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CONTABILIDADE SOCIETÁRIA AULA 1 Profª Paolla Hauser CONVERSA INICIAL Já se passaram alguns anos depois da convergência das normas internacionais de contabilidade no Brasil. Tais alterações foram iniciadas a partir da Lei n. 11.638/2007 e da Medida Provisória n. 448/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. Ambas normas alteraram diversos dispositivos da Lei das S/As, como é conhecida a Lei n. 6.404/1976. Estas alterações tiveram (e ainda têm) o objetivo de facilitar a análise dos investidores internacionais, principalmente. De acordo com Viceconti e Neves (2013, p. 33), “a necessidade de manusear diversas demonstrações financeiras com várias normas distintas e diferenciadas, dificultava sobremaneira a comparação das mesmas e, consequentemente, a aplicação dos recursos pelos investidores residentes ou domiciliados em outros países”. Desta forma, a convergência das normas contábeis garante que a leitura da informação que as demonstrações financeiras apresentam possa ser entendida por qualquer investidor em qualquer lugar do mundo. Nesta disciplina, nós vamos conhecer algumas normas contábeis trazidas pela chamada contabilidade internacional, por meio do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Nesta primeira aula, vamos conhecer o CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos. Este pronunciamento objetiva estabelecer procedimentos que a empresa deve aplicar para garantir que seus ativos estejam registrados contabilmente por valor que não exceda seus valores de recuperação. Em nossa segunda aula, falaremos sobre aspectos conceituais, cálculo e contabilização dos empréstimos e financiamentos, tratando aqui um pouco do CPC 20. Na aula de número três vamos conhecer mais um pouco sobre a estrutura conceitual do Patrimônio Líquido. Vamos abordar de forma mais aprofundada as contas existentes neste grupo do balanço. Em nossa quarta aula, falaremos sobre todas as reservas existentes no balanço, assim como a conta de ajuste de avaliação patrimonial. Vamos conhecer os conceitos, limites e regras aplicáveis a estas contas contábeis. Em nossa aula cinco, veremos o CPC 23, que trata das Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro. 3 Por fim, em nossa sexta aula, conheceremos o CPC 02, que trata dos efeitos das mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações contábeis, contabilização de transações em moeda estrangeira e conversão de ativos e passivos monetários. CONTEXTUALIZANDO De acordo com a notícia extraída do portal do Valor Econômico, de 22/02/2017, a empresa Gerdau apresentou em 2016 um prejuízo líquido de R$ 2,89 bilhões durante o ano. “Os principais motivos para o segundo ano consecutivo de perdas foram um faturamento menor, baixas contábeis e operações com controladas e coligada” (Rostás, 2017). Ainda segundo o jornal, “Durante o ano de 2016, as baixas contábeis pela não recuperabilidade de ativos foram todas realizadas no último trimestre e subtraíram R$ 2,92 bilhões do balanço. Em 2015 os impairments foram de R$ 5 bilhões”. Este é apenas um exemplo do que ocorre no balanço das empresas, quando realizado ajuste pelo teste de impairment test, também chamado de teste de recuperabilidade. Este teste serve para verificar se o valor escriturado contabilmente é de fato recuperável, caso não seja, o valor deverá ser reduzido ao seu valor recuperável. Por recuperável, vamos entender como o valor que a entidade poderá recuperar com o uso do ativo. TEMA 1 – CPC 01 – ASPECTOS NORMATIVOS E CONCEITUAIS O impairment test ou teste de recuperabilidade, ou ainda redução ao valor recuperável de ativos, está disposto no art. 183, parágrafo 3º da Lei das Sociedades por Ações (Lei n. 6.404/1976), conforme transcrito a seguir: § 3o A companhia deverá efetuar, periodicamente, análise sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado e no intangível, a fim de que sejam: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – registradas as perdas de valor do capital aplicado quando houver decisão de interromper os empreendimentos ou atividades a que se destinavam ou quando comprovado que não poderão produzir resultados suficientes para recuperação desse valor; ou (Incluído pela Lei nº 11.638, de 2007) II – revisados e ajustados os critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, exaustão e amortização. 4 A legislação supracitada determina que a companhia deverá realizar de forma regular uma análise sobre o valor contábil dos seus ativos (imobilizado e intangível), com o intuito de identificar se estes ativos estão escriturados por valor que não exceda seu valor de recuperação. De acordo com o CPC 01, valor contábil “é o montante pelo qual o ativo está reconhecido no balanço depois da dedução de toda respectiva depreciação, amortização ou exaustão acumulada e ajuste de perdas”. O CPC traz ainda outas definições importantes para nossa aula, conforme transcrevemos: Unidade geradora de caixa é o menor grupo identificável de ativos que gera entradas de caixa, entradas essas que são em grande parte independentes das entradas de caixa de outros ativos ou outros grupos de ativos. Despesas de venda ou de baixa são despesas incrementais diretamente atribuíveis à venda ou à baixa de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa, excluindo as despesas financeiras e de impostos sobre o resultado gerado. Valor depreciável, amortizável e exaurível é o custo de um ativo, ou outra base que substitua o custo nas demonstrações contábeis, menos seu valor residual. Depreciação, amortização e exaustão é a alocação sistemática do valor depreciável, amortizável e exaurível de ativos durante sua vida útil. Valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração. Perda por desvalorização é o montante pelo qual o valor contábil de um ativo ou de unidade geradora de caixa excede seu valor recuperável. Valor recuperável de um ativo ou de unidade geradora de caixa é o maior montante entre o seu valor justo líquido de despesa de venda e o seu valor em uso. Vida útil é: (a) o período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar um ativo; ou (b) o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade espera obter do ativo. Valor em uso é o valor presente de fluxos de caixa futuros esperados que devem advir de um ativo ou de unidade geradora de caixa. Para facilitar o entendimento da norma, vamos começar com o conceito de ativo. O Ativo é representado pelos bens e direitos controlados pela empresa tendo como característica a capacidade de gerar benefícios presentes e futuros (fluxos de caixa). A utilidade do impairment test é calcular o valor de retorno deste bem ou direito (de longo prazo), isto é, quanto de benefícios decorrentes de seu uso ele ainda pode gerar para a empresa. 5 O Impairment significa dano, prejuízo, deterioração, depreciação. Para fins contábeis, dizemos que é a redução do valor do ativo. (Padoveze, 2016) O impairment test, ou teste de recuperabilidade, como também é chamado, tem como finalidade identificar e ajustar o valor de um ativo, evitando que este esteja escriturado por um valor superior ao que pode ser recuperado pelo uso ou por sua venda. Desta forma, a entidade demonstra sua real situação financeira e patrimonial, garantindo assim transparência quanto às informações contábeis e financeiras da entidade. O Impairment test é obrigatório pelo menos no encerramento do balanço CPC 01, e deve ser efetuado quando houver evidências de uma provável perda do potencial do ativo ou de um grupo de ativos. Para Ferrari (2012, p. 646), o teste de recuperabilidade do ativo imobilizado e ativo intangível é consequência do princípioda prudência, o qual determina que, diante de opções igualmente válidas, deve-se sempre adotar o menor valor para os itens do ativo. O autor traz o seguinte exemplo para ilustrar tal conceito: Se uma empresa tivesse em seu imobilizado um equipamento adquirido por R$ 45.000,00 com uma depreciação acumulada de R$ 12.000,00, seu valor contábil seria de R$ 33.000,00. Se, ao ser realizado o impairment test deste valor (R$ 33.000,00), fosse constatado que o valor recuperável por uso ou por venda (destes dois, escolhe-se o maior) fosse de R$ 28.000,00 (por exemplo), isto significaria que o referido bem estaria contabilmente registrado por R$ 5.000,00 a mais do que deveria. Neste caso, em conformidade com o CPC 01, deve-se registrar a perda, para que o bem apresente um valor líquido de R$ 28.000,00. De acordo com o Pronunciamento Contábil – CPC 01 A entidade deve avaliar ao fim de cada período de reporte, se há alguma indicação de que um ativo possa ter sofrido desvalorização. Se houver alguma indicação, a entidade deve estimar o valor recuperável do ativo. Independentemente de existir, ou não, qualquer indicação de redução ao valor recuperável, a entidade deve (i) testar, no mínimo anualmente, a redução ao valor recuperável de um ativo intangível com vida útil indefinida ou de um ativo intangível ainda não disponível para uso, comparando o seu valor contábil com seu valor recuperável. Esse teste de redução ao valor recuperável pode ser executado a qualquer momento no período de um ano, desde que seja executado, todo ano, no mesmo período. Ativos intangíveis diferentes podem ter o valor recuperável testado em períodos diferentes. Entretanto, se tais ativos intangíveis foram inicialmente reconhecidos durante o ano corrente, 6 devem ter a redução ao valor recuperável testada antes do fim do ano corrente; e (ii) testar, anualmente, o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) em combinação de negócios. TEMA 2 – CPC 01 – UNIDADE GERADORA DE CAIXA E GOODWIL Segundo Martins et al. (2013, p. 290), “pode haver situações nas quais não é possível estimar o valor recuperável de um ativo imobilizado de maneira individual, considerando a unidade de propriedade definida pela empresa. Nessas situações a entidade deve identificar a unidade geradora de caixa à qual o imobilizado pertence e determinar seu valor recuperável”. 2.1 Unidade geradora de caixa Para Rios e Marion (2017, p. 248), “uma unidade geradora de caixa pode ser conceituada como o menor grupo identificável de ativos, cujas entradas de caixa sejam altamente independentes dos demais ativos. A unidade geradora de caixa pode ser um único ativo ou até mesmo um segmento operacional todo”. Se não for possível estimar o valor recuperável para o ativo individual, a entidade deve determinar o valor recuperável da unidade geradora de caixa à qual o ativo pertence (unidade geradora de caixa do ativo). O valor recuperável de um ativo individual não pode ser determinado se (i) o valor em uso do ativo não puder ser estimado como sendo próximo de seu valor justo líquido de despesas de venda (por exemplo, quando os fluxos de caixa futuros advindos do uso contínuo do ativo não puderem ser estimados como sendo insignificantes); e (ii) o ativo não gerar entradas de caixa que são em grande parte independentes daquelas provenientes de outros ativos (CPC 01). Nesses casos, o valor em uso e, portanto, o valor recuperável, somente pode ser determinado para a unidade geradora de caixa do ativo. A fim de facilitar o entendimento, vamos citar o exemplo trazido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis: Uma entidade de mineração tem uma estrada de ferro particular para dar suporte às suas atividades de mineração. Essa estrada pode ser vendida somente pelo valor de sucata e ela não gera entradas de caixa que são, em grande parte, independentes das entradas de caixa provenientes de outros ativos da mina. Não é possível estimar o valor recuperável da estrada de ferro privada porque seu valor em uso não pode ser determinado e é provavelmente diferente do valor de sucata. Portanto, a entidade deve estimar o valor 7 recuperável da unidade geradora de caixa à qual a estrada de ferro particular pertence, isto é, a mina como um todo. Vamos conhecer também os exemplos mencionados por Rios e Marion (2017): Vamos supor que, para a produção de um determinado produto, uma empresa industrial possui uma série de máquinas. Essa série forma o que se chama de linha de produção. Embora as máquinas possam ser tratas contabilmente de forma separada, por diversas razões, como depreciação, etc., o conjunto dessas máquinas, ou seja, essa linha de produção pode ser considerada uma unidade geradora de caixa, pois é esse conjunto que de fato fabrica o produto e, portanto, gera benefícios econômicos para a entidade. Nesse caso, a aplicação do teste de recuperabilidade será feita na unidade geradora de caixa. 2.2 Valor recuperável de uma unidade geradora de caixa O valor recuperável de uma unidade geradora de caixa é o maior valor entre (i) o valor justo líquido de despesas de venda e (ii) o valor em uso. O valor contábil de uma unidade geradora de caixa deve ser determinado de maneira consistente com o modo pelo qual é determinado o montante recuperável da unidade geradora de caixa. Já o valor contábil de uma unidade geradora de caixa compreende os seguintes elementos: (i) Valor contábil dos ativos que podem ser alocados em base razoável e consistente à unidade geradora de caixa e que gerarão fluxos de caixa futuros utilizados na determinação do valor em uso da referida unidade geradora de caixa; (ii) Ágio ou deságio decorrente e relativo ao ativo pertencente à unidade geradora de caixa proveniente de uma aquisição ou subscrição, cujo fundamento esteja na diferença entre o valor de mercado do referido ativo e o seu valor contábil; (iii) Não inclui o valor contábil de qualquer passivo reconhecido, exceto se o valor contábil da unidade geradora de caixa não puder ser determinado sem considerar esse passivo. (Martins et al., 2013, p. 291) 2.3 Ágio por expectativa de rentabilidade futura – goodwill Conforme explica Andrade Filho (2016, p. 692) “a palavra ágio pode ser utilizada para fazer referências a diversas realidades. Em geral, a palavra designa um plus sobre determinado preço ou valor previamente determinado”. De acordo com o art. 20 do Decreto-Lei n. 1.598/1977, o ágio por rentabilidade futura (goodwill) corresponde à diferença entre o custo de aquisição do investimento e o somatório do valor de patrimônio líquido na época da aquisição e mais ou menos-valia, que corresponde à diferença entre o valor justo dos ativos líquidos da investida. 8 O ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), reconhecido em uma combinação de negócios, é um ativo que representa benefícios econômicos futuros advindos de outros ativos adquiridos na combinação de negócios que não são identificados individualmente e não são reconhecidos separadamente (CPC 01). “Combinação de negócios é quando o adquirente obtém o controle de um negócio. Controle é o poder para governar a política financeira e operacional da empresa ou do negócio, de forma a obter benefícios de suas atividades” (Almeida, 2014, p. 5). O ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) não gera fluxos de caixa independentemente de outros ativos ou grupos de ativos, e frequentemente contribui para os fluxos de caixa de múltiplas unidades geradoras de caixa. Às vezes, o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) não pode ser alocado em base não arbitrária a unidades geradoras de caixa individuais, mas apenas a grupos de unidades geradoras de caixa. Assim, o menor nível dentro da entidade, no qual o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) é monitorado para fins gerenciais internos, às vezes,inclui algumas unidades geradoras de caixa às quais o ágio se relaciona, mas às quais não pode ser alocado. (CPC 01) O ágio resultante de uma combinação de negócios é demonstrado ao custo na data da combinação do negócio líquido da perda acumulada por redução ao valor recuperável, se houver. Para fins de teste de redução ao valor recuperável, o ágio é alocado a cada uma das unidades geradoras de caixa do grupo que irão se beneficiar das sinergias da combinação. As unidades geradoras de caixa às quais o ágio foi alocado são submetidas anualmente a teste de impairment, ou com maior frequência quando houver indícios de que uma unidade poderá apresentar redução ao valor recuperável. De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 15 – Combinação de Negócios, se o tratamento contábil inicial da combinação de negócios puder ser determinado somente provisoriamente ao término do período no qual a combinação de negócios ocorre, o adquirente deve: (a) contabilizar a combinação utilizando esses valores provisórios; e (b) reconhecer quaisquer ajustes a esses valores provisórios como resultado da conclusão do tratamento contábil inicial dispensado dentro do período de mensuração, o qual não excederá doze meses a partir da data da aquisição. 9 Em tais circunstâncias, pode não ser possível concluir a alocação inicial do ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), isto é, pode não ser possível segregar os intangíveis atrelados ao ágio adquirido em combinação de negócios, antes do término do período anual em que ocorre a combinação. Desta forma, o CPC 15 diz: Se o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) tiver sido alocado a uma unidade geradora de caixa e a entidade se desfizer de uma operação dentro dessa unidade, o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) associado à operação baixada deve ser (i) incluído no valor contábil da operação quando da determinação dos ganhos ou perdas na baixa; e (ii) mensurado com base nos valores relativos da operação baixada e na parcela da unidade geradora de caixa mantida em operação (retida), a menos que a entidade consiga demonstrar que algum outro método reflita melhor o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) associado à operação baixada. Vejamos um exemplo trazido pelo próprio Comitê de Pronunciamentos Contábeis: 2.3.1 Exemplo Uma entidade vende por R$ 100 uma operação que fazia parte de unidade geradora de caixa na qual houve alocação de ágio pago por expectativa de resultado futuro (goodwill). O ágio alocado à unidade não pode ser identificado ou associado, exceto arbitrariamente, a um grupo de ativos em nível mais baixo do que aquela unidade. O valor recuperável da parcela remanescente da unidade geradora de caixa retido é de R$ 300. Como o ágio alocado à unidade geradora de caixa não pôde ser identificado ou associado, de forma não arbitrária, a um grupo de ativos em nível mais baixo do que aquela unidade, o ágio associado à operação alienada é medido com base nos valores relativos da operação alienada e na parcela da unidade remanescente. Portanto, 25% do ágio alocado à unidade geradora de caixa são incluídos no valor contábil da operação que é vendida. TEMA 3 – CPC 01 – MENSURAÇÃO DO VALOR RECUPERÁVEL DE UGC´S O impairment test consiste em avaliar cada ativo ou unidade geradora de caixa, testando sua recuperabilidade. Sendo assim, faz-se necessário determinar o valor recuperável do ativo ou da unidade geradora de caixa. 10 O valor recuperável é o maior valor entre (i), valor justo líquido de despesas, e o (ii), valor em uso. Lembrando que o valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo. As despesas de venda ou de baixa são despesas incrementais diretamente atribuíveis à venda ou à baixa de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa. E por fim, o valor em uso é o valor presente de fluxos de caixa futuros esperados que devem advir de um ativo ou de unidade geradora de caixa. 3.1 Estimativa do valor em uso A estimativa do valor em uso de um ativo envolve: (Viceconti e Neves, 2013, p. 346/347) 1. Estimar futuras entradas e saídas de caixa decorrentes de uso contínuo do ativo e de sua baixa final, e 2. Aplicar taxa de desconto adequada a esses fluxos de caixa futuros. De acordo com o CPC 01, ao mensurar o valor em uso a entidade deve: (i) basear as projeções de fluxo de caixa em premissas razoáveis e fundamentadas que representem a melhor estimativa, por parte da administração, do conjunto (range) de condições econômicas que existirão ao longo da vida útil remanescente do ativo. Peso maior deve ser dado às evidências externas; (ii) basear as projeções de fluxo de caixa nas previsões ou nos orçamentos financeiros mais recentes aprovados pela administração que, porém, devem excluir qualquer estimativa de fluxo de caixa que se espera surgir das reestruturações futuras ou da melhoria ou aprimoramento do desempenho do ativo. As projeções baseadas nessas previsões ou orçamentos devem abranger, como regra geral, o período máximo de cinco anos, a menos que se justifique, fundamentadamente, um período mais longo; (iii) estimar as projeções de fluxo de caixa para além do período abrangido pelas previsões ou orçamentos mais recentes pela extrapolação das projeções baseadas em orçamentos ou previsões usando uma taxa de crescimento estável ou decrescente para anos subsequentes, a menos que uma taxa crescente possa ser devidamente justificada. Essa taxa de crescimento não deve exceder a taxa média de crescimento, de longo prazo, para os produtos, setores de indústria ou país ou países nos quais a entidade opera ou para o mercado no qual o ativo é utilizado, a menos que se justifique, fundamentadamente, uma taxa mais elevada. 3.2 Estimativa do valor líquido de venda As despesas com a baixa de algum bem, exceto as que já foram reconhecidas como passivo, devem ser diminuídas ao se mensurar o valor justo líquido de despesas de alienação (CPC, 2010). 11 Exemplos desses tipos de despesas são as despesas legais, tributos, despesas com a remoção do ativo e gastos diretos incrementais para deixar o ativo em condição de venda. Entretanto, as despesas com demissão de empregados e as associadas à redução ou reorganização de um negócio em seguida à baixa de um ativo não são despesas incrementais para baixa do ativo. Em alguns momentos, a baixa de um ativo poderia exigir que o comprador assumisse um passivo e somente um único valor justo líquido de despesas de venda, contemplando o ativo e o passivo imputado ao comprador, estaria disponível (CPC, 2010). Exemplo A empresa RM possui um único item em seu ativo imobilizado: uma máquina fabril. Seu valor contábil é de R$ 520.000,00, e sua depreciação acumulada é de R$ 260.000,00. Há indícios de desvalorização apontados pela administração. Diante disso, faz-se necessário a realização do teste de recuperabilidade (Rios; Marion, 2017, p. 250-251). Após a realização do teste, chegou-se ao valor justo líquido de R$ 200.000,00, e ao valor em uso de R$ 220.000,00. Desta forma, deveremos utilizar como base o maior valor entre os dois, ou seja, R$ 220.000,00. Agora, para saber se deveremos reconhecer uma perda por desvalorização, deveremos encontrar o valor contábil liquido. Para determinação do valor contábil liquido, teremos: Tabela 1 – Valor contábil Valor contábil 520.000,00 (-) Depreciação acumulada (260.000,00) = Valor contábil líquido 260.000,00 Devemos agora compará-lo com o valor recuperável encontrado no teste: Tabela 2 – Valor contábil líquido Valor contábil líquido 260.000,00 Valor recuperável 220.000,00 Diferença 40.000,00 Verificamos que o valor recuperável é menor que o valor contábil líquido e a diferença é de R$ 40.000,00. Dessa forma, devemos reconhecer uma perda por desvalorização nesse valor. 12O lançamento contábil ficará: D – Perda por desvalorização de ativo (resultado) 40.000,00 C – (-) Perda estimada por valor não recuperável (redutora do ativo) 40.000,00 TEMA 4 – CPC 01 – MENSURAÇÃO DO VALOR RECUPERÁVEL DE INVESTIMENTOS Conforme o CPC 01: Para o propósito do teste de redução ao valor recuperável, o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) adquirido em combinação de negócios deve, a partir da data da operação, ser alocado a cada uma das unidades geradoras de caixa do adquirente, ou a grupos de unidades geradoras de caixa, que devem se beneficiar das sinergias da operação, independentemente de os outros ativos ou passivos da entidade adquirida serem, ou não, atribuídos a essas unidades ou grupos de unidades. Cada unidade ou grupo de unidades ao qual o ágio (goodwill) é alocado dessa forma deve: (i) representar o menor nível dentro da entidade no qual o ágio (goodwill) é monitorado para fins gerenciais internos; e (ii) não ser maior do que um segmento operacional, conforme definido pelo item 5 do Pronunciamento Técnico CPC 22 – Informações por Segmento, antes da agregação. Segundo Rios e Marion (2017, p. 254), “O goodwill é reconhecimento em uma combinação de negócios, torna-se um ativo que gera benefícios econômicos para a entidade que provem de outros ativos adquiridos na combinação de negócios e que não são identificados individualmente e não são reconhecidos separadamente”. O ágio não gera fluxo de caixa sozinho, depende de outros ativos ou grupo de ativos, e normalmente contribui para o fluxo de caixa de diversas unidades geradoras de caixas. Se o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) tiver sido alocado a uma unidade geradora de caixa e a entidade se desfizer de uma operação dentro dessa unidade, o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) associado à operação baixada deve ser (CPC, 2010): (i) incluído no valor contábil da operação quando da determinação dos ganhos ou perdas na baixa; e (ii) mensurado com base nos valores relativos da operação baixada e na parcela da unidade geradora de caixa mantida em operação (retida), a menos que a entidade consiga demonstrar que algum outro método 13 reflita melhor o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) associado à operação baixada. Se a entidade reorganizar sua estrutura de reporte de forma que altere a composição de uma ou mais unidades geradoras de caixa às quais o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) tenha sido alocado, este ágio deve ser realocado às unidades afetadas (CPC, 2010). Essa realocação deve ser realizada utilizando-se uma abordagem de valor relativo semelhante àquela utilizada quando a entidade se desfaz de uma operação componente de uma unidade geradora de caixa, a menos que a entidade consiga demonstrar que algum outro método reflita melhor o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), associada às unidades reorganizadas (CPC, 2010). 4.1 Exemplo de acordo com o CPC 01 O ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) foi alocado originariamente à unidade geradora de caixa A. O ágio alocado a A não pode ser identificado ou associado de forma não arbitrária a um grupo de ativos em nível mais baixo do que A. A unidade A será dividida e integrada em três outras unidades geradoras de caixa, B, C e D. Como o ágio alocado a A não pode ser identificado ou associado de forma não arbitrária a um grupo de ativos em nível mais baixo que A, ele deve ser alocado proporcionalmente para as unidades B, C e D, com base nos valores relativos das três partes de A, antes que essas partes sejam integradas a B, C e D. Quando o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) se relacionar com uma unidade geradora de caixa, mas não tiver sido alocado a ela, essa unidade geradora de caixa deve ser testada para redução ao valor recuperável sempre que houver indicação de que a unidade possa estar desvalorizada, pela comparação do valor contábil da unidade, excluindo qualquer ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), com seu valor recuperável. Qualquer perda por desvalorização deve ser reconhecida. Se a unidade geradora de caixa incluir em seu valor contábil um ativo intangível que tenha vida útil indefinida, ou que ainda não esteja disponível para uso, e esse ativo somente puder ser testado para redução ao valor recuperável apenas como parte da unidade geradora de caixa. TEMA 5 – CPC 01 - REVERSÃO DE IMPAIRMENT É possível que, ao longo do período, algum novo fator possa indicar uma possível valorização do ativo, que tenha sido reduzido ao seu valor recuperável. Isso pode ocorrer também na realização de um novo teste de recuperabilidade. Nesses casos, a perda constituída anteriormente poderá ser revertida, porém limitada ao valor contábil líquido (CPC, 2010). 14 Importante ressaltar que as perdas para ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) não podem ser revertidas. Ao avaliar se há alguma indicação de que perda por desvalorização reconhecida em períodos anteriores para um ativo, exceto o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), possa ter diminuído ou possa não mais existir, a entidade deve considerar, no mínimo, as seguintes indicações: Conforme CPC 01 - Fontes externas de informação: (i) há indicações observáveis de que o valor do ativo tenha aumentado significativamente durante o período; (ii) mudanças significativas, com efeito favorável sobre a entidade, tenham ocorrido durante o período, ou ocorrerão em futuro próximo, no ambiente tecnológico, de mercado, econômico ou legal no qual ela opera ou no mercado para o qual o ativo é destinado; (i) as taxas de juros de mercado ou outras taxas de mercado de retorno sobre investimentos tenham diminuído durante o período, e essas diminuições possivelmente tenham afetado a taxa de desconto utilizada no cálculo do valor em uso do ativo e aumentado seu valor recuperável materialmente; Conforme CPC 01 - Fontes internas de informação (i) mudanças significativas, com efeito favorável sobre a entidade, tenham ocorrido durante o período, ou se espera que ocorram em futuro próximo, na extensão ou na maneira por meio da qual o ativo é utilizado ou se espera que seja utilizado. Essas mudanças incluem custos incorridos durante o período para melhorar ou aprimorar o desempenho do ativo ou para reestruturar a operação à qual o ativo pertence; (ii) há evidência disponível advinda dos relatórios internos que indica que o desempenho econômico do ativo é ou será melhor do que o esperado. Uma perda por desvalorização reconhecida em períodos anteriores para um ativo, exceto o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), deve ser revertida se, e somente se, tiver havido mudança nas estimativas utilizadas para determinar o valor recuperável do ativo desde a última perda por desvalorização que foi reconhecida (CPC, 2010). A reversão de perda por desvalorização reflete um aumento no potencial de serviços estimados de um ativo, ou pelo uso ou pela venda, desde a data em que a entidade reconheceu pela última vez uma perda por desvalorização para o ativo. Para isso, a norma contábil requer que a entidade identifique a mudança nas estimativas que causam o aumento no potencial de serviços estimados. Os exemplos de mudanças nas estimativas incluem: 1. Mudança na base do valor recuperável (exemplo, se o valor recuperável é baseado no valor justo líquido de despesas de venda ou no valor em uso); 15 2. Se o valor recuperável foi baseado no valor em uso, mudança no montante ou no período previsto de ocorrência de fluxos de caixa futuros estimados ou na taxa de desconto; ou 3. Se o valor recuperável foi baseado no valor justo líquido de despesas de venda, mudança na estimativa dos componentes do valor justo líquido de despesasde venda. O valor em uso de um ativo pode se tornar maior do que seu valor contábil simplesmente porque o valor presente de futuras entradas de caixa aumenta na medida em que essas entradas se tornam mais próximas da data atual (CPC, 2010). Entretanto, o potencial de serviços do ativo não aumentou. Portanto, a perda por desvalorização não deve ser revertida simplesmente por causa da passagem do tempo (algumas vezes reconhecida pelo termo “fluência” do desconto – unwinding of discount), mesmo que o valor recuperável do ativo se torne maior do que seu valor contábil. (CPC, 2010) 5.2 Divulgação De acordo com a Lei n. 6.404/1976, as entidades deverão elaborar e publicar suas demonstrações financeiras, conforme transcrevemos abaixo: Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I. balanço patrimonial; II. demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III. demonstração do resultado do exercício; e IV. demonstração dos fluxos de caixa; e V. se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. § 1º As demonstrações de cada exercício serão publicadas com a indicação dos valores correspondentes das demonstrações do exercício anterior. Segundo Borinelli e Pimentel (2017), divulgar é o fato de distribuir a demonstração ao público externo. O que pode ser feito por meio de publicação em jornais e revistas. Segundo as legislações comercial (que regulamenta o comércio) e fiscal (que regulamenta aspectos tributários), as empresas em geral devem elaborar demonstrações contábeis, exceto pequenos empresários e empresários rurais. No entanto, as sociedades anônimas são obrigadas, pela Lei das S/As, a publicar as 16 demonstrações, ao menos uma vez ao ano. (Borinelli, Pimentel, 2017, p. 40) Abaixo vejamos as regras de divulgação das demonstrações financeiras, de acordo com a previsão da legislação societária. Figura 1 – Regras de divulgação das demonstrações financeiras Fonte: Borinelli, Pimentel, 2017, p. 41 De acordo com CPC 01 “a entidade deve divulgar as seguintes informações para cada classe de ativos”: (i) o montante das perdas por desvalorização reconhecido no resultado do período e a linha da demonstração do resultado na qual essas perdas por desvalorização foram incluídas; (ii) o montante das reversões de perdas por desvalorização reconhecido no resultado do período e a linha da demonstração do resultado na qual essas reversões foram incluídas; (iii) o montante de perdas por desvalorização de ativos reavaliados reconhecido em outros resultados abrangentes durante o período; e (iv) o montante das reversões das perdas por desvalorização de ativos reavaliados reconhecido em outros resultados abrangentes durante o período. (CPC, 2010) Uma classe de ativos é um agrupamento de ativos de natureza e uso similares nas operações da entidade. A entidade deve divulgar as seguintes informações para cada perda por desvalorização ou reversão reconhecida durante o período para ativo individual, incluindo ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), ou para unidade geradora de caixa: (i) os eventos e as circunstâncias que levaram ao reconhecimento ou à reversão da perda por desvalorização; (ii) montante da perda por desvalorização reconhecida ou revertida; (iii) para um ativo individual: 17 (iii.a) a natureza do ativo; e (iii.b) se a entidade reporta informações por segmento. Se o valor recuperável for o valor justo líquido de despesas de alienação, a entidade deve divulgar as seguintes informações: (i) o nível da hierarquia do valor justo (ver Pronunciamento Técnico CPC 46) dentro do qual a mensuração do valor justo do ativo (unidade geradora de caixa) é classificada em sua totalidade (sem levar em conta as despesas de alienação que são observáveis); (ii) para a mensuração do valor justo classificado no nível 2 e no nível 3 da hierarquia de valor justo, a descrição da técnica de avaliação usada para mensurar o valor justo menos as despesas de alienação. Se tiver havido mudança na técnica de avaliação, a entidade deve divulgar a mudança ocorrida e os motivos para fazê-la; e (iii) para a mensuração do valor justo classificado no nível 2 e no nível 3 da hierarquia de valor justo, cada pressuposto-chave em que a gerência baseou a sua determinação do valor justo menos as despesas de alienação. Pressupostos-chave são aqueles para os quais (unidade geradora de caixa) o valor recuperável do ativo for mais sensível. (CPC, 2010) A entidade também deve divulgar a taxa de desconto utilizada na mensuração atual e anterior, se o valor justo menos as despesas de alienação for mensurada usando a técnica de valor presente. TROCANDO IDEIAS As perdas por valor recuperável (impairment) devem ser descritas em notas divulgadas nas notas explicativas das entidades, conforme determina o Pronunciamento Técnico. Assim, acesso o link a seguir, localize, na Demonstração Financeira, o impairment e a respectiva nota explicativa, indicando no fórum as informações que foram possíveis extrair desta divulgação. NA PRÁTICA A empresa UNT produz apenas um produto denominado de Produto X. Mediante estudo do CPC 01, verificou-se a possibilidade dos ativos apresentarem indícios de desvalorização. Tais indícios foram observados por meio de fatores internos e externos, conforme elencados a seguir (adaptado de Rios e Marion, 2017): • Fatores externos: ✓ Novas tecnologias surgiram no mercado para fabricação do mesmo produto; 18 ✓ Forte entrada de concorrentes no mercado no último ano, o que acarretou redução no preço do praticado no mercado; ✓ Elevado aumento nos preços de energia elétrica. • Fatores Internos: ✓ As máquinas adquiridas estão obsoletas em razão de novas tecnologias desenvolvidas; ✓ Em função do excesso de produção de anos anteriores, as máquinas sofreram desgastes mais rapidamente. A empresa tem apenas uma linha de produção formada por cinco máquinas que realizam funções diferentes, mas que trabalham em conjunto para a fabricação do produto X, sendo elas: 1. Máquina de preparação de matéria-prima; 2. Máquina de transformação de matéria-prima; 3. Máquina estruturadora de embalagem; 4. Máquina de corte; 5. Máquina de empacotamento. O conjunto dessas máquinas é que fabrica o produto X, ou seja, isoladamente elas não produziriam nada. Dessa forma, é esse conjunto que gera benefícios econômicos à empresa. Portanto, podemos dizer que temos uma unidade geradora de caixa formada por cinco máquinas da linha de produção. Para determinar o valor contábil da UGC, serão consideradas as seguintes informações: 1. Os ativos da unidade geradora de caixa foram adquiridos simultaneamente e começaram a operar em janeiro de X1; 2. Neste período em que estamos, final de X3, os ativos estarão depreciados por três anos; 3. A vida útil total da máquina é de 20 anos; 4. O valor residual dos ativos é irrelevante. Assim, a situação contábil dos ativos é: 19 Quadro 1 – Situação contábil dos ativos Ativo Custo (R$) Depreciação (R$) Valor contábil líquido (R$) Máquina de preparação 100.000 (15.000) 85.000 Máquina de transformação 30.000 (4.500) 25.500 Máquina estruturadora 250.000 (37.500) 212.500 Máquina de corte 900.000 (135.000) 765.000 Máquina de empacotamento 130.000 (19.500) 110.500 Totais 1.410.000 (211.500) 1.198.500 Dessa forma, o valor contábil líquido da unidade geradora de caixa da Empresa UNT é R$ 1.198.500. É este valor que deverá ser testado, ou seja, deve-se verificar se ele é recuperável quer seja pela venda, quer seja pelo uso. Resolução Iniciamos o teste, lembrando que deveremos encontrar dois valores: 1. Valor justolíquido de despesas; e 2. Valor em uso Valor justo líquido: Neste caso, foi realizada uma pesquisa de mercado pela Empresa UNT e esta chegou a duas possibilidades: Possibilidade 1: vender ativos de forma separada Os valores que poderiam ser obtidos caso as máquinas fossem vendidas separadamente seriam os seguintes: Quadro 2 – Venda de ativos de forma separada Ativo Valor líquido de venda (RS) Máquina de preparação 85.000 Máquina de transformação 11.500 Máquina estruturadora 127.815 Máquina de corte 512.800 Máquina de empacotamento 58.615 Totais 795.730 20 Possibilidade 2: vender os ativos de forma conjunta Da mesma forma, a Empresa UNT também realizou uma pesquisa para venda da linha de produção toda. O valor obtido foi de R$ 835.000. Em ambos os casos, já foram descontados os valores de despesas para realização da venda os ativos. Verifica-se que o valor para vender os ativos de forma conjunta é maior do que o valor para vende-los de forma separada. Portanto, usaremos o maior valor como valor justo líquido de despesas. Agora será necessário determinar o valor em uso: A empresa UNT utilizará um dos métodos mais utilizados para estimar fluxos de caixa líquidos: o método do fluxo de caixa descontado. Para isso, precisará analisar: 1. Magnitude dos fluxos de caixa (fluxos esperados); 2. Momentos em que os fluxos acontecem (para quando estão previstos); 3. Risco associado ao fluxo de caixa (taxa de desconto). No caso das máquinas da linha de produção, a vida útil remanescente é de 17 anos. Portanto, espera-se que ela gere 17 anos de fluxo de caixa. As incertezas são muito grandes e podem prejudicar a avaliação. Então, a empresa UNT decide montar os fluxos de caixa para cinco anos. Para isso, precisará: 1. Realizar uma estimativa de volumes e preços futuros para os próximos cinco anos; 2. Planejar os custos diretos e indiretos, atribuíveis à produção para os próximos cinco anos; 3. A taxa de desconto escolhida foi de 12% ao ano. O fluxo de caixa da empresa UNT ficará assim: 21 Tabela 3 – Fluxo de caixa Ano Entradas Saídas Líquido Desconto Fluxo líquido a valor presente 1 686.000,00 417.500,00 268.500,00 0,8929 239.743,65 2 698.150,00 448.000,00 250.150,00 0,7972 199.419,58 3 710.603,75 456.415,00 254.188,75 0,7118 180.931,55 4 723.638,90 464.050,00 259.588,90 0,6355 164.797,16 5 736.815,60 472.564,00 264.251,60 0,5674 149.936,36 Total 934.828,30 Agora, já temos o valor líquido de despesas e o valor em uso, vejamos: • Valor justo líquido de despesa R$ 835.000,00 • Valor em uso R$ 934.828,30 Para finalizar o teste de recuperabilidade, deveremos determinar o valor recuperável da unidade geradora de caixa, que é o maior valor entre o valor justo líquido e o valor em uso (neste caso, o valor em uso), com o valor contábil líquido. Temos então: Tabela 4 – Valor contábil líquido Valor Contábil líquido 1.198.500,00 Valor recuperável 934.828,30 Diferença 263.671,70 Há uma diferença de R$ 263.671,70 entre o valor da unidade geradora de caixa registrado no ativo da empresa e o seu valor recuperável. Dessa forma, faz-se necessário promover uma redução, por meio do reconhecimento de uma perda no valor dos ativos. O lançamento contábil ficará: D Perda por desvalorização de ativo (resultado) 263.671,70 C (-) Perda estimada por valor não recuperável (redutora do ativo) 263.671,70 22 FINALIZANDO Prezados alunos, nesta aula conhecemos o CPC 01, que trata da redução do valor do ativo, quando constatado que seu valor líquido escriturado é superior ao seu valor recuperável, quando da utilização e/ou venda do ativo. A verificação do impairment é bastante importante e obrigatória, quando falamos de Práticas Contábeis. O intuito de toda norma contábil internacional é a representação do ativo da forma “mais real” que garanta transparência aos usuários da informação contábil. Não deixem de participar do Fórum e resolver a atividade proposta, para conhecer um pouco mais na prática como é realizado o teste de recuperabilidade assim como ele é apresentado nas Demonstrações Contábeis. 23 REFERÊNCIAS ALMEIDA, M.C. Curso de contabilidade avançada em IFRS e CPC. São Paulo: Altas, 2014. ANDRADE FILHO, E. O. Imposto de renda das empresas. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2016. BRASIL. Lei 6.404 de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Diário Oficial da União, Brasília-DF, 17 dez. 1976. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 4 jun. 2018. BRASIL. Decreto-Lei 1.598 de 26 de dezembro de 1977. Diário Oficial da União, Brasília-DF, 27 dez. 1977. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm>. Acesso em: 4 jun. 2018. BRASIL. Lei 12.973 de 13 de maio de 2014. Diário Oficial da União, Brasília- DF, 14. Maio 2014. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12973.htm>. Acesso em: 4 jun. 2018. BORINELLI, M. L.; PIMENTEL, R. C. Contabilidade para gestores, analistas e outros profissionais. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2017. CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 01 – Redução ao valor recuperável de ativos. Disponível em: <http://static.cpc.mediagroup.com.br/Documentos/27_CPC_01_R1_rev%2012. _____. CPC 15 – Combinação de negócios. Disponível em: <http://static.cpc.mediagroup.com.br/Documentos/235_CPC_15_R1_rev%2012 .pdf>. Acesso em: 4 jun. 2018. FERRARI, E.L. Contabilidade geral: teoria e mais de 1.000 questões. 12. ed. rev. Rio de Janeiro: Impetrus, 2012. MARTINS, E. et al. Manual de contabilidade societária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2013. PADOVEZE, C. L. Contabilidade geral. Curitiba: InterSaberes, 2016. 24 RIOS, R. P.; MARION, J. C. Contabilidade avançada: de acordo com as normas brasileiras de contabilidade (NBC) e normas internacionais de contabilidade (IFRS). 1. ed. São Paulo: Atlas, 2017. ROSTÁS, R. Gerdau continua com prejuízo e perde receita em 2016. Valor Econômico, 22 fev. 2017. Disponível em: <http://www.valor.com.br/empresas/4877724/gerdau-continua-com-prejuizo-e- perde-receita-em-2016>. Acesso em: 2 jun. 2018. VICECONTI, P.; NEVES, S. Contabilidade avançada e análise das demonstrações financeiras. 17. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2013.