
acumulada é de R$ 260.000,00. Há indícios de desvalorização apontados pela 
administração. Diante disso, faz-se necessário a realização do teste de 
recuperabilidade (Rios; Marion, 2017, p. 250-251). 
Após a realização do teste, chegou-se ao valor justo líquido de R$ 
200.000,00, e ao valor em uso de R$ 220.000,00. Desta forma, deveremos 
utilizar como base o maior valor entre os dois, ou seja, R$ 220.000,00. 
Agora, para saber se deveremos reconhecer uma perda por 
desvalorização, deveremos encontrar o valor contábil liquido. 
Para determinação do valor contábil liquido, teremos: 
Tabela 1 – Valor contábil 
Valor contábil 520.000,00 
(-) Depreciação acumulada (260.000,00) 
= Valor contábil líquido 260.000,00 
Devemos agora compará-lo com o valor recuperável encontrado no teste: 
Tabela 2 – Valor contábil líquido 
Valor contábil líquido 260.000,00 
Valor recuperável 220.000,00 
Diferença 40.000,00 
Verificamos que o valor recuperável é menor que o valor contábil líquido 
e a diferença é de R$ 40.000,00. Dessa forma, devemos reconhecer uma perda 
por desvalorização nesse valor. 
 
 
12O lançamento contábil ficará: 
D – Perda por desvalorização de ativo (resultado) 40.000,00 
C – (-) Perda estimada por valor não recuperável (redutora do ativo) 40.000,00 
TEMA 4 – CPC 01 – MENSURAÇÃO DO VALOR RECUPERÁVEL DE 
INVESTIMENTOS 
Conforme o CPC 01: 
Para o propósito do teste de redução ao valor recuperável, o ágio por 
expectativa de rentabilidade futura (goodwill) adquirido em combinação 
de negócios deve, a partir da data da operação, ser alocado a cada 
uma das unidades geradoras de caixa do adquirente, ou a grupos de 
unidades geradoras de caixa, que devem se beneficiar das sinergias 
da operação, independentemente de os outros ativos ou passivos da 
entidade adquirida serem, ou não, atribuídos a essas unidades ou 
grupos de unidades. 
Cada unidade ou grupo de unidades ao qual o ágio (goodwill) é alocado 
dessa forma deve: 
(i) representar o menor nível dentro da entidade no qual o ágio (goodwill) 
é monitorado para fins gerenciais internos; e 
(ii) não ser maior do que um segmento operacional, conforme definido 
pelo item 5 do Pronunciamento Técnico CPC 22 – Informações por 
Segmento, antes da agregação. 
Segundo Rios e Marion (2017, p. 254), “O goodwill é reconhecimento em 
uma combinação de negócios, torna-se um ativo que gera benefícios 
econômicos para a entidade que provem de outros ativos adquiridos na 
combinação de negócios e que não são identificados individualmente e não são 
reconhecidos separadamente”. 
O ágio não gera fluxo de caixa sozinho, depende de outros ativos ou grupo 
de ativos, e normalmente contribui para o fluxo de caixa de diversas unidades 
geradoras de caixas. 
Se o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) tiver sido 
alocado a uma unidade geradora de caixa e a entidade se desfizer de uma 
operação dentro dessa unidade, o ágio por expectativa de rentabilidade futura 
(goodwill) associado à operação baixada deve ser (CPC, 2010): 
(i) incluído no valor contábil da operação quando da determinação dos 
ganhos ou perdas na baixa; e 
(ii) mensurado com base nos valores relativos da operação baixada e na 
parcela da unidade geradora de caixa mantida em operação (retida), a 
menos que a entidade consiga demonstrar que algum outro método 
 
 
13 
reflita melhor o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) 
associado à operação baixada. 
Se a entidade reorganizar sua estrutura de reporte de forma que altere a 
composição de uma ou mais unidades geradoras de caixa às quais o ágio por 
expectativa de rentabilidade futura (goodwill) tenha sido alocado, este ágio deve 
ser realocado às unidades afetadas (CPC, 2010). 
Essa realocação deve ser realizada utilizando-se uma abordagem de 
valor relativo semelhante àquela utilizada quando a entidade se desfaz de uma 
operação componente de uma unidade geradora de caixa, a menos que a 
entidade consiga demonstrar que algum outro método reflita melhor o ágio por 
expectativa de rentabilidade futura (goodwill), associada às unidades 
reorganizadas (CPC, 2010). 
4.1 Exemplo de acordo com o CPC 01 
O ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) foi 
alocado originariamente à unidade geradora de caixa A. O ágio alocado 
a A não pode ser identificado ou associado de forma não arbitrária a 
um grupo de ativos em nível mais baixo do que A. A unidade A será 
dividida e integrada em três outras unidades geradoras de caixa, B, C 
e D. 
Como o ágio alocado a A não pode ser identificado ou associado de 
forma não arbitrária a um grupo de ativos em nível mais baixo que A, 
ele deve ser alocado proporcionalmente para as unidades B, C e D, 
com base nos valores relativos das três partes de A, antes que essas 
partes sejam integradas a B, C e D. 
Quando o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) se 
relacionar com uma unidade geradora de caixa, mas não tiver sido 
alocado a ela, essa unidade geradora de caixa deve ser testada para 
redução ao valor recuperável sempre que houver indicação de que a 
unidade possa estar desvalorizada, pela comparação do valor contábil 
da unidade, excluindo qualquer ágio por expectativa de rentabilidade 
futura (goodwill), com seu valor recuperável. 
Qualquer perda por desvalorização deve ser reconhecida. 
Se a unidade geradora de caixa incluir em seu valor contábil um ativo 
intangível que tenha vida útil indefinida, ou que ainda não esteja 
disponível para uso, e esse ativo somente puder ser testado para 
redução ao valor recuperável apenas como parte da unidade geradora 
de caixa. 
TEMA 5 – CPC 01 - REVERSÃO DE IMPAIRMENT 
É possível que, ao longo do período, algum novo fator possa indicar uma 
possível valorização do ativo, que tenha sido reduzido ao seu valor recuperável. 
Isso pode ocorrer também na realização de um novo teste de recuperabilidade. 
Nesses casos, a perda constituída anteriormente poderá ser revertida, porém 
limitada ao valor contábil líquido (CPC, 2010). 
 
 
14 
Importante ressaltar que as perdas para ágio por expectativa de 
rentabilidade futura (goodwill) não podem ser revertidas. 
Ao avaliar se há alguma indicação de que perda por desvalorização 
reconhecida em períodos anteriores para um ativo, exceto o ágio por 
expectativa de rentabilidade futura (goodwill), possa ter diminuído ou 
possa não mais existir, a entidade deve considerar, no mínimo, as 
seguintes indicações: 
Conforme CPC 01 - Fontes externas de informação: 
(i) há indicações observáveis de que o valor do ativo tenha aumentado 
significativamente durante o período; 
(ii) mudanças significativas, com efeito favorável sobre a entidade, tenham 
ocorrido durante o período, ou ocorrerão em futuro próximo, no 
ambiente tecnológico, de mercado, econômico ou legal no qual ela 
opera ou no mercado para o qual o ativo é destinado; 
(i) as taxas de juros de mercado ou outras taxas de mercado de retorno 
sobre investimentos tenham diminuído durante o período, e essas 
diminuições possivelmente tenham afetado a taxa de desconto 
utilizada no cálculo do valor em uso do ativo e aumentado seu valor 
recuperável materialmente; 
Conforme CPC 01 - Fontes internas de informação 
(i) mudanças significativas, com efeito favorável sobre a entidade, tenham 
ocorrido durante o período, ou se espera que ocorram em futuro 
próximo, na extensão ou na maneira por meio da qual o ativo é utilizado 
ou se espera que seja utilizado. Essas mudanças incluem custos 
incorridos durante o período para melhorar ou aprimorar o 
desempenho do ativo ou para reestruturar a operação à qual o ativo 
pertence; 
(ii) há evidência disponível advinda dos relatórios internos que indica que 
o desempenho econômico do ativo é ou será melhor do que o 
esperado. 
Uma perda por desvalorização reconhecida em períodos anteriores para 
um ativo, exceto o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), deve 
ser revertida se, e somente se, tiver havido mudança nas estimativas utilizadas 
para determinar o valor recuperável do ativo desde a última perda por 
desvalorização que foi reconhecida (CPC, 2010). 
A reversão de perda por desvalorização reflete um aumento no potencial 
de serviços estimados de um ativo, ou pelo uso ou pela venda, desde a data em 
que a entidade reconheceu pela última vez uma perda por desvalorização para 
o ativo. 
Para isso, a norma contábil requer que a entidade identifique a mudança 
nas estimativas que causam o aumento no potencial de serviços estimados. 
Os exemplos de mudanças nas estimativas incluem: 
1. Mudança na base do valor recuperável (exemplo, se o valor recuperável 
é baseado no valor justo líquido de despesas de venda ou no valor em 
uso); 
 
 
15 
2. Se o valor recuperável foi baseado no valor em uso, mudança no 
montante ou no período previsto de ocorrência de fluxos de caixa futuros 
estimados ou na taxa de desconto; ou 
3. Se o valor recuperável foi baseado no valor justo líquido de despesas de 
venda, mudança na estimativa dos componentes do valor justo líquido de 
despesasde venda. 
O valor em uso de um ativo pode se tornar maior do que seu valor contábil 
simplesmente porque o valor presente de futuras entradas de caixa aumenta na 
medida em que essas entradas se tornam mais próximas da data atual (CPC, 
2010). 
Entretanto, o potencial de serviços do ativo não aumentou. Portanto, a 
perda por desvalorização não deve ser revertida simplesmente por causa da 
passagem do tempo (algumas vezes reconhecida pelo termo “fluência” do 
desconto – unwinding of discount), mesmo que o valor recuperável do ativo se 
torne maior do que seu valor contábil. (CPC, 2010) 
5.2 Divulgação 
De acordo com a Lei n. 6.404/1976, as entidades deverão elaborar e 
publicar suas demonstrações financeiras, conforme transcrevemos abaixo: 
Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com 
base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes 
demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a 
situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no 
exercício: 
I. balanço patrimonial; 
II. demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; 
III. demonstração do resultado do exercício; e 
IV. demonstração dos fluxos de caixa; e 
V. se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. 
§ 1º As demonstrações de cada exercício serão publicadas com a 
indicação dos valores correspondentes das demonstrações do 
exercício anterior. 
Segundo Borinelli e Pimentel (2017), divulgar é o fato de distribuir a 
demonstração ao público externo. O que pode ser feito por meio de publicação 
em jornais e revistas. 
Segundo as legislações comercial (que regulamenta o comércio) e 
fiscal (que regulamenta aspectos tributários), as empresas em geral 
devem elaborar demonstrações contábeis, exceto pequenos 
empresários e empresários rurais. No entanto, as sociedades 
anônimas são obrigadas, pela Lei das S/As, a publicar as 
 
 
16 
demonstrações, ao menos uma vez ao ano. (Borinelli, Pimentel, 2017, 
p. 40) 
Abaixo vejamos as regras de divulgação das demonstrações financeiras, 
de acordo com a previsão da legislação societária. 
Figura 1 – Regras de divulgação das demonstrações financeiras 
 
Fonte: Borinelli, Pimentel, 2017, p. 41 
De acordo com CPC 01 “a entidade deve divulgar as seguintes 
informações para cada classe de ativos”: 
(i) o montante das perdas por desvalorização reconhecido no resultado 
do período e a linha da demonstração do resultado na qual essas 
perdas por desvalorização foram incluídas; 
(ii) o montante das reversões de perdas por desvalorização reconhecido 
no resultado do período e a linha da demonstração do resultado na 
qual essas reversões foram incluídas; 
(iii) o montante de perdas por desvalorização de ativos reavaliados 
reconhecido em outros resultados abrangentes durante o período; e 
(iv) o montante das reversões das perdas por desvalorização de ativos 
reavaliados reconhecido em outros resultados abrangentes durante o 
período. (CPC, 2010) 
Uma classe de ativos é um agrupamento de ativos de natureza e uso 
similares nas operações da entidade. 
A entidade deve divulgar as seguintes informações para cada perda por 
desvalorização ou reversão reconhecida durante o período para ativo individual, 
incluindo ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), ou para unidade 
geradora de caixa: (i) os eventos e as circunstâncias que levaram ao 
reconhecimento ou à reversão da perda por desvalorização; (ii) montante da 
perda por desvalorização reconhecida ou revertida; (iii) para um ativo individual: 
 
 
17 
(iii.a) a natureza do ativo; e (iii.b) se a entidade reporta informações por 
segmento. 
Se o valor recuperável for o valor justo líquido de despesas de alienação, 
a entidade deve divulgar as seguintes informações: 
(i) o nível da hierarquia do valor justo (ver Pronunciamento Técnico 
CPC 46) dentro do qual a mensuração do valor justo do ativo (unidade 
geradora de caixa) é classificada em sua totalidade (sem levar em 
conta as despesas de alienação que são observáveis); 
(ii) para a mensuração do valor justo classificado no nível 2 e no nível 
3 da hierarquia de valor justo, a descrição da técnica de avaliação 
usada para mensurar o valor justo menos as despesas de alienação. 
Se tiver havido mudança na técnica de avaliação, a entidade deve 
divulgar a mudança ocorrida e os motivos para fazê-la; e 
(iii) para a mensuração do valor justo classificado no nível 2 e no nível 
3 da hierarquia de valor justo, cada pressuposto-chave em que a 
gerência baseou a sua determinação do valor justo menos as despesas 
de alienação. Pressupostos-chave são aqueles para os quais (unidade 
geradora de caixa) o valor recuperável do ativo for mais sensível. 
(CPC, 2010) 
A entidade também deve divulgar a taxa de desconto utilizada na 
mensuração atual e anterior, se o valor justo menos as despesas de alienação 
for mensurada usando a técnica de valor presente. 
TROCANDO IDEIAS 
As perdas por valor recuperável (impairment) devem ser descritas em 
notas divulgadas nas notas explicativas das entidades, conforme determina o 
Pronunciamento Técnico. Assim, acesso o link a seguir, localize, na 
Demonstração Financeira, o impairment e a respectiva nota explicativa, 
indicando no fórum as informações que foram possíveis extrair desta divulgação. 
NA PRÁTICA 
A empresa UNT produz apenas um produto denominado de Produto X. 
Mediante estudo do CPC 01, verificou-se a possibilidade dos ativos 
apresentarem indícios de desvalorização. Tais indícios foram observados por 
meio de fatores internos e externos, conforme elencados a seguir (adaptado de 
Rios e Marion, 2017): 
• Fatores externos: 
✓ Novas tecnologias surgiram no mercado para fabricação do mesmo 
produto; 
 
 
18 
✓ Forte entrada de concorrentes no mercado no último ano, o que 
acarretou redução no preço do praticado no mercado; 
✓ Elevado aumento nos preços de energia elétrica. 
• Fatores Internos: 
✓ As máquinas adquiridas estão obsoletas em razão de novas 
tecnologias desenvolvidas; 
✓ Em função do excesso de produção de anos anteriores, as máquinas 
sofreram desgastes mais rapidamente. 
A empresa tem apenas uma linha de produção formada por cinco 
máquinas que realizam funções diferentes, mas que trabalham em conjunto para 
a fabricação do produto X, sendo elas: 
1. Máquina de preparação de matéria-prima; 
2. Máquina de transformação de matéria-prima; 
3. Máquina estruturadora de embalagem; 
4. Máquina de corte; 
5. Máquina de empacotamento. 
O conjunto dessas máquinas é que fabrica o produto X, ou seja, 
isoladamente elas não produziriam nada. Dessa forma, é esse conjunto que gera 
benefícios econômicos à empresa. Portanto, podemos dizer que temos uma 
unidade geradora de caixa formada por cinco máquinas da linha de produção. 
Para determinar o valor contábil da UGC, serão consideradas as 
seguintes informações: 
1. Os ativos da unidade geradora de caixa foram adquiridos 
simultaneamente e começaram a operar em janeiro de X1; 
2. Neste período em que estamos, final de X3, os ativos estarão depreciados 
por três anos; 
3. A vida útil total da máquina é de 20 anos; 
4. O valor residual dos ativos é irrelevante. 
Assim, a situação contábil dos ativos é: 
 
 
 
 
 
19 
Quadro 1 – Situação contábil dos ativos 
Ativo Custo (R$) Depreciação 
(R$) 
Valor contábil 
líquido (R$) 
Máquina de preparação 100.000 (15.000) 85.000 
Máquina de transformação 30.000 (4.500) 25.500 
Máquina estruturadora 250.000 (37.500) 212.500 
Máquina de corte 900.000 (135.000) 765.000 
Máquina de empacotamento 130.000 (19.500) 110.500 
Totais 1.410.000 (211.500) 1.198.500 
Dessa forma, o valor contábil líquido da unidade geradora de caixa da 
Empresa UNT é R$ 1.198.500. É este valor que deverá ser testado, ou seja, 
deve-se verificar se ele é recuperável quer seja pela venda, quer seja pelo uso. 
Resolução 
Iniciamos o teste, lembrando que deveremos encontrar dois valores: 
1. Valor justolíquido de despesas; e 
2. Valor em uso 
Valor justo líquido: 
Neste caso, foi realizada uma pesquisa de mercado pela Empresa UNT e 
esta chegou a duas possibilidades: 
Possibilidade 1: vender ativos de forma separada 
Os valores que poderiam ser obtidos caso as máquinas fossem vendidas 
separadamente seriam os seguintes: 
Quadro 2 – Venda de ativos de forma separada 
Ativo Valor líquido de 
venda (RS) 
Máquina de preparação 85.000 
Máquina de transformação 11.500 
Máquina estruturadora 127.815 
Máquina de corte 512.800 
Máquina de empacotamento 58.615 
Totais 795.730 
 
 
 
20 
Possibilidade 2: vender os ativos de forma conjunta 
Da mesma forma, a Empresa UNT também realizou uma pesquisa para 
venda da linha de produção toda. O valor obtido foi de R$ 835.000. 
Em ambos os casos, já foram descontados os valores de despesas para 
realização da venda os ativos. 
Verifica-se que o valor para vender os ativos de forma conjunta é maior 
do que o valor para vende-los de forma separada. Portanto, usaremos o maior 
valor como valor justo líquido de despesas. 
Agora será necessário determinar o valor em uso: 
A empresa UNT utilizará um dos métodos mais utilizados para estimar 
fluxos de caixa líquidos: o método do fluxo de caixa descontado. 
Para isso, precisará analisar: 
1. Magnitude dos fluxos de caixa (fluxos esperados); 
2. Momentos em que os fluxos acontecem (para quando estão previstos); 
3. Risco associado ao fluxo de caixa (taxa de desconto). 
No caso das máquinas da linha de produção, a vida útil remanescente é 
de 17 anos. Portanto, espera-se que ela gere 17 anos de fluxo de caixa. As 
incertezas são muito grandes e podem prejudicar a avaliação. Então, a empresa 
UNT decide montar os fluxos de caixa para cinco anos. Para isso, precisará: 
1. Realizar uma estimativa de volumes e preços futuros para os próximos 
cinco anos; 
2. Planejar os custos diretos e indiretos, atribuíveis à produção para os 
próximos cinco anos; 
3. A taxa de desconto escolhida foi de 12% ao ano. 
O fluxo de caixa da empresa UNT ficará assim: 
 
 
 
21 
Tabela 3 – Fluxo de caixa 
Ano Entradas Saídas Líquido Desconto Fluxo líquido a 
valor presente 
1 686.000,00 417.500,00 268.500,00 0,8929 239.743,65 
2 698.150,00 448.000,00 250.150,00 0,7972 199.419,58 
3 710.603,75 456.415,00 254.188,75 0,7118 180.931,55 
4 723.638,90 464.050,00 259.588,90 0,6355 164.797,16 
5 736.815,60 472.564,00 264.251,60 0,5674 149.936,36 
Total 934.828,30 
Agora, já temos o valor líquido de despesas e o valor em uso, vejamos: 
• Valor justo líquido de despesa R$ 835.000,00 
• Valor em uso R$ 934.828,30 
Para finalizar o teste de recuperabilidade, deveremos determinar o valor 
recuperável da unidade geradora de caixa, que é o maior valor entre o valor justo 
líquido e o valor em uso (neste caso, o valor em uso), com o valor contábil líquido. 
Temos então: 
Tabela 4 – Valor contábil líquido 
Valor Contábil líquido 1.198.500,00 
Valor recuperável 934.828,30 
Diferença 263.671,70 
Há uma diferença de R$ 263.671,70 entre o valor da unidade geradora de 
caixa registrado no ativo da empresa e o seu valor recuperável. Dessa forma, 
faz-se necessário promover uma redução, por meio do reconhecimento de uma 
perda no valor dos ativos. 
O lançamento contábil ficará: 
D Perda por desvalorização de ativo (resultado) 263.671,70 
C (-) Perda estimada por valor não recuperável (redutora do ativo) 263.671,70 
 
 
22 
 
FINALIZANDO 
Prezados alunos, nesta aula conhecemos o CPC 01, que trata da redução 
do valor do ativo, quando constatado que seu valor líquido escriturado é superior 
ao seu valor recuperável, quando da utilização e/ou venda do ativo. 
A verificação do impairment é bastante importante e obrigatória, quando 
falamos de Práticas Contábeis. O intuito de toda norma contábil internacional é 
a representação do ativo da forma “mais real” que garanta transparência aos 
usuários da informação contábil. 
Não deixem de participar do Fórum e resolver a atividade proposta, para 
conhecer um pouco mais na prática como é realizado o teste de recuperabilidade 
assim como ele é apresentado nas Demonstrações Contábeis. 
 
 
 
 
23 
REFERÊNCIAS 
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Altas, 2014. 
ANDRADE FILHO, E. O. Imposto de renda das empresas. 12. ed. São Paulo: 
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Ações. Diário Oficial da União, Brasília-DF, 17 dez. 1976. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 4 jun. 
2018. 
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União, Brasília-DF, 27 dez. 1977. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm>. Acesso em: 4 
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BORINELLI, M. L.; PIMENTEL, R. C. Contabilidade para gestores, analistas 
e outros profissionais. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 
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FERRARI, E.L. Contabilidade geral: teoria e mais de 1.000 questões. 12. ed. 
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MARTINS, E. et al. Manual de contabilidade societária. 2. ed. São Paulo: 
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PADOVEZE, C. L. Contabilidade geral. Curitiba: InterSaberes, 2016. 
 
 
24 
RIOS, R. P.; MARION, J. C. Contabilidade avançada: de acordo com as 
normas brasileiras de contabilidade (NBC) e normas internacionais de 
contabilidade (IFRS). 1. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 
ROSTÁS, R. Gerdau continua com prejuízo e perde receita em 2016. Valor 
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