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Práticas de ensino e avaliação de gramática APRESENTAÇÃO O processo de avaliação é de fundamental importância no ensino e deve ser condizente com a abordagem adotada pelo professor. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai refletir sobre o papel do professor e dos alunos nesse processo. Como podemos avaliar os alunos de uma maneira formativa que realmente colabore com sua aprendizagem? As grades de avaliação se constituem como ótimos instrumentos para se avaliar de forma adequada, desde que os critérios sejam construídos colaborativamente e de acordo com os gêneros do discurso trabalhados em sala de aula. Você vai, ainda, estudar a importância da avaliação como uma maneira de reflexão sobre o trabalho realizado em aula e discutir como a avaliação da aprendizagem de elementos gramaticais se encaixa dentro de uma concepção mais ampla de avaliação na abordagem de ensino de língua portuguesa com foco nos gêneros do discurso. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever a importância da avaliação como ferramenta de diagnóstico da progressão dos alunos. • Analisar as diferentes maneiras de avaliação de gramática em sala de aula.• Reconhecer práticas de ensino e avaliação de gramática variadas.• INFOGRÁFICO Para elaborar uma boa tarefa de reflexão linguística, há certos critérios que devem ser seguidos. No infográfico a seguir, você pode conferir oito deles. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! CONTEÚDO DO LIVRO Como se desprender de uma avaliação hegemônica historicamente instaurada na escola? Como considerar a evolução dos alunos em suas produções textuais? Encontre as respostas para essas e outras perguntas no capítulo do livro. Inicie seus estudos em O espaço de reflexão linguística nas aulas de LP e continue lendo até Reflexão linguística e avaliação. Boa leitura! LINGUÍSTICA APLICADA AO ENSINO DO PORTUGUÊS Juliana Battisti Bibiana Cardoso da Silva Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 B336l Battisti, Juliana. Linguística aplicada ao ensino do português / Juliana Battisti, Bibiana Cardoso da Silva. – Porto Alegre : SAGAH, 2017. 157 p. : il. ; 22,5 cm. ISBN 978-85-9502-062-7 1. Linguística aplicada. I. Silva, Bibiana Cardoso da. II. Título. CDU 81’33 Linguistica_Aplicada_Iniciais_Impressa.indd 2 10/03/2017 13:13:36 Práticas de ensino e avaliação de gramática Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: n Descrever a importância da avaliação como ferramenta de diagnóstico da progressão dos alunos. n Analisar as diferentes maneiras de avaliação de gramática em sala de aula. n Reconhecer práticas de ensino e avaliação de gramática variadas. Introdução O processo de avaliação é de fundamental importância no ensino e deve ser condizente com a abordagem adotada pelo professor. Nesta unidade, vamos refletir sobre o papel do professor e dos alunos nesse processo. Como podemos avaliar os nossos alunos de uma maneira formativa que realmente colabore com sua aprendizagem? As grades de avaliação constituem ótimos instrumentos para se avaliar de forma adequada, desde que os critérios sejam construídos colaborativamente e de acordo com os gêneros do discurso trabalhados em sala de aula. Neste texto, você vai estudar sobre a importância da avaliação como uma maneira de reflexão sobre o trabalho realizado em aula. Vamos discutir como a avaliação da aprendizagem de elementos gramaticais se encaixa dentro de uma concepção mais ampla de avaliação na abordagem de ensino de língua portuguesa com foco nos gêneros do discurso. O espaço da reflexão linguística nas aulas de LP Nas aulas de Língua Portuguesa, há um espaço importante para a refl exão sobre o uso da linguagem. Essa refl exão é realizada através da análise e discussão Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 148 10/03/2017 10:37:06 de textos autênticos, pertencentes a diferentes gêneros do discurso, na busca de compreensão de determinados padrões que nos ajudem a circular em diferentes esferas do uso da língua. Esse espaço de refl exão acontece, basicamente, em dois momentos dentro da unidade didática planejada pelo professor: dentro da tarefa de leitura, na etapa de estudo do texto, e no processo de análise das produções dos alunos, fazendo parte da sequência de trabalhos para a reescrita. Isso signifi ca que os conteúdos para a refl exão linguística partem dos textos trabalhados em aula, tanto dos textos trazidos pelo professor quanto dos textos produzidos pelos alunos. Gêneros do discurso: tipos relativamente estáveis de textos (orais e escritos), que reconhecemos com base na nossa experiência com diferentes textos em determinadas áreas. Cada contexto de uso da linguagem (quem fala, com quem, com que objetivo, em que situação, em que lugar, através de qual suporte, etc.) determina as características do que é dito e de que forma é dito. Entretanto, há algumas características textuais que podemos dizer que se repetem em condições semelhantes de produção (RIO GRANDE DO SUL, 2009). Na nossa experiência como professoras de Língua Portuguesa, partindo de uma perspectiva funcional de reflexão sobre a língua, percebemos que há um conjunto de conteúdos que podemos considerar importantes de incluir nos nossos planos de estudo para a reflexão linguística, pois auxiliam os alunos nas tarefas de leitura e produção textual. Podemos dizer que são conteúdos importantes para a reflexão linguística funcional, centrada nos usos em textos. O Quadro 1 é uma adaptação da listagem de conteúdos trazidas nos Referenciais Curriculares do Rio Grande do Sul (2009, p. 78-82): Gêneros do discurso Não apenas serão objeto de discussão e reflexão, mas principalmente serão objeto de trabalho, na leitura e na produção. Os gêneros são os conteúdos estruturantes das unidades, ou seja, o elenco de gêneros a ser estudado deve guiar a seleção de textos para leitura e de projetos para a produção de textos. Quadro 1. Listagem de conteúdos. (Continua) 149Práticas de ensino e avaliação de gramática Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 149 10/03/2017 10:37:06 Fonte: Adaptado de Referenciais Curriculares do Rio Grande do Sul (2009, p. 78-82). Vocabulário A extensão do vocabulário reconhecido, compreendido e usado por uma pessoa está sempre muito correlacionada à sua competência de leitura; portanto, esse é um dos aspectos de reflexão linguística a se tornar constante no cotidiano da aula de português. Elementos da organização estrutural da língua Relações de predicação e a estrutura de orações simples e complexas; funções sintáticas principais: distinção entre relações de complementação e relações de adjunção ou oposição; funções das principais classes de palavras; relações entre as formas de classes que se flexionam; relações entre estruturas de complementação dos verbos e padrões oracionais; funções dos tempos, aspectos, modos e vozes verbais. Recursos para a coesão textual Estabelecimento de continuidade referencial ao longo de textos; emprego de recursos como a repetição e a substituição para estabelecer conexões entre passagens de um texto; uso de estruturas sintáticas paralelas para garantir a coesão. Tópicos de norma padrão Estudo das variedades linguísticas. As variedades devem ser tópico de reflexão crítica não preconceituosa e de aprendizagem, para que os usos padrão passem a ser acessíveis aos alunos na leitura e se façam presentes em sua produção escrita sem que a capacidade expressiva dos usos não padrão seja mal compreendida. Convenções da escrita Segmentação do texto em frases, períodos e parágrafos ou outras unidades conforme o gênero do discurso; representação da fala em diálogos escritos conforme o gênero do discurso; pontuação; ortografia oficial e, portanto, acentuação; uso do sinalde crase; uso de marcas gráficas; formatação do texto na página conforme o gênero do discurso; uso de maiúsculas e minúsculas; recursos para registro escrito em diferentes meios. Quadro 1. Listagem de conteúdos. (Continuação) Linguística aplicada ao ensino do português150 Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 150 10/03/2017 10:37:06 O Quadro 1 apresenta apenas sugestões de elementos que poderão compor o plano de estudos na aula de língua portuguesa, focalizando na ligação que há entre o trabalho com a leitura e a produção de textos e os conhecimentos sobre a gramática. É importante destacar que os elementos mencionados poderão aparecer mais de uma vez no plano. Muitos elementos precisam ser trabalhados inúmeros vezes até serem incorporados nos repertórios dos alunos. No momento da avaliação, é importante que o professor perceba a capacidade dos alunos de explorarem as funções desses elementos. A avaliação deve se- guir se propor a analisar apenas o que foi apresentado ao aluno como critério avaliativo e como etapa a ser cumprida. Por isso que a prática de avaliação nessa perspectiva exige do professor uma postura flexível e democrática, pois ele precisa construir com os alunos a melhor forma de avaliá-los. A avaliação, aqui, não é algo misterioso, não é algo que só o docente deve saber. Por isso, pensar, também, na transposição didática desse avaliar é premissa fundamental para a reconfiguração das aulas de português. O papel da avaliação na aula de língua portuguesa Avaliador ou corretor? Que tipo de professor de língua portuguesa você quer ser? A resposta a essa pergunta está certamente relacionada a nossa concepção de linguagem e de ensino. Quando entendemos que o texto, em sua função dialógica, é o elemento central da aula de língua portuguesa, a nossa avaliação não pode ser apenas uma “correção” gramatical, afi nal, antes de sermos um avaliador daquele texto produzido por nossos alunos, somos seus leitores, seus interlocutores. Como leitores, temos atitudes responsivas ao textos que vão além de “corrigir”. É claro que o professor está sim permanentemente na posição de avaliador, e esse é um trabalho de imensa responsabilidade. Provavelmente, todos nós já passamos pela seguinte experiência como alunos: escrevemos na aula de Língua Portuguesa um texto expressando alguma opinião ou sentimento, imaginando o que o professor, o único possível leitor daquele texto, pensaria daquilo. Contudo, ao recebermos o texto de volta, ele tem apenas marcações nos lugares nos quais deveríamos ter colocado uma vírgula e marcações nos nossos erros ortográficos. Nenhum comentário sobre nosso esforço de expressar a nossa opinião da melhor maneira possível, ou ainda sobre o que o professor pensa do que escrevemos. É um triste fim para um texto, que nasce para a interlocução, morrer sem nenhum leitor, sendo apenas um objeto de correção. Depois de repetidas experiências como essa, 151Práticas de ensino e avaliação de gramática Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 151 10/03/2017 10:37:06 acabamos escrevendo textos para serem corrigidos, nos preocupando cada vez menos com o sentido e a função social do texto. Isso pode ser um treinamento para o uso da variedade padrão, mas não forma de fato alunos capazes de usar diferentes gêneros do discurso em diversas situações da linguagem em uso. Isso significa que não devemos corrigir os textos dos nossos alunos? Não, isso significa que a revisão gramatical é apenas uma parte na avaliação de uma produção textual. Assim como a reflexão sobre a linguagem tem um papel importante na análise dos textos lidos e produzidos pelos alunos e ajuda na reescrita dos textos, ela também faz parte da grade de avaliação, pois espera- -se que os alunos incorporem novas estruturas e vocabulário ao seus textos a medida em que são trabalhados em sala de aula. Ou seja, a gramática faz parte do ensino e da avaliação na aula de LP, mas de maneira contextualizada, pois está relacionada diretamente às tarefas de leitura e de produção textual, que são o nosso principal foco. O interessante é que, quando o professor se posiciona como interlocutor dos textos dos alunos, os alunos passam a entender a escrita como uma possibilidade de manifestação pessoal: mesmo com o receio de escrever “errado”, os alunos arriscam-se mais (SCHLATTER; GARCEZ, 2014). O objetivo é que os alunos não entreguem um texto com a “cara” que o professor quer, mas com marcas de autoria e que a formação dessa identidade autora vá se consolidando ao longo de suas vidas escolares. É muito difícil rompermos com o paradigma da avaliação hegemônica associada ao julgamento, enraizado no ensino há tantos anos. Essa avaliação se preocupa em saber o que o aluno sabe, o que ele não sabe, quais são os conhecimentos que ele “domina”. Ela exclui os alunos que não conseguem atingir as competências esperadas. Essa concepção de avaliação não é condizente com o nosso entendi- mento de ensino, aprendizagem e linguagem. Para sermos coerentes com nossa abordagem de ensino, é necessário repensarmos a maneira como avaliamos nossos alunos e o nosso entendimento do que é avaliar. A prática de avaliar precisa ser discursiva, e isso quer dizer, segundo Marcuschi e Suassuna (2007, p. 6), que [...] o diálogo precisa ocorrer o tempo todo: professor-aluno, alunos entre si, aluno com conhecimento. O professor precisa olhar, analisar o que o aluno está dizendo, o discurso que traz para escrita. Essa é uma construção processual. Dizemos isso há anos, e a dificuldade de enxergar discursi- vamente o texto permanece. A força ainda está centrada na correção gramatical, que nem sempre é feita de maneira adequada. Linguística aplicada ao ensino do português152 Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 152 10/03/2017 10:37:06 Marcuschi e Suassuna (2007) falam também sobre os comentários feitos pelos professores sobre os textos dos alunos, afirmando que eles são nor- malmente vagos: “escreveu pouco, podia ter escrito mais”, “você podia ter desenvolvido mais o texto”. Ainda é muito comum a associação errônea do número de linhas à qualidade do texto. Muitos alunos escrevem textos curtos justamente porque estão tão preocupados com as correções gramaticais que querem se arriscar menos. O aluno percebe que, em algumas situações, o professor não está realmente interessado em saber o que o aluno tem a dizer sobre o assunto, ele apenas quer saber se ele “domina” as regras da variedade padrão da Língua Portuguesa. A consequência disso é que o aluno acaba desmotivado a realizar a tarefa, sem vontade de escrever e dizer sinceramente o que pensa, afinal, não terá um interlocutor. Por isso que a prática de avaliar é tão importante, pois pode fazer com que um aluno desista de escrever ou pode motivá-lo a engajar-se como um autor de diferentes textos. Para saber mais sobre o assunto, leia Avaliação em língua portuguesa, organizado por Elizabeth Marcuschi e Lívia Suassuna (2007). Reflexão linguística e avaliação É fundamental lembrarmos que essas novas práticas de avaliação exigem muita leitura para rediscutir, replanejar o que se ensina. Enquanto a visão única de língua, a norma padrão, prevalecer como a única linguagem legítima, verdadeira e correta, será difícil mudarmos a maneira como enxergamos a avaliação na aula de Língua Portuguesa. Uma questão fundamental quando discutimos avaliação é a explicitação de critérios pelo professor. É importante que os alunos saibam como estão sendo avaliados e participem da elaboração dessa grade de avaliação. Segundo Elizabeth Marcuschi e Lívia Suassuna (2007), o conjunto de critérios é construído histórica e contextualmente. Os critérios precisam ser consistentes, estabelecidos e presentes desde o início do processo de produção de textos. 153Práticas de ensino e avaliação de gramática Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 153 10/03/2017 10:37:06 Schlatter e Garcez (2012, p. 165) sugerem parâmetros de avaliação de leitura e escrita, conformevocê pode ver no Quadro 2. Fonte: Schlatter e Garcez (2012, p. 165). Parâmetros de avaliação de leitura e escrita – descritores RESULTADO DESCRIÇÃO RECOMENDAÇÃO 3 – Cumpre a tarefa adequadamente - Apresenta marcas da interlocução solicitada e realiza a(s) ação(ações) solicitada(s) pela tarefa. - Usa recursos expressivos adequados para a situação de comunicação proposta. Inadequações linguísticas não comprometem o cumprimento da ação. - Usa informações de maneira coerente e autoral. REESCRITA para aperfeiçoar e/ou ampliar os recursos expressivos; submeter texto reescrito a colegas para reação e comentário. 2 – Cumpre a tarefa parcialmente - Interlocução ou ação solicitada não está clara. - Inadequações no uso de recursos linguísticos dificultam a realização da ação proposta. - Informações incoerentes ou trechos confusos. REESCRITA para explicitar marcas de interlocução ou a ação solicitada; adequar ou utilizar maior variedade de recursos expressivos; reformular ou refazer trechos problemáticos para entendimento do interlocutor. 1 – Não cumpre a tarefa - Escreve outro texto, diferente do solicitado. - Inadequações linguísticas impedem a realização da tarefa solicitada. - Cópia ou produção insuficiente para o cumprimento da tarefa. REESCRITA para realizar novamente a tarefa solicitada. Quadro 2. Parâmetros de avaliação de leitura e escrita. Linguística aplicada ao ensino do português154 Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 154 10/03/2017 10:37:06 Na avaliação da redação do ENEM, um dos critérios usado para avaliação dos alunos é o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, variedade mais adequada para esse gênero do discurso: redação escolar. Observe, no quadro abaixo, os níveis e as descrições das competências. O texto do aluno é considerado nível 0 quando o aluno demonstra desconhecer a modalidade escrita formal da língua portuguesa, e nível 5 quando demonstra excelente domínio, não só da modalidade formal, mas também da escolha de registro – ou seja, o aluno tem a competência de saber qual a variedade mais adequada para aquele gênero do discurso específico. Fonte: ENEM. 155Práticas de ensino e avaliação de gramática Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 155 10/03/2017 10:37:07 Dentre os critérios estabelecidos conjuntamente com os alunos, alguns estarão relacionados com questões gramaticais, ou seja, partirão das reflexões linguísticas desenvolvidas em aula. É fundamental que os alunos saibam que o uso dos elementos gramaticais relevantes que surgem a partir dos textos lidos e a análise dos textos produzidos será considerado na avaliação. Na grade, pode-se pensar em critérios específicos para um elemento gramatical trabalhado (p. ex., uso dos pronomes para evitar repetição do personagem) ou em um critério mais geral relacionado ao uso da variedade mais apropriada para aquele gênero do discurso. O mais importante é que o professor saiba relacionar a prática de avaliar dentro da perspectiva do ensino de língua baseada no uso da linguagem. Saber avaliar, saber circular pela prática avaliativa é um movimento importante para a reconfiguração das aulas de português em uma escola que precisa ser mais democrática e aberta à heterogeneidade do mundo da escrita e dos sujeitos que participam dela para aprender mais sobre esse objeto cultural tão valorizado em nossa sociedade grafocêntrica. 1. Sobre a avaliação dos textos dos alunos: a) Não devemos corrigir a gramática. b) Devemos corrigir apenas a gramática. c) Devemos ler o texto como leitores interessados, não apenas como simples avaliadores. d) Devemos corrigir todos os erros que os alunos cometem. e) Os alunos devem seguir todas as sugestões de melhoria apontadas pelo professor. 2. A reflexão sobre o uso da linguagem acontece: a) Somente na análise das produções dos alunos. b) Acontece na etapa de leitura dos gêneros. c) Por meio da reflexão sobre como usar a gramática. d) Por meio da discussão de textos autênticos pertencentes a diferentes gêneros do discurso. e) Por meio da análise linguística. 3. A avaliação das variedades linguísticas adotadas pelo aluno na escrita do seu texto: a) Deve seguir a norma culta. b) Deve ser a variedade linguística utilizada pelos alunos. c) Deve ser a variedade que o professor orienta os alunos a utilizarem d) Deve ser a definida por todos a partir da análise dos gêneros do discurso. e) Deve ser a mais formal possível, pois estamos falando de escrita. Linguística aplicada ao ensino do português156 Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 156 10/03/2017 10:37:09 MARCUSCHI, B.; SUASSUNA, L. (Org.). Avaliação em língua portuguesa. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. RIO GRANDE DO SUL. Referenciais curriculares do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Secretaria de Estado da Educação, 2009. SCHLATTER, M.; GARCEZ, P. M. Avaliar a escrita é ser interlocutor do texto. Na Ponta do lápis - Almanaque do Programa Escrevendo o Futuro, São Paulo, n. 24, p. 38-43, maio 2014. SCHLATTER, M.; GARCEZ, P. M. Línguas adicionais na escola: aprendizagens colaborativas em inglês. Erechim: Edelbra, 2012. 4. Ao elaborar os critérios para avaliação de um texto, o professor deve: a) Definir quais são os critérios de avaliação logo no início da produção, não os modificando até o fim do projeto b) Considerar somente os aspectos da língua padrão, pois é ela que vai definir a qualidade da escrita. c) Construir sozinho, sem a ajuda dos alunos, pois é o professor que estudou e sabe como avaliar. d) Considerar a constituição do gênero do discurso que está sendo lido e produzido e elaborar os critérios junto com seus alunos para que todos os sujeitos estejam a par de como a prática avaliativa está acontecendo. e) Deve considerar os critérios exigidos em grandes exames nacionais, pois o aluno deve estar acostumado quando tiver de fazer esse tipo de prova. 5. A avaliação hegemônica é aquela que: a) Considera a progressão do aluno. b) Preocupa-se em avaliar somente o que aluno sabe em determinado momento do processo educacional. c) É sinônimo de avaliação formativa. d) Considera as práticas de uso da linguagem. e) É discursiva. 157Práticas de ensino e avaliação de gramática Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 157 10/03/2017 10:37:09 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Quais são os métodos de avaliação existentes? Como eu defino qual é melhor para o meu grupo e meus objetivos? Nesta videoaula você vai conhecer os aspectos que envolvem a avaliação formativa e a quem esse processo interessa. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! NA PRÁTICA Você é avaliador das redações do ENEM e precisa avaliar o texto da candidata Julia com relação à competência 1 do quadro abaixo. Para atribuir uma pontuação à aluna, você precisa identificar a presença ou não de inadequações dentro do esperado pela norma padrão do Português Brasileiro. Pensando na relação da reflexão linguística com a produção de textos, observe a primeira competência avaliada na redação do ENEM. Observe, no segundo quadro, que os candidatos são avaliados, não só por terem o domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa, mas também por terem a competência de escolherem o registro mais adequado. Essa é uma avaliação que tirou nota máxima. Sobre a primeira competência, a participante demonstra que tem excelente domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa, tanto pelas estruturas linguísticas construídas, como pela seleção lexical e pela escolha de registro. Não há erros de convenções da escrita. Como única inadequação, aponta-se, no terceiro parágrafo, o emprego do verbo permanecer (em vez de continuar), no trecho “conforme permanece a ser reproduzida”. SAIBA MAIS Para ampliaro seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Avaliação em língua portuguesa - Parte I Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Avaliação em língua portuguesa - Parte II Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Avaliação em língua portuguesa - Parte III Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Avaliação em língua portuguesa - Parte IV Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!