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UNIVERSIDADE PAULISTA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM LOGÍSTICA PROJETO INTEGRADO MULTIDISCIPLINAR IV Assaí Atacadista Fábio Moura de Figueiredo – RA 2209057 Luiz Felipe Batista de Melo – RA 2210108 João Pessoa – PB 2022 2 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 3 2. GESTÃO DE SUPRIMENTOS E LOGÍSTICA .............................................................. 5 2.1 Gestão de estoques ............................................................................................................. 5 2.2 Atividade de compras ........................................................................................................ 6 2.3 Decisões logísticas .............................................................................................................. 6 2.4 Tecnologia da Informação (TI) aplicada à Logística ..................................................... 7 2.5 Análise Organizacional do Assaí Atacadista – Gestão de Suprimentos e Logística ..... 7 3. MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM .................................................................... 10 3.1 Layout ................................................................................................................................ 10 3.2 Picking .............................................................................................................................. 11 3.3 Ferramentas de controle ................................................................................................. 11 3.4 Análise Organizacional do Assaí Atacadista – Movimentação e Armazenagem ....... 12 4. RECURSOS MATERIAIS E PATRIMONIAIS ............................................................. 15 4.1 Estoques ............................................................................................................................ 16 4.2 Cadeia de suprimentos .................................................................................................... 16 4.3 Governança e Compliance ............................................................................................... 16 4.4 Análise Organizacional – Assaí Atacadista ................................................................... 17 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................ 19 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 21 3 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho teve por finalidade verificar o perfil organizacional do Assaí Atacadista com base nos seguintes temas de pesquisa: Gestão de Suprimentos e Logística, Movimentação e Armazenagem, e Recursos Materiais e Patrimoniais, os quais vem sendo ricamente abordados ao longo do curso. A justificativa para a empresa escolhida se deu pelo seu destaque no mercado em que atua, sendo uma das que mais cresce no Brasil no seu segmento. Com isso, visar-se-á explanar quanto à gestão utilizada pela empresa, de modo a comprovar a importância de se ter um processo logístico eficiente e em harmonia com todas as demais atividades da organização, utilizando do melhor que há no mercado em tecnologia e inovação, e buscando sempre a melhoria contínua. O setor de suprimentos é responsável por interferir em todas as áreas da organização, desde a produção até o financeiro, seja direta ou indiretamente. Segundo Heinritz e Farrel (1983), essa área é composta de cinco objetivos principais, que são eles: Comprar a quantidade certa, no tempo certo, com a qualidade certa, no preço certo, e na fonte certa. Além deste, outra área de suma importância dentro do processo logístico de modo geral, é a de movimentação e armazenagem, cuja atividade englobam desde processos de portaria, passando pela estocagem dos materiais no armazém, com suas devidas movimentações, reposições e acomodação nos pontos de venda. Um erro cometido em qualquer uma dessas etapas é capaz de prejudicar toda a cadeia e trazer prejuízos para a companhia, por isso faz-se necessário conhecer e implementar boas práticas de movimentações internas, a fim de que não traga riscos para a operação. Para Ballou (1993), existem três tipos de movimentações internas encontradas no atacado: O manual, executada pelo homem sem a utilização de equipamentos; a mecanizada, as quais tem-se a presença de máquinas sendo operadas por homens; e a automatizada, cuja operação ocorre por meio de computadores. Por fim, podemos falar tanto de recursos materiais quanto patrimoniais. Em sentido amplo, os materiais são todos os elementos físicos empregados na empresa, enquanto os patrimoniais distinguem-se por serem destinados à manutenção das atividades de uma organização, sendo sua natureza permanente. Considerando os conceitos citados anteriormente, formar-se-á o presente trabalho, buscando discorrer teoricamente sobre esses estudos, com metodologia de pesquisa qualitativa, 4 explicativa. Se estendendo a um estudo de caso que teve como empresa escolhida o Assaí Atacadista, a fim de nortear um conhecimento prático. A primeira loja do Assaí foi aberta em São Paulo, em 1974, tendo como foco o abastecimento do pequeno transformador. Em 2007 passou a fazer parte do GPA, empresa do Grupo Casino e maior varejista do Brasil. Com essa parceria, houve grande alavanco em sua história, resultando num crescimento expressivo, onde passou de 14 lojas para 196, gerando, assim, mais de 40 mil empregos. Ao longo de todo o desenvolvimento do relatório, foi constatado que, além de toda a eficiência existente nos processos da companhia, também há a preocupação notória na busca e implementação das melhores tecnologias e metodologias para contínua melhoria dos seus procedimentos internos, buscando assim a plena satisfação e confiança de seus clientes, sejam eles internos ou externos. 5 2. GESTÃO DE SUPRIMENTOS E LOGÍSTICA As atividades voltadas para administrar o fluxo de materiais e de informações, ao longo da cadeia de suprimentos, constituem o que genericamente se denomina logística. Uma cadeia de suprimentos é um conjunto de unidades produtivas unidas por um fluxo de materiais e informações com o objetivo de satisfazer as necessidades de usuários ou clientes específicos (BARBIERI e MACHLINE, 2006). A logística e seu desenvolvimento está intimamente ligado ao progresso das atividades militares e nas necessidades resultantes das guerras. Alexandre o Grande é uma das principais lendas dessas histórias, relembrado e sendo inspiração até hoje. Segundo Tigerlog (2006), Alexandre foi o primeiro a utilizar uma equipe especializada de engenheiros e contramestres que, entre outras funções, seguiam à frente das tropas, comprando todos os suprimentos necessários e montando armazéns avançados ao longo do trajeto, uma vez que seu exército consumia 300.000 litros de água e 100 toneladas de alimentos diários. Com tantos exemplos vivenciados na prática, os militares entenderam o significado e a importância da logística, mas só em um passado recente, as organizações não-militares reconheceram o peso que o gerenciamento logístico pode representar na obtenção da vantagem competitiva. Para Ballou (1993), a logística empresarial procura estabelecer por intermédio de estudos quais as maneiras mais eficientes para atingir melhor rentabilidade nos serviços de distribuição aos clientes e consumidores, utilizando para isso o planejamento, a organização e o controle às atividades que envolvem movimentação e armazenagem com o objetivo principal de facilitar o fluxo de produtos. 2.1 Gestão de estoques Para Martins (2003), a gestão de estoques constitui em ações que permitem o administradoranalisar se os estoques estão sendo bem utilizados, bem localizados, bem manuseados e controlados. Sua gestão tem por finalidade garantir a máxima disponibilidade de produto, com o menor de estoque possível, trazendo o entendimento de que estoque parado é capital parado. Ou seja, este capital investido no estoque poderia estar suprindo a urgência de outro segmento da empresa, motivo pelo qual o gerenciamento deve projetar níveis adequados, objetivando manter o equilíbrio entre estoque e consumo. 6 Com base nisso, a gestão de estoque é de suma importância para a organização, pois esse gerenciamento, juntamente com os demais departamentos da organização, é o que faz a engrenagem rodar. Através da racionalização do estoque, é possível garantir a máxima disponibilidade do produto, com o menor estoque possível, sabendo a quantidade certa de comprar e quando fazê-lo. 2.2 Atividade de compras As atividades relacionadas a compras englobam uma série de fatores, tais como: Seleção de fornecedores, determinação de prazos de vendas, qualificação dos serviços, previsão de preços, mudanças na demanda, dentre outros. Segundo Arnold (1999), a função compras é responsável pelo estabelecimento do fluxo dos materiais na firma, pelo segmento junto ao fornecedor, e pela agilização da entrega. Ter gestão sobre essa atividade é de fundamental importância para o bom gerenciamento das empresas, além de influenciar diretamente nos estoques e relacionamento com os clientes, e de também estar relacionada ao sucesso e competitividade de uma organização, não sendo mais vista como uma atividade rotineira e sim como parte do processo de logística das empresas. 2.3 Decisões logísticas Na logística se faz necessário que suas principais decisões estejam articuladas ao longo do tempo, permitindo-a ter, assim, um desenvolvimento de padrões de decisão coerentes com as características do negócio, sendo este um importante fator de vantagem competitiva em cadeias de suprimentos. Partindo desse pressuposto, nos últimos anos as discussões sobre os processos de produção, posicionamento e as vantagens competitivas conferidas às empresas tem se tornado cada vez mais importantes. Segundo Porter (1991), para definir padrões de decisão e depois manter posições competitivas sustentáveis ao longo do tempo, faz-se necessário avaliar a estratégia empresarial a partir de dois níveis distintos e complementares, que são eles: O transversal, que trata da ligação das características do negócio (produto, operação, demanda, etc.), e o longitudinal, o qual examina porque certas empresas conseguem desenvolver posições de vantagens competitivas e mantê-las ao longo do tempo. 7 Para Wanke (2002), existem cinco categorias de decisão que devem permanecer ao longo do tempo de forma articulada e coerente entre si, permitindo que uma empresa atinja seus objetivos de minimização de custo total para um determinado nível de serviço, que são elas: • Coordenação do fluxo de produtos (empurrar versus puxar); • Alocação de estoques (centralizado versus descentralizado); • Base para acionamento da fabricação de produtos acabados (contra pedido versus para estoque); • Dimensionamento da rede de instalações; • Escolha do modal de transporte. 2.4 Tecnologia da Informação (TI) aplicada à Logística Na atualidade, a logística já é vista deixando de concentrar seus esforços apenas em fluxo de bens, no canal de distribuição, para passar a também considerar o fluxo de informações, elemento este essencial para a sobrevivência das organizações. Informações rápidas e precisas são imprescindíveis para os sistemas logísticos que se utilizam - sobretudo - da Tecnologia da Informação (TI) para ganhar tempo e confiabilidade nessas informações. Seus sistemas fazem ponte entre as atividades logísticas, em um processo integrado, com o menor tempo possível, conferindo, assim, vantagem competitiva para as empresas e promovendo maior integração entre os membros da cadeia de suprimentos, do fornecedor ao usuário final (ARAÚJO, 1981). 2.5 Análise Organizacional do Assaí Atacadista – Gestão de Suprimentos e Logística O Assaí Atacadista é uma empresa brasileira de atacado que já conta com quase 250 lojas espalhadas pelo Brasil, e com um forte ritmo de expansão. A primeira loja da rede foi aberta em São Paulo, em 1974, tendo como foco o abastecimento do pequeno transformador. Em 2007 passou a fazer parte do GPA, empresa do Grupo Casino e maior varejista do Brasil. Com essa parceria, houve grande alavanco em sua história, resultando num crescimento expressivo, onde passou de 14 lojas para 196, gerando, assim, mais de 40 mil empregos. Hoje trata-se de uma empresa de atacado de autosserviço com mais de 48 anos de tradição, sendo a maior bandeira do grupo francês Casino no mundo. Com uma equipe com mais de 60 mil colaboradores, atua em um modelo de negócio de baixo custo operacional, com preços competitivos e um mix de produtos adequado aos mais diversos perfis de clientes. 8 A rede comercializa mais de 8 mil itens (de alimentos, bebidas, itens de higiene pessoal e limpeza, bazar, linha automotiva, linha pet, eletroportáteis, embalagens e descartáveis). Tem como foco ofertar produtos com preço baixo, variedade e qualidade, principalmente a pequenos e médios comerciantes de micro e pequenas empresas, bem como o cliente final. Sendo uma empresa de grande poder e já consagrada no mercado, precisa estar sempre atento para lidar com seus principais concorrentes: Grupo Carrefour, Magazine Luiza e B2W. Os custos associados à cadeia logística se agrupam com base na sua adequação às etapas de suprimentos, produção e distribuição. Levando em consideração mais especificamente o custo da cadeia de suprimentos, compreendem-se estes ao custo dos insumos (ou matérias- primas), o custo de aquisição e o custo de armazenagem desses insumos. Para a companhia, o seu estoque é contabilizado pelo custo ou valor líquido de realização, o que for menor. Sendo os estoques adquiridos registrados pelo custo médio, incluindo os custos de armazenamento e manuseio, na medida em que tais custos são necessários para trazer os estoques na sua condição de venda nas lojas, deduzidos de bonificações recebidas de fornecedores, ainda não realizadas. Os estoques são reduzidos ao seu valor recuperável por meio de estimativas para perdas, quebras, giro lento de mercadorias e estimativas de perda para mercadorias que serão vendidas com margem bruta negativa, a qual é periodicamente analisada e avaliada quanto à sua recuperação. Com base em dados divulgados pela própria Rede, através de seus informes de resultados de todo o ano de 2021, ainda em comparativo com 2020, tem-se o seguinte: Tabela 1 – Estoque Rede Assaí Atacadista – Comparativo 2021 x 2020 31/12/2021 31/12/2020 Lojas 3.955 3.416 Centrais de Distribuição 878 818 Acordos Comerciais (416) (444) Perdas com Estoques (37) (51) TOTAL 4.380 3.739 Fonte: Elaboração Própria (2022) Tabela 1 – Perdas com Estoques Rede Assaí Atacadista – Comparativo 2021 x 2020 31/12/2021 31/12/2020 No início do exercício (51) (41) Adições (315) (303) 9 Reversões 13 20 Baixas 316 273 No final do exercício (37) (51) Fonte: Elaboração Própria (2022) 10 3. MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM A área de movimentação e armazenagem engloba desde as atividades de portaria, que envolve a entrada dessas mercadorias, até o seu recebimento e estocagem no armazém, com suas devidas movimentações internas, reposições e armazenagem no ponto de venda. Um sistema logístico interno bem estruturado já é visto hoje como uma necessidade real de grande parte das organizações, por meio do qual estas buscam disponibilizar seus produtos e serviços em nível adequado. A logística interna considera como elementos importantes de um sistema todas as atividades de movimentaçãoe armazenagem dos materiais que facilitam o processo, indo desde a sua aquisição até a sua expedição. Segundo Chiavenato (1991, p.144), a movimentação de materiais refere-se a todo o fluxo de materiais realizado dentro da empresa, sendo uma atividade indispensável a qualquer sistema de produção, visando não somente o abastecimento das seções produtivas, mas também a garantia da sequencia do próprio processo entre as diversas seções envolvidas. Para Ballou (1993), existem três tipos de movimentação interna que são encontrados no atacado. O manual, executado pelo homem sem a utilização de equipamentos; a mecanizada, que se trata das operações executadas por equipamentos dirigidos por homens; e a automatizada, quando é operada pelo computador. Já com relação à armazenagem, em uma denominação genérica pode-se dizer que é entendida como as atividades administrativas e operacionais de recebimento, armazenamento, distribuição dos materiais aos usuários e controle físico de materiais estocados. Tais atividades rotineiras em qualquer organização devem ser precedidas por estudos que busquem a localização adequada dos pontos de estocagem, além da capacidade de armazenamento desses pontos, instalações e layout (BARBIERI e MACHLINE, 2006). 3.1 Layout Para Raiter (2012), o layout quando bem estudado é capaz de minimizar erros, prever futuros problemas de otimização de espaço e, consequentemente, tornar o ambiente de trabalho mais harmonioso e funcional, melhorando, assim, a funcionalidade da equipe de trabalho. Para tanto, atualmente é tido como algo tão importante que se iguala com a relevância da estratégia de vendas utilizada. 11 3.2 Picking Outra importante atividade que diz respeito à movimentação e armazenagem é o picking. Para Medeiros (1999), o picking é a ação responsável por coletar itens do pedido no armazém para assim entender a necessidade do cliente. Segundo Lima (2002) existem basicamente três métodos de picking, que são eles: • Picking discreto: Método em que cada um dos operadores faz a coleta de um pedido por vez, recolhendo linha a linha do pedido; • Picking por zona: Aquele no qual o armazém é segmentado em zonas ou seções, sendo cada operador associado a uma seção. Desta maneira, cada um dos operadores coleta o item do pedido que faça parte do seu departamento, e os deixa em uma área de consolidação, na qual os itens coletados em diferentes zonas são agrupados, compondo desta forma o pedido original. • Picking por lote: Nesse método, cada operador coleta de maneira conjunta um grupo de pedidos, ao invés de coletar apenas um pedido por vez. 3.3 Ferramentas de Controle O capital investido em estoques - principalmente quando se trata de Redes Atacadistas como o Assaí - é muito alto, por isso torna-se imprescindível o seu controle, uma vez que quanto mais eficaz for esse gerenciamento, maior é o retorno para a empresa em termos de economia, controle de desperdício e desvios. Para ajudar nessa questão, inúmeras foram as ferramentas de controle desenvolvidas ao longo dos anos, onde podemos citar: Estoque de segurança, Ponto de Pedido, Análise ABC, Inventário Físico, Acurácia de Inventário, etc. Segundo Slack et al (2009), o estoque de segurança é conhecido também como estoque isolador. Seu propósito é compensar as incertezas inerentes ao fornecimento e demanda, uma vez que uma operação de varejo, por exemplo, nunca poderá prever perfeitamente sua demanda. 12 Dessa forma, ela vai encomendar bens de seus fornecedores de modo que sempre haja pelo menos certa quantidade da maioria dos itens em estoque. Já o Ponto de Pedido diz respeito à quantidade de estoque e pedidos versus o controle da empresa que é todo monitorado. Para Slack (2009), o ponto de pedido é calculado com uma previsão durante o início e o fim de uma atividade, conhecido tecnicamente como lead time. No que diz respeito à Análise ABC, Martins e Campos (2009) vem afirmar que é um método para classificar itens, eventos ou atividades de acordo com a sua importância relativa. Seu principal benefício é proporcionar ao trabalho de controle de estoque do analista a decisão certa de compra, baseado pelo resultado obtido pela análise, o que resulta em otimização da aplicação dos recursos financeiros e materiais, evitando desperdícios ou aquisições indevidas, o que favorece o aumento da lucratividade. O Inventário Físico, outra ferramenta de controle, consiste na contagem física de todos os itens que constam em estoque, considerando o seu período de referência para o inventário. Ainda para Martins e Campos (2009), a detectação de alguma diferença apontada durante esse processo, seja com relação à quantidade ou ao valor do estoque, o departamento contábil da empresa deverá orientar as devidas correções. Por fim, a Acurácia do Inventário é realizada após a finalização do inventário, uma vez que se trata do valor dos itens corretos expresso em porcentagem. De acordo com Martins e Campos (2009), acurácia é igual ao número de itens corretos pelo número total de itens em estoque, ou o valor dos itens corretos pelo valor total dos itens do estoque. 3.4 Análise Organizacional do Assaí Atacadista – Movimentação e Armazenagem Conforme já abordado anteriormente, a movimentação de materiais é uma das etapas do processo de logística, e seu gerenciamento eficaz é de suma importância. Seu processo envolve todo o deslocamento, armazenagem, distribuição e expedição de mercadorias, incluindo o transporte em galpões, depósitos e dentro da loja. No caso do Assaí Atacadista, por se tratar de uma grande Rede, que movimenta diariamente centenas de itens em sua vasta área física, muitos meios e equipamentos são utilizados para tal atividade. Dentre eles, podemos citar: • Paleteiras – Sua principal função é fazer o transporte seguro de cargas pesadas; 13 • Guindastes – Utilizados para elevar e movimentar cargas pesadas com precisão e agilidade; • Comboios – Considerado de grande importância para as empresas, os comboios são capazes de abastecer e lubrificar os equipamentos sem precisar sair do local; • Esteiras transportadoras – Utilizada para reduzir o tempo e o custo, podendo ser ou não automatizada; • Monovias – Equipamento utilizado para elevação e movimentação, principalmente aqueles de difícil locomoção, os quais não são possíveis de serem transportados pela força humana; • Transportadores de roletes – Trata-se de um sistema industrial destinado ao transporte, acumulação e distribuição de mercadorias entre diferentes posições dentro do armazém, servindo também para interligar diferentes galpões logísticos com seus armazéns; • Transelevadores – Utilizados para o armazenamento automático de pallets, deslocando-se nos corredores e realizando função de entrada, posicionamento e saída de mercadorias. Estes equipamentos são guiados por softwares de gestão, os quais coordenam seus movimentos. Já no que diz respeito às atividades de armazenagem, inúmeros são os procedimentos e técnicas utilizados, uma vez que, principalmente em redes atacadistas que trabalham com alimentos, qualquer falha cometida durante o processo é capaz de colocar todo o estoque a perder, causando incontáveis prejuízos para a companhia. Nesse caso, não somente armazenar os alimentos de forma correta, como também transportar, acaba sendo crucial. Trazendo para a realidade do Assaí Atacadista, a empresa tem ciência dessa importância e por isso implementa às suas atividades rotineiras procedimentos que visem a eficácia dos seus processos. Algumas ações observadas foram a armazenagem no local correto, onde cada tipo de produto é armazenado de modo a melhor conserva-lo. As gôndolas bem posicionadas proporcionam aos clientes satisfação e aumenta seu desejo de compras, quem vai ao mercado pode ser instigado a levar mais coisas que precisa. Podecomprar por promoções especiais ou por mensagem subliminar. Os alimentos secos, por exemplo, no estoque permanecem sob uma distância do teto, paredes e chão, permitindo sua ventilação, além do cuidado em mantê-los sempre longe de 14 materiais de limpeza, ralos e tubulações, a fim de que não se tenha qualquer risco de contaminação. Por fim, a empresa faz uso da técnica FIFO (First In, First Out), ou brasileiramente conhecida como PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), que consiste em priorizar a saída dos produtos que entraram primeiro nos locais de armazenamento e, por consequência, tem prazo de validade menor do que os produtos que entraram depois no estoque. É papel do gestor de materiais entender o comportamento da demanda, e para que o planejamento do estoque da empresa funcione, alguns elementos são determinados, tais como: estoque de segurança, ponto de pedido, o lote ou quantidade a ser encomendada, e por fim, o seu tempo de ressuprimento. Por fim, a companhia se mostra bastante organizada por apresentar anotações regulares dos produtos que entram e saem da loja, com apontamento e baixa dos itens vendidos, e promoções constantes que auxiliam para que não se tenha produtos parados em estoque sem necessidade. 15 4. RECURSOS MATERIAIS E PATRIMONIAIS Trazendo para um sentido amplo, recurso material é todo o bem físico (tangível ou corpóreo) empregado em uma organização. Já para fins de gestão, tais recursos podem ainda ser classificados em duas subcategorias, sendo elas: • Recursos materiais em sentido estrito – É todo bem físico (tangível) empregado em uma organização que detém natureza não permanente, ou seja, são consumidos ao longo do tempo. • Recurso Patrimonial – Difere-se do material por apresentar natureza permanente. De modo geral, podem se apresentar em três tipos: imóveis, instalações e materiais permanentes (máquinas, móveis, etc.). Assim como em tudo que envolve logística, para um bom funcionamento, faz-se necessário uma boa gestão. Para Gonçalves (2007), a gestão de materiais traz consigo três principais nichos, que podem ser observados na figura a seguir: Figura 1 – Principais Nichos da Gestão de Materiais Fonte: Elaboração Própria, com base em Gonçalves (2007) Adicionando a esses nichos, tem-se a gestão de recursos patrimoniais, que envolve atividades de tombamento, desfazimento (alienação), guarda e conservação, inventário de bens patrimoniais, cálculo de depreciação, etc. 16 4.1 Estoques Gerenciar não é fácil, e quando diz respeito a estoque, é preciso ter um controle ainda maior, uma vez que, principalmente se tratando de uma rede atacadista, há de se falar em milhares de itens sendo gerenciados e monitorados a todo instante. Slack et al. (1997) trazem por definição de estoque a acumulação armazenada de materiais em um sistema de transformação. Apesar de sua clara importância e complexidade, sua gestão ainda é negligenciada em muitas empresas, onde estas sequer a consideram estratégica e permitem que suas decisões sejam tomadas envolvendo níveis organizacionais mais baixos. Por outro lado, as organizações que já perceberam seu valor e o modo como a gestão de estoque podem trazer vantagens competitivas, estão olhando os estoques ao longo de toda a cadeia de suprimentos da qual fazem parte, além de incorporar à sua identidade boas práticas de gestão em logística, tais como governança e compliance. 4.2 Cadeia de Suprimentos Para Chopra e Meindl (2003), uma cadeia de suprimento engloba todos os estágios envolvidos, seja direta ou indiretamente, no atendimento do pedido do consumidor, não envolvendo apenas fabricantes e fornecedores, mas também transportadoras, depósitos, varejistas e os próprios clientes. Dentro de cada empresa, a cadeia de suprimentos envolve todas as funções relacionadas ao pedido do cliente, tais como: Desenvolvimento de novos produtos, marketing, operações, distribuição, finanças e o serviço de atendimento ao consumidor. 4.3 Governança e Compliance A implantação de uma boa governança corporativa nas empresas, compreendendo um conjunto de boas práticas, tem sido capaz de melhorar toda a gestão da organização, incluindo seu desempenho e relação com o mercado. Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), conceitua-se a governança corporativa da seguinte forma: Sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas envolvendo as práticas e os relacionamentos entre proprietários, conselho de administração, diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de governança corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses 17 com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso ao capital e contribuindo para a sua longevidade. (IBGC, 2015). Além disso, é sustentada sob quatro princípios fundamentais, que são eles: Transparência, intimamente ligada à prestação de informações aos acionistas, investidores e mercado em geral; Integridade ou equidade, voltada ao respeito aos direitos e interesses dos minoritários e ao efetivo cumprimento das leis e do estatuto, sem deixar de lado, também, a lealdade dos administradores para com os interesses da companhia; Prestação de contas, que visa comprovar tudo aquilo que a gestão realizou, garantindo confiabilidade aos negócios e operações; E, por fim, respeito às leis (compliance), que diz respeito à observação das normas e leis relacionadas aos negócios e/ou operações, e a partir das normas vigentes, buscar a elaboração de suas políticas e normas internas. O programa de compliance vem abordar tanto as normas internas como externas, sendo um dos seus principais pilares o Código de Ética, o qual norteia as ações dos colaboradores da organização. 4.4 Análise Organizacional – Assaí Atacadista Em uma análise geral realizada junto à companhia, foi possível fazer alguns levantamentos com relação às suas movimentações e armazenagem. Retomando um pouco ao processo de compras de mercadorias, este inicia-se com a definição dos produtos e as respectivas quantidades, levantadas conforme o giro e necessidade de estoque. Após o processo de cotação de preços, análise da melhor oferta e formalização do pedido de compras, o fornecedor emite a nota fiscal e providencia o envio das mercadorias, onde posteriormente são recebidas pela rede. Dentre os itens que possuem maior demanda, estão os cereais, massas, biscoitos, bebidas, ou seja, produtos alimentícios em geral e de higiene, sendo sua realização de pedidos feita de acordo com cada setor. Para Andrade (2014), é de suma importância a existência de uma equipe de estoquistas para contagem dos itens nos supermercados, além da utilização de indicadores como acurácia dos estoques, produtos não encontrados pelos clientes e pedidos entregues pelo fornecedor, permitindo um melhor controle da gestão de estoques, e assim é seguido. A empresa possui uma equipe completa e competente de colaboradores para todas as áreas, além dos mais inovadores sistemas de controle e gestão, e no que diz respeito ao estoque e controle de modo geral, tal presença corrobora com os achados de Souza (2013), que afirma que apesar dos 18 supermercados fazerem uso de alguma forma de controle dos seus estoques, é ser percebido que aqueles que utilizam sistemas e informação para controlar seus estoques acabam se sobressaindo no setor mais do que seus concorrentes. 19 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O conhecimento da teoria é sempre de muito valor, a contribuição dos estudos em sala de aula é de suma importância, mas é a prática que finda o conhecimento. Ter a prévia abordagem de cada um dos conceitos aqui destrinchados foi o que permitiu direcionar o presente trabalho para um estudo mais aprofundado, e paralelo a isso, a busca pela vivência na práticafoi o que permitiu a conclusão em sua plena forma satisfatória. As informações aqui apresentadas foram levantadas por meio de pesquisa secundária, online, e através de livros e artigos atuais embasados em outras grandes contribuições da literatura. Um ponto de dificuldade foi a obtenção de informações internas, o que, devido a normas da própria companhia, não é permitido tamanho acesso, o que impossibilita um pouco a abordagem por completo. Porém, todo o material levantado e observações realizadas permitiram a sua elaboração e atingimento do objetivo. A escolha do Assaí Atacadista para o estudo de caso se deu devido à sua vasta e consolidada história junto ao mercado, além de ser uma empresa de capital aberto, que carrega um rico case de sucesso, além de mostrar, com o passar dos anos, uma constante melhoria, sendo um dos maiores do mercado, com incríveis resultados. Segundo os relatórios apresentados pela própria companhia, as despesas com vendas, gerais e administrativas representaram 9,6% da receita líquida no trimestre, em patamar similar ao 1T21, o que mostra a efetividade das iniciativas de controle de despesas, mesmo diante da expansão recorde no período, com a abertura de 32 lojas nos últimos 12 meses, e dos custos pré-operacionais das conversões. Além disso, as vendas online trazem comodidade e conveniência aos clientes do Assaí e, atualmente, consumidores de 55 cidades de 17 estados podem fazer suas compras via aplicativo da Cornershop by Uber ou Rappi. A parceria com a Corneshop, iniciada em agosto de 2021, está em rápida evolução, com vendas atingindo patamares 6x superiores ao início do roll-out. Foi possível observar na prática a importância de uma eficiente gestão de estoque, a preocupação da empresa em se tornar cada vez mais responsável com seus stakeholders e com o meio ambiente, sempre em busca de inovações e investimento em expansão. A companhia trabalha fortemente suas relações e objetivos de curto, médio e longo prazo. 20 A pesquisa realizada acompanhou o dinamismo da empresa, sendo a construção e apresentação do relatório positivamente satisfatórios, inclusive para nossa percepção e agregação de conhecimento, estes de suma importância para a formação de um gestor. Por fim, conclui-se o presente trabalho com proposta e pesquisa fundamentadas, conhecimentos adquiridos e bagagem abastecidos, permitindo-nos aprender na prática aquilo que já fora tão abordado ao longo das aulas, afirmando, assim, que estes são fundamentais para a construção do conhecimento no curso de gestão. 21 REFERÊNCIAS ANDRADE, Euclides. Gestão de suprimentos: estudo de caso dos supermercados da cooperativa languiru Ltda. 2014.Disponível em: <https://www.univates.br/bdu/bitstream/10737/772/1/2014EuclidesAndrade.pdf.> Acesso em 18 nov. 2022; ARAUJO, V. M. R. H. de. A patente como ferramenta da informação. Ciência da Informação, Brasília, v. 10, n. 2, p. 27-32, 1981; ARNOLD, J.R. Tony. Administração de Materiais. São Paulo: Atlas S.A, 1999; BALLOU, Ronald H. Logística empresarial: transporte, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas, 1993; BARBIERI, J.C.; MACHLINE, C. Logística hospitalar: teoria e prática. São Paulo: Saraiva, 2006; CHIAVENATO, I. 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