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Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 1 PRÓTESE PARCIAL FIXA Sumário Introdução a prótese parcial fixa ............................................................................................................2 Princípios biomecânicos dos preparos com finalidade protética....................................................4 Planejamento em Prótese Parcial Fixa ..................................................................................................5 Preparos para coroas totais em dentes posteriores ........................................................................ 12 Preparos para coroas totais em dentes anteriores:.......................................................................... 13 Preparos parciais metálico e estético.................................................................................................. 14 Moldagem em Prótese Parcial Fixa ...................................................................................................... 17 Afastamento gengival: técnica e cuidados ......................................................................................... 21 Prótese Fixa Metalocerâmica de 3 elementos ou mais .................................................................... 25 Prótese Fixa ultraconservadora ............................................................................................................ 30 Prótese fixa adesiva ................................................................................................................................ 31 Restaurações Provisórias ...................................................................................................................... 35 Enceramento, inclusão e fundição em Prótese Parcial Fixa ........................................................... 38 Cimentação em Prótese Fixa ................................................................................................................. 40 Tratamento Protético em Dentes Tratados Endodonticamente com Pinos Intra-radiculares .. 42 Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 2 Introdução a prótese parcial fixa A prótese parcial fixa é a restauração parcial ou total da coroa de um dente (sendo este dente perdido ou apenas parte dele), quando se denomina prótese parcial fixa unitária, ou a substituição de um ou mais dentes perdidos, quando se denomina prótese parcial fixa múltipla. É um aparelho protético, que visa a substituição de um ou mais dentes ausentes, não podendo ser removida para limpeza ou inspeção. Consiste em restaurações fixadas em dois dentes extremos ao espaço edêntulo que funcionam como pilares, colunas e sustentam o dente artificial reposto. As próteses fixas podem ser fixadas sobre dentes ou sobre implantes. As substituições dos dentes perdidos são importantes, pois evitam a extrusão e movimentação dos dentes adjacentes ou antagonistas em direção ao espaço protético, restituem a função mastigatória, restauram a estética e fonética, e proporcionam conforto ao paciente. As próteses parciais fixas podem ser classificadas de acordo com o tipo, sendo total aquele que cobre totalmente a coroa do dente seja ela unitária ou múltipla, e parcial aquela que se repõe apenas partes da coroa, podendo ser inlay (não envolve cúspides), onlay (envolve cúspides), facetas ou 4/5. Ainda, pode ser classificada de acordo com o material ou infraestrutura, podendo ser: metálica, metal-free, metaloplástica (metal + resina) ou metalocerâmica (metal + porcelana). As próteses metais free são favoráveis pois possibilitam margem suprasulcular, comprometendo menos a estética. Por outro lado, são desfavoráveis por ter retenção e resistência ruim. As próteses parciais fixas têm as vantagens de proporcionar uma cimentação definitiva, apresentar pequeno volume, ser semelhantes aos dentes naturais, proporcionar maior eficiência mastigatória e conforto. Por outro lado, possui as desvantagens de ser um tratamento mais invasivo, necessitando de preparo dental, ter a possibilidade de tratamento endodôntico para retenção, higiene dificultada e custo maior quando comparado com uma PPR. Elementos que constituem a PPF Os elementos que constituem a PPF podem ser biológicos ou mecânicos. Como elementos biológicos temos o dente de suporte (pilar), que é desgastado e tem a função de sustentar a PPF, devendo ter sua área de inserção periodontal maior ou igual a dos dentes substituídos; e o espaço protético (edêntulo). Já como elemento mecânico temos o retentor; o pôntico e; o conector. Retentores: Os retentores vão cimentados aos dentes pilares e são restaurações responsáveis pela retenção do aparelho protético aos pilares, podendo ser em forma de coroa totais, sejam elas metálica, metalocerâmica ou metaloplástica; ou restauração parciais, como 4/5 ou 7/8. Pôntico O pôntico fica suspenso substituindo o dente ausente. Os tipos de pônticos são: sela, plano inclinado, higiênico, forma de bala e oval. O pôntico sela forma um contorno côncavo e amplo com o rebordo, não cooperando com a higiene. Isto provoca inflamação dos tecidos moles. Logo, não é recomendado, podendo até mesmo gerar abcesso. O pôntico de plano inclinado possui superfície convexa para facilitar a limpeza e a superfície lingual com contorno ligeiramente curvo, para evitar o acúmulo de alimentos. É o tipo mais indicado, sendo usado em áreas anteriores e posteriores. Apresenta boa estética e pode ser metalocerâmica ou metaloplástica. O pôntico higiênico é usado quando não houver nenhum contato com o rebordo. Ele restaura a oclusão e estabiliza os dentes adjacentes. Possui configuração convexa e distância ocluso-gengival de 3,0mm. É indicado para região posterior e confeccionado em metal. O pôntico em forma de bala é arredondado e fácil de limpar. Possui extremidade pequena e estética deficiente, sendo adequado para rebordos pequenos. É indicado para molares inferiores, pois têm rebordos finos e ele converge para o rebordo fino facilitando a higiene. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 3 O pôntico oval possui superfície arredondada e exige um preparo do tecido mole. Apresenta facilidade de limpeza, acumulando o mínimo de alimento. É indicado para incisivos superiores, caninos, pré-molar e linha do sorriso alta, pois comprimi a gengiva e forma a papila. Conector: O conector é responsável pela união do retentor ao pôntico, podendo ser rígido ou semirrígido. Está presente nas estruturas monobloco ou individuais. Pode-se também unir retentor-retentor e pôntico-pôntico quando há mais de um dente pilar ou mais de um dente ausente respectivamente. Critérios para uma boa PPF O preparo protético se fundamenta em critérios, que quando combinados apresentam um prognóstico previsível. Os critérios são divididos em fatores biológicos, mecânicos e estéticos. Os fatores biológicos incluem conservar ao máximo estrutura dental, evitar sobrecontorno das restaurações, preferir margens supragengivais, encontrar a estabilidade oclusal e proteger os elementos dentários contra fratura. Já os fatores mecânicos incluem a forma de retenção, a forma de resistência e evitar deformação. Por fim, os fatores estéticos incluem mínima exposição de metal, conseguir espessura máxima de porcelana, obter superfícies oclusais funcionais e preferir margens intrasulculares para as próteses metalocerâmica e suprasulculares ou ao nível para próteses adesivas. Durante o preparo do dente pilar, deve-se sempre prevenir danos aos dentes adjacentes, tendo cuidado com as faces proximais; aos tecidos moles, tendo cuidado com a língua e bochecha e; com a polpa dentária,tendo cuidado com o calor gerado pela peça de mão, a ação dos químicos utilizados, as bactérias remanescentes que podem gerar micro infiltração e a redução axial. Há um relacionamento da prótese com o complexo dentina- polpa, por isso, devemos observar a idade do paciente para saber o quão ampla essa polpa é. É importante também sempre prevenir a saúde periodontal, determinando forma e contorno correto da restauração, preparando a margem numa localização adequada e sempre orientando sobre a higiene oral. Margens e Geometria dos Preparos As margens podem ser colocadas suprasulculares, intrasulculares, ao nível do sulco gengival e subgengival. A margem suprasulcular deve estar de 2 a 3mm aquém da gengiva marginal livre, facilitando a execução, inspeção e limpeza pelo paciente. Sua limitação consiste nos casos de coroas com metal, podendo prejudicar a estética. A margem intrasulcular deve estar de 0,5 a 0,6mm dentro do sulco, sendo muito utilizada nos casos em que há cárie dentária, erosão cervical, restauração antigas subgengivais ou fraturas com extensão sulcular. É utilizada também por razões mecânicas, quando há necessidade de retenção adicional e por estética, uma vez que cobre a junção preparo-restauração. Já a margem subgengival gera uma invasão do espaço biológico, necessitando de tratamento periodontal prévio, que após a cicatrização de 50 a 60 dias, é determinada a nova margem do preparo. A geometria da margem (tipo de término cervical) mais empregadas são: ombro, chanfro, chanfro profundo e chanfrete. O ombro ou também conhecido como degrau biselado é indicado para margens vestibulares das coroas metalocerâmica posterior e metaloplásticas. Suas vantagens consistem no volume do material que acomoda, na remoção do esmalte sem suporte e por permitir o acabamento do metal. Por outro lado, possui a desvantagem de exigir uma extensão dentro do sulco. A margem em ombro é indicada para margens vestibulares de coroa metalocerâmica, collasless e cerâmica pura. Suas vantagens consistem no volume de material que acomoda. Por outro lado, suas desvantagens estão relacionadas com o fato de ter menor conservação na estrutura dental. O ombro inclinado está indicado para margem vestibular de matalocerâmicas e cerâmica puta. Suas vantagens estão no fato de proporcionar um bom volume do material. Por ouro lado, é menos conservador na estrutura dental. Por fim, o chanfro está indicado para restaurações metalocerâmica e coroas livres de metal. Suas vantagens estão no fato de acomodar um volume adequado do material restaurador, fácil controle e estética. Por outro lado, tem as desvantagens de deixar prismas de esmalte que podem comprometer a resistência-retenção. Critérios para selecionar o elemento de suporte para prótese fixa 1. Analisar tamanho e irregularidades das raízes 2. Verificar proporção coroa-raiz Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 4 3. Analisar tamanho e forma da coroa clínica 4. Considerar a Lei de Ante 5. Inclinação Axial dos pilares 6. Análise da saúde pulpar: canais calcificados, nódulos 7. Saúde periodontal: presença de inflamação 8. Análise da furca: grau 1, 2 ou 3 9. Tratamento endodôntico: satisfatório, insatisfatório 10. Oclusão estável Curiosidades Uma prótese fixa convencional dura em média de 6 a 6,6 anos, e das próteses que estão sendo confeccionadas atualmente, mais de 60% são repetições. 60% das margens subgengivais torna-se visíveis em um período de 2 anos, após a cimentação. Princípios biomecânicos dos preparos com finalidade protética Os preparos protéticos são preparos com características próprias, realizados em elementos dentais que receberão uma restauração protética posteriormente. Ao fazer o preparo, devemos seguir alguns fundamentos, como: proteção do completo dentinho-pulpar, saúde do periodonto, proteção dos remanescentes, oclusão apropriada, estética e longevidade. Quando falamos dos princípios dos preparos, temos o princípio estético, mecânico, que visa manter o material em posição e biológico. Todos os princípios estão interligados. O princípio mecânico tem como base a retenção e resistência. Sendo a retenção responsável por fazer a coroa parar em posição e a resistência para que ela não desloque. A retenção depende basicamente do contato existente entre as superfícies internas da restauração e as externas do dente preparado: retenção friccional. Deve apresentar características que impeçam que o deslocamento da restauração quando submetida a forças de tração, ou seja, impedir deslocamento no sentido do longo eixo. A forma de resistência previne o deslocamento da restauração quando submetido às forças oblíquas (movimentos excêntricos) que podem provocar a rotação da restauração. Se houver uma boa retenção e uma boa resistência, a restauração protética terá estabilidade. A retenção e resistência são então obtidas através de um preparo dental adequado, sendo o ponto principal para obtenção. De forma mais branda, mas também influenciando temos a fundição e cimentação. A estabilidade é conseguida através do grau de inclinação e conicidade, área total de superfície, área do cimento sob ação de cisalhamento e aspereza da superfície preparada. Se o preparo for feito com paredes paralelas entre si, será obtida alta resistência friccional, contudo, a restauração apresentará dificuldade de assentamento. Desta forma, deve ser dado ao preparo um grau de inclinação/conicidade de 3º em grau em cada parede, totalizando um grau de inclinação ideal de 6 a 10º. Deve-se ressaltar que a conicidade é inversamente proporcional à retenção, ou seja, quanto maior a conicidade, menor a retenção. As pontas diamantadas para preparo protético já possuem esta inclinação, desta forma, devem ser colocadas paralelas. Dentes com coroas clínicas longas exercem efetiva resistência, contudo coroas clínicas curtas não oferecem resistência ao deslocamento. Dentes curtos ou com paredes muito inclinadas formarão um ponto de fulcro no qual a restauração irá girar. A inclinação correta então garante oposição ao deslocamento, preservação de estrutura dental e sucesso da restauração, além de resistência às forças laterais. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 5 A área total de superfície também influencia na estabilidade, sendo que quanto maior o volume do dente, maior a estabilidade. Os dentes mais volumosos são, respectivamente: molar, pré-molar, canino, incisivos superiores e incisivos inferiores. Não só o volume do dente, mas também a extensão da cobertura da restauração também influencia, sendo que as coroas totais apresentam maior cobertura que as parciais e dentro das parciais a tipo crown apresenta maior cobertura que a onlay, que apresenta maior cobertura que a inlay. Por fim, a adição de formas auxiliares de retenção, como sulcos, caixas e pinos, aumentam a retenção e melhora a resistência, devido ao aumento da área circunferencial, limitação de movimentos e limitação dos planos de inserção e remoção. A película de cimento está sujeita a pressões diversas que dependem da direção da força incidente. O cimento apresenta boa resistência a compressão e ao cisalhamento, mas é ruim em relação à tração. Desta forma, uma única direção de inserção e remoção, permite maior área do cimento sob ação de cisalhamento. A superfície prepara não pode ser muito polida, pois a aspereza da superfície proporciona maior imbricamento mecânico com o cimento. Na área cervical precisa de máximo detalhe, logo, deve estar lisa. Contudo, o corpo pode ter a rarunha da própria ponta diamantada. A durabilidade da restauração esta relacionada com s redução oclusal, redução axial satisfatória e reforço da estrutura. A redução oclusal deve acompanhar a inclinaçãodas cúspides, para aumentar a resistência, formar uma superfície antagônica às forças oblíquas e preservar o complexo dentinho-pulpar. A redução axial deve ser satisfatória para possibilitar reconstrução anatômica correta, devendo apresentar contornos corretos para preservar os complexo dentinho-pulpar e o periodonto. Ao fazer os preparos deve-se então ter atenção aos erros mais comuns afim de evitá-los, sendo eles: conicidade excessiva, desgaste exagerado na oclusal e axial, desgaste insuficiente, linha de término sem definição e nitidez ou incompatível com o material restaurador. Planejamento em Prótese Parcial Fixa Introdução O sucesso do tratamento em qualquer especialidade envolve o diagnóstico, o planejamento e um adequado plano de tratamento. O diagnóstico que é a descoberta de uma doença, qual o grau de comprometimento dessa doença e qual a causa ou causas dessa doença. Para isso é necessário um profundo conhecimento da normalidade do sistema estomatognático. O planejamento é a decisão de qual tipo de restauração será realizado. O conhecimento acerca dos vários tipos de restaurações existentes em prótese fixa e também dos materiais odontológicos existentes irão facilitar o planejamento. E plano de tratamento é a elaboração da sequência do tratamento em etapas, sempre com objetivo de devolver a dentição do paciente a um estado de saúde e estética. Diagnóstico Diagnóstico, segundo o dicionário Aurélio, é o conhecimento ou determinação de uma doença pelos sintomas e/ou mediante exames diversos. Porém, Tylman; Malone (1978) afirmam que diagnóstico envolve três grandes etapas: (1) Reconhecimento e identificação das condições anormais presentes na boca e sua influência na longevidade da dentição; (2) Avaliação da gravidade dessas condições anormais e (30) Determinação dos fatores etiológicos responsáveis pelas anormalidades. Para estabelecer um correto diagnóstico é necessário proceder à coleta do maior número de informações possíveis sobre o paciente e das condições médicas e dentárias pré-existentes. Essas informações são obtidas através da entrevista pessoal ou anamnese, histórias médica e odontológica, exames extra e intraoral, exame radiográfico e exame dos modelos de estudo. Dados pessoais Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 6 Obtido pelo preenchimento da ficha clínica com nome, endereço, estado civil, profissão. O estado civil pode demonstrar um paciente mais calmo ou mais preocupado com aventuras e às vezes maior preocupação com determinado objetivo do tratamento, ou seja, estética ou função. A profissão fornece importantes informações como grau de estress, capacidade financeira e algumas vezes o seu nível social e portanto a preocupação com determinado objetivo do tratamento odontológico. Entrevista pessoal ou anamnese Nesta entrevista busca-se obter informações sobre a queixa principal ou a motivação do paciente em ter procurado tratamento dentário, que pode ter sido apenas o tratamento da urgência. Sobre a queixa do paciente, deve-se deixá-lo expressar com suas próprias palavras com mínimo de interferência profissional possível, pois pequenos detalhes desse relato podem fazer grandes diferenças no diagnóstico e principalmente no planejamento e plano de tratamento. Outra informação muito importante é a expectativa do paciente quanto ao tratamento. Existem pacientes cuja expectativa é de um tratamento rápido, outros buscam resultados estéticos impossíveis de serem atingidos com as técnicas reabilitadoras existentes, nestes casos é importante que o profissional forneça uma explicação adequada sobre as limitações do tratamento protético. Nesta etapa deve-se tentar traçar o perfil psicológico do paciente, quanto maior o conhecimento melhor será o relacionamento paciente/profissional. História médica Alergias a anestésico ou a materiais devem ser destacadas na ficha do paciente. Se houver relato de alergia a algum produto odontológico deve-se evitar o seu uso devido ao risco de alguma reação mais grave como o choque anafilático. Pacientes com diabetes podem apresentar alteração na saúde gengival e dificuldade de cicatrização após cirurgias periodontais ou pós-instalação de implantes. Para esses pacientes deve-se indicar o endocrinologista para realizar controle da doença. Necessitam de alimentação em horários regulares para o controle da glicemia, sessões longas podem levar à queda da glicemia e provocar alguns problemas para o paciente e profissional. Pacientes com anemia também devem ser monitorados pois esta pode trazer manifestações no periodonto e em alguns casos sintomas que se confundem com problemas cardíacos, como palpitações, respiração ofegante após pequenos exercícios físicos, sensação de cansaço e perda de energia. Para paciente hipertensão é necessário que esteja em tratamento médico adequado para o controle da pressão arterial. Não se deve exagerar na dose de substâncias vasoconstrictoras presentes em anestésicos e em fios retratores. Alguns medicamentos como anti-histamínicos e anti-hipertensivos provocam a diminuição da secreção salivar podendo levar ao quadro de xerostomia. Essa é uma situação importante, pois a falta de saliva aumenta significativamente o índice de cárie o que pode provocar a falha precoce do tratamento. A osteoporose provoca a diminuição da massa óssea com consequente, diminuição do sucesso dos implantes. Pacientes com osteoporose, submetidos a tratamento com bifosfonatos, podem apresentar osteonecrose após a instalação dos implantes ou mesmo após ferimentos provocados pelas próteses parciais removíveis e próteses totais. História prévia de hemorragia deve ser pesquisada, principalmente naqueles pacientes com doença periodontal, onde possa ser necessário uma intervenção cirúrgica. Dessa forma, uma avaliação de saúde geral do paciente deve ser feita com a finalidade de eliminar possíveis complicações no decorrer do tratamento. História odontológica Alguns pacientes podem apresentar grandes traumas de tratamentos odontológicos anteriores malsucedidos. Outros relatam que não visitam um dentista há muito tempo, demonstrando o pouco interesse na dentição. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 7 Nestes casos, é necessário motivar o paciente sobre os cuidados da dentição e a manutenção periódica para garantir o sucesso do novo tratamento. Outro aspecto muito importante é a pesquisa de hábitos parafuncionais. Apertamento e bruxismo estão comumente associados ao desgaste dental e, possivelmente, à perda da dimensão vertical de oclusão. Em algumas situações até a condição de trabalho pode desencadear um hábito. Exame extra-oral O exame extraoral se inicia durante a entrevista inicial ou anamnese. Neste momento, o profissional observa o aspecto facial procurando detectar alterações na dimensão vertical, presença de assimetria facial, suporte labial, linha do sorriso. Também é feita uma análise da pele, sua coloração e o próprio caminhar do paciente que pode sinalizar algum problema neurológico ou mesmo futura dificuldade na manutenção do trabalho reabilitador. Faz parte do exame extra oral a palpação dos músculos da mastigação e do conduto auditivo externo na busca por sinais e sintomas de disfunção temporomandibular. Além disso, faz-se a análise facial avaliando a distribuição dos terços faciais, em especial o terço inferior, observando se houve ou não a perda da dimensão vertical de oclusão. A dimensão vertical de oclusão pode estar diminuída como resultado de atrição severa ou perda de contenção posterior, e pode estar aumentada como consequência de um tratamento restaurador inadequado. Nos casos onde a dimensão vertical de oclusão estiver diminuída, pode se encontrar um aspecto facialtípico, com redução do terço inferior da face, intrusão dos lábios, aprofundamento dos sulcos nasogenianos, acúmulo de saliva nas comissuras labiais, queilite angular, sintomatologia articular nos casos mais severos e dificuldades fonéticas. Nos casos onde houver um aumento da dimensão vertical de oclusão, pode-se encontrar uma face alongada, sintomatologia muscular decorrente do estiramento das fibras musculares, dificuldade de deglutição e mastigação, além de alteração da fala, principalmente nos sons sibilantes e contatos dentários desagradáveis durante a fala. O suporte do lábio também deve ser observado. Em alguns casos pode ser encontrada situações clínicas onde houve grande perda de estrutura do rebordo alveolar na região anterior. Neste caso o paciente dever ser alertado sobre a provável necessidade de aumento cirúrgico através de enxerto ósseo e/ou de tecido conjuntivo. Caso seja contraindicado ou o paciente não aceite passar por uma intervenção cirúrgica, pode ser feita uma gengiva artificial, que pode ser removível (resina acrílica) ou integrante da prótese fixa (porcelana). A linha do sorriso é outro aspecto a ser observado e tem uma grande importância nos casos estéticos. Alguns pacientes não mostram a região cervical dos dentes anterossuperiores ao sorrir e são classificados como portadores da linha do sorriso baixa. Outros, porém, mostram até o tecido gengival na região anterossuperior e são classificados como portadores da linha do sorriso alta e aqueles pacientes com sorriso que mostram apenas as papilas interdentais são consideradas possuir a linha do sorriso normal. Os pacientes com sorriso normal e principalmente sorriso alto que necessitem restaurações protéticas na região anterossuperior apresentam-se como casos clínicos de grande desafio estético. A necessidade de margem da restauração dentro do sulco para esconder a cinta metálica das coroas ou mesmo a interface dente-restauração, é uma situação clínica onde deve ser tomado todos os cuidados com o tecido gengival, uma vez que uma pequena recessão decorrente de injúria durante o preparo ou moldagem podem ser determinantes para o insucesso do trabalho. Exame intra-oral O exame intra-oral deve ser realizado com auxílio de boa iluminação, fio dental, espelho e explorador em boas condições, ar e água. Neste exame avaliam-se: 1- tecidos moles e a língua - em busca de alterações ou lesões, muitas vezes assintomáticas na bochecha, assoalho da boca e base da língua. A presença de alguns tipos de lesões pode mudar drasticamente o plano de tratamento. Avalia-se a condição bucal na sua totalidade. 2- movimentos de abertura/fechamento, de lateralidade e de protrusão da mandíbula – para observar a amplitude dos movimentos, a presença de possíveis desvios ou deflexões da mandíbula e a presença de ruídos na articulação temporomandibular como estalidos e/ou crepitação. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 8 3- exame oclusal – O exame da oclusão deve ser realizado de maneira estática e dinâmica, buscando avaliar o relacionamento dos dentes na arcada, assim como, entre as arcadas. Deve-se observar a presença de prematuridade oclusal na posição mandibular de relação cêntrica e o deslize cêntrico para a máxima intercuspidação habitual. Durante os movimentos de lateralidade e de protrusão, observar o tipo de desoclusão e a trajetória da guia anterior analisando as interferências oclusais nos lados de trabalho e de balanceio. É de fundamental importância identificar sinais de colapso da oclusão, como mobilidade e perda de suporte ósseo. A existência de hábitos parafuncionais podem exigir oclusais metálicas para prevenir fraturas e o uso noturno de placas estabilizadoras, para proteção da prótese quando instalada. Deve-se obter próteses com contatos bilaterais simultâneos dos dentes posteriores, posição de trabalho (RC ou MIH), guia lateral do canino, guia anterior pelos incisivos, nenhum contato oclusal do lado de não-trabalho nos posteriores e DV adequadamente mantida ou estabelecida. 4- superfícies visíveis dos dentes para cáries, alteração de cor do esmalte, facetas de desgastes, qualidade das restaurações existentes, sensibilidade dentinária, qualidade da higienização bucal do paciente, presença de placa bacteriana e de tártaro. Sempre que um dente for selecionado como pilar, deve-se avaliar a presença de cáries e restaurações, além de identificar pacientes com maior susceptibilidade à cárie, pois vários estudos relatam que a principal causa de fracassos em prótese fixa é a cárie. Muitos fatores podem ser responsáveis pela incidência de cárie, entre eles a qualidade de adaptação da restauração e o grau de higienização mantido pelo paciente. Devido às próprias limitações dos materiais e técnicas, sempre haverá uma linha de cimentação, 50 μm é considerada ótima, porém até 120 μm é considerada clinicamente aceitável. Nesse sentido, o nível do término do preparo dentro do sulco gengival assume um papel muito importante no controle da biologia do tecido gengival. Quanto mais dentro do sulco, maior a probabilidade de ocorrerem alterações nessa área, dificultando a confecção e controle da prótese. O desajuste marginal facilita a dissolução do cimento pelos fluídos bucais, ocorrendo a formação de espaços entre a margem da coroa e o preparo, o que facilita o acúmulo de placa e consequentemente o aparecimento da cárie. Também devem ser considerados o perfil de emergência e a abertura das ameias cervicais das coroas. A coroa deve emergir reta do sulco gengival, sem causar pressão no epitélio sulcular, pois a convexidade na área e o acúmulo de placa levam a inflamação gengival. Essa situação acontece em decorrência de um preparo inadequado, com desgaste insuficiente. As ameias cervicais devem propiciar espaços para a acomodação das papilas gengivais e facilitar a higienização. 5- com auxílio de sonda periodontal realizar a sondagem, de preferência, de todos os dentes para detectar presença de bolsas periodontais, áreas de sangramento gengival e regiões de molares com lesões de furca. Verificar presença de tecido gengival queratinizado, problemas mucogengivais. Um dos preceitos da reabilitação oral é que a saúde periodontal deve ser estabelecida antes do tratamento restaurador. Se o periodonto estiver inflamado, o profissional não terá referencias para a correta colocação do término do preparo, além da ocorrência de sangramento que dificultará os procedimentos operatórios, principalmente a moldagem. É fundamental a presença de uma faixa de gengiva queratinizada de no mínimo 2 mm para a manutenção da saúde gengival pós tratamento com prótese fixa. 6. Número e distribuição dos dentes remanescentes na arcada – em prótese fixa a distribuição dos dentes é mais importante que o número de dentes. Em algumas situações clínicas podem ocorrer migrações dentárias em diferentes direções e sentidos, conforme o grupo de dentes. A esplintagem visa neutralizar as forças que agem nos sentidos vestíbulolingual e mesiodistal. O ideal é que em situações extremas, no mínimo um dente de cada segmento participe da prótese, o que é mais importante do que o número de pilares existentes para ocorrer estabilidade. O sentido de movimento vestibulolingual dos posteriores (plano sagital), caninos (plano lateral) e incisivos (Plano frontal) torna-se um fator determinante no planejamento. Uma prótese envolvendo dentes pilares de 2 ou mais planos reduz o efeito da mobilidade individual de cada dente, através da estabilização ou sustentação, conhecido como Polígono de Roy. 7. área edêntula – a qualidade do revestimento gengival da área possui grande importância, principalmente, em regiões estéticas, onde os pônticos Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto- FORP/USP 9 devem apresentar formas convexas e semelhantes aos dentes naturais. Deve-se avaliar, também, a quantidade de perda óssea, a espessura e altura do rebordo, um exame preliminar para a possibilidade de instalação de implantes e posterior confecção de prótese sobre implantes. Exame radiográfico O exame radiográfico consiste de radiografias panorâmicas, periapicais, de preferência, com a técnica do paralelismo e, em algumas situações, o exame tomográfico, especialmente em casos onde a opção de tratamento for a prótese sobre implantes. Nesse exame observa-se: 1. Presença ou não de cáries, principalmente interproximais. 2. Reincidência de cáries sob restaurações pré-existentes. 3. Qualidade das restaurações protéticas existentes. 4. Integridade ou não do ligamento periodontal e da lâmina dura. 5. Presença de bolsa periodontal e/ou lesões de furca. 6. Presença de cálculo subgengival. 7. Qualidade do tratamento endodôntico. 8. Presença de lesões ósseas e/ou raízes residuais. 9. Morfologia e número de raízes dos dentes remanescentes. 10. Relação coroa-raiz. 11. Espaço biológico – espaço entre a crista óssea e a base do sulco. Exame dos modelos de estudo Os modelos das arcadas maxilar e mandibular do paciente, devidamente montados em articuladores semi ajustável na posição de relação cêntrica, constitui instrumento muito importante para a obtenção de informações para o diagnóstico e consequente elaboração do plano de tratamento. Neste exame observa-se: 1. O relacionamento dos dentes superiores e inferiores sem a interferência de lábios, 2. Bochechas e língua. 3. Presença de interferências e prematuridades oclusais nos movimentos cêntricos e 4. Excêntricos. 5. Quantidade e extensão das áreas edêntulas. 6. Presença de dentes extruídos. 7. Dentes inclinados. 8. Altura e tamanho das coroas dos dentes remanescentes. 9. O padrão das facetas de desgastes. 10. No modelo de estudo pode ser realizado o enceramento de diagnóstico, a confecção 11. De restaurações provisórias e também a elaboração de guias radiográficos e/ou 12. Cirúrgicos para casos de implantes. Planejamento e plano de tratamento Planejamento e plano de tratamento, muitas vezes, são utilizados como sinônimos. Porém, pode-se utilizar o termo planejamento para definir a restauração ou o tipo de tratamento a ser realizado. Plano de tratamento consiste na formulação de uma sequência lógica de tratamento, em etapas, com o objetivo de devolver ao paciente uma dentição saudável, funcional e estética. O planejamento correto é importante para o sucesso do tratamento, pois a execução perfeita de um procedimento impróprio ou desnecessário não será benéfica ao paciente. O tratamento com base no conceito de “ideal” ao invés de direcionado para as necessidades do paciente, na maioria das vezes, fracassará. O tratamento deve ser executado para preencher um ou mais dos seguintes objetivos: 1. Corrigir a doença ou defeito existente, 2. Prevenir doença futura, 3. Restaurar a função e 4. Melhorar a aparência. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 10 Esses objetivos podem ser alcançados com restaurações que estabeleçam o equilíbrio oclusal, que mantenham ou restabeleçam a dimensão vertical de oclusão e que devolvam estética e fonação. Além disso, as restaurações devem possibilitar higiene e autolimpeza para manter as estruturas dentais e gengivais em estado normal de saúde e possuir propriedades mecânicas que proporcionem longevidade. Todos os tipos de restaurações possuem limitações e não apresentam as propriedades da estrutura dental. Um importante fator no planejamento é entender as limitações antes de selecionar a restauração ou o procedimento adequado. Os principais tipos de restaurações em prótese fixa são: 1. Restaurações inlay e onlay metálica e estética 2. Facetas laminadas ou “lentes de contato” de resina ou de cerâmica 3. Coroas totais metálicas, metaloplásticas, metalocerâmicas e livres de metal. 4. Próteses parciais fixas convencionais. 5. Próteses parciais fixas livres de metal. 6. Prótese fixa adesiva. 7. Prótese fixa ultraconservadora. 8. Prótese sobre implantes. Seleção dos dentes pilares Na seleção dos dentes pilares vários fatores devem ser considerados: 1. Comprimento e forma da coroa clínica – quanto mais longa e volumosa for a coroa do dente maior será a capacidade retentiva das restaurações. Em casos de restaurações unitárias esse fator não é tão relevante como é em casos de próteses parciais fixas. 2. Grau de destruição coronária – como a restauração, na maioria das vezes, não reforça a estrutura dental remanescente, onde houver a destruição de 2 ou mais cúspides pode ser indicado o tratamento endodôntico e a instalação de núcleo metálico fundido ou pinos pré-fabricados com núcleo de preenchimento. 3. Comprimento e formas das raízes – quanto mais longa e irregular for a raiz de um dente pilar melhor será sua capacidade como pilar de prótese fixa. 4. Relação coroa-raiz – a relação coroa-raiz ideal é 1:2, ou seja, o comprimento da raiz clínica, que é a porção radicular inserida no tecido ósseo, deve duas vezes maior que a coroa clínica, que é a porção do dente fora do tecido ósseo. A relação mínima aceita para suporte de prótese parcial fixa é a relação 1:1. Porém, em pacientes com manutenção pós-operatória rigorosa e que mantém uma excelente higienização e extremo cuidado na mastigação podem ser confeccionados próteses parciais fixas, em condições não tão favoráveis de proporção coroa-raiz, com grande índice de sucesso. 5. Lei de Ante (1926) – diz que “as raízes dos dentes pilares devem ter uma área maior ou igual à área das raízes dos dentes ausentes”. Porém, isto nem sempre poderá ser encontrado, de modo que toda prótese parcial fixa com espaço entre os dentes pilares de mais de dois dentes ausentes, constitui-se em prótese de alto risco. Portanto, a orientação ao paciente sobre a chance de insucesso da prótese fixa e a possibilidade de outros tipos de tratamento deve ser realizada com muita clareza para que a relação paciente-profissional não seja prejudicada. 6. Saúde do periodonto – é fundamental para a manutenção da integridade e sucesso da prótese fixa, portanto, não se deve iniciar o tratamento protético sem que a saúde gengival tenha sido atingida. 7. Grau de mobilidade dental – em relação à mobilidade dental o principal é diagnosticar se a mesma é provocada por trauma oclusal ou por doença periodontal. Se após o tratamento adequado a mobilidade acentuada persistir, isso pode ser pela falta de inserção óssea e, portanto, o dente pode estar condenado e uma nova abordagem de tratamento deve ser avaliada. 8. Inclinação dental – quando é realizada a extração de um dente, o dente posterior tende a se inclinar em direção mesial. Uma inclinação de até 30 graus é aceitável para um dente pilar de prótese parcial fixa, mais que 30 graus de inclinação o dente passa a não possuir características adequadas para suportar a carga adicional exercida pelo pôntico ou pônticos. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 11 9. Saúde pulpar – todos os preparos com finalidade protética foram desenhados para dentes hígidos. Porém, é necessário um exame minucioso no dente indicado para ser pilar, pois todos os preparos protéticos exigem grande remoção de tecido dental saudável e invadem a dentina. Por isso, em regiões onde os possíveis dentes pilares se apresentem hígidos pode ser indicada a prótese sobre implante. 10. Idade do paciente – paciente muito jovem apresenta dentes com polpas amplas e pequena quantidade de dentina, por isso há necessidade de exame radiográfico preciso para saber qual a profundidade de desgaste que pode ser realizado. Em um pacienteadulto a quantidade de dentina nos dentes é maior e, portanto, na maioria das vezes pode-se realizar um preparo com dimensões mais próximas da ideal. Independente da idade do paciente o preparo dever ser realizado com pontas diamantadas novas, alta rotação em bom estado e com excelente refrigeração para que o tecido pulpar seja mantido em condições de recuperação biológica adequada. 11. Polígono de Roy – A arcada dentária apresenta dentes com diferentes direções de movimento dependendo da posição que ocupam na arcada, embora todos possuam maior movimentação no sentido vestíbulo-lingual. Os molares e pré-molares apresentam movimentação no sentido lateral, os caninos no sentido oblíquo e os incisivos no sentido anteroposterior. Assim, quando se unem os diferentes grupos dentais do lado direito e esquerdo forma-se um polígono, formado pelos dentes posteriores direito e esquerdo, pelos caninos direito e esquerdo e pelos incisivos. Quanto mais grupos dentais forem envolvidos na prótese maior será a estabilidade. Se um paciente tiver apenas um dente em cada grupo, poderá receber uma prótese parcial fixa com um bom prognóstico. Porém, a prótese sobre implante é uma excelente opção de tratamento quando o espaço edêntulo for grande. 12. Pilar intermediário – é um problema a ser considerado na seleção de dentes pilares e planejamento de uma prótese fixa. Este dente intermediário tem a tendência de atuar com fulcro, o qual transmite forças de tração aos pilares terminais, ocasionando falhas no retentor mais fraco. Uma solução nestes casos, para que não sejam criadas sobrecargas aos dentes suportes, é a utilização de conectores não rígidos que impedem a ação de fulcro no suporte intermediário. Outra opção é a utilização de dois dentes pilares e colocar no espaço edêntulo anterior um pôntico em balanço ou cantilever. Um exemplo dessa situação é quando o paciente apresenta ausências do 1o. pré-molar e do 1o molar. As opções de prótese parcial fixa neste caso seriam: 1) Prótese fixa de 5 elementos com 3 dentes pilares (canino, 2o. pré-molar e 2o. molar); 2) Prótese fixa de 5 elementos com encaixe semi-rígido na face distal do 2o pré- molar ou 3) Prótese fixa de 4 elementos com 2 pilares (2o pré-molar e 2o. molar) com o pôntico do 1o pré- molar em cantilever. A indicação de prótese parcial fixa apenas se justifica se houver indicação de coroas nos dentes pilares, senão a melhor opção é a prótese sobre implante. O grande sucesso da prótese sobre implante faz dessa técnica uma excelente opção de tratamento para pacientes parcialmente e mesmo totalmente edêntulos. Portanto, em muitas situações citadas anteriormente podem ser indicadas o uso de prótese sobre implantes. Para a instalação de implantes devem-se levar em consideração alguns fatores como: a saúde do paciente, quantidade e qualidade do tecido ósseo na área edêntula, disponibilidade de tempo por parte do paciente, pois a prótese fixa pode ser realizada em menor tempo, previsibilidade estética, pois se o implante não ficar bem posicionado o resultado estético pode ser pior que de uma prótese convencional. Independente se a prótese fixa for confeccionada sobre dente ou sobre implante, o objetivo de tratamento deverá sempre ser o restabelecimento da função mastigatória, da estética e da fonação. Prognóstico O profissional deve propor um planejamento e um plano de tratamento que ofereça um prognóstico favorável. Enquanto dentes estratégicos devam receber todos os tipos de recursos para a sua manutenção, nem todo dente suporte possui igual importância para a manutenção em longo prazo do tratamento e da saúde gengival. É difícil fazer o prognóstico correto de um tratamento, porém sua importância é fundamental para auxiliar na tomada de decisão, pelo paciente e também pelo profissional, de qual planejamento executar. Devem ser evitar planejamentos muito complexos e ouvir o desejo do paciente não omitindo as limitações, vantagens, desvantagens, além dos procedimentos demorados, cansativos, doloridos e limitantes funcionalmente. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 12 É importante lembrar que nos casos de prognóstico duvidoso ou quando o paciente não aceita uma prótese parcial fixa, existe a prótese sobre implantes que é uma excelente opção de tratamento para o edêntulo parcial. Manutenção A manutenção periódica do tratamento com prótese parcial fixa é de fundamental importância para o sucesso do tratamento. Durante estas visitas, o profissional terá condições de avaliar a capacidade de higienização do paciente, a qualidade do tecido gengival em torno dos dentes pilares e detectar de maneira precoce qualquer alteração negativa do tratamento e iniciar imediatamente as correções necessárias. Deve-se lembrar aos pacientes que as próteses fixas não duram para sempre e podem necessitar de substituição. A manutenção adequada, principalmente, por parte do paciente é fundamental para prolongar a saúde bucal e das restaurações. Preparos para coroas totais em dentes posteriores Cerâmica: apresenta a vantagem por ser estética e desvantagem ser friável. Para isso, precisa-se se um maior volume para que tenha boa resistência. Logo, isso exige um preparo maior no dente que for reabilitado. O que muda no preparo entre os dentes posteriores e anteriores é a forma do dente. Mas em qualquer que seja o dente, todas as paredes do dente devem estar preparadas (desgastadas). Logo, os preparos para coroas totais são agressivos, já que desgastam todas as paredes do dente. Desta forma, a posição e qualidade da broca determinará o sucesso do preparo e determinará o quanto do dente será desgastado. O preparo das coroas deve ser expulsivo, com as paredes convergindo para a oclusal (cônicas). E a quantidade de desgaste dependerá do material que será utilizado. As pontas diamantadas são tronco cônicas e essa conicidade da ponta dá a conicidade ideal do preparo, deixando as paredes convergentes. Por isso é importante se atender à posição da broca. Quanto desgastar na margem gengival? Isso irá depender do material que usaremos para a confecção da coroa. Para as coroas estéticas, o degrau deve ser de no mínimo 1mm. Desgastar mais ou não dependerá do que o dente permitir. Alguns livros defendem que o desgaste deve ser de 1,2 a 1,5mm, para que o desgaste seja maior, a polpa deve ser atrésica ou o dente apresentar tratamento endodôntico. Já para as coroas metálicas, o degrau deve ser de até 0,5mm, pois o material metálico muito espesso gera maior contração, podendo comprometer a adaptação da coroa. Ou seja, preparos com degrau cervical pequeno, são para coroas total metálicas, sem revestimento estético. Para restaurações estéticas, o degrau cervical deve ser maior, podendo usar cerâmica puro, metalocerâmica ou metaloplástica. Quanto desgastar na oclusal? Nas cúspides de balanceio deve-se desgastar 1mm, já nas cúspides de trabalho deve ser de 1,5mm, podendo chegar até 2mm, a depender do dente. Esse valor vale para qualquer tipo de restauração, seja ela estética ou metálica. Técnica para desgaste (silhueta): Inicialmente, deve-se definir a espessura do degrau cervical, de acordo com o tipo de coroa selecionada (estética ou metálica). A ponta da ponta diamantada é que define a forma do degrau, podendo ser em chanfro ou arredondo. Na face vestibular, posiciona a ponta diamantada em 45º com o longo eixo do dente. Nas faces proximais, posiciona a ponta diamantada paralela ao longo eixo do dente e vai invadindo a face proximal, observando a espessura do degrau de acordo com a restauração a ser confeccionada. A face palatina/lingual deve ser desgastada da mesma forma que a face vestibular. Delimita-se o contorno marginal do preparo seguindo o contorno do tecido gengival e definindo a largura do degrau de acordo com a restauração a ser confeccionada.Embaixo do degrau, deve-se deixar cera de 0,5 a 1mm de esmalte remanescente. Em seguida, parte-se para a conificação do preparo, na qual a ponta deve ser posicionada paralela ao longo eixo do dente e passar em todas as faces sempre na mesma inclinação. Logo, faz-se o desgaste da superfície oclusal acompanhando as vertentes cuspídeas. Cada cúspide apresenta uma vertente mesial e uma vertente distal que deve se apresentar no preparo. O desgaste oclusal não deve ser reto ou plano. Por fim, realiza o acabamento com brocas multilaminadas ou pontas diamantadas de granulação fina. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 13 OBS: cerâmica que não gosta de ângulo vivo. Metálica gosta. As pontas diamantadas podem ter então pontas arredondadas ou quadradas a depender do material da coroa. Coroa total metálica: As coroas totais metálicas são indicadas para dentes com extensa destruição, com muitas restaurações, com necessidade de máxima retenção e estabilidade, para melhorar contorno para PPR, para corrigir o plano oclusal e dentes malposicionados e como retentor de prótese parcial fixa. Por outro lado, está contraindicada onde não houver necessidade de retenção máxima, onde a estética for importante e onde um retentor mais conservador for viável. Suas vantagens são: alta resistência, excelente retenção, facilidade de obtenção dos contornos axiais, custo laboratorial menor e oclusão mais aceitável. Por outro lado, possui desvantagens, como: grande remoção de tecido dental, restauração antiestética, inviável o teste de vitalidade e envolvimento com o tecido gengival. Coroa total metaloplástica: As coroas totais metaloplásticas são indicadas para dentes com extensa destruição, necessidade de máxima retenção e estabilidade, melhorar contorno para PPR, corrigir o plano oclusal, corrigir dente mal posicionados, ser usado como retentor de prótese parcial fixa e onde a estética for importante. Por outro lado, são contraindicadas em casos de câmara pulpar ampla, face vestibular íntegra e onde um retentor mais conservador for viável. Suas vantagens são: excelente retenção, estética satisfatória e custo laboratorial menor que uma CMC ou CP. Suas desvantagens são: maior remoção de tecido dental que uma CTM, envolvimento gengival, a resina pode sofrer desgaste, a reina sofre alteração de cor, estética inferior que uma CMC ou CP e inviável o teste de vitalidade. Coroa total metalocerâmica: As coroas totais metalocerâmica são indicadas para dentes com extensa destruição, necessidade de máxima retenção e estabilidade, melhorar contorno para PPR, corrigir o plano oclusal, corrigir dentes mal posicionados, como retentor de prótese parcial fixa e onde a estética for importante. Por outro lado, são contraindicadas para dentes com câmara pulpar ampla, face vestibular íntegra e onde um retentor mais conservador for viável. Suas vantagens são: excelente retenção, excelente estética e a pode ser colocada na oclusal. Suas desvantagens são: maior remoção do tecido dental, envolvimento gengival, pode provocar desgaste do antagonista, pode se fraturar e é inviável o teste de vitalidade. Preparos para coroas totais em dentes anteriores: O preparo protético se fundamenta em critérios de acordo com as diferentes restaurações protéticos. Se tratar dentro desses critérios o prognóstico será previsível. Há três tipos de coroas: coroas metaloplásticas, metalocerâmica e metal free (apenas cerâmica). Para dentes anteriores, coroas com metal não são muito indicadas, devido ao comprometimento estético. O coping, corpo de metal que recebe a cobertura da cerâmica, pode ser feito de zircônia. Para coroa metaloplástica, precisamos fazer retenção mecânica no metal. Por outro lado, a coroa metalocerâmica não precisa de retenção, pois há uma união química entre o metal e a cerâmica. O retratamento protético pode ser indicado quando houver infiltração marginal, restaurações perfuradas, fraturas ou desgaste do material estético, inflamação gengival (em peças muito pesadas) ou restaurações deslocadas (quando não suporta a resistência; pode gerar infiltração). Técnica – como preparar: Para um preparo adequado, devemos conhecer o material restaurador, o dente ou área a ser preparada, a quantidade de desgaste, o diâmetro e forma das pontas diamantadas que irá determinar a quantidade e forma de desgaste. Para restaurações metálicas deve-se preparar 1mm em área de não sobrecarga e 1,5mm em área de maior esforço. Já para restaurações cerâmicas deve-se preparar 1mm em área de não sobrecarga e 1,5 a 2mm em área de maior esforço. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 14 Para o preparo usamos a modificação da técnica da silhueta, a fim de simplificar e diminuir o custo e tempo durante os preparos para coroas totais em prótese fixa. Inicia-se então com o contorno e determinação da linha de término cervical vestibular. Em seguida, desgasta as faces proximais e já realiza o contorno e determinação da linha de término cervical lingual ou palatina. Logo, determina a conicidade cervico-oclusal do preparo (6 a 10º), podendo realizar um sulco de orientação de 1 a 1,5mm na face vestibular. Os dentes anteriores são desgastados em 2 planos, o primeiro com a ponta na linha de término e inclinação de 6 a 10º, e o segundo com uma inclinação maior do terço médio ao incisal. Na face palatina tenho cíngulo e a concavidade. Após desgastar o cíngulo, devo desgastar a concavidade com a ponta de pera. Finalmente, faz-se a adequação da face incisal, sendo 1 a 1,5mm, dentes superiores voltados para a face palatina e dentes inferiores voltado para a fase vestibular. O desgaste na face incisal permite uma espessura maior de material, obtendo translucidez e naturalidade. Os caninos ficam com a superfície desgastada em forma de ponta da lança, enquanto em incisivos a incisal fica plana. O preparo fica bom quando não tem retenção ativa olhando por oclusal. Para o acabamento do preparo, deve-se remover prismas de esmalte sem suporte da margem cervical, checar a presença de retenções ativas e arredondar ângulos externos. Preparos parciais metálico e estético Coroas parcial 4/5 Coroa parcial é uma restauração extracoronária que recobre partes da coroa clínica de um dente. Considerando que o dente tem 5 faces (mesial, distal, vestibular, palatina/lingual e oclusal/incisal), 4 delas serão preparadas. Normalmente, todas as faces axiais ficam envolvidas pela restauração, exceto a vestibular. O deslocamento vestíbulo lingual da restauração é impedido por sulcos ou caixas confeccionados nas faces proximais e oclusais dos dentes. Este tipo de restauração é indicado para dentes com coroa clínica volumosa de comprimento médio ou longo, dentes com superfícies vestibulares íntegras, que não seja necessário alteração do contorno axial e que seja suportado por estrutura dental saudável, quando não houver discrepância entre a orientação axial do dente e a trajetória de inserção e remoção da prótese parcial fixa, para restaurar a guia anterior e esplintar dentes anteriores. Por outro lado, é contraindicada para dentes curtos, dentes sem vitalidade, principalmente anteriores em razão da falta de estrutura dental para preparos dos dispositivos de retenção, pacientes com elevado índice de cárie, dentes com destruição extensa, dentes com alinhamento desfavorável com a trajetória de inserção e remoção da prótese parcial fixa, dentes com cáries cervicais extensas, dentes bulbiformes, dentes muito estreitos no sentido vestíbulo lingual e para prótese fixa com espaço anodôntico muito longo. Suas vantagens estão relacionadas à preservação da estrutura dental saudável, permitir fácil acesso às margens para acabamento (dentista) e limpeza (paciente), visto queas margens são supragengivais, apresentar menor envolvimento gengival que as coroas totais, permitir maior facilidade para o escoamento do cimento e com isso um melhor assentamento da restauração, permitir maior facilidade para a verificação do completo assentamento da restauração e permite o teste de vitalidade pulpar (elétrico e térmico), pois apresenta uma face intacta. Por outro lado, suas desvantagens estão relacionadas com o fato de possuir menor capacidade retentiva que uma coroa total e de resistência, o ajuste da trajetória de inserção é muito limitado, sempre vai ocorrer alguma exposição de metal, fazendo com que a restauração não seja totalmente estética (a menos que seja metal free), o preparo de caixas, sulcos e/ou perfurações exigem muita habilidade por parte do operador e não é indicada em dentes sem vitalidade pulpar. Para o preparo, deve-se posicionar a ponta diamantada paralela ao longo eixo do dente, tanto no sentido vestíbulo-lingual quanto no sentido mesio-distal. Inicia pelo preparo da caixa oclusal de pelos menos 1/3 da distância vestíbulo-lingual, com profundidade de cerca de 1,5mm. Em seguida, prepara as caixas proximais, formando um degrau cervical de cerca de 1mm e se estendendo para cervical até liberar o contato com os Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 15 dentes proximais com uma ponta diamantada mais fina. Logo, desgasta a vertente interna da cúspide vestibular cerca de 1mm e a vertente interna da cúspide palatina em 1,5mm. Faz um biselamento da cúspide de trabalho, acompanhando o formato da cúspide palatina dos superiores. Nos dentes inferiores deve-se fazer um degrau no terço da face vestibular para proteger a cúspides vestibular, já que ela é uma cúspide de trabalho. Ou seja, é igual ao do superior descrito anteriormente, com degrau oclusal. Em seguida, defini o degrau cervical em até 0,5mm ao nível do contorno gengival, tanto na palatina como nas proximais e conifica as cúspides palatinas, conicidade de 6 a 10 graus. As paredes externas convergem para a oclusal e as paredes interna divergem para oclusal. Tanto o grau de convergência quanto o de divergência é dado pela inclinação da ponta que deve ser posicionada paralela ao longo eixo do dente. Antigamente se fazia coroa 7/8, geralmente deixa apenas a cúspide mesiovestibular sem preparo. Onlay A onlay é uma restauração tipo MOD modificada, onde toda a superfície oclusal é recoberta pelo material restaurador, que pode ser metálico ou estético. Em uma restauração metálica fundida intracoronária (inlay) ou restauração de amálgama não existe a proteção das cúspides. Essas restaurações podem atuar como cunhas levando a fratura das cúspides. Enquanto uma determinada força aplicada sobre uma inlay pode levar à fratura do dente a mesma força aplicada sobre uma restauração onlay é dissipada sobre uma grande área com menor capacidade destrutiva. Logo, uma das vantagens da onlay é a melhor distribuição de forças da mastigação. Esta restauração é indicada em casos de dentes fraturados com cúspides vestibular e lingual intactas, restaurações MOD com istmos largos e dentes posteriores tratados endodonticamente com boas estruturas vestibular e lingual (o acesso para o tratamento endodôntico enfraquece estruturalmente o dente e a coroa devem ser protegidos após o tratamento). Pode-se iniciar o preparo pela redução oclusal com 1,5mm de espaço interoclusal na cúspide de trabalho e 1,0mm na cúspide de balanceio. Faz-se sulcos de orientação e a redução deve ser realizada acompanhando as vertentes cuspídicas. Utilizando uma ponta diamantada faz-se um bisel amplo nas vertentes externas da cúspide de trabalho para garantir volume adequado de material. Esse bisel acompanha a inclinação das cúspides no arco oposto, estendendo-se do sulco central da face mesial ao sulco central da face distal. Em seguida faz-se as caixas oclusal e proximais e como o desgaste oclusal já foi realizado a profundida é menor cerca de 1,0mm. A seguir confecciona-se um degrau de cerca de 1,0mm de largura no terço oclusal da cúspide de trabalho. Por fim, com uma ponta diamantada mais fina, faz-se a separação dos dentes vizinhos. Onlay estética São restaurações confeccionadas em cerâmica ou resina composta e que são cimentadas com cimentos resinosos nos dentes preparados, que nada mais é que uma resina composta, para qual devemos preparar o dente com ácido e adesivo. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 16 A onlay estética esta indicada quando o paciente ou dentista exige estética, seja para cavidades pequenas ou grandes; quando o paciente é alérgico a algum tipo de metal; quando o paciente já possui dentes antagonistas em cerâmica; quando os dentes apresentam um remanescente dentinário saudável; para dentes com tratamento endodôntico que apresentem estrutura dentária remanescente adequada; e para paciente com boa higiene oral. Por outro lado, está contraindicada para pacientes com hábitos parafuncionais severos; impossibilidade de manter o campo operatório seco, principalmente durante o ato da cimentação; presença de margens subgengivais; quando o paciente necessita de tratamento ortodôntico; e para pacientes com péssima higiene oral. Suas vantagens são: alta capacidade estética; saúde periodontal, principalmente nas restaurações confeccionadas em cerâmica; alta resistência à abrasão de cerâmica; boa radiodensidade o que permite a sua visualização através do exame radiográfico; presença de baixa condutibilidade térmica; grande estabilidade de cor principalmente a restauração de cerâmica; e capacidade de restabelecer a resistência do dente após o preparo de uma MOD ao do dente hígido. Todavia, possui desvantagens como: custo mais elevado; fragilidade da restauração de cerâmica antes da colagem; dificuldade da obtenção de contatos proximais, principalmente com a cerâmica; a qualidade estética depende da habilidade do técnico laboratorial; e técnica de adesão da restauração é muito sensível. O preparo das onlays estéticas são levemente diferentes da restauração metálica. O grau de conicidade é mais acentuado e todos os ângulos são arredondados, inclusive os internos. A cerâmica feldspatica é mais friável, desta forma, o preparo deve ser mais expulsivo, ou seja, conificação maior, de 15 a 20º. O espaço interoclusal nas caixas oclusais deve ser de 1,0 a 1,5mm. Na caixa proximal, o degrau cervical deve ser também de 1,0 a 1,5mm para que a cerâmica suporte a carga oclusal. A extensão cervical do preparo deve permitir acabamento adequado tanto do preparo quanto da restauração e permitir isolamento absoluto. Deve-se evitar que o contato oclusal ocorre na interface dente-restauração, pois pode ocorrer a fratura da restauração. No recobrimento das cúspides deve-se obter volume suficiente de cerâmica para resistir às forças de mastigação, sendo 1,5 a 2,0mm nas cúspides de trabalho e de no mínimo 1,0mm nas cúspides de balanceio. Facetas estéticas – laminados São facetas confeccionadas em cerâmica ou em resina composta e que são fixadas sobre os dentes com uma resina composta como agente cimentante (colagem). Normalmente são confeccionados apenas na face vestibular dos dentes. São indicadas para dente ou dentes com alteração de cor, com defeitos no esmalte, com múltiplas restaurações, com anomalia de forma (conóides), dentes malposicionados e para fechamento de diastemas. E todas essas alterações devem estar em um paciente com boa higiene oral. Por outro lado, são contraindicadas para pacientes com hábitos parafuncionais severos, com mordida cruzada, mordida em topo-a-topo, dentes que não apresentam esmalte, embora essa contraindicação está minimizada porque podemos utilizar os adesivos dentinários para obteruma boa adesão da restauração com a superfície dentinária e para pacientes com péssima higiene oral. Suas vantagens são: alta qualidade estética, excelente capacidade de adesão com a estrutura dental (esmalte ou dentina), saúde periodontal uma vez que os preparos devem ser ao nível ou levemente supragengival e pela alta biocompatibilidade da cerâmica, alta resistência à abrasão da cerâmica e das resinas compostas de última geração, ausência de absorção de fluídos pela cerâmica e o preparo para esse tipo de restauração é bastante conservador. Por outro lado, suas desvantagens são: é uma restauração que exige um tempo maior para sua confecção, a cerâmica apresenta grande dificuldade para reparo quando houver uma fratura, apresenta algumas dificuldades técnicas para sua confecção; devido a friabilidade da cerâmica esta restauração é muito frágil Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 17 antes da colagem no dente preparado, já a faceta de resina composta apresenta-se mais resistente antes da colagem; as facetas laminadas apresentam um custo mais elevados principalmente em relação às resinas compostas diretas. O preparo é realizado em 3 planos, com todos os ângulos arredondados e com uma profundidade que varia de zero a 1,0mm, envolvendo toda a face vestibular do dente e se estendendo até levemente aquém do ponto de contato. Porém em dentes com grandes alterações de cor pode ser necessário levar o preparo até a face lingual, rompendo o ponto de contato. Teoricamente, deve-se deixar um V de separação entre um dente e o outro para saber onde começa um dente e termina o outro. Pode-se usar o mockup para orientar o preparo do dente Quanto a localização da margem gengival o preparo pode ser: intrasulcular, ao nível da gengiva marginal e supragengival. Deve-se evitar o preparo intrasulcular pois este tipo de preparo irá dificultar demasiadamente a colagem da restauração, o que pode levar ao fracasso do trabalho. O preparo pode terminar em degrau de 90 graus ou em chanfro. A indicação depende da preferência do profissional, porém o término em chanfro apresenta uma vantagem estética, pois a restauração termina gradativamente o que permite uma melhor combinação da cor. O ideal é que o laminado seja feito só em esmalte, já que a adesão na superfície de esmalte é muito mais eficiente que na dentina. Apesar de que atualmente há materiais que permitem uma boa adesão na dentina. Se o objetivo for apenas mudar a forma do dente, muitas vezes não há necessidade de fazer preparo no dente. Contudo, se o objetivo for mudar a cor de um dente escurecido, devemos desgastar mais. Os materiais mais utilizados para confecção das facetas são: resina composta, cerômero (resina com características diferentes de polimerização) e cerâmica (feldspática ou dissilicato de lítio). A profundidade do material pode ser de 0,3 a 0,9mm. Dependendo da situação clínica e do substrato dental, o preparo da faceta laminada pode envolver a incisal e confeccionar um contra-bisel do lado lingual ou palatino (A); apenas desgastar a borda incisal em até 2mm (B) ou deixar sem preparo na borda incisal (C). Moldagem em Prótese Parcial Fixa Moldagem é o ato de selecionar, manipular, inserir o material de moldagem em uma moldeira, posicioná-la na boca do paciente e mantê-la imóvel até a completa reação do material e em seguida, removê-la. Molde ou impressão é reprodução negativa da superfície a ser copiada. Modelo ou reprodução positiva se obtém pela modelagem ou vazamento do molde, geralmente em gesso, materiais refratários ou resina epóxica. Materiais de moldagem O material de moldagem utilizados podem ser anelástico, sendo a godiva, pasta de óxido de zinco e eugenol, gesso e ceras; ou elásticos, tendo os hidrocoloides reversíveis e irreversíveis (alginato) e os elastômetros, sendo os polissulfetos, poliéter, silicona de adição e silicona de condensação. Esses materiais de moldagem devem preencher alguns requisitos desejáveis, como: odor e gosto agradáveis, biocompatibilidade, vida útil adequada, bom custo/benefício, manuseio fácil sem equipamentos, tempo de presa adequado, consistência e textura satisfatórias, propriedades elásticas adequadas, resistência à fratura ou rasgamento, estabilidade dimensional, compatibilidade com outros materiais, precisão no uso clínico e fácil desinfecção. Além do material, a execução de uma boa moldagem depende de três requisitos básicos: extensão do preparo dentro do sulco gengival, nitidez do término cervical e saúde do tecido gengival. A extensão subgengival do preparo deve preservar a saúde periodontal, pois a presença de inflamação gengival com Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 18 sangramento e exsudato inflamatório impede a obtenção de moldes precisos. Além disso, a maioria dos materiais de moldagem apresente alteração de suas propriedades na presença de umidade, o que resulta em dificuldades técnicas para a obtenção de um bom molde. O término cervical deve ser liso, polido e bem definido, para que possa ser copiado em seus detalhes durante a moldagem. As coroas provisórias devem ser bem adaptadas e ter contornos corretos, para manter a saúde gengival. Para uma boa moldagem, devemos selecionar adequadamente a moldeira, devendo ser resistente e rígida; aplicar o adesivo; misturar de forma homogênea e uniforme o material, preenchendo todas a moldeira com ele; verificar se o molde não apresenta nenhuma bolha, falha, rasgo, superfície rugosa ou exposição da moldeira; deve haver uma boa união entre o material pesado e o leve e boa resistência de união entre o material de moldagem e a moldeira; por fim, deve-se informar ao técnico sobre o material de moldagem utilizado. O ALGINATO possui desvantagens, como: estabilidade dimensional ruim alterada pela temperatura e umidade; requer vazamento imediato; possui propriedades elásticas moderadas e baixa resistência à fratura ou rasgamento, sendo ruim para áreas retentivas; incompatibilidade com materiais para moldagem; baixa reprodução de detalhes. Por outro lado, possui vantagens, como: odor e gosto agradáveis; biocompatibilidade; bom custo/benefício; manuseio fácil, sem equipamentos; tempo de presa de 3-4min; tempo de trabalho de 2- 3min; e fácil desinfecção. A moldagem em alginato pode ser usada para se obter: modelo de estudo, modelo antagonista, moldagem de transferência e coroas provisórias. Os POLISSULFETOS OU MERCAPTANAS é um material pouco utilizado atualmente. Era mais utilizado para moldagem de trabalho com casquetes de resina. Sua apresentação é feita em bisnagas. Há três tipos de consistências: baixa (seringa), regular e alta (moldeira). Possuem desvantagens, como: odor desagradável; necessidade de uso de moldeira individual e adesivo; tempo de presa longo de 7-10 min; presença de água como subproduto; alteração dimensional; vazamento do gesso imediato; e manchamento de roupa. Por outro, possuem vantagens, como boa reprodução de detalhes; baixo custo; alta resistência ao rasgamento; e tempo de trabalho longo de 4-6min. A apresentação da SILICONA DE CONDENSAÇÃO é feita em potes e bisnagas, apresentando consistência leve e pesada. Possui desvantagens como a formação de subproduto, sendo álcool etílico; baixa estabilidade dimensional; requer vazamento imediato; baixa resistência ao rasgamento; período de armazenamento curto; possui octoato de estanho (reação eczematosa); e gera manchamento de roupas. Por outro lado, possui vantagens, como: odor mais agradável; tempo de trabalho e tempo de presa suficientes; boa resistência ao rasgamento; boa recuperação elástica; boa reprodução de detalhes; fácil remoção e pode ser usado com moldeiras de estoque. A SILICONA DE ADIÇÃO possui desvantagens, como liberaçãode hidrogênio, sendo necessário aguardar 1h para vazamento a fim de evitar porosidades no gesso; pode apresentar dificuldade de remoção da boca; possui um alto custo e vida útil curta. Por outro lado, possui vantagens, como tempo de presa curto; facilidade de manipulação; boa resistência ao rasgamento; excelente reprodução detalhes; excelente estabilidade dimensional; baixa deformação permanente; o vazamento pode ser feito em até 1 semana; pode ser feito um 2º vazamento sem perda de qualidade; odor agradável; não é tóxico e nem irritante. O POLIÉTER possui desvantagens, como: apresentar elevada rigidez; remoção difícil; hidrofílico, isto é, pode absorver água; necessidade de moldeira individual; e pode provocar alergia devido a presença de éster sulfônico. Por outro lado, possui vantagens, como: não há subproduto; excelente estabilidade dimensional; vazamento em até 1 semana; permite um segundo vazamento; boa resistência ao rasgamento; facilidade de uso; boa recuperação elástica e é menos hidrofóbico. Modelos utilizados em PPF Os modelos utilizados em PPR são: modelo de estudo, modelo de relacionamento, modelo de trabalho/troquel, troquel isolado e modelo de transferência. O MODELO DE ESTUDO é a réplica do estado inicial da arcada, sendo então o modelo inicial. Pode ser feito em gesso tipo III ou IV e moldado em alginato. Este modelo deve ser montado em ASA com auxílio de um arco facial e registro em cêntrica, para que seja estudada a relação entre os dentes, espaços protéticos, oclusão e a partir daí seja feito o planejamento inicial. Neste modelo, podemos fazer o enceramento diagnóstico, a fim Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 19 de passar o orçamento do caso e esclarecer ao paciente o planejamento. Por meio dele, também é possível confeccionar a moldeira individual e os provisórios. O MODELO DE RELACIONAMENTO é a réplica da arcada após o preparado dos dentes. Pode ser feito em gesso tipo III ou IV e moldado em alginato. Também deve ser montado em ASA em máxima intercuspidação habitual (MIH). Após o início do enceramento no troquel, o modelo de relacionamento serve para esculpir os contornos axiais (vestibular, lingual e proximais) e para obter os contatos oclusais e proximais. O MODELO DE TRABALHO é a réplica dos dentes preparados, feito para execução dos trabalhos laboratoriais. Para se obter este modelo, a moldagem deve ser feita com silicona de condensação ou silicona de adição. O modelo deve ser vazado com gesso tipo III ou IV. Deve ser montado em ASA por meio da MIH. Para trabalhos laboratoriais, pode-se serrar troqueis removíveis isolados, nos quais serão feitos o enceramento e adaptação cervical. De volta ao modelo de relacionamento, são feitos os contornos axiais, interproximais e interoclusais. O MODELO DE TRANSFERÊNCIA é o modelo para o qual as estruturas metálicas foram transferidas ou arrastadas. É nele que haverá o coping ou estrutura metálica, para aplicação da parte estética. Técnicas de moldagem para obtenção do troquel ou modelo de trabalho: As técnicas de moldagem são: técnica do casquete, técnica da moldeira individual, técnica da dupla impressão ou reembasamento, técnica da dupla mistura, um só tempo e técnica da moldagem tripla. É feita moldagem do dente preparado, que muitas vezes está em torno de 0,5mm dentro do sulco gengival. O ideal é que na moldagem seja possível copiar esse pedaço do dente dentro do sulco gengival sem preparo (0,3mm + 0,5mm do degrau = 0,8mm de cópia intrasulcular). Para isso, a gengiva deve estar totalmente saudável, sendo ideal o biotipo gengival espesso. Logo, o ideal é que haja cópia de um mínimo de 0,3mm de dente, cervical à linha de término, é uma informação fundamental para a elaboração de restaurações indiretas. TÉCNICA DO CASQUETE: É uma técnica atraumática, simples, barata, precisa, confiável, segura e indolor. Proporciona grande conforto para o paciente pois moldamos individualmente cada dente além de não necessitar anestesia e nem a utilização de fio retrator. O afastamento gengival obtido pela técnica do casquete é apenas mecânico e o epitélio juncional e a inserção conjuntiva não são afetados, promovendo dessa maneira mínima ou nula recessão gengival. A técnica do casquete é extremamente útil para os casos de tecido gengival fino. O casquete, normalmente, é confeccionado em resina acrílica, podendo ser realizado de várias maneiras: pela técnica do pincel, técnica da bolinha, direto na boca e pela técnica da duplicação da coroa provisória. Técnica direta: Inicia manipulando a resina autopolimerizável em um pote de dappen com o auxílio de espátula 7. Faz um rolete com essa resina e adaptar sobre o dente preparado, previamente umedecido com água para evitar aderência da resina. O formato deve envolver o dente preparado, seguindo seu longo eixo e deve possibilitar sua apreensão pelo operador. Retira da boca do paciente e coloca em um recipiente com água para o término da polimerização da resina. Com fresa de tungstênio de corte transversal realizar o desgaste externo do casquete eliminando os excessos, deixando as superfícies retas, exceto na face vestibular do casquete que terá uma depressão para identificar o lado vestibular do casquete e facilitar os procedimentos de ajuste e moldagem. Retorna o casquete sobre o dente preparado e verificar a adaptação inicial. Com a fresa de tungstênio, alivia o interior do casquete, em profundidade pela inserção da fresa no sentido do longo eixo e em largura pela inclinação da mesma em direção à borda do casquete, criando espaço adequado para o reembasamento com resina acrílica Duralay. Verifica a adaptação do casquete no dente preparado. A resina deve ser manipulada com quantidade de monômero suficiente para obtenção de adequado molhamento dos grânulos e uma mistura com consistência uniforme. No início da fase fibrosa, com a superfície ainda brilhante (nesta fase há uma melhor adesão da resina recém manipulada com a já polimerizada), é levada ao interior do casquete, além das suas bordas. Em seguida, após breve inserção e remoção do conjunto casquete/resina em água, manipula-se a resina inserida no casquete até a fase plástica quando não há desprendimento de fibrilas de resina quando então o conjunto é levado ao dente preparado. A inserção do casquete é realizada em várias etapas, com compressão dos excessos contra o sulco gengival: a primeira Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 20 etapa vai até o terço médio do dente preparado em trajetória retilínea seguindo o longo eixo, os excessos de resina são manualmente comprimidos na direção do sulco gengival e nas faces proximais com o auxílio de espátula 7, na segunda etapa, faz-se uma outra compressão associada a movimentos rotacionais, para que o casquete se adapte ao preparo. Aguarda a fase borrachóide da resina acrílica, remove do dente e imerge o conjunto em água fria. Observa se houve a penetração da resina no sulco gengival verificada pela presença de resina além da margem do preparo, na forma de borda afilada. No entanto, se a borda estiver arredondada, o molde estará inadequado e deve-se repetir a operação de reembasamento. Posiciona a fresa de tungstênio na superfície externa do casquete, seguindo o longo eixo do preparo, desgastando os excessos ao nível da borda afilada. Realiza o alívio interno com broca de aço esférica números 6 ou 8: o diâmetro da broca na porção oclusal ou incisal do casquete e nas paredes laterais ou axiais deve ser ½ do diâmetro, sem interferir na borda afilada. Verifica o aspecto interno final do casquete com espaço adequado para o material de moldagem. Verifica a adaptação do casquete na boca que não pode travar no dente. Caso isso ocorra, significa que há excessos na borda afilada,devendo ser removidos internamente ou no comprimento da borda. A moldagem é feita com poliéter. Para isso, deve-se passar adesivo nas bordas externas e no interior do casquete e, aguardar o secamento. Dosar as pastas base e catalisadora, proporcionalmente em mesmo comprimento, e espatular. Inserir o material de moldagem, gradativamente, para evitar inclusão de bolhas de ar no interior do casquete, até acima da borda. Seca a região a ser moldada. Leva o conjunto casquete/poliéter no dente preparado e manter em posição sob leve pressão. Após o tempo recomendado pelo fabricante, remover o conjunto e analisar o molde. Plastificar parte de uma lâmina de cera 7 e envolver o casquete e o material de moldagem, formando um dique para conter o gesso tipo IV a ser vazado e assim, obter o troquel. Técnica do pincel: Esta técnica é realizada sobre modelo gesso. Deve delimitar uma linha demarcatória traçada em torno do dente cerca de 2mm acima do término do preparo. Nesta região, goteja cera dentro criando uma superfície de alívio. Isola o modelo com cel-Lac ou vaselina. Prepara dois potes dappen: um com pó outro monômero. Molha o pincel no monômero e depois no pó e vai depositando sobre o preparo. Deve-se tomar cuidado para que a resina não escoa para o término do preparo. Vai fazendo em poucas porções até que o casquete fique pronto. Por fim, faz o acabamento e polimento e a moldagem. Técnica da bolinha de resina acrílica: Deve-se proporcionar e manipular a resina acrílica, fazer uma bolinha e adaptar sobre o dente preparada, adaptando bem na cervical dando formato de casquete. O modelo deve estar isolado com cel-Lac ou vaselina. Por fim, faz o acabamento e polimento e a moldagem. Técnica da duplicação da provisória: Quando há uma coroa provisória adequada, pode-se duplicá-la. Para isso, manipula o alginato, coloca no dappen e insere a provisória no dappen dentre do alginato. Após a presa do alginato, usa um instrumento como alavanca para remover a coroa provisória. Após a remoção, fica a impressão das partes interna da provisória. Manipula a resina acrílica e verte sobre as impressões. Por fim, faz o acabamento e polimento e a moldagem. TÉCNICA DA MOLDEIRA INDIVIDUAL A moldeira individual confecciona da em resina acrílica autopolimerizável deve apresentar algumas características, como: (1) devem ser rígidas, com espessura suficiente para ter resistência à deformação, principalmente de retirada; (2) deve possuir cabo ou saliência onde encaixam-se os dedos para realizar a tração de retirada; (3) deve possuir extensão adequada, sendo metade dos dentes adjacentes ao dente preparado e 3mm além da margem cervical vestibular e lingual; (4) adaptação periférica da moldeira ao modelo é necessária e importante para que o material não extravase por esta região, facilitando a inclusão de bolhas de ar (um dos fatores principais de falha de moldagem) e para que funcionem como pontos de referência para o assentamento máximo da moldeira. Para obtenção da moldeira, deve-se inicialmente colocar cera rosa com isolante ou papel alumínio sobre a área da confecção da moldeira para obter um alívio para o material de moldagem, devendo deixar uma borda de 1mm. Em seguida, manipula a resina e coloca em posição (no modelo), fazendo uma pressão na região Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 21 superior para obter uma “pega” da moldeira. Após a remoção da moldeira, remove o alívio em cera, faz o acabamento, removendo os excessos até o limite pré-definido. Estando pronta, faz a prova na boca do paciente, se estiver tudo certo, passa-se adesivo na moldeira, para que haja aderência do material de moldagem. Antes de moldar, deve-se verificar se é necessário realizar o afastamento gengival. Primeiro, injeta no sulco o material de moldagem selecionado e logo após leva a moldeira carregada em posição, para comprimir o material de moldagem na região de dente preparado. Aguarda a presa e remove da boca, por meio das concavidades. Lava e desinfeta o molde; em seguida vaza o gesso. TÉCNICA DA DUPLA IMPRESSÃO OU REEMBASAMENTO Inicialmente realizamos o afastamento gengival pela técnica do fio duplo, o qual deve permanecer por 5min. Em seguida, realiza a manipulação da silicona de condensação com as mãos por aproximadamente 30 segundos, até que se obtenha massa homogênea e de coloração uniforme. O material deve ser acomodado na moldeira e levado à boca até que se tenha a presa. Após obter a presa, remove a moldeira, faz a lavagem e desinfecção. Em seguida deve realizar o alívio do molde com instrumento cortante ou rotário para criar espaço para o material de moldagem leve. Manipulamos então o material de moldagem leve, sendo que parte deve será levado com uma seringa direto no sulco gengival após remoção do fio afastador e o restante irá moldeira na região de alívio. Esta técnica possui as vantagens de exigir um único operador, uma vez que é uma técnica fácil de maior previsibilidade. Por outro lado, possui as desvantagens de exigir um maior tempo, confecção de alívio e maior quantidade de material. Possui, então, dois passos e duas consistências. TÉCNICA DA IMPRESSÃO ÚNICA OU SIMULTÂNEA (TÉCNICA DA DUPLA MISTURA) Inicialmente é feito o afastamento gengival do dente preparado pela técnica fio duplo. Em seguida, manipula o material, insere na seguinte, remove o fio e insere o material no sulco do dente preparado e em todo ele. Deve- se jogar um jato de ar para melhor inserção no sulco. Logo, carrega a moldeira com o material pesado e sobre ele uma camada de material de leve, e leva à boca do paciente. O molde deve reproduzir os detalhes dos dentes preparados, como o término do preparo, os dentes não preparados e o tecido mole. Esta técnica então usa apenas um passo de moldagem, mas com material de duas diferentes consistências. Suas vantagens são: menor tempo de trabalho, apenas uma inserção de moldeira e economia. Suas desvantagens são: exige um treinamento do operador com o auxiliar, é uma técnica mais sensível e com resultados menos previsíveis. TÉCNICA DA MOLDAGEM TRIPLA: Tem como desvantagem o fato de a moldeira ser flexível. Para moldagem, utilizamos o material leve. Ao fazer o gesso sobre o molde, pode-se colocar um pino para troquel. Para isso, coloca-se dois alfinetes na área correspondendo à superfície oclusal do dente de interesse e sobre ele apoio o pino. Deve isolar com vaselina a parte superior do pino e a parte inferior vai ficar retida no gesso IV. Afastamento gengival: técnica e cuidados O afastamento gengival é um procedimento clínico de extrema importância, uma vez que facilita o processo de moldagem e a obtenção de modelos de trabalho precisos, importantes para a elaboração dos trabalhos laboratoriais. Muitas vezes a região do término do preparo pode estar muito próxima ao término gengival, dificultando a acomodação do material de moldagem. Logo, o afastamento gengival auxilia na moldagem. Tendo o tecido gengival como referência, os preparos podem ser classificados como (1) Intrasulculares, (2) Ao nível gengival e (3) Supra gengivais. Do ponto de vista periodontal, o ideal é que os términos sejam supra gengivais ou ao nível gengival, pois facilitaria a higienização da interface dente/prótese. Porém, a grande porcentagem dos preparos tem seus limites intrasulculares, seja por exigência estética ou outras circunstâncias que acometem essas regiões, como por exemplo: lesões de cárie. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 22 O término do preparo é considerado uma área nobre, porque a adaptação da peça protética está relacionada com a saúde periodontal, com o vedamento de possíveis infiltrações, de lesões de cárie e perda da retenção. Para que a restauração protética seja adequadamente adaptada ao dente pilar,é necessário que a moldagem seja precisa. Copiando a área nobre com exatidão. Assim, o técnico em prótese dentária terá em mãos modelos fiéis. O cirurgião-dentista deve criar um espaço físico entre o dente e a margem gengival que possibilite o escoamento e a inserção adequada do material de moldagem nesta região. Esse espaço físico é obtido por meio do afastamento gengival. Cada técnica de afastamento gengival tem características, alcance clínico e limites próprios. Deve-se considerar em cada técnica as repercussões no conforto do paciente no tras e pós-operatório, risco a saúde gengival e risco de recessão gengival permanente, principalmente em áreas estéticas. O afastamento gengival é, então, deflexão da gengiva marginal para longe do dente. Há o afastamento horizontal e vertical. O afastamento horizontal é responsável pela integridade e resistência à distorção e fratura do material utilizado na moldagem. O afastamento vertical permite a exposição da porção apical abaixo da linha de término, facilitando moldagem e o trabalho protético. Por que fazer o afastamento gengival? A impressão ou moldagem das margens do preparo é de fundamental importância para o sucesso da restauração protética. Para proceder à moldagem (moldagem de excelência) deve-se expor, ter acesso e isolar as margens dos dentes preparados. Os preparos intra-sulculares, indicados em áreas estética, quando há lesões cáries ou erosões que tenham atingido esse limite, coroas clínicas curtas e coroas estéticas, dificultam os procedimentos de moldagem devido ao difícil acesso do material de impressão no interior do sulco gengival, devido a presença do fluido intrasulcular e o potencial hemorrágico da mesma. Esses fatores são incompatíveis com a natureza hidrofóbica da maioria dos materiais de moldagem. Desta forma, os objetivos do afastamento gengival são: (1) permitir o afastamento lateral e vertical dos tecidos do sulco gengival, expondo as margens do preparo, sem provocar modificações permanentes ou menos comprometendo da saúde do periodonto; (2) permitir o acesso do material de moldagem às margens do preparo dental; (3) criar um espaço mínimo para espessura e resistência do material de moldagem durante a sua remoção; (4) controlar o fluido gengival e sangue. OBS: se a margem do preparo estiver localizada supragengival não haverá necessidade de afastamento gengival. Os métodos de afastamento gengival podem ser classificados em (1) Mecânico, (2) Mecânico-químico e (3) Cirúrgico, por meio da eletrocirurgia, curetagem gengival rotatória e laser. Método Mecânico: É a movimentação física dos tecidos gengivais, afastando-se dos dentes ou das margens dos preparos para permitir visualização e acesso para procedimento. São eles (1) o uso do fio retrator, (2) o uso do casquete de resina acrílica e (3) a matriz injetável ou inerte. Casquete de Resina Acrílica: Os casquetes de resina acrílica não causam desconforto, permitem a confecção de modelos de trabalho precisos, possui resultados clínicos muito satisfatórios e apresenta menor potencial traumático, isto é, a força exercida pela resina acrílica fluída dentro do sulco gengival não é suficiente para romper o epitélio juncional e a inserção conjuntiva. O casquete é feito inicialmente com resina rosa. Em seguida deve ser reembasado com resina dura lay. Ao remover, devemos olhar se foi bem feita, sendo que deve ser possível visualizar uma fina de camada de dura lay que representa o sulco gengival. Por fim, deve-se remover o excesso de resina e fazer o acabamento. Fio retrator: Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 23 O fio retrator é inserido no interior do sulco, promovendo o alargamento do sulco e alongando mecanicamente as fibras periodontais circunferenciais. O fio colocado no sulco deve estar visível em toda sua extensão e inserido com leve pressão usando instrumento de ponta romba dentro do sulco, afastando a gengiva. Esta técnica possui algumas desvantagens, como: desconforto, exigindo algumas vezes anestesia; traumas no periodonto, quando a técnica ou a seleção de fio e instrumentos tiver sido inadequada; técnica demorada e trabalhosa, dependendo principalmente do operador; colapso rápido do sulco após remoção, pode acontecer devido as forças que atuam para que o tecido gengival retorne a sua posição original, tais como a elasticidade da gengiva ao redor do dente e as forças de recuperação de gengiva aderida que foi comprimida durante o processo de afastamento; sangramento e exsudato, uma vez que o fio retrator não apresenta controle sobre estes. Por outro lado, possui algumas vantagens, como: menor custo; e atinge vários graus de retração (diferentes graus de espessura, diâmetro, calibre), isso possibilita utilizar em diferentes regiões e diferentes técnicas. Método mecânico-químico: Há a associação de fio retrator (algodão ou material sintético) e substâncias químicas (adstringentes ou vasoconstritores) que promoverão um efeito duplo (mecânico e químico). Essa associação promoverá o afastamento mecânico do tecido gengival e o controle da umidade e de possível sangramento pela ação da substância hemostática. A substância hemostática pode ser utilizada para molhar o fio retrator e/ou aplicação tópica em sangramento e fluidos. Os fios devem apresentar diâmetro para permitir o afastamento gengival e a entrada do material de moldagem no espaço sulcular. Sendo que estes podem ser: (1) Fios torcidos: são girados entre si, desatados e macios; desfiam mais facilmente; não mantêm a forma original após inserção e; absorvem mais líquidos. (2) Fios trançados: conjunto de fios entrelaçados; apresentam dificuldade de se manter em posição em determinadas áreas. (3) Fios tricotados: são semelhantes a pontos de tricô ou malha, são mais rígidos; absorvem menos líquidos, possuem configuração que permite a curvatura mais passiva na inserção - mais fácil inserção e manutenção no espaço. A utilização esta técnica tem a vantagens de proporciona adequado afastamento gengival criando uma situação de hemostasia e controle eficaz dos fluidos teciduais. Por outro lado, possui algumas desvantagens, como: alterações sistêmicas ou danos irreversíveis ao periodonto dependendo do tempo de permanência do fio, do tipo de solução hemostática e da pressão exercida no procedimento. As substâncias hemostáticas podem ser vasoconstritoras ou adstringentes. A ação vasoconstritora promove a contrição do fluxo sanguíneo por meio da coagulação – epinefrina. Já as adstringentes contêm sais de alumínio ou ferro, que causam isquemia local temporária contraindo o tecido gengival e controlando o fluido sulcular e sangue - sulfato de alumínio, cloreto de alumino e sulfato férrico. A epinefrina presente na substância hemostática gera vasoconstrição e hemostasia eficazes. Contudo, apresenta efeitos colaterais sistêmicos e locais significativos. Sua absorção varia com o grau de exposição do leito vascular, comprimento do fio, concentração da impregnação do fio, duração do tempo de aplicação. Possui algumas contraindicações, como pacientes com hipertireoidismo, diabetes, doenças cardiovasculares, que usam antidepressivos tricíclicos, betabloqueadores ou consumidores de cocaína. Além disso, pode provocar a síndrome adrenalinica ou síndrome da epinefrina, que gera taquicardia, apneia, hipertensão, ansiedade e depressão pós-operatória. A tendência é de desuso, uma vez que há substâncias eficazes sem manifestações sistêmicas. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 24 O sulfato de alumínio é um hemostático adstringente com ação de contração tecidual. Ele precipita as proteínas dos tecidos inibindo o movimento transcapilar das proteínas do plasma interrompendo a hemorragia capilar.O tempo de permanência deve ser de 10 minutos. Sua vantagem é caracterizada por ser um hemostático eficaz e com pequeno colapso do sulco após remoção do fio retração. Por outro lado, possui gosto desagradável, risco de contaminação do sulco, risco de necrose. O sulfato férrico causa mínimo dano tecidual e apresenta uma hemostasia eficaz. Por outro lado, gera manchamento dos tecidos com cor entre amarelo-acastanhado a preto, altera a reação de polimerização do polivinilsiloxano e poliéter, gosto ácido para o paciente. O tempo de permanecia máximo deve ser de 10 minutos. O Cloreto de alumínio age através da precipitação das proteínas teciduais. É vantajoso por irritar menos os tecidos, não apresentar efeitos sistêmicos, não gerar colapso do sulco após remoção do fio. Por outro lado, aumento o risco de contaminação do sulco, modifica a reprodução de detalhe da superfície, inibe a polimerização de polivinilsiloxano e poliéter. O tempo de permanência máximo deve ser de 10 minutos. Os instrumentos utilizados para a colocação do fio devem apresentar cabeças circulares, lisas e não serrilhadas, para colocar e comprimir os fios trançados ou torcidos com movimento de deslizamento. Já para os fios tricotados, o instrumento deve apresentar cabeça circular serrilhada. Técnicas de colocação dos fios: Técnico fio único ou um fio: esta técnica é relativamente simples e eficaz. Utilizada para moldagem de 1 a 3 dentes com tecidos gengivais saudáveis; em preparos com pouca ou nenhuma extensão sub-gengival. Técnica do fio duplo ou dois fios: utilizado para moldagem de vários dentes, o sulco gengival apresenta mais que 2mm e quando é impossível adiar o procedimento até a melhora do tecido gengival. Deve-se utilizar um fio de menor espessura e em seguida um fio mais espesso. Proporciona melhor retração gengival, sem causar danos ao epitélio juncional, evitando possíveis lesões. Reduz tendência da crista marginal a retroceder e prejudicar a moldagem (diferente do fio único). Afasta principalmente o tecido gengival superficial. Passo a passo do afastamento mecânico-químico: caso seja necessário, deve-se iniciar anestesia. Se o paciente estiver com as coroas provisórias, deve-se removê-las e limpar os dentes preparados. Após seleção do fio retrator, instrumento de inserção e substância hemostática, deve-se cortar o fio com comprimento suficiente para circundar o dente. Realiza-se o isolamento relativo do dente com rolete de algodão e sugador. Molha o fio na substância selecionada, removendo o excesso com gaze. O fio deve circundar o dente, tomando cuidado para que as pontas fiquem voltadas para a face vestibular, facilitando a manobra de sua inserção entre a gengiva e o dente. Empurrar o fio para dentro do sulco suavemente com um instrumento adequado com ponta ligeiramente arredondada com serrilhas para reter o fio durante o seu posicionamento intra-sulcular. Iniciar a inserção do fio pela mesial, circundando o dente por palatino ou lingual e distal até encontrar a face vestibular. O instrumento deve ser angulado na direção do dente, de forma que o fio seja empurrado diretamente para dentro do sulco. Recortar excesso de fio deixando 2 a 3mm de ponta fora do sulco, para facilitar o pinçamento na sua remoção. Aguardar 5 minutos para um efeito satisfatório (máximo 10 minutos). Molhar a superfície com água antes de remover o fio, para que o fio não fique aderido ao epitélio do sulco, e remover o fio cuidadosamente. Injetar o material de moldagem no sulco, no espaço criado pelo afastamento gengival. Métodos cirúrgicos: Eletrocirurgia: Consiste na remoção do epitélio de parte da parede do sulco criando um espaço nítido entre o dente e a gengiva. Indicado em tecido gengival inflamado, com hiperplasia tecidual e vascular. Alcança uma hemostasia precisa e eficiente. O reparo dos tecidos acontece em torno de 24 dias. Esta técnica é contraindica em tecidos inflamados de gengiva fina, pois causa recessão gengival; em área estética, devido à dificuldade de prever a localização do tecido gengival após sua maturação; em pacientes portadores de marca-passo e; em término cervical do preparo próximo à crista óssea alveolar. Curetagem rotatória: Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 25 Esta técnica é realizada com pontas diamantadas de extremidade ovigal, no término cervical do dente, com a metade do diâmetro excisando o revestimento do sulco, criando um “canal” em torno do dente preparado, para colocação de material de moldagem É uma técnica rápida, capaz de reduzir o tecido em excesso e refazer o contorno gengival. Está indicada para sulco gengival menor ou igual 3mm e com boa quantidade de gengiva queratinizada É uma técnica menos traumática ao tecido e apresenta menor contração tecidual do que a eletrocirurgia. No entanto, seu efeito e a resposta tecidual podem ser consideradas semelhante às da eletrocirurgia. Laser: É utilizado o Laser de Neodymium: yttrium-aluminum-garnet (Na:YAG) 1.064nm. Apresenta hemostasia imediata e retração gengival mínima. Contudo, apresenta um alto custo, necessita de operador habilitado e experiente e requer evitar contato com os tecidos duros. Prótese Fixa Metalocerâmica de 3 elementos ou mais Etapas para execução da prótese fixa metalocerâmica de 3 ou mais elementos inicia-se pelo planejamento e diagnóstico do caso, a fim de se obter o plano de tratamento. Em seguida, são feitos modelos de estudos que são montados em ASA para o enceramento de diagnóstico. Clinicamente, é feito o preparo do dente e a confecção da provisória. Sobre esse preparo é feito um novo molde e modelo que deve ser montado no articular para confecção de estrutura metálica. Preparada a estrutura metálica, é feita a prova das metálicas, que em seguida deve ser moldada para tornar-se uma estrutura monobloco. Novamente a estrutura deve ser provada. A estrutura não se encaixa no modelo antigo, desta forma, deve ser feito o modelo de transferência, para que a colocação da cerâmica. Após a colocação da cerâmica é feita a prova estética. Se a peça for aprovada, faz- se o glazeamento e cimenta a prótese. Quando falamos de estruturas metálicas, elas podem ser estruturas unitárias ou estruturas múltiplas. Quando são múltiplas, significa que ali há a ausência de algum elemento dentário que terei que recompor. Neste caso (múltipla), temos diferentes planos de tratamento, sendo a prótese fixa adesiva/conservadora, prótese fixa metal free e a prótese fixa convencional (metalocerâmica). Quando trabalhamos com prótese fixa conservadora, não há como realizar os moldes com casquetes, porque neste caso há equador protético presente. Para este caso, usamos moldeiras individuais ou parciais, utilizando elastômeros. Sobre o molde confeccionado, é feita um modelo com estrutura em monobloco (não permite ponto de solda para transferência). A estrutura em monobloco é uma condição ímpar, que podemos utilizar para próteses metal free, onde temos a estrutura de zircônia. Para uma prótese fixa convencional, uso o casquete individual e tenho essas estruturas separadas. Se elas estão separadas, há necessidade de realizar conexão com resina acrílica, para que se torne uma única estrutura como uma PPF. Na etapa de prova das estruturas metálicas para confecção da prótese metalocerâmica, inicialmente deve-se fazer uma avaliação prévia visual e modelo, observando as características da fundição, devendo ter uma margem afilada e superfície lisa. E não deve apresentar perfurações, porosidade, bordas arredondas e superfície rugosa. Uma estrutura adaptada perfeitamente ao troquel de gesso, nem sempre está adaptada ao dente preparado. Logo, na prova dessas estruturas metálicas, há um objetivo maior, sendo ele: adaptação cervical, com o ajuste e selamento da margem dos diferentes materiais restauradores, ao dente,por meio de um agente cimentante. Quanto menor o desajuste, menor será a espessura do agente cimentante, a solubilização do agente cimentante, a retenção do biofilme e a recidiva de cárie, resultando em melhor saúde periodontal Durante a prova das estruturas metálicas, devemos remover a provisória e fazer uma limpeza bem do cimento provisório, para só aí assentar a peça metálica e analisar sua adaptação. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 26 Fatores a considerar na prova das estruturas metálicas: Contatos proximais: passar fio dental para ver se há interferência de contato proximal, o ideal é que haja um esmalte ali, no qual será colocado a cerâmica. Pode-se ainda colocar o papel carbono entre o dente para ver onde está pegando e eliminar a interferência. Integridade marginal: realizar inspeção clínica, usando um explorador adequado de ponta fina posicionada a 45º em relação ao dente, com o qual irei realizar um movimento cérvico-oclusal e ocluso-cervical para ser está “pegando”. Pode-se ainda fazer exame radiográfico para ver se há falta ou excesso de material. Nesta situação, pode-se observar um desajuste marginal negativo (falta de material) ou positivo (excesso de material). Ambos os desajustes não permitem longevidade. No desajuste marginal negativo o metal se encontra aquém da margem preparada do dente e pode ser causado por um molde insatisfatório ou modelo sem definição do preparo. Para corrigir, deve-se realizar ajuste no preparo, novo molde e novo modelo. No desajuste marginal positivo a margem metálica está em excesso e pode ser causada por recorte inadequado do troquel ou estrutura grosseira. Como consequência, pode gerar área marginal com isquemia e deslocamento da estrutura. Para corrigir deve realizar correção e refinamento da estrutura metálica. Ainda, pode apresentar desajuste com espaço cervical, causado por molde impreciso e recorte inadequado do troquel. Para corrigir deve-se repetir o molde e o modelo. Adaptação cervical: uma infraestrutura metálica adaptada perfeitamente no troquel nem sempre estará adaptada perfeitamente no dente preparado, mesmo que este troquel seja uma réplica fiel. Esta é a área mais crítica da prótese, pois é dela que depende a saúde gengival, higienização do paciente e longevidade da prótese. Se o troquel for uma réplica perfeita, não haverá dificuldade de atingir o ajuste ideal. Para que uma coroa total se ajuste perfeitamente ao dente preparado, devem apresentar dimensões maiores que o próprio dente, criando espaço interno para acomodar a película de cimento, porém, sem perder as características de retenção. Para isso, a expansão do revestimento deve ser maior do que a contração da liga. Na margem cervical se encontram diferentes materiais (metal, porcelana/resina e cimento) que deverão se integrar harmoniosamente com o tecido periodontal (sulco gengival), respeitando sua biologia, não interferindo de maneira acentuada na flora bacteriana e possibilitando manutenção da saúde gengival e restabelecimento das funções pretendidas. Qualquer peça fundida para alcançar o ajuste ideal deve apresentar um excesso marginal no sentido vertical de até 0,2mm; este é obtido na demarcação da linha de término cervical com uma ponta de grafite ou cera, que deve ser coberta. Ao remover, será possível ver internamente a linha do término cervical e um pequeno excesso cervical, imprescindível para o ajuste marginal. Caraterísticas gerais de uma estrutura bem adaptada: Contato mínimo em alguns pontos, notadamente no terço cervical, entre o metal interno e o dente preparado; se este contato for acentuado, a retenção friccional será excessiva e a cimentação impossível de ser realizada sem desajuste vertical, pois não há espaço suficiente para acomodação da película do agente cimentante; se, por outro lado, não houver contato nenhum e, nem proximidade entre as partes, a peça metálica se apresentará folgada e dependerá exclusivamente do cimento para permanecer no seu lugar e isso será praticamente impossível se o local em questão for de carga funcional intensa. Espaço interno de 30-50um nas regiões correspondentes ao 1/3 médio e oclusal/incisal, sendo rara a ocorrência de contatos nessas regiões. Espaço interno de 150-200um, podendo chegar a 400um com ligas de metais básicos, entre a superfície oclusal do dente preparado e a superfície interna da peça fundida. Estabilidade: contato interno adequado para que a peça não se desloque. Como analisar a área que precisa de ajuste para o correto assentamento da prótese? Evidenciador de contato interno: consiste em uma fina camada de tinta hidrossolúvel aplicada à superfície interna das infraestruturas metálicas, que possibilitará a detecção de pontos que estão impedindo o Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 27 assentamento completo. Esses pontos serão removidos com brocas diamantadas e o processo será repetido até conseguir adaptação satisfatória. Película de elastômero: uso de elastômeros, como siliconas para evidenciar. Possui um alto custo. Radiografias: possibilita a percepção dos pontos de contatos internos que estão impedindo o assentamento. Mas as vezes pode permitir a visualização de áreas proximais desajustadas, dependendo o ângulo radiografado. Sondas exploradas: é um método complementar que possibilita observação dos locais corretamente adaptados e das áreas deficientes. Depende da percepção tátil e habilidade do profissional (subjetivo) e do próprio instrumento. Quanto menor a distância entre a estrutura da prótese e o dente, menor será a quantidade necessário de cimento para cimentação, logo, serão minimizadas as possibilidades da solubilização dos cimentos, retenção de placa bacteriana, desenvolvimento de doença periodontal e recidiva de cáries nessas margens. Contorno: perfil emergente. Oclusão: observar necessidade de ajuste oclusão. Acabamento da margem cervical. Quando trabalhamos com PPF de mais de um elemento (múltiplas – 3,4,5...), um pôntico vem conectado por meio do conector rígido com seu retentor, no outro conector, há uma divisão entre as partes. Para formar a conexão rígida, deve haver um espaço entre as regiões a serem conectadas de 0,1 a 0,3mm e superfícies paralelas. União com resina acrílica: A colocação de resina Duralay tem a finalidade de promover a união entre os retentores, constituindo uma peça única através da soldagem. Esta resina é mais indicada do que as convencionais para este procedimento por apresentar maior estabilidade dimensional e tempo de polimerização relativamente reduzido. É aconselhável utilizar-se quantidade de resina suficiente para unir, de maneira confiável, as duas partes. Resina em excesso pode significar maior alteração dimensional e, com isso, perder-se o que está se buscando evitar. A resina não pode estar muito mole, mas nem muito rígida, deve colocá-la antes da fase borrachoide, pois ela estando úmida ainda, adere à peça. Deve-se realizar isolamento relativo. Em próteses de 3 ou 4 elementos, apenas a resina Duralay é capaz de manter unidos. Contudo, se a prótese for extensa, atingindo os dois lados do arco, é interessante o uso de fios de aço ou brocas, associados à Duralay, para evitar ação de forquilha de uma peça bilateral. Após a polimerização da resina, remover a prótese, deixá-la na água e manter para o protético o mais rápido possível. Inclusão e Soldagem: É feita a inclusão da infraestrutura em revestimento, formando bloco com aproximadamente 1,5 a 2cm de altura. Previamente à inclusão, coloca-se sob as áreas a serem soldadas, um bastão de cera utilidade que tem como funções principais permitir a visualização da área, a limpeza com jatos de óxido de alumínio, o acesso da chama e o aquecimentouniforme. Para a inclusão utiliza-se revestimento próprio para solda ou revestimento para fundição, sem a adição do líquido especial, para reduzir a expansão, desnecessária nesta etapa. Decorridos 60 minutos da inclusão, leva-se o bloco de revestimento a um forno de fundição para eliminação da resina e desidratação do bloco. A cera utilidade é retirada anteriormente a esse passo, usando-se espátula ou água quente. Eleva-se o forno da temperatura ambiente até +/- 150ºC, no tempo aproximado de 40-50 minutos, até eliminação completa da resina. Remove-se o bloco do forno e permite-se o resfriamento completo na bancada; procede-se à limpeza das áreas a serem soldadas com jatos de óxido de alumínio. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 28 Caso utilize solda em pasta, entulha-se a mesma na área de união através de instrumentos, buscando-se o seu preenchimento completo, com excesso de +/- 20% sobre a área, para compensar a evaporação de água e fundente. A seguir, com chama fina de maçarico oxigênio-gás (bico de 1,0mm), inicia-se o aquecimento das extremidades para o centro, até que seja visível a mudança de cor pelo aumento da temperatura e o escoamento da solda. Os olhos do operador precisam de proteção de óculos escuros para a execução desses procedimentos. Caso utilize solda em bastão, entulha-se o fundente na área de união e se inicia o aquecimento da mesma forma. Quando atingir o ponto de avermelhamento, posicionar o bastão de solda, mantido com pinça, na área a ser soldada, quando então está se funde e escoa para a união, sob o efeito do calor e do fluxo Aguarda-se o resfriamento completo do bloco de revestimento com a peça soldada e procede-se à desinclusão e limpeza com instrumentos e jatos de óxido de alumínio Prova da peça Soldada: Após remoção das próteses provisórias, procede-se à limpeza completa dos dentes pilares, eliminando-se resíduos do cimento temporário e procede-se à prova da peça soldada. Esse procedimento deve ser realizado sem dificuldades, caso as etapas precedentes tenham sido executadas com cuidado. Assenta-se a peça com pressão digital firme e realiza-se nova avaliação da adaptação través de sonda exploradora. Durante a prova da peça soldada deve-se estar atendo para os seguintes itens: Adaptação cervical: deve ser feita com sonda explorada. Algumas vezes, reparos podem ser necessários, como reparo por fundição: em algumas situações durante a provas das infraestruturas soldadas, observa-se desajustes cervicais que passaram despercebidos durante a prova dos retentores ou, mais comumente, falhas no processo de soldagem que resultam em perda da adaptação cervical. Entre as causas mais comuns dessas falhas tem-se: • Fratura marginal do metal por queda acidental; • Espessura exageradamente fina da cinta metálica vestibular por usinagem excessiva, resultando em fratura; • Fratura durante a desinclusão da infraestrutura soldada do bloco de revestimento; • Derretimento da margem metálica por falha na inclusão e soldagem; • Manobra brusca ou intempestiva com instrumentos rotatórios. Se houver um degrau negativo acentuada, grosseiro e discrepante, cujo desgaste dentário poderia resultar em comprometimento estético por reduzir a espessura do material estético no local, está indicado um procedimento de reparo através da técnica de fundição secundária. Esta técnica consiste na preparação do metal da infraestrutura no local da falha, afinando-se suas bordas e criando retenções mecânicas com discos de carborundum e completando-se o término cervical com cera para fundição ou resina duralay. Esse passo pode ser executado diretamente na boca ou através de novo troquel obtido através de nova moldagem. Pressão no ligamento periodontal: essa pressão pode gerar dor e desconforto e impedir o assentamento correto das margens cervicais. O ajuste é realizado através do uso de substâncias evidenciadores aplicadas às superfícies internas dos retentores identificados como causadores da pressão ou nos quais não se obteve o ajuste desejado. Pequenos alívios com brocas, nos locais de atrição que impedem o assentamento, geralmente são suficientes para possibilitar a adaptação; esses desgastes devem ser realizados preferencialmente nas superfícies metálicas internas, mas se ocorrer riscos de perfuração, podem ser realizados cuidadosamente na própria superfície dentária. Ajuste oclusal: feito precedendo a remontagem. Espaço para porcelana: embora o espaço ideal possa ser obtido pelo protético, através do desgaste da infraestrutura e controle da espessura com espessimetro, é recomendável que não existam interferências que impeçam o fechamento mandibular na DVO do paciente. Passa esse desgaste se utiliza brocas de alta rotação, discos de carborundum e pontas de óxido de alumínio. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 29 O espaço para porcelana também deve ser avaliado nas bordas incisais, pois a translucidez dessa área, se desejada, só ocorrerá se houver espaço suficiente de +/- 1,5 – 2,0mm. Deve haver ainda, espaço para abertura das ameias incisais compatível com a idade do paciente e espaço interproximal suficiente para possibilitar a individualização dos dentes, após aplicação da porcelana, com discos diamantados finos de 0,25mm. Tamanho mínimo: 3mm V-L e 2mm O-C (o V-L é maior, pois o O-C forma as ameias, que acomodam a papila). Apresentar superfície lisa, uniforme, isenta de poros. Estrutura sem movimentação. Esses requisitos garantem boa resistência mecânica. Se não seguir esses requisitos, terá uma ruptura. Registro e Remontagem: Muito raramente uma peça soldada e considerada satisfatória será capaz de retornar ao modelo de trabalho e se encaixar perfeitamente no seus respectivos troqueis. Além disso, o modelo de trabalho não dispõe da papila interproximal e do contorno gengival, para assegurar ao técnico de laboratório referências confiáveis para a aplicação da porcelana e ajuste estético. Estas são as razões pelas quais está indicada a remontagem da peça soldada. Desta forma, os objetivos para remontagem dos modelos são: obter o relacionamento oclusal; determinar a forma, tamanho e localização dos contatos oclusais; reproduzir corretamente o rebordo gengival e; determinar a forma a estética do pôntico Registro intermaxilar para montagem no ASA: é feito com resina acrílica, a qual colocaremos em duas regiões e obteremos a relação anteroposterior e a DVO. Remontagem: O modelo remontado deve apresentar as seguintes características: • Estrutura soldada que mantém exatamente as relações oclusais com os dentes antagonistas e proximais, com os dentes vizinhos, que apresenta na boca do paciente • Possibilitar remoção e reposição da peça soldada, de maneira confiável e reproduzível, para possibilitar correções originárias da aplicação da porcelana • Apresentar tecido gengival artificial ao redor das coroas para permitir relacionamento correto com a papila interproximal, perfil de emergência, cinta metálica sub-gengival, controle dos excessos • Reproduzir corretamente o rebordo gengival para possibilitar o relacionamento com os pônticos da prótese fixa Moldagem com alginato: devemos inicialmente colocar com os dedos o material em todo o contorno gengival, espaço e áreas sob pônticos, com a finalidade de obter reprodução precisa desses detalhes. É importante manter-se firmemente a peça soldada em posição, enquanto se aplica o alginato, para evitar deslocamento. Por fim, carrega-se a moldeira de estoque e leva em posição, moldando toda a arcada. Assim, iremos obter o molde de transferência (ou arrasto). Vazagem: inicialmente deve-se passar vaselina com o auxílio de um microbrush na superfície interna dos retentores da infraestrutura metálica, que irãoser removidas juntamente com o molde. Em seguida, manipula- se resina acrílica e coloca neste espaço do retentor, sem deixar transbordar. No interior desse espaço, coloca- se um parafuso, com a finalidade de formar retenção para o gesso. Feito isso, vaza-se o gesso sobre o molde. Após sua geleificação, monta-se em ASA por meio da máxima intercuspidação habitual. É importante observar se há algum material de moldagem na peça metálica, pois o ideal é que não exista, nos mostrando que ela estava bem adaptada e selada na cavidade oral. Em alguns casos de estrutura monobloco pode não ser necessário fazer o modelo de transferência. Mas se for necessário, devemos realizar uma moldagem com alginato (ou silicona de adição ou condensação) e nesta moldagem a peça metálica pode sair no molde. Ajuste final da aplicação da cerâmica → encaminha para prova clínica onde é feito o ajuste de oclusão e o ajuste estético → glazeamento (obtenção do brilho e resistência da cerâmica) → cimentação Ajuste clínico - prova estética: Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 30 • Verificar o contato proximal: desgaste com ponta diamantada, baixa rotação ou borracha abrasiva • Ajuste do contato dos pônticos no rebordo (pressão excessiva-isquemia-não-assentamento), para prótese fixa de 03 ou mais elementos. (Técnico deixa com “sobra”, excesso de cerâmica que devemos ajustar, pois fica estável) – o excesso causa isquemia • Checar o selamento marginal • Observar áreas isquêmicas ao redor da margem cervical • Determinar o perfil de emergência • Ajuste oclusal Na prova estética, devemos fazer o teste fonético (S). Prótese Fixa ultraconservadora A PPF ultraconservadora exige menor desgaste de estrutural dos dentes pilares, restabelece estética, oclusão e função mastigatória. É uma opção de tratamento para pequeno espaço protético, com sucesso mecânico e estético. A PPR ultraconservadora é um tipo de prótese mista que combina princípios de prótese fixa (estruturas metálicas, dentes pilares, pônticos, revestimento cerâmico e cimentação) e odontologia restauradora (materiais restauradores para estética, desgaste, polimento e adesivos). O que diferencia a prótese ultraconservador de uma prótese fixa convencional é um retentor inserido nas preparações proximal e oclusal dos dentes pilares, geralmente favorecendo a margem supragengival e a higiene. Posteriormente, os retentores metálicos são cobertos com resina composta, melhorando a longevidade da restauração, preservando a estrutura dos dentes e restaurando a estética da dentição. Etapas: Inicia removendo a restauração de amálgama dos dentes adjacentes ao espaço edêntulo, sendo mesial e oclusal no dente à distal, e distal e oclusal no dente à mesial. Em seguida, faz-se o preparo das caixas, devendo ser: largura vestibulolingual de pelo menos 1/3 da distância vestibulolingual da oclusal; desenho oclusal seguindo contorno do istmo; parede axial divergindo para oclusal; caixa oclusal com profundidade de cerca de 1,5 a 2,0mm; caixa no assoalho pulpar do lado oposto ao espaço protético com 1mm de profundidade (área de encaixe); ausência de ângulos vivos. Após o preparo, faz-se a moldagem com poliéter pela impressão tripla, a qual copia simultaneamente preparos dentários, dentes antagonistas e registro de mordida. Pode ser feita também com silicone de condensação. Após a obtenção dos modelos de trabalho, é feito o enceramento e fundição da estrutura metálica. Nesta fase a estrutura metálica deve ser adaptada à margem gengival da caixa proximal estando semelhante à adaptação da PPF convencional, evitando a necessidade de suplementação com resina composta nessa região inacessível. Os moldes são enviados para aplicação da cerâmica nos pônticos, deixando os retentores apenas com o opaco aplicado. A restauração deve ser posicionada nos preparos para avaliar a forma, contorno, adaptação, cor e oclusão. Para a cimentação, inicialmente deve ser realizado o pré-tratamento do opaco dos retentores com ácido fluorídrico a 10% por 1 minuto, lavagem minuciosa com água e secagem com ar. Em seguida, aplicar uma camada de silano. Com isolamento absoluto, realizar a profilaxia dos dentes pilares com pedra-pomes e algodão. A cimentação pode ser realizada com cimento resinoso autoadesivo, dispensando as etapas de condicionamento e aplica de adesivo. O cimento resinoso autoadesivo apresenta baixa solubilidade e boas propriedades mecânicas. Após a cimentação, os dentes pilares devem ser condicionados com ácido fosfórico a 37% por 20 segundos, lavados abundantemente e secados com ar para aplicação do agente de união. Em seguida, cobre os Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 31 retentores com resina composta restabelecendo a morfologia oclusal e contatos oclusais. A resina composta reforça as estruturas dentais remanescentes nas restaurações. Como a prótese parcial fixa ultraconservadora utiliza retentores metálicos inseridos nas caixas proximais preparadas, apoiando o pôntico que substitui o dente perdido, sua indicação é para reabilitação protética de pequenos espaços, sem danos estruturais à prótese e aos pilares. É indicada então para casos nos quais os dentes pilares possuem polpa vital, nenhuma alteração de tecidos moles, restauração de amálgama (Classe I ou II) e alinhamento adequado na arcada dentária. Contudo, sua indicação pode ser extrapolada para espaços maiores, quando há qualidade e posicionamento adequado dos dentes do pilar, espessura adequada da estrutura metálica que confere resistência à prótese e assentamento preciso da prótese. Também deve ser descartadas possíveis sobrecargas resultantes de hábitos parafuncionais e cuidados com a distribuição equilibrada dos contatos oclusais nas posições centradas da mandíbula, o que poderia causar danos à prótese e aos dentes pilares. Dentes pilares em condições estruturais e posicionais não ideais contraindica a PPF ultraconservadora, devido às dificuldades de adaptação e integração dos retentores metálicos nas caixas proximais. Outro aspecto a se considerar no dente pilar é quantidade e qualidade do remanescente dental, que pode contraindicar a PPF ultraconservadora caso esteja danificado, pois não terá força para receber os retentores metálicos. As PPR ultraconservadoras apresentam dois tipos de retenção nos dentes pilares: retidos pela ação do cimento auto-adesivo que possui ligação química ao metal dos retentores e às paredes pulpares e gengivais das caixas; e pela ação do compósito entre o retentor de cerâmica opaca e as paredes das caixas. O PPFU é um tipo de prótese que apresenta vantagens sobre as próteses fixas convencionais durante a fabricação, como procedimentos de execução de custo, tempo e facilidade, não requer equipamentos sofisticados nem pessoal com treinamento técnico especializado. E, no caso de desgaste da resina composta, por tempo ou outras ocorrências, o reparo é realizado clinicamente pela adição de material restaurador, de forma rápida e fácil, sem a necessidade de remoção total da prótese. Além disso, em caso de falha clínica, a PPFU pode ser removida sem procedimentos irreversíveis nos dentes do pilar, semelhante à preparação realizada na prótese adesiva, permitindo a execução de outro tipo de reabilitação menos conservador. O limite supragengival facilita os procedimentos de moldagem, adaptação, não necessitando de afastamento gengival; e facilidade limpeza da prótese. Prótese fixa adesiva A prótese fixa adesiva é uma prótese fixa alternativa, com preparos efetuados a nível de esmalte e fixação aos dentes pilares por meio de agente cimentante resinoso. Possuem duas características básicas que as distinguem das próteses fixas convencionais: (1) os desgastes dos dentespilares são mínimos; e (2) para sua fixação utiliza-se a técnica de condicionamento ácido e cimento resinoso. Os objetivos do mínimo desgaste realizado são eliminar as convexidades, expor uma camada de esmalte mais suscetível ao condicionamento ácido e evitar o sobrecontorno. É muito indicada para pacientes jovens, pois, diferente da fixa convencional, não precisa preparar os dentes adjacentes. Pacientes jovens apresentam câmara pulpar ampla e o preparo do dente das próteses convencionais pode expor a polpa. Na fixa convencional preparamos todas as paredes de um dente, na adesiva são só as proximais adjacentes ao elemento perdido. Nesta prótese, não há a necessidade de fazer prótese provisória, faz-se imediatamente a prótese definitiva. As próteses parciais fixas adesivas possuem um percentual significativo de sucesso e está diretamente relacionado ao sistema adesivo e cimentos resinosos utilizados e ao tipo de preparo realizados nos dentes pilares para obtenção de uma boa retenção. A prótese fixa adesiva está indicada para casos nos quais os dentes suportes íntegros, com pequenas restaurações ou pequenas lesões cariosas; quando os espaços protéticos são pequenos; e quando há ausência de apenas um elemento dental, pois o sistema de resistência e retenção é mais frágil, sendo que Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 32 qualquer esforço mastigatório pode deslocar; pode ainda ser utilizada como próteses fixas temporárias, uma vez que o paciente está sem dinheiro para pôr implante, que é a melhor opção. É indicado ainda para pacientes jovens e com comprometimento de saúde, por ser um tratamento mais simples. Pode reestabelecer guia oclusal anterior e servir de contenção fixa pós-tratamento ortodôntico. Por outro lado, esta prótese está contraindicada em casos de dentes pilares muito danificados, com mobilidade ou esmalte insuficiente; espaços protéticos amplos; dentes pilares muito inclinados, pois o desgaste terá que ser muito para conseguir o eixo de inserção; em oclusão desfavorável (bruxismo e apertamento); incisivos com dimensões vestíbulo-linguais reduzidas (superfície pequena); dentes com coroa clínica curta; dentes anteriores com deficiente estética; e em paciente com sensibilidade às ligas alternativas de Ni-Cr. As vantagens desta técnica estão no fato de ser uma restauração fixa, com preparo dental mínimo a nível de esmalte e boa manutenção da estética. Ainda, é um tratamento reversível, que permite recimentação, de fácil execução, menor custo e tempo clínico por terem menos procedimentos intraorais, sem necessidade de anestesia e atraumático. Há ausência de envolvimento pulpar e as margens supragengivais permitem que seja feito um bom isolamento absoluto e uma moldagem facilitada. Além disso, evita o uso de provisória. Apesar das diversas vantagens da PPFAdesiva, alguns estudos encontraram alta porcentagem de insucesso, após algum tempo de uso, como necessidade de nova fixação da peça (recimentação). Por outro lado, possui algumas desvantagens, como: seleção limita de pacientes, requer um bom alinhamento dos dentes pilares, possibilidade de alterações de cor no terço incisal, custo elevado da resina para fixação, possibilidade de acúmulo de biofilme e maior chance de soltura. Se for realizado com metal, pode ficar antiestética. Histórico: Baseada nos trabalhos de Rochette em 1973, desenvolveu-se uma técnica para estabilização (esplintagem) de dentes com problemas periodontais. Foi desenhada uma estrutura de ligas metálicas nobres (ouro) com perfurações que eram fixadas através de ácido fosfórico + resina composta nesses dentes abalados sem preparo prévio (como forma de contenção). Em 1977 – Howe, Denehy resolveram substituir dentes perdidos periodontalmente com essa estrutura metálica perfurada como retenção . Em 1982 – Livaditis e Thompson, vendo que essa estrutura metálica perfurada causava dificuldade de higienização, partir para estrutura metálica sem perfurações e produziu técnica para condicionar a estrutura metálica através do condicionamento eletrolítico do metal, que gera porosidade aumentando a força de adesão do cimento, sendo um tratamento trabalhoso e com custo elevado. Com a evolução, desenvolveu o jateamento com óxido de alumínio + primer metálico – assim é feita a cimentação adesiva. Análise e planejamento Para análise e planejamento do caso deve-se levar em consideração as condições periodontais dos elementos suporte, a oclusão, o comprimento do espaço protético, a altura dos elementos suportes e o paralelismo dos dentes suportes. Os componentes retentores da PPFA são determinados pelo segmento proximal, palatina/lingual e oclusal. O segmento proximal fornece a área do conector para pônticos ou outros retentores (evita que a prótese rotacione), gera fortalecimento vestíbulo-lingual, além de ser uma superfície adicional para união ao esmalte O segmento palatino/lingual é um retentor com significante área de interface esmalte/restauração protética, portanto, eleva o poder de fixação. O apoio no cíngulo e o apoio oclusal tem a função de promover e orientar a inserção da prótese e funciona como um ponto de parada da prótese. Alguns fatores contribuem para o correto contorno dos retentores, como a forma de resistência, retenção, contorno e fisiológica. A forma de resistência é influenciada pela forma de contorno, podendo ser intensificada pela extensão sobre áreas específicas do dente pilar. O segmento proximal é o principal responsável por essa forma de resistência; o apoio oclusal e no cíngulo também contribuem. A forma de retenção inclui fatores que contribuem para a fixação do retentor ao dente pilar, sendo as características do esmalte condicionado, a configuração das projeções no esmalte condicionada, onde a resina irá penetrar, as propriedades físicas do Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 33 sistema de fixação e a quantidade da interface esmalte/metal. A forma de contorno pode influenciar as formas de resistência e retenção. Por fim, a forma fisiológica preocupa-se com a preservação de um meio saudável para o tecido gengival e para desenvolver a função oclusal da restauração. Para trabalhar com o metal, os ângulos devem ser vivos. Se for trabalhar com retentores estéticos, ao invés de metal, devo desgastar mais o dente, chegando à dentina. Deve ser maior, para não fraturar, já que é um material friável. O preparo deve apresentar o mínimo desgaste, sendo apenas em esmalte, com o objetivo de retirar o abaulamento (convexidades) do esmalte, para obter um eixo de inserção. Deve haver uma união do segmento proximal com o lingual, envolvendo 180º ou mais do contorno dental, para obter um sistema de resistência e retenção adequado. Em dentes anteriores não dá para fazer isso, pois compromete a estética. O limite cervical deve terminar em nível zero, trabalhando em um ponto que não forme degrau (3228, 3113). A margem cervical deve estar de 1 a 2mm aquém da margem gengival livre para permitir isolamento absoluto e ser favorável para a gengiva. Deve haver um apoio na oclusal ou no cíngulo. A áreas de contato dos dentes adjacentes aos pilares deve ser preservada, devendo o preparo estar aquém do ponto de contato, pois isso pode comprometer a estética e essas estruturas, por ser muito delgada, pode ser deformada nas fases de fundição. Preparo em dentes anteriores: Inicia pela face proximal, utilizando a ponta diamantada 3113 posicionada na face proximal, paralela ao longo eixo do elemento dental remove-se a convexidade. Esta superfície torna-se plana no sentido inciso-cervical e curvo no sentido vestíbulo lingual. O término cervical do preparo deve estar 1 a 2mm acima da margem gengival. Lembrar de conferir se o eixo de inserçãoestá adequado, sem apresentar retenções. Em seguida, prepara a face palatina/lingual, na qual deve-se localizar os pontos de contato nos dentes pilares (superiores), com auxílio de papel carbono. Na área cervical, abaixo do cíngulo realiza-se o preparo com ponta diamantada 3113 seguindo o contorno gengival. Este preparo elimina a convexidade dessa região e seu término deve estar localizado 1 a 2mm aquém da gengiva. Para o desgaste da concavidade palatina utiliza-se ponta diamantada em forma de pera (3118). Nos pontos marcados pelo carbono desgaste-se de 0,3 a 0,5mm para compensar a espessura da estrutura e no restante apenas remoção do brilho de esmalte. O segmento palatino/lingual estende-se até a superfície incisal, mas em dentes com translucidez significante a estrutura deve ser reduzida para evitar a coloração acinzentada. Por fim, confecciona-se o apoio no cíngulo, a fim de suporta a pressão da carga mastigatória sobre a estrutura metálica, evitando o seu deslocamento no sentido gengival durante a inserção. Esse apoio também contribui para dispersar as forças transmitidas aos dentes pilares através da conexão da estrutura metálica com a estrutura dental. O apoio no cíngulo é feito com ponta diamantada cilíndrica ou cone invertida. Deve ser um preparo bem definido, que permita a estabilização na direção cervical. Não importa a forma e posição da ponta diamantada, deve apenas haver um apoio nítido em cima do cíngulo. Preparo de dentes posteriores: Inicia pela face proximal com uma ponta diamantada 3113 ou 3228, eliminando-se a convexidade de contorno. Quando a linha do sorriso não mostrar o dente em questão pode-se avançar com o preparo além do ângulo próximo-vestibular. O preparo deve estar de 1 a 2mm aquém da margem gengival. Em seguida, passa para a face palatina/lingual, que deve incluir máxima extensão circunferencial, respeitando os contatos proximais com os dentes adjacentes para correta higienização. Com a mesma ponta diamantada do item anterior remove-se a convexidade. A união do segmento proximal com o lingual/palatino deve envolver 180º ou mais do contorno dental. Por fim, faz-se o apoio oclusal a fim de assegurar uma estabilização positiva para as fases de inserção e união. O preparo é bem definido, feito com ponta diamantada cilíndrica ou cone invertido, na crista marginal. Deve ter uma ligeira inclinação em direção à fossa central, acompanhando a anatomia externa do elemento dental. Os ângulos internos deste preparo são vivos. Em geral apresenta dimensão mésio-distal e vestíbulo- lingual em torno de 1,5 a 2,0mm e profundidade em torno de 1mm. Após o término deste apoio bisela-se levemente, com ponta diamantada 3113, sua superfície externa. Quando necessário pode-se fazer uso de retenções adicionais como sulcos, canaletas ou caixas, pois aumentam a retenção friccional, a estabilidade da estrutura metálica e minimizam a tendência de movimento da prótese no sentido V-L. Moldagem: Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 34 Após o preparo dos dentes pilares executa-se a moldagem definitiva, selecionando-se um dos materiais disponíveis em prótese fixa. Comumente faz-se moldagem de relacionamento, que é a moldagem total com alginato, obtendo-se o modelo de relacionamento que será montado em articulador, e uma moldagem parcial com elastômero (mercaptana, poliéter e silicona de condensação ou de adição). A mercaptana e o poliéter exige a confecção de moldeira individual que normalmente é confeccionada em resina acrílica autopolimerizável rosa ou incolor. Após a moldagem e montagem dos modelos em articulador, este conjunto é enviado ao laboratório dentário para confecção da infraestrutura metálica ou outro material adequado como a zircônia. Prova da Estrutura Metálica: A estrutura metálica deve estar adequadamente adaptada, principalmente nas áreas marginais e apoios, sem se movimentar quando tentar deslocá-la. O único movimento admitido é na trajetória do plano de inserção. Em caso de prótese anterior, deve-se observar se está presente a cor acinzentada do metal através da translucidez do esmalte. A seguir faz-se os ajustes oclusais em MIH, RC e movimentos excursivos. Após os ajustes seleciona-se a cor da cerâmica e realiza-se a moldagem de transferência. Moldagem de Transferência: Posiciona-se a peça na boca e molda-se com uma moldeira de estoque e alginato. A peça sairá no alginato. A seguir isola-se o interior da peça com vaselina, manipula-se resina acrílica Duralay e preenche os retentores. Quando a resina estiver perdendo o brilho, coloca-se um fio de aço ou um pedaço de clips para servir como retenção. Após a polimerização da resina vaza-se o molde normalmente com gesso pedra tipo IV na região dos dentes e a base com gesso pedra tipo III. Após a presa do gesso, saca-se o modelo e remonta no articulador para aplicação da cerâmica. Prova da Estrutura Metálica com Cerâmica: A peça deverá ser novamente provada na boca, fazendo-se os ajustes necessários com pontas diamantadas (ponta número 744) em baixa velocidade. Após o glazeamento da cerâmica e o polimento da parte metálica esta peça é jateada internamente com óxido de alumínio e colocada em ultra-som (mergulhada em álcool isopropílico) por 10 minutos. A peça está pronta para ser fixada, não devendo ser provada novamente para não ocorrer contaminação. Caso a peça seja levada à boca deve-se repetir o procedimento de jateamento e ultrassom ou realizar uma boa lavagem com água e sabão, secar e aplicar ácido fosfórico a 37% ativamente sobre a superfície interna da restauração por pelo menos 20 segundos, lavar, secar e realizar a cimentação. Fixação/cimentação: A resina ideal para a fixação deve ter boas propriedades mecânicas, para resistir às cargas que a prótese será submetida; fluidez, para facilitar o escoamento de excesso de material durante a fixação e opacidade para mascarar a cor escura do metal. A resina Panavia F é a mais indicada. Esta resina é à base de BIS-GMA fosfatado, que se une quimicamente à superfície metálica tratada apenas com jato de óxido de alumínio; tem bom escoamento e não polimeriza na presença de oxigênio. Após o isolamento absoluto do campo operatório realiza-se a profilaxia dos dentes pilares, utilizando-se taça de borracha e uma mistura de pedra pomes e água. Lava-se abundantemente, seca-se e realiza-se o condicionamento ácido. A seguir manipula-se a resina Panavia, preenche-se a peça e leva-se em posição; remove-se todos os excessos e coloca-se Oxyguard na junção prótese / elemento dental. Esta substância isola a resina do oxigênio. Aguarda-se 5 minutos, remove-se o Oxyguard com um algodão, corta-se e remove-se o dique e lava-se abundantemente com água. Verificar se não há resíduos de resina. Existem vários protocolos para a fixação das próteses fixas adesivas. O importante é entender o processo de fixação, ou seja, o cimento resinoso deve se unir de um lado com a infraestrutura da prótese, seja metal ou livre de metal, e do outra lado deve se unir ao dente pilar seja apenas em esmalte ou também em dentina. Sobre o dente, o princípio é o mesmo da restauração de resina composta, ou seja, ataque ácido mais adesivo e do lado da infraestrutura temos alguns outros tratamentos, para melhorar a capacidade retentiva da prótese, entre eles, estão: jateamento com óxido de alumínio, uso primers metálicos, camada de estanho, silicatização e tratamentos com laser. O jateamento com óxido de alumínio é uma técnica de custo mais baixo. O primer metálico que é uma molécula bipolar com capacidade de se unir ao metal e copolimerizar com o cimento Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 35 resinoso. A combinação desses dois tratamentos mostrou ser bastante efetivo no aumento da retençãodas próteses adesivas. Alguns adesivos, como o Single Bond Universal (3M) possuem íons fosfato na composição e, portanto, podem atuar como primer para metal. Após a limpeza, com ácido fosfórico a 37%, lavagem e secagem. Aplica-se ativamente o adesivo Single Bonde Universal por 20 segundos, seca-se por 5 segundos e realiza a cimentação. É importante observar que existem vários protocolos de fixação de prótese parcial fixa adesiva, dependendo da marca comercial do cimento resinoso. Assim, é de fundamental importância que o profissional, leia a bula dos produtos e, siga rigidamente as orientações do fabricante. Prótese Mista: É um tipo de prótese onde um dos dentes suportes recebe um retentor fixo convencional e o outro recebe um retentor adesivo, com preparo conservador. Quando for indicado este tipo de prótese recomenda-se o uso de conector semi-rígido, pois se o retentor adesivo soltar tem condições de fixá-lo novamente. Prótese Adesiva Totalmente em Cerâmica: Diferentes materiais surgiram para a confecção de prótese adesiva, materiais como zircônia, cerâmica à base de alumina e cerâmica de dissilicato de lítio. Não existe um material cerâmico universal que solucione todos os casos clínicos e o sucesso depende da combinação perfeita do material, técnica de confecção e cimentação ou procedimentos de adesão da prótese adesiva em cada situação clínica. A zircônia apresenta-se como um material bastante promissor para a confecção de próteses parciais fixas adesivas em razão das propriedades mecânicas e agora também pela qualidade estética. Na atualidade é possível confeccionar restaurações em zircônia monolítica com excelente qualidade estética, através do uso de zircônia com maior translucidez e a complementação com maquiagem externa da restauração. Quanto ao preparo para prótese adesiva livre de metal, também vai depender da cerâmica a ser utilizada. Porém, de maneira geral, segue os mesmos princípios do preparo para metal e onde possível aumentar um pouco o desgaste por ser material cerâmico. Restaurações Provisórias São restaurações transitórias ou temporárias, que propiciam proteção e estabilização aos dentes pilares e restabelecem a função e a estética antes da instalação das próteses definitivas. Esta etapa é muito importante para o sucesso do tratamento com prótese parcial fixa e as justificativas para o uso das restaurações provisórias, podem ser: 1. Proteção pulpar e efeito sedativo aos dentes preparados– isto vai propiciar conforto ao paciente, impedindo ou diminuindo a sensibilidade dentinária pós preparo cavitário. Normalmente as restaurações provisórias são confeccionadas em resina acrílica ou resina bisacrílica, que são materiais com baixa condutibilidade térmica. Assim protegendo a polpa tanto mecanicamente como termicamente. Quando a qualidade de adaptação e de contorno estiver adequada as restaurações provisórias irá impedir que o tecido gengival apresente inflamação 2. Estabilidade posicional – as restaurações provisórias devem manter os dentes preparados estável na mesma posição desde o preparo até a cimentação da restauração, impedindo a extrusão, deslocamento proximal, giroversões. Esta estabilidade posicional é assegurada pelos contatos proximais e oclusais adequados. A posição dos tecidos gengivais também é assegurada por restaurações provisórias adequadas, caso contrário, pode ocorrem inflamação, recessão gengival ou mesmo crescimento gengival sobre a margem do preparo o que irá dificultar os outros procedimentos clínicos. 3. Fornece meio adequado para o tecido gengival– As restaurações provisórias devem apresentar contornos corretos, devem ser bem adaptados nos preparos sem sobrecontorno ou subcontorno. A correta adaptação ao preparo somado ao contorno cervical e axial ótimo propicia a manutenção da saúde gengival. Consequentemente, as etapas seguintes do tratamento serão realizadas com maior facilidade. Etapas essas como a moldagem, afastamento gengival e até a cimentação final. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 36 4. Função mastigatória - as restaurações provisórias devem ser confeccionadas com materiais com resistência suficiente para suportar os esforços da mastigação, propiciando conforto e bem-estar ao paciente. 5. Estética e fonética – as restaurações provisórias devem apresentar forma e cor de maneira a permitir que o paciente se sinta satisfeito e seguro principalmente quando estão envolvidos os dentes anteriores e pré- molares. Além disso, devem apresentar contornos axiais, palatinas e linguais que não interfiram na fala, nas pronuncias das palavras. 6. Avalia e reforça a higiene doméstica – as restaurações provisórias devem contornos e formas corretas além de ser extremamente lisos e polidos para prevenir o acúmulo de biofilme. Assim permitindo uma maior facilidade na higienização e manutenção da saúde gengival durante e após o tratamento com prótese parcial fixa. 7. Diagnóstico – as restaurações provisórias vão possibilitar observar o comportamento do paciente quanto à aceitação do tamanho, forma e distribuição dos dentes na arcada. Em casos mais extensos, permite avaliar a adaptação do paciente a uma nova dimensão vertical de oclusão, se o suporte labial está adequado e também a avaliação da fonética. Auxilia no diagnóstico de dentes pilares duvidosos durante o plano de tratamento. Permite verificar se o paralelismo dos preparos está adequado. 8. Auxiliar no tratamento ortodôntico permitindo a colagem de brackets durante o movimento dentário. 9. Permite a estabilização de dentes com mobilidade durante o tratamento periodontal. Além de servir de suporte para o cimento cirúrgico pós cirurgia periodontal. Contorno das restaurações provisórias: As superfícies vestibulares e linguais são ligeiramente convexas, não deve fazê-la muito convexa, pois dificulta a higienização. O perfil de emergência plano deve estar presente, sendo a área que sai da linha cemento esmalte e vai em direção à coroa. Os materiais mais empregados para a confecção da restauração provisória é a resina acrílica (polimetilmetacrilato) termopolimerizável e autopolimerizável e a resina bisacrílica. As resinas acrílicas PMMA apresentam facilidade de reparos e reembasamento. Porém apresenta falta de estabilidade na cor, ou seja, seu uso prolongado pode comprometer a estética. Em casos de perda de dimensão vertical muito grande e restaurações múltiplas, deve-se usar metais (ex. fio ortodôntico). O polimetilmetacrilato possui algumas desvantagens, como reação exotérmica, sendo a liberação de calor que pode ser evitada com jato de água e ar; Contração volumétrica durante a fase de confecção, devendo fazer movimento de retirada e reposicionamento, pois se ela polimerizar estática no dente, irá contrair e não será possível sua remoção; o monômero é irritante, causando certa ardência durante a confecção, deve se atentar se o paciente tem história de alergia. As resinas bisacrílicas são materiais que apresentam estabilidade de cor superior às resinas acrílicas, além de praticidade técnica, precisão de proporção, pouco ou nenhum odor, baixa reação exotérmica, boa adaptação marginal, resistência e estética favorável. Como desvantagens pode-se citar o alto custo comparado às resinas acrílicas e a dificuldade de reembasamento se houver necessidade de reparos pós confecção. As resinas acrílicas podem ser utilizadas como termopolimerizável, assim vão apresentar maiores resistências mecânicas e também maior estabilidade de cor. São indicadas para restaurações provisórias de longo prazo. Para a confecção da restauração provisória, podemos utilizar diferentes técnicas, sendo a direta, direta/indireta e indireta. • Direta/indireta: faço a provisória no laboratório e levo na boca apenas para reembasar. • Indireta: molda, manda para o técnicofazer. A técnica direta é aquela realizada direto na boca do paciente. Podendo ser realizada sem matriz, com molde de alginato, de silicone ou matriz plástica. 1. Técnica da “bolinha” – nesta técnica manipula-se uma pequena quantidade de resina acrílica. Pega-se a resina acrílica na fase fribrilar, homogeneiza-se na água, para não aderir na luva, e na fase plástica leva-se ao dente preparado, tentando dar o melhor contorno possível do dente a ser restaurado. Deve-se Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 37 pressionar mais na região cervical para que a resina copie com a maior nitidez possível o término cervical do preparo, a fim de conseguir a melhor adaptação possível (obs: pede para o paciente ocluir para marcar o ponto de contato com o dente antagonista). Na fase borrachoide, com auxílio de um explorador, realiza-se a remoção (não remove completamente) e recolocação no dente preparado até iniciar o aquecimento, em seguida coloca- se o material em água fria e aguarda-se a polimerização final da resina acrílica. (OBS: a polimerização final não pode ocorrer no dente, pois se acontecer não conseguimos remover a provisória sem a destruição do dente, além de ocorrer danos à gengiva e à polpa devido a reação exotérmica da resina). Após a presa, marca- se as referências concretas do dente, como o limite cervical do preparo e os contatos proximais com os dentes vizinhos não preparados (se estiverem presentes). Em seguida, inicia-se com a fresa de tungstênio o desgaste do excesso de resina, não perdendo de vista a delimitação da margem cervical e posicionando-se a fresa levemente inclinada, tentando acompanhar o perfil de emergência do dente. Após a eliminação dos excessos, leva-se ao dente preparado, marca-se os limites vestibular e palatina da borda incisal para posterior remoção do excesso palatino e em seguida o ajuste oclusal e polimento. 2. Técnica da matriz de alginato ou de silicone ou matriz plástica – nesta técnica antes do preparo é feita uma moldagem com um dos dois materiais e esse molde servirá de matriz para que a resina seja leva sobre o preparo cavitário. Deve levar à boca uma pequena quantidade de cera utilidade na área anodôntica, preenchendo-a com a melhor forma possível do dente ausente. Em seguida, confecciona uma matriz. Já com os preparos realizados, preenche a matriz de silicona com a resina acrílica com a cor adequada. Manipula-se a resina, em água, até a fase plástica. Levamos o conjunto matriz de silicona mais resina aos dentes preparados, aguarda-se alguns minutos e na fase borrachoide remove-se da boca. A resina pode sair junto com a matriz ou ficar em boca. Se a provisória permanecer na boca, solicita-se ao paciente fechar a boca e ocluir os dentes, na tentativa de facilitar o ajuste oclusal posteriormente. Após a polimerização da resina, realiza-se a eliminação dos excessos esculpindo os dentes ausentes. Normalmente, clinicamente, é necessário realizar o reembasamento para melhorar a adaptação cervical nos dentes preparados. 3. Dente de estoque – nesta técnica após o preparo, seleciona-se um dente de estoque correspondente ao dente preparado, desgasta-se a porção lingual ou palatina preservando a face vestibular que será adaptada sobre o dente preparado. Feito isso, manipula-se a resina acrílica, leva-se ao dente de estoque e leva-se esse conjunto ao dente preparado. Após a presa da resina dá-se o acabamento e polimento. Técnica indireta-direta Nestas técnicas parte da confecção das provisórias é realizada em laboratório e parte clinicamente. Nos modelos é confeccionado o enceramento de diagnóstico. Após o enceramento finalizado confecciona-se a matriz diretamente no modelo com o enceramento. Essa matriz pode ser de alginato, silicona pesada ou mesmo uma matriz de polietileno à vácuo. Com a matriz pronta, realizam-se os preparos em boca e confeccionam-se as restaurações provisórias. Nesta técnica uma maneira de otimizar os procedimentos é após o enceramento finalizado e confeccionada a matriz remove-se o enceramento e realizam-se os preparos no modelo de gesso. Em seguida, isola-se o modelo preparado e confeccionam as provisórias sobre o modelo. Realiza-se o acabamento e polimento das provisórias. Com as provisórias prontas, agenda-se o paciente, os preparos são realizados e os provisórios são reembasados diretamente na boca do paciente. Há um ganho significativo de tempo utilizando esta técnica. Técnica indireta Nesta técnica as restaurações provisórias são confeccionadas totalmente em laboratório. Para isso necessita- se de modelos gesso montados em articuladores com os preparos finalizados. Assim nesta técnica sempre será necessário a confecção de provisórias pelas técnicas direta e/ou indireta-direta. Portanto, a técnica indireta é mais indicada para confecção de provisórias de longa duração, como a confeccionada em resina termopolimerizável e/ou com reforço de metal fundido. São indicadas nos casos em que for necessário tempo de uso muito prolongado; ocorre fraturas muito frequentes das provisórias; o espaço anodôntico for longo. Essas restaurações provisórias podem ou devem ser reforçadas. Cimentação Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 38 As principais funções dos agentes cimentantes são fornecer selamento, impedindo a infiltração marginal e consequentemente a irritação da polpa. Não se deve confiar plenamente no cimento para resistir às forças da mastigação uma vez que são formuladas para apresentar uma menor resistência mecânica. A estabilidade das restaurações provisórias se dá principalmente pela forma correta dos preparos e pela adaptação correta das provisórias nos dentes e não pelo cimento temporário em si. Os cimentos provisórios devem apresentar algumas características desejáveis, como: selamento contra os fluídos orais, possuir resistência suficiente que permita sua remoção sem se fraturar, baixa solubilidade no meio bucal, boa compatibilidade química com a resina acrílica, conveniência na embalagem e manipulação, facilidade na remoção dos excessos, adequado tempo de trabalho e curto tempo de presa Os cimentos provisórios mais comuns, são: cimento de hidróxido de cálcio, de óxido de zinco e eugenol (ZOE) e cimentos livres de eugenol. A escolha do agente cimentante deve-se a alguns fatores como grau de retenção dos dentes pilares preparados, tempo de permanência na boca, técnica de confecção e se os dentes pilares são vitais ou não. Em dentes com vitalidade pulpar os cimentos de hidróxido de cálcio são bem indicados pois apresentam ação medicamentosa para a polpa. Quando os preparos dos dentes pilares apresentam pouco capacidade de resistência e retenção ou quando as restaurações provisórias irão permanecer por um tempo mais prolongado os cimentos de oxido de zinco e eugenol são os mais indicados. O sucesso da prótese definitiva pode estar diretamente relacionado à qualidade das restaurações provisórias. A restauração provisória cumpre funções durante o tratamento desde o final do preparo até do dia cimentação temporária ou definitiva da restauração definitiva e isso pode se prolongar por dias, meses até em algumas situações anos. Aqui alguns fatores que podem prejudicar o sucesso do tratamento e/ou o relacionamento profissional/paciente: coroas provisórias que se deslocam com facilidade e constância, nas situações mais inconvenientes tanto para o paciente como para o profissional; desajustes ou fraturas marginais que provocam sensibilidade a variações térmicas; inflamação e sangramento gengival localizado (paciente relata que não consegue escovar ou mesmo passar o fio dental pois ocorre sangramento); contatos proximais insuficientes ou inadequados levando a impacção alimentar; formas anatômicas inadequadas,mais comumente o sobrecontorno, causando desconforto ao paciente; incompatível com a dos dentes vizinhos ou antagonistas especialmente quando estão envolvidos os dentes anteriores. Portanto, quando o profissional toma consciência da importância das funções e qualidades das restaurações provisórias, o sucesso do tratamento com prótese parcial fixa ficará mais previsível. Em dentes tratados endodonticamente, os quais receberam pino posteriormente, devemos removemos a guta percha com condensador aquecido e deixamos de 4 a 5 mm de obturação apical, para colocação de um pino provisório. Faz-se o preparo do dente e coloca um fio de orto com uma argola e rarunhas, sendo que a argola deve estar voltada para a proximal. Coloca vaselina no canal, levamos a resina no canal e colocamos o pino de fio ortodôntico. Depois que polimerizou, faz-se a coroa sobre o pino. Enceramento, inclusão e fundição em Prótese Parcial Fixa O processo de obtenção de uma peça protética pela técnica da fundição envolve uma quantidade considerável de materiais, fases e variáveis. Enceramento: Para o preparo do troquel para início do enceramento, deve-se realizar um selamento da superfície, a fim de vedar irregularidades entres os cristais de gesso, tronando a superfície lisa e reduzindo a aderência da cera, uma vez que o padrão de cera precisará ser removido. A cera utilizada deve apresentar boa adaptação, uniformidade e cópia de detalhes da superfície, isto é, as paredes do troquel. Precisa ainda apresentar ótima estabilidade dimensional em temperatura ambiente, não descamar, não apresentar superfície rugosa e queimar sem formação de resíduos para não contaminar a liga. Para isto, temos alguns tipos de cera, sendo: Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 39 - Cera macia (tipo C): apresenta baixa temperatura de fusão, alterações dimensionais em temperatura ambiente, baixa contração de resfriamento, facilidade de manipulação, dificuldade de obter superfícies lisas por polimento e dificuldade de realizar esculturas complexas. Deve então ser mais utilizada em região cervical e não de corpo, não apresenta boas propriedades mecânicas para regiões mais amplas. - Cera média (tipo C): apresenta ponto de fusão intermediário, considerável contração pelo resfriamento e é estável após resfriamento. - Cera dura (tipo A): apresenta alta e constante temperatura de fusão, alta contração por resfriamento, alta estabilidade dimensional, é frágil e quebradiça. As ceras podem ser distorcidas quando há variações de temperatura, durante a aplicação e força para remoção do padrão do troquel, no armazenamento dependendo do tempo e temperatura e durante reparos no padrão devido a tensão no resfriamento. Desta forma, devem ser tomados alguns cuidados, como correto selamento e isolamento do gesso. O encerramento começa no troquel, em seguida passa para o articulador, para que seja analisada a oclusão com o antagonista e a relação com os dentes adjacentes. Após toda a verificação, desgasta uma camada fina da prótese, pois a fundição transformará o material em metal e sobre ele ainda irá o material estético. O padrão em cera deve acompanhar a anatomia do dente, caso contrário ficará regiões com maior e menor espessura do material estético. A margem do padrão de cera pode ter falhas quando houver excesso de cera, ondulações, quando for curta ou aberta. Inclusão: A inclusão consiste em envolver o padrão de cera com um material que duplique com exatidão a sua forma e detalhes anatômicos. Consiste na moldagem do padrão esculpido em cera com material adequado, sendo o material de revestimento. Alguns elementos constituem esta etapa, sendo o anel para fundição, base do anel, padrão de cera, conduto de alimentação, câmara de compensação e revestimento. O anel de fundição é feito de silicone e possui uma forma equidistante entre o padrão de cera e suas paredes. Suas extremidades são abertas e possui 3cm de diâmetro e 3cm de largura. Sua função é imprimir no revestimento uma concavidade para direcionar a liga fundida para o conduto de alimentação. Funciona como receptáculo para acomodar a sobra da liga após o preenchimento do molde. O conduto de alimentação tem a função de criar uma via de acesso para a liga fundida de chegar ao molde do anel de revestimento após a carbonização da cera. Deve ter uma inclinação de 45º, para permitir o padrão fora do centro térmico do anel e reduzir a velocidade de chegada da liga. O conduto pode ser montado de forma direta ou indireta. Na montagem direta um conduto leva o metal fundido direto da base do bloco para a área dos padrões, sendo indicada para unitários ou peças de pequena extensão. Já na montagem indireta um conduto leva o metal fundido para uma barra intermediária e depois para condutos menores e área dos padrões, sendo indicado para peças de maior extensão. Na superfície da cera pode ser utilizado um anti-bolhas, sendo um agende redutor de tensão superficial que tem por função minimizar a formação de bolhas de ar e facilitar o escoamento do revestimento sobre o padrão de cera. Revestimento: A etapa de revestimento consiste em reproduzir a anatomia do padrão de cera; resistir e suportar o aquecimento da queima do padrão e injeção do metal fluido e; compensar a contração da liga metálica. Há alguns tipos de revestimento, como: aglutinados por gesso (fundição e ouro), aglutinados por silicato de etila (fundição e ligas não preciosas para PPR) e aglutinados por fosfato (fundição de todo tipo). Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 40 O produto desse processo é um molde de revestimento endurecido que contém em seu interior o padrão de cera. A cera do padrão e o pino são eliminados pela ação do calor (técnica da cera perdida) em um forno apropriado. O interior do bloco de revestimento vazio será preenchido por uma liga metálica, injetada no interior do molde. Fundição: A fundição é o processo de se obter objetos vazando líquidos ou metal viscoso em um molde preparado ou forma. O objetivo de uma fundição é o de produzir réplicas de um objeto qualquer. A fundição é feita pelo método da cera perdida. Para inserção da liga metálica pode-se usar duas técnicas: pressão de ar e à vácuo e força centrífuga. Na técnica de pressão de ar e à vácuo a liga é derretida na cavidade feita pela base formadora do cadinho. Quando a liga é fundida a máquina exerce uma pressão sobre a mesma fazendo com que ela penetra no molde. O vácuo é aplicado à base do anel simultaneamente a aplicação da pressão. Na técnica da força centrífuga a liga é derretida em um cadinho separado do anel. Quando a liga é derretida, a mesma é injetada no molde por força centrífuga. Acabamento e polimento da peça fundida: Deve-se remover o pino do conduto de alimentação, retocar a escultura, alisar as superfícies com brocas abrasivas e polir com pedras, taça de borracha com pedra pomes e agente polidor. Falhas no processo de fundição podem gerar alguns problemas, como: - Rugosidade superficial ou irregularidades: podem ser do tipo bochechas de ar, causadas na inclusão do padrão de cera; películas de água, quando há separação do revestimento; o aquecimento rápido pode gerar fraturas pelo vapor d’água; o aquecimento prolongado pode desintegrar o revestimento; a temperatura da liga pode gerar contaminação pelo enxofre; ainda pode haver problemas relacionados com o impacto da liga fundida, presença de corpos estranhos e a fusão das ligas. - Distorção do padrão de cera: pode ser gerado por alterações térmicas, sendo um baixo ponto de fusão, que causa contração durante o resfriamento, alteração da forma durante o enceramento do troquel e variações de manipulação. Pode ainda ser gerado por alterações pela liberaçãode tensões induzidas, que causa tensões de compressão liberadas pelo resfriado e tensões pela expansão de presa. - Porosidades: pode ser devido a contração localizada, quando há insuficiência do metal fundido durante a solidificação ou esfriamento rápido. A porosidade pode ser microscópica quando há inclusão de ar ou óxido durante a fusão da liga. - Fundição incompleta: pode ser gerada pela ventilação insuficiente do molde, resultando em margem incompleta ou arredondada. Ainda pode haver fundição incompleta do padrão de cera, quando o preenchimento do molde pela liga é insuficiência. Cimentação em Prótese Fixa A cimentação é o procedimento operatório que visa a fixação de um ou mais elementos protéticos, aos dentes devidamente preparados, por meio de um agente cimentante previamente selecionado. Podemos em dividir a cimentação em temporária e definitiva. A cimentação temporária consiste na fixação de uma prótese fixa definitiva por um período determinado, utilizando-se um agente cimentante classificado como temporário. A cimentação temporária auxilia na observar da integração da prótese definitiva ao sistema estomatognática, em função, avaliando-se a resposta dos tecidos periodontais, a reação pulpar, as relações oclusais, se o assentamento está correto, o controle da higiene do paciente e a estética. Permanecendo em boca por cerca de 15 dias. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 41 Está técnica possui algumas desvantagens, como a solubilização e desintegração do cimento temporário, que pode deslocar a peça totalmente ou parcial, o que pode gerar infiltração e contaminando o complexo dentinho- pulpar. Desta forma, deve haver cuidados constante, com revisões periódicas e instruções ao paciente quanto a sensibilidade a alimentos, temperatura, odores e halitose. Os materiais mais utilizados para este tipo de cimentação são os cimentos de óxido de zinco com ou sem eugenol (Rely X NE, Temp Bond, Temp Bond Ne, Provy, Provicol) e os cimentos à base de hidóxido de cálcio (Hidro C, Dycal). Já a cimentação definitiva consiste na cimentação final da peça protética. O agente cimentante ideal deve ter compatibilidade biológica, ser isolante térmico e elétrico, apresentar efeito terapêutico, possuir alta resistência mecânica, apresentar fluidez satisfatória e ter baixa solubilidade no meio bucal, impedindo a infiltração marginal. Os cimentos mais utilizados são: fosfato de zinco, ionômero de vidro, ionômero de vidro modificado e os cimentos resinosos. O cimento de fosfato de zinco é indicado para próteses fixas com infraestrutura metálica, como as coroas totais metálicas, coros metaloplásticas ou coroas metalocerâmica, com exceção das próteses adesivas. Este cimento possui como vantagens o sucesso clínico comprovado, alta resistência mecânica, fluidez adequada e reduzida espessura de película. Por outro lado, possui como desvantagens o potencial de injuria termoquímica à polpa (não é um isolante térmico), a alta solubilidade na cavidade oral/infiltração, ou seja, se tiver alguma linha de cimento exposta, causará problemas, não possui propriedade antimicrobiana, apresenta falta de adesão às estruturas dentárias (embricamento mecânico) e sua manipulação possui muitos detalhes que podem dificultar. Para a manipulação, deve-se resfriar a placa, pois assim é possível acrescentar mais pó e assim, diminui da acidez do líquido. Em seguinte, deve-se dividir corretamente o pó, isto é dividir tudo em 4; desses 4, um deles deve ser dividido ao meio; e um desses meios deve ser dividido no meio novamente. A consistência adequada é a espessura de película em ponto de fio de bala. Em seguida, basta inserir o cimento na prótese e aplicar uma pressão para o assentamento correto. Após a cimentação, remova os excessos sem presa. Pode esperar ele endurecer, pois assim sai facilmente a película com o auxílio de uma sonda e fio dental. É importante não deixar excesso, pois dificulta a higienização e prejudica a saúde gengival Quando for cimentar vários elementos, deve-se cimentar dois elementos intercalados, ou seja, não cimentar dois dentes adjacentes ao mesmo tempo, pois os excessos podem se unir. O cimento de ionômero de vidro apresenta as mesmas indicações do cimento de fosfato de zinco (infraestrutura metálica). Devemos optar pelo CIV quando o paciente apresenta grande sensibilidade dentinária, alto risco de cárie, quando as margens da prótese estão em cemento (recessão gengival) e quando o paciente apresenta problema digestivos que geram alta acidez bucal. Este material possui como vantagens boas características mecânicas, atividade cariostática, boa fluidez com espessura de película satisfatória que melhora com pressão, baixa solubilidade após a polimerização final quando protegido, coeficientes de expansão e contração térmica próximos ao da estrutura dental e adesão à estrutura dental. Temos o cimento de ionômero de vidro modificado (modificado por resina), sendo um pouco mais resistente, e o cimento de ionômero de vidro convencional. A proporção deste material é de uma gota do líquido para uma pazinha de pó, que deve ser toda englobada durante a aglutinação. O cimento resinoso é indicado para todas as situações clínicas em PPF. Contudo, há algumas indicações específicas, que só ele pode ser utilizado como coroas de cerâmica pura, facetas laminadas, lentes de contato, próteses adesivas, próteses ultraconservadoras e pino intrarradiculares não metálicos. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 42 Este cimento possui algumas vantagens como cores variadas, boa resistência mecânica (melhor resistência dentro os 3), adesividade à estrutura dental e baixa solubilidade (menor solubilidade dentre os 3). Contudo, apresenta as desvantagens de ser uma técnica muito sensível, com custo elevado. Após a aplicação do cimento na coroa, é recomendado fazer uma fotopolimerização inicial para remoção dos excessos de 10 segundos. Isso porque se polimerizar todo o tempo, ficará mais difícil de remover o excesso. Após limpar bem a área cervical, completa a polimerização. Protocolo clínico para a cimentação com qualquer agente cimentante Inicia com uma limpeza criteriosa da prótese e elementos suporte. Em seguida, faz o isolamento correto do campo operatório, manipula o agente cimentante e assenta corretamente a prótese, aplicando uma pressão de cimentação. Remove criteriosa os excessos de cimento. Finalmente, faz os ajustes oclusais adequados. Realiza as instruções ao paciente quanto à higienização e agenda um retorno após 48 horas. O processo de cimentação pode falhar quando o assentamento for feito inadequadamente, quando houver contaminação com umidade ou quando for deixado restos de cimento. Tratamento Protético em Dentes Tratados Endodonticamente com Pinos Intra-radiculares Os dentes tratados endodonticamente possuem menor quantidade de umidade (mas não é significativa), alterações na arquitetura devido a abertura coronária e o desgaste, propriedades físicas e mecânicas diferentes (módulo de elasticidade, resistência a tração e compressiva), alterações estéticas e enfraquecimento dental, uma vez que os dentes tratados endodonticamente apresentam história pregressa de extensas destruições por cárie e procedimentos restauradores. A remoção do teto da câmara pulpar reduz em 90% a resistência do dente. Preparos para MOD reduzem a resistência em 67-69%. O sucesso do dente tratado endodonticamente então está no bom selamento apical, sem nenhuma sensibilidade à pressão e apical, com ausência de exsudato, fístula e inflamação ativa. Tem um índice de sucesso que varia de 53 a 95% Para o tratamento protético desses dentes tratados endodonticamente, que já apresentam fragilidade daestrutura dentária, é indicado então o uso de pinos intra-radiculares. Os procedimentos de tratamento endodôntico e colocação de pino intrarradicular pode gerar fraturas radiculares quando força excessiva é colocada durante a condensação lateral, estresse na raiz é gerado durante a obturação, o preparo para pino é feito de forma excessiva, o núcleo gera um efeito de cunha, quando há corrosão do material do pino intra-radicular ou quando há algum tipo de trauma. Por isto, todas as etapas devem ser feitas com cautela. Os pinos intra-radiculares têm a função de prover retenção para o material restaurador definitivo ou para o material de preenchimento, em restaurações indiretas. Para um correto plano de tratamento do caso, deve-se avaliar a qualidade e quantidade de estrutura dental remanescente, os fatores oclusais, a posição do dente na arcada, a idade do paciente, as condições dos dentes adjacentes e antagonistas, a exigência estética e custo, a emergência de tratamento e experiência prévia do profissional. Os pinos intrarradiculares são indicados em casos de dentes anteriores enfraquecidos pela abertura de acesso, destruição coronária extensa, prevenção de fraturas na área da furca em molares com amplas fraturas e dente que sofre forças horizontais, de cisalhamento ou de compressão intensas e concentradas, sendo aqueles que são elementos suporte de PPF ou PPR. Os pinos intra-radiculares são classificados como pré-fabricados ou personalizados. Os pré-fabricados podem ser metálicos ou não metálicos, sendo que os não metálicos podem ser de fibra de carbono, fibra de vidro ou zircônia. Os pinos personalizados podem ser núcleos metálicos funcionados ou núcleos cerâmicos personalizados. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 43 Esses pinos devem apresentar características ideais, como biocompatibilidade, fácil manuseio, preservação de dentina radicular, não gerar altas tensões à raiz, promover união químico/mecânica com o material restaurador ou de preenchimento, resistência à corrosão, ser estético (em casos de cerâmica pura, para não transparecer) e possuir boa relação custo/ benefício. Técnica de preparo para um pino intra-radicular Inicialmente devemos realizar a avaliação radiográfica do dente em questão, observando a extensão e qualidade do tratamento endodôntico, a anatomia radicular, a natureza do material obturador, se há presença de corpos estranhos ou processos patológicos, a relação do alvéolo com a raiz e se há perfurações ou desvios do conduto. É importante avaliar o nível ósseo, pois o risco de fratura aumento com o aumento da reabsorção óssea. Logo, o nível ósseo deve estar pelo menos no terço médio do pino. Em seguida, inicia-se o preparo do remanescente coronário, no qual deve ser removido todo o tecido cariado e restauração presente, remoção do esmalte que ficar em apoio dentinário e alisamento da superfície remanescente. Passamos então para o preparo do conduto radicular. Alguns fatores podem influenciar na retenção do pino, como: (1) O diâmetro, que deve estar limitado à remoção da guta-percha e do cimento obturador, preservando estrutura dental; o canal só será mais alargamento se dor extremamente estreito. (2) A extensão no preparo pela ser no mínimo igual ao comprimento da coroa clínica, sendo o ideal a proporção de 2/3; é importante deixar de 3 a 5mm de obturação apical remanescente; se o pino estiver no comprimento correto, terá maior dissipação de forças, por outro lado, se estiver curto, terá maior concentração de forças dentro da raiz, aumentando a probabilidade de fratura. Alguns fatores podem limitar a extensão do pino intra- radicular, como o comprimento e a curvatura do canal e obstrução endodôntica. (3) O desenho do pino, quando cilíndrico, apresenta mais retenção do que os pinos cônicos. Uma dificuldade clínica é decidir entre: conservação de estrutura dentinária com menor retenção ou pino mais retentivo com preparo menos conservador. (4) A superfície dos pinos pode ser lisa ou com retenções superficiais. As retenções superficiais são microscópicas, feitas com jateamento ou asperização com pontas diamantadas, e macroscópicas, sendo inerentes aos pinos pré-fabricados. Para o preparo, então, removemos a guta percha com condensador aquecido (método térmico), com a broca Largo ou broca Peeso (método mecânico), alisando as paredes. O uso de soluções que dissolvem a gura percha (método químico) não é indicado para esta tarefa. Em dente unirradiculares o preparo deve ser ovoide. Já em dentes multirraciulares o preparo deve ser feito no conduto mais ampla e reto do dente, sendo nos inferiores o canal distal e nos superiores o canal palatino. Deve-se seguir a anatomia do conduto radicular evitando-se o enfraquecimento de suas paredes. A parte apical do tratamento é uma parte nobre, então temos que manter cerca de 4mm da região apical Núcleo metálicos fundidos – pino personalizado: Quando há grande perda da coroa dental, é impossível realizar um preparo protético. Logo, o NMF é um dispositivo protético que restabelece a porção coronária de um dente tratado endodonticamente permitindo sua reabilitação protética. Seu objetivo é devolver aos dentes condições de receber um preparo protético, para permitir a restauração da forma e função, sendo suporte para PPF e PPR. As vantagens do uso do NMF estão relacionadas com a facilidade do trabalho, com o fato de poder englobar o remanescente coronário no preparo, ter um limite cervical adequado e ainda permitir que a coroa seja refeita, quando necessário. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 44 Por outro, tem as desvantagens de exigir procedimento de moldagem, com maior número de sessões clínica, além do metal ser muito rígido. Após realizar avaliação radiográfica, preparo do remanescente coronário e preparo do conduto radicular. Em seguida, passamos para a moldagem do canal para confecção do pino, podemos usar a técnica direta ou indireta. Na técnica direta a moldagem é feita diretamente na boca da porção radicular e a modelagem da porção coronária com o uso de um pin jet e resina acrílica autopolimerizável. Em seguida, vai para o processo de usinagem, para melhor adaptação clínica, onde são removidos os nódulos e irregularidades, a fim de feita fratura da raiz por concentração de stress. Estando prontos os núcleos, é feita a prova clínica, de forma que este deve se adaptar passivamente, sem deslocar-se ou rotacionar em posição. O ideal é que se faça uma radiografia para observar se o NMF atingiu toda a área de preparo intra-radicular. Estando aprovado o núcleo, é feita a limpeza do conduto, removendo os restos de cimento temporário, pois esses resíduos podem provocar concentração de stress de modo semelhante aos nódulos. Por fim, realiza-se a cimentação com fosfato de zinco, uma vez que minimiza efeito de hidrodinâmica. Deve- se atentar-se à técnica de manipulação, dando a consistência adequada para cimentação. Mantem-se uma pressão digital durante a cimentação, evitando grandes compressão nas regiões apicais. Após a presa inicial, remove=se o cimento em excesso. Para a técnica indireta são usados materiais de moldagem elastoméricos que são levados ao interior do preparo intra-radicular por meio de clips metálico ou pinos de resina acrílica. Esta técnica tem alta porcentagem de risco, principalmente para o pré-molares superiores que possuem duas raízes estreitas e está em região de forças oblíquas. Cimento indicado: Cimento resinoso, Fosfato de zinco e Ionômero de vidro. Pinos pré-fabricados metálicos: Podem ser cônicos ou cilíndricos, sendo que os cilíndricos desgastam mais estrutura dentinária. Podem ser passivos (serrilhados ou lisos) ou ativos (rosqueáveis). Sãovantajosos pois possuem uso fácil e rápido, baixo custo, dispensa etapas laboratoriais, o preparo é mais conservador e está disponível em várias formas, tamanhos e materiais. Para seleção, devemos avaliar a quantidade de estrutura dental remanescente, a configuração do canal, as características dos pinos e a preservação da dentina radicular. Cimento indicado: Cimento resinoso, Ionômero de vidro e Ionômero de vidro modificado com resina. Para os pinos pré-fabricados não metálicos é importante pelo menos 2mm de dentina na região cervical. Cimento indicado: cimento resinoso. Pinos pré-fabricado de fibra de carbono: São compostos por 64% de fibras de carbono e 36% de matriz epóxica. Podem ser paralelos e passivos com extremidade cônica, de diâmetros diferentes, lisos ou serrilhados. São vantajosos pois possuem uma rigidez satisfaria, resistência à fadiga de 2 a 3 vezes maior que o titânio, desgasta menos estrutura dental e possui modulo de elasticidades semelhante à dentina. Contudo, são desvantajosos em casos de necessidade de retratamento do canal, uma vez que são muito difíceis de remover e não possuem radiopacidade. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 45 Seu fracasso ocorre quando há fratura ou deslocamento do pino, fratura do dente ou textura inadequada do material de preenchimento. Pinos pré-fabricado de fibra de vidro: São compostos por 42% de fibra de vidro longitudinais/unidirecionais, 29% de matriz BIS GMA para envolver as fibras e 29% de partículas inorgânicas. Podem ser paralelos, cônicos, de diferentes diâmetros (1mm, 1,25mm ou 1,5mm), com 19mm de comprimento, lisos ou serrilhados. São vantajosos pois possuem boa resistência mecânica, módulo de elasticidade próximo a estrutura dental, adesão química às resinas, sendo dispensável o tratamento de superfície prévio à cimentação, fácil manipulação, menor custo que fibra de carbono, fototransmissores, fáceis de remover e estéticos pois são translúcidos. Para a fixação do pino de fibra de vidro, deve-se preparar o conduto radicular com ácido fosfórico a 37% e fixar o pino com cimento autoadesivo. Em seguida, faz a confecção da porção coronária. Em canais muito amplos, pode-se utilizar de pinos acessórios ou realizar a individualização do pino de fibra de vidro em canais alargados utilizando-se resina composta. A principal desvantagem está na dificuldade de remoção, tendo riscos de desvios e perfurações. Pinos pré-fabricados cerâmicos: São compostos por zircônia tetragonal policristalina e óxido de ítrio (YTZP). Suas vantagens são: estética, com boa transmissão luz, biocompatibilidade, ausência de corrosão galvânica, uso fácil e rápido (direta), dispensa moldagem e fase laboratorial (direta) e está disponível em diferentes diâmetros. As principais desvantagens são: dificuldade de remoção e risco de desvios e perfurações devido ao alto módulo de elasticidade da cerâmica, concentração de tensões nas paredes radiculares, dificuldade de tratamento de superfície, reduzindo a resistência adesiva com os materiais resinosos, incompatibilidade química e diferença no módulo de elasticidade com resinas compostas e alto custo. Fixação dos pinos não metálicos: uso de cimentos resinosos - importante a formação da camada híbrida Extensão correta: prevenção de fraturas radiculares • Extensão no mínimo igual ao comprimento da coroa clínica • Importante: 3 a 5mm de obturação apical remanescente A integridade da raiz é sempre o fator mais importante. CIMENTOS O agente cimentante deve ser adesivo às estruturas de contato, apresentar baixa viscosidade, com pequena espessura de película, boas propriedades mecânicas (resistência flexural), radiopacidade, ser de fácil manipulação, apresentar selamento marginal e baixa solubilidade. O cimento que mais se aproxima dessas características ideais é o cimento resinoso. Mas apesar disto, é indicado em situações específicas. Os tipos de cimentos são: cimento de fosfato de zinco, cimento de ionômero de vidro cimento, cimento de ionômero de vidro cimento resino-modificado (híbrido) e cimento resinoso. O cimento fosfato de zinco é indicado para núcleos metálicos fundidos e pinos pré-fabricados metálicos; apresenta facilidade técnica, baixo custo, não ocorre adesão às estruturas e possui alta resistência à compressão. O ionômero de vidro apresenta adesão ao esmalte e à dentina, liberação de flúor, efeito anticariogênico. Contudo é susceptível à sinérese e embebição e possui baixa resistência à tensão. Apostila produzida através das aulas de Prótese Parcial Fixa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - FORP/USP 46 O cimento resinoso é quimicamente ativado e por este motivo apresenta alta contração de polimerização. Pode também ser fotoativado, contudo é difícil polimerizar devido ao alcance da luz. Ambos são contraindicados para pinos intra-radiculares, sendo o mais indicado o cimento resinoso dual (químico e foto). Para a cimentação de núcleos, o canal deve estar limpo de todos os resíduos, inclusive lubrificantes. Para isto, pode-se utilizar hipoclorito de sódio (melhor para cimento resinoso) ou gluconato de clorexidina em gel. Pinos intra-radiculares obtidos pela tecnologia CAD/CAM Tornam os processos mais dinâmicos e previsíveis. Sendo que há 4 possibilidades: escaneamento de um padrão em resina obtido convencionalmente, escaneamento do molde e do modelo obtido no conduto preparado utilizando scanbody para conduto, escaneamento intraoral direto do conduto utilizando scanbody de escaneamento intra-radicular e escaneamento intraoral direto. Pinos desenvolvidos pela tecnologia CAD/ CAM podem surgir como alternativa viável para restaurações intra- radiculares, mas esta modalidade de obtenção do pino depende diretamente do entendimento dos materiais referentes aos pinos e sua correta utilização. (Albuquerque et al., 2018).