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Aula 12 - Micobactéria 1 Aula 12 - Micobactéria https://s3-us-west-2.amazonaws.com/secure.notion-static.com/e465195f-dc1b-46b4-9f68-8eb93b3b2ac7/Mico bacterium_-_Estudo.pdf 2021_47_2_3520_portugues.pdf (gn1.link) INTRODUÇÃO Ordem → Actinomycetalis Família → Mycobacteriaceae Gênero → Mycobacterium Aproximadamento 172 espécies e 13 dub-espécies A maioria são espécies saprófitas (decompositoras) e vivem no ambiente Observações Muitas das bactérias desta ordem produzem substâncias bioativas, como antifúngicos, antibacterianos e substâncias anti-tumorais MYCOBACTERIUM Nome proposto por Lehmann e Neumann em 1896 “Mico”bactérias (sufixo “mico” = fungo) https://www.notion.so/signed/https%3A%2F%2Fs3-us-west-2.amazonaws.com%2Fsecure.notion-static.com%2Fe465195f-dc1b-46b4-9f68-8eb93b3b2ac7%2FMicobacterium_-_Estudo.pdf?table=block&id=f04e0e03-0abc-4423-9be3-2af04f58ecd5&spaceId=89a86349-7b9d-411b-bb2f-6ca6fc30362c&userId=b050fdb7-8018-4888-9ef0-f18a1d8fba84&cache=v2 https://cdn.publisher.gn1.link/jornaldepneumologia.com.br/pdf/2021_47_2_3520_portugues.pdf Aula 12 - Micobactéria 2 Em referência à película formada pelo M. tuberculosis na superfície de meios líquidos que era similar a produzida por alguns fungos As micobactérias são bastonetes muito finos, que vão se multiplicando e adquirindo o aspecto filamentoso como o dos fungos IMPORTÂNCIA EM SAÚDE Agente etiológica da tuberculose humana e bovina Tuberculose está relacionada com o aumento de infecções por HIV Agente etiológico de hanseníase Alta prevalência no Brasil Agentes de doenças disseminadas em imunossuprimidos CLASSIFICAÇÃO Família → Mycobacteriaceae Gênero → Mycobacterium A classificação das Micobactérias não tuberculosas é dinâmica, visto que mescla critérios tradicionais com critérios moleculares Classificação de Runyon Estes critérios levam em consideração: Capacidade de causar doença Sempre patogênicos Geralmente patogênicos Não patogênicos Velocidade de crescimento Crescimento lento Crescimento rápido Coloração - Produção de pigmento carotenóide Fotocromogêneas: produzem pigmento apenas na presença de luz Escotocromogêneas: produzem pigmento apenas no escuro Não cromogêneas: não produzem pigmentos em nenhuma situação Aula 12 - Micobactéria 3 ⇒ Complexo Mycobacterium tuberculosis, Mycobacterium leprae, Mycobacterium bovis não são agrupáveis na classificação de Runyon As diferentes espécies de micobactérias possuem sensibilidades diferentes aos antimicrobianos Mycobacterium leprae Causador da hanseníase Complexo Mycobacterium tuberculosis Aula 12 - Micobactéria 4 Mycobacterium tuberculosis Mycobacterium bovis Apesar a M. bovis cause tuberculose em bovinos, ela também é capaz de causar a tuberculose em humanos com a mesma clínica que o M. tuberculosis Infecção menos frequente, devido ao controle da tuberculose bovina A vacina BCG é feita a partir de uma linhagem do M. bovis Este complexo possui representantes com 99,9% de identidade genética Micobactérias não tuberculosas (MNT) Causam infecções linfáticas, pulmonares, esqueléticas, cutâneas e disseminadas Complexo Mycobacterium avium - Infecções oportunistas em pacientes com AIDS Mycobacterium avium avium Mycobacterium hominissuis Mycobacterium paratuberculosis Mycobacterium intracellulare CARACTERÍSTICAS GERAIS Bacilos imóveis Parece celular rica em lipídios Parede complexa, rica em ácido micólico e de natureza hidrofóbica Álcool-ácido resistentes Resistentes a fármacos Não esporuladas Sem cápsula Intracelular Podem infectar e proliferar no interior de macrófagos Aula 12 - Micobactéria 5 Aeróbias estritas M. tuberculosis tem preferência pelo ápice pulmonar - maior [O2] Geralmente são mesófilas Temperatura ótima é variável, mas a maioria é mesófila Tempo de crescimento variável, mas a maioria é lento Lento - Tempo de geração de 18-28h Formação de colônias em até 1 mês Devido a parede celular Parede celular Fina camada de peptideoglicano Possuem ácido N-glicolilmurâmico em vez de ácido N-acetilmurâmico Arabinogalactano Polissacarídeo Grande quantidade e tipos de lipídeos complexos 60% do peso da parede do M. tuberculosis são devido a lipídeos Grande concentração de ácido micólico ⇒ Fator de virulência (envolvido na patogênese de doenças) Lipídeos superficiais LipoArabinomanana (LAM) Presença de porinas Não possui membrana externa Aula 12 - Micobactéria 6 Propriedades intrínsecas Resistentes as colorações usuais Resistentes a corantes, antibióticos, ácidos, álcalis e desinfetantes Bacilos álcool-ácidos resistentes (BAAR) Coloração de Ziehl-Neelsen Aula 12 - Micobactéria 7 COLORAÇÃO DE ZIEHL-NEESEN - BAAR Utiliza-se 2 corantes: fuxina e azul de metileno. O resultado de uma lâmina corada com esta coloração é um fundo azul com bactérias coradas em vermelho Para realizar esta técnica de coloração, adiciona-se a amostra a ser avaliada e a fuxina a uma lâmina, aquecendo- a em seguida. Com este aumento da temperatura, a camada de lipídeos presente na parede celular da bactéria se liquefaz e o corante é capaz de entrar na célula bacteriana. Após isso, quando a lâmina resfria, os lipídeos presentes na parede celular das bactérias se solidificam novamente, de modo que todas as bactérias presentes no material ficam coradas (mesmo as que não sejam micobactérias). Para se diferenciar as micobactérias na amostra, adiciona-se uma mistura de álcool + ácido acético ao esfregaço. As bactérias que não são álcool-ácido resistentes são descoradas e as BAAR permanecem com o corante associado a elas. Em seguida, utiliza-se o azul de metileno para corar as bactérias que foram descoradas Aula 12 - Micobactéria 8 MYCOBACTERIUM TUBERCULOSIS O M. tuberculosis foi uma das bactérias estudadas por Robert Koch, sendo devido a isso denominado de “Bacilo de Koch” Uma micobactéria pigmentada ou de crescimento rápido nunca deve ser confundida com a Mycobacterium tuberculosis Sem fatores de virulência clássicos Componentes lipídicos estão envolvidos na patogênese Intracelulares facultativos e não são destruídos no interior de fagócitos Evitam a fusão do fagossomo com o lisossoma Liberam PknG - Proteína kinase G Medeiam infecções que podem durar a vida toda do indivíduo O que causa o desenvolvimento da doença é a estimulação do sistema imunológico do hospedeiro Aula 12 - Micobactéria 9 Estrutura antigênica Localizada na parede celular Lipídios Ricas em lipídios com ácidos micólicos, ceras e fosfatídios Os lipídios estão ligados a proteínas e polissacarídeos, são responsáveis pela álcool-ácido resistentência Os ácidos micólicos podem promover a formação de granuloma Os fosfolipídios induzem necrose caseosa (necrose com aspecto de queijo mole) Proteínas Estimulam a reação tuberculínica Induzem a formação de anticorpos Polissacarídeos Possuem papel incerto em relação à patogênese Podem induzir hipersensibilidade do tipo imediata TUBERCULOSE EPIDEMIOLOGIA Reservatório natural ⇒ Homem Transmissão Inalação de aerossóis infectados Patógenos estritos relacionados a Tuberculose M. tuberculosis M. bovis Atualmente vem se reduzindo a incidência de infecções por M. bovis devido ao menor número de gados com tuberculose e ao maior consumo de leite pasteurizado – visto que a contaminação por este micro- organismo ocorria principalmente através da ingestão leite não pasteurizado Patógenos oportunistas relacionados a Tuberculose Principalmente os do complexo M. avium-intracellulare e M. kansasii Normalmente resistentes aos antimicrobianos utilizados no tratamento da tuberculose causada pelos patógenos estritos Aula 12 - Micobactéria 10 FORMAS CLÍNICAS Tuberculose primária (primoinfecção) → Primeiro contato do paciente com o Bacilo de Koch Pode apresentar dois tipos básicos de evolução 1. Tuberculose ativa (5-10%) Pessoas saudáveis infectadas pela tuberculose têm aproximadamente 5% a 10% de risco durante a vida de desenvolver doença ativa Formas possíveis → Pulmonar,renal, óssea ou outros 2. Interrupção da infecção primária (90-95%) Bactérias podem permanecer nos focos infecciosos em estado de latência e poder ser reativadas posteriormente, causando a TB 2º Tuberculose Secundária Reativação endógena das bactérias em estado de latência devido a condições de imunossupressão do hospedeiro Reinfecção A tuberculose secundária deriva da reativação de uma infecção latente, mas também pode resultar de uma reinfecção exógena, no caso de uma redução da imunidade do hospedeiro, ou quando um grande inóculo de bacilos virulentos sobrecarrega o sistema imune do hospedeiro O risco de progressão da infecção, passando a causar doença, é mais comum no caso de indivíduos com as seguintes condições: Infecção por HIV Diabetes mellitus Tratamento prolongado com corticoides Terapia imunossupressora Doenças renais crônicas Desnutrição Os sintomas da tuberculose são Tosse, febre, falta de apetite, emagrecimento, cansaço e suores noturnos Na maioria das pessoas saudáveis, a tuberculose primária é assintomática, apesar de poder causar febre e derrame pleural PATOGENIA Os bacilos que alcançam o alvéolo pulmonar são ingeridos pelos macrófagos, mas podem sobreviver Infecção presente, mas não há sintomas da doença Aula 12 - Micobactéria 11 Proliferação dos bacilos no interior dos macrófagos provocam uma resposta quimiotática que atrai mais macrófagos e outros leucócitos Essas células irão formar uma camada circundante ao redor dos bacilos e, assim, um tubérculo inicial Os macrófagos circundantes liberam enzimas e citocinas que geram uma lesão pulmonar inflamatória Após algumas semanas, os sintomas da doença aparecem à medida que os macrófagos morrem, liberando bacilos da tuberculose e formando um centro caseoso no tubérculo Os bacilos aeróbios da tuberculose não crescem bem nesse local Porém, muitos permanecem dormentes (TB latente) e servem como base para uma futura reativação A doença pode ser interrompida nesse estágio e as lesões tornam-se calcificadas Em algumas pessoas, os sintomas da doença aparecem a medida que o tubérculo maduro é formado A doença progride a medida que o centro caseoso aumenta (liquefação) O centro caseoso aumentado forma uma cavidade tuberculosa preenchida por ar, na qual os bacilos aeróbios se multiplicam fora dos macrófagos A liquefação continua até a ruptura do tubérculo, permitindo que os bacilos liberados atinjam um bronquíolo e, em seguida, para os demais sistemas do organismo Disseminação para rins, ossos longos, SN, linfonodos, pâncreas, pele … Aula 12 - Micobactéria 12 Os órgãos que são mais frequentemente acometidos são os pulmões, gânglios, pleura, rins, cérebro e ossos EPIDEMIOLOGIA A tuberculose é a 4ª maior causa de morte por doenças infecciosas no Além disso, ela também é a primeira causa de mortes dentre as doenças infecciosas nos pacientes HIV+ No Brasil, vem sido observada uma queda na incidência e na mortalidade da tuberculose. Todavia, vem acontecendo também um aumento do número de isolados resistentes aos antibacterianos normalmente utilizados no tratamento desta infecção. O AM e o RJ são os estados com maior incidência Aula 12 - Micobactéria 13 A tuberculose miliar (forma disseminada) é a forma mais grave da doença. Todavia, ela não é a mais frequente, nem a que causa maior número total de mortes, visto que a forma responsável pela maior proporção dos óbitos é a tuberculose pulmonar DIAGNÓSTICO DA TUBERCULOSE Meio de cultura para cultivo Lownstein-Jensen Albumina, lecitina (ovo), glicerol, asparagina, sais minerais, verde malaquita (agente inibidor) Middlebrook (agar e caldo) Stonebrink Laboratorial Pode ser realizada a cultura ou microscopia direta (realizando-se a coloração de Ziehl-Neelsen) Teste de Mantoux / tuberculínico / PPD Aula 12 - Micobactéria 14 Pesquisa de hipersensibilidade tardia (HS do tipo IV) Não é utilizada no diagnóstico Analisa se o indivíduo já entrou em contato com o M. tuberculosis (como em vacinas) A tuberculina é um produto obtido de um filtrado de cultivo de M. tuberculosis em um caldo proteico Os bacilos cresceram durante seis semanas neste caldo, e dele é obtido um derivado proteico purificado (PPD) Aplicação intradérmica de 0,1 mL de PPD Positivo - forma-se uma pápula que deve ser medida em 48h A interpretação do teste depende do diâmetro da pápula formada Teste negativo tem maior valor diagnóstico Problemas Teste negativo em pacientes que já foram infectados pelo M. tuberculosis (HIV+) Pacientes anérgicos O teste sempre será positivo em pessoas vacinadas pela BCG TRATAMENTO Esquema básico ⇒ Padronizado e duração de 6 meses Dois primeiros meses (RIPE) Rifampicina, isoniazida, pirazinamida, etambutol Quatro últimos meses (RI) Rifampicina, isoniazida PREVENÇÃO E CONTROLE Imunoprofilaxia Vacina BCG Investigação e tratamento dos catatos Quimioprofilaxia Isoniazida MYCOBACTERIUM LEPRAE - Hanseníase Doença infecto-contagiosa de evolução lenta, com manifestações dermatoneurológica, podendo levar a incapacidades físicas e deformidades Agente etiológico Mycobacterium leprae Aula 12 - Micobactéria 15 Características gerais Álcool-ácido-resistentes Não são cultivados em meios bacteriológicos artificiais Devido a isso, não é possível se realizar o diagnóstico da Hanseníase baseado em culturas Parasita intracelular obrigatório Infecta nervos periféricos, especificamente células de Schwann Afinidade por células cutâneas e por células dos nervos periféricos Baixa patogenicidade e alta infectividade Histórico Brasil é o 2º país com maior número de casos Principais locais → Índia, Nepal e Brasil Maiores índices Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Pará e Piauí O isolamento compulsório dos pacientes com hanseníase ocorreu até 1976 ASPECTOS GERAIS DA DOENÇA Ser humano é a única fonte de transmissão Embora tenham sido encontrados animais naturalmente infectados (tatu, macaco mangabei e chimpanzé), eles não são capazes de transmitir a hanseníase para seres humanos Transmissão principalmente pelas vias aéreas superiores Contato próximo e prolongado com uma pessoa doente e sem tratamento Longo período de incubação Em média de 2-7 anos Afeta principalmente áreas levemente mais frias do corpo humano, como pele, nervos, nariz, faringe, laringe, olhos, orelhas e testículos São formadas lesões cutâneas na forma de máculas anestésicas PATOGENIA Forma tuberculoide Evolução benigna e não progressiva da doença Lesões cutâneas maculares BAAR em pequeno número Acometimento assimétrico dos nervos Teste cutâneo positivo Aula 12 - Micobactéria 16 Presença de anticorpos circulantes Ocorre principalmente em pacientes imunocompetentes Forma lepromatosa Lesões cutâneas nodulares Acometimento simétrico dos nervos BAAR abundantes Bacteremia contínua Teste cutâneo negativo Ocorre principalmente em pacientes imunocomprometidos Evolução maligna e progressiva Face leonina DIAGNÓSTICO Aula 12 - Micobactéria 17 Laboratorial Como não é possível se realizar culturas, realiza-se baciloscopia de amostras obtidas pela raspagem de mucosas ou da pele do paciente Para a observação do M. leprae, realiza-se a coloração de Ziehl-Neelsen É possível se observar uma maior presença de BAAR em pacientes com a forma lepromatosa Teste de Mitsuda É um teste semelhante ao da tuberculina. Utiliza-se proteínas isoladas do Mycobacterium leprae, de modo que é formado um nódulo (pápula) se o indivíduo já teve contato com este micro-organismo TRATAMENTO O tratamento da Hanseníase é prolongado e são utilizados diferentes antibacterianos. É uma doença totalmente curável, de forma que se o tratamento é realizado frente aos sintomas iniciais, ocorre boa recuperação e não agravamento do quadro