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Estômago e intestinos 
Divisão do abdome: 
• Quadrantes: são 4 ao todo, é menos 
utilizado pois é menos específico; 
referência e posição para entender 
quais órgãos estão em cada 
quadrante, delimitado por uma linha 
vertical e uma horizontal que passam 
pelo umbigo. 
- Superior direito: vesícula biliar, 
parte do fígado, parte do intestino 
- Superior esquerdo: baço, estômago 
- Inferior direito: apêndice (por isso 
que uma dor aqui acende a luz de 
apendicite) 
- Inferior esquerdo: partes do 
intestino delgado e do intestino 
grosso 
 
• Regiões: são 9 ao todo, por isso são 
mais específicas e mais utilizadas; são 
delimitadas por 3 linhas. 
- hipocôndrica direita 
- Hipocôndrica esquerda 
- Flanco direita 
- Flanco esquerda 
- Inguinal direita 
- Inguinal esquerda 
- Epigástrica 
- Gástrica 
- Hipogástrica 
 
• Ponto de McBurney: quando aperta 
e solta rapidamente e o paciente 
retrai de dor, é um sinal de 
apendicite. 
• Sinal de Murphy: quando aperta 
nessa região e dói, significa sinal de 
Murphy positivo, ou seja, indicativo 
de pedra na vesícula. 
 
 
Estômago: 
• Mistura os alimentos e atua como 
reservatório, sendo que sua principal 
função é a digestão enzimática. 
• O estômago vazio tem calibre 
apenas ligeiramente maior que o do 
intestino grosso, mas é capaz de se 
 
expandir o suficiente para 2 a 3 litros 
de alimento. 
• Curvatura gástrica menor: 
- Possui uma parte do peritônio 
ligada a ela, o omento menor, que liga 
o fígado ao estômago. 
- Possui vasos sanguíneos. 
• Curvatura gástrica maior: 
- Possui uma parte do peritônio 
ligada a ela, aqui o omento maior, que 
deixa o estômago ligado ao baço. 
 
• Partes: 
- Cárdia: região que conecta o 
esôfago ao estômago, circundando o 
óstio cárdico; situada no nível da 
vértebra T11. 
› É um esfíncter funcional, mas não é 
um esfíncter anatômico porque não 
possui fibras musculares circulares. 
 
› Doença do Refluxo Gastroesofágico 
(DRGE) é quando a cárdia não contrai, 
então o pH ácido sobe para o 
esôfago. Pode causar uma 
metaplasia, ou seja, troca do epitélio 
estratificado pavimentoso para o 
colunar, o que pode levar à câncer. 
 
› Acalasia é o inverso do refluxo, é 
quando a cárdia se contrai muito, 
tornando a passagem do alimento 
para o estômago dificultada, causa 
megaesôfago, que também pode ser 
uma consequência da Doença de 
Chagas, porque acumula alimento 
nesse. O principal sintoma é de 
estufamento. Sinais no exame de 
imagem EED (esôfago, estômago, 
duodeno) que indicam uma contração 
exagerada da cárdia são: 
 
- Fundo: região acima de uma linha 
imaginária traçada a partir da cárdia; 
pode ser dilatada por gás, líquido, 
alimento ou todos juntos; está 
relacionado com a cúpula esquerda 
do diafragma e está situado 
posteriormente à costela VI esquerda, 
no plano da linha medioclavicular. A 
 
incisura cárdica está entre o esôfago 
e o fundo gástrico. 
- Corpo: entre o fundo gástrico e o 
antro pilórico; possui pregas 
gástricas; onde ocorre a maior 
produção de suco gástrico e onde 
estão as curvas. 
- Parte pilórica: onde está o piloro 
(=esfíncter pilórico), de conexão com 
o intestino delgado, responsável pelo 
controle do esvaziamento gástrico a 
partir do seu relaxamento. 
Hormônios e neurotransmissores 
podem agir na contração e 
relaxamento desse. 
 
 
 
• Camadas: músculo liso responsável 
pelos movimentos peristálticos, 
digerindo e conduzindo o alimento na 
direção do intestino delgado. 
- Mais externa: fibra musculares 
dispostas longitudinalmente. 
- Intermediária: fibras musculares 
dispostas circularmente. 
- Mais interna: fibras musculares em 
disposição oblíqua. 
• Hiato esofágico é uma abertura no 
músculo diafragma por onde passa o 
esôfago. Quando esse hiato sede, ou 
seja, contrai, o estômago sobe, 
condição chamada hérnia de hiato, 
pois a pressão intra-abdominal 
aumenta. Então, o estômago invade a 
cavidade torácica, podendo causar 
falta de ar. 
• Linha Z é a transição tecidual do 
esôfago (com epitélio estratificado 
pavimentoso não queratinizado) para 
o estômago, com uma mucosa 
diferente. 
 
 
• Relação do estômago com outros 
órgãos: 
- Está ligado ao fígado pelo lado 
direito e ao baço pelo lado esquerdo, 
via peritônio. 
- Anteriormente está o diafragma, o 
lobo hepático esquerdo e a parede 
anterior do abdome. 
- O pâncreas fica logo atrás do 
estômago, então uma úlcera na 
parede posterior do estômago pode 
comprometer o pâncreas caso seja 
perfurada. Mas, um tumor no 
pâncreas compromete outros órgãos, 
só não compromete o estômago 
porque esse é capaz de se distender. 
 
• Vascularização: 
- Irrigação: origem no tronco celíaco; 
a maior parte do sangue vem da 
anastomose formada pelas artérias 
gástricas direita e esquerda 
(curvatura menor) e pelas artérias 
gastromentais direita e esquerda 
(curvatura maior). São 3 categorias de 
irrigação, a depender de por onde vai 
irrigar: 
› Curvatura menor: ramo esquerdo do 
tronco celíaco ascende e forma o 
ramo esofágico, já o ramo 
descendente emite ramos anteriores 
e posteriores ao longo da curvatura 
menor que se anostomosam com a 
artéria gástrica direita (incisura 
angular). A artéria hepática comum 
vai ser formada do ramo diereto do 
tronco celíaco. Forma o ramo da 
artéria gastroduodenal e artéria 
hepática, que forma a artéria gástrica 
direita. 
 
› Curvatura maior: artéria 
gastromental direita é formada pela 
artéria gastroduodenal, que é um 
ramo da artéria gastroduodenal, que 
vem da artéria hepática comum, essa 
que proporciona ramos gástricos e 
ramos omentais, num trajeto 
descendente. Já a outra artéria 
responsável por irrigar a curvatura 
maior do estômago, a gastromental 
esquerda (maior ramo),vem da artéria 
 
esplênica, que vem do tronco celíaco. 
(Aorta abdominal -> tronco celíaco -> 
ramo direito do tronco celíaco -> 
artéria hepática comum -> artéria 
gastroduodenal -> artéria 
gastromental direita). 
 
› O fundo gástrico recebe sangue 
pelas artérias gástricas curtas (ramos 
da artéria esplênica) e posteriores. 
 
- Drenagem: na curvatura menor 
veias gástricas direita e esquerda 
drenam para a veia porta, na 
curvatura maior veias gástricas curtas 
e veias gastromentais esquerdas 
drenam para a veia esplênica que vai 
para a veia porta; já a veia 
gastromental direita vai para a veia 
mesentérica superior (VMS), essa que 
forma a veia porta. A veia gástrica 
direita serve como identificação para 
o piloro. 
 
• Drenagem linfática: o sistema 
linfático gástrico acompanha as 
artérias ao longo das curvaturas e 
drena para os linfonodos gástricos e 
gastro-omentais. 
 
• Inervação: 
- Parassimpática: troncos vagais 
anterior e posterior e de seus ramos, 
que entram no abdome através do 
hiato esofágico. 
- Simpática: proveniente dos 
segmentos T5 a T12 da medula 
espinal, segue para o plexo celíaco 
por intermédio dos nervos 
esplâncnicos maior e menor e é 
distribuída pelos plexos ao redor das 
artérias gástricas e gastromentais. 
 
Passagem do estômago para o 
intestino: 
 
 
 
Intestino delgado: 
• Atua essencialmente na digestão e 
na absorção de nutrientes. 
• Juntos, jejuno e íleo possuem de 6 a 
7 metros de comprimento, sendo que 
o jejuno possui cerca de dois quintos 
e o íleo cerca de três quintos da parte 
intraperitoneal do intestino delgado. 
• Dividido em 3 partes: 
A) Duodeno: 
- É a menor, mais larga e mais fixa 
parte do intestino delgado (25 cm). 
- Tem a função de receber os 
alimentos parcialmente digeridos no 
estômago e continuar o processo 
digestivo, utilizando-se de enzimas 
próprias, hepáticas e pancreáticas. 
- Partes: 
› Após o piloro: início do duodeno. 
 
 
› Superior (=bulbo do duodeno): 
ascende a partir do piloro e é 
superposta pelo fígado e pela vesícula 
biliar; a parte proximal tem o 
ligamento hepatoduodenal (parte do 
omento menor) fixado superiormente 
e o omento maior fixado 
inferiormente; onde pode formar 
úlcera devido à chegada de ácido que 
vem junto com o bolo alimentar do 
estômago. 
› Descendente: é o segmento maisimportante, onde chega a bile, da 
vesícula biliar, e o suco pancreático, 
vindo do pâncreas. Local onde tem 
mais Placas de Peyer e onde está a 
Papila Maior do Duodeno, região em 
que chega a ampola 
hepatopancreática, formada por dois 
ductos, o ducto colédoco (por onde 
vem a bile) e o ducto pancreático (por 
onde vem o suco pancreático). 
Caso o ducto pancreático fique 
obstruído, o suco pancreático causa 
uma autodigestão do pâncreas, 
processo chamado de pancreatite 
aguda. 
Colédocolitíase é quando uma pedra 
pequena sai da vesícula e obstrui o 
ducto colédoco. Quando a 
hemoglobina é quebrada ela vira 
biliverdina, o que será convertido em 
 
bilirrubina, de coloração amarelada, 
pelo baço e migrará para o fígado, 
que usa essa para formar a bile. 
Então, quando tem colédocolitíase, 
ocorre icterícia porque acumula bile, 
com bilirrubina, no ducto. 
Uma pedra vinda da vesícula também 
pode chegar até a ampola 
pancreática, obstruindo tanto a 
passagem da bile quanto a de suco 
pancreático, levando à pancreatite 
aguda. Caso esse paciente sobreviva, 
ele pode ter diabetes, devido à 
autodigestão do pâncreas que destrói 
as células beta pancreáticas. Sinais 
clínicos da pancreatite são Sinal de 
Cullen (mancha roxa ao redor do 
umbigo) e Sinal de Grey Turner 
(manchas nas regiões de flanco). 
 
 
› Horizontal: segue transversalmente 
para a esquerda; é cruzada pela 
artéria e veia mesentéricas superiores 
e pela raiz do mesentério do jejuno e 
íleo; superiormente a essa região está 
a cabeça do pâncreas; a face anterior 
é coberta por peritônio; 
posteriormente é separada da coluna 
vertebral pelo músculo psoas maior 
direito, VCI, aorta e outros vasos. 
› Ascendente: segue superiormente 
ao longo do lado esquerdo da aorta 
para alcançar a margem inferior do 
corpo do pâncreas; quando termina 
de subir, forma uma curva, essa é 
chamada de flexura duodenojejunal 
(=Ângulo de Treitz), que é quando 
termina começa o jejuno e também é 
um marco anatômico importante, 
pois qualquer sangramento abaixo 
dessa flexura é chamado de 
hemorragia digestiva baixa, e 
qualquer sangramento acima dela é 
chamado de hemorragia digestiva 
alta. 
Além disso, essa flexura possui um 
ligamento que vem do músculo 
diafragma, chamado de músculo 
suspensor do duodeno, responsável 
por manter o formato do duodeno 
mesmo quando sob os efeitos da 
gravidade; quando contraído, esse 
músculo alarga o ângulo, facilitando o 
movimento do conteúdo intestinal. 
 
 
 
 
- Vascularização: 
› Irrigação: as artérias originam-se do 
tronco celíaco e da artéria 
mesentérica superior, que vem da 
artéria aorta. Artéria gastroduodenal 
e a artéria pancreaticoduodenal 
superior suprem a parte duodeno 
proximal à entrada do ducto 
colédoco, na parte descendente. A 
artéria mesentérica superior, por 
meio do ramo artéria 
pancreaticoduodenal inferior, supre o 
duodeno distal à entrada do ducto 
colédoco. As artérias 
pancreaticoduodenais situam-se na 
curvatura entre o duodeno e a cabeça 
do pâncreas, irrigando ambas as 
estruturas. 
 
 
› Drenagem: as veias do duodeno 
acompanham as artérias, por isso 
possuem os mesmos nomes (veja 
pancreaticoduodenais superior e 
inferior), e drenam para a veia porta, 
diretamente ou indiretamente pelas 
veias mesentéricas superior e 
esplênica. (Veia pancreatoduodenal 
superior -> veia mesentérica superior 
-> veia esplênica -> veia porta.) 
 
- Drenagem linfática: linfonodos 
pancreaticoduodenais (=anteriores) e 
linfonos mesentéricos superiores 
(=posteriores) drenam para os 
linfonodos pilóricos, que leva a linfa 
para os linfonodos celíacos. 
 
 
- Inervação: ambos seguem para o 
duodeno via plexos periarteriais. 
› Parassimpática: nervo vago. 
Suprimento secretomotor para a 
mucosa duodenal e motor para a 
musculatura duodenal. 
› Simpática: nervos esplâncnicos 
maior e menor, por meio dos plexos 
celíaco e mesentérico superior. São 
vasoconstritores para a 
vascularização e inibitórios para a 
musculatura. 
 
B) Jejuno: 
- Possui cerca de 2m. 
- Região com maior absorção, mais 
rápida. 
- É uma alça intestinal. 
- Não possui divisão anatômica com o 
Íleo, somente se sabe que mais 
próximo do duodeno é o jejuno e 
mais próximo do intestino grosso é o 
íleo. Sabe-se somente que o jejuno 
começa na flexura duodenojejunal e e 
o íleo termina na junção ileocecal. 
- Jejuno é muito mais vermelho que o 
íleo, o que pode ser explicado pela 
presença de vasos mais longos no 
jejuno do que no íleo. 
- Vascularização: 
› Irrigação: artérias jejunais (mais ou 
menos 4-5 ramos), ramos da artéria 
mesentérica superior que vem da 
artéria aorta. 
 
› Drenagem: feita pelas veias jejunais, 
essas desembocam na veia 
mesentérica superior, que segue para 
a veia esplênica e vai para a veia 
porta. 
 
- Drenagem linfática é feita por: 
 
› Linfonodos justaintestinais: 
localizados perto da parede intestinal. 
› Linfonodos mesentéricos: dispersos 
entre os arcos arteriais. 
› Linfonodos centrais superiores: 
localizados ao longo da parte 
proximal da artéria mesentérica 
superior. 
 
C) Íleo: 
- Possui cerca de 3m. 
- É o local que possui maior 
quantidade de um aglomerado 
ovoide, que fica do lado oposto de 
onde penetram os vasos sanguíneos, 
chamado Placas de Peyer, o tecido 
linfático associado a mucosa 
intestinal (GALT). 
- É uma alça intestinal. 
- Vascularização: 
› Irrigação: artérias ileais (mais ou 
menos 12 ramos), ramos da artéria 
mesentérica superior que vem da 
artéria aorta. 
 
› Drenagem: feita pelas veias ileais, 
essas desembocam na veia 
mesentérica superior, que segue para 
a veia esplênica e vai para a veia 
porta. 
 
- A drenagem linfática é a mesma do 
jejuno. 
 
 
 
 
• Jejuno e íleo possuem uma prega de 
peritônio em forma de leque que os 
fixa à parede posterior do abdome, 
chamada de mesentério. Esse, 
estende-se da flexura duodenojejunal 
no lado esquerdo da vértebra LII até a 
junção íleocólica e a articulação 
sacroilíaca direita. Contém vasos 
mesentéricos superiores, linfonodos, 
uma quantidade variável de gordura e 
nervos autônomos. 
• Lembrando que todos esses são 
divididos histologicamente em 
camadas: 
- Mucosa. 
- Submucosa: possui o plexo 
submucoso. 
- Camada muscular: músculo liso. Na 
camada mais interna são fibras 
circulares, que quando contraídas 
diminuem o lúmen. Na camada mais 
externa as fibras são longitudinais, 
reduzindo o comprimento do órgão. 
Entre as camadas musculares existe 
um plexo nervoso do sistema 
nervoso autônomo chamado 
mioentérico (mio=músculo, 
êntero=intestino), também chamado 
de plexo de Auerbach. 
- Serosa: peritônio.

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